Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!
A constatação clássica explica porque o Coritiba tem ligeiro favoritismo frente ao Palmeiras na decisão da Copa do Brasil, que se inicia amanhã. O Verdão é um time com mais talentos individuais (que são poucos) que o Coxa, mas não tem a vantagem de jogar em seu estádio, tampouco tem o grande trunfo coritibano: o entrosamento. A montagem desse time, acredite, vem do fatídico 2009. A manutenção daquela espinha dorsal, reforçada sutilmente ano a ano, quase deu frutos em 2011, com um time mais talentoso que o atual. Mas nesse ano, está madura. Curiosamente, estudo da Pluri Consultoria aponta uma diferença de R$ 57 milhões entre o que gastou o Coritiba e o que aplicou o Palmeiras na montagem dos times. Já é uma vitória do Coxa. Por isso, o leve favoritismo, a ser provado dentro de campo, deve ser comemorado. Escolhas inteligentes, time competitivo.
R$ 57 milhões ou uma casa nova
O que o Palmeiras gastou a mais que o Coritiba para montar o time é, coincidentemente, o valor que arrematou (mais 500 mil reais) o Pinheirão em leilão na semana que passou. O grupo Destro agora corre com a documentação para acertar as pendências do arremate. Por isso, o destino do ex-estádio da FPF segue em aberto. Mas o próprio empresário João Destro, em entrevista à jornalista Nadja Mauad, admitiu que já foi sondado por gente falando pelo Coritiba e pela construtora OAS para saber o destino da obra. Há muito que o presidente coxa Vilson Andrade mantém o negócio de se construir um novo estádio em sigilo (quase) absoluto. Ao que tudo indica – e isso não é uma informação – os alviverdes poderão ter boas notícias ao final da conclusão do arremate.
A César o que é de César
A coluna é fechada antes do termino dos jogos da noite, por isso é impossível afirmar que o torcedor paranista acordou comemorando a volta à elite estadual, o que aconteceria com uma vitória simples sobre o Grêmio Maringá. Mas, se ela ainda não veio, virá; é inevitável. A campanha diz tudo: apenas um empate e só vitórias em 14 jogos. Nesse momento, justiça seja feita a um personagem: Paulo César Silva. Apaixonado pelo Paraná estava na diretoria que caiu em 2011 e foi um dos poucos a ficar. Reinventou-se como dirigente e como ser humano, ao passar por um drama familiar, recolhendo-se dos holofotes e delegando funções acertadamente. Assim trouxe Alex Brasil e Ricardinho para a linha de frente do futebol. Volta à primeira divisão paranaense e já faz campanha melhor que a do Atlético na B nacional, com um orçamento quatro vezes mais modesto. Ao Paulão, o reconhecimento pela vitória.
Odor
Reforços. Reforços. Reforços. Repita até virar realidade, pois só assim o Atlético voltará à primeira divisão nacional. O elenco atual, disse Jorginho acertadamente, fede.
Homenageado em vida pelo seu clube do coração, emprestando o nome à Sala de Imprensa do CT da Graciosa, Vinícius Coelho foi mais uma vitima da falta de cuidado no planejamento urbano, atropelado na Linha Verde, modernizada sem passarela de pedestres.
Ao lado de Carneiro Neto, Heriberto Ivan Machado e Ernani Buchmann, Vinícius era um dos poucos jornalistas que militam no esporte do Paraná a se preocuparem com a necessidade de se construir uma cultura literária no Estado. Um legado que deve ser perpetuado. Militou em uma fase nobre da imprensa local, com menos rixas, presidindo até a ABRACE, depois de fazer (outra das muitas) dobradinhas com Carneiro Neto na ACEP-PR.
Carneiro falou do amigo no dia do velório, realizado no Couto Pereira nessa quinta: “O Vinícius era muito preparado. Um intelectual, estudava, lia, entendia de Jazz, viajava o Mundo. A nossa profissão é complicada e ele não era disciplinado. Até o fim da vida correu atrás da “máquina”. Ele morreu com 80 mas viveu 200. Foram 50 anos de amizade, trabalhamos juntos em rádio, TV, jornal, fizemos parte de associação de classe.”
