Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 05/09/2012


Baier, sempre ele

O Atlético ia se enroscando no Boa na volta à Curitiba. A armadilha do time mineiro funcionava e melhorou quando os visitantes saíram na frente. Mas no segundo tempo Paulo Baier saiu do banco e participou das principais jogadas da equipe. A virada veio com dois gols de Marcelo. Baier ainda é o craque deste time. Merece o reconhecimento e também o alerta: tem 37 anos e é um ídolo de uma época sem glória. O “velhinho” ainda resolve, mas não pode ser a única arma – o que já acontece há algumas temporadas.

Tardes no Parque

Demorou, mas a diretoria rubro-negra procurou o empresário Joel Malucelli e encontrou um sim – nota 10 para a negociação. E mesmo sem poder comportar todos os sócios, iniciou nova caminhada na Série B no Eco-Estádio, para 9.999 pessoas, à exceção de rodadas em que a TV requisite horário mais tardio que 15h e do Derby Paranaense, partidas que devem ser em Paranaguá. Os jogos serão sempre em horário comercial – atenção patrões para as desculpas de ocasião – mas mesmo assim o povão rubro-negro foi ver seu time. Jogar em casa fará a diferença ao final da competição.

Médico ou monstro?

Deivid chegou ao Coritiba. Não é a solução para o mau momento do time no Brasileirão, mas pode ser útil. O problema está na zaga. E nem digo zagueiros em si: os erros começam no meio, mais frágil e com menos retenção de bola que em 2011. Deivid tem o nome inspirado no antigo seriado “O Incrível Hulk”, o Golias Verde, cujo alter-ego na TV era David Banner – nas HQs, é Bruce. No blog napoalmeida.com, faço uma reflexão e convido você a visitar: o Flamengo abriu mão do atacante para apostar em Adriano (!). Deivid não é super-herói e não deve ser tratado como tal. É um jogador útil e que pode ajudar – mas não resolverá o principal problema alviverde: a defesa.

Frases

“Fomos roubados contra o Palmeiras” e “Não monto time para agradar torcedor”. Duas entre outras pitadas de sinceridade do técnico Marcelo Oliveira, do Coxa, ao jornalista Luís Augusto Símon, da Revista Trivela. Oliveira hoje reencontra Geninho, campeão brasileiro pelo Atlético e atual técnico da Portuguesa, que ao deixar o Couto Pereira derrotado por 0-2, reclamou a perda dos pontos para um “adversário direto na briga contra o rebaixamento.” Aguardemos as frases depois do apito final hoje à noite.

Seleção

Sexta tem amistoso da Seleção Brasileira, você sabia? O amistoso contra a África do Sul acontece em São Paulo quase um ano depois do Brasil atuar no país, em Belém, no 2-0 sobre a Argentina. Foram 10 jogos até essa volta. Jogando raramente em casa e com astros quase todos na Europa, qual a identificação do povo com a Amarelinha?

Deivid não é a solução para o Coritiba

Deivid: boa opção para o ataque, setor menos problemático do Coxa

A diretoria do Coritiba atendeu os anseios da torcida e trouxe um “matador” (e não era John Wayne, não presidente Vilson?): Deivid de Souza, 32 anos, o “Incrível Deivid”*, que estava no Flamengo.

Boa pedida, mas não é a solução para a má campanha do Coxa.

Primeiro, porque o ataque não é o principal problema do Coritiba. Aliás, sequer é problema: é o quarto melhor do Brasileirão 2012, com 32 gols (atrás de Atlético-MG, Fluminense e São Paulo e junto com o Botafogo). É verdade que nenhum dos atacantes alviverdes inspira confiança e a presença de um homem-gol pode ajudar nisso, mas não se pode cobrar produção ofensiva e sim defensiva.

