Abrindo o Jogo – Coluna de 09/01/2013 no Jornal Metro Curitiba

Feito para Alex

Nenhum outro time paranaense é melhor que o Coritiba hoje, antes da largada do Campeonato Paranaense 2013. Foi o único time na Série A 2012, se mantendo entre os grandes, ainda que com dificuldades. Muito por conta disso, foi buscar reforços. O principal, Alex. Revelado no próprio Coxa, vê no Estadual a grande chance de levantar a primeira taça com a camisa alviverde. Reeditará a dupla vitoriosa no Cruzeiro e no Fenerbahçe com Deivid, tem uma equipe competitiva e que, por ora, conta com o melhor elenco – que ainda deve receber o argentino Botinelli nas próximas horas. Depois do Coxa, o Paraná foi quem buscou mais peças. Destaque para o goleiro Marcos – muito embora não se saiba em que forma volta ao Tricolor, num ano em que luta para voltar a figurar entre os primeiros no Estado, após um trágico 2011 e um 2012 de reorganização. Londrina e Operário correm por fora, assim como os sempre competitivos Cianorte e Arapongas. E há a letargia do Atlético.

Ambições distintas

Para o Coritiba, a chance é reeditar um tetracampeonato, feito que o próprio clube conquistou nos anos 70 – igualando o Britânia nos idos de 1910 e o Paraná nos 90. O Atlético nunca passou de um tricampeonato, conquistado na fase dourada do clube, entre 2000 e 2002. O Furacão pode usar um time S23 no Estadual todo – fato ainda não confirmado. Há a filosofia de desprezar o campeonato local, que, convenhamos, está inchado e fazendo hora extra no calendário nacional. Não deve sumir – minha opinião – mas sim ser enxugado, o que é outra conversa. Enquanto isso não acontece, o Atlético, que não reforçou a equipe que ficou em 3º lugar na Série B nacional, perde a chance de entrosar o time para o que ele mesmo apregoa interessar: Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Fazer pré-temporada maior é uma ótima sacada (Coxa o fará durante parte do primeiro turno), mas ignorar a chance de testar uma equipe que precisa ser melhorada é perder tempo. Vendo as ambições da dupla, lembro o que o hoje técnico do Coritiba, Marquinhos Santos, me disse anos atrás, quando trocou a base do Rubro-Negro pela do Alviverde: “O Atlético forma pra vender, o Coritiba para ser campeão.”

Mudança comportamental

Falo (mais) um pouco de Copa 2014. Segundo o Instituto Ethos, Curitiba está entre as piores avaliações no quesito transparência na conduta do governo sobre o Mundial. A avaliação é estritamente do lado estatal da parceria, excluindo o Atlético de qualquer reprimenda (detalhes em napoalmeida.com). A nota baixa tem como origem, entre outras coisas, na ausência de uma ouvidoria municipal, falta de audiências públicas sobre o destino dos investimentos do PAC e de uma Sala de Transparência, exigida pela Lei de Acesso a Informação. A troca de Ducci por Gustavo Fruet e a saída de Luiz de Carvalho da Secretaria Municipal para a Copa podem significar um novo alento. É preciso que Curitiba desperte, não só para a Copa, mas para a Olimpíada 2016, preparando-se, mesmo tardiamente, para explorar os eventos. Receber delegações, incentivar produção local de artefatos, melhorar hotelaria, estabelecer programas educacionais para mão de obra local e melhorar a imagem do Mundial na cidade, que sequer tem um quiosque para venda de suvenires, é o mínimo que se espera do novo secretário. Quem se habilita? Feliz 2013 pra todos nós.

Frases de 2012

Fim de ano, hora de relembrar as principais frases que marcaram o esporte e o futebol paranaense em 2012 – hora de exercitar a memória e agradecer a todos os peixes que comi durante o ano.

“A FPF tem em seu estatuto a prerrogativa de requisitar o estádio e aí vamos ver o que acontece. A FPF vai cumprir o seu papel”

Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, em Janeiro, ao receber a requisição do Atlético para mandar jogos no Couto Pereira.

“Sou sócio do Paraná há 35 anos, já fui duas vezes conselheiro. Não tenho nada contra o Paraná”

Hélio Cury, que teria um Janeiro movimentado, explicando porquê não poderia antecipar o início da Série Prata estadual para adequar o calendário da CBF ao local, como fizeram em Minas (pelo América) e em São Paulo (pelo Guarani). A competição seguiu em maio e o Tricolor chegou a jogar duas partidas em menos tempo que as 48h exigidas pela lei.

“O time está fechadíssimo. Nós montamos uma equipe boa e forte para as primeiras competições”

Ernesto Pedroso Jr., ex-vice-presidente de futebol do Coritiba, em Janeiro.

“Nunca está totalmente fechado. Contratamos os substitutos para o Leandro Donizete [Junior Urso] e Léo Gago [Lima]. Estamos atentos aos pedidos da comissão técnica e oportunidades de contratação”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, rebatendo Pedroso, dias depois. O ex-par de diretoria deixaria o Coxa no decorrer do ano, em função de divergências. Essa foi a primeira.

“O Conselho Administrativo do Coritiba reafirma aos conselheiros sócios, torcedores e a toda nação coxa-branca a sua disposição de lutar até o fim, usando as medidas judiciais cabíveis, para garantir os interesses do Clube e os direitos sobre de suas propriedades”

Nota oficial no site do Coritiba, emitida logo após a requisição do Couto Pereira para o Atlético, formalizada pelo presidente da FPF, Hélio Cury; o Coxa fez valer seu ponto de vista e o rival não jogou no Couto, a despeito da exigência da FPF. Em Janeiro.

“Foi solicitada a cessão por aluguel do Estádio Durival Britto e Silva, somente para o campeonato paranaense, pois, segundo o dirigente [N.B.: Mário Celso Petraglia, pres. do Atlético], para o campeonato brasileiro já acertou a cessão do estádio Couto Pereira”

Nota oficial no site do Paraná, revelando negociações com o Atlético, enquanto corria na justiça a questão sobre o Couto Pereira. O Atlético chegou a disputar 13 jogos como mandante na Vila Capanema.

“Repudiamos a atitude do Paraná Clube, que além de noticiar inverdades sobre a questão (…) tem como objetivo nivelar por baixo Instituições da grandiosidade do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Foot Ball Club”

Nota oficial no site do Atlético, publicada em Janeiro, rebatendo as afirmações do Paraná na nota anterior.

