Abrindo o Jogo – Coluna de 10/10/2012 no Jornal Metro Curitiba


A diferença entre união e complacência

É forte a repercussão da participação de Vilson Ribeiro na festa da torcida organizada do Coritiba, reatando relacionamento cortado desde 6 de dezembro de 2009. Todos se lembram o que aconteceu e como as coisas caminharam para aquilo. Novamente, o Coxa flerta com o rebaixamento. É natural que se pregue união de esforços para que o clube saia disso. Nesse ponto, o gesto é louvável. Mas há real benefício na ação? Além da ficha corrida de alguns dos comandantes das facções, as torcidas organizadas vampirizam os clubes, com uma pirataria branca (venda de camisas, por exemplo), são cortina para guerra de gangues de bairros e ambiente notório de consumo de drogas. Na festa, Vilson disse que a organizada “é a razão da existência do Coritiba.” A grande maioria dos torcedores, “desorganizados”, talvez não concorde. Depois de surgir com novos conceitos e pregar modernidade nessa relação, o dirigente volta atrás. Pode ser só uma “segunda chance” – o histórico não recomenda. Mas 2013 está aí, com eleições no clube. Mário Petraglia, do rival Atlético, se reaproximou da organizada após anos de conflitos no final do ano passado. Foi eleito. A relação é, sem dúvida, perigosa.

Sempre ele

Paulo Baier. Ninguém no futebol paranaense é tão questionado quanto o experiente meia, que com 50 gols marcados com a camisa rubro-negra, mantém-se importante para o clube. Baier paga por não ter bons companheiros há algumas temporadas. Nesta, recebeu reforços no andamento da competição, acabou no banco, mas volta e meia é decisivo, como contra o América-MG. Não acho que possa ser titular, mas é imprescindível no grupo. Se não agüenta os 90 minutos, quando entra, mantém um padrão que vem sendo tocado pelo ótimo Elias. Baier é um ídolo em uma era dura para o Atlético, sem títulos. Mas merece seu lugarzinho na história atleticana.

Calculadora alviverde

O jogo de amanhã é decisivo para o Coritiba. Pegar o Palmeiras no interior paulista é pior para o Coxa, sem dúvida alguma. Em São Paulo, teria pela frente um time mais pressionado pela torcida palestrina, insatisfeita com a goleada no clássico com o São Paulo. A realidade é outra em Araraquara, ainda mais com uma zaga reserva. Mas desde já vale mentalizar: a derrota não será o fim do mundo. O Coxa tem uma vantagem de seis pontos para o Palmeiras, mas já não disputa só com o Verdão a permanência na elite. A Ponte Preta, em franca decadência depois de perder o técnico curitibano Gilson Kleina, pinta como favorita a integrar o grupo de descenso. Portanto, cabeça no lugar e pés no chão com qualquer resultado – claro que evitar a derrota será muito melhor.

Alex

Em São Paulo poucos cogitam que Alex possa defender o Coritiba na próxima temporada. É mais que má vontade com o Coxa; é a negação de que nem tudo na vida é poder, influência e dinheiro.

Atletiba acirrado na nova Câmara dos Vereadores

A nova composição da Câmara Municipal de Curitiba acirrou um “Atletiba” interno, ao menos na soma das preferência clubísticas dos vereadores. Atlético e Coritiba estão empatados na liderança entre os 38 vereadores eleitos, que tomam posse somente em 2013. Junto à atleticanos e coxas, o número dos que não torcem para nenhum time ou preferiram não declarar* torcida antes da campanha. O Paraná aparece somente a frente do Londrina entre os clubes paranaenses citados pelos novos vereadores. Fica abaixo da soma dos que torcem para outros times não-paranaenses. Veja o gráfico acima.

São 9 atleticanos, 9 coxas, 9 que não torcem/não declararam, 6 que preferem clubes de outro estado, 4 paranistas e 1 londrinense. A lista está logo abaixo.

Muda alguma coisa em relação à Copa 2014? Talvez.

CMC: Atletiba acirrado traz alguma consequência à Copa 2014?

De fato, o time do coração não é o que mais pesa na hora de alguma decisão política pró ou contra o Mundial. Ser da base do prefeito ou seguir a determinação do partido no assunto pode ser muito mais significativo em alguma decisão do que somente a preferência esportiva. Outras costuras internas, como troca de apoios, também pesam mais.

Mas, em uma cidade que ainda não comprou a ideia de um Mundial “curitibano”, dividida nas opiniões e nas análises sobre os temas da Copa, a pressão das torcidas pelo sim ou pelo não em um voto pode pesar.

Da “bancada da bola” – candidatos com ligação diretiva nos clubes/torcidas organizadas ou passado como esportista – apenas dois se elegeram: Paulo Rink, ex-atacante do Atlético, e Aladim, ex-atacante do Coritiba. O último, há muito tempo já está na vida pública e até ultrapassou a ideia de que é apenas um vereador “da bola”.

Além disso, ainda faltará a definição do prefeito. O atleticano Ratinho Jr. vai para o segundo turno com o coxa-branca Gustavo Fruet. Ambos, no entanto, devem seguir a cartilha da Copa assinada pelo ex-prefeito Luciano Ducci, paranista.

