O que o Mundo está falando da Copa das Confederações

O evento-teste da Fifa vai começar e o Brasil vive uma onda de protestos sociais, na expectativa de uma repercussão internacional, já que todos os olhos do planeta estão voltados ao País. No entanto, não é o que se vê nas manchetes deste sábado, pré-estreia da Copa das Confederações, nos principais jornais esportivos do Mundo. Nenhuma nota ou preocupação em destaque – ao menos antes da competição começar.

Argentina

Nossos vizinhos estão fora da Copa das Confederações, mas não deixam de opinar. “Toda sorte para o Brasil” é a manchete do Olé, que brinca com o tabu de que nunca uma seleção que venceu a Copa das Confederações ficou também com o caneco do Mundial no ano seguinte. Bem, há sempre uma primeira vez.

Uruguai

Os uruguaios ainda não estão 100% voltados a Copa das Confederações. A grande preocupação do Ovación Digital está na busca por uma vaga no Mundial: com sete pontos, a Celeste garante ao menos a vaga na repescagem. Olhos em 2014.

Espanha

O Marca, principal jornal esportivo espanhol, segue a linha de se preocupar mais com o Real Madrid que com a seleção local. Tanto é que a principal manchete é com o uruguaio Luis Suárez dizendo que “valerá o mesmo” se marcar ou não no encontro entre Celeste e Fúria.

Itália

Na Gazzeta Dello Sport, a preocupação é com Mário Balotelli, que com uma contratura, pode ficar de fora da estreia contra o México.

México

Chicharito Hernandes, do Manchester United, é o destaque do Central Deportiva, caderno de esportes do El Universal, que fala da preocupação da Itália com o artilheiro.

Japão

No Japão, o destaque do Daily Sports Online é a declaração de Neymar sobre os principais jogadores japoneses, Honda e Kagawa.

Nigéria

Nada de repercussão sobre a quase-desistência da Nigéria na Copa das Confederações: página virada, a expectativa do The Guardian Nigéria é para o duelo com o Taiti: “Sonhos do Tahiti contra as Super-Águias”.

Taiti

No Le Dépéche, a manchete é: “Todas as atenções para o Taiti”. Pelo menos é essa a impressão que eles têm da primeira grande competição do país, que se rotula como “peixe-pequeno”.

Alemanha

Um dos principais países do mundo do futebol, a Alemanha dá pouco destaque para a Copa das Confederações (a quem chama de ‘mini-copa’), mas questiona: “Porque o Taiti e não nós?”, discutindo a ausência da seleção local nesta competição – e os motivos disso.

Inglaterra

Um dos mais ácidos jornais do mundo, o The Sun da Inglaterra, passa longe dos problemas sociais brasileiros ao falar da Copa. A manchete faz um apanhado do que há de melhor e, para desgosto de Carlinhos Brown, agradece a ausência de Vuvuzelas e afins no “carnaval do futebol”.

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Contagem regressiva para o legado

Escavadeiras precisam de velocidade de Fórmula 1

São exatos 365 dias para a Copa 2014 enquanto eu escrevo este texto. Em todos os outros que antecederam este dia, desde o dia 30 de outubro de 2007 (você se lembra onde estava nesta data?), muito se discutiu o legado da Copa. Criou-se duas correntes, uma contrária e outra favorável ao Mundial. Boa parte da discussão ficou em cima dos estádios, o que gerou outra impressão errada: o clubismo. Quem tá dentro é a favor, quem tá fora, contra.

Foi onde erramos. Estádios são vitais para a realização da Copa, mas não são o mais importante para o Brasil. Faltando um ano para a Copa, estamos correndo atrás do que realmente importa: a infraestrutura. Enquanto brigamos pelos campos, nossas ruas, aeroportos, hotéis, tecnologia e profissionais de turismo ainda engatinham.

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Clubes aproveitam Copa para pressionar CBF

Desde o começo fui favorável a Copa no Brasil. Sou militante do esporte. Jornalista esportivo que não quer o maior evento do planeta em seu país é contraditório; seria como um advogado trabalhar contra uma suposta vinda do Tribunal de Haia para o Brasil. O que não significa que não devamos permanecer vigilantes quanto ao uso dos recursos, tampouco concordemos com todas as imposições. Temos, novamente, duas correntes: a que acha tudo maravilhoso e a que não vê nada bom em coisa alguma. Falta ponderação.

