O buraco é mais embaixo: guia das Séries C e D do Brasileirão

Série C: teste para o amor e a paciência do torcedor

Começam neste final de semana as Séries C e D do Brasileiro. Longe do glamour da Copa, dos craques e grandes torcidas da Série A e, quem diria, até da Série B, as divisões inferiores do futebol brasileiro têm seu valor e grandes camisas. Se a B é considerada o “inferno”, o que dizer da C e da D? O buraco é mais embaixo, claro.

No entanto, com a mudança na cultura do futebol brasileiro, a Série C já recebeu grandes camisas (Bahia, Fluminense, Vitória, Paysandu) e segue com clubes que já tiveram dias melhores em busca de um lugar ao sol. Em 2013, terá até transmissão da TV, na TV Brasil, canal estatal. A Série D, por sua vez, é a porta de entrada dos clubes no cenário nacional. É o prêmio aos clubes que se estruturaram o suficiente para garantir vaga nos estaduais.

Ambas devem começar com problemas jurídicos. A CBF teve que lidar com a Justiça Comum e incluir o Rio Branco-AC na Série C sem retirar o Treze-PB da disputa. Assim, a competição terá 21 clubes. Que podem ser até 22, conforme o desejo do Cianorte-PR (entenda aqui) que pode disputar a C, a D ou ainda nenhuma. De todo modo, as primeiras rodadas estão marcadas e o blog se arrisca a dizer quem é que sobe (valeu, Galvão) nestas disputas.

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  • Série C

A Série C 2013 será a 23a edição deste campeonato, que foi realizada pela primeira vez em 1981 e se mantém ininterruptamente desde 1994. Com a sequencia da disputa e o cumprimento da regra do acesso e descenso – desde 2000 – clubes habituados a disputar a primeira divisão passaram por ela. Fluminense (campeão em 1999), Criciúma (venceu em 2006), Avaí (ganhou em 1998), América-MG (campeão em 2009), Atlético-GO (o maior campeão, em 1990 e 2008) e os vice-campeões Náutico, Bahia e Vitória já desfilaram suas camisas na Terceirona.

Nesta temporada as atrações são o Santa Cruz, dono da maior média de público do Brasil em 2013, o Fortaleza, também de torcida forte – e com a Arena Castelão ao lado – e o Brasiliense de Romarinho, o original, filho do Baixinho. Outros clubes estarão na corrida para o acesso à Série B (viu como ela não é tão ruim?) em um regulamento que, a princípio, deve ser o seguinte: 11 clubes na chave norte e 10 na chave sul, jogando entre si em turno e returno. Os quatro melhores de cada chave avançam às quartas de final – o jogo que realmente importará, valendo acesso – e depois farão semi e final, até conhecermos o campeão.

Para o rebaixamento, a princípio, cairão os 3 últimos da chave norte e os 2 últimos da sul. Mas uma série de disputas deve ocorrer ainda no STJD, o que pode paralizar a competição. Questões como a proporção na disputa de pontos (quem joga uma partida a mais tem chances de somar mais pontos) para desempate e o pedido do Cianorte ainda podem mudar tudo. Mas, com o que temos hoje, vamos as análises:

Chave Norte:

Santa Cruz, Brasiliense, Cuiabá e Fortaleza são os favoritos à classificação neste grupo. O Santa, tricampeão pernambucano, é sem dúvida a grande força de toda a Série C. Perdeu o técnico Marcelo Martelotte (substituído por Sandro Barbosa) para o rival Sport, mas manteve a base e o bom ataque com Denis Marques (ex-Atlético e Flamengo) e Flávio Caça Rato e conta com sua fanática torcida para se reerguer. O Brasiliense tem Romarinho e o dinheiro do dono do clube, Luís Estevão. Mas tem ainda os ex-palmeirenses Baiano e Washington no elenco, que conduziram o clube ao título distrital. O Cuiabá do técnico Ary Marques vem crescendo temporada após temporada. O clube se preparou para se beneficiar da Arena Pantanal, obra para a Copa 2014, e quer estar em uma das duas principais divisões nacionais após o Mundial. Pra fechar o grupo, o Fortaleza, terceiro colocado no Estadual, aposta na manutenção do técnico Hélio dos Anjos, um dos reis do acesso no País, para subir de divisão.

CRB, de Alagoas, Luverdense, do Mato Grosso e Sampaio Corrêa, do Maranhão – atual campeão da Série D – correm por fora na busca das vagas. São clubes que tem força em casa e um histórico recente vitorioso. Águia de Marabá-PA, Baraúnas-RN, Rio Branco-AC e Treze-PB devem brigar apenas para manter seus postos na terceirona – o que já garante um calendário anual.

Chave Sul:

A chave sul deve ser mais equilibrada que a norte, por vários fatores. O primeiro deles, obviamente, o menor número de clubes (salvo se houver inclusão do Cianorte). O segundo, a riqueza da região e o maior poderio financeiro dos clubes em relação ao do norte. Rio e São Paulo dominam a chave, com seis clubes. Os tradicionais Caxias-RS e Vila Nova-GO dividem espaço com o novato Betim (ex-Ipatinga) e CRAC, de catalão. Caxias, Macaé, Duque de Caxias e Mogi Mirim se apresentam como favoritos à vaga. Mas o campeão brasileiro de 1978 Guarani, Vila Nova e Madureira podem surpreender. A chave, de fato, é muito igual. O CRAC corre por fora e os únicos que devem mesmo brigar apenas para não cair são Betim-MG e Grêmio Barueri.

  • Série D

O objeto de desejo da Série D

A Série D começa sem ainda saber todos os seus participantes. Dos 40 clubes que irão disputá-la, o representante de Rondônia ainda está indefinido. Isso porque, enquanto os pares de chave abrem a primeira rodada do Nacionalzinho, Pimentense e Vilhena estarão disputando o jogo de volta valendo o título estadual e a vaga da Dzona. No jogo de ida, em Vilhena, 5-0 para o time da casa.