Depois, porque o estilo de jogo do Coxa não gira em torno da presença de um atacante central. Basta ver a própria boa produção ofensiva. Quinze jogadores já balançaram as redes nesse campeonato. A bola gira no ataque do Coritiba, cuja principal arma é o toque rápido de bola, com Éverton Ribeiro, Rafinha e outros mais. Deivid chega com pinta de titular e pode obrigar uma mudança de esquema, o que pode ser ainda pior – o problema está no meio-campo, enfraquecido desde as saídas de Léo Gago e (principalmente) Leandro Donizete. Há quem defenda uma mudança para o 3-5-2, reforçando zaga e meio. Mas encaixar Deivid em um ou outro sistema é tarefa para Marcelo Oliveira (que deu ótima entrevista ao Blog do Menon, leia que vale).

Além disso, um detalhe não pode passar despercebido: Deivid foi liberado pelo Fla porque o clube fluminense acredita em… Adriano. Sim, o Imperador, cujos problemas médicos e extra-campo têm chamado mais a atenção do que os gols, ganhou espaço sem jogar a ponto de Deivid ser considerado dispensável – e o Mengão tá longe de ser um esquadrão em 2012.

Nessa temporada, Deivid marcou apenas seis gols em 22 jogos, nenhum no Brasileirão. O último deles foi contra o Americano, em 15/04, de pênalti, pelo Campeonato Carioca. Deivid chegou a marcar 5 gols seguidos nesse ano, entre Libertadores e Cariocão, mas depois de um gol perdido inacreditavelmente contra o Vasco, viveu uma seca que parou no gol contra o Americano e recomeçou em seguida. O gol perdido ganhou as redes sociais e, ao pesquisar por “gols de Deivid pelo Flamengo” em busca dos números, me deparei com 545 mil resultados sobre… o gol perdido. Que está abaixo:

Claro, é vida nova para ele no Coxa. Mas a contratação não aplaca o verdadeiro problema da equipe.

*Deivid foi nomeado em homenagem ao personagem da Marvel Hulk. A mãe de Deivid era fã do Gigante Esmeralda e foi na onda da TV, que modificou o nome original (e duradouro até hoje nos quadrinhos) de Bruce Banner para David Banner – sabe-se lá porque mudaram o nome do personagem. A história veio à tona ainda na época em que ele defendia o Santos e Deivid, artilheiro, chegou a ser apelidado de “O Incrível Deivid”. Relembre um trecho do seriado dos anos 80:

Alerta Vermelho

Dezenove jogos já são mais que suficiente para avaliar uma equipe. Portanto, apesar de oscilar bons e maus momentos, dá pra dizer: o alerta vermelho está ligado no Coritiba.

O Coritiba me engana à toda hora. Foi campeão estadual com méritos, apesar dos questionamentos na tumultuada arbitragem local. Fez o que devia na hora certa, afinal. Chegou a uma decisão de Copa do Brasil pela segunda vez seguida, e contra um adversário em que era favorito, perdeu. Mas conseguiu um feito histórico e, pra quem atribui isso à tabela, lembro que São Paulo, Botafogo e Vitória tiveram a mesma oportunidade. No Brasileiro, faz bons jogos (Náutico, Vasco e Cruzeiro) e jogos horríveis (Botafogo, Sport e Figueirense); desperdiçou nova Sul-Americana, mesmo jogando bem, se entregando ao Grêmio no minuto final. Não nos permite avaliar se é bom ou ruim. Apenas de que é irregular demais.

Mas o alerta tem base numérica. Essa é a classificação final do primeiro turno em 2011:

O primeiro time fora da ZR era o Bahia, com 20; o primeiro a cair, era o Atlético, com 18. Dos três da ZR em 2011, só o Atlético-MG escapou. O Coxa, em 2012, tem 19 pontos:

Está com uma folga maior (3 pontos) do que o Bahia tinha o ano passado – e tem até o próprio Bahia entre a ZR – mas tem uma pontuação preocupante após 19 rodadas. E pior do que isso: tem abaixo de si um gigante do futebol brasileiro, o Palmeiras e um time que está jogando bem, apesar da fase, o Atlético-GO. Além disso, perdeu para o Sport em casa e jogará no Recife; e perdeu também para o Figueirense. Também em casa, perdeu pontos para o Palmeiras.

