Couto Pereira, 80 anos: 5 grandes jogos e uma rica história

Nesta terça (20) o 5o maior estádio particular do Brasil completa 80 anos. Inaugurado como Belfort Duarte e depois de remodelado chamado Couto Pereira, em homenagem ao major do exército que presidiu o Coxa e idealizou a reforma, o estádio recebeu inúmeros grandes jogos e momentos inesquecíveis.

Toda essa rica história será contada em um livro a ser lançado em 2013, idealizado pelos torcedores Anna Gobbo e César Caldas, em parceria com o Grupo Helênicos. O livro está em fase de produção e vai retratar tudo sobre o estádio, como conta Caldas. “Serão quatro partes. A primeira relata todas as fases, desde as negociações para a compra do terreno até as reformas mais recentes, abordando também aspectos urbanísticos, arquitetônicos e sociais. O segundo reunirá crônicas de até 50 linhas em que os colaboradores relatam sua relação emocional com o estádio. A terceira terá os 30 eventos mais significativos: jogos importantes do Coxa, da Seleção e mesmo de rivais aqui da cidade, missa do Papa, show do Iron Maiden Phillips Monsters of Rock, chegada do Papai Noel em evento da Prefeitura para mais de 26 mil crianças, etc.”

Tive a honra de ser convidado a colaborar com um artigo sobre o estádio onde tive meus primeiros contatos com o futebol e passei muitos domingos até me tornar jornalista (quando passei a ir não somente aos domingos, hehe).

Até que a obra saia, o blog apresenta uma pequena lista dos 5 maiores jogos da história do Couto Pereira – claro, na minha visão. Convido você a fazer a sua nos comentários abaixo.

5 – Atlético 2-0 Flamengo, 1983. Até hoje, o recorde de público do estádio, quando 67.391 pessoas* passaram as catracas para ver o duelo rubro-negro na semifinal do Brasileirão. O Flamengo de Zico segurou o Atlético de Washington e Assis, que precisava de mais um gol, e foi à decisão.

Reportagem da TV Globo/RPCTV

*Fonte: RSSSF Brasil.

4 – Coritiba 0-0 Atlético, 1978. Última partida dos três Atletibas que decidiram o Estadual daquele ano. Nos pênaltis, Manga, que usou de um curioso artifício (veja no vídeo abaixo) parou o Furacão e deu ao Coxa o 7º de 8 títulos que o Alviverde conquistaria entre 1970 e 79. Mais de 150 mil pessoas viram os três 0-0 da sequência final.

Reportagem da CNT

3 – Coritiba 5-1 Atlético, 1995. O massacre coxa-branca na páscoa, que deu origem a revolução atleticana, culminando na construção do outro grande estádio da cidade, entre outras. Até então, o Couto Pereira era palco absoluto dos grandes jogos em Curitiba. A mudança no Atlético – novo estádio, CT, entre outros – gerou mudança no Coxa e ambos voltaram à Série A no final do ano.

Reportagem TV Globo

2 – Coritiba 3-2 Vasco, 2011. Primeira das duas decisões que o Coxa fez na Copa do Brasil entre 2011 e 12. Pelo ineditismo (os títulos nacionais do Coxa sempre foram ganhos fora de casa), pela emoção e pelos 5 gols, a decisão mais marcante do clube em casa.

1 – Brasil 2-0 Chile, 2001. Mal nas eliminatórias, a Seleção Brasileira procurou refúgio no Sul do País (depois ainda foi à Porto Alegre) e o Couto Pereira recebeu o jogo que simboliza a arrancada rumo ao Penta. Edilson e Rivaldo marcaram.

https://www.youtube.com/watch?v=Wv0b9Q8FjBI&playnext=1&list=PL700C050025F6A887&feature=results_main

Clique para ver o jogo completo (qualidade ruim)

Os acessos do Atlético

Se derrotar o Criciúma nesse sábado e São Caetano ou Vitória não vencerem, o Atlético conseguirá pela terceira vez na história um acesso da Série B para a A.

O Furacão disputou a segundona em cinco oportunidades, mas até 1988 o Campeonato Brasileiro era feito à base de convites conforme o desempenho nos campeonatos estaduais. Por isso não há como mensurar a participação em 1980 e em 1982, temporada esta em que disputou jogos na “B” e na “A”. Depois do rompimento do Clube dos 13 com a CBF e a divisão entre Brasileirão e Copa União em 1987, os clubes conversaram e, viradas de mesa a parte, o campeonato nacional passou a ter um sistema de acesso e descenso.