“Será que a Federação pode obrigar o Coritiba a emprestar jogadores também? Isso vai contra o princípio do direito desportivo, que vai contra o direito da própria competição”

Peterson Morosko, presidente do TJD-PR, explicando porque decidiu, em voto-desempate, pela não-obrigatoriedade do aluguel do Couto Pereira ao Atlético, por ordem da FPF. Em Janeiro.

“O Santos ainda deve pensar que aqui é a 5.ª Comarca de São Paulo. Se quer levar, tem preço. Se quer levar, tem de pagar esse preço. Senão não leva”

Vilson Ribeiro de Andrade,  em Janeiro, revoltado com a diretoria santista por ter prometido um aumento salarial ao lateral Maranhão, que seria pago pelo Coritiba, para que houvesse uma troca pelo também lateral Jonas; o negócio não saiu e Maranhão acabou defendendo o Atlético na Série B.

“Usam argumentos fora da realidade atual, do romantismo do passado e escondem como o avestruz sua cabeça na areia”

Mario Celso Petraglia (presidente do Atlético) em Fevereiro, então pelo Twitter, defendendo que os Atletibas tenham torcida única; nos jogos dos turnos do Paranaense, fez valer sua ideia; na decisão, não. E em 2013?

“Sempre acho que não é positivo [torcida única]. Mas se for para evitar maiores transtornos, eu sou propenso a aceitar”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, num dos poucos momentos de concordância com Petraglia, em Fevereiro.

“Era uma área interessante [o Pinheirão], mas inviabilizou-se pelos motivos que todo mundo conhece. O Coritiba hoje não está pensando no novo estádio”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, adiando mais uma vez o sonho de um novo estádio para o clube. O Pinheirão foi arrematado pelo grupo Destro Atacadista e ainda tem destino incerto. Em Fevereiro.

“Quero dar muitas alegrias à torcida”

Rodolfo, goleiro do Atlético, em Março. O ex-jogador paranista chegou a rival para ser titular, mas foi suspenso por doping no começo da Série B.

“Quero voltar para a minha casa, o Coritiba”

Keirrison, atacante do Coritiba, em Março, que pertence ao Barcelona e estava no Cruzeiro. Ele negociou um retorno para tratar uma contusão no Coxa, mas não entrou em campo em 2012.

“Com certeza a torcida do Paraná vai lotar a Vila Capanema. A nossa torcida é muito maior que a do Atlético”

Paulo César Silva, diretor de futebol do Paraná, apostando que o Tricolor levaria mais torcida que o Rubro-Negro em seu jogo da Copa do Brasil, contra o Luverdense, enquanto o Atlético pegaria no dia seguinte o Sampaio Corrêa. Ele ganhou a aposta: 7365 x 4849 pessoas em cada jogo, respectivamente.

“Eu é que tenho que aguentar”

Amilton Stival, vice-presidente da FPF, ao alterar pela terceira vez a tabela da 2a divisão paranaense, em Abril, após mais um conflito de datas com os jogos do Paraná na Série B.

“Eu não sou dirigente covarde, que muda de treinador quando as coisas não vão bem. O Marcelo Oliveira será o treinador enquanto eu for o presidente. O culpado disso tudo sou eu”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, mantendo o pressionado técnico no cargo em Abril

“O Sr.Vilson nos enganou, pois nós confiamos nas palavras dele e, por isso, nada fizemos politicamente para pressionar a CBF. O “homem bom” se revelou um traidor!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Maio, dando sua versão dos fatos quanto ao pedido do Atlético pelo Couto Pereira.

“Se Petraglia acha que eu sou traidor dele, me sinto honrado. Trair o Petraglia melhora o meu currículo. Vou ser levado nos braços pelo povo de Peabiru [N.B.: cidade natal de Andrade]. Eu nunca traí ninguém. Eu tenho convicções na minha vida e é o pensamento da torcida do Coritiba”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Maio, rebatendo a frase acima.

“O Atlético vai jogar em Curitiba. Essa é uma posição já declarada pelo nosso presidente. Essa situação está nas mãos da CBF”

Mauro Holzmman, diretor de comunicações do Atlético e braço-direito de Petraglia, afirmando em Maio que o clube não sairia de sua sede; o Furacão acabou disputando nove dos 19 jogos como mandante na Série B em Paranaguá.

“É tentá matá essa porra aí!”

Guerrón, ex-atacante do Atlético, em Maio, em jogo contra o Cruzeiro em Minas, pela Copa do Brasil, reclamando dos gols perdidos pelos colegas no primeiro tempo da partida, que acabaria 2-1 para o Furacão, que viria a ser eliminado pelo Palmeiras.

“O si$tema existe independente do resultado! Não deveria estar acontecendo as finais, fomos assaltados pela aldeia!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, pelo Twitter, reclamando da arbitragem nos clássicos com o Coritiba, em Maio. O dirigente queria marcação de impedimento em dois lances de gol do Coxa, que acabaria campeão estadual. Petraglia, seria punido pelo TJD pelas reclamações e abandonaria a rede social poucos dias depois.

“Aprendi que aqui lateral tem de jogar na lateral”

Juan Ramón Carrasco, ex-técnico do Atlético, ao ser demitido sob a alegação de que improvisava demais. O uruguaio ficou no clube até o início da Série B. Em Junho.

“Isso tem que haver; para qualquer manager, qualquer diretor de futebol que tem um conhecimento e tem uma função nessa área e também um cargo que lhe permita essa interação”

Sandro Orlandelli, gerente de futebol do Atlético, assumindo em Junho que as reclamações de Juan Ramón Carrasco, ex-técnico, eram fundamentadas – o que é diferente de justificadas.

“Estou muito feliz e esperançoso”

Ricardo Drubscky, recém-contratado técnico do Atlético, em Junho, antes de saber que mal assumiria o cargo. Naquele momento, ao menos.

“O que?? O Ricardo [Drubscky] ainda está como técnico?”

Jorginho, técnico com passagem relâmpago em Junho pelo Atlético, dizendo que só conversaria com o clube se o cargo estivesse livre, até que foi avisado pelo repórter. Era o mês mais turbulento na Baixada.

“O nosso time é muito fedido”

Jorginho, poucos dias antes de ser demitido, em Julho, após um empate em 0-0 em casa contra o Bragantino, tecendo críticas ao elenco rubro-negro, que seria reforçado a seguir.

“Era uma obrigação nossa, mas foi uma caminhada de difícil. Calendário duro, campos ruins, assim como os horários. Mas esta era a realidade e tínhamos que encarar”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, comemorando o acesso do clube à primeira divisão estadual, quando o time chegou a jogar em intervalos menores que 48h, em paralelo à Série B nacional.

