Um feito para a história

Emerson: jogada aérea, com gramado encharcado, seria mortal. E foi. (foto: AI)

Aguerrido, pragmático, preciso. Seja qual o adjetivo escolhido para qualificar o Coritiba que eliminou o São Paulo e está pela segunda vez seguida na decisão da Copa do Brasil. O Coxa foi melhor que o São Paulo nos dois jogos e, convenhamos, nem passou tanto sufoco assim, muito embora Vanderlei tenha feito duas boas defesas. Não houve um único destaque: todos em campo jogaram demais. Até mesmo o criticado Roberto. Se há algum mérito individual – nenhum que se sobresaia ao coletivo – é para o técnico Marcelo Oliveira, que foi ousado na escalação e não arredou pé durante os 90′.

Agora, a decisão. Seja contra Palmeiras ou Grêmio – dois papões da Copa do Brasil – o Coritiba chega em pé de igualdade. Deve pegar o Verdão paulista (a se confirmar hoje) o que pode ser melhor por um fato significativo: o Palmeiras não tem casa. Enquanto o Couto Pereira tem a impressionante marca de 11 vitórias seguidas (incluindo 2011) pela Copa do Brasil a favor do dono da casa.

Campeão ou não, o Coxa justifica cada palavra escrita neste texto (clique para ler). Agora é impossível prever. Mas é possível colocar o Coritiba 2011/12 entre um seleto rol, com uma curiosa tendência, a ser observada abaixo.

O Coritiba se junta à Grêmio, Corinthians (este, por duas vezes) e Flamengo como únicas equipes a chegar a duas finais de Copa do Brasil consecutivas. E a história aponta que o torcedor coxa-branca pode sonhar como nunca antes com o título.

Os times que conquistaram esse feito antes levantaram o caneco na segunda decisão – exceção ao Flamengo, que perdeu as duas.

Em 1993, o Grêmio perdeu a taça para o Cruzeiro; em 94, papou o Ceará. Os gaúchos ainda conseguiram a proeza de chegar novamente em 95, mas perderam para o Corinthians.

Em 2001, o Corinthians levou o troco na final, perdendo para o Grêmio. Mas voltou no ano seguinte e foi campeão, sobre o Brasiliense. Nova dobradinha corintiana em 2008/09: derrota para o Sport, vitória sobre o Internacional.

Só o Flamengo, vice do Cruzeiro em 2003 e do Santo André em 2004, não aprendeu a lição de um ano para outro.

Restará ao Coritiba mostrar, à Palmeiras ou Grêmio, que também tirou lições de 2011. E levantar mais um título nacional, o primeiro da Copa do Brasil para o Paraná, o primeiro de grande importância desde 1985.

Prorrogação

Tcheco não parou nesta quarta. Bem conversado, vai até  dezembro – ou a Libertadores, porque não?

Loucura

Os coxas são mesmo uns loucos, ao menos para Mário Celso Petraglia.

Arremate

Por corporativismo barato e em desrespeito à constituição brasileira, fui impelido (com “l” mesmo) de trabalhar na partida entre Coritiba x São Paulo por uma associação de classe que se pretende reguladora de profissão. O tempo e a justiça mostrarão a verdade. Em tese, o torcedor não tem nada com isso. Mas paga por encontrar um mercado viciado – e reclama, muitas vezes generalizando os profissionais de imprensa. Há males que vem para bem e tomara que seja o caso, o início de uma nova mentalidade na imprensa.

Em tempo: agradecimento à vários colegas e ao Coritiba Foot Ball Club pelo suporte no caso.

Retratos

Aproveitei o feriado prolongado para visitar familiares no norte do Paraná. A predileção dos paranaenses nortistas pelo futebol de São Paulo não é mais nenhuma novidade e já foi abordada no Videocast #005.

Mas graças a alguns novos amigos e a TV a Cabo, não é mais impossível acompanhar os times da capital por lá. E assim sendo, consegui ver no sábado um pouco dos jogos do final de semana, com as derrotas de Atlético e Coritiba e a vitória do Paraná, no finzinho do jogo.

Entre um jogo e outro, apesar do assunto principal na região ser Corinthians x Santos, alguns se interessaram em saber como anda o futebol paranaense. Respondi que incorremos num erro, amparados sobre uma leitura errada do conceito de “isonomia”: a de que os três são iguais entre si e sempre que há uma análise, deve ser feita em conjunto. É um erro clássico, que mais atrapalha do que ajuda os clubes locais. Não são iguais, especialmente nesse momento. E cada qual deve ser lido e analisado como exclusivo.

