Atletiba #353: nunca os rivais foram tão a antítese do outro

O colorido das arquibancadas sempre foi um choque: o contraste do vermelho contra o verde, do branco com o negro. Culturalmente, as duas equipes também são historicamente opostas: o atleticano é mais inflamado, apaixonado incondicional; o coxa-branca é mais exigente, defende o orgulho de sua história. Foram fundados em bairros opostos no mapa da cidade. Ora similares pelo sofrimento (a torcida do Coritiba tornou-se mais aguerrida de 2004 para cá), ora similares pelas glórias (a conquista de 2001 também mudou o Atlético, tornando seus torcedores mais “cornetas”), Atlético e Coritiba sempre foram diferentes. Mas nunca tanto como no clássico do final de semana no Couto Pereira.

  • Idade e experiência

A criação de uma equipe “Sub-23” em 2012 já denunciava: o Atlético iria usar o Estadual para testar seus jovens valores. Do lado coxa-branca, uma série de reforços com rodagem em outros clubes foram constituindo o elenco: Alex, Deivid, Lincoln. Ao se verificar as duas escalações nas partidas que antecederam ao 353, os números tornam isso evidente – as idades estão entre parênteses.

O Coxa que fez 7-0 no Rio Branco teve Vanderlei (29) no gol, Leandro Almeida (25), Pereira (33), Chico (26) e depois Junior Urso (22) e Gil (25), depois Geraldo (22) na linha de defesa, Willian (23), Patric (23), Robinho (25), depois Lincoln (34) e Alex (35) no meio e Rafinha (29) e Julio César (32*) no ataque. Uma média de idade de pouco mais de 27 anos, incluindo os substitutos.

O Furacão que fez 3-1 no J. Malucelli teve Santos (22) no gol,  Léo (21), Erwin (18), Bruno Costa (23) e Héracles (20) na linha de defesa, Renato (21), Renan Foguinho (23), Elivélton (20), depois Marcos Guilherme (17) e Harrison (20) no meio; Coutinho (19) depois Rafael Zuchi (19) e Pablo (20) depois Junior de Barros (19) no ataque. A média de idade é de pouco mais de 20 anos.

A diferença também é clara no currículo dos jogadores. Enquanto o Coxa conta com jogadores com rodagem internacional (Lincoln, Júlio César) e que já ganharam títulos até mesmo com a Seleção Brasileira, como Alex, o Furacão tem uma safra toda nova, com os mais experientes sendo Foguinho, Bruno Costa e Héracles, que já disputaram partidas pelo time principal.

*Fará 33 dois dias depois do clássico.

  • Prioridades

Essa não é segredo pra ninguém: o Coxa persegue um tetracampeonato que não vem desde 1974 enquanto o Atlético menospreza o estadual, priorizando uma pré-temporada de 4 meses sem jogos oficiais (o clube deve usar os titulares somente contra o Brasil de Pelotas, dia 03/04).

Cada um aposta numa fórmula diferente para a temporada. O Coxa chegou a esticar a preparação, mas passou a usar os principais jogadores no dia 31/01, na 4a rodada, contra o J. Malucelli. Para o superintendente de futebol do Coritiba, Felipe Ximenes, “não existe time A ou B. Existe um elenco forte, que possa disputar qualquer campeonato.” A fórmula, posta em funcionamento a partir de 2010, rendeu ao clube um brasileiro da Série B, três estaduais e dois vice-campeonatos da Copa do Brasil. Em 2013, são 9 jogos oficiais, com 6 vitórias e 3 empates.

A Copa do Brasil é a prioridade para o Atlético, de acordo com o que se ouve nos arredores do CT do Caju. Não há confirmação oficial, mas o time principal só passará a jogar pra valer em 2013 na primeira partida – e já decisiva – na Copa, contra o Brasil em Pelotas-RS. Enquanto o time “Sub-23” patina e cumpre tabela no Estadual, o time principal disputou uma competição amistosa internacional, a Marbella Cup, na Espanha. Venceu o Ludugorets Razgrad, o Dínamo de Kiev e o Dínamo Bucareste para ficar com a taça. Em paralelo, o elenco secundário conquistou 2 vitórias em 9 jogos na competição oficial – pela qual se disputará o Atletiba 353. No CT do Caju, ninguém é autorizado a falar sobre a estratégia do clube para a temporada.

  • Ídolos

Alex é o ídolo máximo do Coritiba e voltou para o clube para tentar ser campeão pela primeira vez com a camisa coxa-branca. O meia mesmo reconhece que é um “ídolo sem sê-lo” ou “selo”, como queiram. O valor de Alex é pelo que fez fora de campo, nunca esquecendo de citar o Coxa; em campo, traz a pressão de tentar as primeiras conquistas no clube que o formou. Além de Alex, Rafinha e Vanderlei são os jogadores mais queridos e identificados com a massa alviverde.

Pressão existe também no Atlético. Na vitória contra o J. Malucelli, pressionados pelas más atuações com a camisa atleticana no Paranaense, os jogadores ouviram da torcida somente o nome do goleiro Santos. Os gritos de incentivo partiram muito mais pelo que o jovem goleiro fez pelo clube na Copa São Paulo de 2009, quando foi vice-campeão, do que pela fase atual. No Atlético do Atletiba 353, não há ídolos rubro-negros – porém, as vagas estão em aberto.

  • Exposição midiática

Outro ponto em que os clubes tem posicionamentos completamente opostos. Se de um lado o Atlético optou por não fechar o contrato de transmissão de seus jogos e tem orientado seus jogadores e funcionários a não falarem com a imprensa, o Coritiba já teve 4 dos seus 9 jogos exibidos em rede estadual aberta e também um amistoso em rede fechada nacional, contra o Colón-ARG; na TV, o Atlético só apareceu na Marbella Cup, transmitida em TV fechada.

No Coxa, aproveita-se o espaço deixado pelo Atlético para explorar os canais de imprensa. O clube expõe patrocinadores muito mais que o rival – que recebeu críticas por isso. Se a exposição tem benefícios, também permitiu um episódio que chamou a atenção negativamente neste início de ano: a entrada de Lincoln sobre Botinelli, filmada e discutida em todo o país. Por outro lado, enclausurado, nem mesmo a inédita contratação do ex-Barcelona Fran Mérida pelo Atlético virou notícia nacional em larga escala.

  • Farpas nas diretorias

Homens de negócios bem-sucedidos, Vilson Ribeiro de Andrade e Mário Celso Petraglia já estiveram sentados à mesma mesa, mas, ultimamente, passaram a trocar provocações de maneira direta, desde o desacordo para que o Atlético de Petraglia jogasse no estádio do Coritiba de Vilson.

Petraglia por Vilson: “O dia em que eu ler carta do Petraglia pode me internar. Eu estarei indo consultar o psiquiatra.”

