Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 08/02/2012

Atletiba 349 no Eco-Estádio e com torcida única?

Só a Polícia pode impedir a realização do clássico 349 no Eco-Estádio, caso entenda não haver segurança. Com a recusa do Coritiba em emprestar o Couto Pereira, o que está respaldado pela justiça, o Atlético irá mandar seus jogos no Janguito Malucelli. E a FPF não tem como arbitrar sobre o tema. “Não posso obrigar a jogar em outro lugar. O Atlético indicou lá e se a polícia liberar vai ser lá”, disse Amilton Stival, vice-presidente da Federação, que ainda confirmou que pode, em contrapartida, solicitar que o jogo tenha torcida única. A 15 dias do primeiro clássico do ano, a decisão deve passar por uma avaliação do que acontecerá hoje à tarde no jogo entre Atlético e Toledo. Mas é a PMPR, junto com a Rodoviária, quem realmente tem poder de veto sobre a realização do clássico no estádio que tem capacidade para 3.976 torcedores. 

E as conseqüências?

Assim sendo, evidentemente a PMPR e a PRF garantiriam a segurança dos torcedores, que passam a ter outras questões. A primeira: o jogo de volta, no Couto Pereira, também teria torcida única? Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, já sinalizou que caso essa decisão seja tomada, irá requerer o mesmo para o segundo turno – quando 37.182 pessoas poderão ver o jogo. Um número dez vezes maior. Além do diminuto número de sócios atleticanos que poderão fazer valer seu direito ao acesso no primeiro jogo, há a preocupação com a circulação no entorno do estádio e também na chegada dos times. Realmente desaconselhável. Solução? Difícil. Outra opção seria Paranaguá e aí há o risco de confronto de torcidas na estada. Vale lembrar que o Atletiba 349 acontece dia 22/02, quarta de cinzas.

All Blacks

A camisa III do Coritiba, lançada ontem, será o segundo uniforme do clube por um bom tempo. A idéia é apostar na proposta monocromática para fixar no mercado. A camisa estreará no jogo de hoje à noite, contra o Londrina. Tudo aconteceu rapidamente: o Tubarão avisou o Coxa que jogará com uniforme claro, predominante branco, e o Coritiba apressou-se em organizar um lançamento. A camisa, criada em conjunto pela Nike e pela Netshoes (que também patrocina o Atlético) remete ao tempo em que o Alviverde era chamado de Alvinegro, pelo conjunto “camisa-branca-com-detalhes-verdes-e-calções negros. Foi depois dos anos 70 que o Coxa passou a ser conhecido como alviverde”, relembra o historiador Heriberto Ivan Machado.

Comunidade latina

Com a oficialização de Martín Liguera no Atlético, o Furacão passa a ter quatro estrangeiros no elenco (Nieto, Guerrón e Morro García completam a lista). Se o elenco pode ter quantos estrangeiros o clube entender, vale uma ressalva: a CBF só permite que até três assinem a súmula de um mesmo jogo.

Descaso

A morte do torcedor atleticano André Lopes, na última quarta-feira, atropelado quando saia do Eco-Estádio após a vitória do Atlético (4-0) sobre o Roma, é mais uma demonstração do descaso dos organizadores do futebol local, cada vez menos preocupados com o bem-estar e a segurança do torcedor e muito mais em tapar os buracos que os mesmos se encarregaram de abrir. Infelizmente, esse buraco agora é ocupado por um jovem de 21 anos, que apenas queria acompanhar seu time do coração, mas sofreu com a falta de planejamento de quem liberou e confirmou o evento sem garantir segurança.