Em 1990, depois de ter sido rebaixado em 1989 pela única vez em campo (até 2011), o Atlético chegou à decisão da Série B contra o Sport Recife. O time campeão estadual tinha Marolla, Odemílson, Valdir e Dirceu, entre outros. Kita (foto acima), destaque em 1986 pela Inter de Limeira campeã paulista, chegou para reforçar o elenco que superou o Operário de Ponta Grossa, a Catuense e o Criciúma na fase semifinal.

A vaga na elite veio coincidentemente com uma vitória sobre o Tigre, 1-0, no Pinheirão, na penúltima rodada.Na decisão, dois empates com o Sport: 1-1 em Curitiba, com uma falha de Toinho no gol pernambucano e 0-0 no Recife. O vice-campeonato à época foi lamentado pelo atleticanos, que viam o Coritiba ser o único campeão brasileiro no Paraná até então.

Diário de Pernambuco destaca o título do Sport sobre o Atlético em 1990

O Atlético seguiria na elite brasileira até 1993, quando a CBF, numa manobra para salvar o Grêmio, então na segunda divisão, “subiu” 12 equipes da segunda para a primeira divisão. Atlético e Goiás, salvos pela classificação na A em 1992, e Paraná e Vitória, campeão e vice na B-92, foram jogados para um grupo secundário dentro da elite, com 16 clubes, dos quais 8 seriam rebaixados. O Grêmio, claro, mesmo sem critério técnico, foi colocado no grupo dos blindados. O Atlético-MG, lanterna no geral em 93, também, evitando a queda. O Paraná se salvou, o Coritiba não, tampouco o Furacão.

Por isso, o Atlético disputou a Segundona em 94, quando caiu na semifinal para o Juventude, e em 1995.

O time campeão de 1995, com Paulo Rink, Oséas, Ricardo Pinto e outros, comandado por Pepe, subiu fora de casa

Naquela temporada o Atlético tinha um jejum de 5 anos sem título estadual e estava em situação financeira delicada. A velha Baixada tinha se tornado a “Baixada do Farinhaque”, com uma reforma que tirou o Furacão do Pinheirão. E, numa páscoa inesquecível para o futebol paranaense, o Coritiba de Brandão fez 5-1 no Atlético e gerou uma revolução no Rubro-Negro. O time iniciou a Série B mal, perdendo em Goiatuba por 2-0 para o time local. Mas foi se encontrando até ficar com o título, após vencer o Central de Caruaru por 4-1 na Baixada e contar com um tropeço do Coxa, que ficaria como campeão se vencesse em Mogi-Mirim (1-1). Ambos subiram. O acesso atleticano também foi em Mogi-Mirim, com uma vitória por 1-0, na primeira rodada do returno do quadrangular final.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 14/11/2012


Nunca antes na história deste País…

…a Série B esteve tão concorrida. O líder Goiás, com 74 pontos, foi o único que já garantiu vaga na elite brasileira. As pontuações de Criciúma, Atlético, Vitória e do São Caetano, que é quem estaria fora no momento, seriam suficientes para ascender qualquer uma das equipes em todas as temporadas desde que a Segundona passou a ser com 20 clubes em pontos corridos. Em 2007, quando o Coritiba foi campeão com 69 pontos, o Vitória subiu com 59; Em 2009, com o Vasco campeão, o Atlético-GO subiu com 65, dois a menos que o São Caetano. Mesmo vencendo em Criciúma, o Furacão não garantirá matematicamente a vaga se Vitória e São Caetano vencerem seus jogos, na rodada mais quente de todos os tempos na B. Por coincidência da tabela, os seis primeiros colocados jogam entre si, sendo que só o Joinville não tem mais chances de acesso. O Goiás deve ficar com o bicampeonato da Série B, mas certamente os outros três classificados poderão comemorar como se fosse título.

Férias de quem?

O resultado de 1-5 para o Corinthians na última rodada do Brasileirão rendeu uma série de críticas – as primeiras – para o técnico Marquinhos Santos no Coritiba. Foi uma atuação desastrosa sim, mas em partes motivada pelo pênalti duvidoso a favor do Corinthians no início do jogo. Com mínimas chances de rebaixamento, muito se falou de que o Coxa já estaria de férias em 2012. Avaliei melhor e discordo: hoje, o Coritiba estaria fora da Copa Sul-Americana. Aquela mesma que os clubes costumam desprezar na temporada seguinte mas que, aposto um dólar, vai passar a ser melhor vista com um possível título de São Paulo ou Grêmio nesse ano. Volto ao tópico anterior: se o Atlético conseguir o acesso sem a taça da B, poderá sim festejar como um título, muito embora fosse da natureza e do poder do clube tentar a taça. Simplesmente porque clube de futebol existe para ser campeão. Por que então pensar em férias para o Coritiba, se há um torneio internacional a se buscar? A Sul-Americana caminha para ser a Liga Europa das Américas, com os clubes de menor poder financeiro comemorando taças internacionais, premiando-se com a vaga na Libertadores. Não há férias no Coxa; houve desconcentração e uma jornada infeliz em São Paulo.

