Atlético no Couto: atualização

A FPF exigiu formalmente o Couto Pereira para uso do Atlético nos jogos do Campeonato Paranaense. Os argumentos usados pela Federação, escritos no ofício disponível nesse link, foram os mesmos antecipados pelo blog nos posts anteriores a esse, logo abaixo. Mas a questão ainda está longe do fim.

O Coritiba deve entrar com um mandado de garantia no TJD-PR para evitar atender a requisição da FPF. Nele, vão ser questionados todos os tópicos: desde a legalidade do pedido, considerado abusivo pelo Coxa – uma vez que a norma é exceção e costume em jogos de Seleção, catástrofes naturais ou pedidos da patrocinadora do campeonato, como a TV – até mesmo o valor arbitrado, de R$ 30 mil mais as despesas. O trâmite será o mesmo dos casos recentes no tapetão paranaense: o caso vai para o TJD e só acabará no STJD. Até lá, quem exercer força política vai conseguindo espaço.

Vale lembrar que o que a FPF fez foi uma requisição formal pelo estádio. Ainda não marcou o jogo entre Atlético x Londrina para o Couto. Faltam detalhes para isso, incluindo essa ação possível do Coritiba, que pode só ser tomada na semana quem vem, mais próxima do jogo.

Apurei ainda que o Coritiba também descarta qualquer ação na justiça comum. O episódio de 1989, quando uma liminar da justiça comum foi descartada pela CBF e o Coxa acabou rebaixado por não jogar contra o Santos em Juiz de Fora, é muito vivo no clube e a diretoria trabalha com a hipótese de contestar a medida da FPF apenas na justiça desportiva. Se não obtiver sucesso, o Coxa irá acatar a decisão, para não repetir o que aconteceu com o América-MG em 1993, quando acabou relegado a Série B (assim como o Atlético, que estava na A) quando a CBF decidiu guinar o Grêmio ao grupo de elite. O América entrou na justiça comum e a CBF o excluiu de competições nacionais por três anos.

O TJD-PR deve tratar a questão com urgência máxima, o que vale dizer que uma vez que a ação seja tomada, uma sessão extraordinária pode ser convocada para resolver o caso. O mesmo não se aplica ao STJD – mas já se antevê outra dificuldade para o Coxa: a CBF, de maneira muito mais clara que a FPF, também pode requisitar o Couto Pereira para o Atlético mandar seus jogos na Copa do Brasil e na Série B. O Coxa também já se prepara para isso, mas pretende manter tudo na esfera desportiva.

Operacional

Questionável ou não, o valor de R$ 30 mil de aluguel por jogo arbitrado pela FPF não inclui despesas como manutenção, água e energia, nem pessoal. Esse valor terá que ser pago pelo Atlético à parte. O Atlético também terá que deixar um cheque caução na FPF no valor de R$ 300 mil, o equivalente a 10 alugueis, para fazer uso do estádio.

*Obrigado ao leitor André Tesser pela colaboração ao alertar um erro de português.

Couto e Atlético: desdobramentos

Atualizando o post abaixo com a informação agora pública de que o Atlético pediu à FPF o Couto Pereira e que a federação vai fazer o pedido ao Coritiba. Conversei há pouco com Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coxa, que disse o seguinte:

– A negativa tem como fundamento técnico o fato de o Coritiba ter realizado uma reforma recente no gramado e acreditar que a sequência de jogos pode danificar o piso.

– O Coritiba não pode habilitar a área das cadeiras, 5 mil lugares, sem a anuência dos sócios. O clube já recebeu notificações de proprietários pedindo que não disponibilizem a área ao Atlético.

As duas razões acima estão entre as apresentadas e protocoladas na FPF em um documento sigiloso, que é de acesso da FPF e dos clubes. Fiz duas perguntas a VRA:

1) Não há hipótese de acordo?

“Acordo tem quando nos procuram. Até agora, não fui procurado e eles sabiam desde o ano passado que iam precisar do estádio. Se vierem conversar, porque não? Mas assim, de jeito nenhum.”

2) E se a FPF forçar a barra via regulamento e normas?

“Vamos até a Justiça. Não vou aceitar isso assim. O Paranaense não termina se isso vier desse jeito.”

Como já havia dito aqui no blog, Vilson e Petraglia conversaram ontem. VRA diz que não recebeu consulta sobre o campo e sim uma conversa cordial.