Serão oito grupos com cinco times cada. À exceção dos quatro rebaixados da Série C 2012 – Guarany-CE, Salgueiro-PE, Santo André-SP e Tupi-MG – todos os outros se classificaram via campeonato estadual. As 8 chaves regionalizadas terão jogos de ida e volta entre si. Dois clubes avançam em cada grupo, formando 16. Estes farão jogos eliminatórios até conhecerem os quatro do acesso. Aqui, o paraíso: um time que somar entre 18 e 20 pontos na primeira fase e vencer mais quatro jogos (ou ao menos 2 sem perder os outros 2) estará na Série C 2014. Depois, semifinais e finais pra conhecermos o campeão. O palpite? Abaixo:

Grupo A1:

O grupo que terá Vilhena ou Pimentense (provavelmente o primeiro) tem como favoritos os vice-campeões do Pará e do Amazonas, Paragominas e Nacional, respectivamente. O Nacional chega com o crédito de ter eliminado o Coritiba da Copa do Brasil. Náutico de Roraima e Plácido de Castro, do Acre, fecham a chave.

Grupo A2:

Seria ousado demais avaliar um grupo que tem clubes como Gurupi-TO, Maranhão, Parnahyba-PI, Salgueiro-PE e Ypiranga-AP. Pela força do futebol pernambucano, fecho com o Salgueiro e indico os campeões estaduais de 2012 (sim, classificaram-se pela tempórada passada) Gurupi e de 2013 Parnahyba para a disputa da vaga restante. Campeão é campeão.

Grupo A3:

Um dos grupos mais difíceis da Série D 2013 é o A3. O tradicional Central de Caruaru irá se opor ao rival estadual Ypiranga, que só ficou atrás do trio Santa-Sport-Náutico no Pernambucano e ainda terá de enfrentar o campeão potiguar, Potiguar, e o vice cearense, Guarany de Sobral. O também cearense Tiradentes é a zebrinha na chave.

Grupo A4:

Três campeões estaduais e um time que deu muito trabalho à dupla Ba-Vi estão na chave A4. Botafogo-PB, CSA-AL (com patrocínio forte, articulado por Fernando Collor) e Sergipe já levantaram taças neste ano. O Juazeirense foi a boa surpresa do Baianão, que teve ainda o Vitória da Conquista, também nessa chave. Indico CSA e Botafogo, pela ordem, mas fora mesmo, só o Vitória.

Grupo A5:

O vice-campeão distrital Brasília e o tradicional Mixto, campeão mato-grossense, são as forças desta chave, que ainda tem Águia Negra-MS, Aparecidense-GO e  Goianésia-GO.

Grupo A6:

Pelo bom Cariocão que fez, o Resende é o favorito nesta chave. O também carioca Nova Iguaçu disputa com o Tupi-MG uma das vagas. Aracruz-ES e Araxá-MG serão zebrinhas.

Grupo A7:

Outro grupo casca. Completando cem anos nesta temporada, o Juventude, de Caxias do Sul, colocará sua camisa e sua história de campeão da Copa do Brasil 1999 em campo contra quatro equipes fortíssimas. O Ju se organizou para retomar o caminho, mas enfrentará a grande surpresa do Paulistão, o Penapolense. Do rico e forte interior de São Paulo vem outro campeão da Copa do Brasil: o Santo André, que levantou o caneco em 2004. Neste ano, no entanto, foi mediano na Série A2 de SP. O Villa Nova, de Nova Lima-MG foi semifinalista do Mineiro – eliminado pelo Cruzeiro – e promete incomodar. E o grupo fecha com o Marcílio Dias, de Itajaí-SC, que disputará em paralelo a Segundona Catarinense.

Grupo A8:

Será o grupo mais difícil desta Série D. O favorito à vaga é o Londrina, campeão da Série B em 1980, e que no Paranaense somou mais pontos que os finalistas Coritiba e Atlético, campeão e vice. O Tubarão tem camisa, torcida e organização, depois de muito tempo. Conta com Germano, ex-Santos, e Celsinho, ex-Portuguesa, como destaques, além do ótimo goleiro Danilo e o bom atacante Neílson. Só que irá encarar o bom J. Malucelli, outro paranaense bem arrumadinho, dono do Eco-Estádio usado pelo Atlético na Série B 2012. O forte Botafogo-SP, sétimo no Paulistão, também quer a vaga. Fecham a chave o vice-campeão gaúcho, Lajeadense, e o Metropolitano, de Blumenau.

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Barcelona é campeão… estadual

Time de Tito Villanova quebrou jejum de seis anos (Foto: FC Barcelona)

As ruas de Barcelona estão tomadas! É festa por toda a noite na Catalunha: o Barça é o campeão… estadual. Bem, talvez a festa não tenha sido tão grande assim, mas certamente houve, após a vitória nos pênaltis ontem, dia 29/05, sobre o rival Espanyol e o fim de um jejum de seis anos sem vencer a Copa Catalunya, uma espécie de campeonato estadual da região.

Talvez a principal notícia não seja o título do Barça, que atuou com Piqué, Xavi e os brasileiros Adriano (ex-Coritiba) e Rafinha, um paulistano de 20 anos que deixou o país aos 16 para a base barcelonista. Talvez o que lhe chame mais a atenção seja a existência de um campeonato estadual na Espanha.

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Clubes aproveitam Copa para pressionar CBF

Conhecendo a rivalidade e o orgulho catalão, não é de se estranhar que a região tenha seu próprio torneio. A Copa Catalunya abrigou nesta temporada 73 clubes, que jogaram oito fases eliminatórias desde junho de 2012 até que dois chegassem às semifinais. Dois, porque nas semis já estavam Barcelona e Espanyol. Estes clubes estão divididos entre as cinco divisões nacionais da Espanha (Primeira, Segunda, Segunda B com 4 grupos, Terceira com 18 grupos e as divisões regionais, que são 21). Todas regiões têm seu próprio torneio.