Reboot

Expressão americana para reiniciar, usada na indústria do cinema e dos quadrinhos quando se quer ignorar o passado de um personagem. A DC Comics, editora do Super-Homem, é expert nisso, tendo reinventado seu universo de personagens várias vezes. A diferença para o Paraná Clube é que a ficção ressuscita heróis, reconta a história como quer. Reiniciar, talvez desta vez não tão do zero como nos anos anteriores, é (de novo) a missão paranista, versão 2013. A começar por convencer os bons atletas que aí estiveram (e alguns que valem a pena) a ficar depois de estar com salários atrasados em várias ocasiões. O “lançamento nas bancas”, porém, não pode esperar janeiro.

Os 14 grandes: CBF insere Coritiba e Atlético entre clubes “do eixo” em novo ranking

O novo ranking da CBF, a ser divulgado em janeiro de 2013, traz boas notícias para coxas-brancas e atleticanos. Levando em consideração o desempenho dos clubes de todas as séries do Brasileirão e também na Copa do Brasil, Coritiba e Atlético se inserem entre os chamados “12 grandes” do Brasil, os clubes de SP, RJ, MG e RS. A ideia da CBF é dinamizar o ranking deixando-o mais atualizado, contabilizando somente as últimas 5 temporadas.

A notícia foi divulgada pela ESPN – clique para ler e ver o ranking completo.

Segundo a matéria, Fluminense e Corinthians disputam a ponta do ranking. O Flu foi campeão brasileiro em 2010 e está prestes a ser novamente; o Corinthians venceu em 2011 e nesta temporada deu mais importância à Libertadores. A ESPN divulgou a lista dos clubes já com a aplicação dos novos critérios, explicados na tabela abaixo:

As 20 primeiras equipes do ranking seriam as seguintes:

O Coritiba, bi-vice-campeão da Copa do Brasil, bi-campeão da Série B e 8o no Brasileirão de 2011 estaria pouco abaixo do Cruzeiro, na 11a posição, subindo duas posições. O Atlético, quinto colocado no Brasileirão 2010 e com duas quartas-de-final da Copa do Brasil no período (2007-2012) ficaria acima do Botafogo-RJ e atrás do Atlético-MG, na 13a posição, seis acima da que ocupa no ranking anterior. Bahia e Sport, também clubes de grande torcida e campeões brasileiros, aparecem em 17o e 20o lugar respectivamente.

  • Demais paranaenses

Boa para a dupla Atletiba, a mudança derruba o Paraná no ranking e eleva Corinthians-PR/J. Malucelli. O Tricolor, fora da Série A desde 2007, quando disputou a Libertadores, perdeu 4 posições. Operário, Iraty, Cianorte, Arapongas, ACP e Roma também aparecem no ranking. O  Londrina, campeão da Série B em 1980 e 34o no ranking anterior, aparece em 136o lugar na nova contagem, pois está fora das séries do Brasileirão desde 2005, quando foi 14o na Série C e não se manteve em competições nacionais.

Veja o ranking só com os clubes paranaenses:

11o – Coritiba – 12924 pontos
13o – Atlético – 10953 pontos
27o – Paraná – 5904 pontos
77o – Corinthians-PR/J. Malucelli – 770 pontos
85o – Cianorte – 585 pontos
95o – Operário – 408 pontos
122o – Iraty – 262 pontos
125o – Arapongas – 255 pontos
136o – Londrina – 203 pontos 
172o – ACP – 100 pontos
191o – Roma – 25 pontos

Abrindo o Jogo – Coluna de 07/11/2012 no Jornal Metro Curitiba

A decisão do TCE-PR
Definir que o Potencial Construtivo é patrimônio público e, portanto, seu uso para arrecadar verbas para a finalização da Arena da Copa merece atenção e fiscalização do Estado, foi o melhor para a cidade, o evento e o Atlético. O clube até então tomou decisões que causaram espanto em parte da comunidade, mas foram referendadas pelo conselho. Com quando a esposa prefere o vestido da loja mais cara e o marido acaba cedendo; a decisão que era do clube sobre as cadeiras foi levada além do que devia – em forma de alerta, diga-se. Tudo agora fica pra trás. O clube, que se diz transparente no modelo de autogestão, ganhará agora o selo do TCE, caso tudo esteja em dia. Deixa de ocupar o posto de vilão que tentaram lhe imputar. Cabe ao órgão reger de forma transparente o aporte do benefício público, dado para que Curitiba receba o Mundial. Ganha a cidade, tardiamente, por entrar de vez na Copa; ganha o clube, que terá a aprovação do público em tudo que for lícito; e ganha a população, que verá todos os passos monitorados pelo TCE. Parece que finalmente Curitiba irá despertar para a Copa.

