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Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 29/08/2012
Pela volta da competitividade
Chegamos à metade do Brasileirão 2012 e olhar para a classificação é quase o mesmo que olhar a divisão de cotas pagas pelos direitos de TV. A exceção do intruso Náutico (11º.), os 12 primeiros são aqueles que estão no eixo da grana: RJ-SP-MG-RS. O Palmeiras, que está fora, está também na Libertadores via Copa do Brasil. Os times citados tem divisão interna discrepante também. Atlético-MG e Botafogo, por exemplo, estão mais próximos de Atlético e Coritiba que de Corinthians e Flamengo. Mas os 12 recebem mais, aparecem mais, conseguem mais público, melhor patrocínio. E a roda vai girando, abrindo ainda mais o abismo. Desde 2003 (início dos pontos corridos), são seis títulos paulistas, dois cariocas e um mineiro. Rara exceção, o Atlético foi vice em 2004, posto que foi ocupado no período citado quatro vezes pelos gaúchos, duas vezes por paulistas e uma vez pelos cariocas. Traduzindo: é quase impossível furar o bloqueio assim, esvaziando estádios e diminuindo o interesse nacional, exceto pra quem está dentro. Caminho para a falência do principal esporte nacional.
Mas é o regulamento que está errado?
Sinceramente, não. Sem dúvida a fórmula de pontos corridos aponta o melhor. É básico: quem somar mais pontos depois de enfrentar todos os times dentro e fora dos próprios domínios, é mesmo superior. O problema está na formulação desse melhor time. O garimpo e a montagem dos elencos são desiguais. Rápido exemplo: o Coritiba descobriu Leandro Donizete na Ferroviária-SP; não teve como o segurar em uma melhor proposta. Hoje no Atlético-MG, é líder do campeonato ao lado de Ronaldinho, Jô, Victor, selecionáveis atraídos pela grana, e comanda a melhor defesa da competição – o Coxa tem a pior. E a distância vai aumentar em breve: com os estádios da Copa servindo também aos “gigantes”, o abismo será tão grande que não haverá mais como alcançar. São mercados desperdiçados e que serão quase falimentares, como Paraná, Bahia, Pernambuco – isso só para ficar entre os que têm campeões brasileiros entre si. Na Copa do Brasil, em fases eliminatórias, os clubes médios tem mais chance. Por isso, sem mudar o sistema de cotas, que volte o mata-mata.
A mudança: como e por quê
É claro que o Corinthians, por exemplo, merece ganhar pela exibição mais que o Atlético: tem mais torcida, dá mais audiência. Mas a divisão do bolo não precisa ser toda baseada nisso. Na liga mais rica do mundo, a inglesa, 56% do dinheiro é dividido igualmente entre os 20 clubes da elite, 22% do valor se baseia na classificação do ano anterior e outros 22% são divididos conforme o interesse midiático. O campeonato inglês é o mais forte entre os europeus e mesmo os clubes médios, como o Tottenhan, conseguem ter mais arrecadação que grandes espanhóis, como o Atlético de Madrid, que fica à margem de Barça e Real em negociação parecida com a brasileira. É bom para o futebol num todo e premiará a competência. Quem dará o primeiro passo?
Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 08/08/2012
A única entrevista de Petraglia
Na semana em que deve confirmar o 9º técnico em 18 meses (uma média impressionante de um treinador a cada 60 dias) o Atlético se vê em um beco sem saída na crise existencial que vive há pelo menos duas temporadas. Outrora estilingue, o “messias” Mário Celso Petraglia – que fez muito pelo clube em outros tempos – já não pode culpar o antecessor pelo fracasso em 2012. A atual direção repete os erros de Marcos Malucelli, com um agravante: não se explica à torcida. Petraglia não fala via imprensa e fechou-se também às redes sociais. Dá a impressão de que, munido pela obra na Arena, está distante do que o futebol atleticano faz: um fiasco total. Petraglia já trocou de técnico quando não devia, errou em contratações e segue apostando em uma diretoria de futebol ineficiente, sob a tutela de Dagoberto dos Santos. Ficar na Série B em 2013 parece ser o destino. O presidente atleticano, avesso a entrevistas desde que se elegeu (até então falava aos quatro cantos), só precisa dar uma única em Curitiba. Falou em Guarantiguetá, mas não fala em casa. E o que tem a dizer é simples: assumir que errou nas escolhas e ter humildade para recomeçar enquanto há tempo.
Diferentes, porém iguais
As coisas não estão simpáticas à Coritiba e Paraná. Em séries diferentes, com exigências diferentes, vivem o mesmo problema: a falta de gols. O Coxa sofre pela expectativa exagerada, criada por ele mesmo quando chegou (e perdeu) pela segunda vez seguida à decisão da Copa do Brasil. E sem um atacante definidor, faz o óbvio: perde de quem é melhor, mesmo em casa (Botafogo, Fluminense) e vence quem é pior, mesmo fora (Náutico). Não cairá, mas não sairá disso. O atacante também é problema na Vila. Joga bem, mas não vence. Li uma boa comparação: é como a pretendente que te dispensa dizendo que “gosta de você, mas só como amigo.” Porém, se o Coxa tem mercado e potencial financeiro para arrumar a peça que falta, o Tricolor não. Está no limite do que pode fazer. Vai com o que tem. E convenhamos, pelo cenário que se desenhava em janeiro, está indo muito bem. Mas assim não subirá – evidentemente.