Preocupa a instabilidade no Coxa. Enquanto a análise geral, em especial da torcida, é por um atacante, o problema na verdade é outro: a defesa. O ataque alviverde é o segundo melhor do Brasileirão, ao lado do Fluminense (31 gols) atrás só do Atlético-MG, 33. A defesa é a pior entre os 20 clubes: 37 gols sofridos.

Ou seja: há produção ofensiva, mas atrás, uma peneira. E com Emerson fora, o time perdeu o melhor jogador do setor. Só que culpar Pereira, Lucas Mendes ou Escudero é ser simplista: o problema mesmo está no meio.

Sem Leandro Donizete, o Coxa perdeu pegada. Era um perdigueiro em campo. Sem Léo Gago, perdeu qualidade na saída de bola. E a reposição não foi a altura. Donizete está no líder Galo, Gago no 3o colocado Grêmio, as duas melhores defesas da competição.

O Brasileirão é cruel. Não tem jogo fácil e a cada ano que passa, a tabela de classificação parece mais uma lista do “holerite” dos clubes, com os 12 que melhor recebem tendo entre si apenas o “inconveniente” Náutico. O trauma recente dos rebaixamentos (2005/09) está guardado no armário, no fundo de uma gaveta, apagado pelo tri-paranaense e as duas finais da Copa do Brasil.  O orgulho de ser o único paranaense na elite não pode ser confundido com suficiência técnica: o Coxa precisa acertar a defesa e saber que o ano, especialmente depois da queda na Sul-Americana, é brigar pra não cair. O alerta está ligado.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 22/08/2012

Internacionalização

Coritiba e Grêmio, hoje à noite, no Couto Pereira. O tempo ajudou o Coxa nesse plano de internacionalização. Em Porto Alegre, a chuva segurou o embalo do Grêmio, que pegava um Coxa fragilizado. Os gaúchos fizeram 1-0. As semanas passaram desde o primeiro jogo e o momento ruim do Alviverde parece estar passando. O empate com o Vasco, jogando bem, e os 4-0 sobre o Cruzeiro dão novo alento para a disputa da vaga. Não será fácil: não pode tomar gol sob pena de ter de fazer sempre dois a mais e pega a escola “copeira & peleadora” gremista. Mas dá. E se passar, pega Cobreloa ou Barcelona do Equador (adversário na Libertadores 1986) na fase internacional.

O Derby da Rebouças

O jogo, que chegou a ser o principal do Estado no início dos anos 2000 quando os rivais da Rua Engenheiros Rebouças decidiram dois estaduais (2001 e 02) e representaram o futebol da terrinha na Série A sem o Coritiba em 2006 e 07, acontecerá no sábado na Série B pela primeira vez na história. Atlético e Paraná chegam iguais. Se o Tricolor joga em casa, o Furacão vem de três vitórias seguidas. Um empate mata os dois. A vitória coloca o Rubro-Negro em condições de brigar pelo acesso, algo que chegou a estar ameaçado; o mesmo, em menor escala, vale para o time da Vila. Jogo bom de ver, como há muito ambos não disputam entre si.

Despertar

Fora de campo, o Atlético parece ter mesmo despertado. A diretoria negociou com o J. Malucelli a volta à Curitiba, instalando arquibancadas modulares para até 9.999 torcedores e jogará no Barigui. O número é para atender ao Estatuto do Torcedor. Tivesse pensado isso antes e talvez o time estivesse em melhor situação na B. Além disso, um novo time chegou. Da estreia para o último jogo, apenas Manoel e Deivid se mantiveram titulares. Dois da casa, como Harrison, que está sumido, assunto que a coluna abordou há algumas semanas. Esclareceu o procurador dele, Pablo Miranda: “Nunca houve proposição de troca de procurador. Estou com ele desde 2009. Teve duas lesões graves e está se recuperando. É apenas o primeiro ano como profissional.”