Apaixonado pelo Coritiba, enquanto trabalhava no O Globo, do Rio de Janeiro, colaborou diretamente para o primeiro título nacional do Coxa. Era 1973 e a então CBD fazia um torneio de verão com quatro grandes praças: SP, RJ, MG e RS – o chamado Torneio do Povo, que reunia as consideradas maiores torcidas de cada estado. Vinícius tinha amizade com o superintendente da CBD Mozart di Giorgio, curitibano que teve atuação direta na Copa de 62 ao “convencer” a comissão de arbitragem de que Garrincha, expulso contra o Chile, deveria jogar a final contra a Tchecoslováquia.
No Rio de Janeiro, Vinícius Coelho começou um lobby incansável pra encaixar o Coritiba no Torneio do Povo. Sugeriu a ampliação da disputa, envolvendo ainda baianos e paranaenses. E, óbvio, o representante da terrinha teria que ser o Coxa – então iniciando a máquina de títulos que foi hexa estadual nos anos 70. Conseguiu convencer di Giorgio, que incluiu Coxa e Bahia na disputa, antes vencida por Flamengo e Corinthians. Curiosamente, Coxa e Bahia decidiram o título, e o Alviverde levou a melhor, conquistando a primeira taça nacional da sua história.
Vinícius, que escreveu a letra de um dos hinos do Coritiba, verá a decisão da Copa do Brasil em outro plano. Um reforço indesejado e inesperado no campo espiritual, na tentativa do Coxa atualizar a sala de troféus nacionais. Ele, que não tem nenhum parentesco com Paulo Vinícius Coelho da ESPN Brasil, concedeu uma última entrevista, no dia do acidente, ao repórter Henry Xavier, da 98FM, que está nesse link. Uma perda sentida.
Está tudo errado no futebol do Atlético em 2012 e a classificação na Série B do Brasileiro atesta isso. Por isso, apesar de cair na chacota popular, a troca de comando técnico – ainda não 100% confirmada – de Ricardo Drubscky, recém chegado (dois jogos) não deve ser vista como um erro; é uma correção de rota. Erro é insistir em um técnico inexperiente comandando um elenco falho. Drubscky, até o fechamento dessa coluna ainda no cargo, não tem o perfil necessário que o Furacão precisa para voltar à elite ainda nesse ano. Pode ser útil na base, no Sub-23, time que deverá jogar o Estadual 2013. Mas para a Série B o nome de Jorginho, campeão desta competição no ano passado com a Portuguesa, é sem dúvida o mais adequado ao momento. Atlético ou ninguém deve ter compromisso com o erro e ao se confirmar essa informação, isso deve ser mais valorizado do que a aposta errada. Mas vale lembrar que só a troca de treinador não resolve: reforços são exigidos para o objetivo.
A frase
“O melhor para o torcedor do Atlético é ver o time campeão e de volta a Serie A. O Atlético precisa ser forte e eu to pensando mais no Atlético”, disse Jorginho, dando a entender que comprou o projeto, em entrevista à Rádio CBN Curitiba ontem.
O símbolo
Dinheiro não é tudo, nem mesmo no mercado do futebol. Lúcio Flávio estreou bem e faz bem ao Paraná Clube – que já é melhor que o Atlético na Série B.
O fator casa
Faltam ainda 15 dias para o início da série decisiva da Copa do Brasil entre Coritiba e Palmeiras, mas desde já firmo posição. No campo, confronto equilibrado, com o Coxa vivendo um momento ligeiramente melhor. Fora dele, vantagem ampla paranaense. Não dá para negar que o Couto Pereira pesará na decisão, enquanto o Palmeiras mandará o jogo em um campo sem identificação, Barueri. Esse ano, o Coxa não deixa escapar.
Pobre mercado esportivo
Defende – justamente – fim da censura em alguns casos, mas aplica censura velada em outros; majora em 40% o valor da anuidade, sem realizar reciclagem de profissionais, ciclo de palestras, integração com universidades e outros benefícios para a classe; tornou-se um pedágio inconstitucional para o trabalho, mesmo de quem está referendado por um veículo, tem 10 anos de exercício, formação acadêmica e está autorizado pelo dono do espetáculo; usa de truculência nas ações; libera associação mediante pagamento, se pretendendo reguladora profissional, botando os clubes em maus lençóis; serve como trampolim político. Qual o futuro de quem leva a notícia ao público esportivo com esse cenário em determinada associação? Que interesses são defendidos por quem escreve a notícia que você lê/ouve? Olho aberto, leitor.