O Coritiba, por exemplo. Começou mal o Brasileiro, mas dado o equilíbrio da competição, uma solitária vitória o mantém longe da famigerada zona de rebaixamento. Mas o Coxa, único representante paranaense na elite nacional, não deve ser comparado aos rivais sob qualquer prisma.

O peso de uma análise sobre o Coritiba deve ter somente o seu momento. E no jogo contra o Flamengo ficou claro que o problema está na ausência de um camisa 9 competente. O time do Flamengo é fraco. E ao repatriar Adriano e manter o reinado da balbúrdia em seu elenco, o time carioca deve sofrer nesse Brasileirão. No entanto, dominar o jogo durante boa parte do tempo não impediu o Coxa de perdê-lo. Ao contrário: à distância, o placar de 1-3 é incontestável.

A verdade é que dentro das expectativas, o Coritiba tem mesmo que se dedicar ao máximo aos dois jogos da Copa do Brasil que o separam da final. E então tentar o único título nacional que passa a ficar ao alcance dos times da terrinha. A longo prazo, será impossível competir com Corinthians, São Paulo, etc., dado o poderio financeiro desses clubes. Enquanto o Coxa pena para achar um 9 que cabe no bolso, o Corinthians dispensa Liédson. Disse aos colegas do interior que não se deve esperar mais que um 8o a 12o lugar desse time do Coritiba, mas que o São Paulo – time da preferência de alguns por lá – que bote as barbas de molho, porque em mata-mata, há a possibilidade.

Dentro do nosso costume “isonômico” de tratar o Trio, diferente entre si, da mesma maneira e com o mesmo espaço, o maior crime que se comete é com o Paraná Clube.

Equiparar o Tricolor – outrora até superior em campo e em patrimônio – à dupla é retardar a recuperação do clube. É exigir de quem não tem recursos o mesmo poder de fogo dos demais. Em Maringá, onde também estive, alguns assistiram aos jogos contra os Grêmios pela Série Prata. Ou ao menos disseram que assistiram, já que a própria cidade não sabe quem abraçar entre os dois clubes locais. Fato é que o Paraná, curiosamente o único a vencer no final de semana, não pode ser cobrado no nível dos outros clubes da capital. Tem menor aporte, menor poder financeiro. Briga para voltar à elite paranaense e se manter na Série B nacional. Será um ano a se comemorar se as coisas acabarem assim, com um resgate mais humilde. E isso deve ser passado ao torcedor. O Paraná hoje é menor que os rivais – o que não significa que o amor da torcida, buscando apoiar, participar e compreender, deva ser.

A decepção fica por conta do Atlético.

Mais do que o elenco fraco (foi vice-campeão em um campeonato de dois clubes, com derrotas e tropeços para equipes semiamadoras como o Roma de Apucarana), ou as invencionices do técnico, o problema atleticano é psicológico. O clube segue rachado. Maior orçamento da Série B, o Furacão passa longe de fazer jus ao apelido.

Em campo, um time que não tem laterais, tem apenas um zagueiro, um volante e um meia já em idade avançada, repatriou eternas promessas e fez apostas duvidosas em reforços. Um time barato, mas ineficaz. E acredito que seis meses depois da posse da nova gestão, já se possa fazer essa avaliação. E aqui entramos no real problema do Atlético, que tem recursos para buscar as soluções no gramado: a política. Criticar as escolhas da atual gestão não significa esconder o que foi mal feito no passado. Ao contrário: o passado, passou.

O Atlético hoje se escora nos erros de uma gestão infeliz em 2011 e na revolução de 1995, como se isso bastasse para que o time vencesse times de poder de fogo muito menor, como Boa Esporte e CRB. O passado vitorioso não garante um futuro vencedor, nem a canonização de quem o fez. A diretoria atual vive um estado de negação. Um distúrbio psicológico que impede os gestores de assumirem escolhas erradas e mudarem o rumo das coisas. Quem critica, é contra, é “talibã”, é adversário.