“O Palmeiras e a sua torcida deveriam se envergonhar. Uma arbitragem desastrosa em São Paulo que matou o Coritiba. Hoje, ganhávamos de 1 a 0 e o juiz inverteu uma falta. Por isso eles são campeões”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Julho, após a final da Copa do Brasil, reclamando da arbitragem. Foi o segundo vice-campeonato saeguido do Coxa na competição.

“Ninguém tem direito de recusar um clube como o Inter”

Felipe Ximenes, gestor de futebol do Coritiba, falando sobre a proposta para que ele deixasse o clube em Julho. Apesar da frase, Ximenes ficou e ainda negou nova sondagem em Dezembro, além de dizer não à Flamengo e Vasco.

“Tomara que não achem um treinador tão cedo, que demorem muito e que todos que procurem não queriam vir, porque tenho certeza que eu tenho competência suficiente e posso dirigir esta equipe”

Ricardo Drubscky, técnico que conseguiu o acesso com o Atlético, com a interinidade mais longa da história do futebol. Em Agosto.

“Esquecemos como se joga a Série B, porque ficamos 17 anos na Série A”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Agosto, justificando a má campanha do time naquele momento. Com reforços no elenco, o clube  ‘lembrou’ como se faz para vencer na competição.

“Quando a gente puser o nosso pé no G4 a gente não vai sair mais”

Weverton, goleiro do Atlético, em Agosto, após o time vencer o então líder Criciúma em casa.

“Quero ser o prefeito da Copa em Curitiba”

Luciano Ducci, prefeito de Curitiba até 31/12/12, em campanha eleitoral, em Agosto. O “prefeito da Copa”, no entanto, não compareceu ao debate sobre Copa do Mundo realizado pela ÓTV entre os então candidatos e ainda retirou da pauta pré-eleição a decisão de ajuste de valor para o Potencial Construtivo, essencial para a construção da Arena da Copa.

“Eu trabalho duro para ganhar título e não para agradar torcedor. Se não gostaram, não posso fazer nada. Não vivo para agradar torcedor”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, em Setembro, no primeiro sintoma de que ficaria sem clima para seguir no Coxa, ainda comentando perda do segundo título seguido na Copa do Brasil.

“Montamos um time dentro das possibilidades , mesmo com todas as situações financeiras. Chega um momento em que falta. Pedi à diretoria várias vezes. Prefiro, pelo bem do Paraná, sair e que um outro profissional possa dar continuidade ao trabalho”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, ao pedir demissão em Setembro, após um empate em 1-1 em casa com o Barueri, deixando publico pela primeira vez o problema financeiro no Paraná.

“Os jogadores estão no direito deles, mas o que já havíamos falado antes para eles é que estávamos buscando recursos. Esse manifestamento (sic) dos jogadores acabou me fazendo voltar de mãos vazias, mas já estamos resolvendo e eles vão receber centavo por centavo”

Rubens Bohlen, presidente do Paraná, em Outubro, comentando a carta divulgada pelos jogadores que reclamavam de atraso nos salários. Na última rodada do Brasileiro Série B, em Novembro, os jogadores não concentraram nem treinaram alguns dias, pela mesma razão.

“Eu cheguei para o Felipão e disse: vocês vão ser campeões”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, revelando em Outubro um papo com o técnico palmeirense que o comandou na Seleção, logo após a eliminação tricolor, em Maio. O Palmeiras eliminou Paraná, Atlético e Coritiba e foi o campeão da Copa do Brasil.

“Não somos gigolôs do dinheiro público!”

Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coritiba, durante a festa de aniversário da torcida organizada “Império”, em Outubro, quando selou a paz com a facção e aproveitou a deixa para provocar o rival, parceiro da Prefeitura e do Estado no projeto da Copa.

“Eu não posso ter uma força como você no meu vestiário”

Aykut Kocaman, técnico do Fenerbahçe, explicando em Outubro para Alex porque o barrou no time turco. Alex estava próximo de ultrapassar o proprio Kocaman como maior artilheiro da história do Fener e acabou rescindindo contrato, sendo pretendido depois por Palmeiras, Cruzeiro e Coritiba.

“O Coritiba é minha mãe e o Fenerbahçe, minha mulher”

Alex, meia do Coritiba, resumindo porque decidiu voltar para o Coxa em detrimento de Cruzeiro e Palmeiras, para espanto de muita gente em São Paulo. Em Outubro.

“Eu quero agradecer as orações de vocês. E a minha família, que me apoiou no meu problema e disse: ‘você é a razão da nossa vida e sabemos que o Coritiba é a razão da sua!'”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Outubro, em um discurso emocionado, ao anunciar uma reforma para concluir o terceiro anel de arquibancadas do Couto Pereira, situado na Rua Mauá.

“Será um jogo de cachorro louco”

Weverton, goleiro do Atlético, antes do duelo direto em Salvador contra o Vitória, em Outubro, confundindo um pouco o ditado.

“Nós tivemos que tomar uma posição mais drástica de não concentrar. Agora nós tomamos a decisão de não treinar. Nós comparecemos só. Não jogar está descartado, pois somos profissionais”

Fernandinho, meia do Paraná, anunciando a greve dos jogadores em Novembro, a uma semana do derby com o Atlético, que valia acesso ao Furacão. Ainda assim, Tricolor fez jogo duro e por pouco não ganhou a partida.

“Cumpri minha promessa. O Atlético não pode estar na Segunda, o Atlético tem de estar sempre na Primeira. E daqui para frente, não cai mais!”

Paulo Baier,  meia do Atlético, em Novembro, logo após o suado empate com o Paraná (1-1) que garantiu a volta atleticana à primeira divisão.

“Temos orgulho muito grande que somos o único clube independente, que não tem vínculo com investidor e empreitera. Este trabalho será vitorioso, com muito trabalho e empenho. Vamos ajudar não só o clube e a cidade, como o estado e todo o país”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, anunciando em Novembro, num evento em São Paulo, parceria pioneira no Brasil com a AEG, empresa que faz a gestão de Arenas em todo o Mundo, caso do Staples Center, do Los Angeles Lakers.

“Eu me surpreendi um pouco quando eu fui demitido”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, confessando em Dezembro que esperava continuar no clube, dada a promessa feita por Vilson Andrade em Abril.