Cultura esportiva
Respiro a Olimpíada de Londres, acompanhando os mais diversos esportes. Já estive em transmissões de natação, boxe, vôlei de quadra e praia, basquete, judô e handebol. A euforia que toma conta da torcida, interessando-se pelo desempenho dos atletas no decorrer dos jogos, é proporcional à cobrança injusta quando os brasileiros fracassam. Não que não deva haver cobrança; deve, afinal, quem quer projeção está na mira. Mas não temos cultura esportiva no País. Gostamos é da vitória. Dizer isso significa que temos que entender que não somos uma potência esportiva, que os atletas não são infalíveis, mesmo quando favoritos. Favoritismo não é certeza de vitória. Nos quatro anos que antecedem os jogos, ignora-se nada que não seja futebol. Nos jogos, se quer múltiplos ouros. Não dá. O esporte é parte importante de um círculo virtuoso social: integra, ensina, afasta do crime e das drogas. Poderia ser uma saída para o crescimento. E então nascerá a cultura esportiva geral – possivelmente junto com mais vitórias.
Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 16/05/2012
Ainda o estádio
“O Atlético transferiu pra CBF a responsabilidade. A Copa do Mundo é da CBF, nossas obras são para a Copa, ela que indique o estádio. Jogaremos onde a CBF indicar, até na China.” Esse é Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em entrevista ao jornalista Oswaldo Eustáquio, da TVCI canal 14, sobre o local onde o Atlético deve mandar os jogos na Série B do Brasileiro. O prazo para indicação do local ao menos do primeiro jogo, dia 5 de junho, acaba hoje. Couto Pereira, Vila Capanema e até o Caranguejão, em Paranaguá, estão na lista. O presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, esteve na CBF ontem, depois de dar novas entrevistas negando a intenção de alugar o estádio. A diretoria do Paraná, por sua vez, também já afirmou que não quer alugar mais a Vila Capanema. Todos têm sua dose de razão e pecou-se pela falta de diálogo. Seja qual for a decisão da CBF, alguém sairá desagradado.
Copa do Brasil
Em campo, por ora ainda na Vila Capanema, o Atlético recebe o Palmeiras. Jogo bom para esquecer o fracasso no Estadual e tentar chegar pela primeira vez às semifinais da Copa do Brasil. Confronto muito igual. Palmeiras conta com Marcos Assunção, Valdívia e o recém-chegado Mazinho como armas; já o herói-que-virou-vilão Guerrón é a grande arma atleticana. Na gangorra do futebol, jogo bom pra ele se recuperar. Em Salvador, tem Coritiba e Vitória. Com a moral do tri-estadual, Coxa pega o vice-baiano, que tem o artilheiro do Brasil, Neto Baiano, 31 gols. Trazer um empate com gols é de se comemorar. Confronto muito parelho também, com leve favoritismo coxa – mas que passa muito por bom resultado hoje.
E o Brasileiro?
Copa do Brasil hoje, Brasileirão Séries A e B já no final de semana. Tricampeão estadual, o Coritiba é o único paranaense na elite. Objetivamente, com os times que vieram até aqui, Coxa briga pelo G10. Está atrás de Santos, Corinthians, Fluminense, São Paulo, Vasco e Internacional. Se reforçar, pode sonhar com Libertadores. O resto dos times é igual ou pior. Na Série B, Atlético brigará pelo G4 com emoção com o elenco atual. Se reforçar, cumprirá a obrigação de subir. É o grande time da segundona 2012. Tem como adversários Guarani, Vitória, Goiás, Avaí, Ceará e Criciúma. O Paraná corre por fora. Tem potencial pra sonhar, mas tem as limitações de sempre, a começar pelo dinheiro. Outro problema do Tricolor é a maratona de jogos. Jogou segunda, joga hoje em Rolândia, sábado contra o Guarani, terça contra o Goiás. Sobra na B local, mas não terá moleza na nacional. E se não ganhar os dois turnos locais, compromete o calendário em mais dois jogos, se obrigando a jogar semifinal e final, mesmo se tiver melhor campanha. E não pode abrir espaço na B nacional, para não sofrer. Caiu no campo, mas a desorganização das tabelas e regulamentos é um crime contra o Paraná Clube.
O campeão, a festa e as lições

Supremacia consolidada: mesmo sofrido, nos pênaltis, o Coritiba ficou com a taça do Paranaense 2012 e coroou o renascimento do clube após os episódios de 2009: tricampeão estadual depois 39 anos. Uma conquista com muitos elementos, mas que tem alguns símbolos: Vilson Ribeiro de Andrade, o capitão da reação; Felipe Ximenes, o mentor; e Marcelo Oliveira, o executor.
Os números não deixam dúvidas: o Coxa foi o melhor time do Paranaense 2012. Melhor ataque, com 55 gols, maior número de vitórias (16) e menor de derrotas (apenas 1), um aproveitamento de 80%. Foi o único a vencer clássico e sairá da temporada – a não ser que os rivais se cruzem na decisão da Copa do Brasil, o que é possível – sem perder Atletibas.
Hão de dizer que houve erros de arbitragem que ajudaram o Coritiba, como o já histórico gol anulado do Londrina em disputa direta. Fato. Mas na hora da onça beber água, o Coxa foi buscar os resultados que lhe interessaram.
O Coritiba sai do Estadual com o astral em alta e sabedor das limitações que tem. No clássico de ontem, improvisou os dois laterais (Lucas Mendes é zagueiro, embora já tenha mais currículo como lateral-esquerdo), foi pouco criativo no primeiro tempo, com saída de bola lenta e se ressentiu de mais presença no ataque. Mas tem uma boa defesa e descobriu em Éverton Ribeiro um potencial substituto para Marcos Aurélio. Quando Rafinha recuperar a condição física, a dupla poderá dar samba.