Emerson: jogada aérea, com gramado encharcado, seria mortal. E foi. (foto: AI)
Aguerrido, pragmático, preciso. Seja qual o adjetivo escolhido para qualificar o Coritiba que eliminou o São Paulo e está pela segunda vez seguida na decisão da Copa do Brasil. O Coxa foi melhor que o São Paulo nos dois jogos e, convenhamos, nem passou tanto sufoco assim, muito embora Vanderlei tenha feito duas boas defesas. Não houve um único destaque: todos em campo jogaram demais. Até mesmo o criticado Roberto. Se há algum mérito individual – nenhum que se sobresaia ao coletivo – é para o técnico Marcelo Oliveira, que foi ousado na escalação e não arredou pé durante os 90′.
Agora, a decisão. Seja contra Palmeiras ou Grêmio – dois papões da Copa do Brasil – o Coritiba chega em pé de igualdade. Deve pegar o Verdão paulista (a se confirmar hoje) o que pode ser melhor por um fato significativo: o Palmeiras não tem casa. Enquanto o Couto Pereira tem a impressionante marca de 11 vitórias seguidas (incluindo 2011) pela Copa do Brasil a favor do dono da casa.
O Coritiba se junta à Grêmio, Corinthians (este, por duas vezes) e Flamengo como únicas equipes a chegar a duas finais de Copa do Brasil consecutivas. E a história aponta que o torcedor coxa-branca pode sonhar como nunca antes com o título.
Os times que conquistaram esse feito antes levantaram o caneco na segunda decisão – exceção ao Flamengo, que perdeu as duas.
Em 1993, o Grêmio perdeu a taça para o Cruzeiro; em 94, papou o Ceará. Os gaúchos ainda conseguiram a proeza de chegar novamente em 95, mas perderam para o Corinthians.
Em 2001, o Corinthians levou o troco na final, perdendo para o Grêmio. Mas voltou no ano seguinte e foi campeão, sobre o Brasiliense. Nova dobradinha corintiana em 2008/09: derrota para o Sport, vitória sobre o Internacional.
Só o Flamengo, vice do Cruzeiro em 2003 e do Santo André em 2004, não aprendeu a lição de um ano para outro.
Restará ao Coritiba mostrar, à Palmeiras ou Grêmio, que também tirou lições de 2011. E levantar mais um título nacional, o primeiro da Copa do Brasil para o Paraná, o primeiro de grande importância desde 1985.
Prorrogação
Tcheco não parou nesta quarta. Bem conversado, vai até dezembro – ou a Libertadores, porque não?
Por corporativismo barato e em desrespeito à constituição brasileira, fui impelido (com “l” mesmo) de trabalhar na partida entre Coritiba x São Paulo por uma associação de classe que se pretende reguladora de profissão. O tempo e a justiça mostrarão a verdade. Em tese, o torcedor não tem nada com isso. Mas paga por encontrar um mercado viciado – e reclama, muitas vezes generalizando os profissionais de imprensa. Há males que vem para bem e tomara que seja o caso, o início de uma nova mentalidade na imprensa.
Em tempo: agradecimento à vários colegas e ao Coritiba Foot Ball Club pelo suporte no caso.
A previsão do tempo para hoje é chuva, da manhã até a noite. Para as 21h, de acordo com o site Climatempo, mais água. Quando a bola rolar para o segundo jogo entre Coritiba e São Paulo (0-1 na ida) pela Copa do Brasil, o campo, mesmo com boa drenagem, estará encharcado. E apesar da necessidade do Coxa ser fazer um ou mais gols e de preferência não sofrer nenhum, a chuva é uma aliada. O São Paulo tem um time mais técnico e leve que o Alviverde, com Casemiro e Jadson trocando passes em velocidade, Lucas conduzindo a bola na diagonal e Luís Fabiano, perigoso e rápido, mas de média estatura. Já o Coxa tem como principal jogada no ano a bola alta. Foi assim no Paranaense, com Emerson e Pereira fazendo gols em cruzamentos invariavelmente saídos dos pés de Tcheco. Por isso com concluo: o São Paulo vem da Terra da Garoa, mas São Pedro é coxa-branca.