A faixa acima é um protesto de moradores e torcedores que perderam um amigo por pura falta de compromisso e planejamento. O conceito do Eco-Estádio é criativo e digno de nota. É feito para comportar a torcida do Corinthians-PR. Até o jogo desta quarta, o recorde de público era o jogo J. Malucelli 3-2 Coritiba, em 2008: 2.173 pessoas. Já um volume substancial de torcedores. O novo recorde foi estabelecido pelo Atlético, tem exatamente 1201 pessoas a mais, mais de 50% do público anterior: 3474. Com 17 mil sócios o rubro-negro dificilmente arrastará menos pessoas a campo do que o volume de quarta-feira. E pelo Facebook, único meio de contato com Mário Celso Petraglia desde que ele assumiu o Atlético, o presidente do clube anunciou:

A média de público do Corinthians-PR em 2011 foi de 383 pessoas, quase 10x menos do que se espera em público médio nos jogos do Atlético desde o anúncio acima. A liberação do estádio feita pensando no público médio do Timãozinho está dentro da normalidade; até mesmo o esquema de segurança, elaborado para um público tão diminuto, está de acordo. Para o Atlético, não. A movimentação é maior, desde o volume de torcedores e ambulantes até os profissionais de imprensa e da organização, mobilizados em maior número dado o apelo popular do Furacão.

E de quem foi a culpa pela morte de André Lopes? Cheguei a ler uma absurda troca de acusações clubísticas, como se Coritiba ou Paraná tivessem relação com a fatalidade – que, aliás, poderia ter acontecido num domingo de sol, com um visitante do Parque Barigui, já que não existe passarela na BR 277 – por não terem chegado a um acerto com o Atlético. Oras!, Coxa e Tricolor estavam quietos em suas casas, um ainda indignado pela maneira com a qual recebeu a imposição (ainda em processo judicial) de empréstimo do Couto Pereira, outro contabilizando o que vale/merece/precisa nas propostas pelo uso da Vila, já descartada. Atribuir culpa a esses clubes no acidente é desrespeitar a família e ignorar que o caso ainda está pendente de solução.

O Atlético, co-organizador do evento (que é da FPF) mostrou que cumpriu sua parte ao apresentar um ofício pedindo segurança a Polícia Rodoviária Federal com dois dias de antecedência:

A Rádio Banda B trouxe a público o documento acima. Aqui, o primeiro sinal de descaso: avisada, a PRF não  percebeu a relevância do evento. Ou, no mínimo, subestimou a importância de coordenar a entrada e a saída de 3,5 mil pessoas em uma rodovia. E o faz de novo: fará um teste hoje num jogo de menor apelo, entre Corinthians-PR x ACP. Pode ter a impressão de que o esquema já é satisfatório.

A Gazeta do Povo estampa que a PRF pode proibir os jogos do Atlético no Eco-Estádio. Diz Anthony Nascimento, inspetor da corporação: “Vamos avaliar se há uma forma para adequar o local para a travessia segura dos torcedores. Se não chegarmos a um consenso, a PRF vai pedir que o evento não seja realizado naquele estádio.” Como você viu acima, esse não será o único jogo do Furacão no Eco-Estádio, segundo o presidente rubro-negro. Após a tragédia (que poderia ter mais de uma vitima, diga-se) a PRF pode mesmo entender que não tem capacidade para fazer a segurança em jogos de grande porte na praça do Timãozinho. E então volta a tona o problema do Atlético: onde o clube jogará enquanto seu estádio está em reforma para atender à Fifa e à cidade na Copa 2014? Minha opinião está nesse link, mas em suma: foram cinco anos para pensar nisso e nada foi feito. Mais descaso.

Fato é que nessa semana o comitê paranaense esteve no Rio, reunido com a Fifa, apresentando as fórmulas de conclusão do estádio. Um nó que passa pela cessão de títulos urbanos de Curitiba (o potencial construtivo) ao Atlético, que os repassará ao Governo do Estado como garantia do financiamento via FDE. Aqui, cabe uma pergunta: entre os R$ 4 bi disponibilizados pelo PAC da Copa – a principal razão da briga de Curitiba pelo Mundial – não cabe orçar uma passarela na região?

Vamos seguir analisando o quadro num todo. É fato que o Atlético está sem opções para mandar seus jogos e que o Governo e a Prefeitura não mexeram um dedo para ajudar na solução, bem como há rompimento entre as diretorias do Trio de Ferro, pelos motivos já conhecidos. Mas há outra conta que pode ser feita: o CAP pagou ao Corinthians-PR R$ 20 mil de aluguel de campo, como está no borderô disponível no link. Como já citado, o Atlético tem cerca de 17 mil sócios. Cada um pagando R$ 70 mensais, enquanto o valor atribuído em borderô é de R$ 10. Claro, o sócio tem acesso a todos os jogos, o valor serve para cobrir as despesas dos ingressos – promocional para sócios – ao longo de um mês. Em fevereiro, por exemplo, o Atlético terá, contando o jogo com o Roma, quatro jogos em casa. A despesa, portanto, será de R$ 40, com R$ 30 ficando para o clube. A tarifação da FPF e da arbitragem, entre outros, entra na conta que o clube tem como prejuízo: R$ 9165,91.