Nas comemorações, Marcelo Oliveira e o vice-presidente Ernesto Pedroso admitiram uma briga interna entre o técnico e o superintendente Felipe Ximenes. A razão seria duas opiniões diferentes sobre a montagem do elenco. É fato que Marcelo Oliveira teve que remontar a equipe, que não tem a mesma força de 2011. E foi ele quem absorveu as críticas da torcida – mas, se o clube não tivesse comando, poderia ter deixado o barco no meio. Deu a entender que segue no Coritiba. Melhor assim: mesmo com algumas críticas, Marcelo entende o projeto do Coritiba, as limitações financeiras e as ambições do clube. E não é fácil substituir: sempre que se falar em trocar o técnico, faça a você mesmo a pergunta, “e quem vem?”
Vanderlei, que havia falhado no primeiro jogo, recuperou-se defendendo a cobrança de Guerrón. Justo Guerrón, de quem os atleticanos esperavam mais e, sintomaticamente, era o mais vaiado em campo pela torcida coxa quando pegava na bola. Faz parte das ricas histórias do futebol: redenção de um, condenação de outro. Guerrón e o Atlético serão assunto mais abaixo; já Vanderlei chega ao penta-estadual (venceu com o ACP em 2007) mostrando apenas que não é infalível, mas é um bom goleiro.
Quem também sorri é Tcheco, líder da equipe em campo, encerrando a carreira em alta e em casa. Tcheco é peça impossível de se repor por tudo o que representa, mas o papel de líder caberá a alguém que o Coxa deve buscar para o Brasileiro. Quem? Não sei. Mas equipes vencedoras precisam de uma referência em campo.
Como já disse o Leo Mendes Jr., o gol do título, de Éverton Ribeiro, simboliza o que foi o campeonato coxa-branca: parecia que não ia, quando deu na trave, mas entrou. A ressaca pelo título tem que ser curada hoje: na quarta, tem Salvador no caminho, pela Copa do Brasil, contra o Vitória. O tri é digno de festa e, em um campeonato de dois times, mexe com o ego e em si mesmo é um fim, pois a razão de um clube de futebol é levantar taças. Mas o vôo tem que ser mais alto e, passada a festa, o trabalho segue. Já no domingo, tem Campeonato Brasileiro.
As lições
O Coritiba tricampeão tem muito a ensinar ao Atlético. Em 2009, mascarada pelo centenário do clube, a crise rondava o Alto da Glória. Dirigentes se aproveitando do clube para fazer política, disputa interna, muita vaidade, elenco disperso. Para festa, prometeu-se AC/DC, veio a banda 100% Paraíba, do camisa 10 Marcelinho – mais politicagem. Fanfarronices agudas, que resultaram no que todos já sabem. O rebaixamento, as punições e a quase falência do clube, admitida pelo atual presidente Vilson Ribeiro de Andrade, só foi evitada porque houve assertividade nas escolhas. Projeto de longo prazo com técnicos (se a CBF não chama Ney Franco, estaria até agora aqui; Marcelo Oliveira segue na mesma linha), contratações com perfil de identificação ao clube, demonstrações de maturidade dos dirigentes, que nunca evitaram as críticas, apenas lidam melhor com elas.
O Atlético levantou a taça pela última vez em 2009, em meio a esse panorama coxa-branca. Não fosse isso e o Coritiba poderia ser penta. E o Furacão, àquela época, já demonstrava que perdeu o rumo na administração, com a atual gestão batendo forte na anterior – que, diga-se, cometeu muitos erros.
Para voltar a crescer, o Atlético precisa se resolver internamente. A cada derrota, os atleticanos se dividem em Petraglistas e Malucellistas, como se só as duas figuras importassem. Precisa também ter um objetivo: clube de futebol existe para vencer, não ser apenas superavitário. Se os estaduais estão falidos e são desinteressantes (e de fato estão), são também a conquista mais a mão do clube. Num campeonato com dois clubes, o Atlético foi o segundo.
A atual diretoria prefere atacar à responder. Não se sabe onde o clube jogará no Brasileiro B, já que o estádio que tem e cederá à Copa da Fifa está em obras e não chegou a um acordo com os rivais; mas esse assunto não é abordado pela diretoria. Como nenhum outro: questionar a direção atleticana é quase um crime. Pode ser o plano de sócios, os critérios de contratação da gestão de futebol, o currículo dos profissionais escolhidos no cargo ou ainda o departamento de marketing e comunicação, ineficaz e com escolhas distorcidas.
Personificando o clube como se fosse apenas seu, o atual presidente não responde sobre contratações, ambições, projetos, dívidas, etc. Prefere usar os veículos oficiais para atacar quem o questiona. Sem explorar os espaços de mídia que tem, o clube levanta sobre si um sem número de boatos e o principal: não ostenta um patrocínio central na camisa, fonte de renda importantíssima.
Durante a semana, uma despropositada carta a arbitragem sob o pretexto de motivação simbolizou a gestão em comunicação do clube. Se não era ofensiva, perdeu o sentido por não ter valor prático – arbitragem já definida e para questioná-la existem outros meios – e principalmente por não valorizar a própria necessidade do clube, preferindo amparar-se no rival. Desnecessária.
