O que o Mundo está falando da Copa das Confederações

O evento-teste da Fifa vai começar e o Brasil vive uma onda de protestos sociais, na expectativa de uma repercussão internacional, já que todos os olhos do planeta estão voltados ao País. No entanto, não é o que se vê nas manchetes deste sábado, pré-estreia da Copa das Confederações, nos principais jornais esportivos do Mundo. Nenhuma nota ou preocupação em destaque – ao menos antes da competição começar.

Argentina

Nossos vizinhos estão fora da Copa das Confederações, mas não deixam de opinar. “Toda sorte para o Brasil” é a manchete do Olé, que brinca com o tabu de que nunca uma seleção que venceu a Copa das Confederações ficou também com o caneco do Mundial no ano seguinte. Bem, há sempre uma primeira vez.

Uruguai

Os uruguaios ainda não estão 100% voltados a Copa das Confederações. A grande preocupação do Ovación Digital está na busca por uma vaga no Mundial: com sete pontos, a Celeste garante ao menos a vaga na repescagem. Olhos em 2014.

Espanha

O Marca, principal jornal esportivo espanhol, segue a linha de se preocupar mais com o Real Madrid que com a seleção local. Tanto é que a principal manchete é com o uruguaio Luis Suárez dizendo que “valerá o mesmo” se marcar ou não no encontro entre Celeste e Fúria.

Itália

Na Gazzeta Dello Sport, a preocupação é com Mário Balotelli, que com uma contratura, pode ficar de fora da estreia contra o México.

México

Chicharito Hernandes, do Manchester United, é o destaque do Central Deportiva, caderno de esportes do El Universal, que fala da preocupação da Itália com o artilheiro.

Japão

No Japão, o destaque do Daily Sports Online é a declaração de Neymar sobre os principais jogadores japoneses, Honda e Kagawa.

Nigéria

Nada de repercussão sobre a quase-desistência da Nigéria na Copa das Confederações: página virada, a expectativa do The Guardian Nigéria é para o duelo com o Taiti: “Sonhos do Tahiti contra as Super-Águias”.

Taiti

No Le Dépéche, a manchete é: “Todas as atenções para o Taiti”. Pelo menos é essa a impressão que eles têm da primeira grande competição do país, que se rotula como “peixe-pequeno”.

Alemanha

Um dos principais países do mundo do futebol, a Alemanha dá pouco destaque para a Copa das Confederações (a quem chama de ‘mini-copa’), mas questiona: “Porque o Taiti e não nós?”, discutindo a ausência da seleção local nesta competição – e os motivos disso.

Inglaterra

Um dos mais ácidos jornais do mundo, o The Sun da Inglaterra, passa longe dos problemas sociais brasileiros ao falar da Copa. A manchete faz um apanhado do que há de melhor e, para desgosto de Carlinhos Brown, agradece a ausência de Vuvuzelas e afins no “carnaval do futebol”.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Clubes aproveitam Copa para pressionar CBF na Justiça Comum

Cianorte também vai buscar na Justiça vaga no Brasileiro (foto: Facebook CFC)

A notícia de que o Rio Branco do Acre chegou a um acordo intermediado no Supremo Tribunal Federal e disputará a Série C do Brasileirão sem que o Treze da Paraíba abra mão da sua vaga – entenda mais clicando aqui – pode abrir uma brecha com a qual a CBF não consiga lidar. Na véspera da Copa das Confederações e há um ano da Copa do Mundo, a confederação busca acordos para que os clubes não tentem a Justiça Comum para os conflitos, como manda a Fifa, e acaba criando um outro problema para si.

O próximo time que pressionará a CBF será o paranaense Cianorte. De posse de um ofício da própria CBF (ver abaixo), assinado por Virgílio Elísio, diretor técnico, o Leão do Vale não quer mais apenas a vaga a que teria direito na Série D – que inicia-se neste final de semana – mas sim quer entrar diretamente na terceira divisão nacional.