Despedida?
Ganhando, o Coritiba chega pela segunda vez seguida à final da Copa do Brasil; perdendo, dá adeus não só à competição, mas também ao maior ídolo do atual elenco, o meia Tcheco. Formado no Paraná, destacou-se no Malutrom antes de aportar no Alto da Glória. Pelo Coxa, três títulos paranaenses e um da Série B. Também ajudou o clube a se classificar para a Copa Libertadores de 2004, última participação alviverde. Aos 36 anos, Tcheco até teria bola para continuar mais um tempo. Ouviu pedidos de todos os lados: da torcida, de segmentos da imprensa e até do rival Paulo Baier para que siga jogando ao menos até dezembro. Não quer. Vai ser gerente de futebol auxiliando Felipe Ximenes. Só a vitória adia a aposentadoria de Tcheco. Imagine o quanto vale o jogo de hoje para o humano dentro da camisa do Coritiba.
Ambição
Ricardo Drubscky já é realidade no Atlético, mas passou despercebida uma declaração do ex-técnico Juan Ramón Carrasco que denota o grau de dificuldade que o substituto terá – e que se acentuou após uma estréia ruim no 0-0 com o Goiás em Paranaguá. Disse Carrasco: “Não nos foi exigido conquista, o importante é subir”, sobre os planos da diretoria rubro-negra para a temporada. Aprendi cedo na vida que é importante ao menos mirar nas estrelas, pois mesmo errando às vezes, chegaremos mais perto do topo. Não querer ser campeão é jogar contra a história do Atlético. Taça é taça. E para ganhar, é preciso reforçar um elenco que patinou num Estadual fraco. Sem contratar, nem Drubscky, nem Carrasco, nem mesmo Pep Guardiola darão o acesso ao Furacão.
Convite
Tenho apostado na convergência de mídias na internet, com vídeos e áudios, entrevistas especiais, informações e comentários no blog bemparana.com.br/napoalmeida. Convido você a visitar e comentar, ajudando nesse novo projeto.
Em pauta, a semifinal da Copa do Brasil entre Coxa e São Paulo, a necessidade do Atlético reforçar, um pedido: entrega logo a taça da Série Prata, Euro 2012 e a nova gata do Romário: Márcia Magalhães, assessora do Baixinho, gente da terra, gente nossa!
Na semana que passou o futebol deu mais um passo para trás. No clássico paulista entre Santos x Corinthians (0-1) pela Libertadores, a PM proibiu aquilo que chamou de provocações: faixas das torcidas tirando sarro dos rivais. “Eterno 7 x 1” e “Às vezes em segundo, nunca na Segunda” eram textos vistos frequentemente dos dois lados quando os times se encontram e que no jogo da Vila Belmiro foram vetados, sob a justificativa de preservar a paz. No entanto, isso não impediu a torcida do Santos de, reprovadamente, retirar o capacete de um PM de SP e atirá-lo ao gramado. Com isso, já surgiram comentários espirituosos como “no próximo clássico, vão proibir torcedores com mãos de ir ao estádio”. É o velho raciocínio preguiçoso das autoridades brasileiras: matar o cachorro para acabar com as pulgas.
Proibir é a regra, estejam certos ou errados os torcedores. O “Green Hell” criado pela torcida coxa-branca é uma bonita festa de cores (verde, claro), luzes e fogos e não incita ninguém à violência. Também não deixa os jogadores em campo em perigo – talvez deixe os adversários do Coxa um pouco assustados, no máximo. Serve para “incendiar” o ambiente, no sentido mais positivo da palavra. É parte da mística do futebol. Aquela que tentam acabar a cada dia.