Vilson por Petraglia: “O ‘homem bom’ se revelou um traidor! Mesmo com meus 68 anos, faltam-me palavras para expressar a falta de ética do Sr.Vilson.”

 

Conheça Fran Mérida, reforço espanhol do Atlético

O Atlético confirmou nesta segunda a contratação do meio-campista espanhol Fran Mérida, de 22 anos, que estava no Hércules, da Espanha.

O jogador começou no Barcelona em 2006, numa geração que tinha Messi, Iniesta e Xavi. Mérida atuou pouco com o trio famoso do Barça, se transferindo para o Arsenal, caminho feito um ano antes por Césc Fabrégas. Para isso, pagou uma multa de 3,2 milhões de euros. Nos Gunners, fez apenas 16 jogos oficiais em duas passagens, um deles pela Liga dos Campeões de 2009/10.

Do Arsenal, foi para o Atlético de Madrid, onde também teve problemas para se firmar. Entre idas e vindas, defendeu o Sporting Braga de Portugal e fez parte do elenco dos Colchoneros campeão da Liga Europa 11/12. Abaixo, a apresentação dele no Atleti.

Com o fim de contrato com o Atlético de Madrid, estava disputando a 2a divisão espanhola pelo modesto Hércules de Alicante, que está na zona de rebaixamento para a terceira divisão, no 20o lugar entre 22 equipes. Fez 19 jogos, com 1 gol marcado.

Ao diário Marca, da Espanha, Mérida disse estar “feliz com o negócio e eu vou tentar continuar a desfrutar do futebol neste novo desafio.” Segundo o jornal, o Atlético comprou os direitos do jogador, mas os valores não foram revelados. O contrato é até o final do ano, com opção por prorrogá-lo por mais dois anos.

Artigo: quem perde na briga do Atlético com a imprensa?

Essa é uma informação exclusiva: a Coca-Cola se reuniu há 10 dias com a diretoria do Atlético para cobrar do clube o porquê da pouca exposição da marca na mídia. Na reunião, esteve presente o diretor de comunicações, Mauro Holzmann.

A Coca-Cola cobrou a ausência da exposição dos banners com os patrocinadores e usou até mesmo o Coritiba como exemplo, citando ainda que, com imagens de treino disponíveis para toda a mídia no Alviverde, há retorno do investimento em propaganda até mesmo quando os atletas do Coxa estão consumindo o isotônico da empresa, o que aparece na televisão. Holzmann prometeu algumas contra-partidas – as placas atrás dos gols nos jogos do Atlético no Paranaense, por exemplo. Ainda assim, a direção de marketing da multinacional não ficou contente com as explicações e poderá rever o contrato. A assessoria de imprensa da Coca-Cola confirmou que procurou o clube.

Esse é apenas um dos exemplos das perdas que o Atlético vêm tendo a partir das restrições que tem imposto à mídia em 2013. O modelo de comunicação adotado pelo clube é inédito no Mundo e vai na contramão de tudo o que prega qualquer boa cartilha em gestão e comunicação. Antes de continuar o artigo, faço o aviso: sou formado em jornalismo e também em publicidade, tendo trabalhado por anos na área, antes de migrar para redações. Também sou pós-graduado em gestão esportiva e jornalismo esportivo. O artigo aqui, portanto, não é um achismo; é um apanhado de informações e reflexões sobre as decisões do clube que, pelo volume de torcedores que possui, tem relevância no mercado nacional.

É preciso se entender as razões da decisão da diretoria do Atlético. E também separar algo que já é bem caracterizado no mercado: o que é jornalismo e o que é entretenimento. A opção de não vender os direitos de transmissão para o campeonato estadual é um direito do clube, que argumentou que o valor está abaixo daquilo que entende ser correto. A exibição dos jogos é tratada, até mesmo pela principal emissora do País, como entretenimento. É como quando você quer comprar um carro: ele tem um preço, você tem um valor no bolso; se for compatível, ok. De outra forma, não sai negócio. Sabe-se, porém, que há mais por trás da decisão do que só uma valorização de mercado.

Há anos que a atual diretoria do clube têm problemas com parte da imprensa. E aqui cabe outra ressalva: não há corporativismo na análise – até porque posso garantir que poucas classes são mais desunidas e acirradas que a de jornalista – mas há que se pesar que ora um tem razão na reclamação, ora outro. Há quem diga que tudo que começou em 2004, em uma discussão entre diretores do clube e comentaristas em uma das principais rádios de Curitiba. Há também quem ache que essa mesma rixa vem de mais tempo, 1988, com o cenário político na capital, envolvendo o personagem de mais destaque no clube, Mário Celso Petraglia. Fato é que, por muitas razões, o mercado do jornalismo esportivo é mal visto na cidade, independentemente do time para o qual você torça. E que muitas vezes misturam-se as relações pessoais com as profissionais. Acontece nos microfones e também no site oficial do clube, exemplos não faltam.

O site oficial, aliás, tem uma boa ideia sobre como se comunicar. Só que mal executada. A segmentação de informações do clube não é invenção do Atlético. Há anos já existe a Barça TV, assim como a Real Madrid TV. Existem até mesmo canais de TV que pagam para ter a programação oficial dos clubes. Milan Channel e MUTV (do Manchester United) cobram para canais exibirem seus conteúdos. No Brasil, clubes têm até espaços em canais, como a TV Corinthians no Esporte Interativo – mas a inversão é que o clube compra o espaço para divulgar seu material institucional. Rádios também são opção para o torcedor. O Grêmio tem a sua, que acompanha todos os jogos. Ainda em Porto Alegre, existe uma rádio não-oficial chamada Rádio Grenal, do grupo Guaíba, que fala tão somente da dupla, com jogos transmitidos por torcedores – uma relação que eu considero perigosa e explicarei porque a seguir. Mas, enfim, existem produtos similares no mercado. Nenhum porém que vete o jornalismo em cima do clube.

O jogo é entretenimento; a entrevista, não. Um clube de futebol trabalha não só a emoção do torcedor nos 90 minutos. Tem balanço financeiro e alguns benefícios fiscais. Vende e compra ativos no mercado (os jogadores). Tem departamento médico e de marketing. Movimenta muito dinheiro. Especialmente os grandes clubes, que, por tudo isso são de interesse público. Aí entra a imprensa, que tem como principal trabalho monitorar tudo isso. Um ótimo repórter, no entanto, dribla 90% das restrições do clube. Descobre contratações (olá, redes sociais), negociatas, informações sobre patrocínios e lesões. Falta apenas uma ponta, não menos importante: ouvir o protagonista do espetáculo. É ele quem leva o torcedor pro estádio. Neymar e seus milhares de fãs não me desmentem. E é ele que o povo quer ouvir. No Atlético, não há essa possibilidade.