No entanto, arredondando os números, 13.500 sócios estimadamente ficaram de fora do jogo, supondo ainda que estejam com a mensalidade em dia. São R$ 945.000,00 por mês, que certamente não cobrem o pedido público do Coritiba por jogo (R$ 250 mil) mas que possibilitaria um acordo mais justo e rentável entre as partes, sem a necessidade da justiça. Ou ainda na Vila Capanema, talvez não pelos R$ 30 mil oferecidos, talvez não pelos R$ 120 mil pedidos pela diretoria paranista. Resta ainda uma pergunta: apelando para o coração dos associados, o quanto a diretoria do Atlético vê ser necessária uma retomada de negociações? Quem sabe até aproveitando o embalo da nova campanha de marketing do Coxa, “Amo minha terra, torço pelo meu Estado”, que prega união e amor as coisas do Paraná – e pode dar um passo real fora de campo.

Aqui, não verso sobre a disputa judicial entre FPF e Coxa; essa opinião já foi emitida acima e foi a grande mola do desgaste. E a novela segue uma vez que a resposta do STJD, que sairia quinta, ficou pra sexta e passou o final de semana sem aparecer. E quando vier poderá causar até mais problemas do que soluções.

Um deles: entre os jogos de fevereiro no Janguito Malucelli, está o Atletiba de 22/02, uma quarta de cinzas. O estádio não tem iluminação e como antecipou Amilton Stival, vice-presidente da FPF, poderá receber torcida única no jogo.

Quem sofre é você, torcedor. É a família de André Lopes, para qual nenhuma das linhas acima servirá como consolo ou reflexão; é o consumidor, tratado para cima e para baixo como objeto, mas quase sem nenhum direito; é o cidadão, que acredita em um futuro melhor, mas vive sob a sombra do descaso dos governantes – que, não se esqueça, esse ano precisarão muito de você em outubro.

FAQ

Muitos assuntos espinhosos nos últimos dias, em especial a disputa jurídica entre FPF e Coritiba pela cessão do Couto ao Atlético. Achei mais fácil usar o sistema FAQ (Frequently Asked Questions, ou, no portuga, Perguntas Frequentes) para tentar esclarecer os pontos dessa e de outras questões. Para tanto, falei com a maioria dos personagens envolvidos na história e reuni reportagens anteriores. Quando exigido, dei minha opinião – que nunca teve a pretensão de se tornar verdade absoluta. Espero colaborar com o tema e manter esse canal aberto. Vamos lá?

Com a indicação do Janguito Malucelli, a ação da FPF perde objeto, ou seja, deixa de ter razão de ser?

Não. Mas o Coritiba pode tentar fazer com que o STJD entenda que sim. A verdade é que a indicação do Eco-Estádio (JM daqui pra frente) é um paliativo: o Atlético não tem pra onde correr e acertou com o Corinthians-PR para jogar lá até que ache uma solução que abrigue seus  17 mil sócios. Cabe ao Coritiba anexar ao processo o acordo entre FPF, Corinthians local e Atlético e o STJD pode entender que o caso está resolvido. No entanto, é difícil que isso aconteça sem a anuência das partes – no caso, sem que a FPF retire a ação. A ação pode perder objeto em outro caso também: se o julgamento ficar marcado após o fim do estadual.

Porque a FPF comprou a briga do Atlético e está forçando o Coritiba a emprestar o estádio?