Ainda é cedo para avaliar se pode ou não haver alguma mudança no panorama político da Copa em função da torcida na Câmara. Mas vale a curiosidade da lista, detalhada abaixo.

Atlético: Dona Lourdes, Jairo Marcelino, Beto Moraes, Professora Josete, Hélio Wirbiski, Edmar Colpani, Paulo Rink, Bruno Pessuti e Paulo Salamuni.
Coritiba: Cristiano Santos, Felipe Braga Cortes, Tito Zeglin, Jonny Stica, Pier Petruzziello, Ailton Araújo, Zé Maria, Aladim e Pedro Paulo.
Paraná: Tico Kuzma, Julieta Reis, Tiago Gevert e Jorge Bernardi.
Londrina: Professor Galdino.
Outros**: Pastor Valdemir, Mestre Pop, Sabino Pícolo, Carla Pimentel, Chicarelli e Geovane Fernandes.
Nenhum/Não declarou: Serginho do Posto, Toninho da Farmácia, Noemia Rocha, Aldemir Manfrom, Chico do Uberaba, Mauro Ignácio, Dirceu Moreira, Rogério Campos e Cacá Pereira.

*Informações obtidas no site do TSE, no Candibook da Gazeta do Povo e em pesquisas pessoais.
** Times citados:  Seleção Brasileira (2), Cruzeiro-MG, Botafogo-RJ, Santos-SP e Corinthians-SP.

O destino de Alex só pode ser o Alto da Glória

Alex está a disposição no mercado após terminar abruptamente seu vínculo de oito anos com o Fenerbahçe, que lhe rendeu até uma estátua. Cruzeiro, por quem foi multicampeão em 2003, Palmeiras, do qual é o último grande ídolo (ao lado de Marcos) pela Libertadores de 1999 e até Santos e Grêmio já se assanham para repatriar o craque brasileiro.

Mas o destino de Alex só pode ser um: o Coritiba.

Alex é um ídolo do Coxa muito mais pelo que fez fora do clube do que pelo tempo – curto – que vestiu a camisa alviverde. Do vice-campeonato da Série B 1995 pouco se lembra. Alex ajudou o Coxa a voltar à elite nacional ao lado de Pachequinho e logo rumou ao Palestra Itália, sem levantar taças pelo Coritiba. Por sempre se declarar coxa-branca, sem querer fazer média com palmeirenses e cruzeirenses, Alex foi caindo nas graças da torcida coritibana, que via o filho do futsal da AABB Curitiba brilhar com as camisas de outros clubes.

Hipocrisia, aliás, nunca foi com Alex. Marcou gols no Coxa e comemorou; nem por isso deixou de ir ao Couto Pereira em qualquer folga que podia. De longe, enquanto colecionava taças pelo Fener, escrevia sobre o Coxa e até renegava qualquer hipótese de defender o rival Atlético, gozando amigos em Atletibas quando o seu time ganhava, ouvindo sarro desportivamente quando perdia.

Foram oito anos de Turquia e certamente um bom dinheiro acumulado. Mérito de Alex, que não precisa dar satisfação de quanto ganhou à ninguém (bem, talvez à esposa…), mas que certamente o dará uma aposentadoria tranquila. Presume-se que Alex não precisa mais trabalhar. Como não faz o perfil “boleiro burro”, Alex não torra seu patrimônio em noitadas e carros última geração. É discreto na vida pessoal. E convém lembrar que casou cedo, com esposa de família estruturada.

O sonho de todo menino é jogar no clube de coração. Com a vida feita, Alex poderá optar por encerrar a carreira em qualquer um dos clubes em que fez história. Todos o querem. Não é o dinheiro, creio, que o fará balançar.

Além disso, Alex não precisa procurar muito para ver exemplos de como sua escolha mudará sua vida. Paulo Rink, seu contemporâneo, voltou ao Atlético do coração para encerrar a carreira e toca a vida em Curitiba. Ronaldinho, com quem disputou vaga na Seleção por muito tempo, preferiu outro caminho. Formado no Grêmio, o craque que brilhou no Barcelona e se projetou como melhor do Mundo, faturando alguns milhões, acabou renegando a casa. Ronaldinho, sei por fonte segura, queria o Grêmio. Mas se deixou levar pela pressão do irmão-empresário e do Milan, que via no Flamengo uma chance maior de faturar. Deu no que deu e o ex-ídolo gremista mal pode pisar em Porto Alegre, sua terra natal.

Sim, o Coritiba não tem a projeção de Palmeiras e Cruzeiro. O Palmeiras, em especial, é um clube nacional, enquanto os outros dois, em escalas diferentes, são regionais. Mas de que importa isso para Alex? Projeção não é o que interessará um atleta consagrado; dinheiro, ao que parece, também não. O que pesará?

Certamente a chance de ser campeão. Alex, como todo atleta, é competitivo. Com uma estátua na frente do estádio do Fenerbahçe, poderia ter simplesmente ido treinar em separado, esperado a relação com o técnico Aykut Kocaman melhorar e, quem sabe, voltar ao time. Não aceitou. Sabia que estava sendo preterido porque podia superar os recordes do treinador – que, permito-me dizer, não deve ter vida longa no cargo, já que mistura interesse pessoal com desempenho.