Cristiano Ronaldo é um craque de bola e de mídia. Ao contrário de Messi, não é low-profile; gosta de badalação e já apareceu até com Paris Hilton nos jornais. Explora bem isso, convertendo em dinheiro, sem deixar de desempenhar em campo. Sem a mídia, Cristiano Ronaldo seria apenas um ótimo jogador, não um ídolo pop. Coisa que Messi é em menor grau, mas não porque o Barcelona o esconde. Messi concede entrevistas coletivas como qualquer outro jogador. A Espanha é o melhor exemplo para esse artigo que fala do relacionamento entre clube e imprensa. Para quem acha que há perseguição ao seu clube, é bom passar uma semana lendo os diários de Madri e Barcelona.

O Mundo Deportivo é o principal jornal de Barcelona; o Marca, o principal de Madri. Há uma clara preferência de cada um pelos clubes das suas cidades, sem pudor. Ambos, no entanto, se pretendem nacionais. E frequentam as entrevistas coletivas dos clubes. As perguntas mais ácidas, mais provocativas, costumam partir destes jornais. Mas somente para os clubes da outra cidade. O bairrismo catalão é a mola propulsora desta disputa, que passou até pela Guerra Civil Espanhola. É histórica a disputa entre Barça e Real, Catalunha e Madri. E nem por isso os clubes barram os jornalistas. Ao contrário: recebem bem, exploram o espaço de mídia valorizando suas marcas e dão media-training aos jogadores que, claro, já estão bem escolados.

No Mundo Deportivo, as notícias sobre o Real Madrid são sempre mais críticas

Jornalismo pressupõe contradição, investigação, réplica e tréplica. E o mínimo de isenção possível ao se lidar com o assunto. Nenhum jornalista é completamente isento: todos temos histórico de criação, bagagem cultural, opções políticas e clubísticas. Mas, ao se empunhar um microfone, isso deve ser deixado de lado o máximo possível. Eu, por exemplo, tenho meu clube do coração. Acho irrelevante declarar – não irá mudar em nada qualquer decisão de ninguém – e procuro isentar-me dos temas da seguinte forma: se eu torço para um determinado time, sei o que o torcedor do rival sente pelo dele. Logo, dou o respeito que gostaria de receber. Com o tempo e o desgaste, o futebol perde a magia e o lado profissional fica em primeiro lugar. E é por isso que jamais uma visão mono e institucional sobre qualquer tema será benéfica. O contraditório é importante para que você desenvolva o seu próprio julgamento.

Assim, por mais que o site oficial de qualquer clube se esforce, jamais será uma fonte 100% confiável; ela é partidarista. Tal qual os programas esportivos com torcedores – já tive oportunidade de comandar duas atrações assim – que perderam-se no tempo por misturar informação com entretenimento. São divertidíssimos quando ficam nas rixas e gozações, mas se perdem quando precisam adotar uma postura informativa. Cada um defende o seu, sempre. E a informação é dada pelo emocional: se fulano jogou mal, não presta, se fez gol, é Pelé. O pronunciamento dado por Mário Celso Petraglia, com interatividade de sócios, seguiu essa linha, bem como as entrevistas feitas pelo site do clube, que pretende servir como fonte única de informação. Falta réplica, contraditório. O que as entrevistas coletivas já vinham minando há algum tempo, o Atlético tratou de exterminar. Com a visão mono, perde-se o lado crítico e a consequência é a letargia: tudo é bom, bonito e tudo serve. Ou foi fatalidade. O popular “Deus quis assim”.

O Santos, com a SantosTV, explora ao máximo as brincadeirinhas com Neymar. Em São Paulo, o Santos não consegue muita audiência. Tem um grande ídolo e aproveita isso, sem barrar qualquer entrevista com qualquer jogador. Atendendo as necessidades, o Peixe expõe sua marca constantemente na mídia nacional. As notícias, a cargo da imprensa. Os bastidores, o Santos oferece e a mídia exibe. Se Neymar ficar noivo e feliz, isso vai ser notícia sem que se cobre dele o desempenho em campo pelo viés crítico.

A confusão entre jornalismo e entretenimento faz com que o clube execute errado uma ideia que seria salutar a todo o mercado – e causa arrepios a alguns colegas: a venda dos direitos de transmissão de rádio. A Fifa já faz isso com a Copa. A lei garante o jornalismo e registro de 3% do espetáculo (vale também pra shows, por exemplo), mas os 90 minutos, só para quem pagar. Foi assim que a TV Bandeirantes começou a transmitir o Campeonato Paulista nos anos 80, dando o pontapé num negócio de alta rentabilidade, para clubes e emissoras. É natural que haja o mesmo no rádio. Porém, nenhum clube conseguirá executar nada sozinho. Se eu compro os direitos de transmissão do Londrina, mas não compro os do Coritiba, como irei transmitir um jogo entre as duas equipes? Antes de executar a ideia, é preciso que todos a abracem. Novamente, o pecado está na execução.

No pronunciamento dado por Petraglia, uma frase chamou a atenção: “Hoje, todos têm smartphones”. Era o presidente do clube defendendo o acesso único a informações pelo site, TV e rádio oficiais. Deixando de lado a liberdade jornalística, a frase morre logo na premissa. É como a rainha francesa Maria Antonieta e a frase atribuída a ela: ” “Se o povo não tem pão, que coma brioches!” A fome do povo vinha da falta de dinheiro, não de opção. O humilde carrinheiro que já anda afastado dos estádios por conta dos ingressos, não tem smartphone. E não terá mais acesso a sua paixão – claro, se for atleticano. Para desgosto rubro-negro, o Coritiba segue a contramão: nos últimos 15 dias, foi exibido 4 vezes em redes nacional e estadual.

A média de audiência do mais consagrado programa de esportes em Curitiba é de 14 pontos no Ibope. Cada ponto equivale a 27 mil televisores ligados que, em média, são assistidos por 6 pessoas. Numa conta rasteira, 150 mil pessoas por dia. O pronunciamento de Petraglia foi, até a redação deste artigo, “curtido” por 125 pessoas, com 78 “tuitadas”, dando a dimensão limitada do acesso do conteúdo na web. O Atlético hoje tem 93 mil seguidores no Facebook e 34 mil no Twitter, enquanto a torcida estimada do clube é de 1,2 milhão de pessoas. Ainda que seja um pronunciamento, as ideias de Petraglia chegaram a pouca gente. Até mesmo as boas, como a pré-temporada na Europa, acabam se perdendo pela falta de explicações. Menos mal para o público que houve um acerto com um canal de TV a cabo nacional para a exibição dos jogos.

Audiência TVCAP: ideias de Petraglia chegam a poucas pessoas

O conflito de interesses entre imprensa e clubes vai sempre existir. Ora ético, ora não, de ambos os lados. É assim na política, na polícia e em todas as áreas do relacionamento humano. Como o futebol é feito de vitórias e alguns torcedores têm a moral distorcida por isso (ganhou tá lindo, perdeu não presta), é uma variável a repercussão dos assuntos. Saber lidar com isso, usando de transparência e inteligencia, é o melhor caminho.