O legado esportivo é inegável. Receberemos os melhores atletas, teremos uma nova visão do negócio. As 12 cidades-sedes terão novos estádios. Mesmo os “elefantes brancos” podem dar àquelas praças uma nova perspectiva. Cuiabá, por exemplo, lentamente começa a esboçar um trabalho profissional com o Cuiabá EC. As praças mais consagradas terão novos estádios; clubes se modernizaram e alguns rivais se espertaram a tempo e pegaram carona. O torcedor terá mais conforto. Não teremos alambrados e podemos começar a nos comportar como cidadãos, sem invadir campo, por exemplo. Foi a partir disso que a Bundesliga alemã se tornou uma das três maiores ligas de futebol no Planeta. E tenho certeza que todos os estádios estarão prontos.

Mas e as cidades? Enquanto se debatiam os estádios, o que foi feito pelas cidades? Um levantamento do jornal paranaense Gazeta do Povo aponta que dos 8.9 bilhões de reais previstos para mudar a cara da infraestrutura urbana do país, apenas 1,4 bilhão já foi investido. Boa parte, 6,1 bilhões, já foram contratados e devem ser o principal foco dos interessados no evento nestes 365 dias que restam. E os interessados somos todos nós. É a discussão da política: se você se omite, é conivente. Não existe apolítica – esta postura é uma postura política. A situação mais crítica é a dos aeroportos: 0,6 bilhão investido dos 7 bilhões previstos. Experimente pegar um avião aqui e também nos EUA para sentir o atraso que a Copa deveria acelerar. Já se sabe que muitos deles só estarão prontos anos depois do evento. Não cabe o comparativo de que o investimento na Copa tira dinheiro de hospitais e escolas. Existe orçamento para tudo. Talvez não fosse prioridade do País receber esses eventos; mas foi esse o plano do então presidente Lula para posicionar o Brasil como potência mundial. Cabe, porém, a cobrança forte para que os recursos sejam bem aplicados em todas as áreas. Ao invés de sair as ruas para vaiar a Seleção, vale sair às ruas, com ordem, pedindo melhores hospitais, escolas, etc. Uma coisa não exclui a outra.

Além disso há o componente político. Desde que o Governo proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos estádios, não se percebeu redução significativa na violência das torcidas, mas muitos comerciantes tiveram perdas substanciais nos lucros. Para a Copa, entretanto, o comércio está liberado. E depois? Restringe? Qual a diferença fundamental entre o consumo antes e durante o Mundial? A Fifa fez o que lhe cabia, é o Governo quem deve proteger o que interessa à nação. O mesmo vale para os movimentos populares, como as festas de São João e até as baianas do acarajé em Salvador (veja aqui).

Outra análise fria que precisa ser ponderada é a da vinda de turistas. Estudos apontam que o fluxo migratório começa dois anos após as Copas. Foi assim na Alemanha e na África do Sul. É o momento que os torcedores de outros países já assimilaram o que viram na TV. E ninguém é melhor que a Fifa para vender a imagem de um país próspero e agradável, com estádios moderníssimos. Em 2016, no entanto, o Brasil estará às voltas com as Olimpíadas – outro evento gigantesco. Até lá a estrutura estará pronta?

É preciso cobrar. Teremos eleições no próximo ano. Nada como uma enxurrada de obras, certo? Como separar o joio do trigo? Como identificar o verdadeiro legado da Copa? No momento, é decepcionante além do esporte. É um momento de reflexão.

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Atlético coloca teoria em prática na Copa do Brasil

Uniforme de passeio foi o mais usado pelo Atlético até agora em 2013 (foto: AI CAP)

 

Já temos 93 dias no ano e, nesta quarta (03/04), pela primeira vez em 2013, o elenco principal do Atlético fará um jogo oficial. Será pela Copa do Brasil, em Pelotas, contra o tradicional Brasil. Duelo rubro-negro na Baixada gaúcha, o estádio Bento Freitas, que pode ser liquidado sem a necessidade do jogo em Curitiba. A Copa do Brasil prevê que o clube melhor ranqueado, caso vença por dois ou mais gols, avance diretamente a próxima fase.