Eleições

Meu voto vai para o primeiro candidato que formular uma proposta de inclusão de Curitiba na Olimpíada de 2016, organizando uma comissão que trate do incentivo ao esporte nas escolas municipais, a construção de um ginásio poliesportivo municipal e um comitê que traga para a cidade uma ou mais delegações para treinamentos e hospedagem, gerando renda para a cidade. Além disso, valorize o Mundial 2014, cobrando as contrapartidas do Atlético e assumindo o evento de peito aberto, abrindo as negociações, realizando ciclos de debates com profissionais e preparando o comércio e o cidadão para receber bem e rentabilizar com o turista na Copa. Quem se habilita?

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 15/08/2012


A (única) entrevista de Petraglia

 

Na quarta passada a coluna sugeriu que o presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia, viesse a público falar sobre a decepcionante campanha do clube na Série B. Ele o fez, na sexta (10). Apesar de dedicar boa parte do tempo à velha história de que o clube “está em meio a um projeto que começou em 1995”, enumerando as obras passadas e próximas, o dirigente disse duas coisas relevantes para o momento do futebol. A primeira, de que errou em algumas avaliações na montagem do departamento de futebol. A segunda, de que, mesmo sem ainda ter um técnico definido (deve ficar mesmo com Drubscky), mudou a tempo de tentar o acesso. É fato que muitos jogadores chegaram e a direção mudou, comprovando a postura que está no discurso. Fato também que se perdeu um semestre – novamente. No geral, a entrevista mostrou um Petraglia mais sereno e deixou a promessa de que esses encontros, importantes para o torcedor entender a cabeça do dirigente, irão acontecer outras vezes.

 

Direitos e deveres

 

Mudo a chave para abordar outro tema palpitante: a postura do CREF (Conselho Regional de Educação Física) sobre o fato de Ricardinho, ex-jogador sem o diploma de Ed. Física, estar exercendo a profissão de técnico no Paraná. Ouvi e li muita bobagem sobre o tema, quase todas sob o signo do clubismo. Não é o caso. Ricardinho vem se mostrando competente na função, é talentoso e viveu o futebol. Mas em um país que ignora e menospreza a educação, não podemos tratar como apenas “revanchismo” a exigência do CREF. Ser um profissional de educação física e coordenar um grupo de atletas é uma função que exige conhecimento em fisiologia, biomecânica, pedagogia e psicologia, entre tantos outros além da tática. Seria incoerente defender o diploma para jornalistas e atenuar o pedido do CREF. O Brasil precisa amadurecer, valorizar a educação e o conhecimento. Ricardinho, diga-se, está cursando faculdade de Educação Física e sabe disso. Busca o conhecimento e deve ser exemplo: tem o direito de trabalhar (está amparado pela CBF) e o dever de aprender o melhor. O CREF-PR está certo, ainda que esteja sozinho no pedido. Se outros centros não fazem, estão errados. E Ricardinho , assim como todos os técnicos, sairá fortalecido desta, podem escrever.

 

Desempenho Coxa

 

O Coritiba tem sim um projeto, digno de elogios, já rasgados diversas vezes nessa coluna. Mas precisa repensar algumas rotas. Há tempos não perdia tantos pontos no Couto como nesse Brasileirão. A rotina perde/empata em casa e perde fora só tem um resultado conhecido: a queda. O Coxa precisa mudar sua estratégia antes que a água chegue ao pescoço. Perdeu pontos para Palmeiras e Sport em casa, clubes logo abaixo na classificação. Terá que buscar fora. E, previsível, tem perdido dos mais fortes e vencido apenas alguns dos mais fracos. E o grupo não é de todo ruim, como mostrou em um torneio de tiro curto, a Copa do Brasil. A estabilidade no clube é admirável, mas não pode ser confundida com apatia. Futebol às vezes exige um chacoalhão, para que quem fique relembre a razão pela qual está vestindo aquela camisa.