“Vimos, por intermédio desta, manifestar o nosso protesto pela falta de transparência, ilegalidade e imoralidade da engenharia financeira da operação que pretende prover de recursos públicos, na forma de financiamento, a obra do estádio do Clube Atlético Paranaense, por intermédio da CAP S/A”

Nota oficial (mais uma, entre tantas dos três clubes em 2012) no site do Coritiba, direcionada aos políticos paranaenses uma semana antes da votação da adequação de valores dos papéis de Potencial Construtivo, em Dezembro. A nota tem uma incorreção de concordância: o Coxa protesta a falta de ilegalidade e de imoralidade no processo.

“O Coritiba também será beneficiado com a Copa”

Aldo Rebello, ministro do Esporte, em Dezembro, rebatendo a carta publicada pelo Coxa, que considera imoral e ilegal a parceria entre Governos estadual e municipal e o Atlético para a construção da Arena para a Copa; Rebello ainda garantiu que todos os clubes das Séries A e B estão como reservas técnicas: “Basta ter projeto.”

“Ele conhece não só o CT, como também a torcida e a força do clube. Ele aceita um projeto de dois anos, se o clube buscar objetivos como a Libertadores ou títulos. Isso é importantíssimo.”

Jorge Baidek, empresário de Juan Román Riquelme, meia argentino que está nos planos do Atlético para 2013 – em Dezembro. A concorrência com Palmeiras e Boca Jrs. deixa no ar a vinda e a expectativa: Alex x Riquelme no Paranaense 2013? A conferir.

Gostou da retrospectiva? Então volte um pouco mais no tempo e relembre as principais frases de 2011 clicando aqui.

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Onze anos depois, onde estão os 11 titulares do Atlético 2001?

O dia 23 de dezembro marca a história do Atlético pela conquista do título brasileiro em 2001. Onze anos se passaram desde então e o blog foi atrás de saber: onde estão os 11 titulares* daquela partida final em São Caetano do Sul?

1 – Flávio: O “Pantera” hoje tem 42 anos, recém-completados (17/12) e segue na ativa, de volta ao CSA, clube que o revelou. Flávio Emídio dos Santos Vieira deixou o Atlético em 2002, sendo um dos jogadores mais vitoriosos da história rubro-negra, com 6 títulos: Paranaenses 98/2000/01/02, Brasileiro B 95 e Brasileiro A 01. Defendeu o Vasco e venceu o Carioca 2003, para logo depois voltar à Curitiba para vestir a camisa do Paraná Clube, sendo campeão estadual em 2006 – após um jejum de 9 anos. Depois, rumou ao América-MG, onde venceu o Mineiro Módulo II em 2008 e o Brasileiro C 2009, se tornando o primeiro jogador a ganhar 3 divisões de Brasileirão. Em 2012, retornou ao CSA, onde foi bicampeão alagoano em 1991 e 94, para ser o principal jogador da equipe que tentará romper um jejum de 4 anos sem conquistas.

2 – Alessandro: Carioca de Campos dos Goytacazes, disputou o Brasileirão 2012 pelo Náutico, que ficou na 13a posição. Depois de sair do Atlético, o lateral-direito, que chegou a defender a Seleção por três vezes e estampar uma capa da Revista Placar sob o título “Se Cuida, Cafú!”, ficou no Botafogo-RJ por 4 anos e venceu o Carioca 2010. Defendeu ainda Atlético-MG, São Caetano e Botafogo-SP. Alessandro da Conceição Pinto tem 35 anos e não ficará em Pernambuco em 2013.

3 – Nem: Rinaldo Francisco de Lima chegou ao Atlético depois de muito rodar a partir do clube que o revelou, o São Paulo. Foi o capitão do time campeão brasileiro e hoje, aos 39 anos, tenta emplacar uma carreira de técnico, dividindo-se entre o futebol profissional e a Suburbana, onde comandou o time do Bairro Alto, vice-campeão suburbano em 2012. Depois do Atlético, defendeu Atlético-MG, Braga de Portugal e o Paraná Clube, por onde havia passado em 2000, sendo campeão brasileiro da Série B.

4 – Gustavo: Paulista de Ribeirão Preto, Gustavo de Souza Caiche tem hoje 36 anos e parou de jogar em 2009, no Al-Shamal do Catar, após diversas cirurgias no tornozelo. Após deixar o Atlético em 2002, depois de ser 6x campeão pelo clube, defendeu Palmeiras, São Caetano, Corinthians e Sport, até retornar ao Atlético em 2008. Aposentado, comanda um projeto que pretende revelar jogadores no Guarujá, litoral paulista, com a empresa G3FutSports. Gustavo ainda é fã de MMA e chegou a disputar o Paulista de Jiu-Jitsu.

5 – Rogério Corrêa: Depois de comandar o Lemense  (que está na Série B do Paulista), Rogério Corrêa de Oliveira acertou com o J. Malucelli para ser auxiliar técnico de Sandro Forner, que vai comandar o Jotinha no Paranaense 2013. Aposentado desde 2011, Rogério disputou a Suburbana pelo Bairro Alto (vice-campeão) em 2012. Depois do Atético, defendeu Goiás, Bahia e o Shimizu S-Pulse, do Japão.

6 – Fabiano: O lateral-esquerdo, que chutou a bola que originou no gol de Alex Mineiro na decisão em São Caetano, ganhou o Mundo após deixar o Atlético. Rodou por São Paulo, Perugia e Genoa da Itália, Palmeiras, Celta de Vigo da Espanha e o Fenerbahçe, da Turquia, onde ganhou o campeonato turco de 2004/05 ao lado do coxa-branca Alex. Ele segue na ativa, aos 33 anos, e vai defender o Central de Caruaru no Campeonato Pernambucano.

Fabiano, com a camisa do Celta de Vigo

7 – Cocito: Chegou ao Atlético com o zagueiro Gustavo e o atacante Lucas, todos do Botafogo-SP, para ser um dos mais queridos jogadores da história rubro-negra, clube pelo qual conquistou 3 estaduais e o Brasileiro 2001. Ainda esteve na campanha do vice-campeonato da Libertadores em 2005, quando retornou ao Furacão após passar por Corinthians e Grêmio. Depois, rumou para a Espanha, defender o Tenerife e o Real Murcia. Ainda jogou por Fortaleza e Avaí até se aposentar em 2009 no Vila Nova goiano. Hoje, mexe com construção civil e está sempre em Curitiba, tendo sido parte ativa da campanha política de Mário Celso Petraglia nas eleições do clube em 2011. Pode ser encontrado no Twitter: @cocito5.