Hélio Cury responde: “Faríamos o mesmo por qualquer filiado que precisasse da FPF. O Atlético indicou e a Federação entende que o Estatuto deve ser cumprido.” Na verdade, além as palavras do presidente, o próprio ofício da FPF ao Coxa já responde a questão: o Atlético está cedendo o estádio à Fifa para a Copa 2014. A FPF, subordinada a CBF, está defendendo os interesses do Mundial. A ação é legal? É, está dentro da justiça. É moral? Talvez. Moral cada um tem a sua. Fato é que o Atlético não tem onde jogar e isso não é problema do Coritiba, mas os clubes poderiam (incluindo o Paraná) ter pensado nisso muito antes.

Teorias envolvendo política? Não comento.

Domingos Moro vai defender o Atlético contra o Coritiba?

Pra quem não sabe, o advogado Domingos Moro é conselheiro vitalício do Coxa e advogado permanente do Furacão. Nunca precisou defender o cliente contra o clube do coração, mas terá de decidir se o fará caso o Atlético resolva entrar como terceiro interessado no recurso da FPF. “Não vou falar sobre hipóteses, entendo a necessidade ética do caso e na hora certa, decidirei entre a paixão e a razão”, me disse Moro, sem antecipar posição.

O que você faria?

Qual sua posição sobre o tema Empréstimo do Couto?

Acredito, e não é de hoje, que um bom acordo entre Atlético e Coritiba poderia ter evitado todo esse desgaste. O Atlético requer o Couto pelo número de sócios que têm; o Coritiba poderia ter lucrado com o negócio. Não aconteceu e a coisa ficou insustentável quando passou a ser uma imposição. Foi uma prova de como somos tacanhos: precisava ir à justiça? Desde então virou questão de honra. E vocês sabem melhor que eu: futebol é paixão.

Ninguém mais escapa ileso moralmente: alguém perderá. Porém discordo de todos que temem uma praça de guerra: isso é futebol, gente. Se o Atlético jogar no Couto por imposição da CBF, Fifa, FPF ou do Papa, o Coritiba tem que ir buscar o que deve na justiça e acatar a lei; se não, o Atlético tem que arrumar um lugar que comporte seus sócios, aqui ou no Uruguai, e ressarcir aqueles que forem relegados no valor das mensalidades. E ponto. Nada de sair no cacete na rua. Até porque normalmente é você, torcedor, que volta pra casa de olho roxo ou acaba na cadeia. Ou no cemitério.

E o Paraná? A indicação é pelo Couto, logo, não está em questão.

E o rodízio de sócios no Janguito?

A informação é extra-oficial e está em estudo no Atlético. É simples: o clube analisa se distribuirá senhas e quem chegar primeiro, leva.

A Arena está sendo construída com dinheiro público?

Não. Pelo menos até aqui, uma vez que uma questão importantíssima ainda não foi esclarecida: como serão feitas as desapropriações no entorno do estádio? Só o governo pode desapropriar algo e esse sistema nunca foi colocado a público.

Mas o potencial construtivo, benefício concedido até agora, não é dinheiro público. Pelo contrário, acredite, a prefeitura sai no lucro. Quem explica é o ex-vice-presidente do Sinduscon-PR, Sérgio Buerger: “A concessão dá a prefeitura uma moeda. Ninguém perde nada com isso. Encontra-se uma maneira de financiar o negócio com o interesse do mercado privado.” Aqui, uma matéria de 2010 explicando esse papel do governo cedido ao Atlético.

Então, não há dinheiro público legalmente, mas e os direitos de Coritiba e Paraná nessa?

Segundo Luiz de Carvalho, secretário da prefeitura na Copa, como o Atlético recebeu autorização para transformar papéis de potencial construtivo no valor de R$ 80 milhões, foi pedido um prazo de carência para a emissão de novos títulos. No entanto a lei municipal beneficia os dois clubes, que podem requerer o uso quando entenderem e após a tal carência – certamente após a venda dos atuais títulos.

E o BNDES vai aceitar isso como garantia?

Tudo indica que não. Não há uma resposta sobre o tema: Mário Celso Petraglia ainda não concedeu entrevistas, não escreveu nada no Twitter ou Facebook e tampouco colocou algo no site oficial. Mas o colunista Augusto Mafuz, advogado notadamente ligado às coisas atleticanas, disse hoje em sua coluna que Petraglia pode colocar o CT do Caju como hipoteca. Sim, eles são desafetos e há que se ter cuidado com essa informação. Mas enquanto ninguém se manifesta oficialmente, é o que tem de resposta.