O Derby e o fim da Série B
Troco o chip, mas continuamos a falar sobre estádios. Desta vez a definição de que o Derby da última rodada da B será no Eco-Estádio. Foi o mais acertado diante do que se apresenta. Caberá à PM a responsabilidade de organizar a segurança e, a cada um dos torcedores, dar o bom exemplo. Não há porque criar pé de guerra nisso. Evita-se o deslocamento das torcidas, preserva-se o direito de mando e, claro, é importante que se preservem os direitos paranistas aos ingressos. No entanto, junto-me ao coro dos que lamentam a falta de diálogo para que o jogo fosse realizado no Couto Pereira. A volta do Atlético à Série A, quase consumada, e a chegada de Alex ao Coxa são motivo suficiente para uma grande ação de marketing envolvendo a dupla. O negócio futebol precisa ser tratado como tal. Dar o primeiro passo, com o Derby da Rebouças enchendo o Couto, gerando renda, seria o ideal. Culpar quem errou no passado é andar para trás. Importa é dar o primeiro passo e tratar o futebol com profissionalismo. É preciso alguns ajustes entre os cabeças dos clubes. Vem aí o Paranaense 2013 e novas oportunidades.

Ricardinho e o Paraná
Estive com Ricardinho ontem no Terra, em entrevista ao vivo. Falamos de Copa 2002 (já se vão 10 anos…), Corinthians e, é claro, o Paraná. O ex-técnico e ídolo tricolor disse que saiu do clube porque “algumas pessoas não entenderam as demandas do time”, impedindo contratações. Reclamou, mas disse compreender, do momento financeiro do clube. Contou ainda que deixa como “herança” o acesso para a primeirona paranaense e uma organização, adotada com Alex Brasil, no departamento de futebol, que “vivia cheio de empresários.” Ricardinho passou nove meses no Paraná e – impressão pessoal – pareceu se ressentir de ter deixado o clube sem poder ajudar mais. Mas ele próprio precisa tocar sua carreira de técnico, que tem potencial. Basta achar o ambiente propício – o que o Tricolor não foi e não tem sido faz tempo.

As portas do paraíso

Portão do Anacleto Campanella, passagem para voltar ao convívio dos grandes

Sábado, 3 de novembro de 2012, o Estádio Anacleto Campanella estará na cabeça e no coração de cada torcedor atleticano pela segunda vez na história. Sem o mesmo glamour de 11 anos atrás, mas com uma importância proporcional. Da primeira vez, Atlético e São Caetano disputavam um lugar no seleto grupo dos campeões brasileiros; hoje, os 14.400 torcedores (capacidade máxima atual) que passarem os portões do estádio irão ver duas equipes buscando se recolocar na elite nacional.

Nós últimos 11 anos, desde que passou a integrar o time dos grandes clubes nacionais, o Atlético alternou bons e maus momentos. Esteve a pique de ser campeão da América, bi-brasileiro, conquistou um inédito tri-estadual… mas namorou com a Série B por várias vezes até finalmente casar em 2011, um ano cheio de erros. Coincidências da vida, voltar ao seu lugar de direito na Série A* pode ficar próximo da realização justamente no palco da maior glória.

Não que a vitória garanta matematicamente o acesso, mas dará uma vantagem de 4 pontos sobre um adversário que não terá mais como tirar a vantagem em confronto direto. Da mesma forma, uma derrota complica e muito o sonho atleticano de voltar à primeira divisão ainda nessa temporada. Ambos terão tabelas complicadas posteriormente e qualquer vantagem deve ser considerada. Manter um ponto, conquistando um empate, também está nos planos atleticanos. Elementos que entrarão em campo até mais que o histórico do estádio na vida atleticana.

Costumo dizer que Atlético e Coritiba fizeram um favor ao futebol brasileiro ao conquistarem os títulos de 2001 e 1985. Em finais consideradas menores pela grande mídia (que, assim como os clubes, não deve ter lido os regulamentos para contestá-los) venceram os dois clubes que têm história, camisa, torcida e representam mesmo uma comunidade. Em ambos os casos, os rivais da dupla não tinham identidade. Para 2012 o raciocínio não é diferente: entre Atlético e São Caetano, rivalidades e flautas à parte, é muito óbvio quem é que deve ocupar seu lugar entre os grandes.