Também tentei contato com Mário Celso Petraglia. O celular está desligado. No site oficial, nenhuma nova informação.

Update

Há pouco, na CBN Curitiba, o presidente da FPF Hélio Cury tornou público o que o blog antecipou no post abaixo. O pedido pelo Couto segue, com a FPF tentando acordo. O que disse Cury na CBN:

– O jurídico da FPF vai analisar recusa do Coxa; Hélio Cury quer ver documentação: “Quero ver os laudos. É bem claro que a FPF tem poder de requistar o estádio.”

“O valor do aluguel tem que estar dentro do bom senso.”

Atlético

O site oficial do clube traz a seguinte nota:

“(…) o Clube Atlético Paranaense encaminhou ofício ao Presidente da Federação Paranaense de Futebol, Dr. Hélio Cury, com cópia ao presidente do Coritiba Football Club, Dr. Vilson Ribeiro de Andrade, com a solicitação de permissão para utilização do Estádio Major Antonio Couto Pereira nas partidas das competições oficiais que o CAP disputará até a conclusão das obras da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014.

Além das obras de adequação para o evento que será de todos os paranaenses, no ofício de requisição foram citadas outras questões como a quantidade de sócios torcedores do CAP, a dificuldade de locomoção dos mesmos para estádios de outras cidades e o fato de os jogos do Coritiba e do Atlético Paranaense não serem em datas conflitantes.

O CAP também aproveitou a oportunidade para deixar consignada a utilização da Arena da Baixada pelo Coritiba, caso este necessite efetuar reformas em seu estádio e/ou construir um novo no mesmo local. Ontem, o Coritiba enviou um ofício à Federação Paranaense de Futebol com cópia para o CAP justificando a sua negativa em relação à cessão do estádio.

Desta maneira, o Clube Atlético Paranaense aguarda a definição da Federação Paranaense de Futebol de acordo com os estatutos da FPF e o regulamento da competição.”

Update II:

Com a inestimável ajuda do editor de esportes da Gazeta do Povo, Rodrigo Fernandes – com quem debatia a viabilidade jurídica da exigência da FPF – segue mais um artigo com o qual o Coritiba deve estar atento e a Federação pode exercer. Está no Estatuto da FPF, da concordância de todos os filiados:

Artigo 46 do estatuto da FPF:

São obrigações das entidades de práticas desportivas
VII Ceder gratuitamente à FPF e às entidades superiores, quando requisitados, seus atletas e suas praças de desportos

Evidentemente, também é interpretativo. Pode se entender que é a qualquer momento, pode se entender que é para jogos de Seleção, por exemplo.

Consultando um membro do TJD-PR, questionei: e se o Coritiba não acatar a determinação, o que pode haver? A resposta: “Se houver essa interpretação, de que a FPF pode requisitar, o artigo é o 191 do CBJD: Deixar de cumprir requisição ou ato normativo da instituição de esportes a que estiver filiado: multa de R$ 100 a R$ 100 mil, com fixação de cumprimento da obrigação. Se for cometida por pessoa jurídica, as pessoas responsáveis podem ser suspensas do exercício da função.”

Seguimos de olho…

Como e porquê o Atlético deve jogar no Couto Pereira

Torcida atleticana no Couto: cena pode se tornar frequente em 2012

Perto das 13h de hoje, sutilmente, a FPF irá divulgar onde o Atlético irá jogar na primeira rodada do Campeonato Paranaense 2012, contra o Londrina. E tudo indica que será o Couto Pereira. O mistério na divulgação de qual foi a indicação do Rubro-Negro  junto à FPF só aumenta a especulação, mas, salvo alguma mudança de postura do presidente Hélio Cury, ao menos a partida contra o Londrina será mesmo no Alto da Glória. Expliquemos:

A FPF entende que o Atlético está deixando a Arena por uma razão excepcional: a construção de um estádio para a Copa 2014. Logo, a questão “interdição” não se aplica; o Atlético está colaborando com a Fifa e a CBF e por isso está sem casa. Outra pequena confusão: a FPF pode solicitar qualquer estádio num raio de até 100km de Curitiba, mas não é obrigada a fazê-lo. Seria, se o caso fosse de interdição. Seria até se o Atlético fosse um adversário político da atual gestão da FPF, mas não é. Logo, comodamente para todas as partes, o jogo será em Curitiba, ou na Vila, ou no Couto.