O Barcelona jogou toda a competição com seu time B e são raros os registros estatísticos deste torneio. Uma das curiosidades é que as equipes podem fazer até sete substituições durante os jogos. Na semi, o Barça passou pelo Gymnàstic, clube que tem como maior destaque uma participação na primeira divisão em 2006/07, quando teve o atacante Gil (aquele, da lei). O Espanyol eliminou o Llagostera, equipe fundada em 1947 mas que reativou-se em 2003 e desde então só vem crescendo. Hoje está na 2a Divisão, próxima de subir para a Segundona que dá acesso à Liga principal.

Fato é que Barça e Espanyol fizeram um jogo disputado, com direito a expulsões e título decidido nos pênaltis. O título deixou o Barça como o maior campeão deste “estadual”, com sete títulos (nove vices) contra seis do Espanyol –  que perdeu sete finais. O terceiro maior campeão da região é o Gymnàstic, com duas conquistas.

A Liga Espanhola tem ainda uma rodada pendente, no próximo final de semana. O estadualzinho catalão não compromete as rodadas dos principais torneios, mantém as duas equipes de ponta (por critérios técnicos) como participantes de destaque e dá calendário anual aos times menores. Mantém a rivalidade local viva, uma vez que o Barcelona não tem o Espanyol como grande rival nos principais torneios que disputa e ainda revela jogadores para os clubes  – anote aí os nomes de Rafinha e do argentino Sergio Araújo.

Parece um bom formato, não, Brasil?

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Clubes aproveitam Copa para pressionar CBF na Justiça Comum

Cianorte também vai buscar na Justiça vaga no Brasileiro (foto: Facebook CFC)

A notícia de que o Rio Branco do Acre chegou a um acordo intermediado no Supremo Tribunal Federal e disputará a Série C do Brasileirão sem que o Treze da Paraíba abra mão da sua vaga – entenda mais clicando aqui – pode abrir uma brecha com a qual a CBF não consiga lidar. Na véspera da Copa das Confederações e há um ano da Copa do Mundo, a confederação busca acordos para que os clubes não tentem a Justiça Comum para os conflitos, como manda a Fifa, e acaba criando um outro problema para si.

O próximo time que pressionará a CBF será o paranaense Cianorte. De posse de um ofício da própria CBF (ver abaixo), assinado por Virgílio Elísio, diretor técnico, o Leão do Vale não quer mais apenas a vaga a que teria direito na Série D – que inicia-se neste final de semana – mas sim quer entrar diretamente na terceira divisão nacional.

Reprodução do trecho do ofício da CBF para o Cianorte (Assessoria CFC)

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Neymar: o monstro de René

Em entrevista ao repórter Martins Neto, o gerente de futebol do Cianorte Adir Kist disse que tentará a vaga na Série C em um acordo direto com a CBF, em uma reunião com Marco Polo Del Nero na próxima segunda (03/06). Do contrário, irá à Justiça Comum. “Estamos mobilizados com a Federação Paranaense e se isso não acontecer, vamos parar a Série C. A gente só quer que seja moralizado e que se cumpra as leis e o Estatuto do Torcedor.” A base da reclamação é de que a entrada do Treze como 5o colocado da Série D no ano anterior abre a mesma brecha pelo Cianorte: “Eles (CBF) não admitem suas incompetências e seus desmandos.”

A Fifa ameaça de desfiliação as confederações que não resolvam seus conflitos apenas na esfera desportiva. No Brasil, são três os episódios clássicos de problemas na Justiça Comum. Em 1989 o Coritiba, de posse de uma liminar, não viajou à Juiz de Fora-MG, para enfrentar o Santos, em condição imposta pela CBF por uma perda de mando de campo por invasão e agressão ao então goleiro Rafael, do Sport. A CBF ignorou a liminar e deu WO para o Coxa, rebaixando-o para a segunda divisão no ano seguinte. Em 1993, depois de uma virada de mesa que acabou favorecendo o Grêmio ao incluir 12 clubes a mais na Série A, o América-MG entrou na Justiça para contestar seu rebaixamento mesmo estando na 14a posição na classificação geral. Foi suspenso por dois anos das competições nacionais. Até então, a CBF sempre levou a melhor nas disputas na Justiça Comum.

Mas em 2000, após uma polêmica decisão de se fazer o rebaixamento por média de pontos – e uma decisão ainda mais polêmica do STJD em punir o São Paulo no Caso Sandro Hiroshi, transferindo seis pontos para o Botafogo-RJ – fez com que o Gama buscasse na Justiça Comum seu direito à elite. E conseguiu. Primeiro, a CBF excluiu o clube de Brasília, mas teve que voltar a montar a Série A com o Gama. Depois, se disse incompetente para realizar a disputa nacional e tranferiu a organização para o Clube dos 13, que faria o campeonato sem o Gama. Nova derrota: a Justiça considerou a Copa João Havelange o Brasileirão de 2000 e obrigou a inclusão do Gama, que jogou o torneio. Dali por diante, o Brasileirão não teve novas viradas de mesa ou disputas judiciais.

Especiailistas consideram que é difícil que a CBF inclua o Cianorte na Série C com os argumentos apresentados. No entanto, sabe-se que a diretoria atual não quer nenhum desgaste gratuito com a Fifa, que já tem de lidar com o Governo Brasileiro na relação da Copa. Talvez por isso é que Marco Polo Del Nero receba o pequeno Cianorte na próxima segunda. Por outro lado, os clubes da Série C que terão que jogar com 11 times na chave norte, já reclamam. Trata-se de uma partida a mais, uma viagem a mais e, principalmente, um concorrente a mais para acesso e rebaixamento. Dois clubes cairão na chave sul e três na norte, numa desproporção de disputa.

Seja como for, as disputas judiciais podem incomodar a CBF, que fica numa sinuca de bico: tem de atender a Justiça Brasileira, mas não pode desafiar a Fifa que, por sua vez, dificilmente fará oposição a principal aliada na organização da Copa na véspera dos eventos. Pelo menos por enquanto.