Reprodução do trecho do ofício da CBF para o Cianorte (Assessoria CFC)

Leia também:

Guia do Brasileirão – Série A

Guia do Brasileirão – Série B

Neymar: o monstro de René

Em entrevista ao repórter Martins Neto, o gerente de futebol do Cianorte Adir Kist disse que tentará a vaga na Série C em um acordo direto com a CBF, em uma reunião com Marco Polo Del Nero na próxima segunda (03/06). Do contrário, irá à Justiça Comum. “Estamos mobilizados com a Federação Paranaense e se isso não acontecer, vamos parar a Série C. A gente só quer que seja moralizado e que se cumpra as leis e o Estatuto do Torcedor.” A base da reclamação é de que a entrada do Treze como 5o colocado da Série D no ano anterior abre a mesma brecha pelo Cianorte: “Eles (CBF) não admitem suas incompetências e seus desmandos.”

A Fifa ameaça de desfiliação as confederações que não resolvam seus conflitos apenas na esfera desportiva. No Brasil, são três os episódios clássicos de problemas na Justiça Comum. Em 1989 o Coritiba, de posse de uma liminar, não viajou à Juiz de Fora-MG, para enfrentar o Santos, em condição imposta pela CBF por uma perda de mando de campo por invasão e agressão ao então goleiro Rafael, do Sport. A CBF ignorou a liminar e deu WO para o Coxa, rebaixando-o para a segunda divisão no ano seguinte. Em 1993, depois de uma virada de mesa que acabou favorecendo o Grêmio ao incluir 12 clubes a mais na Série A, o América-MG entrou na Justiça para contestar seu rebaixamento mesmo estando na 14a posição na classificação geral. Foi suspenso por dois anos das competições nacionais. Até então, a CBF sempre levou a melhor nas disputas na Justiça Comum.

Mas em 2000, após uma polêmica decisão de se fazer o rebaixamento por média de pontos – e uma decisão ainda mais polêmica do STJD em punir o São Paulo no Caso Sandro Hiroshi, transferindo seis pontos para o Botafogo-RJ – fez com que o Gama buscasse na Justiça Comum seu direito à elite. E conseguiu. Primeiro, a CBF excluiu o clube de Brasília, mas teve que voltar a montar a Série A com o Gama. Depois, se disse incompetente para realizar a disputa nacional e tranferiu a organização para o Clube dos 13, que faria o campeonato sem o Gama. Nova derrota: a Justiça considerou a Copa João Havelange o Brasileirão de 2000 e obrigou a inclusão do Gama, que jogou o torneio. Dali por diante, o Brasileirão não teve novas viradas de mesa ou disputas judiciais.

Especiailistas consideram que é difícil que a CBF inclua o Cianorte na Série C com os argumentos apresentados. No entanto, sabe-se que a diretoria atual não quer nenhum desgaste gratuito com a Fifa, que já tem de lidar com o Governo Brasileiro na relação da Copa. Talvez por isso é que Marco Polo Del Nero receba o pequeno Cianorte na próxima segunda. Por outro lado, os clubes da Série C que terão que jogar com 11 times na chave norte, já reclamam. Trata-se de uma partida a mais, uma viagem a mais e, principalmente, um concorrente a mais para acesso e rebaixamento. Dois clubes cairão na chave sul e três na norte, numa desproporção de disputa.

Seja como for, as disputas judiciais podem incomodar a CBF, que fica numa sinuca de bico: tem de atender a Justiça Brasileira, mas não pode desafiar a Fifa que, por sua vez, dificilmente fará oposição a principal aliada na organização da Copa na véspera dos eventos. Pelo menos por enquanto.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Copa 2014: análise do debate dos candidatos a prefeitura sobre o tema

Clima de eleições e o prefeito a ser eleito carregará a marca de ter sido o “prefeito da Copa em Curitiba.” Marca que todo político quer para, através do esporte, propagar-se como benfeitor público. Ser prefeito é mais que isso, claro. E a Copa também. O blog, como de praxe, não se omite e apresenta uma análise do que foi visto na TV sobre o tema.