8 – Adriano: alagoano de Maceió, chegou ao Atlético em 98 junto com o goleiro Flávio e logo acompanhou o técnico Abel Braga no Olympique de Marseille. Ganhou o apelido “Gabiru”, especie de rato de Alagoas, por ser mirrado. Recebeu do Atlético tratamento similar ao que Zico recebeu no Flamengo nos início dos anos 80, ganhando massa muscular. Da França, retornou ao Furacão e ser peça fundamental no título brasileiro, ao sofrer o pênalti que deu ao Atlético a vantagem de dois gols sobre o São Caetano no jogo de ida, na Arena. Rodou o Brasil depois disso: Figueirense, Sport, Cruzeiro, Goiás, Guarani e Internacional, onde também fez história: marcou o gol da vitória colorada sobre o Barcelona na decisão do Mundial de Clubes de 2006 (vídeo abaixo). Após sair do Inter, não conseguiu mais ter grandes oportunidades. Passou a rodar times “lado B”: Mixto-MT, Corinthians-PR (atual J. Malucelli), CSA e até o Guarany de Bagé-RS. Segue na ativa, mas está sem clube, aos 35 anos. Vive em Curitiba.

9 – Alex Mineiro: Chegou ao Atlético oriundo do Cruzeiro, numa troca com o volante Marcos Vinícius que ainda envolveu o também volante Donizete Amorim. Tornou-se ídolo na arrancada para o título brasileiro, quando marcou 8 gols em 4 jogos. Entre idas e vindas para o Furacão, defendeu Atlético-MG, Palmeiras, Grêmio, Tigres-MEX e Kashima Anthlers-JAP. Na carreira, tem títulos Paulista pelo Palmeiras (2008) e Mineiro pelo Cruzeiro (1997), clube pelo qual também venceu a Copa Libertadores da América, além de 2 Estaduais e 1 Brasileiro pelo Atlético. Está aposentado, com 37 anos, e jogou a Suburbana pelo Bairro Alto. Está no Twitter: @alexmineiro9.

10 – Kléberson: O maior jogador paranaense da história, talvez não em plasticidade de jogo, mas certamente em conquistas. José Kléberson Pereira, natural de Uraí, próximo à Londrina, tem 33 anos e defende o Bahia atualmente. Do título brasileiro em 2001 para cá, conquistou a Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira, pela qual marcou 2 gols em 32 jogos. Foi peça-chave na mudança tática de Luis Felipe Scolari para a arrancada do Penta. Com a Amarelinha, ganhou ainda a Copa América em 2004 e a Copa das Confederações em 2009. Defendeu o Manchester United, sendo o primeiro brasileiro a vestir a camisa do principal clube inglês, ganhando o título Inglês, a Copa da Inglaterra e a Supercopa inglesa. Protagonizou clássicos com o coxa-branca Alex na Turquia, ao defender o Besiktas, campeão da Copa da Turquia 2005/06 em cima do rival do Fenerbahçe. Voltando ao Brasil, defendeu o Flamengo, onde conquistou o Brasileirão 2009 e dois Cariocas.

Kléberson com as faixas do Penta, do Brasileirão 2001 e do Tri-Paranaense 00-02 (foto: site Furacão.com)

11- Kléber: “O incendiário”, que passou a ser conhecido em todo Brasil como Kléber Pereira, tem 37 anos e divide os cargos de atacante e diretor de futebol do Moto Club do Maranhão, time que o revelou e pelo qual disputou o a Copa União do Maranhão no segundo semestre, após ver o rebaixamento do Moto para a segundona local no primeiro. Como sempre, está envolvido em polêmicas: é cotado para reforçar o rival Sampaio Corrêa, que vai jogar a Copa do Brasil 2013, ao mesmo tempo em que é cobrado para ser candidato a presidente do Moto Club. Depois de sair do Atlético, Kléber passou por um bom tempo no futebol mexicano, onde foi campeão da Copa dos Campeões da Concacaf em 2006 pelo América. Rodou ainda por Inter (campeão da Libertadores 2010), Vitória (campeão da Copa do Nordeste 2010) e Santos. Pelo Atlético, foram 124 gols, sendo o terceiro maior artilheiro da história do Furacão, atrás de Jackson (142 entre 1944 e 1954) e Sicupira (157 entre 1968 e 1976).

*Outros jogadores foram importantes na caminhada atleticana de 11 anos atrás, como Ilan e Souza. Mas fiquei com os 11 titulares, para fechar nos 11 anos da conquista.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 19/12/2012

Vem aí uma Liga Brasileira de futebol?

Conversei com o ex-presidente do Corinthians Paulista, Andrés Sanchez, por ocasião da conquista do bicampeonato mundial. Sanchez, homem que pegou o Timão na Série B, contou que há um projeto de 20 anos para que o Corinthians domine o Mundo e possa competir em pé de igualdade no mercado internacional com Manchester United e Barcelona. É possível. O Mundial de 2012 foi apenas um passo para isso. Ele, que militava recentemente na CBF, quer mais – e não só para o seu clube. Quer uma revolução no futebol brasileiro. Já diz ter o apoio de clubes importantes, como Internacional, São Paulo e Atlético Mineiro. E busca mentalidades parecidas para romper com a CBF e fazer uma Liga Nacional de Futebol, segundo ele, mais profissional, mais voltada aos interesses dos clubes. Sanchez já mostrou força. Mas brigar com a CBF é sempre indigesto. No Paraná, a dupla Atletiba parece ter os requisitos, mas…

Antíteses

…nunca está em sintonia. No começo do ano, neste mesmo espaço, escrevi que, ao conhecer o perfil empreendedor dos dois presidentes de Atlético e Coritiba, podíamos esperar uma era de ouro para o futebol local. Já não estou tão certo. Nunca vemos uma união de esforços em nenhum sentido quando atleticanos e coxas estão envolvidos. Parece proposital: se um está de um lado, o outro corre imediatamente para o outro, pouco importando o que é melhor, o que é correto. O que importa mesmo é ser a antítese do rival. Penso que se houver uma proposta para uma Liga Nacional, que contemple os clubes com melhor distribuição de renda e um calendário mais equilibrado, se um aderir, o outro caminhará para a oposição. Beira o ridículo. Sei que existem diferenças marcantes nos comportamentos pessoais dos comandantes, mas enquanto os caranguejos se puxam para baixo, a panela ferve. Em poucos dias, teremos mais uma divulgação de pesquisa de torcidas no Paraná. Não se surpreenda com o aumento do domínio corintiano no Estado.