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Romário acusa CBF e Federação Paulista de favorecer dopagem

O deputado federal e ex-jogador da Seleção Romário usou as redes sociais para fazer uma denúncia contra o departamento anti-doping da Federação Paulista de Futebol que, com a conivência da CBF, estaria se utilizando de um laboratório não verificado pela organização mundial anti-dopagem (WADA, em sigla em inglês) para fazer os exames e, segundo ele, ter maior maleabilidade para aferir quem usa e quem não usa substâncias ilegais.

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Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

“Não vale nada”

O “Baixinho”, que abriu guerra declarada contra José Maria Marin, presidente da CBF, postou a notícia por volta das oito da noite desta terça em duas redes sociais: Twitter e Facebook.

Confira, abaixo, o texto na íntegra:

Galera, boa noite

Hoje tive acesso a uma informação sobre um problema que muito preocupa o nosso esporte em geral e o futebol em particular: DOPING. Não só porque o uso de substâncias proibidas torna a disputa desleal, mas porque é um prejuízo a longo prazo para a saúde do atleta que se vale desse triste recurso.



Obtive a informação de que a CBF está validando exames de controle antidoping em laboratório que não é credenciado pela Agência Mundial Antidoping, a conhecida WADA, em inglês. Na América do Sul, apenas um laboratório é credenciado pela WADA, o Ladetc, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi o Ladetec, inclusive, que realizou, com exemplar profissionalismo, todos os exames dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

Agora, de forma inerte, a CBF está aceitando que a Federação Paulista de Futebol realize os exames dos jogadores que disputam o Campeonato Paulista no Laboratório da Universidade de São Paulo. Esse desrespeito nos leva a suspeitar dos resultados apurados naquele laboratório, que podem contribuir para esconder resultados positivos que, assim, não seriam do conhecimento da FIFA e da própria WADA e, se descobertos, poderiam ser desconsiderados, justamente por não serem de um laboratório credenciado.

Não seria por esse motivo que não temos observado notícias sobre casos de doping registrados no Campeonato Paulista? Não é estranho? Eu acho, muito estranho e perigoso.

O resultado de se realizar exame antidoping em laboratório não credenciado pode levar a situações como a vivida pelo volante Rodrigo Souto. A Corte Arbitral do Esporte divulgou o laudo do julgamento realizado em 13 de janeiro, na cidade do México, considerando “nulo” o processo da Conmebol que punia Rodrigo Souto com dois anos de suspensão.

Conforme notícia divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, a WADA acolheu a prova de que o laboratório uruguaio que realizou a análise da urina do atleta não é credenciado pela WADA e que o réu não teve direito à ampla defesa.

Rodrigo Souto foi flagrado dopado na vitória do San José por 2 x 1, em Oruro,na Bolívia, em março de 2008, pela fase de grupos da Copa Libertadores. O exame detectou a presença de traços de cocaína na urina do meio-campista.

Observem o prejuízo sofrido pelo atleta e seu clube, o Santos, que se privou dele durante o primeiro turno do Brasileirão de 2008. Em seguida. A FIFA o liberou após o recurso dos advogados.
Pois são situações assim que jogadores e clubes paulistas estão na iminência de enfrentar ao confiaram os exames a um laboratório não credenciado pelo órgão máximo de controle do doping mundial, a WADA.

A CBF não pode ser relapsa a ponto de ignorar a responsabilidade dos laboratórios credenciados. Um país que vai receber a Copa do Mundo deve dar exemplo de respeito às normas internacionais do esporte. Mas não é isso que o Senhor José Maria Marin demonstra ao fechar os olhos para a ação irregular da Federação Paulista de Futebol que, por sinal, tem no seu comando o vice-presidente da CBF, Marco Polo del Nero. Náo é outra coincidência estranha, muito estranha? Eu acho.”

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Repensando o futebol brasileiro

Esse post foi publicado no antigo blog, no portal Bem Paraná, em dezembro de 2012. Reedito aqui para levantar a discussão nacionalmente, através dos seus comentários. Obrigado a todos e bem-vindos a nova fase do blog!

Final de ano, perspectivas de um novo início em 2013. No futebol, é hora de por em prática o planejamento da nova temporada. Contratações, dispensas, pré-temporada, objetivos. Cada clube com a sua necessidade, conforme a disputa que tem pela frente. Essas são as boas notícias.

A má: dificilmente seu clube, se não for do grupo dos seis que mais recebem nas cotas de TV, principal renda dos clubes atualmente, será campeão. Salvo se tiver um mecenas por trás, caso do atual campeão Fluminense, amparado fortemente pela Unimed. E nesse balaio incluo gaúchos e mineiros. Duvida? Então veja a figura abaixo:

Essa é a atual distribuição de renda do futebol brasileiro, com base no repasse do principal apoiador, a Rede Globo de Televisão, detentora dos direitos de transmissão do Brasileirão. A imagem detalha o recebimento dos clubes do extinto Clube dos 13 (que abrangia 20 clubes) mais o Paraná Clube, simbolizando todos aqueles que estão no patamar do Tricolor. As cores dividem os grupos cotistas, que são de 5 tamanhos (alguns dos valores estão renegociados). Do amarelo ao vermelho, o que mais recebe ao que menos recebe. Todos dentro de um mesmo campeonato.

É preciso dizer que a Globo faz um bem enorme ao futebol nacional. A evolução nos contratos de TV nos últimos anos começou a projetar o Campeonato Brasileiro como um dos mais rentáveis do Mundo. Ainda está longe da Bundesliga (Alemanha) e da Premier League (Inglaterra), mas é um caminho. Não vou entrar aqui na discussão da exclusividade de transmissão, discussão do mercado de comunicação – convenhamos, o know-how da Globo é o melhor, ainda que (até mesmo pra mim, como jornalista) a diversificação de emissoras na cobertura pudesse ser benéfica. A discussão aqui é outra.

A própria televisão já ensaiou – e essa discussão ficou para trás, mas segue em voga com os torcedores – um pedido para que o Brasileirão volte ao mata-mata. E isso porque se ressente de mais emoção na competição. É um engano: se não há emoção no Brasileirão dos últimos anos, é porque a disparidade de arrecadação entre os clubes é enorme. É impossível que o Náutico, melhor clube fora do rol dos maiores recebedores (abaixo até mesmo de Atlético e Coritiba) supere 19 equipes em um torneio de regularidade e seja campeão.