Pera lá, eu disse todas as partes, certo? Errado. Há descontentamento no Coritiba. Não só na torcida, mas também na diretoria. Isso porque, como foi explicado aqui em agosto, há um dispositivo da CBF que obrigaria o Coxa a ceder o estádio, caso requisitado pela confederação. E aqui começa o rolo: querer ou não ceder o estádio, ao menos para a primeira partida, pode ficar além das possibilidades do Coritiba.

Segundo o Regulamento Geral de Competições da FPF – e também o regulamento do Campeonato Paranaense – a FPF pode requisitar aos seus filiados um estádio, quando necessário. E não há muito o que fazer. Claro, o clube pode dizer não, até entrar na Justiça. Mas a princípio, tem que atender a federação.

Nos links acima, você encontra a argumentação da FPF para requisitar o Couto Pereira para o Atlético. A base: a FPF pode requisitar qualquer praça, sendo que o clube mandante – não o proprietário – deve arcar com os custos da partida, que são: iluminação, água, pessoal, limpeza e outros menores. E não necessariamente aluguel – outro ponto de desacordo ao Coritiba. Leia os seguintes trechos:

Regulamento Geral das Competições FPF

Cap. III, art. 7, pár. 2o. – Jogar na casa do adversário deixa de ser inversão de mando em 2012
Cap. XIII, art. 58 – Jogos só em campos vistoriados e oficializados pela FPF
Cap. XV, art. 62 – FPF resolve casos omissos

Regulamento Campeonato Paranaense

Cap. I, art. 2, pár. 1o. – Tabela com jogos, horários e locais é feita pela FPF
Cap. VII, art. 34, pár. 30.  – FPF pode indicar a praça que bem entender, se não houver indicação

E por que não na Vila Capanema? Hoje, porquê o estádio é tido apenas como reserva técnica, com alguns laudos faltando e com capacidade máxima para 9.990 torcedores, pois ainda não tem instaladas câmeras de segurança. Segundo Reginaldo Cordeiro, da comissão de inspeção de estádios da FPF, não há tempo hábil de conseguir isso para a estréia. Logo, o Couto Pereira passa a ser a única alternativa para a FPF e o Atlético.

Agora, os fatos: Mário Celso Petraglia chegou de viagem e teve uma longa reunião com Hélio Cury. Nenhuma parte quer se desgastar  – o que, convenhamos, será quase impossível. Petraglia apresentou seus argumentos e ouviu de Cury que a FPF deve ajudar o Atlético, parceiro da Fifa.

Petraglia então ligou para Vilson Ribeiro de Andrade. A conversa foi amistosa e não definiu muita coisa. Vilson entende que um aluguel do Couto é danoso para a imagem da diretoria do Coxa. Há um estudo interno que aponta que 64% dos sócios são contrários ao aluguel do estádio para o Atlético. Mesmo assim, a negociação está em análise. Nenhuma parte quer ter que engolir uma imposição – a FPF inclusive deseja nem ter de fazê-la. Vilson ainda ressaltou que qualquer empréstimo com mais de 30 dias de uso do campo precisa, obrigatoriamente, passar pelo conselho do clube.

A FPF, no entanto, entende que pode pedir o estádio e cobrindo apenas os custos – sem contar aluguel, algo em discussão. Hélio Cury, por exemplo, confidenciou a parceiros que não teme críticas ou represálias se tiver que impor o uso do estádio. Vilson Andrade, em entrevista a Rádio Banda B ontem a noite, disse que não aluga o campo de jeito algum. O site oficial do Atlético está desatualizado.

Essa pressão e essa costura é que está sendo feita agora, enquanto você lê esse texto. Com as armas acima, cada parte entendendo que deve fazer valer sua posição.

E, por volta das 13h, no site oficial da FPF, sairá a escala dos jogos da primeira rodada, no dia 22. Sem coletiva, sem muitas explicações: lá estará o local onde acontecerá Atlético x Londrina.

Só a Justiça pode antecipar a Série Prata

A Série Prata do Paranaense pode acabar na Justiça antes mesmo de começar. Isso porque o Paraná Clube está próximo de acertar com o advogado Domingos Moro, a fim de conseguir antecipar a competição, com base nas normas da CBF e da própria FPF (confira no link indicado mais abaixo).