Abrindo o Jogo

Depois de 1 ano e 4 meses, encerrei ontem meu contrato com o jornal Metro Curitiba. Só tenho a agradecer à equipe, que me recebeu muito bem nesse período, em especial à Martha Feldens, diretora de jornalismo e autora da idéia de que eu fosse colunista lá.

A última coluna, que iria estar nos jornais hoje, estava pronta. Mas não houve acerto para continuidade e, por isso, publico-a aqui no blog, que seguirá ativo.

Via de mão-dupla
Petraglia é “ame-o ou odeie-o” – conflito que erroneamente chegou até a imprensa, que deve avaliar temas e não a pessoa. Dito isto, já se antevê mais uma polêmica. No pronunciamento que deu recentemente (entrevista pressupõe réplica e contradição) exibido pelo site do Atlético, disse pretender levar jogos contra grandes de SP, RS e RJ para Londrina, Cascavel e até Brasília. Petraglia, que sempre cobra reciprocidade dos seus torcedores, caso faça isso, atingirá em cheio os cerca de 14 mil sócios – número impressionante de adimplentes após um rebaixamento e dois anos sem estádio. Sob a justificativa de que o clube precisa de dinheiro, pode abrir mão do fator campo (decisivo em 2012) e desprezar o sócio, quem mais apoiou o pior momento da história recente atleticana. O balanço mostra um caixa em dia, saneado. Não há porque o Furacão vender renda para sanear nada. Mais importante: os sócios pagam R$ 70 por mês para ver os jogos. Destes, apenas R$ 10 vão para o borderô – o resto é caixa do clube. Faça as contas. Se não há acordo na cidade – embora haja dinheiro para alugar a Vila, por exemplo – pode se buscar Joinville, como fez o Coritiba em 2010. Resta saber se o pensamento é pró-torcedor ou a articulação já está fechada, com o recado dado nas entrelinhas para ser digerido pelos torcedores durante o Brasileirão. Dúvida: onde anda a associação de sócios do Atlético, criada por Petraglia na gestão Marcos Malucelli?

A Copa, finalmente, em Curitiba
A nova prefeitura promete finalmente explorar a vinda da Copa na capital. Logo depois do Carnaval, a cidade deve iniciar um plano pró-Copa, evidenciando os benefícios que o evento trará a cidade, com ações em comunicação. Para esse ano, estão previstas ações de capacitação de profissionais pensando no turismo na cidade. Haverá visitações a consulados no exterior, de olho na Olimpíada Rio 16. Curitiba quer buscar delegações para hospedagem e treinamento na cidade. Sabendo da rixa que há quanto ao Mundial por conta da rivalidade Atletiba, há também um plano de aproximar mais o Coxa da Copa, incluindo ações na Turquia, explorando a imagem de Alex por lá.

Alex, o midiático
Começam cobranças pelo desempenho nos jogos em que ele atuou – e o próprio reconheceu que não está bem. Já há quem diga que pode ser excesso de exposição na mídia. Exagero. O meia está fazendo o papel que lhe cabe fora de campo e, dentro, é muito cedo para cobrar. Vale o recado: o maior problema para Alex no Coxa antes da volta era o tamanho da expectativa sobre ele. Alex tem lenha pra queimar (ou não seria procurado por tantos) mas é preciso deixar o fogo pegar primeiro.

Lincoln x Botinelli
A entrada que acabou em fratura no treino do Coxa deve ser julgada como acidente de trabalho e imprudência, num primeiro momento. Alguns se apressam em julgar o caráter de Lincoln. Isso é leviano. Se houve maldade, saberemos pela reação dos colegas nos próximos dias, que jamais tolerarão esse tipo de atitude.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 30/01/2013

Sub-26
A vitória do Paraná no Derby coloca o time na disputa do título do turno. Depois dos jogos contra Londrina e Coritiba, ambos na Vila Capanema, isso poderá ser concreto. Num campeonato curto como o Paranaense, o Paraná pode garantir um lugarzinho na decisão depois de quebrar um tabu de 5 anos sem vencer o Atlético. Se o Rubro-Negro usou um time S23, pouco importa; aliás, fazendo as contas, o do Paraná é “Sub-26”. Na conta, a melhor formação etária para uma disputa, equilibrando jovens como Alex Alves (20) e Luizinho (21) e experientes como Anderson (32) e Lucio Flávio (33).

Sub-23
Há confusão nas cobranças ao Atlético pela derrota. Primeiro, não há relação direta entre a (válida) tentativa do clube priorizar uma pré-temporada para o time principal e o relacionamento atual com a imprensa; uma coisa não afeta a outra. O time ser jovem também não é o maior problema – não vejo críticas quanto à imaturidade de jogadores como Neymar, Lucas e Oscar, todos abaixo dos 23 anos. O problema é a qualidade de alguns jogadores já testados no clube e que não correspondem. Citar nomes é injusto, pois não assisti nenhum dos três jogos da equipe. Mas não é preciso pensar muito ao ver a escalação que empatou com os fracos Rio Branco e Nacional e perdeu o Derby.

A frase
“Eles cumpriram bem o papel deles. Todas as pessoas que acompanham o nosso dia a dia sabem que é muito difícil transformar uma equipe de jovens num nível A,” do técnico Arthur Bernardes, que comando o Atlético no Estadual, reconhecendo presão após a derrota no Derby, e que pouca gente vê o trabalho dele no clube, em entrevista ao veículo institucional do clube, acessível pela internet.

Nada amistoso
A reestreia de Alex foi mágica para o coxa-branca e assim seria de qualquer jeito. Muitos veem o meia como um messias, alguém que vai projetar o Coritiba além fronteiras. Fora de campo isso já acontece – como trato abaixo. Em campo, porém, o time foi surpreendido pelo Colón, da Argentina. Não jogou bem contra o 10º. colocado do “Argentinão” 2012. Há o nervosismo da estreia, há a falta de ritmo e a catimba e jogo aguerrido dos argentinos, mas também há sinais de que as laterais seguem problemáticas e que dois jogadores precisam de uma chamada comportamental: Escudero e Rafinha. O último especialmente, pois dele se espera muito e terá grande concorrência para ser um dos 11 titulares durante o ano.

Yakinda: üye olunuz
Ou, em turco, “em breve, associe-se.” É o Coxa ensaiando aproveitar a imagem de Alex na Turquia, onde é ídolo de um dos clubes de maior torcida do País. Para se fazer uma comparação, é como se Zico, ídolo máximo do Flamengo, fosse turco. E lá se consume tudo que gira o meia.