Estigmatizada em Curitiba como se fosse um evento ruim, a principal competição esportiva do Mundo foi debatida pelos candidatos a prefeitura numa ótima iniciativa da ÓTV, canal fechado da RPC – parabéns a Marcelo Dias Lopes e toda equipe. É papel da imprensa debater os principais temas da cidade e, apesar de ter sentido falta de alguém mais ligado à editoria do esporte da emissora, Herivelto Oliveira conduziu bem o debate. Que, infelizmente, ficou um pouco esvaziado.

Isso porque três dos candidatos cancelaram a participação em cima da hora – segundo a emissora, chegaram até a se reunir para determinar as bases do debate. Uma pena para Luciano Ducci (PSB) que concorre à eleição e chegou a dizer que sonha em ser o “prefeito da Copa”; demonstrou interesse zero na hora errada.

Ruim também para Ratinho Júnior (PSC), que atirou a esmo para ser populista e acertou no Atlético, acusando o clube de falta de transparência na condução do empréstimo do BNDES, cujos termos são públicos. Poderia ter se explicado melhor.

Também nada legal para Gustavo Fruet (PDT), notório torcedor do Coritiba, que poderia manifestar-se acerca de suas ideias para o Mundial como amante do esporte e membro ativo da comunidade política, questionando muita coisa que desagrada até mesmo a si, como torcedor, na condução do projeto.

Os candidatos que estiveram presentes (e mais duas participações via entrevista dos postulantes sem representatividade no congresso) debateram variados temas. Abaixo, a análise da participação de cada um, na visão do blogueiro, ordenados por qualidade nas participações.

Comente você também, no espaço abaixo, e assista ao debate clicando aqui para ter suas próprias impressões.

Alzimara Bacellar (PPL)

Com uma participação relâmpago, foi fantástica, respondendo espontaneamente com simplicidade e objetividade o que nenhum outro candidato fez antes de ser provocado: um projeto para a Copa em Curitiba. Propôs a construção de um sistema educacional que atenda trabalhadores, capacitando-os em línguas, hotelaria e turismo, para aproveitar o contingente de visitantes durante o evento.

Rafael Greca (PMDB)

Ex-prefeito de Curitiba, Greca foi bem no debate sobre a Copa 2014 na cidade. Mostrou conhecimento ao contestar a ideia de que Potencial Construtivo seria dinheiro público (se disse co-criador do sistema), mas fez válida ressalva sobre o inchaço da quantidade de papéis no mercado, o que poderia provocar desequilíbrio no zoneamento urbano de Curitiba. Cobrou contrapartidas do Atlético, beneficiário do sistema e parceiro da cidade no evento, tais como a criação de um espaço de desenvolvimento esportivo público anexo ao estádio (o projeto prevê isso e a construção de uma escola pública no CT do Caju). Reconheceu a importância do evento, mas lembrou que a Copa não é a tábua de salvação da cidade. Discutiu ainda cada ponto de investimento via Copa de mobilidade urbana, tais quais os eixos de transporte. Prometeu investir R$ 1 em saúde, segurança e outros, para cada real investido na Arena. Coxa-branca histórico, Greca evitou o clubismo e até brincou, dizendo que também quer o voto dos atleticanos.

Carlos Morais (PRTB)

O jornalista, que militou ao lado do ex-governador Roberto Requião na TV Educativa durante o período de indicação de Curitiba para a Copa, preferiu fixar-se em um projeto de comunicação para o turismo no Mundial, através de folders. Mostrou-se contrário a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos e explicou que se trata de uma filosofia – cada sede regional terá opção para decidir a favor ou não da venda, mas a FIFA, patrocinada por uma cervejaria, pressiona para que todas adotem a prática. Lamentou a realização de apenas quatro jogos do Mundial na cidade e criticou a gestão dos orçamentos das obras da Copa, colocando em xeque os valores divulgados. Cobrou bem a construção de outros centros esportivos espalhados pela cidade além da Arena, citando também a Vila Capanema como exemplo de agente beneficiário futuro dos incentivos da prefeitura.