Por sua vez, o Coritiba, que tem janelas e horários para entrevistas como qualquer outro clube, lida melhor com a relação com a mídia e tem, apenas na camisa, 9% de sua arrecadação.
O Atlético de hoje propõe-se a ser campeão do Mundo, mas não vence sequer o campeonato que ele mesmo despreza. Há uma falta de sintonia entre o discurso e a prática.
Evidentemente, não está tudo errado. O Estadual serve para o Atlético ver que o time é mediano. Para voltar à Série A, carece de reforços. O técnico Juan Ramón Carrasco é bom: basta ver que aproveitou a base que caiu em 2011 e alguns pratas da casa e fez um time competitivo. Mas é pouco. Rodolfo, Liguera, Ricardinho e Edigar Junio são boas surpresas. Outros, como o goleiro Vinícius, desperdiçaram oportunidades. Mesmo Guerrón, que na hora H acaba refugando – um Baloubet du Roet dos campos – tem utilidade na Série B e na Copa do Brasil. Só é preciso entender melhor a cabeça do equatoriano, que dizem os próximos, vive em mundo só seu.
Petraglia tem uma inigualável lista de serviços prestados ao próprio Atlético. Mas deveria aproveitar essa segunda, com ressaca de derrota, para refazer alguns conceitos. O exemplo está logo ao lado.
Estaduais
O campeão é o melhor time do Paraná e tem mais é que fazer festa. Mas os Estaduais estão mofando no calendário brasileiro. À exceção do Paulistão e do Carioca, amparado pela maior rede de TV do país, os demais dão prejuízo. São cinco meses perdidos, com déficit em arrecadação, pouca atratividade e pouca competitividade. O abismo que se abre entre os médios – onde estão os paranaenses – e os gigantes nacionais só aumenta com os Estaduais.
Passou da hora de retomar os Regionais. Não é preciso ser mágico pra saber que um Grêmio x Coritiba levará mais gente ao campo ou à frente da telinha que um jogo com o Iraty. Os Estaduais devem ser uma porta de acesso aos Regionais, movimentando o calendário o ano todo. O que mataria o futebol do interior não é o fim desse tipo de competição e sim o que já acontece: um clube com a história e estrutura do Londrina parado o resto do ano. O mesmo para o Operário. Estes, se não estiverem nos Regionais, devem jogar um Estadual de ano inteiro, disputando vaga na Copa do Brasil e na Copa Sul.
Não é difícil, é só copiar o que já foi feito. Impulsionará o futebol local de várias maneiras. Mas é preciso vontade e desapego político.
Pensando bem, é difícil sim.
Atlético 88 anos: 5 grandes momentos na história
Para não passar em branco a data comemorativa atleticana, nada de análise tática, técnica ou política: o blog propõe uma pequena lembrança de cinco grandes momentos na história rubro-negra.
1) O primeiro jogo oficial
O recorte acima (cedido via twitter pelo atento blogueiro Fusketa) marca a data do primeir0 jogo oficial do “Athletico” (como a grafia da época), já válido pelo Paranaense de 1924.
O rubro-negro já havia entrado em campo antes, em um amistoso contra o extinto Universal, e venceu por 4-2. E no torneio início, costume que durou até meados dos anos 90, o Atlético já havia até derrotado o Coritiba, 2-0, em uma partida com menos de 90 minutos de duração – como eram os jogos dos torneios início.
Mas seria no domingo 18/05 que o Atlético faria seu primeiro jogo oficial. O adversário era o Campo Alegre, também extinto, cuja sede era no bairro do Cajuru.
O Atlético derrotou o Campo Alegre por 4-1, dando início a longa trajetória em Campeonatos Paranaenses. Naquele ano, acabou a competição em 5o lugar.
A campanha:
4-1 Campo Alegre
3-6 Coritiba
5-0 Paraná*
1-3 Palestra Itália
2-1 Britânia
1-2 Savóia
4-2 Universal
* O Paraná em questão não é o atual Paraná Clube e sim o extinto Paraná Sports Club, que deixaria de existir no ano seguinte: 
2) O fim dos jejuns
Depois de alternar conquistas com o Coritiba, disputando cabeça a cabeça a hegemonia do estado até a década de 50, o Atlético passou por dois períodos de largo jejum: 12 anos cada, entre 1958-70-82.
Parecia um castigo interminável para o povão rubro-negro. Após a conquista de 1958, quando já havia passado 9 anos desde a última conquista, o atleticano esperou 12 anos até ver novo título. E ele veio em 1970, com um time com Nilson Borges, Djalma Santos e Sicupira. E olha que o Furacão perdeu os três primeiros jogos do campeonato. Mas engrenou após um 6-2 no Cianorte e uma vitória por 1-0 no Atletiba 151. A taça viria após um 4-1 no extinto Seleto, em Paranaguá. Abaixo, a imagem de um dos gols do jogo, marcado por Sicupira, hoje comentarista na Rádio Banda B:
Mas o rubro-negro passaria uma das piores décadas da sua história, assistindo ao rival Coritiba chegar ao hexacampeonato e ainda levantar outras duas taças entre 1971 e 1979, tendo o ciclo interrompido só em 1977 pelo Grêmio Maringá. A agonia só passaria em 1982. Com um timaço formado por Roberto Costa, Nivaldo, Capitão, Washington e Assis, o Atlético ficou com o título de 1982 e papou também o bi, em 1983.