No entanto, isso não ganha jogo. Em São Caetano a partida também é tratada como a grande oportunidade de resgate de um projeto para a cidade do ABC paulista, que teve seus momentos, chegando também à um vice-campeonato da Libertadores (2002) e outro nacional (2000). Time tocado com a ajuda da prefeitura, o Azulão botou São Caetano do Sul no mapa. Mas paga o preço pela administração semi-profissional: em um rompante de seu presidente, Nairo Ferreira de Souza, demitiu Emerson Leão e mantém um interino no cargo, Ailton Silva, cuja permanência está condicionada a uma vitória sobre o Furacão. Nairo, aliás, é o mesmo presidente dos anos de ouro do Azulão, de volta ao cargo. Outro laço entre os clubes – mais um, além da interinidade dos treinadores.

As principais lembranças dos atleticanos, até o apito inicial, ficarão em 23 de dezembro de 2001, quando Kléber recebeu a bola no circulo central, abriu na esquerda para Fabiano, que avançou e bateu cruzado na entrada da área. Silvio Luiz, goleiro do São Caetano, espalmou e Alex Mineiro, pela 8 vez em 4 jogos, empurrou pras redes. Não se sabe quem será o Alex Mineiro da vez – se é que ele vestirá rubro-negro. Mas, em se tratando de Série B, outra lembrança pode animar o Atlético. O interior de São Paulo já viu um acesso atleticano, em 1995, quando o time de Paulo Rink e Oséas fez 1-0 no Mogi-Mirim. Foi o início de uma série de 16 anos ininterruptos na Série A, até a queda em 2011.

O Anacleto Campanella, estádio acanhado no interior paulista, tem uma espécie de portal para o paraíso que só o Atlético tem a chave. Resta saber se no sábado o elenco 2012 irá carregá-la consigo, ao atravessar os portões para entrar no gramado no ABC paulista.

*É o paranaense que mais frequentou a elite, 36 vezes contra 34 do Coritiba, 33 a 32 contando apenas de 1971 pra cá; é ainda o 14o a mais disputar campeonatos na elite, atrás dos 12 de RJ/SP/MG/RS e do Bahia.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 31/10/2012

O jogo mais importante do ano
Quis o destino que o Atlético voltasse a São Caetano do Sul 11 anos depois da maior conquista do clube para enfrentar o mesmo rival daquele 23 de dezembro de 2001, mas desta vez em uma decisão direta por uma vaga de volta à elite brasileira. A partida de sábado será a mais importante do Brasil nesta reta final nas séries do Brasileirão, senão vejamos: é o único que opõe adversários diretos em busca do mesmo objetivo. Na Série A, depois de Galo 3-2 Fluminense, cada um torce por outras equipes. Azulão e Furacão vão se enfrentar sabendo que um pode matar o outro. Em especial, o Atlético, que leva um ponto de vantagem ao ABC paulista.

Conservadorismo, sim
Ter um ponto a mais que o São Caetano é um precioso benefício pra se levar pra dentro de campo. O Atlético de Drubscky, com as descidas de João Paulo, a chegada de Elias, com Marcelo aberto na ponta, Henrique na condução de bola e Marcão centralizado, é ofensivo. E não pode abrir mão disso, mexendo na equipe na hora da principal decisão. Erro clássico de treinador é alterar time que vem jogando bem justamente no jogo mais importante. Colegas defendem mudanças na equipe, com Felipe e Baier em campo; sou contra. Agora é deixar o que está andando bem seguir sua rota. Como alternativa pra um jogo contra um São Caetano que marca duro e tem no meia Pedro Carmona o jogador mais agudo, pode ser. Mas no decorrer dos 90, nunca antes. E, não se esqueçam, o Atlético pode sim trazer um empate do Anacleto Campanella que ainda dependerá só de si para subir.

Estratégia
Aliás, jogar pelo empate é prerrogativa de um Atlético que poderá sair nos contra-ataques, pois quem deve sair para o jogo é o São Caetano. Nos jogos que acompanhei do Azulão, não é esse o ponto forte da equipe. O time paulista joga no erro do adversário, aguarda para dar o bote e marca muito – repito – muito forte. No entanto, terá que sair para o jogo. Terá de dar espaços à velocidade dos jogadores de frente do Rubro-Negro. O tempo passará mais rápido para o São Caetano que para o Atlético – e Drubscky deve ter isso em mente.