Alex pode querer ser campeão paranaense pelo Coxa, por exemplo. Mas talvez nada o atraia mais que uma Libertadores. Difícil presumir. Fato é que ele declarou que não pretende jogar a Série B. Portanto é pre-requisito, para qualquer clube que o queira, estar na elite. Coritiba e Palmeiras vão brigar até o fim do campeonato pela vaga – e pra ter o atleta em 2013, quando poderá ser registrado.

Superada essa fase, com as opções na mesa, não vejo outro destino para Alex que não seja o Coritiba, que me desculpem palmeirenses e cruzeirenses.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 03/10/2012

Alex e o Coritiba

Alex rompeu com o Fenerbahçe da Turquia nessa semana. Por coincidência, às vésperas do aniversário de 103 anos do Coritiba, no próximo dia 12. É o que basta para um alvoroço da volta do meia ao clube. Bem, em primeiro lugar, até pode sair acerto já, mas é preciso deixar claro que Alex não joga no Brasil em 2012. As inscrições estão encerradas e o único time brasileiro que ele poderia defender nessa temporada seria o Corinthians, em uma improvável negociação para o Mundial. Para 2013, o Coxa disputa o meia com Palmeiras e Cruzeiro. Coxa-branca declarado, Alex foi ídolo do clube sem justificar isso em campo. Ficou pouco tempo. É bem-quisto por nunca deixou de se assumir coxa, mesmo com outras camisas, sem fazer média. Noves fora o risco da Série B (tão vivo para o Palmeiras quanto para o Coritiba) e a Libertadores, não existe outro caminho para Alex que não seja o Alto da Glória. Que o diga Ronaldinho.

Intolerância

Neymar entra em campo cercado de crianças gremistas no Olímpico. Por aqui, Lucas é cuspido e uma fã de 13 anos, infiltrada na torcida do Coritiba, é acossada junto com o pai, enquanto ganhava uma camisa do jogador. Em São Paulo, um turista escocês é constrangido e retirado da área VIP (aquela dos bem nascidos) por estar desavisadamente com a camisa verde e branca do Celtic em meio a corintianos. Quando foi que desaprendeu-se educação no Paraná e em São Paulo? Não há justificativa que aplaque os péssimos exemplos de intolerância nos dois estados. Os gaúchos, por sua vez, mostram que sabem levar o futebol como ele é: um esporte. A flauta de que colorado não tem azulejo, “tem vermelejo”, não passa pro campo da hostilidade. É folclore inteligente. Ainda dá tempo de aprender.

Longe de casa

O número mágico do acesso pode chegar a 69; historicamente é 64. O Atlético deve perseguir algo em torno disso para voltar ao seu lugar na elite nacional. Começa no sábado, contra o América-MG, mas passará por importante decisão em São Caetano do Sul, no dia 03/11, contra o time da casa. Será um dos três jogos contra concorrentes diretos longe de Curitiba (Vitória e Criciúma são os demais) e o mais decisivo deles, justamente no palco da maior glória rubro-negra. Daqui até lá, no entanto, o Furacão não tem mais direito a erro. Como observado semana passada, será um trabalho com a cabeça, porque os pés que aí estão não podem ganhar companhias mais qualificadas.

Um ano

Passa voando. Essa coluna marca um ano de nosso convívio semanal aqui no Metro. Um jornal que pegou a cidade de jeito, ganhou pela qualidade e objetividade. Só tenho a agradecer a confiança da casa, o respaldo pela liberdade e, principalmente, o carinho e a sua participação, leitor, opinando, criticando, pautando e debatendo. Que continuemos assim.

Pelo fim da intolerância

Quem é o verdadeiro amante de futebol hoje no Brasil? Quem é o torcedor que vai apoiar seu time e ver os astros – ou, para os menos favorecidos em seus elencos, vibrar pela camisa que ama?

Nesse final de semana, em dois episódios, descobrimos quem NÃO SÃO torcedores; num show de demonstração de força, intolerância, intransigência e imbecilidade, vimos o verde da esperança ser manchado por meia dúzia de patrulheiros que se acham donos dos estádios e pensam que controlam a maneira com a qual cada um deve torcer.

Na foto que abre o post, o mau exemplo em São Paulo; no vídeo abaixo, da TV Band, o ocorrido de ontem no Couto Pereira, quando uma menina de 13 anos e seu pai foram acossados após pegarem a camisa do meia sampaulino Lucas.

Sob o signo da defesa da honra, truculentos resolveram impor suas doutrinas e expulsar gente fragilizada do seu território – que, confesso, pensava ser dos clubes e das pessoas de bem.

Sim, concordo que não é muito prudente ir a um jogo do Corinthians de verde e branco; concordo também que é irresponsabilidade de um pai levar a filha adolescente no meio de uma torcida adversária (descobriu-se depois que a menina é torcedora do São Paulo) em um jogo fora de casa. Mas nada, absolutamente nada, justifica agressão e truculência.

