Os midiáticos

O futebol paranaense recebe Renato Gaúcho. Figurinha carimbada no Rio, Renato vai conhecer agora Curitiba. Mas não será o primeiro técnico badalado a dirigir um clube paranaense.


Renato no Chacrinha: badalação é com ele mesmo

Vamos relembrar o Top 5 dos técnicos mais badalados que já passaram pela terrinha:

#5 – Mano Menezes

Mano Menezes já comeu pierogi em Irati

O atual técnico da Seleção abre a lista dos badalados embora não fosse técnico de ponta quando dirigiu o Iraty. Foi em 2003, quando o Azulão disputou a Série C do Brasileiro, como relembra esta matéria do Paraná OnLine. Pelo time paranaense, quatro derrotas, um empate e uma vitória. Mano deixou o Iraty sem deixar saudades nos torcedores do Azulão – ao menos pelos resultados em campo, porque, reza a lenda, era rei do churrasco. Do Iraty foi para o Guarany de Venâncio Aires e perambulou pelo interior gaúcho até chegar ao Grêmio, depois de destacar-se no Caxias. Da Batalha dos Aflitos à Seleção Brasileira, a história é conhecida.

#4 – Joel Santana

From the middle, to behind. Na tabela.

Outra figuraça nacional que passou por aqui, no Coritiba. Simpático e bem humorado, o carioca Joel Santana, rei do Rio e da Bahia, naufragou no Coxa. Chegou no Brasileirão 2001, para ajudar o time a sair das últimas posições. Acabou em um 17o lugar entre 28 equipes, em um ano tumultuado no Alto da Glória muito mais em função da conquista atleticana. E como tudo era problema, a prancheta de Joel não agradou. O técnico foi se desgastando, se manteve para o Paranaense e a Sul-Minas, mas uma goleada por 1-6 para o Paraná encerrou a passagem dele por aqui, sob os gritos de “Fica, Joel”. Por parte dos tricolores, é claro. Joel seguiu a vida, voltou a ganhar títulos no Rio e fazer bons trabalhos. Mas passou a ser um dos midiáticos após a passagem pela Seleção da África do Sul, com impecáveis entrevistas em inglês:

#3 – Felipão

"O Couto Pereira não me dá sorte..."

Felipão chegou ao Coxa em 1990, com o clube amargando a crise do rebaixamento na caneta em 1989, por ter levado WO contra o Santos, mesmo amparado por uma liminar. Ele ainda não era O Felipão – só viria a ser a partir do ano seguinte, quando conquistou a Copa do Brasil com o Criciúma. Dirigindo um time que tinha grandes nomes no papel, como o goleiro Mazaropi, os meias Norberto, Bonamigo e Tostão e os avantes Cuca, Chicão e Pachequinho, Felipão levou ferro do Juventude em Caxias (0-2), do Joinville em Santa Catarina (0-4) e de novo do Juventude, agora no Couto: 0-2. Ao final da partida contra o time de Caxias, sua terra de residência, aproveitou o embalo e voltou para o Sul de carona no ônibus do Ju. Felipão viria a superar com maestria sua péssima campanha no Coxa (que renderia uma Série C não fosse uma nova virada de mesa da CBF) ao conquistar Brasileiro, Libertadores, Copa do Brasil e a Copa do Mundo com a Seleção. Mas depois do último encontro dele com o Couto Pereira, deve ter coceiras ao ouvir o nome do estádio.

#2 – Wanderlei Luxemburgo

Luxa acabou largando o "pojeto" na metade

Cinco vitórias, cinco empates, cinco derrotas. Mais regular, impossível. Esse foi Wanderley Luxemburgo no Paraná Clube, em 1995, a contratação de treinador mais badalada da história do futebol paranaense (até a #1, logo abaixo, chegar). Luxa causou alvoroço na mídia local. Chamou a atenção do Brasil para o Paraná Clube, então único representante do Estado na Série A. Começou bem, no Brasileiro, com um time que tinha Régis, Paulo Miranda, Ricardinho e outros, e estava no meio do trajeto do Penta estadual. Mas começou a cair e via se aproximar nova demissão – havia saído do Flamengo após o Estadual, quando perdeu o título para o Fluminense de Renato Gaúcho no ano do centenário, com o famoso gol de barriga. Luxa foi salvo por uma proposta do Palmeiras, para montar o timaço da Parmalat que detinha o recorde nacional de vitórias seguidas até esse ano, quando foi superado pelo Coxa. Veja mais de Luxa no Tricolor no vídeo abaixo, da Globo.com:

#1 – Lothar Matthaus

O Alemão e a polêmica foto de US$ 1 milhão

Ninguém causou mais impacto no futebol paranaense que o Atlético ao trazer o capitão do tricampeonato da Alemanha, Lothar Matthaus, para o comando técnico. O alvoroço foi mundial. Nem Matthaus era um treinador tão conhecido (embora, como jogador, fosse um Zico alemão, só atrás do Pelé Beckenbauer), nem o Atlético ou algum paranaense havia sido tão midiático. Matthaus causou alvoroço na chegada, na passagem e na saída. Havia quem duvidasse do rendimento daquela equipe, em 2006, quando ele chegou. Passado o susto, vieram os métodos de treinamento europeus e as entrevistas com tradutor. O time até rendeu: seis vitórias e dois empates, entre Paranaense e Copa do Brasil, nos dois meses por aqui. Mas a foto ao lado – e supostas aventuras extra-conjugais – tiraram o Alemão do Furacão. Se houve affair ou não, não se sabe (ou se comenta); o que é fato é que a então esposa de Matthaus, Marijana (a 3a das 4) exigiu a volta dele, sob pena de um contrato de US$ 1 milhão ser executado no divórcio. Matthaus deixou um carro top de linha da Wolksvagem, quase zero kilômetro, com as chaves no contato no Aeroporto Afonso Pena; e uma conta de celular de mais de R$ 3 mil. Anos mais tarde, disse ter se arrependido de deixar o comando atleticano intempestivamente.

Menção honrosa

Todos os técnicos acima são midiáticos, de grande exposição na imprensa nacional/mundial. Nenhum, no entanto, fez o caminho inverso. A exceção é Nuno Leal Maia, técnico do Londrina em 1995. Melhor que a história, é apresentar um grande momento dele como ator – função que, convenhamos, ele vai muito melhor:

Jogo Aberto Paraná – vídeos de 30/06/2011

Não deu para assistir o Jogo Aberto Paraná na telinha hoje? Acompanhe aqui as reportagens exibidas no programa de hoje:

Coxa terá mudanças para o jogo contra o Ceará; assista jogadores e o técnico Marcelo Oliveira:

Veja os gols do amistoso do Operário contra o XV de Indaial (2-0), preparatório para a Série D do Brasileiro (a narração é de Marcelo Ferreira, da Band Ponta Grossa):

Aqui, os gols das seleções feminina e sub-17 do Brasil nas Copas do Mundo das duas categorias:

O Jogo Aberto Paraná vai ao ar na Band Curitiba (canal 2 sinal aberto, TVA e NET; 38 digital, 302 Sky), para Curitiba, RMC, Paranaguá e litoral e Ponta Grossa e campos gerais, de segunda a sexta, 12h30. Acompanhe!

 

Coritiba legal

Camisão: que tal licenciar? (Foto: blog do Luiz @nuncaabandona)

Já disse em um post anterior: entendo a função das torcidas organizadas. Animam o estádio com cantos (exceção aos apológicos a drogas ou violência), atraem novos torcedores, em especial os jovens. Mas o bônus parece muito pequeno em função do ônus acarretado pela ação de gente ligada a elas.

Você está cansado de saber do que eu estou falando, por isso não vou voltar a temas como Couto/09, Pacaembu/95, etc, etc. Quero me ater a nota publicada pelo site oficial do Coritiba hoje, sobre o projeto Torcida Legal.

Poucas vezes um clube foi tão preciso no combate aos problemas das organizadas como vem sendo o Coxa. Não é o pioneiro – o Atlético de Mário Petráglia comprou essa briga lá atrás – mas Vilson Andrade tem conduzido com discrição e categoria o tema.

Diz a nota (entre outros pontos):

“(o projeto) “Torcida Legal” tem o objetivo de cadastrar todos os torcedores, em âmbito nacional, nos principais estádios, mediante a implantação de um banco de dados centralizado. (…) Esta é uma excelente e oportuna iniciativa do Ministério, porque vai dar maior proteção e segurança a todos os torcedores brasileiros. Por acreditar nestes objetivos, o Coritiba nunca deixou de apoiá-la e aguarda a sua implementação no Couto Pereira.

O Coritiba recebeu a informação de que, numa ação conjunta do Ministério do Esporte e do Ministério Pública do Paraná, seriam realizados cadastramentos das torcidas organizadas dos clubes da capital. O Coritiba é favorável ao projeto do cadastramento global de todos os torcedores e não de segmentos ou facções em separado, porque possui a diretriz de impedir o acesso em seu estádio das organizadas, por motivos amplamente conhecidos. É preciso esclarecer, também, que, mesmo após o cadastramento de todos os torcedores, conforme previsto no projeto, o clube continuará a não permitir o ingresso das organizadas com seus adereços.

Esta postura, além de ter sido adotada para preservar a integridade e a segurança de todos seus torcedores, visa a proteger os direitos dos patrocinadores do clube, parceiros comerciais e combater  produtos piratas e o uso ilegal da imagem do clube.

O Coritiba considera que TORCEDORES são seus sócios e todas as pessoas que ostentam as cores, símbolos e a tradição Alviverde com respeito, amor e honra.

Por trás destas linhas, além da violência – que por ora parece contida, mas volta e meia surge em forma de ameaça – está a preocupação comercial. Em uma época em que Corinthians e Flamengo ganham horrores de dinheiro a mais que o próprio Coxa, entre outros, ter um concorrente desleal dentro das próprias trincheiras é dispensável. Para o torcedor mais humilde, o símbolo da Império equivale ao do Coritiba – a um custo mais baixo que a camisa oficial. Pirataria até então legalizada.