Pior do que a negação é a ausência total de compromisso com a transparência no encaminhamento do projeto de futebol do clube. A gestão de futebol jamais veio a público explicar como o Atlético retornará à elite nacional, critérios de contratação e dispensa, padrão de jogo e tudo mais; limitam-se a dizer o óbvio: o projeto é subir. Em uma das poucas aparições públicas, o diretor de futebol atleticano se mostrou indiferente às cobranças de alguns torcedores. Ao que parece, a cúpula rubro-negra vive em um mundo maravilhoso, onde em breve, mesmo sem reforços, esse time jogará como nunca e ascenderá à elite sem dificuldades. E quando isso acontecer, ai dos “detratores”. Nesse racha, nesse cenário, o Atlético está andando para trás.

Foi então que um dos colegas soltou um “que pena” e voltou a falar de Corinthians x Santos. Sequer pude condená-lo. Mas, como disse no videocast, ao menos o Coritiba terá uma chance, depois de amanhã, de tentar mudar um pouco essa história.

Adeus, Corinthians Paranaense

Timãozinho acaba em junho (foto: Geraldo Bubniak/FutebolPR.net)

O Campeonato Paranaense se foi e com ele, vai embora também o Corinthians Paranaense. O polêmico acordo entre o J. Malucelli Futebol S/A e o Corinthians Paulista se encerra, três anos depois, com o saldo de um vice-campeonato e uma grande revelação: o volante Jucilei, hoje no Anzhi, da Rússia.

O Corinthians-PR foi tratado com desprezo pelas torcidas locais, que consideraram um ultraje ao futebol paranaense a anexação de uma marca paulista ao cotidiano paranaense – especialmente após a divulgação da última grande pesquisa de torcidas no Paraná, que aponta o Corinthians Paulista como o time de maior preferência, a frente, pela ordem, de Atlético, Coritiba e Paraná Clube. O fato da bandeira do Estado de São Paulo ter ficado no escudo do clube só aumentou a rejeição. Na época, o presidente de honra do clube, Joel Malucelli, explicou que o Corinthians-SP vetou a bandeira paranaense no escudo por conta das cor verde, que remete ao rival paulista, o Palmeiras.

Conversei com Joel Malucelli sobre a reversão do Timãozinho em Jotinha – com o clube voltando a se chamar J. Malucelli Futebol S/A – a experiência com a marca corintiana e o cenário do futebol paranaense:

Napoleão de Almeida: Porque o Corinthians Paranaense vai acabar?
Joel Malucelli: O prazo vencia em junho. E já estamos com tudo na FPF e CBF para mudar de novo. E esperamos que a marca do Jotinha, um nome simpático, volte a agradar as pessoas.

NA: E por que não deu certo?
JM: O motivo principal era tentar agregar torcedores. E não tivemos sucesso, não adianta. Até porque também porque o time não foi bem dentro de campo. E a bandeira de São Paulo no Corinthians Paranaense não pegou bem. E mesmo os corintianos de São Paulo não se entusiasmaram com o Corinthians-PR. Nós lançamos um plano de sócios, chegamos a ter 200, foi o máximo que conseguimos. Mas a maioria era funcionários do grupo [J. Malucelli]. E como a seguradora J.Malucelli cresceu muito no Brasil, nós vamos aproveitar pra trabalhar esse marketing. Estamos renegociando pra tentar renovar com o Coxa [clube do qual Joel foi presidente nos anos 90] também.

NA:  O Estado do Paraná tem algumas particularidades. No norte, por exemplo, vive-se muito mais o Estado de São Paulo que a própria terra. Vocês não pensaram em explorar mercadologicamente esse público em Londrina ou Maringá?
JM: A gente pensou em levar para Maringá, seria fantástico. Mas pra nós que moramos aqui em Curitiba, pros empresários virem ver os jogadores, é mais fácil ficar. A nossa estrutura está aqui. E tem outra coisa: eu estou nisso mais por paixão. E pra curtir a paixão só ela estando perto da gente.

NA: E você não ia querer uma Gaviões da Fiel no seu pescoço em cada derrota…
JM: (risos) Não! Também tem isso, não quero não, principalmente o Juarez [Malucelli, irmão e presidente do clube], iam me pedir o pescoço dele! Mas o J. Malucelli, o Corinthians-PR, a gente no grupo [J. Malucelli, com quase 70 empresas em diversas áreas] considera projeto social. Nós não queremos fazer aporte de dinheiro, até porque eu sou apaixonado por futebol, mas muitos sócios do grupo não são.