Vejamos os fatos. Um escocês, turista, queria ver o futebol brasileiro de perto. Foi ao Pacaembu desavisadamente de verde e branco em um dia de jogo do Corinthians. Encontrou um povo intolerante às cores, como se elas fossem culpadas por qualquer frustração pessoal. De fato, a raiva cega não permite a alguns sequer ver cores: julgam a bel prazer o que é diferente do que conhecem como mal e atacam.

Pergunto: não seria melhor avisar o turista de que o verde é a cor do rival do Corinthians? Um abraço, uma troca de camisas dando a ele um presente com a camisa do time da casa e teríamos, quem sabe, uma nova amizade, um novo simpatizante do Timão.  Mas tivemos um episódio em que um cidadão estrangeiro, que pagou ingresso nas sociais para ver um jogo, foi abruptamente retirado de seu lazer. Levará para a Escócia a recomendação de que ninguém vá à Copa no Brasil – especialmente na Arena do Corinthians.

No Couto Pereira uma adolescente ganhava uma camisa de um ídolo da Seleção quando, nas palavras de Rodrigo Salvador, coxa-branca e testemunha do momento, “veio o primeiro tapa na cabeça do pai. A menina gritava e chorava, desesperada, não tinham por onde sair. Alguém meteu a mão na cara do pai e tirou os óculos da cara dele.

Um terrorismo injustificável, cujas imagens estão ali, incontestes. Um péssimo exemplo de intolerância, de falta de convivência. Já disseram por aí “no Couto quem manda é o Coxa!” ou “ela não tinha nada que estar lá”, etc. Justificar uma agressão (que não é apenas socos e pontapés, pode ser cusparadas e ofensas) a uma menina de 13 anos é a consolidação de um caminho sem volta para o fim do futebol.

Que o pai foi irresponsável, não se discute. Ele, como alguém mais velho, conhece a vida e os campos de futebol. Deveria saber que as pessoas de bem foram vencidas nessa guerra faz tempo.

Mas qual o mal de uma menina, ou um torcedor qualquer, pegar uma camisa de um atleta? Um souvenir, uma lembrança que em nada diminuiria a paixão de qualquer torcedor pelo seu time de coração, ainda que ela fosse coxa-branca – o que, sinceramente, pouco importa. O futebol não é uma guerra. Futebol é lazer, entretenimento. Deve ser tratado como tal. Imagina-se que os valentões das imagens acima não tenham irmãs ou amigas/os de outros times. O Coxa tem que mandar no Couto sim, mas em campo.

E, deixando bem claro, foi com o Coritiba, mas lamentavelmente sei que seria assim na maioria dos outros campos. Já vi exemplos parecidos na Arena, como se a cor verde fosse criminosa. Pinte-se a grama, então.

O Coritiba precisa se posicionar oficialmente e repudiar essa ação em sua praça. Combater a intolerância que quase quebrou o clube em 2009. A Polícia, impávida no caso, deve identificar e vigiar os valentões.

Mas acima de tudo isso, todos nós devemos por a mão na cabeça e pensar: o que queremos do futebol e da sociedade? Quando deixamos de ser apaixonados pelos nossos clubes para sermos vigilantes do comportamento alheio, intolerantes à diferença que antes movia brincadeiras e bom convívio?

Chega. Pelo fim da intolerância.

  • Carnaval

Para o Coxa ainda vale o alerta: ficar quieto é dar milho pra bode. Se as atitudes foram reprováveis e a indignação justificável, o clube que abra o olho com a movimentação de bastidores para que o Coritiba saia do Couto Pereira por uns jogos.

O Palmeiras, concorrente direto ao rebaixamento, perdeu quatro mandos de campo por arremesso de objetos no gramado.

Paboentemeipabá.

 

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 26/09/2012

Coluna que aborda temas esportivos, em especial os voltados ao Paraná; veiculada semanalmente no Jornal Metro Curitiba

Passo à frente ou populismo?

Oportunismo eleitoral ou não – a descobrir – uma vereadora, candidata à reeleição, reivindicou formalmente junto a diversos políticos (incluindo a presidente Dilma) a inclusão de Curitiba nas sedes do torneio pré-olímpico de futebol de 2016. Politicagem a parte, a ideia deve ser levada a sério pela cidade. A Olimpíada será um evento nacional, embora os holofotes apontem o Rio. Mais do que receber jogos de futebol, Curitiba deve propor-se a ser cidade hospedeira (host) de delegações, envolvendo não só o futebol, mas clubes que possam ser CTs para tênis, basquete, atletismo, etc. A iniciativa já merece nota, mas a execução é o que interessará de fato. Aguardemos.

Patrocínio x burocracia

O Paraná Clube confirmou prospecção junto à Caixa Econômica Federal para estampar a marca do banco na camisa do clube – valores não divulgados. No entanto, a negociação está parada há meses: devedor no INSS, o Tricolor não pode ter apoio estatal enquanto tiver dívida com a União. Por essa razão, a Petrobrás deixou o Flamengo tempos atrás. “Gostaria de dar uma previsão, mas não é possível. Está no nosso jurídico”, me disse Vladimir Carvalho, diretor de marketing tricolor.

Prospecção

Por falar em patrocínios, o Coritiba realiza hoje um evento em São Paulo, reunindo 20 agências de publicidade, para apresentar o projeto do clube ao mercado paulista e buscar apoio de grandes anunciantes nacionais.