Oito dos 10 clubes já pediram antecipação da competição (Jr. Team e Grêmio  Metropolitano não aderiram) mas não devem ser atendidos pela FPF. Procurei Amilton Stival, vice-presidente e diretor-técnico da FPF para entender o porquê da federação não rever a posição no caso, antes que ele pare na justiça.

Amilton Stival: "Se a lei determinar, cumpriremos" (Foto: Rádio Foz)

Napoleão de Almeida – Sendo objetivo: quando a FPF pretende iniciar a Série Prata?
Amilton Stival – A minha intenção é começar em 1º. de maio, uma terça, um feriado. Vamos estar terminando a primeira divisão.

NA – Como vocês pretendem lidar com os conflitos de tabelas? O Paraná argumenta que há um dispositivo da CBF e um amparo junto ao sindicato dos atletas que impede a realização de partidas de uma mesmo clube em menos de 66h? (clique aqui e leia post no blog do Leo Mendes Jr. que disseca a situação)
AS – Isso é da CBF. Aqui é FPF. O que nós não podemos fazer é conflitar as datas. Como na Série Ouro, que não tem jogo junto com a Copa do Brasil. Tanto é que o jogador que não for punido em dias (período) pode atuar no Paranaense. Não tem relação.

NA – Sim, mas a FPF não é submissa a CBF?
AS – Filiada. Sim, é filiada. Mas nós não podemos ter jogos aqui com menos de 66h entre si, entende? E não teremos. E não teremos conflitos com o calendário da CBF também, porque quero marcar jogos para quartas e domingos. A Série B é terça e sábado.

NA – O que você diria para quem entende que é má vontade da FPF no caso?
AS – Veja bem, eu sou paranista, ajudei a fundar o clube. Não é má vontade não, porque há uma regra. Aquilo que estamos fazendo, de recuperar a imagem da FPF, que não tem jeitinho… porque o brasileiro espera o último minuto… e aqui não tem jeitinho. Nós temos que seguir um caminho e estamos seguindo. Desde 2008 nós temos mantido o calendário. Mas não é porque é o Paraná que vamos mudar. Pras eleições, o voto do Tupinambá é igual ao do Coritiba.

NA – Só que não é só o Paraná que pode ter problemas. Os clubes do interior podem ter que esticar os contratos. Aliás, são oito a favor da antecipação…
AS – Se acaso houver unanimidade, não tem problema nenhum. Mas os clubes emprestaram todos os jogadores. Eles se planejaram para maio. Quando terminou o Paranaense, o Paraná devia ter procurado os times da segunda divisão e já conversado. Os clubes teriam se preparado. Mas não. O Paraná foi se preocupar em novembro.

NA – O Paraná foi buscar auxílio jurídico e deve brigar nos tribunais, contratando o Domingos Moro. E aí?
AS – O Moro é advogado, tá no papel dele. A decisão que vier do tribunal, cumpre-se, como fizemos com o Rio Branco. Se a lei achar que tem que mudar, nós mudamos, sem problema nenhum. Por isso a FPF tem credibilidade com os clubes.

Ano novo, velhos problemas

Férias, poucas coisas podem ser melhores na vida. Mas como tudo que é bom acaba, retomamos a rotina justamente na sexta-feira. E já com velhos problemas. Vamos por partes, como diria o açougueiro.

Arbitragem: árbitro carioca solta o verbo e promete mostrar provas de corrupção

A primeira bomba do ano vem da Jovem Pan-SP. É a entrevista deste link, dada pelo árbitro Gutemberg de Paula Fonseca, criticando duramente o diretor de arbitragem da CBF Sérgio Corrêa da Silva. Fonseca diz ter provas de corrupção no sistema e insinua ajuda ao Corinthians, citando um jogo de 2010 – o que só aumenta o bolo das denúncias, a serem comprovadas, pois falamos de duas temporadas em suspeita agora. A pérola da entrevista:

“Fui apitar Corinthians 5-1 Goiás e o diretor de arbitragem me disse: ‘é jogo do Timão, hein?'”

A frase diz por si só. Cabe apurar e investigar. Veremos o interesse da CBF nisso. Fato é que podemos ter um caso Ivens Mendes Reloaded ou quem sabe um novo escândalo como o de Edilson Pereira de Carvalho à vista. O problema é contar com a boa vontade de Ricardo Teixeira para isso.

No último Brasileiro, Gutemberg apitou Atlético-MG 2-1 Coritiba, entre outros.

A Pan deve apresentar sequencia da reportagem. Estarei de olho.

Ainda sobre escandalos ou suspeitas, a notícia vem de Recife (Cássio Ziporli, do Diário de PE) e pode atingir diretamente o Coxa: o BMG está saindo do futebol.

Saindo em termos, diga-se: o banco pode sair das camisas, mas manterá o fundo que tem mais de 50 jogadores, entre eles alguns de Cruzeiro e Atlético-MG, presentes no clássico da última rodada do Brasileirão/11, cuja licitude foi levantada pelo jornalista mineiro Idelber Avelar e reproduzida aqui no blog. Seria fruto da repercussão negativa do jogo?

Em tempo: o Ministério Público de MG está em recesso, por isso não se sabe que o pedido de Avelar, com quase 9 mil assinaturas, será levado adiante.

No nosso quintal, mais conflitos éticos. Sérgio Malucelli dirige o Londrina e o Iraty, dois times que estarão no Estadual. A FPF limitou-se a dizer, através de Amilton Stival: “Por precaução marcamos as partidas para a metade dos turnos, quando a importância delas será, teoricamente, menor.”

Realmente, não há nada tecnicamente ilegal. Apenas levanta-se suspeita sobre a moralidade do processo. Mas nada novo, em se tratando de Campeonato Paranaense. A Gazeta do Povo aprofundou o tema aqui.

Ainda cartolagem: e a Série Prata?

“O Paraná é quem tem de se adequar ao nosso calendário, montando um elenco maior, com mais jogadores”, disse Hélio Cury à Gazeta do Povo ao praticamente anular a possibilidade de antecipar a competição, mesmo com o desejo de 80% dos clubes que a disputarão.

Parece faltar inteligencia administrativa a FPF. A presença do Paraná é fator de motivação para a insípida disputa. Não fosse a presença do Tricolor e nenhuma emissora de TV se interessaria em transmitir a competição – o que não deve acontecer de qualquer jeito. Além de desmobilizar o campeonato e deixar de atender o pedido da maioria, a FPF, que deveria servir seus filiados, bate o pé e quer conflito de calendário.

Oras, o Paraná Clube pode, por direito, montar o time que quiser para as competições que tem. E pode, legalmente, buscar amparo no sindicato dos atletas para adiar jogos com menos de 66 horas entre si (isso se os locais forem a menos de 100km de distância; se for mais, 72h). Se isso acontecer, os jogos em datas conflitantes com a Série B serão adiados e o campeonato corre o risco de invadir 2013.

Resta saber o objetivo da FPF, que certamente não é democracia, já que há maioria de pedido pela antecipação. Sugiro o vídeo abaixo, em demonstração de incoerência de Hélio Cury no comando da entidade:

Carrasco, Petraglia e o início do Atlético

Esse é Juan Ramón Carrasco:

É cedo demais para avaliar as contratações diretivas do Atlético. Não só Carrasco, mas também o superintendente Dagoberto dos Santos. O técnico uruguaio pode ter problemas com a lingua, mas se falar a lingua dos boleiros, fará mais que os seis que passaram em 2011. E pelo vídeo acima, ele tem jeito pra coisa.

Além disso, já se nota um respeito ao comando de Mário Celso Petraglia no clube. Vide as tuitadas de Marcinho, fazendo média com o novo chefe, assim como nesta entrevista do Paraná OnLine. A entrevista coletiva do ex-presidente Marcos Malucelli evidenciou uma coisa: ao dizer que o elenco foi montado aos poucos pelos seis técnicos que passaram no Atlético, MM deixou claro que o futebol do clube era um navio a deriva. Claro, achou o rochedo.

Mas que a torcida esperava ver mais que Pedro Oldoni na reapresentação, isso esperava.

“Desmanche” alviverde

Já pipocam as críticas a saída de alguns valores do Coxa, como Leandro Donizete, Léo Gago e Jéci, confirmada hoje. Claro que mexe na base, são três bons jogadores, mas sejamos francos: incluindo Jonas e Bill no meio (quase meio time titular), LD e Gago são os que realmente farão falta.

VRA me disse que liberaria Donizete para que ele pudesse ganhar mais $$. É justo. Dedicou boa parte da carreira curta (começou tarde) ao Coxa, sempre com brio. Gago foi surpreendente, mas é o preço da parceria.

Jonas nunca convenceu; Bill estava de malas prontas desde outubro; e Jéci, baita sujeito e ex-capitão, vai comer sushi no Japão e faturar uns Yenes. Deixa Luccas Claro e Pereira de sobreaviso, para jogar ao lado de Emerson, que fica até 2015. Pelo que jogou em 2011, até eu na defesa do Coxa ao lado de Emerson ia bem.

A valorizar a iniciativa do Coritiba em apresentar aos jogadores o museu do clube. Faz diferença, podem estar certos:

Convite

Pegamos umas férias, mas o Jogo Aberto Paraná seguiu no ritmo de especiais, com muita gente boa e conteúdo bacana sendo apresentado. Ao longo da próxima semana, vou colocar tudo aqui no blog. Espero que vocês tenham gostado.

A parir de segunda, voltamos ao ritmo normal. Fica o convite para acompanhar, de segunda a sexta 12h30, na telinha da Band.

Clubes pedirão antecipação da Série Prata

Clubes da Série Prata pedirão arbitral antecipado

A reunião de hoje na Sede Kennedy do Paraná Clube firmou a intenção entre 8 dos 10 clubes da competição em pedir oficialmente para a FPF a antecipação do arbitral da Série Prata 2012, o que significa dizer que o pedido da maioria será pelo início antecipado da competição.

Jr. Team, de Londrina, e Grêmio Metropolitano, de Maringá, foram os únicos que não compareceram a reunião e mantém-se contrários a antecipação. No entanto, o “C10” (apelido dado pelos clubes da reunião ao grupo favorável) não acredita que a unanimidade seja necessária para que a competição se antecipe. Hélio Cury, presidente da FPF, segue falando nesta necessidade, mas já demonstrou ceder em prol da escolha da maioria no vídeo disponível nesse link. Disputam a competição Paraná Clube, Agex/Iguaçu, Nacional, Cincão EC, Jr. Team, Grêmio M. Maringá, Foz do Iguaçu, Serrano, FC Cascavel e Cascavel CR.

A Série Prata pode ter redução de duas equipes. FC Cascavel e Grêmio Metropolitano revelaram problemas financeiros dada a precariedade econômica da segundona local e podem rever a idéia de disputar uma competição que, caso a FPF não marque o arbitral ainda na próxima semana, pode se arrastar até janeiro de 2013, pelos conflitos de tabela do Paraná na Série B nacional. O maior temor dos clubes do interior é ter que manter a estrutura ativa por mais de 4 meses.

O Paraná deverá jogar a temporada 2012 com um time apenas, sem inchar o elenco. É o que me garantiu o vice-presidente Paulo César Silva: “Não vamos montar dois times. Se a FPF não usar do bom senso, vamos adiar nossos jogos conforme a tabela e o campeonato se arrastará.” O Tricolor, que não ficará com Guilherme Macuglia no comando técnico ano que vem, já estuda nomes no interior do Estado. Gilberto Pereira, ex-Coritiba e Londrina, e Ivair Cenci, que jogou no Paraná nos anos 90, estão cotados.

Televisão

A Band segue tentando viabilizar a transmissão, mas trata-se de uma negociação difícil, envolvendo uma engenharia financeira complexa. Na imprensa, circula a informação de que a TV Educativa, estatal, também teria feito proposta pela competição. Nada está definido ainda, mas é possível que tenhamos uma posição definitiva nos próximos dias.

Posse

Amanhã (terça, 13/12) toma posse a nova diretoria do Paraná, às 19h.

Operário na Copa do Brasil: Hélio Cury confirma em vídeo

A despeito da informação acima, divulgada no Twitter oficial do Operário, referindo-se ao diretor técnico Amilton Stival, o Jogo Aberto Paraná antecipou hoje a confirmação feita pelo presidente da FPF, Hélio Cury, de que o Fantasma está na Copa do Brasil 2012. Confira:

Como curiosidade, estive pessoalmente conversando com Hélio Cury para um especial de fim de ano do programa. Quando o perguntei sobre o Operário, ele consultou Amilton Stival antes de gravar. Ficamos os três, frente a frente. E Stival confirmou o Operário para que Cury gravasse a afirmativa.

Tabela comentada do Paranaense 2012

Saiu hoje, após a confirmação da permanência do Rio Branco na Série Ouro, a tabela do Paranaense 2012. Segue Abaixo, comentada:

1o. TURNO

1 – Atlético faz dois jogos seguidos contra os times mais tradicionais do interior;
2 – Londrina reestréia na Elite fora de casa;
3 – Coritiba, atual bicampeão, viaja jogar contra o vice da B na primeira rodada;
4 – Corinthians-PR faz 3 jogos seguidos em Curitiba;
5 – Coritiba faz 2 jogos seguidos em Curitiba; Atlético, 2 fora;
6 – Se estivesse na elite, por substituição ao Rio Branco, Paraná faria primeiro clássico do campeonato contra o Atlético, na 3a. rodada

7 – A 5a rodada coloca o Londrina frente ao Iraty, ou, no caso, o ex-clube dirigido de Sérgio Malucelli contra o atual;
8 – Coritiba reencontra Arapongas na 5a rodada, último time que não perdeu para o Coxa em Estaduais desde as 24 vitórias do Guinness;
9 – Toledo e Londrina repetem a final da Série Prata 2011 na 7a rodada;

10 – Operário e Londrina fazem o grande clássico do interior no Paranaense 2012;
11 – Antes do Atletiba, Atlético vai a Arapongas e Coxa recebe Operário;
12 – Atletiba na 10a. rodada, uma antes da final do primeiro turno, com mando atleticano. Possivelmente no Couto e na quarta-feira de cinzas;
13 – Operário, melhor do interior em 2011, encerra turno com 3 jogos no Sul do Estado.

A tabela segue espelhada no 2o. Turno:

O regulamento segue o mesmo: o campeão do primeiro turno enfrenta o campeão do segundo, em uma final sem vantagem para nenhum time em dois jogos – a não ser o fato de o time de melhor campanha jogar a segunda partida em casa. Se um mesmo time for campeão dos dois turnos, leva o campeonato antecipadamente. As duas piores equipes na soma geral são rebaixadas a Série Prata.

Hélio Cury: “O Pinheirão é matéria vencida”

A Gazeta do Povo (clique para ler) traz matéria hoje explicando origem de parte do dinheiro para a quitação da dívida da FPF com o INSS, que impediu o leilão do Pinheirão na última quinta. Mais que isso: a reportagem, na verdade, aponta que o Pinheirão ficou mais distante do Coritiba. E, com base nas declarações de Helio Cury, presidente da FPF, dá a entender que o comprador do terreno não necessariamente precise erguer uma praça esportiva no local, o que seria obrigatório pela Lei Municipal 3.583/69.

Em um telefonema rápido agora, no fim da tarde, tentei aprofundar o assunto com Hélio Cury:

Napoleão de Almeida – Houve mesmo o rompimento com o investidor? O que o senhor diz da matéria da Gazeta do Povo?
Hélio Cury – A partir de hoje, não trato mais sobre esse problema. Esse assunto, quando for resolvido, eu vou convocar uma coletiva e passar para todo mundo. Se for resolvido. Senão fica essa lenga-lenga. Já falaram demais.

NA – Mas isso se deu porque o senhor falou que “agora os coadjuvantes estão fora”…
HC – Tudo bem, já fizeram todo o tipo de interpretação, não tem o que fazer. É matéria vencida, acabou quando não teve o leilão na quinta passada.

NA – Eu acho que o Pinheirão ainda interessa a muita gente…
HC – …olha… Eu não falei com os outros, não falarei com você também. Seria deselegante.

Pinheirão: dia decisivo, entenda os desdobramentos

Amanhã, às 14h, está marcado o segundo leilão do Pinheirão, com valor inicial 50% menor que o do primeiro leilão: R$ 33 milhões de reais.

Mas ele pode não acontecer.*

Pelo menos é o que pretendem FPF e OAS, que, através de petição da federação, tentam uma liminar na 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais de Curitiba, com a juíza Alessandra Anginski para impedir a realização do leilão. Até o momento em que escrevo este post, 19h50 de quarta, 19/10, ela não concedeu a liminar, como já havia feito no primeiro leilão.