Aniversário feliz

Há quem atribua a primeira revolução no futebol paranaense, consolidada quinta força nacional (é pouco, mas a frente de Bahia e Pernambuco, por exemplo), à Mário Celso Petraglia. É uma meia-verdade. Quando ele pegou o Atlético em 1995, construindo tudo o que se sabe, já havia uma revolução em andamento, que se completa 23 anos hoje. Foi o surgimento do Paraná Clube 1989, da fusão de Colorado e Pinheiros, que acabou deixando pra escanteio a dupla Atletiba, até Petraglia no Atlético e o triunvirato Mauad-Malucelli-Prosdócimo assumir o Coxa. Hoje, o Paraná não estaria como protagonista na revolução antevista acima para o Brasil. Mas no geral, teve um 2012 melhor que anos anteriores, podendo até comemorar em paz a data. Paz essa que é preciso se buscar nos bastidores e nas arquibancadas, para que os clubes locais voltem a crescer.

A coluna para por duas semanas, desejando um Feliz Natal e 2013 para todos, se o Mundo continuar existindo depois de sexta!

P.S.: O Blog continua a mil, mesmo no recesso.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/12/2012

Salve(m-se d)o Corinthians

Enquanto você lê esse texto, o Corinthians provavelmente se tornou finalista do Mundial de Clubes da Fifa. Com todos os méritos, com todas as justiças, como diria aquele apresentador. Se o imponderável não entrou em campo com a camisa do Al-Ahly, o Timão chega a decisão do Mundo numa partida que pode significar o início de uma doce rotina corintiana, amarga para a imensa maioria de clubes do Brasil. Nesta semana o clube paulista apresentou renovação de contrato com a fornecedora de material esportivo: R$ 30 milhões anuais, a maior do Brasil. O Corinthians faz por onde. Vende mais. Tem ainda o maior patrocínio de camisa de uma única empresa e é o clube que mais recebe cotas da TV. Por cima (o clube ainda tem receita de sócios e outros patrocínios) só as três fontes de renda citadas dão ao Alvinegro paulista R$ 184 milhões. Quem não é Corinthians, que se prepare: será quase impossível parar o Timão.

Pontos corridos ou mata-mata?
Velha discussão. Desportivamente, é justo que a definição do campeão nacional saia de um torneio de regularidade. Melhor para quem tem fôlego (leia-se dinheiro). Claro, o Al-Ahly pode ter pregado uma peça e eliminado o Corinthians e aí você pensando: “viu só?” Pois se aconteceu, foi em um mata-mata. A Copa do Brasil já atende esse anseio e equipes de pequeno porte (Santo André, Paulista, Juventude) já ergueram o caneco. Mas a discussão não reside nisso e sim em outro tema: a distribuição de renda.

Brasil, um país de todos?
Ver a tabela do Brasileirão é praticamente o mesmo que olhar a tabela de distribuição de cotas. Só o Palmeiras não está entre os 12 primeiros, substituído pelo Náutico (o Coxa é o 13º). Os 11 demais são os que mais recebem, com alguma distinção entre si. Botafogo e Atlético-MG, com menor porte que o restante, vão no embalo dos vizinhos. Atlético e Coritiba abrem o grupo dos relegados, que ainda têm Sport e Bahia, quatro clubes que poderiam muito bem ocupar a faixa dos alvinegros de Minas e Rio. Responsabilidade de quem assina os contratos, caminhando para um Brasileirão cada vez menos competitivo. Recentemente o Coxa comemorou o aumento de valor no contrato de R$ 30 para R$ 54 milhões. Entretanto, o aumento também atingirá os demais. O Flamengo, par do Corinthians como os que mais recebem, saltará mais 40 milhões na conta – quase o total do Coxa, só de acréscimo. Tenho narrado jogos do Campeonato Alemão, um dos melhores do Mundo, como o Inglês e o Espanhol. Alemanha e Inglaterra distribuem as cotas de três maneiras: potencial de audiência, classificação do ano anterior e um percentual fixo igual para todos. São as ligas mais fortes do Mundo e em pontos corridos. No blog napoalmeida.com, continuo o exercício. Apareça.

O que aprender com os gaúchos (ou: como usar bem a rivalidade)

Leia com atenção a carta acima.

Leu? Leia mais uma vez. É uma lição de grandeza da comunidade gaúcha, que mexe com cultura, desenvolvimento, crescimento e, principalmente, rivalidade inteligente.

Não existiria Batman sem Coringa, Davi sem Golias, Barcelona sem Real Madrid. Assim como não há Grêmio sem Inter ou, para os paranaenses, Atlético sem Coritiba. O antagonismo e a rivalidade são chaves para o crescimento, desde que bem usados.

A carta publicada pelo Internacional nos principais jornais gaúchos é mais do que uma provocação. É o reconhecimento das afirmações acima, mostrando porque a “Velha Firma” gaúcha é tão mais forte que as demais no Brasil, a ponto de, quase como um país a parte, fazer o futebol do Rio Grande do Sul ser a segunda força nacional em conquistas – a frente do Rio, atrás apenas de São Paulo.

Hoje – e já não tão recente assim – Curitiba é maior que Porto Alegre. Mas não consegue ser maior num aspecto fundamental: cabeça. Não consegue a unidade que o Rio Grande do Sul tem como Estado, tampouco ser a referência que Porto Alegre é para o Brasil. É a mentalidade cosmopolita gaúcha, empreendedora e desprendida. Jamais no Rio Grande cogitou-se ficar sem a Copa, por exemplo; Grêmio e Inter, cada um por um caminho, prepararam alternativas. O Inter venceu a disputa, mas o Grêmio está lá, preparado para a primeira oportunidade que surgir.

Sim, lá há rivalidade tanto quanto no Paraná, a ponto do Inter não poder usar nem a nova Arena, nem o Olímpico, e ter de mandar seus jogos no estádio do Caxias (de uma cidade, aliás, que faz bem o papel de terceira força, como o Juventude campeão nacional e o Caxias com representatividade estadual – em tempo: cidade menor que Londrina). Mas não há o pensamento de minar o trabalho do outro e sim de aproveitar a onda. Rebaixado em 2004, o Grêmio viu o Inter chegar às maiores conquistas do clube em 2006, ano em que o Tricolor dos Pampas retornava à Série A; os gremistas não deixaram barato: chegaram à decisão da Libertadores em 2007, perdendo para o Boca Jrs. Por pouco, um troco não dado no ano seguinte, vindo das cinzas. Isso, caro leitor, é rivalidade.