Prioridades

O Cianorte perdeu a vaga na Série C em casa, nos pênaltis, para o Mogi Mirim-SP, depois de ter vencido por 2-1 fora. Um dos mais interessados na conquista, o presidente da FPF, não esteve no Albino Turbay. Em campanha política para ser vereador em Curitiba, não viu de perto o futebol paranaense deixar de ter quatro vagas garantidas em campeonatos nacionais. O vice, Amilton Stival, fez às vezes (novamente) da presidência. Em tempo: nenhum deles bate pênalti. Mas dão segurança a quem o faz.

Pouco sobre futebol?

A coluna tem batido na tecla da gestão e visão futura. É de boas gestões que os craques aparecem no gramado. Mas, de olho nas hipóteses de o Estado ter dois clubes na Série A 2013 (ou três na B) refleti desempenho no campo e tabelas. O Coxa preocupa. Pega rivais diretos fora de casa e tem uma reta final com seis equipes entre Libertadores e título. Mas, mais que isso, não joga bem longe do Couto. Já o Atlético mostra evolução, mas decidirá a vaga longe de Curitiba. Numa Série B de raros tropeços, pega São Caetano, Vitória e Criciúma fora. Ambos precisarão buscar pontos na casa dos adversários. O processo é mental, já que a técnica não pode mais ser melhorada.

Reflexo do rebaixamento, Atlético perde também no PPV

O site do Atlético divulgou os números que o clube recebeu da Globosat sobre a venda de pacotes Pay-Per-View em 2012. E o que percebeu-se é que não somente durante a “diáspora” rubro-negra o torcedor andou meio ausente.

Se a média de público do clube em Paranaguá girou em torno de 2 a 3 mil pessoas, imaginava-se que o atleticano tivesse aderido ao PPV para acompanhar o clube – o que não aconteceu.

De acordo com a tabela emitida pelo grupo de comunicação e publicitada pelo próprio clube, o Furacão despencou da 13a posição em 2011 para o 19o lugar em vendas nessa temporada.

O Coritiba, que quase chegou à Libertadores em 2011 mas não faz boa campanha em 2012, manteve-se na 15a posição em vendas de pacotes. Veja a tabela completa* e, logo abaixo, a análise:

Relegado à uma divisão inferior após 17 anos, vice-campeão estadual e com um começo claudicante na Série B, o Rubro-Negro perdeu praticamente um terço da arrecadação em PPV. Na contramão do rival até a metade deste Brasileirão, o Coxa teve um acréscimo nas vendas dos pacotes, mas não o suficiente para melhorar sua posição no ranking nacional.

Vice-campeão da Copa do Brasil por duas temporadas seguidas, pode-se imaginar que o crescimento em vendas veio com o tri-estadual e as boas campanhas na Copa, mas com o início claudicante no Brasileirão, o interesse esvaziou.

Numa análise global, percebe-se que o torcedor gosta mesmo é de time vencedor.

Maior torcida do Brasil, o Flamengo perdeu 10% da arrecadação com a campanha ruim que faz. O mesmo vale para o Palmeiras. Mal no Brasileirão, o time paulista perdeu duas posições e quase 30% do valor de vendas.

Já o Atlético-MG, que faz grande campanha, mostra a força nacional que tem e está catapultado ao 4o posto em vendas. O Galo, de acordo com a última pesquisa de torcidas do Datafolha, tem a 10a maior torcida do Brasil. O mesmo vale para o Vitória. O líder disparado da Série B praticamente dobrou seu volume de vendas em relação à 2011.

*Os números divulgados contemplam apenas os 18 clubes com contrato renovado por três anos na cisão do Clube dos 13.

Liga Europa: começa a fase de grupos!

Começa nessa quinta-feira a fase de grupos da Liga Europa, a segunda principal competição de clubes da Europa (quiçá do Mundo). O Terra transmite 24 jogos ao vivo – eu estarei em duas partidas, ao lado do comentarista Ary Pereira Jr.: Fenerbahçe da Turquia contra Olympique Marseille da França, às 14h e, logo a seguir, 16h, Bayer Leverkusen da Alemanha contra Metalist da Ucrânia. São muitos os brasileiros nos jogos, que prometem ser movimentados. Vamos às principais informações:

Liga Europa

Será a 41a edição da Liga Europa, originária da Taça dos Clubes das Cidades com Feiras, mãe também da UEFA Champions League. O primeiro campeão, em 1971, foi o Tottenham, da Inglaterra, que disputa essa edição no grupo J; o atual campeão é o Atlético de Madrid, que está nessa edição, no Grupo B.

A Liga Europa reune o segundo escalão de clubes europeus – algo similar à Copa Sulamericana. No entanto, há uma integração constante com a Champions League – é possível que um time dispute a fase eliminatória da Liga, classifique-se à Champions e, eliminado lá, volte a Liga – até para ser campeão. A competição reune 193 times – a maior goleada até aqui foi no jogo PSV Eindhoven 9-0 Zeta, de Montenegro.. São 48 equipes nessa fase com 12 grupos com 4 times, dos quais 24 se classificam.