3) Despedida e volta para a Baixada (I)
A Baixada foi o primeiro estádio com arquibancadas no Paraná. Foi casa de todos os clubes do Estado por algum tempo, em algum momento na história. Mas o dono dela é o Atlético – e poucos clubes no Mundo são tão identificados com sua casa quanto o Furacão. Todo clube é mais forte em seu estádio, mas o atleticano crê que há uma magia em torno do “Caldeirão do Diabo”.
No entanto, isso não impediu o Atlético de trocar a velha Baixada pelo projeto de um Pinheirão para 200 mil pessoas, em 1985. A intenção era que o rubro-negro tivesse o seu Maracanã, o que nunca saiu do papel. Na despedida, título paranaense. O Atlético venceu o Londrina (com o tetracampeão mundial Zetti no gol) por 3-0 e foi tentar a sorte no Tarumã. O inesquecível narrador Lombardi Júnior descrevia assim um dos gols da última partida do Furacão em seu lar antes da mudança:
Entre 1986 e 1994 foram oito anos de Pinheirão. Mas o então presidente José Carlos Farinhaqui decidiu reformar a Baixada e trazer o Atlético de volta ao Caldeirão. Era a retomada do alçapão rubro-negro. Mas a reportagem abaixo conta melhor (e se eu não estou muito enganado, a voz do narrador é de Marcelo Ortiz, hoje na 98 FM):
Ricardo marcou o primeiro gol depois da volta a Baixada, que viu o então “craque” do time, João Carlos Cavalo, perder um pênalti um pouco antes. Cinco anos depois, o Atlético teria outra inauguração, desta vez de um conceito então inédito no país, a Arena da Baixada, idealizada por Mário Celso Petraglia. Hoje,o Atlético vive nova peregrinação, em nome de mais uma reforma em seu santuário. Mas essas são outras histórias.
4) O pênalti em Adriano
Um jogo recheado de emoção. O Atlético jogava seu título máximo: o Brasileirão de 2001, dentro de casa. Com melhor campanha, o São Caetano precisava de dois resultados iguais para ficar com a taça. Restava ao Furacão fazer valer o Caldeirão.
O Atlético saiu na frente, tomou a virada e voltou a mandar no jogo, 3-2. Mas era pouco. Seria difícil sustentar a vantagem em São Caetano do Sul.
Já aos 46 do segundo tempo, Adriano Gabiru invadiu a área em velocidade e foi derrubado. Pênalti.
O resto da história todos conhecem – mas Gil Rocha e Rogério Tavares, da RPCTV, contaram no vídeo abaixo:
5) Na decisão da América
Uma primeira fase irregular, classificando-se na sorte de ver o virtual classificado América de Cali perder para o já eliminado Libertad em casa, enquanto tomava 1-4 do Independiente Medellín na Arena; depois, a reação, despachando Cerro Porteño e o rival Santos, com quem disputou o Brasileirão 2004, nas fases eliminatórias.
O Atlético foi a surpresa nas semifinais da Libertadores 2005, com um time liderado por Diego, Marcão, Fabrício, Aloísio e Lima, e comandado por Antônio Lopes. Pela frente, os mexicanos do Chivas Guardalajara, que contavam com a torcida de São Paulo e River Plate, outros semifinalistas, que já se garantiriam no Mundial Interclubes se o clube mexicano se classificasse.
O Furacão atropelou. Destaque para o golaço de Fabrício, o terceiro:
No jogo seguinte, pressão mexicana e uma atuação de gala de Diego e Lima:
Na decisão o Atlético perderia para o São Paulo. Mas esse é outro papo.
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Sintetizar 88 anos em cinco grandes momentos não é simples, mas a ideia era fugir do lugar comum. E você, que outros momentos recordaria? Comente abaixo!
#Atletiba348: os cenários possíveis
Entenda todas as possibilidades de resultados ao final do Atletiba 348, domingo, na Arena
A) Atlético rebaixado, Coritiba na Libertadores
É o que acontece no atual momento. Para tanto, basta uma vitória simples do Coxa, que continuaria no G5 e manteria o Furacão no Z4.
B) Atlético rebaixado, Coritiba eliminado
Cenário que acontece se o clássico empatar ou o Atlético vencer por qualquer placar, mas o Cruzeiro empatar seu jogo com o Atlético-MG e/ou o Ceará vencer o Bahia e, além disso, Inter ou Figueirense somarem um ponto ou São Paulo ou Botafogo somarem três pontos.
C) Atlético salvo, Coritiba eliminado
É possível com a soma das vitórias do Atlético e do Atlético-MG nos clássicos aqui e em Minas Gerais e com um empate entre Ceará e Bahia em Salvador. Além disso, Inter ou Figueirense somarem pontos ou São Paulo ou Botafogo vencerem.
D) Atlético salvo, Coritiba na Libertadores
É possível, apesar de improvável. Basta que o Atlético vença, assim como o Atlético-MG faça o mesmo contra o Cruzeiro. É preciso ainda que o Ceará não passe de um empate contra o Bahia. Essa combinação salva o Atlético. Aí, para que o Coxa mantenha-se no G5, é preciso que Grêmio e Avaí vençam os clássicos em RS e SC e São Paulo e Botafogo não vençam seus clássicos contra Santos e Fluminense.
Rápidas e precisas
Comprometimento
Faltando oito jogos para o final do Brasileiro, só um milagre salva o Atlético. E o milagre tem nome: comprometimento. Um dos maiores erros da Gestão Marcos Malucelli no futebol foi sempre alardear que o atual mandatário não ficaria no cargo no ano que vem. E se o presidente deixará o clube, não serão os jogadores emprestados que botarão suas valiosas pernas em disputas ríspidas para manter o rubro-negro na elite. Além de que as declarações de Malucelli por vezes inibia ambições. “O último que sair, apague a luz” é um ditado que poderá definir o ano atleticano.