Se acontecer, o Atlético terá um descanso ainda maior até pegar Ji-Paraná ou América-RN. Os jogos da 2a fase estão previstos em 1, 8, 15 ou 22 de maio. Na hipótese mais curta, mais 28 dias sem atividade – o Brasileirão só começa em 26 de maio. Se contar o período da Copa das Confederações, o Furacão titular poderá ter nada menos do que 151 dos 365 dias do ano sem jogar partidas oficiais, exceção óbvia da suposta partida única em Pelotas.

Há quem diga atualmente que o time Sub-23 do Atlético bateria o titular em uma disputa direta. Difícil afirmar, mas é fácil de entender a suposição: mesmo claudicante, o Sub-23 acabou embalando no 2o turno do Estadual e já revelou bons nomes. Enquanto isso, após deixar uma boa impressão na Marbella Cup, na Espanha, os titulares andaram fazendo feio em jogos-treino contra Goiás, Cruzeiro e Atlético-GO, alguns atuando até com reservas. O próprio técnico Ricardo Drubscky reclamou aos quatro cantos, sem sucesso, de que queria ter mais ritmo de jogo. Não deu.

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A opção política do Atlético em colocar um time B no Paranaense tem também um cunho esportivo. Os números exagerados assustam. Mas a ideia de se descansar o principal elenco por parte da temporada inchada no Brasil é boa. O principal modelo de futebol no Mundo hoje, o Barcelona, fica até 85 dias sem atividades oficiais. Talvez o Atlético pudesse ter usado o time principal em algumas partidas no Paranaense para pegar ritmo e não sentir tanto a estreia em Pelotas.

Ainda assim, com transmissão para todo o País, o Atlético colocará sua teoria em prática nessa quarta. A Copa do Brasil é a menina dos olhos da diretoria, que prometeu títulos na campanha eleitoral. O rival Coritiba bateu na trave em dois anos consecutivos, o que acirrou a disputa interna. Mas a CBF aumentou a competição, deixando-a mais difícil, com a entrada dos clubes que estão na Libertadores a partir da metade da competição. Entretanto, se tem um elenco tecnicamente inferior a muitos clubes e ainda se ressente de ritmo de jogo, um pecado não poderá ser reclamado pelo Atlético: o cansaço físico. 

Enquanto o Sub-23 já incomoda no Estadual, até mesmo com chances de chegar à decisão, os principais jogadores vão ter que começar a estrada de 2013. Ao deixar o time mais fraco responsável pela chance mais direta de conquista de título na temporada, o Atlético assumiu um risco de por uma ideia em prática. Ao final do duelo contra o Brasil, pela primeira vez se poderá avaliar objetivamente se o projeto tem futuro ou não.

  • Brasil

O Brasil de Pelotas também começou a temporada há pouco tempo. Apenas em 24/03 é que o time fez a primeira partida oficial, um 3-0 em cima do Farroupilha, rival citadino, pela 2a divisão gaúcha. Na última rodada bateu o Santo Ângelo por 1-0 e lidera o Grupo 2 com duas vitórias em dois jogos – teve um adiado.

Dono de uma das torcidas mais fanáticas do Rio Grande do Sul, o Brasil foi 3o lugar no Brasileiro 1985, vencido pelo Coritiba, que derrotou o Bangu-RJ na final – este, classificado ao eliminar a equipe gaúcha nas semis.

Na história, em jogos pelo Campeonato Brasileiro, Atlético e Brasil duelaram 4 vezes. O Furacão nunca venceu o Xavante: 3 empates e 1 derrota. Um dos empates foi no Brasileirão 1984, com direito a pênalti perdido pelo Atlético e Luiz Felipe Scolari como técnico do Brasil. Assista:

 

Couto Pereira, 80 anos: 5 grandes jogos e uma rica história

Nesta terça (20) o 5o maior estádio particular do Brasil completa 80 anos. Inaugurado como Belfort Duarte e depois de remodelado chamado Couto Pereira, em homenagem ao major do exército que presidiu o Coxa e idealizou a reforma, o estádio recebeu inúmeros grandes jogos e momentos inesquecíveis.

Toda essa rica história será contada em um livro a ser lançado em 2013, idealizado pelos torcedores Anna Gobbo e César Caldas, em parceria com o Grupo Helênicos. O livro está em fase de produção e vai retratar tudo sobre o estádio, como conta Caldas. “Serão quatro partes. A primeira relata todas as fases, desde as negociações para a compra do terreno até as reformas mais recentes, abordando também aspectos urbanísticos, arquitetônicos e sociais. O segundo reunirá crônicas de até 50 linhas em que os colaboradores relatam sua relação emocional com o estádio. A terceira terá os 30 eventos mais significativos: jogos importantes do Coxa, da Seleção e mesmo de rivais aqui da cidade, missa do Papa, show do Iron Maiden Phillips Monsters of Rock, chegada do Papai Noel em evento da Prefeitura para mais de 26 mil crianças, etc.”

