Que beleza de camisa! #21 – Especial Atletiba #350

"Ai meu Deus... que jogão! Quem será que ganha??"

Pra matar as saudades da linda Kelly Pedrita, um “Que Beleza de Camisa!” especial sobre a 350a edição do clássico mais tradicional do futebol paranaense. E ninguém pode reclamar: a eterna musa do (ex) Jogo Aberto Paraná vestiu as duas camisas, para deleite das duas torcidas.

São 349 jogos e muita história até aqui. Para essa partida no Couto, alguns números (com ordem pelo mandante do clássico):

Último jogo (349): Atlético 0-0 Coritiba, em 22/02/2012, na Vila Capanema
Último jogo no Couto Pereira: Atletiba 347 – Coritiba 1-1 Atlético, em 27/08/2011

No Couto Pereira: 192 jogos – 84v Coritiba – 59 empates – 49v Atlético

Coritiba

Última vitória: Atletiba 346 – Atlético 0-3 Coritiba, em 24/04/2011, na Arena
Última vitória no Couto Pereira: Atletiba 345: Coritiba 4-2 Atlético, em 20/02/2011

Atlético

Última vitória: Atletiba 348 – Atlético 1-0 Coritiba, em 04/12/2011, na Arena
Última vitória no Couto Pereira: Atletiba 334 – Coritiba 0-2 Atlético, em 20/01/2008

As camisas:

Esse foi o uniforme número 3 do Coxa em 2006, ano em que o clube esteve na Série B, liderou por várias rodadas, mas despencou na reta final e não conseguiu o acesso. Foi usado poucas vezes ao longo do ano, que teve apenas um Atletiba: o 332, na Arena, válido pela Copa 100 anos e vencido pelo Atlético por 4-1. O Coritiba não usou essa camisa nesse jogo; o uniforme foi usado ocasionalmente na Série B nacional e aposentado na temporada seguinte. Mesmo assim, considero uma das camisas mais bonitas do clube, numa leitura diferente com dois tons de verde e discretas luminosidades brancas.

Esse foi o uniforme titular do Atlético em 2010, quando o Furacão quase voltou à Copa Libertadores – acabou o Brasileirão a uma posição da classificação. Foi usado por toda a temporada e em parte de 2011. Em 2010, foram dois Atletibas: o 343, 1-1 na Arena, e o 344, vencido pelo Coritiba no Couto Pereira, 2-0. Acho essa a camisa mais bonita da história recente do Atlético, por ser simples e clara, resgatando a gola, e com as listras em destaque e cores firmes.

Ambas camisas fazem parte do meu acervo pessoal (como a maioria da série de posts Que Beleza de Camisa!).

“Não se corrige um erro com outro”, me ensinou meu pai

O Coritiba pode perder entre amanhã e quarta uma chance histórica de demonstrar grandeza e ser condizente com a campanha “Amo minha terra, torço pelo meu Estado”, que quer mostrar a força do povo paranaense.

Pode dar um tapa de luva naqueles que buscaram a separação e o sectarismo, ser um exemplo de convivência, desportividade e de que nossa sociedade tem saída.

Mas que, talvez por serem poucas as vozes em prol do convívio pacífico, pode ficar para trás.

Para que isso aconteça, para que não se caia na vala comum, basta que o Coxa não aceite realizar o Atletiba 350 com torcida única e abra os portões do Couto Pereira para cerca de 3 mil atleticanos, mostrando como se faz um evento com segurança e beleza desportiva.

Rivais sempre, inimigos jamais.

Dirão que “no primeiro turno foi assim e é justo que agora seja assim também”; ok, porém está errado. “Um erro não se corrige com outro”, me ensinou logo cedo meu saudoso pai.

O que foi feito goela abaixo daqueles que gostam de futebol não precisa ser repetido. Um clássico esvaziado, sem a riqueza do colorido das arquibancadas, sem a flauta entre as torcidas. Uma ode à intolerância, que pouco adiantou, pois os episódios de violência aconteceram em pontos da cidade, como sempre acontecem. Nos terminais, nos bairros mais afastados, em que a PM deve agir ostensivamente. Não no estádio, em que a maioria gosta de futebol.

Dirão ainda que a vantagem técnica de se jogar com torcida única não pode ser desperdiçada. Balela. O Atletiba 350 pode dar o returno ao Coxa e o título ao Furacão. O estádio jamais estará vazio e isso significa dizer que serão quase 30 mil coxas, 10 vezes mais do que a eventual carga atleticana. Certamente, gente disposta a pressionar o rival do primeiro ao último minuto. Combustível para os dois lados, de qualquer jeito: um para embalar, outro para calar.

Dirão também que, se o Coritiba aceitar isso, será um passo atrás, será um demonstrativo de fraqueza. Errado. Será um demonstrativo de força e de inteligencia, pois também poderá melhorar a arrecadação ao invés de deixar um espaço às moscas no estádio.