Comprometimento II
Ao que parece, um passo interessante nesse sentido já foi dado: contra o Botafogo, dos 11 jogadores que começaram a partida, nove tem vínculo com o clube além do Brasileirão/11. Não deu muito resultado, mas são jogadores como Renan Rocha, Deivid, Manoel, Morro García, Marcinho e Paulo Baier (e outros que não jogaram, como Guerrón) que podem evitar que o clube – e eles próprios – joguem a Série B em 2012.

Passado que ensina
Em 1998 o Atlético fazia um péssimo campeonato. Faltando 11 jogos para o fim, o time estava seriamente ameaçado de rebaixamento. A equipe tinha o volante Paulo Miranda (que também passou por Coxa e Paraná) que contou a história: “Um dia, após uma derrota, o Petraglia entrou no vestiário e disse: ‘vocês que são do clube, tirem o cavalo da chuva: ano que vem todo mundo jogará a Série B comigo; e vocês que estão emprestados, já estou negociando para que fiquem aqui. Seus clubes não vão os querer de volta’.” O susto valeu: o time venceu seis jogos seguidos e quase se classificou para a segunda fase – o campeonato não era por pontos corridos.
Polêmica
Direto do Alto da Glória: o volante do Coritiba Léo Gago, em entrevista ao site Globo Esporte.com, meteu o dedo na ferida do Atlético, quando perguntado se o Coxa ainda tinha chances de Libertadores: “Podemos conseguir a classificação. (…) Na última rodada, temos o clássico contra o Atlético. Eles estarão praticamente rebaixados ou até mesmo rebaixados.” Gago projetava cinco vitórias em casa e esse triunfo fora. Mas o time enroscou no Bahia logo na largada.
Roupa nova
Se o empate com o Bahia foi sonolento, valeu ao menos para o Coxa apresentar sua camisa III, comemorativa em alusão a entrada no Guinness Book como “equipe mais vitoriosa em sequência de jogos no Mundo”. Com a cor azul-petróleo – quase um verde – a camisa faz menção às 24 datas dos jogos que o Coritiba venceu em sequência e que o credenciou a tal titulação. Belíssima.

Pinheirão
Sem perigo de ser rebaixado e muito longe da Libertadores, o Coritiba volta seus olhos para o futuro. Nesta quinta (20), pela segunda vez, o Pinheirão vai a leilão. O valor inicial é de R$ 33 milhões, 50% do valor inicial do primeiro leilão. A FPF segue tentando evitar o leilão. Há uma intenção da OAS em comprar o estádio e, em seguida, chegar a um acordo com o Coxa para construir um novo centro esportivo lá. O presidente da FPF, Hélio Cury, não quis comentar o assunto: “Temos 72h para resolver isso. Até quarta eu terei uma posição”, disse, de maneira ríspida. Cury não confirmou se negocia em paralelo a venda do terreno, que está obrigado pela justiça a ir a leilão. Há uma semana, o deputado Reinhold Stephanes Jr. garantiu que o Pinheirão já foi negociado. O Coxa, por sua vez, aguarda a definição do negócio para entrar diretamente (ou oficialmente) nele.
No twitter

O diretor de futebol do Paraná, Paulo César Silva, que está afastado do contato com a imprensa, está no Twitter. Com o nick @PC_PRC, Paulo César volta a mídia via rede social, depois de se afastar dos holofotes por desgaste com a má fase do Tricolor, após uma discussão com o articulista da Rádio Banda B, Sérgio Bello, ao vivo pelos microfones da emissora. PC tem respondido aos torcedores e não entrou em nenhuma polêmica ainda. Quem criou o perfil foi a filha dele. O departamento de comunicação do Paraná não gostou muito da idéia, mas, mesmo assim, prevaleceu a vontade do diretor.
Coritiba 102 anos – Especial Jogo Aberto Paraná
A festa do centenário veio dois anos depois. Essa é a impressão que fiquei após passar a tarde com o vice-presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, na véspera do aniversário de 102 anos do clube.
Véspera também do anúncio que ele fez em primeira mão na Band*, de que o Guiness Book reconheceu o Coxa como clube que mais venceu jogos consecutivos no Mundo; e, mais importante, do lançamento do novo CT, um dos inúmeros projetos da gestão de Vilson Andrade, que fez carreira de sucesso como CEO do HSBC na América Latina. Agora, empresta esses conhecimentos ao Coritiba.
Na entrevista a seguir, você acompanha mais de meia hora de papo sobre todos os temas que interessam a torcida coxa-branca, desde o novo CT, os projetos para a saída para o Pinheirão e a vinda da Nike como fornecedora (pra bom entendedor, a entrevista ajuda a perceber o que pode acontecer nos dois casos) e o futuro alviverde. Com Vilson como possível presidente.
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*O Jogo Aberto Paraná vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, na BandCuritiba.
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2o. Turno do Brasileiro: em que acreditar – e por que
Por que e em que acreditar nesse segundo turno do Brasileirão?
Vai começar o segundo turno do Brasileirão. É apenas simbólico. Na verdade, tudo continua como antes, apenas com a tabela com menos jogos pela frente. Mas o que é a vida senão uma sequência de interpretações simbólicas, como quando pulamos sete ondas e vestimos branco no ano novo? Poderia ser apenas mais um ciclo de 24h, mas não é. E se for para usar como impulso, porque não?