Tive a honra de ser convidado a colaborar com um artigo sobre o estádio onde tive meus primeiros contatos com o futebol e passei muitos domingos até me tornar jornalista (quando passei a ir não somente aos domingos, hehe).

Até que a obra saia, o blog apresenta uma pequena lista dos 5 maiores jogos da história do Couto Pereira – claro, na minha visão. Convido você a fazer a sua nos comentários abaixo.

5 – Atlético 2-0 Flamengo, 1983. Até hoje, o recorde de público do estádio, quando 67.391 pessoas* passaram as catracas para ver o duelo rubro-negro na semifinal do Brasileirão. O Flamengo de Zico segurou o Atlético de Washington e Assis, que precisava de mais um gol, e foi à decisão.

Reportagem da TV Globo/RPCTV

*Fonte: RSSSF Brasil.

4 – Coritiba 0-0 Atlético, 1978. Última partida dos três Atletibas que decidiram o Estadual daquele ano. Nos pênaltis, Manga, que usou de um curioso artifício (veja no vídeo abaixo) parou o Furacão e deu ao Coxa o 7º de 8 títulos que o Alviverde conquistaria entre 1970 e 79. Mais de 150 mil pessoas viram os três 0-0 da sequência final.

Reportagem da CNT

3 – Coritiba 5-1 Atlético, 1995. O massacre coxa-branca na páscoa, que deu origem a revolução atleticana, culminando na construção do outro grande estádio da cidade, entre outras. Até então, o Couto Pereira era palco absoluto dos grandes jogos em Curitiba. A mudança no Atlético – novo estádio, CT, entre outros – gerou mudança no Coxa e ambos voltaram à Série A no final do ano.

Reportagem TV Globo

2 – Coritiba 3-2 Vasco, 2011. Primeira das duas decisões que o Coxa fez na Copa do Brasil entre 2011 e 12. Pelo ineditismo (os títulos nacionais do Coxa sempre foram ganhos fora de casa), pela emoção e pelos 5 gols, a decisão mais marcante do clube em casa.

1 – Brasil 2-0 Chile, 2001. Mal nas eliminatórias, a Seleção Brasileira procurou refúgio no Sul do País (depois ainda foi à Porto Alegre) e o Couto Pereira recebeu o jogo que simboliza a arrancada rumo ao Penta. Edilson e Rivaldo marcaram.

https://www.youtube.com/watch?v=Wv0b9Q8FjBI&playnext=1&list=PL700C050025F6A887&feature=results_main

Clique para ver o jogo completo (qualidade ruim)

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 05/09/2012


Baier, sempre ele

O Atlético ia se enroscando no Boa na volta à Curitiba. A armadilha do time mineiro funcionava e melhorou quando os visitantes saíram na frente. Mas no segundo tempo Paulo Baier saiu do banco e participou das principais jogadas da equipe. A virada veio com dois gols de Marcelo. Baier ainda é o craque deste time. Merece o reconhecimento e também o alerta: tem 37 anos e é um ídolo de uma época sem glória. O “velhinho” ainda resolve, mas não pode ser a única arma – o que já acontece há algumas temporadas.

Tardes no Parque

Demorou, mas a diretoria rubro-negra procurou o empresário Joel Malucelli e encontrou um sim – nota 10 para a negociação. E mesmo sem poder comportar todos os sócios, iniciou nova caminhada na Série B no Eco-Estádio, para 9.999 pessoas, à exceção de rodadas em que a TV requisite horário mais tardio que 15h e do Derby Paranaense, partidas que devem ser em Paranaguá. Os jogos serão sempre em horário comercial – atenção patrões para as desculpas de ocasião – mas mesmo assim o povão rubro-negro foi ver seu time. Jogar em casa fará a diferença ao final da competição.

Médico ou monstro?