Afinal, com ou sem acordo – e é bom que você saiba disso – os ingressos destinados ao Atlético deverão ser reservados e não poderão ser comercializados mesmo que o Furacão não os peça. É a reserva técnica, já feita no primeiro jogo, para o caso de algum consumidor entrar com uma ação judicial (para você ver como o caso é enrolado).

É um momento único de se demonstrar grandeza, de escolher qual caminho seguir no nosso futebol. Em Minas Gerais os clássicos vêm sendo realizados com torcida única há algum tempo. Desportivamente, o Cruzeiro segue surrando o Atlético-MG, porque em campo tem mais time; fora dele, as torcidas continuam quebrando o pau. Ano passado, uma morte e vários feridos nos confrontos. Já na Bahia, as torcidas de Vitória e Bahia se uniram e disseram um sonora NÃO a iniciativa sectarista. Não há relatos de confrontos entre torcidas em Salvador, pasmem.

Está nas mãos do Coritiba. Sim, porque não é preciso que o Ministério Público perca tanto tempo com isso. Não é possível que nossa polícia não seja capaz de reprimir a violência nos dias de jogos. Não é admissível que você, torcedor de bem, se tranque em casa enquanto destroem a cidade, com ou sem torcida única nos jogos.

É alimentar a roda da discórdia e ver onde isso vai parar ou, como diria um cabeludo famoso por aí, “oferecer a outra face”?

*Em tempo: não sei de quem é o carro, mas estava há alguns dias no Bosque Alemão e achei muito bacana a imagem.

O erro de Vinícius

E se fosse outro goleiro que tivesse protagonizado o lance incomum em Criciúma 1-2 Atlético? Fiquei pensando nisso após o fim da partida. Se não fosse Vinícius que estivesse no gol, será que a reclamação seria unânime na hora do lance? Será que a grita dos torcedores e de grande parte da imprensa local seria diferente? Pra mim, sim.

Vinícius é estigmatizado por aqui. Tudo ainda por um erro de quatro anos atrás, que custou ao Atlético o título paranaense contra o Coritiba. Na época, 2008, um choque entre Vinícius e o então zagueiro Danilo proporcionou que Henrique Dias descontasse para o Coxa, que havia vencido o jogo de ida por 2-0. O gol de HD deixou o placar em 2-1. O Atlético venceu, mas não levou. E Vinícius ficou marcado para sempre.

Sem carregar a mesma cruz nacionalmente, a análise da imprensa nacional foi mais objetiva: o árbitro José de Caldas Souza (DF) errou grosseiramente. “Erro primário”, analisou Leonardo Gaciba, ex-árbitro e comentarista de arbitragem do SporTV. No lance, o auxiliar Marrubson Melo Freitas levantou a bandeira na hora, mas Caldas bancou o lance e prejudicou o Atlético. Veja o lance, uma entrevista de Vinícius e a análise de Gaciba, no vídeo abaixo:

Por aqui, deu-se mais atenção à “mosqueada”de Vinícius. Eu, inclusive, tive dúvidas no lance, muito rápido. Mas admito que tive dúvidas na aplicação da regra, que na verdade não é nada interpretativa. É só ler o trecho abaixo, extraído do livro de regras do futebol da CBF:

O goleiro não deverá manter a posse da bola em suas mãos por mais de seis segundos. O  goleiro estará de posse da bola:

• enquanto a bola estiver em suas mãos ou entre sua mão e qualquer superfície (por exemplo: o solo, seu próprio corpo)

• enquanto segurar a bola em sua mão aberta estendida

• enquanto bater a bola no solo ou lançá-la ao ar

Quando o goleiro controlar a bola com suas mãos, nenhum adversário poderá disputá-la com ele.

Não há dúvidas: o árbitro errou gravemente e prejudicou o Atlético. É só rever o lance: Vinícius está com a mão estendida enquanto Zé Carlos retira a bola com a cabeça. Falta do atacante, que custou caro ao Furacão.

Sim, caro. Porque o time poderia ter conseguido a vaga para a outra fase da Copa do Brasil ainda ontem. Agora terá que disputar uma nova partida. Acredito que a vantagem de poder perder por 0-1, empatar e vencer, seja boa o suficiente para que o Atlético confirme a vaga, mas terá um desgaste de um jogo a mais na reta final do Paranaense. E qualquer jogo a mais, um cansaço a mais, no futebol moderno, é inchaço de calendário, dificuldade de recuperação, treinamento a menos. O Atlético deve cobrar da CBF uma postura contra a arbitragem.

