O “meme” acima circula no Facebook e somado ao resultado do Derby do final de semana, me fez expor uma reflexão que, embora pareça dolorosa aos tricolores, é na verdade a chave para a retomada de um Paraná Clube forte e vitorioso:
Não há grau de comparação entre o Paraná e os outros dois clubes da cidade, Atlético e Coritiba.
Nós, da imprensa, somos em parte culpados da percepção que se tem de que o Paraná tem as mesmas obrigações dos rivais de outrora. Não tem: falta ao Paraná muito no comparativo com a dupla, especialmente dinheiro. O Paraná é cobrado como se recebesse o mesmo que Atletiba, como se tivesse o potencial midiático da Velha Firma* da cidade, como se tivesse a mesma estrutura dos outros dois. É vendida ao torcedor a ideia de que o Paraná de hoje é tão competitivo quanto os outros dois e, por mais doloroso que isso possa soar, não é.
Um rápido resgate histórico mostra alguns porquês. Escolhas erradas, como a venda do terreno do antigo Britânia ao invés da exploração imobiliária da região, a famigerada parceria que trocou direitos de jogadores por alimentação e uma sequencia de administrações nocivas minaram o que era a proposta inicial do Paraná: um clube com estrutura sólida (Pinheiros) e uma torcida participativa (Colorado). Basta ver quanto Thiago Neves, um dos melhores jogadores em atividade no futebol brasileiro, rendeu ao Paraná. Nem o orgulho de dizer que ele é do clube ficou.
A revolução de 1995, que guindou o Atlético ao patamar de um dos maiores clubes do Brasil, com a conquista do título nacional de 2001, iniciou-se na verdade em 1989. Foi a fusão entre Pinheiros e Colorado que acordou a dupla Atletiba. Isso depois de 5 anos de domínio absoluto tricolor. O Coritiba, destaque nacional no fim dos 70, meados dos 80, ressurgiu na mesma época e voltou a frequentar a Série A, mais recentemente chegando a duas decisões de Copa do Brasil. A Velha Firma paranaense ficou à sombra do Paraná antes de se mobilizar. E o que fazia o Paraná se sobrepor aos dois era organização e dinheiro, que foram embora.
O Paraná hoje tem menos estrutura, menos torcida, menos capacidade de arrecadação, menos dinheiro (é chato repetir, mas é isso: dinheiro) que os outros dois. Como o futebol ainda reserva mágica, pode ganhar e surpreender em campo. Mas a lógica é que não. Isso explica as 8 derrotas consecutivas para o Atlético e outras 5 partidas sem vencer o Coxa desde 2010. Isso explica porque o clube começa bem a Série B há três temporadas, mas não consegue se sustentar o suficiente para ficar no G4 ao final das 38 rodadas.
Exigir do Paraná além do que ele pode oferecer é matar o clube a cada dia. E isso não é sinônimo de afastar o torcedor de campo, pelo contrário: esse tem papel fundamental no momento de reconstrução paranista. Há que se admitir que o potencial hoje é menor do que o de antes. Que fazer uma campanha honrosa, sonhando com pés no chão, é o melhor. Que o acesso no Estadual, obrigação, já veio. E por isso demitir técnico (o que nem foi cogitado) ou mudar todo um elenco, invadir campo, inverter faixas, só vai prejudicar.
Afinal de contas, não importa o resultado, o sujeito muda até de sexo, mas não muda de time. E clubes argentinos e ingleses lidam bem com suas expectativas temporada após temporada. Até o supercampeão Liverpool atualmente só briga pra tentar chegar à Champions League; sem dinheiro, título é pra United, City, Chelsea e Arsenal, mais afortunados.
A expectativa derrota o Paraná temporada após temporada. Ela parte de todos os setores do futebol paranaense, alguns mais hipócritas que os outros. Para que o clube possa realmente voltar a ser competitivo, é preciso repensá-lo e reinventá-lo.
*A Velha Firma, The Old Firm: clássico escocês entre Celtic x Rangers, que mexe com todo o país através do futebol e fanatismo religioso. Veja mais aqui.