Deivid chegou ao Coritiba. Não é a solução para o mau momento do time no Brasileirão, mas pode ser útil. O problema está na zaga. E nem digo zagueiros em si: os erros começam no meio, mais frágil e com menos retenção de bola que em 2011. Deivid tem o nome inspirado no antigo seriado “O Incrível Hulk”, o Golias Verde, cujo alter-ego na TV era David Banner – nas HQs, é Bruce. No blog napoalmeida.com, faço uma reflexão e convido você a visitar: o Flamengo abriu mão do atacante para apostar em Adriano (!). Deivid não é super-herói e não deve ser tratado como tal. É um jogador útil e que pode ajudar – mas não resolverá o principal problema alviverde: a defesa.

Frases

“Fomos roubados contra o Palmeiras” e “Não monto time para agradar torcedor”. Duas entre outras pitadas de sinceridade do técnico Marcelo Oliveira, do Coxa, ao jornalista Luís Augusto Símon, da Revista Trivela. Oliveira hoje reencontra Geninho, campeão brasileiro pelo Atlético e atual técnico da Portuguesa, que ao deixar o Couto Pereira derrotado por 0-2, reclamou a perda dos pontos para um “adversário direto na briga contra o rebaixamento.” Aguardemos as frases depois do apito final hoje à noite.

Seleção

Sexta tem amistoso da Seleção Brasileira, você sabia? O amistoso contra a África do Sul acontece em São Paulo quase um ano depois do Brasil atuar no país, em Belém, no 2-0 sobre a Argentina. Foram 10 jogos até essa volta. Jogando raramente em casa e com astros quase todos na Europa, qual a identificação do povo com a Amarelinha?

Top Hits Esportivo: pequena crônica musical nos assuntos da semana

#1 Brasil Olímpico:

Não entendeu? Clique aqui, aqui e aqui (old, but g…, bronze mesmo)

#2 Rodolfo & Keirrison:

Aqui e aqui.

#3 Fabiana Murer

Você já sabe o que fazer. (Abraço especial para Baloubet du Rouet)

#4 Atlético Série B 2012

Acolá, e .

#5 Paraná Série B 2012

Aqui.

BONUS TRACK: Coritiba e o futebol PR

Clique.

Mercado & torcidas, parte I: ainda há muito a fazer

A Pluri Consultoria, empresa curitibana de marketing, gestão e negócios em esportes, divulgou ontem um relatório feito a partir de uma pesquisa de janeiro deste ano, em 144 cidades do Brasil, com 10.545 pessoas, para mensurar o tamanho do potencial consumidor das torcidas no País. A margem de erro é de 2,4%.

A pesquisa logicamente também dá uma dimensão do tamanho das mesmas.

Olhando para o nosso quintal, diante apenas do primeiro relatório (outros dois serão divulgados nos próximos dias e terão análise aqui no blog) ainda há muito a se fazer. A tabela a seguir apresenta os números brutos da pesquisa:

Os números são próximos da última pesquisa divulgada, ainda em 2008, pela Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo. Mas não são o foco da discussão: há algo que deve ser olhado com mais atenção pelos clubes paranaenses em relação ao nosso mercado.

O primeiro susto também deve ser encarado como uma oportunidade: dos 10 estados mais ricos da federação (SP, MG, RJ, RS, PR, GO, BA, PE, SC e CE) o Paraná é o que apresenta o menor número de pessoas que gostam de futebol:

Nada menos que 1/3 da população paranaense não se importa com o esporte mais popular do País. Para entender porque o Rio Grande do Sul, cuja capital hoje é menor que Curitiba, tem mais força no cenário nacional esportivo, é fácil: 90% dos gaúchos gostam de futebol. Até mesmo Goiás e Ceará, estados que nunca viram seus clubes vencerem nenhum campeonato nacional da primeira divisão, tem melhor índice que o Paraná.

Mas há algo ainda mais preocupante: dos 67% dos paranaenses que gostam de futebol, a maioria gosta dos clubes de fora.

Nada menos que 64,4% dos paranaenses apoiam uma equipe de fora do Paraná como clube do coração. O Paraná fica apenas à frente de Ceará e Santa Catarina no quesito. Novamente, vale o comparativo com os vizinhos gaúchos: apenas 2,8% dos residentes no Rio Grande do Sul torcem para outra equipe que não seja gaúcha. Isso demonstra o potencial mercadológico que as marcas têm em apostar no mercado local. A já citada pesquisa Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo de 2008, uma das mais completas feitas por aqui já apontava o Corinthians como maior torcida do Paraná, com 12,45%, a frente do Atlético, segundo colocado, com 9,56% .