Repare novamente na figura acima. Em amarelo, estão as posições de destaque; em azul, posições confortáveis. Em laranja, posições compatíveis e/ou aceitáveis. Em vermelho, posições ruins – e ainda pintou um preto na tabela. Repare que na divisão do Botafogo para o Atlético – linha que divide os tradicionais 12 dos demais – um lado é quase todo vermelho, outro quase todo amarelo. Não coincidentemente, quem mais recebe contra quem menos recebe. Em tempo: Botafogo e Atlético-MG, com todo o respeito que as belas histórias merecem, não são maiores que Atlético, Coritiba, Sport e Bahia. O novo ranking da CBF atesta isso.

O Corinthians, que iniciou como centro dessa discussão na coluna desta quarta no Metro Curitiba, vale quanto pesa. A torcida corintiana, bem como a do Flamengo, são as maiores do Brasil. Eles atraem mais interesse, mais público, vendem mais PPV, merecem ganhar mais. E assim sucessivamente. A ressalva é que essa não deve ser a única maneira de se distribuir o bolo.

Tenho tido a oportunidade de transmitir jogos do Campeonato Alemão pelo Terra (fica o convite, é ao vivo e gratuito) e, a despeito da liderança isolada do Bayern, a competição toda é mais acirrada. Aquele equilíbrio que o brasileiro gosta de propagar, hoje acontece muito mais na Alemanha. Se o ano do Bayern é excepcional, o atual bicampeão é o Borussia Dortmund e Schalke 04, Bayer Leverkusen, Eintracht Frankfurt e Sttutgart se permitem sonhar com a taça ou ao menos uma vaga na Liga dos Campeões – coisa que, no Brasil, tem se restringido a poucos pela Libertadores, obviamente.

Leia também:

– Paraná Clube entra na Bovespa

– Na Alemanha, rádio compra direitos de transmissão

– Artigo: quem perde na briga do Atlético com a imprensa?

A culpa passa longe de quem paga. É, na verdade, de quem vende: os clubes. Os que estão no topo, obviamente, não se incomodam com a situação. Muitas vezes estão amarrados a dívidas e antecipam receitas, se comprometendo mais e mais. Mesmo no seleto grupo dos 12, já vemos clubes sentindo os efeitos: as campanhas do Botafogo são apenas regulares e o Palmeiras, não fosse a conquista da Copa do Brasil (outro estilo de competição) teria uma avaliação recente desastrosa. No entanto, todos são complacentes com a situação. O seu clube também. Os efeitos são sentidos até mesmo na Seleção Brasileira, já não tão querida pelos torcedores em boa parte do Brasil pela falta de identidade e que, com o desamparo aos clubes menores, passará a ter menos fontes para seus craques.

Ok, até aqui, nenhuma novidade (e obrigado pela paciência na leitura). E qual seria uma solução? O exemplo mais democrático está na Inglaterra, liga mais rentável do Mundo, vendida em todo o Planeta. A arrecadação de TV é dividida de três maneiras: 70% igualmente entre os clubes; 15%, pelo retorno de audiência; outros 15%, pela classificação dos clubes no ano anterior. Além disso, os clubes que sobem da segunda divisão para a primeira recebem um auxílio especial na primeira temporada. A intenção? Deixar o campeonato competitivo. Claro, o poderio do Manchester United e dos dólares russos do Chelsea e árabes do Manchester City tem restringido a disputa a esses três. Mas aí é atrativo individual de cada um que, como receita de sócios e camisa, passa pelo mérito de cada um.

Para esse tratado, fiz um estudo sobre como seria a distribuição de renda no Brasil usando o modelo inglês. Os cálculos não são precisos (matemática nunca foi o meu forte) mas a distorção é pequena – algum leitor mais hábil com números pode ficar a vontade para me corrigir, especialmente na divisão por audiência. A base do cálculo foi a tabela da Premier League que está nesse link. Nela, os últimos lugares da tabela foram ocupados pelos clubes que subiram para a Série A em 2012. Observe:

A diferença entre o que receberia o Corinthians para o que receberia o Vitória, do maior para o menor valor, seria de apenas 21 milhões. O Corinthians continuaria recebendo mais, justamente, e continuaria forte, aproveitando-se ainda dos valores que recebe pela camisa, sócios, etc. Mas o campeonato poderia ser mais equilibrado. A distância para o Vitória seria, digamos, mais honesta. Afinal, o que se espera de uma disputa é que ela seja equilibrada, o que gera interesse. Não à toa, as ligas norte-americanas de basquete e futebol americano são as mais lucrativas do planeta entre todos os esportes. O segredo? O time com pior desempenho no ano anterior é o primeiro a escolher o melhor calouro no draft. Equilíbrio, senhores.

Ainda há mais um fator relevante a se discutir: as dívidas dos clubes com o Governo. Na Europa, a punição é severa. Os tradicionais Napoli e Fiorentina faliram e tiveram de começar em divisões inferiores italianas – o Napoli se recuperou a ponto de comprar o CNPJ (ou como for na Itália) antigo. O Rangers, um dos dois gigantes escoceses, vive esse drama agora. Mesmo sendo um Flamengo da Escócia, foi à falência recomeçou na 4a divisão. Sem perdão. Aproveitei o estudo para fazer um comparativo entre a principal receita dos clubes e a dívida pública, divulgada pela Revista Galileu. O Sport foi o único clube do qual não encontrei dados, mesmo em outras fontes. As cores estão divididas em: vermelho para dívidas com duas vezes ou mais da principal receita, laranja para dívidas pouco maiores ou ainda dentro de um limite suportavel, azul para as dívidas pequenas e amarelo para a única exceção, que segundo a reportagem tem até valores a receber:

A última notícia é de que Governo e CBF estudam punir os clubes devedores. Seria um esvaziamento e tanto na Série A – mas é aguardar pra ver. Diante da ideia de se modernizar o futebol nacional, seria um passo e tanto.