NA: E fora a negociação do Jucilei, o acordo valeu?
JM: Só o Jucilei já valeu. Mas o Ronaldo [volante] também foi um jogador nosso vendido ao Corinthians. E o futebol vale, como paixão. É o teu hobby e sendo Jota ou Corinthians você está fazendo o que gosta. Tá vendo os guris se desenvolvendo, nós temos uma estrutura muito boa. Logo, nós teremos que ser a 4ª força do futebol paranaense. Fomos vice-campeões em 2009, até com o Leandro Niehues de técnico. Esse ano ele não foi bem. Nós vamos mudar um pouco a filosofia e vamos usar mais a base. E vamos aproveitar o relacionamento que temos com Atlético, Coritiba e o próprio Corinthians pra usar mais jogadores dos planteis deles.

NA: Como o Douglas, que chegou ao Paraná?
JM: Pois é. Poderia ter vindo pra cá, era só ter um trabalho nosso. Nós temos um menino [o meia Matheus] que veio do Corinthians e que nos ajudou a se salvar no campeonato. Chegamos a nos preocupar, porque fora de Curitiba o time não tinha resultados. E foi um pouco de teimosia do pessoal que toca futebol lá, insistir com jogadores que já passaram pelo clube.

NA: E agora o clube para no profissional. Como você vê os estaduais, levando pouco público, sendo deficitários?
JM: Alguma coisa tá errada quando acontece isso. A televisão absorveu muito público. Mas eu estive no Atletiba da Vila Capanema. E ver no campo é outro jogo, outra sensação. Só que o estacionamento é caro, a comida não é boa, há o problema da segurança. Em casa o cara vê no HD. Mas precisamos mudar esse quadro.

Jucilei

Na busca por alguns gols do ex-jogador do Timãozinho, achei essa reportagem muito bacana da Record com o jogador. Vale assistir:

2o. Turno do Brasileiro: em que acreditar – e por que

Por que e em que acreditar nesse segundo turno do Brasileirão?

Vai começar o segundo turno do Brasileirão. É apenas simbólico. Na verdade, tudo continua como antes, apenas com a tabela com menos jogos pela frente. Mas o que é a vida senão uma sequência de interpretações simbólicas, como quando pulamos sete ondas e vestimos branco no ano novo? Poderia ser apenas mais um ciclo de 24h, mas não é. E se for para usar como impulso, porque não?

Sendo assim, farei uma análise técnica, apesar do momento ser puramente sentimental, do que esperar das equipes no segundo turno no Brasileirão 2011. A começar pela dupla da terrinha na Série A:

Atlético

1o. Turno: 17º lugar, 18 pts, 31.6%

Resumo: Viveu o pior início de Brasileiro de todos os tempos, conseguindo a primeira vitória somente na 11ª rodada, ao superar o Botafogo em casa (2-1). Foi o terceiro jogo de Renato Gaúcho no comando do Furacão; com ele, em 30 pontos, a equipe fez 17 – 56,6% de aproveitamento, o mesmo do Palmeiras, sexto colocado, o que fez o time se agarrar na esperança de repetir o feito do Grêmio/10 do mesmo Renato: da ZR para a Libertadores.

Renato: com ele, o Atlético mudou (foto: Joka Madruga)

Pior momento: A derrota para o Fluminense (1-3), na 7ª rodada, com erros do então goleiro Márcio e do zagueiro Rafael Santos. A equipe completava a sexta derrota em sete jogos e o único ponto fora conseguido em casa, no empate com o Flamengo (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2), em confronto então direto, já que o Peixe de Neymar amargava a ZR. Era o início da reação que chegou a tirar o Furacão da ZR por uma rodada – o que pode voltar a acontecer se vencer o xará mineiro nesta quarta.

No que acreditar: Nas mudanças que já aconteceram e nas que podem vir, como a chegada de algum centroavante (pedido insistente do técnico) ou o retorno e decolagem dos gringos Morro Garcia, Nieto e/ou Guerrón. Para entender o que já mudou, vamos ver as diferenças entre o time da estréia e o provável time do início do 2º turno:

1ª rodada: Atlético-MG 3-0 Atlético

Renan Rocha; Rômulo (Wendel), Manoel, Rafael Santos e Paulinho; Deivid, Cléber Santana (Adaílton), Paulo Roberto e Marcelo Oliveira; Paulo Baier (Madson) e Guerrón.
Técnico: Adilson Batista

Em negrito estão os jogadores que deixaram o time titular do Atlético de lá para cá; alguns sequer são opções do novo treinador, Renato Gaúcho. Do banco ao ponta, nada menos que seis mudanças em relação ao provável time:

20ª rodada: Atlético x Atlético-MG

Renan Rocha; Wagner Diniz, Gustavo, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kleberson, Cléber Santana, Marcinho e Madson; Edigar Junio.
Técnico: Renato Gaúcho

Do time acima, além da recuperação do futebol de Cléber Santana e da entrada de Fabrício, destaca-se o crescimento de Deivid e a chegada de Marcinho, ao lado de Renato, símbolo da recuperação atleticana.Vale dizer que a escalação acima está sem dois titulares: o zagueiro Manoel e o lateral-direito Edilson. Aposta ainda nas recuperações físicas de Paulo Baier e Paulo Roberto e nas recuperações técnicas de Madson e do trio de ataque internacional.