Para os paranaenses, a pesquisa serve como alerta. Se os clubes do Estado estão distantes ainda de paulistas e cariocas, é necessário mirar em cima e tentar se aproximar de gaúchos e mineiros. O Paraná é o quinto estado no ranking da CBF, logo a frente de Pernambuco e Bahia. É evidente a necessidade de boas campanhas dentro e fora de campo para fazer com que os paranaenses que não gostam de futebol passem a gostar; e os que adotaram um time de fora, criem simpatia aos locais.

O relatório traz outro estudo interessante: a penetração dos clubes em outras praças:

Dos paranaenses, o Atlético é o clube que tem mais torcida em outros estados: 9% do seu contingente. É um número considerado razoável se comparado com outros concorrentes diretos; dentro do eixo, o Atlético-MG é o clube que tem o menor índice fora de seus domínios, o mesmo do xará paranaense. O Furacão ainda comove mais pessoas fora de sua terra do que Bahia, Sport, Vitória e Santa Cruz.

O Coritiba aparece com 6% de sua massa espalhada em outros estados brasileiros. É metade do índice do Cruzeiro longe de Minas Gerais, mas também é mais do que conseguem os times de Bahia e Pernambuco. Já o Paraná Clube tem toda a sua torcida estimada no próprio estado.

Talvez pela característica migratória do seu povo, talvez pelas conquistas e feitos das suas equipes, os gaúchos Internacional e Grêmio são bem representados longe do Rio Grande do Sul (onde, como visto acima, dividem cerca de 98% da população entre si e outros menores da terra, como Caxias, Juventude, Brasil de Pelotas, etc.). O Grêmio tem 27% de seus simpatizantes fora do RS, enquanto que o Colorado conta com 24%.

Mas nem tudo é tão ruim para os paranaenses: Coritiba e Atlético, pela ordem de tamanho, estão entre os maiores parques associativos do Brasil (19 e 17 mil sócios, aproximadamente, segundo as assessorias).

Amanhã, a Pluri Consultoria divulgará a segunda parte do estudo, com dados sobre a estimativa de renda de cada uma das 30 torcidas citadas no relatório. O blog trará nova análise.

Criticado, Marcelo Oliveira é o melhor técnico do Brasil

Criticado aqui, reconhecido na Holanda

Marcelo Oliveira vive um dos momentos mais difíceis desde que chegou ao Coritiba, comparado mesmo somente à sua chegada, no início de 2011, para substituir o admirado Ney Franco. Oliveira, mesmo sem perder em Campeonatos Paranaenses desde o ano passado (e o Coxa há 45 jogos) e tendo ganho um título estadual e chegado a decisão da Copa do Brasil 2011, nunca foi unanimidade. Bastou o Coritiba perder rendimento e a pressão sobre ele tornou-se enorme. Mas, em contrapartida, o IFCstat, grupo de estudos e análises holandês, coloca Marcelo Oliveira como o melhor técnico do Brasil no momento e o 14o do Mundo.

Clique para ler o ranking completo

Marcelo está a frente de Muricy Ramalho, campeão da Libertadores pelo Santos, do badalado Wanderley Luxemburgo e do campeão brasileiro Tite, do Corinthians. Está a frente de grandes nomes, como Marcelo Bielsa, do Athletic Bilbao, e de ex-craques como Didier Deschamps (campeão mundial com a França em 98) técnico do Olympique Marseille. Pep Guardiola (Barcelona), José Mourinho (Real Madrid) e Alex Ferguson (Manchester United) encabeçam a lista.

A base do estudo são as últimas 52 semanas de trabalho e os resultados entre elas. O fato de o Coritiba ser um time de porte médio no Brasil e ter o desempenho que teve em 2011 (período ainda em vigor na soma de pontos) o fazem somar mais na proporção do que se dirigisse um clube maior potencial em outros países, casos dos campeões mundiais Liverpool e Borussia Dortmund. O estudo leva em conta o tamanho do desafio do técnico. Marcelo Oliveira soma 8100 pontos. Arsene Wenger, do Arsenal, está em 9o. com 8601.

Fato é que se o desempenho do Coxa não agrada a torcida, a continuidade do trabalho premia Marcelo Oliveira com esse status individual. Toda e qualquer análise sobre o desempenho dele no comando alviverde tem que passar pela reformulação do elenco.