 

Top Hits Esportivo: pequena crônica musical nos assuntos da semana

#1 Brasil Olímpico:

Não entendeu? Clique aqui, aqui e aqui (old, but g…, bronze mesmo)

#2 Rodolfo & Keirrison:

Aqui e aqui.

#3 Fabiana Murer

Você já sabe o que fazer. (Abraço especial para Baloubet du Rouet)

#4 Atlético Série B 2012

Acolá, e .

#5 Paraná Série B 2012

Aqui.

BONUS TRACK: Coritiba e o futebol PR

Clique.

Abrindo o Jogo – Coluna de 01/08/2012 no Jornal Metro Curitiba

De novo, chance de crescer

Imerso na transmissão da Olimpíada Londres 2012, confesso que tenho visto pouco do Brasileirão A e B. A internet ajuda, mas o difícil mesmo é ver que as perspectivas paranaenses já começam a ser reduzidas nas duas divisões (na B ainda mais preocupante, pois há estagnação em inferioridade) com 1/3 já disputado em ambas. No entanto, ontem teve início a Copa Sul-Americana para o Coritiba. A coluna foi fechada antes do resultado. Mas dá pra falar da oportunidade de internacionalizar a marca.

“Mind the gap”

Essa é mensagem do metrô de Londres a cada parada. Significa que você deve ver o espaço entre o trem e a plataforma na hora de desembarcar. Ver o espaço, “mind the gap” que a Sul-Americana proporciona, é necessário. No Brasileiro, o Coxa não deve recuperar terreno pela Libertadores. Vencer um torneio internacional e se classificar em uma competição sem gigantes latinos e que deve ser dominada por brasileiros é um belo “gap” a ser visto. Começou antes mesmo de ontem, com estratégia pela vaga. Ano após ano, os clubes desperdiçam essa competição em nome do Brasileiro. E no eterno looping local, lamenta-se mais tarde e comemora-se ao final do a vaga que é desperdiçada no ano seguinte. Em 2011, o Atlético, dando a chave do clube para Renato Gaúcho, jogou fora; acabou caindo no nacional. Já o Vasco, campeão da Copa do Brasil e disputando o título brasileiro, foi às semifinais. Dá pra correr em paralelo, com planejamento para um Brasileiro razoável, salvando o ano do Coritiba.

Bezona

Acho cruel o comparativo entre Paraná e Atlético – mas para o Tricolor. Tem 1/5 do valor pago pela TV, não tem a estrutura, o glamour e a atenção midiática do Furacão. E ainda assim faz uma campanha melhor na Série B que o rival. Não se pode cravar que irá terminar assim, mas vendo os resultados e ouvindo as análises de atuação, fica a clara impressão que o acerto nas escolhas na Vila foi maior que na Baixada. O Paraná tem mais ambiente, joga melhor, sonha mais. O Atlético decepciona e ninguém entende exatamente por que. De fato, o rubro-negro não começou o campeonato com expectativa maior apenas que a do Paraná, mas também que a dos outros 19 competidores. É, ao lado do Guarani, o campeão Série A na competição. Tem uma das maiores torcidas do País e, principalmente, a maior verba. Difícil dizer se foi apenas um sapo enterrado há pelo menos duas temporadas na Baixada ou se as feridas políticas seguem atrapalhando o caminho atleticano.

De volta à Londres

Emanuel, melhor do Mundo no Vôlei de Praia, atleticano; Giba, melhor na quadra, paranista. Wanderlei Silva, não olímpico, mas campeão mundial no UFC, coxa. Confesso que não entendo porque SPFC e Corinthians, por exemplo, aproveitam seus ídolos identificados pra promoção e os paranaenses não. Timidez?