Na próxima fase 8 melhores terceiros colocados da Champions League se juntam aos 24 da Liga, formando série eliminatória com 16 jogos, em ida e volta, até a final, em jogo único, nessa temporada a ser disputado em Amsterdã, na Holanda.

14h – Fenerbahçe x Olympique de Marseille – Estádio Şükrü Saracoğlu, Istambul, Turquia

Duelo entre duas equipes candidatas às vagas no Grupo C – que ainda tem Borussia Monchengladbach da Alemanha e Limassol do Chipre – que tem três brasileiros nos elencos: Alex (ex-Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro) e Cristian (ex-Atlético e Corinthians) pelo Fenerbahçe e Lucas Mendes (ex-Coritiba) pelo Olympique.

Os dois primeiros devem ser titulares. Alex chegou a ser barrado pelo técnico Aykut Kocaman na fase de classificação da Champions League. O Fener acabou eliminado pelo Spartak Moscow na única derrota dos turcos no ano. Alex é o segundo maior artilheiro da história do clube, com 136 gols em 234 jogos – e seis títulos em 8 anos na Turquia. Aykut é o primeiro, com 150 gols em 210 jogos – o que seria o motivo do afastamento. Cristian tem sido banco no campeonato turco, no qual o Fener é o 4o colocado. No entanto, entrou no último jogo e garantiu a vitória aos 44 do 2o tempo contra o Mersin, por 2-1. Outro destaque é o holandês Dirk Kuyt, ex-Liverpool, que marcou 3 dos 7 gols do time nas fases eliminatórias da Liga. Na temporada (que é iniciada em agosto), o Fener fez 8 jogos, com 3 vitórias, 4 empates e 1 derrota.

Será a 21a Liga Europa do clube fundado em 1907, que nunca chegou à final. No entanto, seu estádio, cujo nome (pronuncia-se Xu-cru Sara-tcholo) homenageia um presidente do clube, recebeu a decisão na temporada 2008/09, quando o Shaktar Donetsk da Ucrânia bateu o Werder Bremen por 2-1 e ficou com a taça.

No Olympique, Lucas Mendes está fora, recuperando-se fisicamente. Ele é o único brasileiro do time que tem como destaque os irmãos ganeses Jordan e André Ayew, ambos da seleção de Gana e filhos do ídolo do OM Abedi Pelé, campeão europeu em 92/93. O time francês, fundado em 1899, chegou à duas decisões de Liga Europa. Esta será a 12a participação. Em 1999, perdeu para o Parma, da Itália; em 2004 nova derrota, desta vez para o Valência, da Espanha. O Marselha ainda é vice uma vez da Champions League – mas na UCL comemorou uma taça, em 1993, ao bater o Milan na decisão.

Nesta Liga Europa, o OM passou por duas eliminatórias. Na primeira, eliminou o Sheriff da Moldávia (2-1 fora e 0-0 em casa) e o também turco Eskişehirspor (1-1 fora e 3-0 em casa). O Olympique lidera o campeonato francês 2012/13 com 15 pontos em 5 jogos. Na temporada, iniciada em agosto, fez 9 jogos, vencendo 2 e empatando 1.

As duas equipes tem histórico de suspensão em ligas europeias. Em 1992/93, envolvido em um escândalo de compra de resultados no campeonato francês, o Olympique, então campeão europeu, foi rebaixado para a Série B francesa, perdeu o título francês e perdeu o direito de disputar a Champions do ano seguinte – mas manteve o título continental.. Já o Fenerbahçe viveu situação similar em 2011/12. Então campeão turco, foi acusado de manipulação de resultados e excluído pela UEFA da Champions League. No entanto, manteve a taça nacional.

16h05 – Bayer Leverkusen x Metalist – Estádio BayArena, Leverkusen

Fundado em 1904, o alemão Bayer 04 Leverkusen (o 04, assim como no Schalke, é o ano de fundação e se pronuncia ‘null vier’) ganhou destaque no Brasil após contratar o ex-atleticano Paulo Rink, que mais tarde defenderia a Seleção Alemã ao ser naturalizado. É o favorito à ganhar o Grupo K da Liga Europa, que ainda tem Rapid Viena da Austria, o Rosenborg da Noruega e o adversário da primeira rodada, o Metalist da Ucrânia. Se teve em Paulo Rink um grande destaque, hoje o Bayer tem Renato Augusto, ex-Flamengo, como o camisa 10 do time, além do zagueiro Carlinhos, de 18 anos, que “jogou” apenas no Desportivo Brasil, time que pertence ao Grupo Traffic. Do lado ucraniano, uma enxurrada de brasileiros. O Metalist conta com o zagueiro Fininho, que passou por Juventude, Sport e Corinthians, os meias Edmar (naturalizado ucraniano) ex-Paulista, Cleiton Xavier, ex-Palmeiras e Inter, Marlos, ex-Coritiba e São Paulo e os atacantes Taison, ex-Inter (que segue em sua missão de superar Messi) e Willian, ex-Atlético, Figueirense e Corinthians. Oito brasileiros neste jogo, ao todo.