Os 14 grandes: CBF insere Coritiba e Atlético entre clubes “do eixo” em novo ranking

O novo ranking da CBF, a ser divulgado em janeiro de 2013, traz boas notícias para coxas-brancas e atleticanos. Levando em consideração o desempenho dos clubes de todas as séries do Brasileirão e também na Copa do Brasil, Coritiba e Atlético se inserem entre os chamados “12 grandes” do Brasil, os clubes de SP, RJ, MG e RS. A ideia da CBF é dinamizar o ranking deixando-o mais atualizado, contabilizando somente as últimas 5 temporadas.

A notícia foi divulgada pela ESPN – clique para ler e ver o ranking completo.

Segundo a matéria, Fluminense e Corinthians disputam a ponta do ranking. O Flu foi campeão brasileiro em 2010 e está prestes a ser novamente; o Corinthians venceu em 2011 e nesta temporada deu mais importância à Libertadores. A ESPN divulgou a lista dos clubes já com a aplicação dos novos critérios, explicados na tabela abaixo:

As 20 primeiras equipes do ranking seriam as seguintes:

O Coritiba, bi-vice-campeão da Copa do Brasil, bi-campeão da Série B e 8o no Brasileirão de 2011 estaria pouco abaixo do Cruzeiro, na 11a posição, subindo duas posições. O Atlético, quinto colocado no Brasileirão 2010 e com duas quartas-de-final da Copa do Brasil no período (2007-2012) ficaria acima do Botafogo-RJ e atrás do Atlético-MG, na 13a posição, seis acima da que ocupa no ranking anterior. Bahia e Sport, também clubes de grande torcida e campeões brasileiros, aparecem em 17o e 20o lugar respectivamente.

  • Demais paranaenses

Boa para a dupla Atletiba, a mudança derruba o Paraná no ranking e eleva Corinthians-PR/J. Malucelli. O Tricolor, fora da Série A desde 2007, quando disputou a Libertadores, perdeu 4 posições. Operário, Iraty, Cianorte, Arapongas, ACP e Roma também aparecem no ranking. O  Londrina, campeão da Série B em 1980 e 34o no ranking anterior, aparece em 136o lugar na nova contagem, pois está fora das séries do Brasileirão desde 2005, quando foi 14o na Série C e não se manteve em competições nacionais.

Veja o ranking só com os clubes paranaenses:

11o – Coritiba – 12924 pontos
13o – Atlético – 10953 pontos
27o – Paraná – 5904 pontos
77o – Corinthians-PR/J. Malucelli – 770 pontos
85o – Cianorte – 585 pontos
95o – Operário – 408 pontos
122o – Iraty – 262 pontos
125o – Arapongas – 255 pontos
136o – Londrina – 203 pontos 
172o – ACP – 100 pontos
191o – Roma – 25 pontos

Green Hell, por que não?

Festa de luzes e cores no Couto: por que não?

Na semana que passou o futebol deu mais um passo para trás. No clássico paulista entre Santos x Corinthians (0-1) pela Libertadores, a PM proibiu aquilo que chamou de provocações: faixas das torcidas tirando sarro dos rivais. “Eterno 7 x 1” e “Às vezes em segundo, nunca na Segunda” eram textos vistos frequentemente dos dois lados quando os times se encontram e que no jogo da Vila Belmiro foram vetados, sob a justificativa de preservar a paz. No entanto, isso não impediu a torcida do Santos de, reprovadamente, retirar o capacete de um PM de SP e atirá-lo ao gramado. Com isso, já surgiram comentários espirituosos como “no próximo clássico, vão proibir torcedores com mãos de ir ao estádio”. É o velho raciocínio preguiçoso das autoridades brasileiras: matar o cachorro para acabar com as pulgas.

Proibir é a regra, estejam certos ou errados os torcedores. O “Green Hell” criado pela torcida coxa-branca é uma bonita festa de cores (verde, claro), luzes e fogos e não incita ninguém à violência. Também não deixa os jogadores em campo em perigo – talvez deixe os adversários do Coxa um pouco assustados, no máximo. Serve para “incendiar” o ambiente, no sentido mais positivo da palavra. É parte da mística do futebol. Aquela que tentam acabar a cada dia.

Talvez o “Green Hell” tenha um outro problema: atrasa um pouco o início do jogo. Não que o horário seja uma preocupação central de quem transmite o evento. Afinal, o horário das 22h já privilegia a imensa maioria de interessados que não vai ao estádio, ficando no conforto do lar, com ou sem aquela cervejinha (a mesma proibida nos estádios desde antes dos episódios de 2009 no Couto, por exemplo) na mão. Os poucos privilegiados que podem ver o espetáculo ao vivo (tanto pelo preço quanto pela disposição) já sabem – e creio que não se importem – que um jogo in loco tem seus atrasos. Vão demorar a chegar em casa e o que querem mesmo é ao menos voltarem felizes ou orgulhosos.

“Secretamente” (se é que há como organizar algo coletivo numa rede social sem que ninguém saiba), a torcida do Coritiba pretendia surpreender o time e a diretoria com um “Green Hell ilegal” na partida dessa quarta-feira contra o São Paulo, no jogo de volta (0-1 SP ida) pela Copa do Brasil. Foi o que bastou para o clube soltar uma nota de esclarecimento que diz, entre outras, que “o clube também pede a colaboração de seu torcedor para que não traga ao estádio nenhum tipo de fogos de artifício, piscas ou sinalizadores, lembrando que haverá uma revista minuciosa na entrada dos torcedores.” Algo do tipo, “nem vem que não tem.”

Nesse ano, contra o Ceará pela Copa do Brasil, a torcida do Paraná fez sua parte levando sinalizadores e fazendo uma bonita festa. O clube acabou julgado no artigo 213 do CBJD pelo atraso de 3 minutos, em que podia ser punido de R$ 1 mil a 100 mil por minuto de atraso.  Foi apenado em R$ 1,2 mil – possivelmente 50 a 60% do valor da festa que a torcida coxa pretende fazer.