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/07/2012

Um problema de mentalidade

Escrevo de São Paulo, onde irei transmitir, em uma central de mídia/TV, os Jogos Olímpicos 2012 pelo portal Terra. A Olimpíada ainda não ocupou todos os espaços midiáticos que merece e, mesmo quando ganhar corpo, irá dividir espaço com o Brasileirão. Amamos a Pátria e nos empolgamos com nossos heróis nacionais, mas é pelo clube do coração que a cabeça realmente vira. Para qualquer torcedor, em um hipotético jogo entre Brasil e seu time, não há dúvidas: a camisa amarelinha estará em segundo plano. Por isso, entre uma rodada da Série B ontem, uma da Série A hoje e uma semana da perda do Coritiba na Copa do Brasil, ainda cabe uma reflexão: por que o futebol paranaense ainda não se coloca entre os grandes do País? O que fazer para mudar? Começo pela mentalidade dos envolvidos: diretores, atletas, imprensa e até mesmo os torcedores.

Pequeno histórico

O Coritiba perdeu a Copa do Brasil pela segunda vez em casa; o Atlético, quando decidiu a Libertadores, sequer jogou em Curitiba. Nas finais internacionais, nacionais e regionais a que chegaram – some-se aqui o Paraná Clube – perderam para os grandes do eixo, ou até para o segundo escalão, Minas-Rio Grande do Sul. Os paranaenses venceram Bangu e São Caetano – o futebol brasileiro agradece – mas quando toparam com São Paulo, Santos, Vasco, Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio, perderam – exceção ao Atlético na Seletiva de 99. Na hora H, falta algo. Falta, por exemplo, o costume de estar sempre na decisão. Falta a política de bastidores que inibe os erros de arbitragem, falhas humanas que acabam pesando mais para um lado, ou permite que Santos e Corinthians decidam a Libertadores para menos de 40 mil pessoas. Ter a confiança, para que um jogador mediano não perca um gol que faria em uma pelada. Falta acostumar-se a vencer.

Mudar para crescer

Ouvi uma história, do Coritiba 2009, quando rumava ao rebaixamento. Paulo Jamelli, então diretor de futebol, viu o barco afundando e sentenciou: “Vamos cair. Eu já joguei em clube vencedor. Quando está nessa situação, a camisa pesa, impulsiona. Aqui, estamos mais acostumados a perder do que ganhar, parece que não faz efeito.” O Coxa caiu, as coisas mudaram, a começar pelo comando diretivo, mais altivo. Ainda não foi o suficiente. É o resgate que também vive o Atlético e até mesmo o Paraná, dentro das suas limitações. Mas estão ainda longe. Jamelli falava sobre a exigência e apoio do torcedor; mentalidade vencedora. Não o ganhar por querer, mas por ter consciência de que esse é o caminho natural. Passa pela escolha de quem vai vestir as camisas. Por ousar em contratações e posicionamentos. Por dar estabilidade de trabalho. Criar um ambiente positivista. Mesmo a cobertura da imprensa (me incluo) deve ser mais profissional, sem apelar para os chavões “nós contra o eixo do mal” ou favores junto aos clubes. A cobrança, bem dosada, é que impulsiona. A questão é: ser dignos de dó, pelos erros, ou ser grandes? Eu quero ser grande.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 11/07/2012