Talvez o “Green Hell” tenha um outro problema: atrasa um pouco o início do jogo. Não que o horário seja uma preocupação central de quem transmite o evento. Afinal, o horário das 22h já privilegia a imensa maioria de interessados que não vai ao estádio, ficando no conforto do lar, com ou sem aquela cervejinha (a mesma proibida nos estádios desde antes dos episódios de 2009 no Couto, por exemplo) na mão. Os poucos privilegiados que podem ver o espetáculo ao vivo (tanto pelo preço quanto pela disposição) já sabem – e creio que não se importem – que um jogo in loco tem seus atrasos. Vão demorar a chegar em casa e o que querem mesmo é ao menos voltarem felizes ou orgulhosos.
“Secretamente” (se é que há como organizar algo coletivo numa rede social sem que ninguém saiba), a torcida do Coritiba pretendia surpreender o time e a diretoria com um “Green Hell ilegal” na partida dessa quarta-feira contra o São Paulo, no jogo de volta (0-1 SP ida) pela Copa do Brasil. Foi o que bastou para o clube soltar uma nota de esclarecimento que diz, entre outras, que “o clube também pede a colaboração de seu torcedor para que não traga ao estádio nenhum tipo de fogos de artifício, piscas ou sinalizadores, lembrando que haverá uma revista minuciosa na entrada dos torcedores.” Algo do tipo, “nem vem que não tem.”
Nesse ano, contra o Ceará pela Copa do Brasil, a torcida do Paraná fez sua parte levando sinalizadores e fazendo uma bonita festa. O clube acabou julgado no artigo 213 do CBJD pelo atraso de 3 minutos, em que podia ser punido de R$ 1 mil a 100 mil por minuto de atraso. Foi apenado em R$ 1,2 mil – possivelmente 50 a 60% do valor da festa que a torcida coxa pretende fazer.
Mas o que importa mesmo é que ninguém tem um “porque” decente para o não. O “Green Hell” é esporádico (cada vez mais) o que só valoriza a ação; não agride, não ofende – embora os narradores fiquem com a respiração trancada por alguns minutos; talvez atrase um pouco o jornal, mas, vá lá, nem todos os filmes da madrugada são tão bons assim. Entre proibições, o futebol vai perdendo seu encanto. Deviam deixar pelo menos o pessoal torcer em paz.
Pelo segundo ano consecutivo, pela quinta vez na história, o Coritiba é semifinalista da Copa do Brasil. Operário, Paraná e Atlético ficaram pelo caminho e cabe ao Coxa a honra de representar não só a si, mas também ao Paraná em uma série semifinal que ainda tem um gaúcho e dois paulistas.
Finalista em 2011 (perdeu o título nos critérios para o Vasco) o Coritiba enfrenta o São Paulo, clube mais poderoso do País, mas que está desacostumado com a Copa do Brasil. Nos últimos 10 anos, o São Paulo disputou a competição nacional apenas três vezes (estava na Libertadores nas demais). Ao Coxa, cabe o rótulo de azarão: entre os quatro, é o de menor investimento; no entanto, tem se acostumado com o formato da competição.
Coritiba x São Paulo
Ida: 14/06 – 21h – Morumbi, São Paulo
Volta: 20/06 – 21h50 – Couto Pereira, Curitiba
A exemplo do Coritiba, a melhor campanha do Tricolor Paulista na Copa do Brasil é um vice-campeonato. Em 2000 perdeu para o Cruzeiro na decisão. O São Paulo leva ligeiro favoritismo na série, mas não é um supertime; conta com dois jogadores de qualidade acima da média, como os atacantes Lucas e Luís Fabiano. Ainda tem bons valores, casos do lateral-esquerdo Cortês, do meia Casemiro e dos ex-atleticanos Rhodolfo (zagueiro) e Jadson (meia). No banco, o experiente técnico Emerson Leão. Mas na temporada, altos e baixos. No Paulistão, o time parou nas semifinais. No Brasileiro, é 8 ou 80: duas vitórias em casa, duas derrotas fora.
Em casa, o SPFC está 100% na Copa do Brasil. Superou Independente-PA (4-0), Ponte Preta (3-1) e Goiás (2-0) – eliminou ainda o Bahia de Feira sem precisar jogar no Morumbi. Tem jogado no 4-4-2, com as principais jogadas saindo pelo lado esquerdo com Cortês ou em tabelas rápidas pelo meio, com o trio Casemiro-Jadson-Lucas.