Mas o que importa mesmo é que ninguém tem um “porque” decente para o não. O “Green Hell” é esporádico (cada vez mais) o que só valoriza a ação; não agride, não ofende – embora os narradores fiquem com a respiração trancada por alguns minutos; talvez atrase um pouco o jornal, mas, vá lá, nem todos os filmes da madrugada são tão bons assim. Entre proibições, o futebol vai perdendo seu encanto. Deviam deixar pelo menos o pessoal torcer em paz.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 30/05/2012

O rompante de Vilson

Mexeu com a comunidade esportiva a forte entrevista do presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, após a derrota (2-3) para o Botafogo no último final de semana. Vilson qualificou torcedores como “imbecis” e fez questão de ressaltar que quem manda no Coxa é ele. Pausa. Vilson é um ser humano e como qualquer outro é sujeito a rompantes emocionais. Apesar de generalizar na declaração, o dirigente qualificou de imbecis não à todos os coxas-brancas, mas sim aos que ofendiam a esposa de Jonas (que não jogou nada mesmo), presente nas cadeiras e que saiu em defesa do marido. Seguimos. Não é natural de Vilson Andrade essa postura, de fazer questão de lembrar quem manda no Coritiba. O rompante emocional é justificável, desde que não seja tendência. Governa-se de duas maneiras: ou pelo amor, ou pela dor. Até aqui, Vilson foi paz e amor. O outro caminho existe, mas não creio que seja tomado – muito embora nunca se viu crise no Coxa com ele no comando.

O estádio, história sem fim

À pedido do Paraná Clube, a CBF remarcou o jogo da próxima terça, 05/06, entre Atlético e Ipatinga, da Vila Capanema para o Germano Kruger, em Ponta Grossa. A partida de depois de amanhã, do Atlético contra o Barueri, segue na Vila. O jogo entre Atlético x Goiás, também marcado para a Vila para um sábado, 16/06, agora está indefinido na tabela da CBF. Vamos por partes: o Paraná tem razão em chiar. Jogou ontem na Vila, joga amanhã pela Série Prata contra o Serrano, verá o Atlético jogar contra o Barueri  na sexta e caso a CBF marcasse o jogo contra o Ipatinga pra Vila, o gramado teria que agüentar ainda jogos nos dias 05, 07 e 09 de junho. Não agüenta. E nisso não estou contando nem a imposição absurda por falta de habilidade atleticana na negociação, nem o orgulho besta que permite que o Tricolor rasgue dinheiro.

Autofagia

Fato é que o jogo contra o Goiás, dentro de 19 dias, ainda pode ser na Vila. Quiçá no Couto, em Paranaguá ou em Ponta Grossa. Ninguém sabe. A CBF, creio, irá pensar e pesar caso a caso, uma vez que os clubes de Curitiba, cada qual com seu quinhão de razão, não chegaram a um consenso. É o retrato típico da cidade em que vivemos: pra que construir, se é mais fácil atrapalhar? “A Copa na cidade não presta”, “Aquele ator é curitibano? Desconfiava” ou “Nosso trânsito é um lixo.” Escolha sua linha de raciocínio e admita: o curitibano não sabe progredir em conjunto. Se em cinco anos não houve consenso, não seria durante o campeonato que o Atlético – cuja postura presidencial mais repele que agrega – iria conseguir ser visto como parceiro de um evento benéfico para a cidade. Ah!, Curitiba, tão linda e tão retrógrada.

Copa do Brasil

Preferia que o Coxa jogasse a primeira das semifinais em casa. Mas o que vale é não se assustar com o Morumbi, daqui há 17 dias. Muito menos com o irregular São Paulo.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 16/05/2012

Ainda o estádio
“O Atlético transferiu pra CBF a responsabilidade. A Copa do Mundo é da CBF, nossas obras são para a Copa, ela que indique o estádio. Jogaremos onde a CBF indicar, até na China.” Esse é Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em entrevista ao jornalista Oswaldo Eustáquio, da TVCI canal 14, sobre o local onde o Atlético deve mandar os jogos na Série B do Brasileiro. O prazo para indicação do local ao menos do primeiro jogo, dia 5 de junho, acaba hoje. Couto Pereira, Vila Capanema e até o Caranguejão, em Paranaguá, estão na lista. O presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, esteve na CBF ontem, depois de dar novas entrevistas negando a intenção de alugar o estádio. A diretoria do Paraná, por sua vez, também já afirmou que não quer alugar mais a Vila Capanema. Todos têm sua dose de razão e pecou-se pela falta de diálogo. Seja qual for a decisão da CBF, alguém sairá desagradado.

Copa do Brasil
Em campo, por ora ainda na Vila Capanema, o Atlético recebe o Palmeiras. Jogo bom para esquecer o fracasso no Estadual e tentar chegar pela primeira vez às semifinais da Copa do Brasil. Confronto muito igual. Palmeiras conta com Marcos Assunção, Valdívia e o recém-chegado Mazinho como armas; já o herói-que-virou-vilão Guerrón é a grande arma atleticana. Na gangorra do futebol, jogo bom pra ele se recuperar. Em Salvador, tem Coritiba e Vitória. Com a moral do tri-estadual, Coxa pega o vice-baiano, que tem o artilheiro do Brasil, Neto Baiano, 31 gols. Trazer um empate com gols é de se comemorar. Confronto muito parelho também, com leve favoritismo coxa – mas que passa muito por bom resultado hoje.