O bonde da história

Alexandre Gomes, curitibano campeão mundial de poker, desistiu de disputar o título dessa temporada no WSOP Las Vegas para ver a decisão de hoje na Copa do Brasil, envolvendo o seu Coritiba contra o Palmeiras. Alê disse: “WSOP tem todo ano, final de Copa do Brasil não.” Curiosamente, nos últimos dois anos, para o Coxa, foi freqüente – feito só alcançado por Grêmio, Corinthians e Flamengo (o único a não ser campeão quando decidiu por duas vezes seguidas). Reverter o 0-2 imposto pelos paulistas não será tarefa fácil – nem impossível. É fato que o 6-0 do ano passado ainda impõe terror na cabeça dos palmeirenses. Mas uma coisa é golear ao natural, outra é vencer precisando fazer a diferença, contra o relógio. Campeão ou não, vislumbro que a máxima de Alê Gomes deve ser levada em consideração hoje. Precisamos que o futebol do Estado seja mais regular em decisões para não perder as chances que foram perdidas no primeiro jogo. A perna tem que pesar menos. O Atlético o fez no início dos anos 2000, mas de 2006 pra cá, ostracismo. Ao Coxa, resta saber lidar com o título aproveitando o crescimento e, em caso de perda, entender que o projeto tem que ser maior. Senão perderá o bonde da história.

Marcelo Oliveira

Questionado pela torcida, desde que chegou até pouco tempo atrás, finalmente o técnico Marcelo Oliveira é reconhecido como peça-chave no sucesso recente do Coxa. Mais do que ninguém, tenho certeza, ele quer vencer o jogo e ficar com a taça hoje. Para Oliveira, é a confirmação do que muitos que vêem o trabalho nos bastidores já sabem. Mais do que isso, deixará para trás de vez o questionamento a respeito da decisão de 2011, contra o Vasco, quando alterou o time no jogo final. Sedimentará a entrada no rol dos grandes treinadores do Brasil. Mesmo sem título, já está em outro patamar. Não à toa foi sondado pelo São Paulo FC antes da decisão. Ficou por caráter e pela vontade de vencer. É o personagem da finalíssima.

Acordando

Depois da bronca pública do técnico Jorginho, que chegou a dizer que o time atual do Atlético fedia, outra bronca nos vestiários contra o América-MG, uma reação não suficiente no placar, mas motivadora em atitude. Parece que o Furacão está acordando. Talvez, enquanto você lê essa coluna, já tenha conseguido a primeira vitória sob o comando do novo técnico. Mas mais do que isso, os nomes de Wellington Saci, João Paulo e Elias, próximos ou já certos, e os já estreados Weverton e Luiz Alberto mostram que demorou, mas a diretoria viu que era necessário reforçar. Com a recuperação física de Liguera e Zezinho, o time ficará encorpado. Dar tempo para Jorginho trabalhar e arrumar um 9 – quem sabe o uruguaio Morro Garcia, patrimônio “sucateado” do clube – podem ser a salvação do desastre anunciado do rubro-negro na Série B.

Mini-Guia da Copa do Brasil 2012: Decisão

A imagem: um ano depois do massacre, alviverdes se encontram na final

Chegou o dia! Pelo segundo ano consecutivo, fazendo história, o Coritiba está na decisão da Copa do Brasil. Desta vez o adversário é o Palmeiras.

Como em todas as fases anteriores, o blog apresenta um mini-guia dos adversários paranaenses. Saibamos então o que espera o Coxa nos dois jogos da final:

A campanha do Palmeiras

O time paulista chega à decisão invicto e, caso campeão da Copa do Brasil, poderá reivindicar também o título paranaense: foi algoz de Paraná e Atlético nas fases anteriores. Foram 7 vitórias e 2 empates em 9 jogos, tendo levado 5 gols e marcado 20.

Para chegar à decisão contra o Coxa, o Verdão passou por Coruripe-AL (1-0 e 3-0), Horizonte-CE (3-1), Paraná (2-1 e 4-0), Atlético (2-2 e 2-0) e Grêmio (2-0 e 1-1). A campanha é linear: em casa, 3 vitórias e 1 empate; fora, 4 vitórias e 1 empate.

No comparativo: o Coxa fez 10 jogos (1 a mais) com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, marcou 16 e levou 4. Logo, o Coxa pega um time com ataque mais efetivo, mas tem defesa menos vazada.