Passado e presente
Em 2001, brigando para finalmente ser campeão do Brasil, o Atlético enfrentou o São Caetano com uma vantagem de 1 gol e também jogando pelo empate. Havia feito 4-2 em Curitiba. Como o Azulão tinha melhor campanha, seria campeão com 2-0. No fim, deu Furacão, 1-0, com gol de Alex Mineiro em jogada de contra-ataque: bola de Kléber para Fabiano, que bateu cruzado; Silvio Luiz espalmou e Alex aproveitou o rebote. Era o oitavo dele nos 4 jogos da reta final. O Atlético deste ano é mais operário que técnico, mas todo time precisa de uma estrela na hora H; quem será em 2012? Aposto em Marcelo, 13 gols na Série B.

Pesquisa Ipsos/Marplan, parte II: Futebol para elas, ricos e pobres, do vovô ao netinho

Após a divulgação dos números globais da Pesquisa Ipsos Marplan 2012 (e muita discussão no post e nas redes sociais), chegou a hora de detalhar a pesquisa; quem, entre os paranaenses, tem a maior torcida entre as mulheres? E por faixas sociais? Qual o time do povão e qual o da elite? Os jovens e os idosos, preferem que cores?

É o que o blog apresenta abaixo.

  • O Atlético é delas, o Coxa é deles
A modelo Carol Garajaú: Atlético tem maioria feminina

As mulheres são maioria entre os atleticanos e mais: proporcionalmente, o Furacão tem a terceira maior torcida feminina do Brasil, atrás apenas de Internacional e Vitória e ao lado do Corinthians e do Sport Recife no índice.

No geral, as torcidas brasileiras estão bem divididas. Foi-se o tempo em que “futebol era coisa de homem”. Segundo a Ipsos/Marplan, 46% das torcidas brasileiras são formadas por mulheres.

As atleticanas compõem 52% da torcida rubro-negra. Inter e Vitória tem 53% das suas massas torcedores compostas por mulheres.

Se o Furacão é o time delas, o Coxa é o time deles. Apenas 33% dos torcedores alviverdes são mulheres, o menor índice entre as 23 maiores torcidas do Brasil – o volume de times detalhados pela Ipsos/Marplan. É a segunda maior torcida masculina do Brasil, em números proporcionais, atrás apenas da do Santos.

Além de ambos, o Ceará, com 39% de mulheres na torcida, tem índice abaixo dos 40%, como o Coritiba. Veja os números gerais*:

*A Ipsos/Marplan não divulgou os números da torcida do Paraná; a ordem do gráfico corresponde a ordem nacional das pesquisas no Brasil, em números absolutos

  • Coritiba tem a torcida mais rica do Brasil
Torcida Coxa se fez presente em jogos na Copa da África 2010

O Coxa tem os torcedores mais ricos do futebol brasileiro, aponta a pesquisa. A elite curitibana é 14% da torcida alviverde, maior índice entre todos os 23 clubes detalhados pela pesquisa. A classe A, com renda mensal acima dos R$ 8.000, prefere o Alviverde. Não só em Curitiba: o concorrente mais próximo do Coritiba nesse índice é o Palmeiras, com 12%. O Atlético tem 8% de seus torcedores na classe A.

Nem Atlético, nem Coritiba, podem se dizer verdadeiramente “um time do povo”. Em se tratando de classes econômicas, a dupla Atletiba tem maior penetração nas classe média, entre as classes C e B (com renda mensal entre R$ 950 e R$ 4.600). Na disputa entre ambos, ligeira vantagem para o Atlético entre os mais pobres (com renda abaixo dos R$ 950), com 8% x 7% do Alviverde. Pra se ter uma ideia, nacionalmente, a verdadeira torcida do povo brasileiro é a do Ceará, com 33%. O Corinthians tem apenas 9% de torcedores nessa faixa, enquanto o Flamengo tem 15%.

Na classe média, o Atlético leva vantagem sobre o Coxa entre os situados na classe C (44 x 30) e perde na B (39 x 49), comprovando a preferência dos mais abastados pelo clube do Alto da Glória. Veja os índices nacionais:

  • Vovô é Coxa, filhos são Rubro-Negros, netos em aberto
Vovô Coxa entre Lucas e Kleberson, na faixa dos 30 (Foto: Blog do Bronca)

Como visto no primeiro post desta série, há uma flutuação nos índices percentuais das torcidas, conforme as décadas. As gerações vão se sucedendo e mexendo com os números. Segundo a Ipsos Marplan, o Coritiba tem 19% dos seus torcedores acima dos 50 anos, enquanto nessa faixa estão 14% dos atleticanos. A torcida mais “velha” do Brasil atualmente é a do Fluminense, com 41% dos torcedores acima dos 50.