E o Brasileiro?
Copa do Brasil hoje, Brasileirão Séries A e B já no final de semana. Tricampeão estadual, o Coritiba é o único paranaense na elite. Objetivamente, com os times que vieram até aqui, Coxa briga pelo G10. Está atrás de Santos, Corinthians, Fluminense, São Paulo, Vasco e Internacional. Se reforçar, pode sonhar com Libertadores. O resto dos times é igual ou pior. Na Série B, Atlético brigará pelo G4 com emoção com o elenco atual. Se reforçar, cumprirá a obrigação de subir. É o grande time da segundona 2012. Tem como adversários Guarani, Vitória, Goiás, Avaí, Ceará e Criciúma. O Paraná corre por fora. Tem potencial pra sonhar, mas tem as limitações de sempre, a começar pelo dinheiro. Outro problema do Tricolor é a maratona de jogos. Jogou segunda, joga hoje em Rolândia, sábado contra o Guarani, terça contra o Goiás. Sobra na B local, mas não terá moleza na nacional. E se não ganhar os dois turnos locais, compromete o calendário em mais dois jogos, se obrigando a jogar semifinal e final, mesmo se tiver melhor campanha. E não pode abrir espaço na B nacional, para não sofrer. Caiu no campo, mas a desorganização das tabelas e regulamentos é um crime contra o Paraná Clube.

Adeus, Corinthians Paranaense

Timãozinho acaba em junho (foto: Geraldo Bubniak/FutebolPR.net)

O Campeonato Paranaense se foi e com ele, vai embora também o Corinthians Paranaense. O polêmico acordo entre o J. Malucelli Futebol S/A e o Corinthians Paulista se encerra, três anos depois, com o saldo de um vice-campeonato e uma grande revelação: o volante Jucilei, hoje no Anzhi, da Rússia.

O Corinthians-PR foi tratado com desprezo pelas torcidas locais, que consideraram um ultraje ao futebol paranaense a anexação de uma marca paulista ao cotidiano paranaense – especialmente após a divulgação da última grande pesquisa de torcidas no Paraná, que aponta o Corinthians Paulista como o time de maior preferência, a frente, pela ordem, de Atlético, Coritiba e Paraná Clube. O fato da bandeira do Estado de São Paulo ter ficado no escudo do clube só aumentou a rejeição. Na época, o presidente de honra do clube, Joel Malucelli, explicou que o Corinthians-SP vetou a bandeira paranaense no escudo por conta das cor verde, que remete ao rival paulista, o Palmeiras.

Conversei com Joel Malucelli sobre a reversão do Timãozinho em Jotinha – com o clube voltando a se chamar J. Malucelli Futebol S/A – a experiência com a marca corintiana e o cenário do futebol paranaense:

Napoleão de Almeida: Porque o Corinthians Paranaense vai acabar?
Joel Malucelli: O prazo vencia em junho. E já estamos com tudo na FPF e CBF para mudar de novo. E esperamos que a marca do Jotinha, um nome simpático, volte a agradar as pessoas.

NA: E por que não deu certo?
JM: O motivo principal era tentar agregar torcedores. E não tivemos sucesso, não adianta. Até porque também porque o time não foi bem dentro de campo. E a bandeira de São Paulo no Corinthians Paranaense não pegou bem. E mesmo os corintianos de São Paulo não se entusiasmaram com o Corinthians-PR. Nós lançamos um plano de sócios, chegamos a ter 200, foi o máximo que conseguimos. Mas a maioria era funcionários do grupo [J. Malucelli]. E como a seguradora J.Malucelli cresceu muito no Brasil, nós vamos aproveitar pra trabalhar esse marketing. Estamos renegociando pra tentar renovar com o Coxa [clube do qual Joel foi presidente nos anos 90] também.

NA:  O Estado do Paraná tem algumas particularidades. No norte, por exemplo, vive-se muito mais o Estado de São Paulo que a própria terra. Vocês não pensaram em explorar mercadologicamente esse público em Londrina ou Maringá?
JM: A gente pensou em levar para Maringá, seria fantástico. Mas pra nós que moramos aqui em Curitiba, pros empresários virem ver os jogadores, é mais fácil ficar. A nossa estrutura está aqui. E tem outra coisa: eu estou nisso mais por paixão. E pra curtir a paixão só ela estando perto da gente.

NA: E você não ia querer uma Gaviões da Fiel no seu pescoço em cada derrota…
JM: (risos) Não! Também tem isso, não quero não, principalmente o Juarez [Malucelli, irmão e presidente do clube], iam me pedir o pescoço dele! Mas o J. Malucelli, o Corinthians-PR, a gente no grupo [J. Malucelli, com quase 70 empresas em diversas áreas] considera projeto social. Nós não queremos fazer aporte de dinheiro, até porque eu sou apaixonado por futebol, mas muitos sócios do grupo não são.

NA: E fora a negociação do Jucilei, o acordo valeu?
JM: Só o Jucilei já valeu. Mas o Ronaldo [volante] também foi um jogador nosso vendido ao Corinthians. E o futebol vale, como paixão. É o teu hobby e sendo Jota ou Corinthians você está fazendo o que gosta. Tá vendo os guris se desenvolvendo, nós temos uma estrutura muito boa. Logo, nós teremos que ser a 4ª força do futebol paranaense. Fomos vice-campeões em 2009, até com o Leandro Niehues de técnico. Esse ano ele não foi bem. Nós vamos mudar um pouco a filosofia e vamos usar mais a base. E vamos aproveitar o relacionamento que temos com Atlético, Coritiba e o próprio Corinthians pra usar mais jogadores dos planteis deles.

NA: Como o Douglas, que chegou ao Paraná?
JM: Pois é. Poderia ter vindo pra cá, era só ter um trabalho nosso. Nós temos um menino [o meia Matheus] que veio do Corinthians e que nos ajudou a se salvar no campeonato. Chegamos a nos preocupar, porque fora de Curitiba o time não tinha resultados. E foi um pouco de teimosia do pessoal que toca futebol lá, insistir com jogadores que já passaram pelo clube.

NA: E agora o clube para no profissional. Como você vê os estaduais, levando pouco público, sendo deficitários?
JM: Alguma coisa tá errada quando acontece isso. A televisão absorveu muito público. Mas eu estive no Atletiba da Vila Capanema. E ver no campo é outro jogo, outra sensação. Só que o estacionamento é caro, a comida não é boa, há o problema da segurança. Em casa o cara vê no HD. Mas precisamos mudar esse quadro.

Jucilei

Na busca por alguns gols do ex-jogador do Timãozinho, achei essa reportagem muito bacana da Record com o jogador. Vale assistir: