Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/04/2012

Fifa: muitas mudanças no projeto irritam comitê local

A obra da Arena da Baixada em Curitiba está sendo tocada sem alvará de construção, sob uma licença especial e supervisão diária de um grupo da secretaria de urbanismo da prefeitura. Tudo porque a Fifa mudou mais uma vez as exigências para a Arena – segundo informações, a sexta vez desde 2007. Pequenos detalhes que atrasam ainda mais a construção do estádio. As constantes mudanças irritaram o comitê local, que agora corre para regularizar novamente o alvará. Atualmente, a obra tem o relatório prévio ambiental aprovado. Na próxima terça (24) o Atlético terá nova reunião no conselho deliberativo para debater esse e outros assuntos – como por exemplo cobrar uma participação mais efetiva dos governos na operação.

Prêmio gordo

Tentando retomar o prestígio nacional perdido com o rebaixamento em 2011, o Atlético ofereceu aos atletas e comissão técnica um prêmio gordo pelo título da Copa do Brasil: 50% dos ganhos do clube até a conquista. Significa dizer que quem estiver no grupo atleticano em uma virtual conquista pode faturar R$ 1,97 milhões a serem rateados entre os membros. Vale dizer que o Atlético está apenas no terceiro grupo de cotas da CBF por não estar na Série A nem entre os 10 melhores do ranking nacional, recebendo o menor percentual de cota.

Câmeras, ação!

Demorou, mas finalmente a Vila Capanema poderá receber a capacidade máxima de torcedores (20 mil pessoas): o clube instalou e apresentou laudos ontem das sete câmeras de seguranças que faltavam para que o estádio se enquadrasse nos pedidos do Estatuto do Torcedor. A medida já vale para o jogo de hoje, entre Paraná e Ceará, pela Copa do Brasil. O clube instalou três câmeras por conta e contou com parceiros, que bancaram o custo de outras 4. Os valores e nomes dos parceiros não foram divulgados. O Paraná precisa de empates em 0-0 ou 1-1 ou da vitória por qualquer placar para avançar na competição. Será o quarto jogo oficial do clube em 2012.

Torcida única reloaded

A medida antidemocrática e sectária de se realizar o clássico Atletiba com torcida única deverá ser referendada hoje, após uma reunião entre a PM, a FPF e os clubes. O Ministério Público, único que pode evitar a medida se protestar formalmente, deve compactuar com aquilo que o mesmo, ainda no primeiro turno, classificou como “rasgar o Estatuto do Torcedor”. Os ingressos devem ser postos a venda a partir de quinta. A coluna não discute se a torcida do Coxa deve ter direito a ir sozinha já que não pode ir no primeiro e sim o absurdo que a medida anterior – e essa – faz com a desportividade e convivência. Em tempo: no jogo de ida, só com atleticanos, houve violência do mesmo jeito.

Que beleza de camisa! #21 – Especial Atletiba #350

"Ai meu Deus... que jogão! Quem será que ganha??"

Pra matar as saudades da linda Kelly Pedrita, um “Que Beleza de Camisa!” especial sobre a 350a edição do clássico mais tradicional do futebol paranaense. E ninguém pode reclamar: a eterna musa do (ex) Jogo Aberto Paraná vestiu as duas camisas, para deleite das duas torcidas.

São 349 jogos e muita história até aqui. Para essa partida no Couto, alguns números (com ordem pelo mandante do clássico):

Último jogo (349): Atlético 0-0 Coritiba, em 22/02/2012, na Vila Capanema
Último jogo no Couto Pereira: Atletiba 347 – Coritiba 1-1 Atlético, em 27/08/2011

No Couto Pereira: 192 jogos – 84v Coritiba – 59 empates – 49v Atlético

Coritiba

Última vitória: Atletiba 346 – Atlético 0-3 Coritiba, em 24/04/2011, na Arena
Última vitória no Couto Pereira: Atletiba 345: Coritiba 4-2 Atlético, em 20/02/2011

Atlético

Última vitória: Atletiba 348 – Atlético 1-0 Coritiba, em 04/12/2011, na Arena
Última vitória no Couto Pereira: Atletiba 334 – Coritiba 0-2 Atlético, em 20/01/2008

As camisas:

Esse foi o uniforme número 3 do Coxa em 2006, ano em que o clube esteve na Série B, liderou por várias rodadas, mas despencou na reta final e não conseguiu o acesso. Foi usado poucas vezes ao longo do ano, que teve apenas um Atletiba: o 332, na Arena, válido pela Copa 100 anos e vencido pelo Atlético por 4-1. O Coritiba não usou essa camisa nesse jogo; o uniforme foi usado ocasionalmente na Série B nacional e aposentado na temporada seguinte. Mesmo assim, considero uma das camisas mais bonitas do clube, numa leitura diferente com dois tons de verde e discretas luminosidades brancas.

Esse foi o uniforme titular do Atlético em 2010, quando o Furacão quase voltou à Copa Libertadores – acabou o Brasileirão a uma posição da classificação. Foi usado por toda a temporada e em parte de 2011. Em 2010, foram dois Atletibas: o 343, 1-1 na Arena, e o 344, vencido pelo Coritiba no Couto Pereira, 2-0. Acho essa a camisa mais bonita da história recente do Atlético, por ser simples e clara, resgatando a gola, e com as listras em destaque e cores firmes.

Ambas camisas fazem parte do meu acervo pessoal (como a maioria da série de posts Que Beleza de Camisa!).

“Não se corrige um erro com outro”, me ensinou meu pai

O Coritiba pode perder entre amanhã e quarta uma chance histórica de demonstrar grandeza e ser condizente com a campanha “Amo minha terra, torço pelo meu Estado”, que quer mostrar a força do povo paranaense.

Pode dar um tapa de luva naqueles que buscaram a separação e o sectarismo, ser um exemplo de convivência, desportividade e de que nossa sociedade tem saída.

Mas que, talvez por serem poucas as vozes em prol do convívio pacífico, pode ficar para trás.

Para que isso aconteça, para que não se caia na vala comum, basta que o Coxa não aceite realizar o Atletiba 350 com torcida única e abra os portões do Couto Pereira para cerca de 3 mil atleticanos, mostrando como se faz um evento com segurança e beleza desportiva.

Rivais sempre, inimigos jamais.

Dirão que “no primeiro turno foi assim e é justo que agora seja assim também”; ok, porém está errado. “Um erro não se corrige com outro”, me ensinou logo cedo meu saudoso pai.

O que foi feito goela abaixo daqueles que gostam de futebol não precisa ser repetido. Um clássico esvaziado, sem a riqueza do colorido das arquibancadas, sem a flauta entre as torcidas. Uma ode à intolerância, que pouco adiantou, pois os episódios de violência aconteceram em pontos da cidade, como sempre acontecem. Nos terminais, nos bairros mais afastados, em que a PM deve agir ostensivamente. Não no estádio, em que a maioria gosta de futebol.

Dirão ainda que a vantagem técnica de se jogar com torcida única não pode ser desperdiçada. Balela. O Atletiba 350 pode dar o returno ao Coxa e o título ao Furacão. O estádio jamais estará vazio e isso significa dizer que serão quase 30 mil coxas, 10 vezes mais do que a eventual carga atleticana. Certamente, gente disposta a pressionar o rival do primeiro ao último minuto. Combustível para os dois lados, de qualquer jeito: um para embalar, outro para calar.

Dirão também que, se o Coritiba aceitar isso, será um passo atrás, será um demonstrativo de fraqueza. Errado. Será um demonstrativo de força e de inteligencia, pois também poderá melhorar a arrecadação ao invés de deixar um espaço às moscas no estádio.

Afinal, com ou sem acordo – e é bom que você saiba disso – os ingressos destinados ao Atlético deverão ser reservados e não poderão ser comercializados mesmo que o Furacão não os peça. É a reserva técnica, já feita no primeiro jogo, para o caso de algum consumidor entrar com uma ação judicial (para você ver como o caso é enrolado).

É um momento único de se demonstrar grandeza, de escolher qual caminho seguir no nosso futebol. Em Minas Gerais os clássicos vêm sendo realizados com torcida única há algum tempo. Desportivamente, o Cruzeiro segue surrando o Atlético-MG, porque em campo tem mais time; fora dele, as torcidas continuam quebrando o pau. Ano passado, uma morte e vários feridos nos confrontos. Já na Bahia, as torcidas de Vitória e Bahia se uniram e disseram um sonora NÃO a iniciativa sectarista. Não há relatos de confrontos entre torcidas em Salvador, pasmem.

Está nas mãos do Coritiba. Sim, porque não é preciso que o Ministério Público perca tanto tempo com isso. Não é possível que nossa polícia não seja capaz de reprimir a violência nos dias de jogos. Não é admissível que você, torcedor de bem, se tranque em casa enquanto destroem a cidade, com ou sem torcida única nos jogos.

É alimentar a roda da discórdia e ver onde isso vai parar ou, como diria um cabeludo famoso por aí, “oferecer a outra face”?

*Em tempo: não sei de quem é o carro, mas estava há alguns dias no Bosque Alemão e achei muito bacana a imagem.

Abrindo o Jogo – Coluna do Jornal Metro Curitiba de 11/04/2012

Nem lá, nem cá

Do feriado da Páscoa para cá muito se falou do encaminhamento do financiamento do BNDES para a Arena; primeiro, ou por erro de interpretação, ou por vontade exagerada de comemorar uma vitória, Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, divulgou que o banco havia confirmado a cessão do valor. Dias depois o BNDES finalmente se manifestou: “Houve interpretação incorreta por parte do clube. O empréstimo apenas avançou uma fase. Passou de carta-consulta para pedido enquadrado”, informou a assessoria do banco. Traduzindo do tecniquês, o pedido do Atlético foi formalizado com documentos aprovados e agora passará pela análise de viabilidade técnica. Mas, nem Petraglia com pressa de (con)vencer na parada, nem algumas divulgações da negativa do banco em financiar a obra foram precisas.

O perigo

É improvável que o BNDES não aprove o projeto do Atlético para o Mundial 2014, por N razões – especialmente a necessidade política que Curitiba e o Paraná têm de realizar o evento, o que deve desburocratizar alguns quesitos. Mas não é impossível. E o custo pode ser alto. Em carta enviada à coluna, o ex-presidente do conselho fiscal do Atlético e ex-diretor administrativo do BRDE (versão regional do banco nacional de desenvolvimento) Amadeu Geara, alertou sobre alguns problemas na conduta do caso. Primeiro, a informalidade dos acertos entre a atual gestão do clube e o governo; depois, a maneira com a qual pretende-se ser feito um aporte financeiro via Estado para a obra. E por fim a insistente relutância de Mário Celso Petraglia em trazer essas informações às claras, seja pela imprensa, seja somente ao conselho do clube.

Fútbol brasileño

Juan Ramón Carrasco, técnico uruguaio do Atlético, não gostou de ser questionado pela improvisação do zagueiro Manoel como atacante no jogo do último final de semana com o Corinthians-PR (1-1) e soltou um “não sei como é aqui no Brasil, mas no Uruguai quem manda é o treinador.” Carrasco, que no geral faz um bom trabalho de reestruturação no clube (sem quase nenhum reforço, diga-se), passou um pouquinho no ponto, então é bom situá-lo: no Brasil, o futebol é o mais vitorioso do Mundo, com 5 Copas. E aqui funciona assim: se tomou uma decisão, explica-se e debate-se. As conseqüências são a cobrança e quem sabe até a perda do emprego – mas aí vai dos resultados e do patrão. Bem vindo ao país do futebol, Juan.

Escola de Gestão

A aposentadoria de Tcheco, antecipada há 15 dias aqui na coluna e confirmada ontem pelo próprio, pode ser o início de um trabalho essencial para o futebol paranaense: o processo sucessório nos clubes. Tcheco, 36 anos, curitibano de nascença e identificado com o Coxa, passará a trabalhar na administração do futebol alviverde ao lado de Felipe Ximenes. Tem perfil, já é empresário. A iniciativa é uma saída para que se construa uma escola de gestão no Estado, para que nossos clubes não vivam de brilharecos a cada década, esperando surgirem novos Evangelinos, Jofres, Petraglias ou Vilsons da vida.

Dallas Cup: ganhar é bom, mas o importante é revelar

Coxa bateu o alemão Frankfurt e decide com o Manchester United

O Coritiba enfrenta às 20h de hoje, em Dallas-EUA, o Manchester United da Inglaterra em busca do título da Dallas Cup, competição tradicional na categoria Sub-20.

Claro que vencer a competição dará alegria ao torcedor e prestígio aos jogadores, técnico e ao clube, internacionalizando a marca. Mas não é o principal.

O Coxa tentará conseguir o que o Atlético conseguiu duas vezes, em 2004 e 2005. Bicampeão nas temporadas citadas, o Furacão atualmente não tem um time S-20. O Coxa, aliás, é o único brasileiro na competição, que já revelou jogadores como Wayne Rooney e Michael Owen e foi vencida 10 vezes por clubes brasileiros nos 27 anos de disputa. Nas duas conquistas do Atlético, os adversários foram o Argentinos Jrs. (2004) e o Santos Laguna-MEX (2005).

Resolvi dar uma olhada no elenco do Furacão bicampeão da Dallas Cup nos anos citados para ter uma base do real valor dos títulos: as revelações e quem realmente deu certo entre os profissionais.

Hoje no Coxa, Anderson Aquino foi bicampeão pelo Atlético

A lista não é animadora – e aqui está o grande alerta para quem está gerenciando a base do Coritiba hoje. Muitas vezes o time é bom na base por ter conjunto, não necessariamente peças que possam ter sucesso entre os profissionais. Daqueles dois times atleticanos, dois jogadores verdadeiramente tiveram destaque com a camisa rubro-negra: o zagueiro Rhodolfo, hoje no São Paulo, e o volante Chico, atualmente no Palmeiras. Os demais, ou tiveram algum brilhareco ou desapareceram no mercado da bola.

O goleiro Vinícius, atualmente titular, o meia Evandro (vice da Libertadores 2005), os atacantes Anderson Gomes (que passou pelo Coxa), Anderson Aquino (hoje no Coritiba) e Schumacher (que teve destaque rápido no time titular em 2005), levantaram a primeira taça atleticana. O técnico era Lio Evaristo, que atualmente está no Operário. Nenhum conseguiu grande destaque no Atlético ou rendeu grande valor em dinheiro. Todos tiveram chances no profissional, o que é fundamental – e não está acontecendo hoje no Coritiba. Outro que era daquele time e rendeu uma boa venda ao futebol russo, ao Locomotiv Moscow.

No ano seguinte, o Atlético levou metade do elenco campeão, reforçado por outros nove jogadores – entre eles Chico. Nenhum foi aproveitado no elenco profissional. Ilustres deconhecidos como Thiago Gasparino e Leandro Bravin. O técnico era Leandro Niehues, hoje no Corinthians-PR.

O técnico Zé Carlos vem colhendo bons resultados com o Coritiba na base. Foi semifinalista na Copa São Paulo 2012 (o Atlético também) e terá que assumir uma continuidade do que fazia Marquinhos Santos, que agora é da base da CBF, trabalhando na Seleção. As principais promessas, já apresentadas na Copa São Paulo, são os meias José Rafael e Thiago Primão (em especial) e o atacante Alex, que enjoou de fazer gols na competição nacional (7, fechando como vice-artilheiro).

Mas de nada valerá se os meninos do Coxa não tiverem espaço no time titular e forem trabalhados para integrar elencos profissionais, não apenas formarem bons times na base. A mentalidade vencedora, formada já na base, valoriza a possível conquista de hoje. Mas, ganhando ou perdendo, é importante que os clubes saibam fazer a migração correta das revelações para o time profissional.

O twitter oficial do Coritiba (@coritiba) e o da Dallas Cup (@dallascuplive) acompanharão o jogo lance a lance. Eu atualizarei o resultado após a partida aqui no blog.

Atualização: O Coritiba venceu o Manchester United por 2-1, gols de Alex e Zé Rafael, e ficou com a taça!

 

O erro de Vinícius

E se fosse outro goleiro que tivesse protagonizado o lance incomum em Criciúma 1-2 Atlético? Fiquei pensando nisso após o fim da partida. Se não fosse Vinícius que estivesse no gol, será que a reclamação seria unânime na hora do lance? Será que a grita dos torcedores e de grande parte da imprensa local seria diferente? Pra mim, sim.

Vinícius é estigmatizado por aqui. Tudo ainda por um erro de quatro anos atrás, que custou ao Atlético o título paranaense contra o Coritiba. Na época, 2008, um choque entre Vinícius e o então zagueiro Danilo proporcionou que Henrique Dias descontasse para o Coxa, que havia vencido o jogo de ida por 2-0. O gol de HD deixou o placar em 2-1. O Atlético venceu, mas não levou. E Vinícius ficou marcado para sempre.

Sem carregar a mesma cruz nacionalmente, a análise da imprensa nacional foi mais objetiva: o árbitro José de Caldas Souza (DF) errou grosseiramente. “Erro primário”, analisou Leonardo Gaciba, ex-árbitro e comentarista de arbitragem do SporTV. No lance, o auxiliar Marrubson Melo Freitas levantou a bandeira na hora, mas Caldas bancou o lance e prejudicou o Atlético. Veja o lance, uma entrevista de Vinícius e a análise de Gaciba, no vídeo abaixo:

Por aqui, deu-se mais atenção à “mosqueada”de Vinícius. Eu, inclusive, tive dúvidas no lance, muito rápido. Mas admito que tive dúvidas na aplicação da regra, que na verdade não é nada interpretativa. É só ler o trecho abaixo, extraído do livro de regras do futebol da CBF:

O goleiro não deverá manter a posse da bola em suas mãos por mais de seis segundos. O  goleiro estará de posse da bola:

• enquanto a bola estiver em suas mãos ou entre sua mão e qualquer superfície (por exemplo: o solo, seu próprio corpo)

• enquanto segurar a bola em sua mão aberta estendida

• enquanto bater a bola no solo ou lançá-la ao ar

Quando o goleiro controlar a bola com suas mãos, nenhum adversário poderá disputá-la com ele.

Não há dúvidas: o árbitro errou gravemente e prejudicou o Atlético. É só rever o lance: Vinícius está com a mão estendida enquanto Zé Carlos retira a bola com a cabeça. Falta do atacante, que custou caro ao Furacão.

Sim, caro. Porque o time poderia ter conseguido a vaga para a outra fase da Copa do Brasil ainda ontem. Agora terá que disputar uma nova partida. Acredito que a vantagem de poder perder por 0-1, empatar e vencer, seja boa o suficiente para que o Atlético confirme a vaga, mas terá um desgaste de um jogo a mais na reta final do Paranaense. E qualquer jogo a mais, um cansaço a mais, no futebol moderno, é inchaço de calendário, dificuldade de recuperação, treinamento a menos. O Atlético deve cobrar da CBF uma postura contra a arbitragem.

Mas, e Vinícius? O goleiro foi condenado antes mesmo de uma noção maior das regras. “Vinícius não serve”, “Um erro infantil”, e outras críticas. E assim foi por 2008, não por 2012. Qualquer outro goleiro na meta e, estou convencido, todos seriam mais complacentes com o jogador e menos com o árbitro. O lance passaria de “duvidoso” para “absurdo”.

Vinícius não é o goleiro ideal para o Atlético. Ontem mesmo falhou em outros dois lances, uma furada com os pés em uma saída de bola no primeiro tempo e um “bate-roupa” no segundo,  do qual se recuperou a tempo. Mas ele deve ser julgado pelo que vem fazendo, não pelo que errou antes. O Atlético não precisa de um Barbosa* no gol.

Curiosidade

Foi impossível ver o lance e não lembrar da micagem de Rodolfo Rodrigues pelo Bahia, contra o Cruzeiro de Ronaldo, em 1993. Relembre o lance, validado pelo árbitro:

*Barbosa foi o goleiro da Seleção Brasileira de 1950, que perdeu a decisão para o Uruguai em um Maracanã lotado, 1-2. Ele fez parte de um dos mais vitoriosos times da história do Vasco, o Expresso da Vitória, seis vezes campeão carioca entre 1945 e  1958 e campeão do Sul-Americano 1948, o embrião da Taça Libertadores. Barbosa era um exímio goleiro, mas carregou por toda a vida o estigma de ter falhado no gol de Ghiggia, o do título uruguaio. A bola passou entre ele e a trave em um chute a queima-roupa. Mas a falha foi mesmo da zaga, que não fez a cobertura correra. Barbosa morreu em 2000 aos 79 anos, depois de, como ele mesmo dizia, “cumprir uma pena de 50 anos, maior que a de qualquer criminoso julgado pela Justiça no Brasil.”

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 04/04/2012

Paradas indigestas

Atlético e Coritiba iniciam nessa semana a segunda fase da Copa do Brasil; o Paraná, na semana que vem. Ninguém terá moleza. O Coxa pega hoje o ASA de Arapiraca, com perspectiva de jogo duro no interior de Alagoas, sem Rafinha. O Atlético terá amanhã um gostinho do que o espera na Série B nacional ao pegar o perigoso Criciúma. Já o Paraná, que só entra em campo semana que vem (11/04), pega o Ceará, líder do Cearense e adversário também na Série B. A vantagem dos três é poder decidir em casa e, quem sabe, eliminar o segundo jogo se vencerem por dois ou mais gols de diferença.

Torcida contra?

Se passar para a próxima fase da Copa do Brasil, o Paraná Clube irá complicar a vida da FPF, que se recusou a antecipar a segunda divisão estadual e teve que enxertar nada menos que 21 jogos em 60 dias, pelo conflito de datas com a Série B nacional. A tabela, refeita na última semana, prevê dois jogos entre 1 e 3 de maio; se eliminar o Ceará, o Paraná entra em campo pela Copa nacional dia 2 do mesmo mês, acabando com o paliativo de duas datas da FPF. Será que tem diretor de federação torcendo contra?

Cáceres, só em julho

O Coritiba aguarda o fim do contrato entre o volante Luís Enrique Cáceres e Cerro Porteño para retomar as negociações e trazer o reforço ao Brasil. O jogador está perto de ganhar passe livre e o clube paraguaio tem “blindado” o jogador, que vem atuando pouco no Campeonato Paraguaio. Em julho o jogador deve assinar com o Coxa, com quem já tem proposta firmada. Com 23 anos, Cáceres pode ser a grande aposta alviverde para acertar a saída de jogo da equipe para o Brasileirão, deficiente desde a saída de Léo Gago para o Grêmio.

Paranaense Sub-20 esvaziado

Atual campeão, o Atlético se recusou a disputar o Paranaense Sub-20, que teve início no último final de semana. O clube não deu muitas explicações sobre o porquê de abrir mão de disputar a última categoria antes do profissional no Estadual, mas os jogadores foram deslocados para um time Sub-23, que tem realizado amistosos. Já o Coritiba inscreveu um time com média de idade dois anos abaixo da categoria, com o time Sub-20 excursionando pelos EUA para a Dallas Cup. Na estréia, o Coxa perdeu por 0-1 para o Corinthians-PR.

Articulando

Hélio Cury, presidente da FPF, esteve ontem em um almoço no Rio de Janeiro com José Maria Marin, novo presidente da CBF. Cury e os presidentes das federações gaúcha, carioca, catarinense e baiana estiveram aparando arestas. Quando da renúncia de Ricardo Teixeira, o grupo queria uma nova eleição para o comando da entidade, mas respaldado principalmente pela federação paulista, Marin assumiu o cargo como vice-presidente mais velho.

Copa do Brasil: mini-guia da segunda fase

O Operário tombou, mas o trio da capital segue firme na Copa do Brasil, com jogos nessa semana (à exceção do Paraná Clube, que só entra em campo dia 11).

Assim sendo, vamos ao mini-guia da segunda fase da competição, que ainda permite que um time avance se vencer o primeiro jogo fora de casa por 2 ou mais gols de diferença. Melhor para os paranaenses, que pegam times pior ranqueados na CBF e têm essa possibilidade.

ASA x Coritiba 

Depois de penar mais que o esperado para superar o Nacional-AM, o Coxa faz o “clássico do frango” contra a ASA: Agremiação Sportiva Arapiraquense. Será o primeiro jogo dos paranaenses nessa fase, já amanhã (quarta, 4).

Vitima de uma jocosa comparação do cantor de MPB Chico Buarque na música “E Se…”, com um verso que duvidava da capacidade do Arapiraca ser campeão, o ASA já não é mais uma galinha morta – com o perdão do trocadilho. É o atual campeão alagoano (são 7 títulos ao todo) e está na Série B do Campeonato Brasileiro.

O Coxa não terá moleza e pela bola que vem jogando, deve fazer o jogo de volta em Curitiba, marcado para 11/04. No ASA, o destaque é o atacante Neto Potiguar, que já defendeu Bahia e Guarani e jogou no futebol mexicano. O técnico é Heriberto da Cunha, ex-Atlético. No atual campeonato alagoano, o ASA é o 2o colocado no segundo turno, depois de perder a decisão do primeiro nos pênaltis para o CRB. Quatro equipes avançam às semifinais dos turnos. Na última rodada, o ASA ficou no 2-2 com o CSE (sim, em Alagoas quase todos os times são conhecidos pelas siglas. Na primeira divisão, são 5 dos 10: CRB, CSA, CSE, CEO e ASA.)

Na história são 2 jogos, com duas vitórias do Coxa, 4 gols marcados e 1 gol sofrido. O último jogo foi no Couto Pereira, em 25/09/2010, vitória por 2-0.

Se passar pelo ASA, o Coxa pega o vencedor de Sport Recife x Paysandu.

Criciúma x Atlético

Parada indigesta para o Furacão na vizinha Santa Catarina, na quinta-feira 05/04. O primeiro grande desafio pensando na Série B nacional é o Criciúma, adversário que também está na vida do Atlético na volta da equipe à segunda divisão nacional após 17 anos – jogos marcados para a 18a e 36a rodadas. Antes, a Copa do Brasil, competição na qual o Tigre tem mais know-how que o Rubro-Negro: foi campeão em 1991 sob o comando de Luís Felipe Scolari.

Depois de passar com dificuldades pelo Sampaio Corrêa, está na expectativa atleticana realizar o jogo de volta em 12/04, na Vila. Pela frente, o vice-líder do segundo turno do Catarinense que não foi bem no primeiro turno, mas vem em recuperação. No entanto, levou 3-0 do Joinville na última rodada do Estadual, quando perdeu a liderança.

Pelo lado do Criciúma, rostos conhecidos como o do goleiro Andrey (campeão paranaense pelo CAP em 2005), o ex-coxa-branca Fabinho Capixaba e o ex-paranista Itaqui, destaque da equipe ao lado do artilheiro Zé Carlos, que esteve cotado a defender o Atlético no ano passado. O técnico é o ex-zagueiro Sílvio Criciúma.

Na história, vantagem catarinense: 6 vitórias contra 5 do Atlético e quatro empates.

Se passar pelos catarinenses, o Furacão encara Cruzeiro ou Chapecoense-SC na outra fase.

Ceará x Paraná

Ninguém terá moleza nessa fase da Copa do Brasil, mas talvez seja o Paraná quem tenha as maiores dificuldades na série eliminatória. Beneficiado pelo ranking histórico por apenas 2 pontos de vantagem (1110 x 1108) o Tricolor poderá decidir em casa, contra o Ceará, a vaga na outra fase da competição. A série só se inicia em 11/04, com jogo no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza – a volta poderá ser em 18/04, se o Paraná não vencer por 2-0 a ida.

O grande problema é a inatividade paranista no ano até aqui. Apenas dois jogos oficiais, com um empate e uma vitória sobre o Luverdense-MT em quatro meses de atividade. Enquanto isso o Ceará, que será adversário tricolor também na Série B nacional, ocupa a liderança do Cearense, com 45 pontos em 19 jogos – são 22 ao todo, pontos corridos ida e volta entre 12 times, com os quatro primeiros indo às semifinais. Ou seja: tudo que o Paraná não jogou no ano até aqui, o Ceará abusou.

O time é experiente, com jogadores como o goleiro Fernando Henrique e o zagueiro Daniel Marques (aquele mesmo) que fizeram parte da equipe que caiu para a Série B ano passado, e outros conhecidos, como o lateral-direito Apodi e os atacantes Lima, o “falso lento” ex-Atlético, e Mota, ex-Cruzeiro. O técnico é PC Gusmão.

Paraná e Ceará se enfrentaram na Copa do Brasil 2001 e deu Vovô: 2-2 em Curitiba e 1-3 em Fortaleza. Se o Tricolor passar, pega o vencedor de Palmeiras x Horizonte-CE. E se o Paraná passar, a FPF terá problemas, mas isso você lê aqui.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/03/2012

Rompidos

Não convide para o mesmo evento os presidentes do Atlético, Mário Celso Petraglia, e do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade. Os dirigentes, que trocaram elogios mútuos no início do ano, estão com relações rompidas com os sucessivos episódios envolvendo a necessidade de o Furacão ter um estádio para jogar. Nos bastidores, comenta-se que Vilson e Petraglia estavam próximos de um acerto para o empréstimo do Couto Pereira para o Brasileiro, mas o mandatário atleticano, em paralelo, tentou forçar a barra junto a CBF, com medo de levar um não de Vilson. O coxa-branca, por sua vez, sentiu-se traído e informou a Petraglia que “não quer mais conversa” com ele.

Torcida única em julgamento

A medida por um Atletiba com torcida única, tomada por iniciativa de Petraglia no clássico 349, é outro ponto de discórdia. Andrade concordou com a decisão com a prerrogativa de que o Atletiba 350 também fosse disputado dessa forma; o MP-PR, que poderia impedir a infração ao Estatuto do Torcedor foi complacente. Mas o TJD-PR, através do procurador Marcelo Contini, não. Uma petição de quatro laudas denuncia os clubes, que podem ser apenados em até R$ 100 mil. O julgamento será na quarta que vem pela 3ª comissão. Seja qual a decisão, ela não obrigará nada em relação ao clássico 350, em 22/04.

Tcheco e a gerência de futebol

O meia Tcheco, 36 anos, deverá deixar os gramados em julho, quando o Coritiba pretende realizar uma festa de despedida. A intenção da diretoria do Coxa é convidá-lo para auxiliar Felipe Ximenes na gerência de futebol. “Ele é identificado com o clube e tem perfil”, sinalizou o presidente alviverde Vilson Ribeiro de Andrade.

Parreira e Ney Franco em Curitiba

Calma: nem Juan Carrasco, nem Marcelo Oliveira estão perdendo os empregos. Os dois técnicos da Seleção (o primeiro do tetra em 94, o segundo atual auxiliar de Mano Menezes) estarão em Curitiba em 28/05 no Footecon, o congresso brasileiro dos profissionais de futebol. Será um dia com debates e oficinas para profissionais e entusiastas da área, com a visão de quem está dentro do mercado. As inscrições já estão abertas no site footecon.com.br/curitiba.

Festa do interior

O Coritiba recebe hoje o Londrina no Couto Pereira em jogo que pode encaminhar a conquista do 2º turno pelo time do norte, três pontos à frente do Coxa e cinco a mais que o Atlético nessa etapa do campeonato. Se não levar 5 ou mais gols, o Londrina deixa Curitiba com a liderança. Se vencer então, põe uma mão na vaga da final – a outra já é do Atlético. Desde 2007, quando ACP e Paraná decidiram o campeonato (vitória interiorana), as disputas ficaram apenas entre Atlético e Coritiba. Já o Londrina, três vezes campeão paranaense, não vê a taça desde 1992.

Exclusivo: Vilson Andrade e o momento do Coritiba

A palavra crise andou rondando manchetes sobre o Coritiba nessa semana, quando o time perdeu uma invencibilidade de 48 jogos em campeonatos paranaenses. É bem verdade que a equipe não vem jogando bem, mas também é fato de que chega a ser irônico referir-se a crise quando um time perde pela primeira vez após tanto tempo.