Bruno Meirinho (Psol)

O mais jovem candidato a prefeitura mostrou-se despreparado para o tema. Partiu para o populismo ao afirmar que os recursos deveriam ir para casas populares, esquecendo-se de que a cidade que os recebe só o faz porque é sede do Mundial, no projeto nacional da Copa. Fez o mesmo em relação ao Potencial Construtivo e ainda minimizou a importância de ações durante a Copa. A melhor participação foi quando fez jus aos conceitos socialistas e bradou (justamente) contra a aprovação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios por imposição da FIFA, o que demonstra o controle da entidade sob a soberania nacional. Ainda questionou supostos acordos nas cúpulas do Governo, para beneficiar-se dos recursos de eventos como Copa e Olimpíada. Propôs um plebiscito sobre a Copa, mas não explicou qual é a discussão a ser votada. Seria retirar a candidatura da cidade?

Avanílson Araújo (PSTU)

Criticou a vinda da Copa ao Brasil e foi o primeiro a tocar no tema no tema das desapropriações, ignorado até então, mas pelo pouco tempo, não conseguiu aprofundar. Disse ser contra a realização do Mundial no País – um posicionamento válido porém tardio e ineficaz para o que se apresenta.

Green Hell, por que não?

Festa de luzes e cores no Couto: por que não?

Na semana que passou o futebol deu mais um passo para trás. No clássico paulista entre Santos x Corinthians (0-1) pela Libertadores, a PM proibiu aquilo que chamou de provocações: faixas das torcidas tirando sarro dos rivais. “Eterno 7 x 1” e “Às vezes em segundo, nunca na Segunda” eram textos vistos frequentemente dos dois lados quando os times se encontram e que no jogo da Vila Belmiro foram vetados, sob a justificativa de preservar a paz. No entanto, isso não impediu a torcida do Santos de, reprovadamente, retirar o capacete de um PM de SP e atirá-lo ao gramado. Com isso, já surgiram comentários espirituosos como “no próximo clássico, vão proibir torcedores com mãos de ir ao estádio”. É o velho raciocínio preguiçoso das autoridades brasileiras: matar o cachorro para acabar com as pulgas.

Proibir é a regra, estejam certos ou errados os torcedores. O “Green Hell” criado pela torcida coxa-branca é uma bonita festa de cores (verde, claro), luzes e fogos e não incita ninguém à violência. Também não deixa os jogadores em campo em perigo – talvez deixe os adversários do Coxa um pouco assustados, no máximo. Serve para “incendiar” o ambiente, no sentido mais positivo da palavra. É parte da mística do futebol. Aquela que tentam acabar a cada dia.

Talvez o “Green Hell” tenha um outro problema: atrasa um pouco o início do jogo. Não que o horário seja uma preocupação central de quem transmite o evento. Afinal, o horário das 22h já privilegia a imensa maioria de interessados que não vai ao estádio, ficando no conforto do lar, com ou sem aquela cervejinha (a mesma proibida nos estádios desde antes dos episódios de 2009 no Couto, por exemplo) na mão. Os poucos privilegiados que podem ver o espetáculo ao vivo (tanto pelo preço quanto pela disposição) já sabem – e creio que não se importem – que um jogo in loco tem seus atrasos. Vão demorar a chegar em casa e o que querem mesmo é ao menos voltarem felizes ou orgulhosos.