Logo, nos comentários aqui embaixo, vão surgir dezenas de razões de todas as partes para os porquês de os paranaenses não conseguirem ter o mesmo grau de desenvolvimento. Vai se criticar a Copa, se desrespeitar o direito de posse, até mesmo vão pedir, pasmem, a Copa em Florianópolis. Poucos até agora entenderam que, para Curitiba, a disputa pelo Mundial não era um Atletiba e sim contra outras cidades do Brasil, que lamentam até agora a perda do pacote de investimentos do Governo Federal para suas cidades.

Sim, concordo que não era prioridade para o Brasil a vinda de eventos como a Copa e as Olimpíadas, com tanto a se fazer em educação, saúde, etc. Mas foi essa a decisão do Governo, que está lá eleito e reeleito, mudando o chefe de estado, por 12 anos, referendado pelo povo. E então só restava para as cidades aproveitar o momento e brigar pelo seu espaço. Curitiba, até agora, não tem um espaço público sequer valorizando a Copa 2014. Triste.

O looping prosseguirá até que alguém siga o mandamento cristão de oferecer a outra face. Mudar a chave, pensar em progresso. Assumir um pequeno prejuízo para pensar num passo além no futuro. União fora de campo, para que a rivalidade dentro dele não pare de crescer, mas brigando em cima, não em baixo.

É possível?

  • Nem tudo está perdido

Arena das Dunas, Arena Corinthians, Arena Palestra, Arena Porto-alegrense. O conceito de Arena, difundido na Europa para que os clubes possam vender os nomes dos estádios, foi trazido ao Brasil pelo Atlético em 1999. Hoje, é tendência. Méritos da comunidade paranaense, pioneira na ideia.

…e não é que Mário Celso Petraglia é gaúcho de nascimento?

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 05/12/2012

O acerto atleticano
O acordo com a norte-americana AEG é certeza de lucratividade para o Atlético com a Arena. O pagamento de 12% das receitas em patrocínios do estádio e camisa e no naming rigths, mais 9% das cadeiras premium, além dos US$ 40 até a inauguração do estádio, é um acordo muito acima do que conseguiu o Palmeiras, por exemplo. Parceiro da WTorre – que buscou na mesma AEG um terceiro apoio para rentabilizar a Arena Palestra – o time paulista terá apenas 5% de toda a arrecadação do estádio por 5 anos, 10% após esse prazo e assim proporcionalmente até 30 anos, quando passa a ter finalmente 100% da arrecadação. Incomparável.

O erro atleticano
Os números acima não foram contestados pelo clube, que entretanto não consentiu com a divulgação dos mesmos. Uma bobagem. O clube não pode andar na contramão do que ele mesmo decidiu, ao realizar a coletiva de imprensa em SP (que teve repercussão nacional) demonstrando o interesse em engrandecer a ação chamando veículos de circulação em todo o Brasil. As informações vazaram de dentro do próprio Atlético. No Brasil, clubes de futebol são entidades sem fins lucrativos (podem sem controlados por empresas com esse fim) e de interesse público, o que justifica a pauta que, aliás, em nada denigre o acordo feito; ao contrário, como visto acima.

Estádios e benefícios
Estive ontem com Aldo Rebelo, ministro do esporte. Ele foi explícito: “Todos os estádios das Séries A e B estão na portaria que assinei sobre a Copa, dando os mesmos benefícios para os que estão em obras, para que o futebol brasileiro se modernize e dê conforto.” Recado claro para Coritiba (já está?) e Paraná correrem com projetos.

Vestibular e cotas
Conversei com gente de dentro do Coritiba sobre a remodelação do time para 2013. Algumas peças vão mudar, outras, mesmo não tão aprovadas assim, ficarão. Hoje, no futebol, muitas vezes para manter o craque é preciso ficar com o bagre, para agradar os empresários. Quase uma cota para pernas de pau.

Novo desmanche
O futebol paulista já começou a tirar as boas peças do Paraná. A coluna cantou antes, mais um recomeço, talvez atrás até de Londrina e Cianorte. Tenha paciência, torcedor.

Paulo Baier
Fica no Atlético para 2013. Justa escolha e mais que homenagem, há que se lembrar o quão útil foi ao clube na Série B. Pode ser o comandante do time S23 do Paranaense.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/11/2012

Rota internacional

Amanhã, em São Paulo, o Atlético apresentará o modelo de parceria de gestão de eventos da Arena pós-Copa, quando deve confirmar a assinatura de contrato com a AEG. A empresa multinacional cuida dos eventos e promoções em outras praças esportivas como o Staples Center, casa do LA Lakers e da Istambul Arena, casa do Fenerbahçe. É um passo gigantesco para que a Arena seja rentável ao Atlético e, para a cidade, que Curitiba passe a fazer parte da rota internacional de shows e espetáculos. Desde o conceito da Arena, em 1999, o clube buscava um parceiro nesse nível. Com a vinda da Copa e a melhoria de outras praças, o Atlético é – mais uma vez – pioneiro no Brasil nesse modelo de negócios. Mauro Holzmann, diretor de marketing, e o presidente Mário Celso Petraglia estarão no evento, marcado pra capital paulista pelo impacto nacional da ação.

O susto I

Considero uma virtude pensar o Mundo pra frente. Passou, passou. Por isso há que se ver o 2013 do Coritiba a partir do susto que o time tomou no finzinho do Brasileirão. A impensável queda começou a ganhar as manchetes dos jornais a partir do momento em que o time perdeu três jogos seguidos. Estacionou nos 45 pontos após tirar o sonho de título do Atlético-MG e relaxou. Falhas defensivas, falta de um meio mais combativo e o sumiço de Rafinha são alguns dos problemas que precisam ser sanados pra 2013. Vai encerrar 2012 em casa contra o Figueirense com uma leve sensação de constrangimento.

O susto II

A bola que Cléberson tirou em cima da linha no Derby e garantiu o acesso ao Atlético premiou a qualidade da principal revelação do ano no clube – Manoel e Deivid já eram conhecidos. No entanto, o drama vivido pela clube de maior porte na Série B 2012, sufocado nos minutos finais pelo brioso Paraná (que não tem o mesmo poderio financeiro), serve para pensar um 2013 melhor. Há uma base boa, com destaque para João Paulo, Elias e Marcelo. Mas há que se buscar reforços para a disputa na elite. E evitar imaginar que o ano só começa em junho, como nas últimas temporadas. Uma aposta atleticana é o time Sub-23, criado para jogar o Estadual. Foi uma opção em detrimento da equipe Junior, que privou o Atlético da Copa do Brasil S20, por exemplo. A pré-temporada mais longa pode render frutos ao time principal. Mas, como o que vale é a camisa, que não se descarte a pressão por resultados no Paranaense, mesmo sucateado, mas com o Coritiba buscando o tetra, a volta do Paraná e os competitivos Operário, Londrina e Cianorte.