Renato Augusto está se recuperando de lesão e participou apenas do final do jogo em que o Bayer perdeu para o Borussia Dortmund por 0-3 na terceira rodada do Alemão 2012/13. O time, 5o colocado no nacional da temporada passada, é apenas o 12o no momento. Na temporada atual foram 4 jogos, com 2 derrotas e 2 empates. O Leverkusen entrou direto na fase de grupos da Liga Europa. Será a 14a participação do Bayer no torneio. A melhor de todas foi em 1988, quando o time do brasileiro Tita, ex-Vasco, reverteu uma vantagem de 0-3 do Espanyol de Barcelona e levou a decisão para os pênaltis, consagrando-se campeão. O Bayer também tem no currículo um vice-campeonato da Champions League em 2002.

No elenco rubro-negro estão dois jovens talentos da Seleção Alemã: Lars Bender, de 23 anos e André Schurrle, de 21, ambos convocados no processo de renovação do time germânico após a Copa de 2010. Apenas um jogador, o goleiro David Yelldell, tem 30 anos ou mais; o restante fica abaixo. Até o técnico é jovem: Sascha Lewandowski tem apenas 40 anos.

O Metalist entra pela 7a vez na Liga Europa. O melhor resultado foi chegar às quartas de final no ano passado. O clube, uma vez campeão soviético e duas vezes campeão ucraniano, aposta no futebol sulamericano. Além dos seis brasileiros, conta com seis argentinos no elenco, que ainda tem jogadores da Sérvia e do Senegal. Entre os “hermanos”, o atacante Jonathan Cristaldo, campeão argentino pelo Vélez em 2009, é o que melhor tem dado resultado: marcou 5 gols em 10 jogos entre Liga Ucraniana e Europa, contando as fases eliminatórias. Willian marcou 2 gols na temporada e Taison apenas 1. No entanto o artilheiro da equipe é brasileiro: o meia Cleiton Xavier tem 6 gols.

Na Liga Ucraniana, o Metalist é o 4o colocado, 10 pontos atrás do líder Shaktar. Na temporada (de agosto até agora) foram 11 partidas, com 7 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Pra chegar a essa etapa da Liga Europa, o Metalist venceu o Dínamo Bucaresti da Romênia duas vezes: 2-0 em casa e 2-1 fora.

Transmissões

O Terra transmite todos dos 24 jogos da primeira rodada da Liga Europa. Alguns jogos não terão narrador e comentarista, com o som ambiente do estádio de fundo. A escala é essa:

14h

Fenerbahçe SK – Olympique de Marseille, com Napoleão de Almeida
Hapoel Tel-Aviv FC – Club Atlético de Madrid, com Marcelo do Ó (Terra, 105FM SP)
SSC Napoli – AIK, com Fabio Salomão (Terra, Rádio Futebol Interior)
Udinese Calcio – FC Anzhi Makhachkala, com Reinaldo Moreira (105FM SP)
FC Dnipro Dnipropetrovsk – PSV Eindhoven, com Hugo Botelho (BandSports, Esportes FM)

16h

Bayer 04 Leverkusen – FC Metalist Kharkiv, com Napoleão de Almeida
FC Internazionale Milano – FC Rubin Kazan, com Marcelo do Ó
Tottenham Hotspur FC – S.S. Lazio, com Hugo Botelho
Sporting Clube de Portugal – FC Basel 1893, com Reinaldo Moreira
Olympique Lyonnais – AC Sparta Praha, com Fabio Salomão

Sem narração:

BSC Young Boys – Liverpool FC
FC Viktoria Plzen – A. Académica de Coimbra
AEL Limassol FC – VfL Borussia Mönchengladbach
FC Girondins de Bordeaux – Club Brugge KV
FC København – Molde FK
CS Marítimo – Newcastle United FC
VfB Stuttgart – FC Steaua Bucuresti
KRC Genk – Videoton FC
FK Partizan – Neftçi PFK
Athletic Club – Hapoel Kiryat Shmona FC
NK Maribor – Panathinaikos FC
SK Rapid Wien – Rosenborg BK
Levante UD – Helsingborgs IF
FC Twente – Hannover 96

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 19/09/2012

“No futebol é diferente”
Um dos principais estigmas de um administrador ao entrar no mundo do futebol é romper o folclore de que, por mais bem sucedido que o profissional seja, na gestão dos clubes, será diferente. Como diria o famoso narrador, ‘não é, mas é’. E o é porque os clubes permitem isso: volta e meia diferenciam o trato com os jogadores, mesmo em detrimento de outros profissionais. Resultado? Caem na armadilha dos “boleiros”, que ainda têm espaço em um esporte a cada dia mais profissional.