Mas é importante dizer que é atribuição do treinador fazer o time jogar, seja qual elenco ele tiver nas mãos. Quando Ney Franco era treinador do Atlético, em 2008, eu o entrevistei logo após a venda de Ferreira e Clayton, quando o Furacão estabelecia o recorde (já quebrado pelo Coritiba de Marcelo Oliveira) de vitórias seguidas em campeonatos paranaenses. Ney, sem lamentar o “desmanche”, me disse: “Sou técnico. Tenho que treinar quem está aí para fazer o melhor.” O time até seguiu jogando bem, mas acabou vice-campeão.

Curiosidade: Juan Ramón Carrasco, técnico do Atlético, aparece na 307a. posição. Ricardinho, do Paraná, ainda não disputou nenhum jogo oficial e não está no ranking.

Feita para Brasil e Argentina. Especialmente Argentina.

Messi: a Copa América é pra ele; avisem o Neymar.

Rebaixamento do River Plate; crise financeira e política; dezoito anos sem ganhar título importante; o melhor jogador do Mundo tentando ser ídolo em casa. É… a Copa América 2011 foi feita para a Argentina. E para o Brasil ser o coadjuvante dela.

Dê uma olhada na tabela aqui. Note que, prevendo alguma dificuldade, os cruzamentos colocam até mesmo os segundos colocados dos Grupos A e B em chave distintas dos primeiros. Se Brasil ou Argentina tropeçarem no caminho, ainda assim, só se verão na decisão – salvo se um deles se classificar muito mal, como segundo ou terceiro melhor terceiro colocado no geral.

Eles querem a decisão conosco, no Monumental de Nuñez, casa cheia, brilho de Messi e título argentino. Do lado de cá, três grandes esperanças: Neymar, que realmente começa a trilhar a estrada de Pelé; Ganso, um craque acima da média (porque não um novo Zico?); e Lucas, outro cracasso, que poderia nos remeter a Rivellino. Não é um time qualquer, se Mano Menezes acertar a máquina.

E nós, paranaenses, temos ainda dois orgulhos: Adriano e Jadson. Eu vi os dois começarem na dupla Atletiba e viverem grandes momentos por aqui. Um é esse aqui de baixo: a primeira convocação de Adriano, ainda no Coxa. A reportagem é e um dos homens mais bonitos que eu conheço:

Adriano demorou, mas chegou ao Barcelona. É orgulho coxa-branca, craque curitibano que pra quem não sabe, começou no futsal do Paraná Clube – mas um da escolinha tricolor.

O outro é um dos gênios que vi de perto, no melhor Atlético de todos os tempos (pra mim, obviamente) que, para tristeza dos rubro-negros, não foi campeão. Mas provou que grandes times (como a Seleção 82) não vivem só de títulos. Jadson foi genial com a 10 atleticana e é idolatrado também no Shakthar Donetsk. Os lances a seguir explicam o porquê:

Imagino a saudade atleticana ao ver o vídeo acima. Enfim. Hoje ambos estarão lado a lado, pela amarelinha.Hoje não: domingo, contra a Venezuela -começando no banco, diga-se.

Muitos ainda me lembrarão que Alexandre Pato também é paranaense. Mas a única referência dele no nosso futebol é a foto abaixo, ainda criança. Para nosso azar, que só vimos ele brilhar a distância, no Inter-RS.

 

Jogo Aberto Paraná – vídeos de 30/06/2011

Não deu para assistir o Jogo Aberto Paraná na telinha hoje? Acompanhe aqui as reportagens exibidas no programa de hoje:

Coxa terá mudanças para o jogo contra o Ceará; assista jogadores e o técnico Marcelo Oliveira:

Veja os gols do amistoso do Operário contra o XV de Indaial (2-0), preparatório para a Série D do Brasileiro (a narração é de Marcelo Ferreira, da Band Ponta Grossa):

Aqui, os gols das seleções feminina e sub-17 do Brasil nas Copas do Mundo das duas categorias:

O Jogo Aberto Paraná vai ao ar na Band Curitiba (canal 2 sinal aberto, TVA e NET; 38 digital, 302 Sky), para Curitiba, RMC, Paranaguá e litoral e Ponta Grossa e campos gerais, de segunda a sexta, 12h30. Acompanhe!