“Secretamente” (se é que há como organizar algo coletivo numa rede social sem que ninguém saiba), a torcida do Coritiba pretendia surpreender o time e a diretoria com um “Green Hell ilegal” na partida dessa quarta-feira contra o São Paulo, no jogo de volta (0-1 SP ida) pela Copa do Brasil. Foi o que bastou para o clube soltar uma nota de esclarecimento que diz, entre outras, que “o clube também pede a colaboração de seu torcedor para que não traga ao estádio nenhum tipo de fogos de artifício, piscas ou sinalizadores, lembrando que haverá uma revista minuciosa na entrada dos torcedores.” Algo do tipo, “nem vem que não tem.”

Nesse ano, contra o Ceará pela Copa do Brasil, a torcida do Paraná fez sua parte levando sinalizadores e fazendo uma bonita festa. O clube acabou julgado no artigo 213 do CBJD pelo atraso de 3 minutos, em que podia ser punido de R$ 1 mil a 100 mil por minuto de atraso.  Foi apenado em R$ 1,2 mil – possivelmente 50 a 60% do valor da festa que a torcida coxa pretende fazer.

Mas o que importa mesmo é que ninguém tem um “porque” decente para o não. O “Green Hell” é esporádico (cada vez mais) o que só valoriza a ação; não agride, não ofende – embora os narradores fiquem com a respiração trancada por alguns minutos; talvez atrase um pouco o jornal, mas, vá lá, nem todos os filmes da madrugada são tão bons assim. Entre proibições, o futebol vai perdendo seu encanto. Deviam deixar pelo menos o pessoal torcer em paz.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/04/2012

Fifa: muitas mudanças no projeto irritam comitê local

A obra da Arena da Baixada em Curitiba está sendo tocada sem alvará de construção, sob uma licença especial e supervisão diária de um grupo da secretaria de urbanismo da prefeitura. Tudo porque a Fifa mudou mais uma vez as exigências para a Arena – segundo informações, a sexta vez desde 2007. Pequenos detalhes que atrasam ainda mais a construção do estádio. As constantes mudanças irritaram o comitê local, que agora corre para regularizar novamente o alvará. Atualmente, a obra tem o relatório prévio ambiental aprovado. Na próxima terça (24) o Atlético terá nova reunião no conselho deliberativo para debater esse e outros assuntos – como por exemplo cobrar uma participação mais efetiva dos governos na operação.

Prêmio gordo

Tentando retomar o prestígio nacional perdido com o rebaixamento em 2011, o Atlético ofereceu aos atletas e comissão técnica um prêmio gordo pelo título da Copa do Brasil: 50% dos ganhos do clube até a conquista. Significa dizer que quem estiver no grupo atleticano em uma virtual conquista pode faturar R$ 1,97 milhões a serem rateados entre os membros. Vale dizer que o Atlético está apenas no terceiro grupo de cotas da CBF por não estar na Série A nem entre os 10 melhores do ranking nacional, recebendo o menor percentual de cota.

Câmeras, ação!

Demorou, mas finalmente a Vila Capanema poderá receber a capacidade máxima de torcedores (20 mil pessoas): o clube instalou e apresentou laudos ontem das sete câmeras de seguranças que faltavam para que o estádio se enquadrasse nos pedidos do Estatuto do Torcedor. A medida já vale para o jogo de hoje, entre Paraná e Ceará, pela Copa do Brasil. O clube instalou três câmeras por conta e contou com parceiros, que bancaram o custo de outras 4. Os valores e nomes dos parceiros não foram divulgados. O Paraná precisa de empates em 0-0 ou 1-1 ou da vitória por qualquer placar para avançar na competição. Será o quarto jogo oficial do clube em 2012.

Torcida única reloaded

A medida antidemocrática e sectária de se realizar o clássico Atletiba com torcida única deverá ser referendada hoje, após uma reunião entre a PM, a FPF e os clubes. O Ministério Público, único que pode evitar a medida se protestar formalmente, deve compactuar com aquilo que o mesmo, ainda no primeiro turno, classificou como “rasgar o Estatuto do Torcedor”. Os ingressos devem ser postos a venda a partir de quinta. A coluna não discute se a torcida do Coxa deve ter direito a ir sozinha já que não pode ir no primeiro e sim o absurdo que a medida anterior – e essa – faz com a desportividade e convivência. Em tempo: no jogo de ida, só com atleticanos, houve violência do mesmo jeito.

Cover da Semana #2 – Atlético Paranaense-PGY

Era pra ser semanal. Mas aí faltou tempo e vida de blogueiro não é fácil. Então, quase um mês depois, novo “ensaio” com o Cover da Semana, sempre trazendo um clube e seu xará e uma sonzeira (ou não) no fim. Quem já teve banda sabe como é difícil reunir o povo pra tocar, então, desculpem a nossa falha e segue o baile! (Quanto trocadilho!)

Cover da semana #2:  Club Atlético Paranaense, de Encarnación, Paraguay

Atlético Paranaense Paraguaio: destaque na Libertadores de Futsal

Cover de quem? O Atlético Paranaense do Paraguay é uma homenagem ao Atlético que surgiu na primeira campanha de Libertadores do clube brasileiro. Foi fundado em 2000 do clube de Encarnación, 3a maior cidade paraguaia, sem fronteira com o Brasil. De acordo com Guilherme Wojciechowsky, âncora da CBN Foz e exímio conhecedor da região da fronteira, o nome Atlético Paranaense também é uma alusão a um clube de atletas fundado próximo às margens do Rio Paraná. No entanto, não é preciso ser muito esperto para ver que as cores, a camisa e principalmente o escudinho são cópias do Atlético Paranaense original. Pouco se acha sobre o Atlético paraguaio na Internet: não há site oficial e todas as referências são do jornal ABC Color, de Assunção, capital do Paraguay, da época do torneio de futsal que projetou o clube. “A internet no Paraguay ainda anda de carroça”, conta Wojciechowsky.

Qual versão é melhor? Campeão Brasileiro da Série A em 2001, o Atlético original tem ainda outros 2 títulos nacionais e 22 estaduais. Por pouco não acrescentou à galeria o título da Copa Libertadores de 2005, quando decidiu contra o São Paulo; o cover não tem nenhuma conquista, mas repetiu no ano passado o feito do original: jogando em casa, ficou com o vice-campeonato da Copa Libertadores de Futsal. Decidiu a competição com o brasileiro Carlos Barbosa-RS. Ambos perderam o jogo final por 4-1. Como curiosidade, o Atlético Paranaense do Paraguay eliminou um paranaense na competição: o Umuarama Futsal. Além disso, na primeira fase da Libertadores, enfrentou o Nacional-URU (venceu por 4-2), assim como o Atlético o fez em 2000, quando disputou pela primeira vez a Libertadores de futebol de campo:

Como foram compostos? O Atlético Paranaense nasceu da fusão de dois tradicionais clubes curitibanos: o América (vermelho e branco) e o Internacional (preto e branco). Ambos se juntaram em 1924 para tentar acabar com a hegemonia do Britânia, então maior campeão estadual, sob a tutela de Arcésio Guimarães. Deu certo: em 1925, o Atlético levantou a primeira taça. Já sobre o Atlético do Paraguay existem poucos registros. Mas a grande campanha na Libertadores de Futsal veio após o auxílio da cidade de Encarnación, que recebeu o evento, e trouxe seis jogadores que defenderam a Seleção Paraguaia de futsal.

A capa do álbum:

O Original e o Cover - em baixa resolução
E na guitarra?

Vamos admitir que chegar a vice da Libertadores não é pouca coisa. A torcida do Atlético, apesar da sensação de perda, até se orgulha da conquista; que dirá o Atlético paraguaio, que repetiu o feito e perdeu nada menos para o Carlos Barbosa, clube que venceu 4 vezes a competição? Então, é justo que seja um cover de respeito. E lá vamos aos anos 60, mais precisamente 1967, quando o The Doors lançou album com o nome da banda e a faixa “Take It as It Comes”. Nos idos dos 90’s, recebeu justa homenagem de outra grande banda, The Ramones. Confira as duas versões abaixo.