Marcelo Oliveira, Felipão, Passarela…
Que o time do Coritiba tem uma defesa ruim (perdoe-me Emerson, mas você está sozinho desde que Gago e Donizete foram embora) e esse é o real problema todo mundo, até Marcelo Oliveira, está careca de saber. Mesmo assim o senso comum indicava: o ex-técnico coxa tinha de ser demitido. Doeu em Vilson Ribeiro de Andrade a ação. Administrador nato, Vilson acredita na continuidade do trabalho das pessoas. Evita demitir. Entende que ter um funcionário-padrão, que entende as necessidades do clube, é “low-profile”, conhece o sistema e já está ambientado à cidade seria muito mais útil. Mas não pode mandar embora 30 jogadores – ou ao menos 10 a 12 que não vinham rendendo. Primeiro, porque é mais fácil cortar uma cabeça do que tantas; depois, não esqueçamos, porque os jogadores são moeda. Sobrou para Marcelo Oliveira, que já está no Vasco. Um time de estrelas do Corinthians em 2005 só rendeu quando Daniel Passarela saiu do comando. O Palmeiras, algoz coxa nesse ano na Copa do Brasil, foi de campeão à virtual rebaixado sob o mesmo comando. O rendimento das equipes caiu assustadoramente quando o discurso do técnico cansou. O que é lugar comum no futebol teria espaço na sua empresa? Como você agiria, sendo chefe, com uma equipe assim? Sairia, trocaria o comando ou as peças? Aqui está o tabu: jogadores derrubam técnico sim. E às vezes até o clube, como foi no indolente Atlético de 2011: sem comando diretivo, largado às festas e às traças.

Há saída?
Primeiro analisar friamente cada situação antes de cobrar indiscriminadamente. Tem vezes em que a diretoria é letárgica (como vai, Malu?) e as coisas acontecem debaixo do nariz. Outras vezes age, mesmo a contragosto, mas nem sempre tem o resultado – o problema pode ser outro. Fundamental é identificar e atacar o mal. No geral o que precisa mudar é a mentalidade de quem comanda e quem obedece: jogador de futebol é trabalhador como qualquer outro. Uns melhores, outros piores; uns ganham mais (e normalmente valem quanto pesam) outros menos e isso deve ser encarado numa boa: em qualquer serviço há hierarquia e meritocracia (ok, muito puxa-saco se dá bem por aí, mas até quando?). Claro que não adianta estar fora de forma ou ser grosso, mas nominando: Paulo Baier e Pereira são bons profissionais e, não à toa, tem carreira bem sucedida e longa. O melhor exemplo nacional hoje é Seedorf: longevo e de qualidade, não se omite e colabora com o Botafogo em todas as áreas. O futebol agradece.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

“Futebol Paranaense Forte”

Meu Amigo Pedro*

O título dessa coluna vinha impresso nos ingressos da FPF na minha infância. Era uma demonstrar a vontade de evoluir que os clubes paranaenses tinham. Até então apenas um título nacional de elite, o do Coritiba em 1985. Pouco, muito pouco. E Séries B e C a parte, melhorou pouco até os dias de hoje. Como explicar que um Estado com o 5º maior PIB do Brasil, uma capital maior que Porto Alegre, pode estar tão abaixo dos quatro acima? É Pedro, as coisas não são bem assim.

“A rodada foi histórica para o futebol do Paraná”

Foi a partir de uma série de comentários de colegas sobre o desempenho dos paranaenses na rodada do feriado passado que comecei a pensar: como assim, histórica? Negativo. A frase, oriunda das quatro vitórias de Coritiba, Atlético, Paraná e Cianorte (da A pra D, ok?) é puro POPULISMO. Isso mesmo cara pálida, populismo e dos baratos. Cada clube tem sua realidade, são concorrentes de mercado, ganhou apenas por si. A hipocrisia do “todos contentes” só serve pra mascarar a eterna mania de puxar o tapete do vizinho. Histórico mesmo seria um movimento por um campeonato estadual com menos datas e mais rentável. Seria ver os clubes unidos para que a Série Prata deste ano fosse antecipada e o retorno da Copa Sul; seria ver a Federação tomar partido pelos clubes na Copa do Brasil e na Libertadores, onde uns podem algumas coisas, outros não. Deixar de usar o futebol só como trampolim político. Ver o aluguel de um estádio ao rival para faturar, com ações de marketing que se alimentam da rivalidade. Dar apoio ao Cianorte para abrir mais uma vaga nacional – coisa que em São Paulo, o Mogi Mirim terá. Seria ver o futebol paranaense sério, trabalhando para render a Copa do Mundo, e não menosprezando e até contra o maior evento do futebol mundial.

Rivalidade, inteligência, construção

Nunca, em nenhum espaço de mídia que ocupei nesses 11 anos de carreira, preguei campanha para que o torcedor torcesse para o rival. Rival é rival. O que deve haver é uma compreensão do negócio futebol e a briga conjunta por interesse comuns fora de campo. Leio no blog do brilhante Leonardo Mendes Jr. (que trabalha no concorrente, mas e aí? Não é disso que estamos falando?) que o Paraná Clube espera as mesmas benesses do Atlético para deixar a Vila em condições de uso para a Copa. Ótimo, apoiado. Mas que o Tricolor não espere sentado e apontando o dedo. Onde está o projeto e o que pretende reivindicar a diretoria paranista? Há prospecção de seleções? Isonomia é para iguais: se há um projeto apto e consistente, rentável e de evolução, os direitos têm de ser dados. Senão será apenas um capítulo do “eu quero também, mas não sei como nem por quê.” Cresce, futebol paranaense.

*Meu Amigo Pedro, música de Raúl Seixas que diz, entre outras coisas, que é fácil criticar; difícil mesmo é ser.