E você quer dizer que o Atlético não vai ser beneficiado?

Jamais! O clube é um dos grandes beneficiados, lógico. Qual seria chance de se construir um estádio Fifa sem a Copa? Não dá pra tapar o sol com a peneira e quem nega isso é muito cara de pau.

Porque o Paraná, que precisa de dinheiro, não aceitou a proposta do Atlético?

Isso foi respondido na nota oficial do clube: o valor ficou abaixo daquilo que o Tricolor entende como preço de mercado. Nessa questão, ao menos teve diálogo e negócio. Aceitar e acertar são outras coisas.

Cara, eu não engulo essa coisa da Copa ser de Curitiba!

Paciência. Pra mim, é. Pra Fifa, também: são prefeitura e Estado que tem assinatura para sediar o evento. O Atlético é um parceiro, como o Inter no RS.

Fato é que Curitiba nunca se vendeu como cidade-sede: não há marketing, não há interesse a não ser na hora das fotos. Roberto Requião, Beto Richa e Luciano Ducci nunca deram muita trela pro evento. Orlando Pessuti foi quem mais se empenhou. E usar a camisa do Atlético em algumas ocasiões não colaborou muito para que coxas e paranistas tivessem mais simpatia pela Copa. Assim como existe a disputa natural pelo estádio privado ficar com a sede.

Mas isso não diminui a importância do Mundial para a cidade, desde a vinda do PAC até o legado que (esperamos) ficará. É lucro para o comerciante, o hoteleiro, o empresário, o taxista, pra quem estiver pronto para o evento, seja da cor que for. Ah!, sim, seria interessante que o Estado já tivesse começado algumas ações nesse sentido. Mas…

Qual seu time do coração?

Essa pergunta foi feita inúmeras vezes, passou pelo pessoal do TJD-PR essa semana, e volta a tona quase que diariamente para quem trabalha em jornalismo esportivo.

É claro que eu tenho um time. Quem não tem e trabalha com jornalismo esportivo está no ramo errado. Só que não acho essa informação relevante. Ela não decidirá nenhum dos temas acima, não fará gols e nem mudará resultados. É a informação mais básica de futebol que eu tenho – o time que eu torço – mas isso é particular.

Meu time do microfone/computador/câmera para frente é a ética e o profissionalismo. Amo o que faço e faço com dedicação e seriedade extrema. Tem gente que mede as pessoas com a própria régua e julga: “fulano escreve isso porque torce pro time tal.” Certamente, fulano vai mal das pernas no trabalho. Temos que amadurecer alguns conceitos e respeitar o trabalho dos outros. Sim, eu mexo com a paixão de vocês e nem sempre com notícias boas, mas tá no preço. Alguém tem que fazer. Acredite, é trabalho, não é lazer. Pergunte à minha esposa.

Todo jornalista tem um time, um partido político, uma ideologia. Somos humanos, oras! Ok, eu sei que alguns não parecem. Mas eu particularmente gosto muito dessa interatividade com vocês. E humanos erram. Só que há uma distância muito grande entre errar e ser corrompido. E eu não admito qualquer tipo de insinuação quanto a minha conduta ética e profissional: rede social não é boteco e pode ser documentada. Então, se acusar, tem que provar. Combinado?

Dito isso, volto ao tema: não importa. Importa é que você seja bem informado, com isenção e precisão – não confundir com pressa – e também possa manifestar sua opinião. É pra isso que criei o blog, com o incentivo do Léo Mendes Júnior, meu goleiro nos tempos de pelada. Aliás, aquele sim era o meu time.

Agradecimento especial aos vários leitores do Twitter e também aos que comentam aqui no blog, que enviaram as perguntas acima. Ia citar os nomes junto a cada questão, mas era muita gente e alguns eu só conheço por @algumacoisa, o que certamente não está no RG.