Sendo assim, farei uma análise técnica, apesar do momento ser puramente sentimental, do que esperar das equipes no segundo turno no Brasileirão 2011. A começar pela dupla da terrinha na Série A:
Atlético
1o. Turno: 17º lugar, 18 pts, 31.6%
Resumo: Viveu o pior início de Brasileiro de todos os tempos, conseguindo a primeira vitória somente na 11ª rodada, ao superar o Botafogo em casa (2-1). Foi o terceiro jogo de Renato Gaúcho no comando do Furacão; com ele, em 30 pontos, a equipe fez 17 – 56,6% de aproveitamento, o mesmo do Palmeiras, sexto colocado, o que fez o time se agarrar na esperança de repetir o feito do Grêmio/10 do mesmo Renato: da ZR para a Libertadores.

Pior momento: A derrota para o Fluminense (1-3), na 7ª rodada, com erros do então goleiro Márcio e do zagueiro Rafael Santos. A equipe completava a sexta derrota em sete jogos e o único ponto fora conseguido em casa, no empate com o Flamengo (1-1).
Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2), em confronto então direto, já que o Peixe de Neymar amargava a ZR. Era o início da reação que chegou a tirar o Furacão da ZR por uma rodada – o que pode voltar a acontecer se vencer o xará mineiro nesta quarta.
No que acreditar: Nas mudanças que já aconteceram e nas que podem vir, como a chegada de algum centroavante (pedido insistente do técnico) ou o retorno e decolagem dos gringos Morro Garcia, Nieto e/ou Guerrón. Para entender o que já mudou, vamos ver as diferenças entre o time da estréia e o provável time do início do 2º turno:
1ª rodada: Atlético-MG 3-0 Atlético
Renan Rocha; Rômulo (Wendel), Manoel, Rafael Santos e Paulinho; Deivid, Cléber Santana (Adaílton), Paulo Roberto e Marcelo Oliveira; Paulo Baier (Madson) e Guerrón.
Técnico: Adilson Batista
Em negrito estão os jogadores que deixaram o time titular do Atlético de lá para cá; alguns sequer são opções do novo treinador, Renato Gaúcho. Do banco ao ponta, nada menos que seis mudanças em relação ao provável time:
20ª rodada: Atlético x Atlético-MG
Renan Rocha; Wagner Diniz, Gustavo, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kleberson, Cléber Santana, Marcinho e Madson; Edigar Junio.
Técnico: Renato Gaúcho
Do time acima, além da recuperação do futebol de Cléber Santana e da entrada de Fabrício, destaca-se o crescimento de Deivid e a chegada de Marcinho, ao lado de Renato, símbolo da recuperação atleticana.Vale dizer que a escalação acima está sem dois titulares: o zagueiro Manoel e o lateral-direito Edilson. Aposta ainda nas recuperações físicas de Paulo Baier e Paulo Roberto e nas recuperações técnicas de Madson e do trio de ataque internacional.
Com o que se preocupar: Não tem atacantes. Como futebol tem por base o número de gols marcados, é alerta vermelho nesse item. Também depende da estabilidade emocional do técnico Renato Gaúcho e da permanência do mesmo até o final do ano, já que o “projeto” passa totalmente por ele. Se acontecer o mesmo que em 2010, quando Carpegiani trocou o clube pelo São Paulo FC, pode dar problema.
Projeção: Escapa do rebaixamento, mas não aspira nada mais que a Copa Sul-Americana. Para tanto, precisa de cerca de 26 pontos em 57, 45,6% – menos que o índice atual de Renato.
Coritiba
1o. Turno: 9º lugar, 26 pts, 45.6%
Resumo: Começou o campeonato dividindo atenções com a Copa do Brasil, da qual foi finalista. Com o passar dos jogos, deu a impressão de ter sentido a perda do título da copa e de não estar 100% no Brasileiro. Faz uma campanha regular – ótima para um clube que esteve à beira da falência em 2009-10 – mas aquém do que a equipe demonstrou ter poder para fazer e abaixo da exigência da torcida, que ficou com um gosto de “quero mais” ainda em 2011.
Pior momento: Pode ser considerado o jogo contra o São Paulo FC em casa (3-4), quando chegou a estar perdendo por 0-4 e atuando com um homem a menos. Ainda assim, o Coxa não teve um momento ruim: acabou diminuindo suas pretensões em pequenos tropeços, como na estréia com o Atlético-GO (0-1) ou empates em casa com Inter (1-1) e Palmeiras (1-1).
Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2) na Vila Belmiro, épica. Virou uma partida contra um adversário em recuperação, com Neymar e Borges no ataque, superando uma arbitragem confusa, que errou em demasia, em especial em um lance claro de pênalti em Leonardo. Ali, provou que as cobranças da torcida por melhores resultados tem fundamento.
No que acreditar: Na qualidade do elenco, que em 2011 já demonstrou que pode mais do que vem fazendo, em jogos como o 6-0 no Palmeiras pela Copa do Brasil e nas goleadas nos Atletibas, 4-2 e 3-0. A perda preciosa de pontos contra adversários diretos em casa e resultados ruins contra times em situação inferior na tabela desanimaram, mas sabe-se que o time tem potencial. Em relação a estréia no campeonato, pouco mudou, o que fortalece o conjunto:
1ª rodada: Coritiba 0-1 Atlético-GO
Edson Bastos; Jonas (Willian), Cleiton, Emerson e Lucas Mendes (Geraldo); Leandro Donizete, Léo Gago, Rafinha e Davi; Anderson Aquino (Éverton Costa) e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.