Eis a versão original:

E esse é o cover:

Vamos ver se o próximo ensaio sai mais rápido, moçada…

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 01/02/2012

Governo encampa potencial construtivo pela Arena 2014
O Governo do Paraná, através do FDE (Fundo de Desenvolvimento do Estado) vai bancar o financiamento de R$ 90 milhões (mais correções previstas em lei) na obra da Arena, o que corresponde aos 2/3 estatais na parceria com o Atlético pelo estádio da Copa 2014. A operação passa pelos títulos de potencial construtivo, concedidos pela prefeitura em cima da área da Arena. Os títulos podem ser negociados no mercado pelo clube e revertidos em nova modalidade de zoneamento urbano em construções.  O que o Governo está fazendo, no entanto, é receber os títulos como garantia do pagamento do financiamento estatal. “É um recebível do Atlético, como uma duplicata. O FDE é agente financeiro, vai vender os títulos para o clube”, exemplificou Luís de Carvalho, gestor da Copa na Prefeitura de Curitiba. Carvalho defende que o Estado ainda ganhará dinheiro com a operação. “A prefeitura de Curitiba vendeu 45 milhões ano passado”, disse, enquanto entrava em uma reunião no Rio de Janeiro, ao lado de representantes do Gov. Estadual e da CAP S/A, com a Fifa, para demonstrar o andamento das negociações. Além disso, hoje haverá reunião com os 16 moradores do entorno da Arena para a desapropriação das áreas, cujo decreto já foi assinado na prefeitura. Haverá ressarcimento, mas o Estado não conta com recusas: “Ainda não chegou ao momento de dizer não ou sim. Quem disser não vai ter que discutir na justiça. Já é fato. Está tudo bem encaminhado”, encerrou.

Roupa nova, mas não pra já
Na sexta-feira o torcedor do Coritiba irá conhecer a nova camisa do time para a temporada 2012. A expectativa é grande, já que a troca de material esportivo mexeu com os ânimos: sai a italiana Lotto entra a americana Nike. No entanto, o Coxa ainda não sabe se poderá estrear as camisas já no jogo de sábado, contra o Arapongas, no Couto Pereira. O clube ainda não recebeu a remessa inicial e além disso pretende organizar uma festa local para o anúncio da parceria. O lançamento de sexta será no Rio de Janeiro.

Campanha nas ruas
Hoje o marketing do Coritiba começa uma campanha institucional, aproveitando o mote “O Mais Vitorioso do Mundo”, slogan criado a partir do recorde de vitórias consecutivas registrado no Guinness Book. A campanha extrapola a marca coxa-branca e pretende valorizar as coisas do Paraná, trabalhando a mensagem “torça também para um time do seu estado” – com a sugestão de que seja pelo Coxa. A campanha será direcionada a Curitiba e Região Metropolitana, mas também será itinerante, acompanhando as viagens do Coritiba no Paranaense.

Caráter: passe adiante
O atacante equatoriano Joffre Guerrón chegou ao Atlético como a então contratação mais cara do futebol paranaense: US$ 1,8 mil em 2010. Destaque na LDU que venceu o Fluminense na Libertadores de 2008, nunca justificou o custo, mas demonstrou que não está preocupado com o clube com o qual colaborou a derrubar para a Série B, em entrevista ao Portal FutbolEcuador.com: “Estão pedindo alto e os clubes recuam. Fico mal porque houve possibilidades. O São Paulo me queria. Disse ao técnico [JR Carrasco] que quero sair, não tenho cabeça para ficar. Meus objetivos são outros, não quero ficar parado”, disse em tom de desabafo, esquecendo de fazer a conta entre o quanto custou e o quanto rendeu ao clube paranaense.