Contra a Ponte Preta, o SPFC encontrou muitas dificuldades. Depois de perder o jogo em Campinas (0-1) saiu atrás no Morumbi e não conseguia furar a boa marcação da Ponte. Mas empatou em uma jogada de bola parada e contou com uma falha bisonha da defesa adversária. A partir dali, virou dono do jogo. Veja os lances:
Na história será o primeiro confronto pela Copa do Brasil. No geral, vantagem sampaulina: 11 vitórias do Coritiba contra 17 paulistas, e 10 empates. A maior goleada do confronto pertence ao Coxa: 4-0 no Brasileiro de 1972. No último jogo no Morumbi, 0-0; no último no Couto Pereira, 3-4 para os paulistas.
Se passar pelo São Paulo, o Coxa decide o título contra Grêmio ou Palmeiras.
Muita tradição e rivalidade em campo. Duelo Luxemburgo x Felipão, 18 anos depois, com papéis invertidos. Leve favoritismo do Grêmio. Abaixo, dois grandes jogos entre os times, que entraram para a história, nas quartas-de-final da Copa Libertadores. Na ida, 5-0 Grêmio e vaga 100% garantida. Ou quase: o Palmeiras ficou perto de devolver o placar:
Estive no interior do Paraná durante o feriado. A predileção dos nortistas pelo futebol paulista não é novidade. O Paraná, futebolisticamente falando, começa em Paranaguá e termina em Ponta Grossa. Por isso, São Paulo x Coritiba na noite de amanhã não é apenas mais um jogo: é uma daquelas chances que o futebol da terrinha tem de demonstrar que há competitividade suficiente para que os paranaenses comecem a adotar os times do Estado. Entre 2001 e 2006, envolvido em disputas nacionais, o Atlético rompeu um pouco essa barreira; agora é a vez do Coxa, pela segunda vez seguida em uma semifinal de Copa do Brasil. Vale muito.
Rafinha subiu no telhado?
E justamente pela importância da partida é que se estranha que Rafinha, principal estrela do elenco, foi liberado pelo departamento médico e pediu para não jogar. Pela cidade, corre o boato de que ele está de malas prontas para o futebol asiático, em negociação que envolve a LA Sports, parceira do clube. Não é impossível, mas não é o que o clube diz. Mesmo liberado, Rafinha pediu para não jogar porque jogou sem estar 100% nas finais do Paranaense e voltou a sentir. Então pediu para não atuar amanhã no Morumbi. De uma forma ou de outra, o Coritiba tem que aprender – e já tem tentado – a viver sem Rafinha.
Adiós, Carrasco
Ainda na tarde de segunda-feira, recebi a informação de que a diretoria atleticana iria demitir Juan Ramón Carrasco. Ela só se confirmou na manhã de ontem. Carrasco deixa o Atlético seis meses depois da queda para a segunda divisão nacional com um problema e tanto para o próximo treinador: elenco fraco. A troca de técnicos é a solução mais à mão para qualquer clube em mau momento. Nem sempre é a correta. O auxiliar de JR Carrasco, Omar Garate, afirmou entre outras coisas, que o atacante uruguaio Morro Garcia treina bem, mas não pode ser escalado. Contratação polêmica da antiga diretoria, Morro teve poucas chances – não aproveitou-as bem – e é jovem. Pode simbolizar uma das razões da saída do técnico: a de que a diretoria passou a influenciar diretamente nas escalações.
Sol e peneira
Carrasco começou o ano a mil, colocando o Atlético no 4-3-3 e contando com Harrison como revelação, junto com outros jovens que estavam bem, como Ricardinho e Bruno Furlan. Harrison sumiu do time sem muitas explicações. Uma das possíveis é que não quer trocar de procurador para renovar contrato. O elenco foi sentindo as competições e demonstrou ser fraco. Não foi reforçado à altura. Trocar o técnico é tapar o Sol com a peneira: sem trazer jogadores e dar liberdade ao novo treinador, o Atlético caminha para um 2012 ainda mais amargo.