Exclusivo: José Carlos de Miranda promete oposição “se não nos atenderem”

O Paraná Clube saberá até sexta-feira se terá ou nào bate-chapa nas eleições do clube, em novembro. Cotado para ser candidato de oposição o ex-presidente tricolor, José Carlos de Miranda, o Professor Miranda, disse em entrevista exclusiva ao blog: “Não serei candidato”. Aos 73 anos, Miranda criticou a gestão do futebol atual e disse que nunca foi ouvido sobre o caso que culminou com sua saída e posterior suspensão do clube: a negociação do meia Thiago Neves (hoje no Flamengo), entre outras denúncias de favorecimento pessoal ilícito.

Napoleão de Almeida – O prazo para inscrições a candidatura do Paraná está se encerrando. O senhor será candidato?
Prof. Miranda – Não, estamos apenas… (pensa) temos um grupo que pretende lançar uma chapa caso a situação não apresente uma chapa que condiga com a realidade.

N – Oposição ou situação?
M – Isso, isso. Já temos um grupo formado.

N – Desculpe, não entendi.
M – Estamos aguardando pra saber qual a chapa deles (situação). O Aquilino (Romani, atual presidente), o Aramis (Tissot, vice-presidente)… aguardaremos até sexta.

N – O que está errado no Paraná?
M – Na verdade nós achamos que o marketing e o administrativo estão bem, mas quando vai para o social e o futebol, a coisa não está boa, não está correta. Nós achamos que não tem como tocar futebol dessa forma. As pessoas estão erradas. Você não pode ter pessoas que não tenham controle emocional, que tratem de assuntos particulares do clube com quem não faz parte… e também a conduta. Conversar com quem tem experiência. Sempre falo que no futebol ninguém sabe nada, mas tem que ouvir as pessoas.

N – O senhor tem uma frase que diz que “futebol é jogo de azar…”
M – Futebol é quase jogo de azar. Mas no quase entra a competência, saber fazer o negócio. Tem quem nunca sentiu cheiro de zig e acha que sabe tudo. Você aprende com a idade que voe não sabe nada. Duas cabeças sempre pensam melhor que uma, não só um ditado, é verdade. Democracia pode ser ruim, mas ninguém encontrou algo melhor, já dizia o Churchill.

N – Os que estão no futebol do clube hoje são o Paulo César Silva e o Guto de Mello. Posso entender que é uma crítica a eles?
M – O Paulão ameaça toda hora sair, mas quando tem uma viagenzinha ele vai… o Guto é um menino que empolgou-se. Até fui eu que levei ele. Na minha gestão foi várias vezes em viagens, estava preparando para o futuro. Afinal, sou professor. Mas ele não ouviu mais ninguém, acho que deslumbrou. O melado fez mal, ele lambuzou-se.

N – E o senhor se sente apto a voltar ao clube, mesmo com aquelas denúncias que o envolveram no caso Thiago Neves? A suspensão acabou, mas e você, como está?
M – Eu frequento o clube, todas as reuniões. Não quis contestar, não entrei na justiça, nada. O Luis Carlos de Souza (conselheiro do Paraná) disse que vai tentar me impugnar se eu sair candidato. Ele foi um dos meus grandes erros. Achei que era melhor não brigar na ocasião. Todo mundo achou que o Prof. Miranda tinha levado dinheiro do clube. Beleza…

N – Hmm.
M – Nunca me deram uma chance, ninguém na imprensa, de falar. Falam de uma gravação da LA (Sports, empresa que empresaria jogadores de futebol), mas preferem o lado mais sujo. Até quem sabe bem da história.

N – O senhor quer falar agora sobre isso?
M – Não… (pensativo) quando chegar a hora… vão saber. Eu fui… (pensativo novamente) eu aceitei tudo. Eu me culpo, saí para evitar rebaixamento. Hoje dizem que se eu tivesse ficado, não teria caído. Eu dancei conforme a música, não sou anjo não.

N – E para a campanha…
M – (interrompe) Eu não serei candidato. Só estou na coordenação. Com a minha vivência, tem traições muito grandes na política. As voltas nunca são boas. O Evangelino (Neves, presidente do Coritiba em diversas ocasiões, em especial 1985, campeão brasileiro) voltou e foi execrado. O Getúlio (Vargas, ex-presidente do Brasil) até se matou. Historicamente não funciona bem. E outra: a minha idade. Tá na hora de deixar gente mais jovem tocar. Eu fui presidente do Colorado em 85, vivemos uma crise… fomos os primeiros a irmos para o Pinheirão, não foi o Atlético. Estávamos ameaçados de rebaixamento… tenho história nesse clube.

N – E o senhor já tem algum nome? Quem pode sair candidato?
M – Hoje eles (situação) tem uma reunião. Ele (Aquilino) vai me ligar depois. Se algumas das nossas metas forem atendidas, podemos até apoiar a situação.

N – José Domingos é um nome?
M – O Zé também não quer sair não. Mas tem muitas pessoas no nosso grupo. O problema é quem está disposto a enfrentar. Vou convencer o professor Motti Domitt. Tô aqui com ele (risos).

Ênio Fornea será o adversário de Mário Petraglia nas eleições do Atlético

Fornea lançará candidatura depois do feriado (foto: site Notícia FC)

A chamada “terceira via” das eleições do Atlético em dezembro já tem nome: Ênio Fornea. O ex-vice-presidente do Rubro-Negro decidiu na madrugada de hoje (quinta para sexta) que vai concorrer ao conselho deliberativo do clube, até aqui, contra um único candidato: Mário Celso Petraglia.

Fornea e sua chapa não se dizem oposição, mas também desvinculam-se de Marcos Malucelli, atual presidente atleticano. Já Petraglia se posiciona como opositor. De curioso, o fato de que Fornea era vice de Malucelli até julho e Petraglia elegeu o atual mandatário como seu sucessor.

Nas negociações para a montagem da chapa, cogitou-se uma aproximação entre os lados, mas que não foi aceita. Petraglia chegou a se manifestar favorável a uma terceira via nas redes sociais, mas, por ora, haverá bate-chapa.

No entanto, a princípio, nenhum dos dois deve ocupar a presidência do conselho gestor, subordinado ao deliberativo. Ambos ainda decidem quem será seu indicado na chapa. Para entender: o cargo que ambos disputam é ocupado hoje por Glaucio Geara; o cargo de presidente gestor é que é de Malucelli.

Para esse posto, a chapa de Fornea tenta articular um nome que poderia causar impacto junto aos sócios-torcedores: convencer Marcos Coelho, campeão brasileiro em 2001, a aceitar a indicação. É possível que esse sim venha até quarta, 03/11. Petraglia ainda não ventilou nenhum nome para o posto.

Como a política do Atlético acaba sempre recorrendo aos mesmos nomes, cabe outra curiosidade: Fornea era o homem da obra na Arena para a Copa quando vice de Malucelli; ao criar a comissão de auto-gestão, esse posto passou para Petraglia. Ou seja: se vencer o pleito, Fornea conviverá com Petraglia de qualquer maneira.

Estima-se que cerca de 9 mil sócios possam votar nas eleições do clube, em dezembro.