Os 5 maiores derbies da história

Atlético e Paraná se enfrentam pela 83a* vez nesse sábado, no Eco-Estádio. O jogo deve entrar na lista dos mais importantes do duelo entre os clubes: vale vaga na Série A para o Furacão e, para o Tricolor, uma chance histórica de atrapalhar o vizinho.

Mas, desde o primeiro jogo, em 03 de junho de 1990, quais os 5 jogos que mais marcaram a história dos encontros entre os dois clubes? O blog se propõe a lembrar cinco encontros históricos entre rubro-negros e tricolores.

*35 vitórias do Atlético, 21 do Paraná e 26 empates.

5 – Paraná 0-4 Atlético, 13/10/1993, Vila Capanema, Brasileirão Série A

Relegados pela CBF à um grupo secundário (e rebaixável) na Série A para beneficiar o Grêmio, Paraná (campeão da B-92 e com acesso garantido) e Atlético (Série A em 92 e com vaga garantida em 1993) duelaram em situações opostas. O Tricolor caminhava a passos largos para se manter na elite enquanto o Furacão sofria para tentar vaga entre os 8 dos Grupos C e D – Atlético-MG e Botafogo, piores clubes do campeonato no geral, estavam blindados.

Na Vila, o favoritismo era paranista. Era. O Atlético surpreendeu e impôs a primeira goleada nos confrontos até então.

4 – Atlético 0-2 Paraná, 05/02/1995, Couto Pereira, Paranaense

O jogo era apenas mais um entre os tantos duelos (foram 4) na mirabolante fórmula do Paranaense daquele ano – época em que as três equipes usavam o Couto Pereira nos grandes jogos. O Paraná vencia por 1-0 quando o atacante Mirandinha recebeu a bola de costas para o goleiro Gilmar. O resto você vê no vídeo abaixo:

3 – Atlético 6-1 Paraná, 30/05/2002, Arena, Brasileiro Série A

Pelo segundo ano consecutivo, Atlético e Paraná decidiam o Paranaense. O Furacão, então campeão brasileiro, tentava o inédito tri-estadual depois de perder a Sul-Minas para o Cruzeiro. O Paraná queria dar o troco da derrota no ano anterior. A maior goleada do Derby contou com uma tarde inspirada de Kléber, “o incendiário”:

2 – Paraná 1-0 Atlético, 28/03/1999, Couto Pereira, Copa Sul

O Atlético tinha arrasado o Coritiba duas vezes em menos de uma semana, no Couto Pereira (3-0 e 3-1) e, num grupo todo paranaense da Copa Sul – coincidência da tabela, que também deixou Grêmio, Inter e Juventude na mesma chave semifinal – poderia empatar duas vezes com o Paraná que chegaria a decisão do primeiro regional sulista. O primeiro jogo acabara 0-0. No segundo, Régis fechou o gol, literalmente, ao pegar dois pênaltis.

1 – Atlético 1-0 Paraná, 13/09/2006, Arena, Copa Sul-Americana

O mais importante Derby da história até hoje dava vaga na fase internacional da Copa Sul-Americana, onde já estava o poderoso River Plate. O Atlético já havia vencido o Paraná no Pinheirão, no jogo de ida, por 3-1. O jogo da Arena carimbou o passaporte atleticano, que chegaria a semifinal contra o Pachuca.

 

 

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 21/11/2012

Ansiedade rubro-negra…
O 83º Derby da Rebouças da história acontece no sábado. Para o Atlético, um jogo carregado de ansiedade. Um ano inteiro em 90 minutos. É claro que a vantagem do empate diminui a pressão, mas a derrota é inimaginável para os atleticanos, cujo time não perde para o Paraná desde 16 de março de 2008 e está invicto no Eco-Estádio. A chave para superar o adversário está no respeito e na tranquilidade. O Furacão mostrou que tem mais time que o Tricolor durante a disputa da Série B. Mas passou aperto em vários jogos por não controlar os nervos. Chega a um momento de alívio se conseguir o retorno à Série A, mas não pode achar que o que fez antes já garante a vitória. O elenco atleticano pode estar certo: vai ter um teste de fogo contra o Paraná.

…brio tricolor
Isso porque se engana quem pensa que o Paraná entrará com espírito de “fim de feira” ou desmotivado pelos constantes atrasos de salários. Como já demonstraram em ocasiões anteriores, os jogadores do Tricolor têm sim um grupo unido – não à toa assinaram juntos a reclamatória contra a diretoria. E tem brios. Não querem deixar barato as críticas que ouviram, não querem ser coadjuvantes na festa atleticana. Tenho certeza que cada atleta que estiver em campo com a camisa do Paraná fará o máximo para ganhar o Derby. Evidentemente que a vontade atleticana em vencer tem que ser ainda maior. Deixar escapar a vaga num duelo citadino seria uma tragédia para o Atlético. E cometer esse “crime” uma redenção aos tricolores.

História que se escreve
Dos duelos da capital (excluindo-se os com o Jotinha), Atlético e Paraná não tinha uma nomenclatura, tal qual Atletiba ou Paratiba. Derby Paranaense ou apenas Derby cai bem para o confronto que teve seu ápice no início dos anos 2000. Os duelos de Coritiba e Atlético contra o Paraná sempre foram difíceis, mas o rótulo de ‘clássico’ está sendo escrito pela geração atual, diferentemente do que acontece no Atletiba, uma instituição paranaense, a “Velha Firma” da cidade. Isso não diminui em nada as boas histórias tricolores. Pelo contrário: atesta que a proporção da rivalidade está crescendo aos olhos da geração atual. Fundado em 1989, o Paraná rivalizou com o Coxa nos anos 90 e com o Atlético nos 2000, quando chegaram a ser a dupla paranaense na elite. Se não é um clássico, está em construção.

Página em branco
O gol de Mirandinha de calcanhar, os 6-1 na decisão de 2002, com Kléber marcando 4 vezes, os golaços de Kelly e Denis Marques, os pênaltis defendidos por Régis nas semis da Copa Sul. Bons momentos do Derby que, ao final do jogo no sábado, terá mais um capítulo escrito. Quem se apresenta como protagonista? Teremos um carrasco tricolor ou um herói rubro-negro? O Atlético sobe contra o rival ou o Paraná frustra as pretensões? Faça sua aposta. Conversamos semana que vem.