Seja como for, o Coxa teve uma reunião entre diretoria, jogadores e comissão técnica ontem. E amanhã pega o melhor time do returno, o Londrina, precisando de uma goleada por 5-0 para assumir a liderança e tentar uma vaga na decisão, que já conta com o rival Atlético. Em meio a pressão, conversei com o presidente do clube, Vilson Ribeiro de Andrade, que soltou o verbo sobre o momento coxa-branca:

Napoleão de Almeida: O que você enxerga nessa fase do Coritiba?
Vilson Ribeiro de Andrade: Precisamos de três jogadores, já está no planejamento. Estamos esperando a definição da Libertadores, tem muito time inchado, não vai continuar assim. Tivemos problemas médicos no começo do ano e investimos R$ 200 mil em um aparelho isocinético, que previne lesões. É tudo investimento. Temos que trazer três peças para chegar e ser titulares. Eu entendo muito é de finanças, de futebol não entendo muito. Mas o que eu vejo é que o meio de campo não ajustou. Tem que trazer alguém que fará esse trabalho de aproximação. Sem isso, é improvisação e bola parada.

NA: O clube perdeu peças importantes e não repôs a altura. Essa análise é justa?
VRA: Olha… nós tivemos decréscimo no quadro associativo [Nota do blog: o clube afirma ter 19 mil sócios adimplentes e 25 no total, com atraso], passamos esses primeiros meses com prejuízo. Mas veja, Emerson e Rafinha tiveram propostas e nós seguramos. É um esforço que o clube fez. O Grêmio trouxe o Kléber [Gladiador, que quebrou a fíbula] a 560 mil por mês e agora está seis meses fora.

NA: Nos bastidores, muito se falou em salários atrasados. É verdade?
VRA: Quando time não está bem, a primeira coisa é falar em salário atrasado. Não é o caso do Coritiba. No futebol funciona assim: você paga fevereiro até o fim de março. Eu pago primeiro os funcionários e vamos acertando o resto. Mas está tudo de acordo com o que combinamos com o grupo de atletas. Ontem (segunda, 26/03) eu saí da clínica [Vilson está em um tratamento de saúde] e fui direto pra lá. Sentamos com os jogadores, mostrei pra eles a confiança que eu tenho e a responsabilidade que eles tem. Eu disse a eles: quem não estiver satisfeito, não tem problema nenhum. Eu faço a rescisão e pode ir embora.

NA: E eles?
VRA: A conversa foi muito boa. Aqueles que não estiverem no ritmo do grupo nós vamos afastar. Discretamente, sem alarde. Tem gente que não aprendeu espírito de competição. Não adianta qualidade técnica se não tiver esse espírito.

NA: Quem? Existe indisciplina?
VRA: Acredite: não tem indisciplina. O problema é querer competir.

NA: A torcida vem pegando muito no pé do [técnico] Marcelo Oliveira…
VRA: Mandar o treinador embora é jogar para a torcida, tentar agradar. Eu não sou assim. Eu agrado às minhas convicções.

NA: Hoje saiu a informação de que Atlético e Coritiba irão a julgamento no TJD-PR pela medida de permitir uma só torcida no jogo da Vila Capanema. Você pretende repetir a medida no Couto Pereira? Como encara uma definição diferente das partes?
VRA: Se ele [Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético] não cumprir a palavra, eu não estou nem aí. Se quiser por 3 mil atleticanos lá, sem problemas. O estádio tem condições para atender as duas torcidas. O que eu tenho que fazer é por um time em campo pra ganhar o jogo. Mas estou vendo o que há de garantia com o Ministério Público, a polícia, o departamento jurídico… e se ele roer a corda, ficará feio pra ele.

NA: A relação entre você e Petraglia não está boa, pelo visto.
VRA: Eu disse a ele no começo do ano: “Paranaense, esqueça. Brasileiro, podemos pensar [sobre aluguel do Couto Pereira].” Aí estávamos conversando no Hotel Bourbon, eu estava negociando o Couto, mas recebi uma mensagem no meu celular. Ele estava com gente no Rio de Janeiro forçando a CBF a baixar o artigo 7º [artigo do RGC da CBF que dispõe da necessidade de empréstimo compulsório de estádios se a entidade requisitar]. Disse a ele na hora: esqueça, não quero mais negócio. Ele me disse: “então você me aguarde.” Ok, se é assim, tudo bem.

NA: E o estádio novo? Em que pé está?
VRA: Nada muito novo. Estamos negociando. Veja, o estádio do Grêmio levou quase 5 anos para ter tudo aprovado. Talvez até o final do mês a gente tenha alguma posição para levar ao conselho, mas ainda vai tempo.