Com o que se preocupar: Não tem atacantes. Como futebol tem por base o número de gols marcados, é alerta vermelho nesse item. Também depende da estabilidade emocional do técnico Renato Gaúcho e da permanência do mesmo até o final do ano, já que o “projeto” passa totalmente por ele. Se acontecer o mesmo que em 2010, quando Carpegiani trocou o clube pelo São Paulo FC, pode dar problema.

Projeção: Escapa do rebaixamento, mas não aspira nada mais que a Copa Sul-Americana. Para tanto, precisa de cerca de 26 pontos em 57, 45,6% – menos que o índice atual de Renato.

Coritiba

1o. Turno: 9º lugar, 26 pts, 45.6%

Resumo: Começou o campeonato dividindo atenções com a Copa do Brasil, da qual foi finalista. Com o passar dos jogos, deu a impressão de ter sentido a perda do título da copa e de não estar 100% no Brasileiro. Faz uma campanha regular – ótima para um clube que esteve à beira da falência em 2009-10 – mas aquém do que a equipe demonstrou ter poder para fazer e abaixo da exigência da torcida, que ficou com um gosto de “quero mais” ainda em 2011.

Pior momento: Pode ser considerado o jogo contra o São Paulo FC em casa (3-4), quando chegou a estar perdendo por 0-4 e atuando com um homem a menos. Ainda assim, o Coxa não teve um momento ruim: acabou diminuindo suas pretensões em pequenos tropeços, como na estréia com o Atlético-GO (0-1) ou empates em casa com Inter (1-1) e Palmeiras (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2) na Vila Belmiro, épica. Virou uma partida contra um adversário em recuperação, com Neymar e Borges no ataque, superando uma arbitragem confusa, que errou em demasia, em especial em um lance claro de pênalti em Leonardo. Ali, provou que as cobranças da torcida por melhores resultados tem fundamento.

No que acreditar: Na qualidade do elenco, que em 2011 já demonstrou que pode mais do que vem fazendo, em jogos como o 6-0 no Palmeiras pela Copa do Brasil e nas goleadas nos Atletibas, 4-2 e 3-0. A perda preciosa de pontos contra adversários diretos em casa e resultados ruins contra times em situação inferior na tabela desanimaram, mas sabe-se que o time tem potencial. Em relação a estréia no campeonato, pouco mudou, o que fortalece o conjunto:

1ª rodada: Coritiba 0-1 Atlético-GO

Edson Bastos; Jonas (Willian), Cleiton, Emerson e Lucas Mendes (Geraldo); Leandro Donizete, Léo Gago, Rafinha e Davi; Anderson Aquino (Éverton Costa) e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Em negrito, os jogadores que não vêm sendo muito utilizados – Cleiton, por exemplo, foi emprestado e se machucou. Levando-se em conta os desfalques de Tcheco e Jéci por suspensão, o Coxa estréia no returno assim:

20ª rodada: Atlético-GO x Coritiba

Edson Bastos; Jonas, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Leandro Donizete, Léo Gago, Willian e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Na rápida comparação, o time é praticamente o mesmo da estréia e quem não estava, pode ser considerado reforço. Pereira é segurança na zaga, apesar de ter dificuldade em jogadas mano a mano; Willian ganhou o respeito da torcida e o titular, Tcheco, dá ritmo a meia-cancha mais do que Davi fez enquanto teve chances; e Marcos Aurélio é mais atacante que Anderson Aquino.

O otimismo com o Coritiba é justificável se os próprios jogadores reencontrarem o nível de atuações que vinham tendo no Estadual, na Copa do Brasil e em algumas rodadas do Brasileiro.

Coxa comemora: segredo está no elenco

 

Com o que se preocupar: Com a fase de Edson Bastos. A muralha alviverde vive período conturbado, cobrada pela torcida. Pode sentir e goleiro, como diz a música, não pode falhar. Também tem carências no ataque, ressentindo-se de um matador; Bill oscila bons e maus jogos, o que explica também a oscilação do time.