Sobrou pra você

O acordo para que os jogos entre os times de Curitiba fossem disputados no Couto Pereira não saiu e já no Derby Paranaense do domingo, todos vão ao Janguito Malucelli. Todos não; cerca de 6 mil “felizardos”, 5500 atleticanos (1/3 dos sócios do clube) e 550 paranistas que desejarem acompanhar o time – e devem o fazer rapidamente, pois terão de comprar ingressos. Depois é depois e não se sabe ainda como serão disputados o Atletiba e o Paratiba. Conversei com gente do Coxa e do Paraná e apurei o porque de, novamente, ter sobrado pra você, torcedor, a pior parte do bolo.

Tentei contato com o Atlético, mas não fui bem sucedido. Pouco depois de procurar o clube, ainda na sexta, foi divulgada uma nota oficial sobre o tema – aqui está, para quem não leu. Coritiba e Paraná me atenderam. Minha fonte no Coxa pediu sigilo, o que irei respeitar; no Paraná falei com Paulo César Silva, vice-de futebol. Juntando as peças, chego a conclusão de que não é o caso de se achar um culpado pelo desacordo e sim lamentar que, mais uma vez, será o torcedor a pagar o pato.  Por isso, desde já agradeço a todos que estão lendo essas linhas. Com tanta oferta de bom futebol por aí, dedicar seu tempo a ler as informações sobre mais esse episódio frustrado no Paraná mereceria um prêmio.

A ideia surgiu com o presidente da FPF Hélio Cury buscando os três clubes com uma premissa básica: os grandes jogos no Couto, como antigamente, poderiam oferecer mais conforto e segurança ao torcedor, além de gerar uma maior arrecadação. E foi por conta da arrecadação, e em detrimento do conforto e segurança do torcedor, que o negócio não saiu.

Á exceção do Atlético, que se manifestou somente por nota, colhi a impressão de que – pasmem – as reuniões foram boas. Algo do tipo “não deu agora, mas dará nas próximas.” Por isso não se espante se os Atletibas saírem no Couto, por exemplo.

Cada clube enviou três representantes a reunião. Dagoberto dos Santos e Fernando Delek estiveram pelo lado do Atlético, acompanhados de mais um advogado do clube cujo nome não consegui confirmar. Pelo Paraná, Rubens Bohlen, Paulo Cesar Silva e Celso Bittencourt. O Coritiba enviou Gustavo Nadalin e Doth Leite, além de um terceiro representante. Na manhã desta quinta, Hélio Cury conversou pessoalmente com Mário Celso Petraglia; já havia falado na noite anterior, por telefone, com Vilson Ribeiro de Andrade. Todos estavam favoráveis.

O Coritiba se dispôs a ceder o estádio mediante o pagamento de um aluguel de 50 mil reais por jogo. Atlético e Paraná aceitaram. A carga para o visitante seria de 15 mil ingressos – número confirmado por dois dos três clubes – com 21 mil ingressos para os mandantes.  Os clubes mandantes poderiam usar o vestiário principal do Couto, mesmo contra o Coritiba. E outros pormenores foram acertados, sobre camarotes, segurança e limpeza. A discordância, já pública pelas notas oficiais publicadas, foi no acesso dos sócios.

Segundo o Coritiba, desde a primeira reunião, o clube queria que seus sócios não pagassem ingressos em nenhum dos jogos. E sugeriu que nenhum sócio de nenhum clube o fizesse. Ainda segundo o Coxa, o Atlético prontamente aceitou a situação. O Paraná, não. PC Silva me explicou: “Ganhamos mais mandando o jogo na Vila. A conta pra nós não fecharia. O Coritiba será visitante, porque nós pagaremos o aluguel, e ele não quer pagar? O Paraná fatura em lanchonetes, estacionamento e outras coisas quando joga na Vila. Vou ter arrecadação até menor pra que, pra atender o Atlético?”

O “atender o Atlético” é a compreensão que o Tricolor tem do caso. Para PC Silva, o maior beneficiado seria o Rubro-Negro, que é nômade no momento. O Furacão, por sua vez, evidentemente discorda. Olhando a nota oficial, o clube deixa claro em um trecho: “Ou seja, o Coritiba seria beneficiado em utilizar seu estádio em todos os clássicos, receberia o valor do aluguel e ainda a gratuidade para seus associados mesmo não sendo o mandante do jogo.” Na conversa com o diretor do Coxa que falou sobre o episódio, ficou clara a posição de valorizar seu patrimônio. Além disso, uma confidência: “O Paraná viu que não valeria a pena. O clube não tem tantos sócios quanto nós ou o Atlético e teria que vender sua carga”, julgou o intelocutor alviverde, o que acabou corroborado por PC Silva. “Você não tem a certeza de que o torcedor iria ocupar os 15 mil lugares. Com 10 mil pagantes, as despesas não cobrem (são cerca de 5 mil sócios no Tricolor). Eu até entendo o Coritiba. Mas quando o Paraná cedeu a Vila pra Atlético e Coxa, o nosso torcedor tinha que pagar.” Os clubes ainda tentaram outra solução: o Derby com mando do Atlético no Couto e o Atletiba, também com mando rubro-negro, na Vila. Não chegaram a um acordo em tempo hábil.

De certa forma, um empurrou pro outro a falta de acordo. Todos têm sua dose de razão: um vai faturar menos, outro não tem onde jogar, outro quer valorizar seu espaço. É possível, repito, que nos próximos jogos haja ainda algum acordo. Mas, voltando ao tema central da ideia, entre segurança e conforto para o torcedor, todos pensaram no dinheiro. Que vai sair de um único lugar, seja como sócio, seja na bilheteria.

Sobrou pra você, torcedor.

 

Abrindo o Jogo: coluna no Jornal Metro Curitiba de 23/01/2013

O valor de um ídolo

O amistoso do Coritiba contra o Colón, da Argentina, no próximo sábado, será exibido para todo o Brasil. Será a reestreia de Alex com a camisa alviverde. O Coxa tratou de negociar a transmissão com um dos principais canais de TV a cabo do Brasil, em meio a terceira rodada do Paranaense. No domingo, dia seguinte, o Coxa novamente estará na telinha, enfrentando o Cianorte, desta vez com exibição apenas para o Paraná. A mídia nacional tem total interesse em saber de Alex pelas passagens no Palmeiras (campeão da Libertadores 1999) e Cruzeiro (no inesquecível 2003 celeste). Cruzeirenses, que sempre foram simpáticos ao Atlético no Paraná, podem até “virar a casaca”, dada a importância de Alex. E o Coxa ainda não explora tudo o que cerca o ídolo. Durante a semana que passou, um turco, de nome Murat Kapki, comprou nada menos do que 80 camisas oficiais do Coritiba, com o 10 de Alex, para levar para o seu país. Alex é rei no Fenerbahçe, uma espécie de Corinthians da Turquia, que vende em média 10 mil camisas por semana, segundo reportagens da imprensa local. Murat desembolsou cerca de 15 mil reais a vista para presentear amigos, entre eles o primeiro ministro turco, Recep Erdogan. Ainda contou ao advogado coxa-branca Percy Goralewsky que há um reality show na TV turca que premia o vencedor com um milhão de euros e uma visita à Curitiba, para conhecer Alex. São mercados que o Coritiba ainda não resolveu explorar, oficializando, por exemplo, uma loja em Istambul. Mas tem se aproveitado da exposição da marca para todo o Brasil, desde a confirmação da chegada de Alex.