A OAS já tem um acordo fechado para a compra do terreno. Por R$ 85 milhões, a empreiteira quitaria as dívidas junto à receita, Prefeitura e Estado, e outros credores, entre eles o Atlético, que receberia R$ 15 milhões. O valor é menor do que pode chegar a custar o imóvel/terreno caso vendido em leilão: o preço de R$ 33 milhões é apenas em cima do bem, não quitando dívidas e sem contar a comissão do leiloeiro.

O Grupo Tacla é o principal concorrente e o único que deve entrar no leilão. Em 2007, o mesmo grupo arrematou o bem (clique aqui e relembre a história em reportagem da Gazeta do Povo) mas a FPF embargou a compra. E promete fazer o mesmo caso o grupo em questão arremate o imóvel.

O principal problema a ser contornado é a lei criada para que a Prefeitura de Curitiba, ainda nos anos 60, pudesse doar o terreno à federação. Na lei, há a obrigatoriedade de se construir uma praça esportiva no local. O Grupo Tacla, segundo o que apurei, pretende erguer um shopping na região e, para isso, teria de se valer de força política para modificar a lei. A política, no entanto, está ao lado da OAS, que pretende construir um shopping, um centro de eventos e um estádio anexo – e aí chegamos ao Coritiba.

Há um documento assinado por Vilson Ribeiro de Andrade, uma carta de intenções, dando conta de que, caso a OAS compre o terreno e construa, o Coritiba usufruirá, mediante contrato, da nova praça desportiva. A carta não é um contrato; este está em negociações que ainda devem se arrastar por um tempo – mas com muita possibilidade de um “sim” entre Coxa e OAS.

A proposta da OAS para o Coritiba é similar à do Grêmio: o estádio será do clube, mas após um período de 20 anos; até lá, 100% da bilheteria no jogos é da empresa, e não do clube; o Coritiba teria obrigação de mandar seus jogos somente no novo estádio; pelo período de 20 anos, os sócios serão do estádio, e não do clube; o entorno do estádio (shopping, centro de eventos) não dá nenhum lucro ao clube; o terreno do Couto Pereira passa a ser de propriedade da OAS. Entre outros pormenores.

Já o Coritiba quer a revisão de alguns dos termos: o Coxa pleiteia 15% da arrecadação que a empresa tiver no entorno; não aceita ceder bilheteria e placas de publicidade à OAS, tampouco o valor dos sócios, ainda que por prazo determinado. A idéia do Coritiba é manter a receita e repassar 85% dos lucros do entorno para a empresa; sobre o terreno do Couto Pereira, o Coxa quer manter 20% da propriedade em seu nome, repassando 80% para a OAS fazer outro empreendimento – deste, o lucro seria todo da empresa, na área determinada.

A negociação é complexa e, embora somente nos últimos meses tenha vazado na imprensa, já dura 1 ano e meio.

A carta na manga coxa-branca para fazer valer seus desejos é a necessidade de se ter uma praça esportiva no local. Sem o clube, a OAS não teria como fazer a obra – mesmo problema que terá o Grupo Tacla caso arremate o bem. Logo, para que o projeto tenha sucesso, a empresa sabe que precisará ter um centro desportivo anexo e o Coritiba, com o terreno do Couto Pereira (valor estimado de 8 mil o M2), é o parceiro que tem como recompensar a empresa e estar amparado pela lei.

Essas são as cartas, o jogo (re)começa amanhã, 14h. Sem hora para terminar – embora os mais otimistas digam que em 20 dias, a negociação será confirmada ao público.

*Update:

Apurou a jornalista Nadja Mauad, 20h52: “Segundo o presidente da FPF, Helio Cury, o leilão marcado para esta quinta-feira foi cancelado. ‘Apuramos o valor que deviamos junto ao INSS, pagamos e evitamos o leilão. Agora vamos negociar diretamente com os interessados novamente. Venderemos pelo melhor preço’, disse.”

Nota: o recurso do update é usado para manter o teor original do texto, que já afirmava que o leilão poderia não sair. Ainda carece de confirmação, mas confio plenamente no poder de apuração da Nadja, por isso (e porque Hélio Cury está com o celular desligado) o faço com o texto dela.