Projeção: Classifica-se ao torneio consolação, a Copa Sul-Americana. Para fazer mais, precisará somar 33 a 34 pontos em 57, 59,6% de aproveitamento – é o índice que tem hoje o Botafogo, detentor da vaga que o Coxa aspira.

E os demais?

América-MG (20º/13pts): Dificilmente escapa do rebaixamento. Será decisivo em jogos contra rebaixáveis e aspirantes ao título: quem perder pontos para o Coelho, estará em maus lençóis.

Atlético-GO (12º/25pts): Brigará para não cair no final do campeonato, mas é um dos que menos corre riscos. Ficará com vaga na Sulamericana.

Atlético-MG (19º/15pts): Vive situação dramática, mas tem elenco, torcida e camisa. Vai até o fim brigando para não cair. A sequência de derrotas com Cuca (o coxa-branca sabe) pode ser fatal.

Avaí (18º/17pts): Já demonstrou que não vai se entregar com facilidade, em jogos contra Figueirense e São Paulo. Mas é outro que briga para não cair com dificuldades.

Bahia (16º/20pts): Não está fácil ser um dos primeiros do alfabeto: também brigará para não cair. Está em decadência e perdeu Jobson por problemas extracampo. Amargou anos nas divisões inferiores e, apesar da gigantesca e apaixonada torcida, terá dificuldades quando precisar de fôlego.

Bahia: só com muita fé do povão

 

Botafogo (5º/34pts): Vai chegar a Libertadores. Tem elenco e um bom técnico, Caio Júnior. Desta vez a frase “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” não irá emplacar.

Ceará (13º/25pts): Enganou bem, mas vai acabar brigando para não cair. Tem um time envelhecido e instável.

Corinthians (1º/37pts): É líder e vai até o final brigando pelo título com Flamengo e São Paulo. E se acostume, porque com os novos valores das cotas de TV, será assim até o fim. Meu palpite? Não fica com a taça.

Cruzeiro (7º/ 27pts): Está abaixo do que pode render. Depende demais de Montillo em dias inspirados. Mas pode engrenar e ser o principal adversário do Botafogo na briga pela Libertadores.

Cruzeiro e a Montillodependência

 

Figueirense (10º/26pts): Sabe aquela equipe que fica o campeonato inteiro no meio da tabela e quando menos percebe, está ameaçada de rebaixamento? Então, é o Figueira.

Flamengo (2º/36pts): Está em segundo, mas pela campanha no ano, o técnico que tem (Luxemburgo) e os craques Thiago Neves, Ronaldinho, mesmo dependendo de Deivid ou Jael, é o favorito para o título. Poderá ser Hexa em 2011.

Ronaldinho tem feito a diferença no Fla

 

Fluminense (11º/25pts): O atual campeão brasileiro não cai, não vai disputar título, não vai para a Libertadores… 2012 tá aí.

Grêmio (15º/21pts): Viverá um final de ano dramático. Vai até o fim brigando para não cair. Ao lado de Atlético e Atlético-MG, é daqueles que tem de onde tirar recursos quando o cinto apertar de vez.

Internacional (8º/27pts): Sonha com a Libertadores e tem elenco e estrutura para tanto. Terá que correr para pegar Cruzeiro e/ou Botafogo. É o que menos tem chances dos três.

Palmeiras (6º/32pts): Só Felipão salva. Assistir o Palmeiras jogar é um desafio a compreensão do porquê o Alviverde paulista está entre os postulantes à Libertadores. Construindo estádio, não terá fôlego para a briga. Sulamericana à vista.

Santos (14º/22pts): Fará uma campanha de recuperação no 2º turno e chegará entre 12º e 8º lugar antes de ir medir forças com o Barcelona e outros menos famosos no Mundial de Clubes.

São Paulo (3º/35pts): Acabará sendo o principal obstáculo do Flamengo ao Hexa. E pode ser Hepta, coroando de vez a era Rogério Ceni. Tem força, elenco e vai brigar até o fim.

Vasco (4º/35pts): Com a missão do ano cumprida, já achava difícil que o Vasco tivesse pernas para ir até o fim sonhando com a dupla coroa nacional; sem Ricardo Gomes, vai depender muito de como a equipe e a diretoria reagirão ao que acontecer com o treinador.

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