Em negrito, os jogadores que não vêm sendo muito utilizados – Cleiton, por exemplo, foi emprestado e se machucou. Levando-se em conta os desfalques de Tcheco e Jéci por suspensão, o Coxa estréia no returno assim:
20ª rodada: Atlético-GO x Coritiba
Edson Bastos; Jonas, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Leandro Donizete, Léo Gago, Willian e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.
Na rápida comparação, o time é praticamente o mesmo da estréia e quem não estava, pode ser considerado reforço. Pereira é segurança na zaga, apesar de ter dificuldade em jogadas mano a mano; Willian ganhou o respeito da torcida e o titular, Tcheco, dá ritmo a meia-cancha mais do que Davi fez enquanto teve chances; e Marcos Aurélio é mais atacante que Anderson Aquino.
O otimismo com o Coritiba é justificável se os próprios jogadores reencontrarem o nível de atuações que vinham tendo no Estadual, na Copa do Brasil e em algumas rodadas do Brasileiro.

Com o que se preocupar: Com a fase de Edson Bastos. A muralha alviverde vive período conturbado, cobrada pela torcida. Pode sentir e goleiro, como diz a música, não pode falhar. Também tem carências no ataque, ressentindo-se de um matador; Bill oscila bons e maus jogos, o que explica também a oscilação do time.
Projeção: Classifica-se ao torneio consolação, a Copa Sul-Americana. Para fazer mais, precisará somar 33 a 34 pontos em 57, 59,6% de aproveitamento – é o índice que tem hoje o Botafogo, detentor da vaga que o Coxa aspira.
E os demais?
América-MG (20º/13pts): Dificilmente escapa do rebaixamento. Será decisivo em jogos contra rebaixáveis e aspirantes ao título: quem perder pontos para o Coelho, estará em maus lençóis.
Atlético-GO (12º/25pts): Brigará para não cair no final do campeonato, mas é um dos que menos corre riscos. Ficará com vaga na Sulamericana.
Atlético-MG (19º/15pts): Vive situação dramática, mas tem elenco, torcida e camisa. Vai até o fim brigando para não cair. A sequência de derrotas com Cuca (o coxa-branca sabe) pode ser fatal.
Avaí (18º/17pts): Já demonstrou que não vai se entregar com facilidade, em jogos contra Figueirense e São Paulo. Mas é outro que briga para não cair com dificuldades.
Bahia (16º/20pts): Não está fácil ser um dos primeiros do alfabeto: também brigará para não cair. Está em decadência e perdeu Jobson por problemas extracampo. Amargou anos nas divisões inferiores e, apesar da gigantesca e apaixonada torcida, terá dificuldades quando precisar de fôlego.

Botafogo (5º/34pts): Vai chegar a Libertadores. Tem elenco e um bom técnico, Caio Júnior. Desta vez a frase “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” não irá emplacar.
Ceará (13º/25pts): Enganou bem, mas vai acabar brigando para não cair. Tem um time envelhecido e instável.
Corinthians (1º/37pts): É líder e vai até o final brigando pelo título com Flamengo e São Paulo. E se acostume, porque com os novos valores das cotas de TV, será assim até o fim. Meu palpite? Não fica com a taça.
Cruzeiro (7º/ 27pts): Está abaixo do que pode render. Depende demais de Montillo em dias inspirados. Mas pode engrenar e ser o principal adversário do Botafogo na briga pela Libertadores.

Figueirense (10º/26pts): Sabe aquela equipe que fica o campeonato inteiro no meio da tabela e quando menos percebe, está ameaçada de rebaixamento? Então, é o Figueira.
Flamengo (2º/36pts): Está em segundo, mas pela campanha no ano, o técnico que tem (Luxemburgo) e os craques Thiago Neves, Ronaldinho, mesmo dependendo de Deivid ou Jael, é o favorito para o título. Poderá ser Hexa em 2011.

Fluminense (11º/25pts): O atual campeão brasileiro não cai, não vai disputar título, não vai para a Libertadores… 2012 tá aí.
Grêmio (15º/21pts): Viverá um final de ano dramático. Vai até o fim brigando para não cair. Ao lado de Atlético e Atlético-MG, é daqueles que tem de onde tirar recursos quando o cinto apertar de vez.
Internacional (8º/27pts): Sonha com a Libertadores e tem elenco e estrutura para tanto. Terá que correr para pegar Cruzeiro e/ou Botafogo. É o que menos tem chances dos três.
Palmeiras (6º/32pts): Só Felipão salva. Assistir o Palmeiras jogar é um desafio a compreensão do porquê o Alviverde paulista está entre os postulantes à Libertadores. Construindo estádio, não terá fôlego para a briga. Sulamericana à vista.
Santos (14º/22pts): Fará uma campanha de recuperação no 2º turno e chegará entre 12º e 8º lugar antes de ir medir forças com o Barcelona e outros menos famosos no Mundial de Clubes.
São Paulo (3º/35pts): Acabará sendo o principal obstáculo do Flamengo ao Hexa. E pode ser Hepta, coroando de vez a era Rogério Ceni. Tem força, elenco e vai brigar até o fim.
Vasco (4º/35pts): Com a missão do ano cumprida, já achava difícil que o Vasco tivesse pernas para ir até o fim sonhando com a dupla coroa nacional; sem Ricardo Gomes, vai depender muito de como a equipe e a diretoria reagirão ao que acontecer com o treinador.
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