Na história

O Coxa fará a sua segunda decisão de Copa do Brasil na história (a primeira foi ano passado, acabou perdendo o título para o Vasco) enquanto o Palmeiras chega pela terceira vez a uma final. Para os supersticiosos, vale a pena ler esse texto.

Em 1996, perdeu a decisão para o Cruzeiro  (1-1 e 0-2) e ficou com o vice; deu o troco dois anos depois, contra o mesmo Cruzeiro, ao vencer por 2-0, depois de perder o jogo de ida por 0-1. O gol do título saiu aos 44 do 2o tempo, com o ex-atleticano Oséas:

Em confrontos diretos, vantagem palmeirense. São 11 vitórias coritibanas contra 16 paulistas e 10 empates. Pela Copa do Brasil, 4 encontros. Em 1997, o Palmeiras eliminou o Coritiba ao vencer por 1-0 no Couto e 4-2 em SP; no ano passado, o Coxa despachou o Porco, com requintes de crueldade. O massacre por 6-0 entrou para a história:

No jogo de volta, virtualmente eliminado, o Palmeiras, que havia perdido o recorde nacional de vitórias para o próprio Coritiba, acabou encerrando uma sequencia de 24 vitórias que entrou para o Guinness Book como a principal série de triunfos no futebol mundial. A vitória foi por 2-0:

Do time que foi goleado pelo Coritiba, o Palmeiras tem poucos jogadores que estarão em campo nessas finais. João Vitor, Marcos Assunção e Márcio Araújo seguem no time, enquanto o técnico ainda é Luiz Felipe Scolari. Dois jogadores que defenderam o time paulista naquele ano estão agora no Alviverde paranaense: Lincoln e Chico.

As armas

O Coxa leva vantagem no entrosamento, mas deve abrir o olho com três jogadores do Palmeiras.

Valdívia é o meia armador. Habilidoso e rápido, cria boas situações para os atacantes e também costuma chegar para o arremate. É genioso – logo, facilmente irritável – e, como quase todo latino (é chileno), joga com muita aplicação.

Mazinho é o atacante que cai pelos lados. Habilidoso, conduz a bola em velocidade e arremata com perigo. Ganhou o apelido de “Messi Black” pelos mais fanáticos palmeirenses. A comparação é válida até a página 2. Mas isso não diminui o perigo.

Marcos Assunção é o líder do time. Volante que sai pro jogo, ajuda na armação de jogadas e é perigosíssimo nas bolas paradas. Por isso é melhor evitar faltas próximas à área.

O Palmeiras perdeu outro bom jogador para as finais, o atacante Barcos, que acordou com apendicite nesta quinta. O desfalque de última hora pode fazer o time mudar a forma de jogar, com dois atacantes de velocidade, se optar por Maikon Leite (ex-Atlético) ou simplesmente mudar a peça, usando Betinho (aquele mesmo, do Coritiba 2010) no ataque.

Ainda vale lembrar a história de Felipão com o lateral-direito Arce. Foi em 1996, pelo Grêmio, antes da final contra a Portuguesa.

O fator casa

Tenho defendido que o Coxa tem uma leve vantagem nessas finais, sobre o Palmeiras. E parte disso é o fator Couto Pereira. Na primeira partida, o Coxa encara um estádio em formato arena, com proximidade da torcida, mas que não tem identificação com o adversário.

Torcedor é vibrante em qualquer campo na hora da decisão. Mas conhecer as dimensões do gramado, estar ambientado aos funcionários, aos vestiários, conhecer os atalhos, é uma senhora vantagem. Além da mística de jogar realmente em casa.

O trunfo do Coxa é o Couto Pereira. Em Barueri, o Coxa encara um bom time e alguma pressão; em Curitiba, o Palmeiras estará num alçapão hostil em que o dono conhece cada centímetro do gramado.

Faz diferença.