Caminhos diferentes

Se ainda não rentabiliza o máximo que pode com Alex, o Coxa opta por aproveitar ao máximo todos os espaços que lhe são oferecidos na mídia, na estratégia de comunicação do clube. O Atlético, ao contrário, restringe. Existem razões para tal, mais do que somente uma represália à imprensa paranaense. Ainda assim, o caminho mostra alguns equívocos. Primeiro, pontuemos: é nocivo aos atletas e à torcida a restrição de entrevistas imposta pelo clube, mas não é ilegal. Trata-se de uma orientação de patrão para funcionário, prerrogativa do clube. Mas, ao contrário do fenômeno Alex, como criar um ídolo em ambiente enclausurado? Como o torcedor, insatisfeito com o desempenho em campo – pra ficar só no empate com o Rio Branco – pode questionar seus atletas, através da imprensa, se estes só falam ao veículo oficial? É como saber do Governo pela Voz do Brasil. Manter a porta com a mídia tradicional é importante. Além de tudo, é um desperdício de espaço midiático, o que poderá desagradar ou afastar patrocinadores. No entanto, há uma estratégia: o contrato com a AEG, que irá gerir a Arena, prevê a comercialização de conteúdo de mídia. Age bem o clube ao criar seus espaços próprios, como TV e Rádio – só que o faz por caminhos tortos. Real Madrid e Barcelona já os têm e são rentáveis e de qualidade. Aqui, o erro: na Espanha, são fomentadores da mídia. Dão material exclusivo, inédito. Abrem as portas, com disciplina, para qualquer questionamento da imprensa. E são os maiores clubes do Mundo. Já pensou o que seria de Cristiano Ronaldo se ele nunca pudesse dar entrevistas?

Dissecando o Paranaense 2013

Vai começar o Paranaense! Ok, a empolgação não é mais aquela de décadas anteriores, quando quase não se falava em calendário inchado, tampouco Messi invadia sua televisão (quem tinha, óbvio) todos os dias. Mas, como diz Fernando Pessoa, “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” Assim sendo, alguém ficará com a coroa de Rei do Paraná por uma temporada. E ninguém quer perder.

Portanto, se o Estadual é como brigar com bêbado ou não, é outro papo; o importante é que tem taça e clube de futebol serve pra isso: ganhar títulos. E o Paranaense 2013 tem um favorito e três azarões, que explico abaixo.

Coritiba

Coxa tetra em 74: feito pode ser repetido após 39 anos

O poster acima é do tetracampeonato paranaense do Coritiba – que viria a ser hexa – feito só alcançado por Britânia e Paraná Clube, além do próprio. E que pode ser repetido numa temporada em que tudo aponta para isso. O Coxa é, como há muito não se via, favorito disparado e aberto para a conquista. Terá, como naqueles tempos, um ataque forte e um meio criativo; o problema é a defesa, a começar dos volantes, ainda sem reposição à altura desde a saída de Leandro Donizete.

Há motivos para o favoritismo. O primeiro deles: Alex. Aos 35 anos, o meia voltou ao futebol brasileiro ainda em condições físicas e técnicas de levantar pela primeira vez uma taça pelo clube que o revelou. Deixou Palmeiras e Cruzeiro, por quem foi multicampeão, na espera. E vai comandar um time que entrará no Estadual com uma base formada desde o rebaixamento de 2009, com mudanças sutis entre as temporadas. Tem Emerson, Vanderlei e Rafinha, fundamentais na conquista do tri entre 2010 e 12. Manteve Deivid, atacante que achou seu espaço durante o Brasileirão do ano passado. E reforçou pontualmente, capitaneado pelo mineiro Felipe Ximenes, o mentor das equipes dos últimos anos. Conheça os reforços:

– Alex: Sim, não se esqueçam, ele não jogou ainda pelo Coritiba. Como a técnica do meia dispensa apresentações, vamos a frieza dos números das últimas três temporadas das 9 em que defendeu o Fenerbahçe: 84 jogos, 47 gols, 26 assistências, dois títulos nacionais (Copa e Campeonato).

 – Botinelli: o argentino, ex-Flamengo, tem 26 anos e deve disputar lugar com Rafinha no meio-campo alviverde. Começou chamando a atenção no San Lorenzo, pelo qual venceu o Argentino 2007, mas não repetiu as boas atuações em outros clubes. Chegou badalado ao Flamengo depois de rodar por Chile e México, tendo feito 69 jogos em dois anos, com apenas 9 gols. Deixou a Gávea abrindo mão de valores que tinha a receber para tentar encontrar na estrutura do Coritiba condições de jogo.

– Artur: ex-Paraná, Artur chega ao Coxa credenciado pela boa Série B pelo Tricolor, com 9 gols. A princípio, para compor elenco.

– Julio César: Outra opção de ataque. Fez 16 gols em dois anos pelo Figueirense, se destacando ao lado de Aloísio, que rumou ao São Paulo, deixando a equipe catarinense, que acabou rebaixada.

– Leandro Almeida: zagueiro, revelado no Atlétic0-MG, foi emprestado pelo Dínamo de Kiev após a eliminação na Copa dos Campeões. Joga pelo lado esquerdo do campo.

– Patric: outro jogador revelado pelo Galo, que disputou o Brasileirão pelo Náutico. Chega para substituir Ayrton, que foi para o Palmeiras, e disputar posição com o jovem Victor Ferraz.

Paraná Clube

O vídeo acima é do último título estadual do Tricolor, há sete anos. De lá para cá, o clube passou poucas e boas, incluindo um vexaminoso rebaixamento para a segunda divisão local. A condição de azarão cai bem ao Paraná, que se refaz aos poucos. Depois de um 2012 sofrido, a manutenção de uma base e do técnico Toninho Cecílio trazem alento. Com mais recursos que a maioria dos clubes do interior, faltava ao Paraná um pouco de organização e a credibilidade de volta. O primeiro, o clube já parece ter conseguido; o segundo, demora mais um pouco.