Nota de repúdio

Eu, Napoleão de Almeida, jornalista e publicitário pós-graduado em gestão e comunicação esportiva, mantenedor deste nem tão nobre espaço, aproveito a onda de notas oficiais de repúdio entre os clubes paranaenses para manifestar meu repúdio a algumas questões acerca dos últimos acontecimentos:

– Um assunto tão sério quanto a realização da Copa do Mundo no Brasil esteja sendo tratado de forma tão amadora pelos dirigentes responsáveis na cidade de Curitiba, com um sem número de festival de erros cometidos desde 2007;

– A falta de diálogo entre as partes em busca de um denominador comum, a rivalidade besta e pequena que faz com que nossos clubes se apequenem enquanto o futebol de regiões como Santa Catarina, Bahia e Pernambuco se fortalecem e o conhecido quarteto SP-RJ-MG-RS segue na vanguarda;

– A falta de informações claras sobre temas relevantes como: origem e método de pagamento do financiamento da Arena e também o método e valores das desapropriações no entorno do estádio;

– A demora nas obras do mesmo estádio já citado, em obras para o Mundial;

– O método utilizado na requisição do Estádio Major Antônio Couto Pereira por parte do Atlético, via Federação e por caminhos judiciais;

– A resistência, em especial da torcida do Coritiba, em ver o clube alugando o estádio (mesmo antes da intervenção jurídica) a um rival que poderia lhe trazer rentabilidade financeira, seja no valor dos aluguéis, seja na valorização dos espaços publicitários. Ignorando solenemente também o fato que o Atlético jogou por anos a fio na praça alviverde, refutando a possibilidade de lucros aos lojistas do estádio, já atingidos pela restrição na venda de bebidas alcoólicas que, no entanto, não impediu episódios de violência mesmo após sua implantação.

– A lei citada acima, ineficaz no momento, e que será modificada para atender interesses comerciais durante o Mundial, como se os problemas supostos tivessem sido sanados;

– A falta de transparência nas ações das diretorias anterior e atual do Atlético na questão do aluguel do estádio, como se qualquer clube ou patrimônio estivesse a sua disposição e como se os cerca de 18 mil sócios não tivessem importância alguma na decisão, dada a demora em se buscar uma solução e o desleixo com os mesmos antes, durante e depois da partida contra o Londrina, em Ponta Grossa;

– À classe política do Paraná, ótima para aparecer na hora das fotografias, péssima na hora de tentar colaborar com o processo, abandonando o Atlético a própria sorte como se o evento Copa do Mundo Fifa 2014 não fosse da responsabilidade da Prefeitura e do Governo Estadual, como consta em contrato;

A inabilidade da diretoria do Paraná Clube ao emitir opinião desnecessária e até inoportuna ou intrometida, conforme a leitura, justificando o não-aluguel da Vila Capanema com um viés provocativo, como se houvesse outra razão melhor para não alugar o estádio do que a falta de um acordo comercial;

A falta de clareza e coerência na nota oficial-resposta do Coritiba, repudiando a mensagem da direção paranista, mas não negando claramente a informação e, pasmem, condenando o rival por não colaborar para o crescimento do futebol do Estado, como se a negativa de aluguel do estádio fosse exemplo de união;

A provocativa nota oficial-resposta-resposta da diretoria do Atlético, diminuindo a importância do Paraná Clube no cenário local, pregando uma irmandade não vista entre atleticanos e coxas (salvo se a nota paranista tiver fundamento) e presumindo que toda e qualquer vontade atleticana deva ser respeitada;

A tréplica da direção do Paraná, jogando para a torcida e dando sequencia a um looping infantil e sem perspectivas de melhora, incluindo ofensas pessoais ao presidente do Atlético – que pelo histórico não deixará barato e vai xingar muito no Twitter;

– Ao cenário num geral, lamentável e mostrando que o autofagismo curitibano está em cores vivas por todos os lados da cidade, que teve 5 anos para achar uma solução e não só não conseguiu, como: 1) não convence mais da metade da população que o evento é benéfico para a comunidade; 2) não faz uma ação de marketing envolvendo o Mundial; 3) não soluciona questões simples, como a novela do estádio; 4) perdeu a Copa das Confederações; 5) Abrigará apenas jogos da primeira fase em 2014; 6) arrasta-se numa sequencia infinita de erros que faz qualquer um perder a paciência.

Sem mais para o momento, subscrevo-me, de saco cheio.