O Atlético está a frente do Coxa entre a faixa considerada mais ativa, de 25 a 50 anos: 48 a 41%. Entre todos os 23 clubes do detalhamento, a média percentual de torcedores nessa faixa é a maior, 43%. Apenas Palmeiras (50%) e Bahia (49%) tem mais torcedores nessa faixa que o Atlético. Flamengo, Atlético-MG e Internacional tem o mesmo índice dos rubro-negros.

Entre jovens e crianças, o Coritiba está ligeiramente acima do Atlético, 39% a 38%. Os coxas-brancas estão mais numerosos entre 18 e 24 anos; abaixo disso, os rivais estão iguais. Em todo o Brasil, a torcida que tem o maior número de jovens em suas fileiras é o Sport Recife, com 47%; na outra ponta da tabela está o Palmeiras, que tem 25% dos seus torcedores nessa faixa etária.

  • Conclusões

Estatísticas de torcidas no futebol normalmente são mal digeridas. Enquanto os perdedores duvidam da origem das pesquisas, os vencedores preferem a galhofa ao estudo – que, de fato, deveria ser objeto de todos.

Os índices e as flutuações no mercado do futebol, apontados pela pesquisa da Ipsos, são significativos. A queda assustadora de torcedores do Paraná, o constante crescimento corintiano no mercado paranaense e também no país todo, as preferências por sexo, idade e classes sociais, tudo pode ser objeto de um trabalho mais profundo para readequação de interesses de cada clube.

Não há marketing melhor que bola na rede, dirão alguns. De fato. Mas muitas ações podem ser tomadas para que cada clube amplie sua ação no mercado, afim de faturar mais, gerar receitas e atratividade e assim, com dinheiro em caixa, buscar quem ponha a bola lá, iniciando um ciclo positivo.

Atlético tem a maior torcida paranaense; veja detalhes exclusivos

 

O Atlético tem a maior torcida de Curitiba e a maior no Brasil entre os clubes paranaenses, aponta uma pesquisa realizada pelo o Instituto Ipsos/Marplan em 13 regiões do País.

A pesquisa, feita nas Regiões Metropolitanas de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Salvador, Fortaleza, Goiânia, Vitória-ES, Salvador e no interior de São Paulo, entrevistou 14.413 pessoas entre Janeiro e Março deste ano. Curitiba e RMC correspondem a 5% do total da pesquisa; São Paulo e interior, na proporção da população, a 30%.

Nos números apurados, algumas conclusões polêmicas: pela primeira vez o Corinthians teria passado o Flamengo no número de torcedores; em números comparativos, o Atlético teria o dobro de torcedores do Coritiba (32 x 16), como divulgado pela TV Bandeirantes em 10 de outubro deste ano:

Como os números paranaenses não foram descritos na matéria da Band, fui atrás dos dados especificados. E em dois posts especiais, nesta quinta e sexta, vou apresentá-los aqui no blog.

Abaixo, o gráfico que corresponde às torcidas em Curitiba e o desempenho nacional dos clubes do Paraná:

Portanto, em números absolutos, a torcida do Atlético chega a 20% da população da cidade/RMC, enquanto o Coritiba tem 16% e o Paraná, 4%. O Corinthians é o terceiro na preferência na região, com 8%.

O gráfico apresentado pela Band tem outra leitura. A explicação é de Diego Oliveira, diretor de contas da Ipsos/Marplan, para a discrepância nos números: “São interpretações diferentes. Há dados com base em torcedores (37.153.000) e na população com mais de 10 anos (50.119.000).”

A vantagem do Atlético em relação ao Coritiba cresce na proporção em que se seleciona apenas o público com interesse no futebol. E também no comparativo único entre os três clubes paranaenses, que somam 40% entre os que gostam de futebol. Como ilustra o gráfico a seguir, o Atlético tem 50% da torcida paranaense contra 40% do Coxa e 10% do Tricolor, de acordo com a Ipsos/Marplan:

Segundo a Ipsos/Marplan, 23% dos brasileiros não torcem para nenhum clube. Em Curitiba e RMC, o índice de pessoas que não torcem para ninguém é de 39%, maior que a média nacional.

  • Consolidação atleticana, ameaça corintiana

Os números da pesquisa Ipsos/Marplan podem alimentar a rivalidade Atletiba, mas servem muito mais de alerta de mercado para o crescente aumento de corintianos na capital. No Paraná, somando o interior, o time paulista já tem a maioria dos torcedores.

Se resgatarmos todas as pesquisas divulgadas sobre torcidas no Paraná, desde a primeira que se tem notícia, do Gallup/Placar em 1983 até essa, percebe-se uma queda na preferência pelos times paranaenses e a consolidação do Atlético como time mais popular. Em 10 pesquisas nos últimos trinta anos, o Furacão esteve atrás do maior rival em apenas duas (em 1993 e 1998); no Paraná como um todo, foram 4 pesquisas divulgadas desde 1983. Em todas,o Atlético aparece na frente do Coritiba – mas, nas duas últimas, atrás do Corinthians.