No fim do ano, às voltas com atrasos de salário, os jogadores mostraram brio e por pouco não atrasaram a vida do Atlético, no Derby da última rodada da Série B nacional, quando um empate eliminaria o Furacão. Ficaram com crédito com a torcida e com um gostinho de “podia mais”.  Assim, Toninho Cecílio e Alex Brasil, o gestor de futebol do clube, seguraram peças como Lúcio Flávio e Anderson e, principalmente, Wellington e Luizinho, que teriam mercado fora do Tricolor facilmente. O time, que oscilou muito na Série B, não chegou a ganhar muito em qualidade técnica, mas ficou com mais opções, tentando suprir uma das carências: a falta de peças. Mas há nomes interessantes como reforços, como Henrique, que volta do Coritiba (onde quase não foi aproveitado), e apostas na experiência. Conheça os reforços:

– Marcos: Revelado pelo Paraná em 1998, é outro que ganhou o Mundo e volta ao clube de origem. Claro, Marcos não teve – nem se pretende comparar – a projeção de Alex. Mas a volta do goleiro de 36 anos tem, para os tricolores, a mesma sensação. Depois de defender Marítimo e Sporting Braga em 9 anos em Portugal, volta mais maduro e com a missão de ser o líder da equipe paranista.

– JJ Morales: O atacante gringo agitou os bastidores da Vila. Mas, até que prove o contrário, é muito mais pelo glamour de ser estrangeiro do que pelo desempenho recente. Bom nas bolas aéreas, Morales rodou por equipes “lado B” da Argentina até ganhar uma chance no Quilmes, em 2008. O clube estava na Segunda Divisão após boas temporadas e até uma Libertadores. Morales marcou 16 gols em 25 jogos e chamou a atenção da Universidad Católica, do Chile. Disputou outra Libertadores, mas não emplacou. Rodou até parar no Atlético Venezuela, onde se contundiu em outubro de 2012. Chega ao Paraná como uma incóginta, aos 30 anos.

– Reinaldo: Aos 33 anos, Reinaldo chega ao 13o clube na carreira, que começou promissora no Flamengo e ainda teve destaque no São Paulo. Experiência não falta ao atacante, que tem tudo para ser titular do Paraná. Números de Reinaldo nas últimas três temporadas: 14 gols em 59 jogos por Bahia, Figueirense e Guangdong, da China.

– Gabriel Marques: liberado pelo Atlético, onde pouco jogou em 2012 (9 jogos e uma grave contusão no braço), o lateral de 24 anos pode ser bem aproveitado pelo Paraná se demonstrar a voluntariedade de alguns jogos no Furacão. Costuma ser mais efetivo na marcação que no apoio.

– Júnior Capixaba: chega por empréstimo, oriundo do Vitória-ES. Volante de 25 anos – deve compor elenco.

Atlético:

O jogo do vídeo acima é a inspiração do Atlético para o Paranaense 2013. Há 8 anos, quando estava prestes a decidir a Copa Libertadores contra o São Paulo, o Furacão, ainda sem vitórias no Brasileirão, teria pela frente o rival Coritiba. Não havia dúvidas: era priorizar a competição continental. O Coxa, favorito para o clássico, acabou surpreendido pelo time comandando por Evandro (hoje no Estoril, de Portugal) e repleto de jovens. Em 2013, não será apenas um jogo; ainda assim, a aposta é parecida: privilegiar a pré-temporada para colher no Brasileiro em detrimento ao Estadual.

O Atlético não oficializou se irá com um time B em todo o campeonato ou apenas em parte dele (hipótese mais provável). Mas enquanto disputa a Copa Marbella na Espanha, com os titulares do acesso em 2012, deixa um time comandado por Arthur Bernardes, técnico que foi auxiliar do jornalista Washington Rodrigues, o “Apolinho”, no Flamengo de 1995 – aquele, de Sávio, Romário e Edmundo. O Sub-23 vem treinando desde o ano passado e conta com jogadores conhecidos: Héracles, Renan Foguinho, Zezinho, Taiberson e Pablo. A grande aposta está em cima de dois jogadores: Harrison, meia que apareceu bem em 2012 e Junior de Barros, atacante que é tido como a nova jóia atleticana. Somando times A e B, foram três reforços até aqui. Conheça mais:

– Maranhão: meia de velocidade que se destacou no Bahia, Maranhão é, na prática, o único reforço atleticano até aqui. Não deve figurar no Estadual, ao menos no primeiro turno, disputando com o elenco principal a Copa Marbella, entre 02 e 14 de fevereiro. Estava no Cruz Azul, do México e deve fazer parceria com Elias no meio-campo rubro-negro principal. Tem 22 anos.

– Elivélton: volante de 20 anos que jogou duas temporadas pela Vasco, sendo pouco aproveitado.  Estava no Democrata-MG.

– Lucas Dantas: atacante de 23 anos que começou no Legião-DF (o time que homenageia a banda Legião Urbana) e, segundo o próprio, “tenho velocidade e gosto de jogar pelos lados do campo”.

Londrina:

“O Ronaldinho do Canindé”, Celsinho, é o principal reforço do Londrina, que, depois de muito tempo, aponta como um dos postulantes ao título estadual (ou ao menos a uma boa campanha). Mas não é Celsinho o responsável pela volta do status do Tubarão como equipe competitiva e sim a entrada de Sérgio Malucelli e sua empresa, a SM Sports, na gestão de futebol do clube. O acordo deu ao LEC um CT e novas perspectivas de mercado. Isso, com salários em dia e a torcida no Café, pode significar a volta do Londrina aos trilhos. Em 2012, o clube já deu sinais disso. Os reforços:

Celsinho: Celsinho tem 24 anos euma carreira mais cercada de expectativas do que de realizações. Chega ao sexto clube na carreira, mas apenas o segundo que defende no Brasil. Rodou, sem sucesso, por Lokomotiv da Rússia e Sporting, de Portugal, além de clubes menores na Europa. Surgiu bem na Lusa em 2005, com qualidade na armação de jogadas, mas pecando nos arremates. Fica a expectativa para saber se a passagem dele pelo Tuba será apenas folclórica ou um impulso para retomar a carreira.

Germano: volante, ex-Santos e Paraná, retorna ao Londrina depois de defender o Sport Recife nas últimas duas temporadas. É o toque de experiência no meio campo do Tubarão.

Correm por fora:

Operário, contando com o apoio da LA Sports e a pressão da fanática torcida no Germano Kruger, com destaque para o meia Rone Dias, ex-Paraná.

Cianorte, do técnico Paulo Turra, que comandou o time na ótima campanha em 2012.

Arapongas, que tem novamente o bom Edu Amparo no elenco e segue com planejamento de temporada, como em 2012.

Figurantes: J. Malucelli, Toledo, Nacional, ACP e Rio Branco

A primeira rodada:

Atlético x Rio Branco
Londrina x Toledo
ACP x J. Malucelli
Operário x Coritiba
Cianorte x Arapongas
Paraná x Nacional

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 16/01/2013

Quebra de paradigma

É boa, ao menos no papel, a ideia do Atlético deixar o time Sub-23 no Paranaense e se dedicar a uma pré-temporada maior – incluindo aí uma excursão à Espanha, para um torneio com equipes do Leste Europeu, entre elas o tradicional Dínamo de Kiev, daUcrânia, e o novo-rico Rubin Kazan, da Rússia. Tenho transmitido jogos do Russo e do Ucraniano e são times de nível médio no futebol europeu. O Dínamo chegou a jogar a Champions League nesta temporada e ambos agora estão na Liga Europa. Mas, mais que isso, é a chance de ficar 40 dias se preparando para um calendário inchado. Vale a tentativa. Se na prática funcionará, são outros quinhentos. Até porque a quebra de paradigma inclui a resistência (acompanhada da ignorância) de alguns sobre a ideia, os resultados em campo – que não se negue que derrotas do S23 no Estadual podem pressionar o clube – e a constatação prática de que o elenco principal, ainda sem grandes reforços (apenas o meia-atacante Maranhão) possa ter conquistas em 2013 apenas por uma pré-temporada bem feita.