Vale lembrar que a organizada NÃO está proibida de assistir os jogos no Couto Pereira: o que ela não pode é ostentar a marca. Exibir sua paixão pelo Coritiba é permitido; fazer propaganda da marca, não.

Luiz Fernando Corrêa, o Papagaio, presidente da facção, é um sujeito acessível. Não parece violento, aparenta calma e é sempre receptivo. Já me mostrou boas idéias no combate a violência. Acha que é mais fácil controlar a violência com a existência das TOs, mas reconhece que segurar uma multidão é impossível. Daí o projeto de cadastramento, o qual colaborou muito. Mas ele sabe que a discussão central deixou de ser essa há tempos.

O Coritiba de Andrade age com correção. A nota mostra a real motivação do veto à TO e avisa aos demais torcedores o porquê. A fase no campo e a postura mais pacata fazem a reverberação ser menor do que foi anos atrás na Baixada.

Cada um sabe qual lado escolher. O Coritiba, se pode ter desagradado alguém pelos mais diversos motivos nessa, ao menos foi legal ao deixar claros os pingos nos is.

Túnel do Tempo: relembre os confrontos de hoje

A dupla Atletiba joga hoje pela primeira divisão. Aproveito para relembrar dois confrontos entre Atlético x Bahia e Cruzeiro x Coritiba, nos respectivos mandos de campo.

18h30 – Arena da Baixada – Atlético x Bahia

Esses dias mesmo o Atlético surrou o Bahia pela Copa do Brasil, com um 5-0. Mas preferi relembrar essa vitória de 2001, que colocou o Furacão no rumo do título nacional:

Kléber fez 3 gols, com 2 de Alex Mineiro e Adauto fechando o placar histórico sobre o time de Evaristo de Macedo. Como todos sabem, naquele ano, o Atlético acabou Campeão Brasileiro. Detalhe para o segundo gol de Kléber, sem ângulo.

21h – Arena do Jacaré – Cruzeiro x Coritiba

Em 2004, o Coxa surpreendeu a Raposa no Mineirão. Abaixo, dois gols dos 3-0 no Cruzeiro em BH – Ataliba e Laércio:

Gravaram em speed! E ainda faltou o 3o, de Tuta. Mas enfim, é o que a internet nos oferece.

Naquele ano, o Coritiba acabou o campeonato em 12o lugar. Foi a segunda vitória em BH sobre o Cruzeiro na história. A primeira havia sido em 1985 – ano do título nacional.

Futebol é assim mesmo

Tapem seus ouvidos

Terminou há pouco Coritiba 1-1 Inter.

O domingão foi longo, rodada cheia e a Série A vai engrenando: só resta um jogo na Libertadores e no domingo que vem TODOS estarão ligados na Série A. E é claro que olhar a posição do Coritiba (do Atlético eu falei aqui) preocupa. Mas quem assistiu ao jogo percebeu que o destaque individual foi Muriel, baita goleiro do Inter.

Ou seja: o Coxa jogou bem.

E quem acompanha o Jogo Aberto Paraná na Band sabe que a preocupação era essa: a reação da equipe após a perda da Copa do Brasil e a derrota para oo Botafogo (1-3) no último final de semana. Do outro lado, estava o Internacional, um dos maiores investimentos da Série A. Não seria fácil de qualquer jeito. E fora atuações pontuais, o Coxa mostrou força, foi buscar o empate e acabou somando um ponto, que o deixa fora da ZR ao menos.

A cornetagem está a solta – e nem podia ser diferente. Mas uma análise fria ainda dá crédito a Marcelo Oliveira e a esse elenco do Coritiba. Sabe-se que esse time pode mais e que o momento de baixa tem razões físicas e psicológicas; tecnicamente, o time ainda é bom. Não é aquele supertime que pintou, mas é bom. E isso já é um grande passo para sonhos mais altos, já que o Brasileirão é muito igual – exceção ao surpreendente início do São Paulo.

Futebol é assim mesmo, ninguém ganha todas. Ainda não há motivo para desespero. Pode nem haver se as cornetas ficarem no armário.

Posfácio Atleticano

Mas por que raios há que se ter paciência com o Coxa e é só cacete no Atlético? Fácil: o Coritiba já mostrou qualidade no ano. É bicampeão estadual, vice da Copa do Brasil e venceu mais de 80% de seus jogos no ano. O Atlético não. Estamos em junho e o Furacão não mostrou NADA – e com quatro técnicos.

Léo Gago subiu no telhado

O site FutebolSC avisa que a negociação com Marcos Paulo e Avaí ficou pra próxima porque o Coxa pode negociar Léo Gago. Falei com gente da diretoria que não negou nem confirmou a saída. O que eu ouvi (e reservo a fonte) é: “Não me preocupa uma peça, negócio é negócio, se for bom, pode sair. O elenco é bom e é isso que vale. Nessa hora, surge de tudo. Pode ser como pode não ser”. Não foi @oclebermachado, mas parece que Léo Gago subiu no telhado.