Além disso, há um decréscimo considerável na torcida paranista, que teria perdido nada menos que 2 vezes e meia a torcida que tinha na primeira pesquisa em que apareceu, em 1993 (de 14% para 4%). Clubes citados em 1983 com grande participação paranaense, como Grêmio Maringá, Londrina e Operário, sequer são citados atualmente – muito embora, em alguns casos, as pesquisas não sejam realizadas nestas praças. Confira os gráficos das torcidas ao longo do tempo, em Curitiba/RMC e em todo o Paraná:

Curitiba/RMC

Obs: Por ser um time de Curitiba, o Malutrom aparece no gráfico por ter sido citado em 2001; clubes como Santos, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Grêmio e Inter foram citados, mas não incluídos no gráfico acima

Estado do Paraná

Se você chegou até aqui e ficou curioso para saber o resultado nacional da pesquisa, recomendo o blog Olhar Crônico Esportivo, só clicar aqui. O espaço para comentários está a disposição para o seu manifesto.

 Amanhã: o detalhamento da pesquisa por sexo, idade e classe social!

Abrindo o Jogo – Coluna de 24/10/2012 no Jornal Metro Curitiba

Tropeço inesperado
Os pontos perdidos contra o Guarani deixaram o Atlético novamente à espera do que faria o São Caetano à noite (o jogo ocorreu após o fechamento da coluna). Se teve sorte ou azar (o que era a lógica para o Azulão, contra o Ipatinga), o impacto do tropeço inesperado é o peso ainda maior para a reedição da decisão da Série A 2001 no próximo dia 3 de novembro, em São Caetano do Sul. Com sorte, o Atlético jogará pelo empate; do contrário, se obrigará a vencer. Fruto da ansiedade no jogo de ontem contra o Bugre. Faltou força para a quinta vitória seguida, mas nada está perdido ainda.<

Cadeiras da discórdia
Depois das denúncias feitas pelo ex-vice Cid Campêlo Filho, Mário Celso Petraglia ganhou o apoio do conselho atleticano. Enquanto o tema for interno, se o conselho aprovar gastos maiores por opção, bom para quem está no comando, com o custo bancado pelos sócios do clube. Se o tema passar a ser de interesse geral, mediante decisão do Tribunal de Contas, a situação muda. Dentro do policiamento que faz a imprensa, questiona o leitor Luiz Fernando Bolicenha por que a não se dá o mesmo espaço a quem tem dívidas com a união, como INSS e outros pormenores públicos. Falar pela imprensa, creio, ninguém tem autonomia. Pela coluna, respondo a seguir.

Dívidas: quem paga?
A oportuna colocação vem de encontro à uma reportagem da Revista Galileu, divulgada no início da semana, sobre os clubes maiores devedores do País e quanto tempo levariam para quitar essas dívidas em um estudo envolvendo receitas e plano de parcelamento. O Atlético, justiça seja feita, é o único do Brasil que não tem dívidas. O Coritiba ocupa a 10ª colocação entre 25 clubes, e o Paraná é o 9º, num ranking que leva em consideração o tempo que cada um levaria para quitar suas pendências; o Botafogo-RJ é o pior rankeado. Dívidas das mais diversas ordens, com impostos e atletas/treinadores por ações trabalhistas. Segundo o estudo, o Coxa precisaria de 25 meses para pagar seus 63,9 milhões, enquanto o Tricolor levaria 28 meses para quitar 34,5 milhões. O time carioca precisaria de 86 meses para zerar nada menos que 378,2 milhões. As públicas saem sim do bolso do contribuinte. É tão nocivo quanto o mau uso de dinheiro estatal em qualquer outra atribuição – pior é ver isso ser tratado com displicência pelo comando esportivo do País. De certa forma, exemplificando, todos nós pagamos para que Seedorf defenda o Fogão. É fazer cortesia com o chapéu dos outros.

Alex e o bem que faz ao futebol paranaense
A volta de Alex merece uma coluna só para si (e ela estará no blog napoalmeida.com*) mas, em rápidas linhas – e sem entrar na engenharia financeira, que desconheço – o retorno do ídolo coxa mexe com a estima do futebol da terrinha. Alex não precisaria  marcar mais nenhum gol: o sim ao Coritiba demonstrou caráter, abnegação e reciprocidade. Um tapa de luva em um mundo de negociações e mercados inflados.

*Promessa é dívida e, em semana de Liga Europa aqui no Terra, encaixo algo até a noite desta quarta sobre o tema.