Similar, não igual

No quesito reforços, não há dúvida: o Coritiba é o melhor time do Paraná nesse momento. Segue estratégia similar a do Atlético, ao avisar que iniciará o Paranaense com uma equipe reserva – ao contrário do rival, o Coxa não assume uma postura de time B, embora o seja. Similar não é igual: entrará antes no Paranaense e, principalmente, buscou peças de ótimo nível para um elenco razoável, que, com poucas mudanças nos últimos anos, fez história dentro e fora do Estado. Reina absoluto há três temporadas no Paraná e, não nos esqueçamos, é o atual bi-vice-campeão da Copa do Brasil. Para 2013, com Botinelli, Deivid e principalmente Alex, a expectativa é que o gostinho de “quase” se torne doce. O clube não esconde que a meta é um título nacional. Depois de duas na trave, ficou mais difícil, com os clubes da Libertadores retornando à Copa do Brasil. Em casa está mais fácil. Olhando o cenário atual, parece que o Coxa vai passear no Paranaense, que começa no final de semana.

Magia de volta

Lógico, não será bem assim. Quando a bola rolar, os favoritismos desaparecem até que os prognósticos se consolidem em resultados. Que não se despreze a volta do Paraná, talvez o clube que mais se importe com a conquista. A aposta tricolor é boa: manteve uma base e reforçou pontualmente. São jogadores rodados, como o atacante Reinaldo e o goleiro Marcos – este, ídolo da casa – que podem fazer a diferença num turno com o Coritiba a meio mastro e um Atlético ‘verde’ em campo. Sobre os jovens atleticanos, ressalte-se: o clube não abandona o campeonato, apenas adota nova estratégia. A força do Londrina, que monta elenco competitivo, com salários em dia, e tem camisa, o caldeirão do Operário em Ponta Grossa e os organizados Arapongas e Cianorte correm por fora. O Paranaense está sim inchado. Precisa ser dinamizado, precisa ser rentável. No Nordeste, os clubes se uniram e resgataram a Copa regional, que dará vaga na Copa Sulamericana. No Sul, cochilo e calendário inchado. Mas, ainda assim, quando a primeira bola balançar a rede do adversário, pode estar certo: tudo que se discute fora de campo dará lugar a um sorriso franco do torcedor. É a magia do futebol de volta: rivalidade, emoção, expectativa lá em cima. E ninguém quer perder, pode apostar nisso.

Quebra de paradigma

O anúncio pegou a todos de surpresa: o Atlético irá disputar, entre 1 e 12 de fevereiro, um torneio na Espanha, participando da intertemporada européia, confirmando a estratégia de deixar o time Sub-23, que está em preparação desde o ano passado, no primeiro turno do Paranaense. Assim, quebra um paradigma no futebol brasileiro e estica a própria pré-temporada, adaptando-se a um calendário inchado e muito criticado no Brasil.

No papel, a ideia é ótima. Na prática, só o tempo dirá. Evidentemente, como as últimas temporadas já mostraram, não basta apenas estrutura e boa estratégia para que um time seja vencedor. Estrutura o Atlético tem de sobra; o que tem faltado mesmo, há algum tempo, é material humano. Mas o clube não deu prioridade ao investimento pesado em jogadores nesta temporada – tampouco admitiu estar pressionado pelas contratações dos rivais, em especial o Coritiba, como me disse o diretor de futebol Antônio Lopes nessa entrevista (clique para assistir).

Já que não abriu os cofres – e nem tem poder para competir no mercado com Corinthians, Santos e outros – optou por um intercâmbio europeu, tirando os jogadores do elenco principal do excesso de jogos, dando experiência ao grupo numa disputa com estilos diferentes de jogo, proporcionando integração no elenco e uma experiência de vida individual que pode sim ser revertida em desempenho. Funcionário feliz é funcionário produtivo, em qualquer segmento. E conhecer a Espanha nunca foi mau negócio.

O que pode dar errado é justamente o choque cultural. Primeiro, fora de campo. O elenco Sub-23 tem jogadores conhecidos que já tiveram suas chances e outros que ainda são apostas. O volante Foguinho e o lateral Herácles, por exemplo, são os mais experientes, ao lado de Zezinho, que apareceu bem no Juventude, mas desde uma passagem pelo Santos não decolou na carreira. O goleiro Santos e o trio de atacantes Taiberson, Edigar Junio (sem “r” mesmo) e Pablo são apostas.

Diante de um Coritiba soberano no Estado e com o melhor elenco entre todos os paranaenses, um Paraná sedento por uma resposta ao torcedor, com aposta num elenco mais experiente, e os sempre competitivos Londrina, Operário, Arapongas e Cianorte, os meninos do Atlético podem sofrer uma pressão por resultados que atrapalhe ou antecipe a entrada do time principal na disputa. A aprovação à ideia dura até o primeiro 0-3 contra, como de praxe no futebol.

Em segundo lugar, pode haver uma distância muito grande entre a preparação internacional do Atlético para a de outros clubes brasileiros. Esse é o menor risco, de fato. Mas a dinâmica de jogo que o clube precisa ter na Copa do Brasil e no Brasileirão pode ser maior do que a oferecida pelos adversários na excursão. Os times do Leste Europeu estão na segunda linha do futebol daquele continente. Adversários interessantes que podem estar no caminho atleticano são o Dínamo de Kiev, da Ucrânia (que disputou a Champions League na fase de grupos e pegará o Bordeaux, da França, na fase de 1/16 avos da Liga Europa) e o Rubin Kazan, da Russia (que também está na Liga Europa e será o adversário do atual campeão, Atlético de Madrid). Ambos fizeram a decisão do mesmo torneio na última temporada – na foto do post, lance da partida, vencida pelo Rubin por 2-1.

No geral, a ida para a Europa em meio ao Estadual (que, diga-se, não está sendo “abandonado” pelo clube, que estará na disputa) pode significar um marco no futebol brasileiro. O desempenho do Atlético nas competições nacionais poderá ser parâmetro para outros clubes, caso a ideia seja bem-sucedida. Nem tanto pela viagem à Europa, mas muito mais por uma pré-temporada de 40 dias na prática, criada por iniciativa própria. No papel, parece bom. Na prática, só esperando os resultados.