Cara Fifa…

…escrevo-lhe na condição de cliente Vip do seu produto. Aquilo que insistimos em chamar de futebol, mesmo depois de tantas tentativas de desmoralização. Não pretendo tomar muito seu tempo, nem relembrar esquemas espinhosos, como aquela goleada misteriosa da Argentina sobre o Peru em 78, em pleno regime militar no país vizinho, ou as denúncias de compras de votos para as copas da Rússia e do Catar. Não, vamos deixar isso para trás. A beleza do jogo me manteve atento – sou daqueles que assiste até Catanduvense x Flamengo de Guarulhos, se a Rede Vida passar.

Minha reclamação é outra.

"Deixa de bobagem. Já virou sacanagem", diz o poeta contemporâneo (foto: Geraldo Bubniak)

Querida Fifa, você sabe: mesmo com tudo o que eu escrevi acima, o gol é o grande momento do futebol. Ali extravasamos nossas emoções, abraçamos a quem nunca vimos, gritamos feito loucos e nos sentimos um pouco vingados das mazelas do dia-a-dia.

O gol é sagrado. A comemoração é o orgasmo do torcedor.

Pelé e o soco no ar, as coreografias dos islandeses (esses são geniais!), o dedo fazendo não de Ronaldo ou até mesmo as mais simples, muitas vezes as melhores, com os nossos heróis se abraçando e vibrando como guerreiros valentes. Gol é isso! Pode ser a careta do Lela ou a pirueta do Rhodolfo, pouco importa: o gol deve ser um momento único.

E é por isso que te escrevo, Fifa. É possível que você não esteja vendo, até porque esse lance de Copa do Mundo aqui no Brasil deve estar te deixando louca. Quase nada pronto, muito esquema financeiro (sei que dessa parte você cuidará bem, com moralização) e muito oba-oba. Mas tem um pessoal acabando com esse grande momento que é o gol.

Acredite, Fifa: atualmente, 11 entre 10 jogadores brasileiros comemoram os gols imitando um boçal joão bobo. É!, isso mesmo, sabe aquele boneco que você empurra e ele volta, inflado de ar e sem nada na cabeça? Aquele, cuja maior paródia é ser um fantoche controlado  que pode ser empurrado, chutado, agredido e mesmo assim volta ao lugar? O joão bobo? Então, esse mesmo. E eles tem achado o máximo!

Mas nós, torcedores, já estamos de saco cheio.

A gente sabe que tem coisa que é moda e pega. Ainda mais no Brasil, país com sérios problemas de educação e maiores ainda de estima. Lembra do complexo de vira-lata né? Então, ele existe até hoje, já que vivemos abaixando a cabeça para qualquer um que nos impõe uma idéia estúpida.

Mas acho que é hora de você intervir, Fifa. Lembra quando você proibiu manifestações religosas ou aquelas camisetas xaropes com mensagens tipo “Titia, domingo vou na macarronada”? Pra não falar nos merchandisings nas camisas, que agora ganharam algumas comemorações. Aqui no Paraná, atleticanos e coxas já viram jogadores comemorar para um tal de “capitão”. Devem ter recebido uma baita bolada, ou ao menos algumas garrafas de rum, apesar de já ganharem bem para valorizar a imagem do clube.

Acho que é o caso de você agir de novo, Fifa. Tá chato demais essa história do João Sonrisal (acho que o nome é esse porque dá asia ver os caras feito bobos) e pode piorar. Veja você que o único que foi contra, o Rivaldo (aquele cracasso da Seleção, Palmeiras, Corinthians e Barcelona, hoje no São Paulo, campeão do mundo em 2002, lembra?), foi achincalhado como chato da vez. Logo ele, um cara que mostrou personalidade. Só pode ser porque não foi joão bobo dos caras.

Fifa, eu lhe peço: faça alguma coisa. Já estamos acostumados a ser bobos nesse mundo do futebol (e quem disse que não tem?), mas jogar isso na nossa cara é desaforo demais.