Mas, e Vinícius? O goleiro foi condenado antes mesmo de uma noção maior das regras. “Vinícius não serve”, “Um erro infantil”, e outras críticas. E assim foi por 2008, não por 2012. Qualquer outro goleiro na meta e, estou convencido, todos seriam mais complacentes com o jogador e menos com o árbitro. O lance passaria de “duvidoso” para “absurdo”.

Vinícius não é o goleiro ideal para o Atlético. Ontem mesmo falhou em outros dois lances, uma furada com os pés em uma saída de bola no primeiro tempo e um “bate-roupa” no segundo,  do qual se recuperou a tempo. Mas ele deve ser julgado pelo que vem fazendo, não pelo que errou antes. O Atlético não precisa de um Barbosa* no gol.

Curiosidade

Foi impossível ver o lance e não lembrar da micagem de Rodolfo Rodrigues pelo Bahia, contra o Cruzeiro de Ronaldo, em 1993. Relembre o lance, validado pelo árbitro:

*Barbosa foi o goleiro da Seleção Brasileira de 1950, que perdeu a decisão para o Uruguai em um Maracanã lotado, 1-2. Ele fez parte de um dos mais vitoriosos times da história do Vasco, o Expresso da Vitória, seis vezes campeão carioca entre 1945 e  1958 e campeão do Sul-Americano 1948, o embrião da Taça Libertadores. Barbosa era um exímio goleiro, mas carregou por toda a vida o estigma de ter falhado no gol de Ghiggia, o do título uruguaio. A bola passou entre ele e a trave em um chute a queima-roupa. Mas a falha foi mesmo da zaga, que não fez a cobertura correra. Barbosa morreu em 2000 aos 79 anos, depois de, como ele mesmo dizia, “cumprir uma pena de 50 anos, maior que a de qualquer criminoso julgado pela Justiça no Brasil.”

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 04/04/2012

Paradas indigestas

Atlético e Coritiba iniciam nessa semana a segunda fase da Copa do Brasil; o Paraná, na semana que vem. Ninguém terá moleza. O Coxa pega hoje o ASA de Arapiraca, com perspectiva de jogo duro no interior de Alagoas, sem Rafinha. O Atlético terá amanhã um gostinho do que o espera na Série B nacional ao pegar o perigoso Criciúma. Já o Paraná, que só entra em campo semana que vem (11/04), pega o Ceará, líder do Cearense e adversário também na Série B. A vantagem dos três é poder decidir em casa e, quem sabe, eliminar o segundo jogo se vencerem por dois ou mais gols de diferença.

Torcida contra?

Se passar para a próxima fase da Copa do Brasil, o Paraná Clube irá complicar a vida da FPF, que se recusou a antecipar a segunda divisão estadual e teve que enxertar nada menos que 21 jogos em 60 dias, pelo conflito de datas com a Série B nacional. A tabela, refeita na última semana, prevê dois jogos entre 1 e 3 de maio; se eliminar o Ceará, o Paraná entra em campo pela Copa nacional dia 2 do mesmo mês, acabando com o paliativo de duas datas da FPF. Será que tem diretor de federação torcendo contra?

Cáceres, só em julho

O Coritiba aguarda o fim do contrato entre o volante Luís Enrique Cáceres e Cerro Porteño para retomar as negociações e trazer o reforço ao Brasil. O jogador está perto de ganhar passe livre e o clube paraguaio tem “blindado” o jogador, que vem atuando pouco no Campeonato Paraguaio. Em julho o jogador deve assinar com o Coxa, com quem já tem proposta firmada. Com 23 anos, Cáceres pode ser a grande aposta alviverde para acertar a saída de jogo da equipe para o Brasileirão, deficiente desde a saída de Léo Gago para o Grêmio.

Paranaense Sub-20 esvaziado

Atual campeão, o Atlético se recusou a disputar o Paranaense Sub-20, que teve início no último final de semana. O clube não deu muitas explicações sobre o porquê de abrir mão de disputar a última categoria antes do profissional no Estadual, mas os jogadores foram deslocados para um time Sub-23, que tem realizado amistosos. Já o Coritiba inscreveu um time com média de idade dois anos abaixo da categoria, com o time Sub-20 excursionando pelos EUA para a Dallas Cup. Na estréia, o Coxa perdeu por 0-1 para o Corinthians-PR.

Articulando

Hélio Cury, presidente da FPF, esteve ontem em um almoço no Rio de Janeiro com José Maria Marin, novo presidente da CBF. Cury e os presidentes das federações gaúcha, carioca, catarinense e baiana estiveram aparando arestas. Quando da renúncia de Ricardo Teixeira, o grupo queria uma nova eleição para o comando da entidade, mas respaldado principalmente pela federação paulista, Marin assumiu o cargo como vice-presidente mais velho.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/03/2012

Rompidos

Não convide para o mesmo evento os presidentes do Atlético, Mário Celso Petraglia, e do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade. Os dirigentes, que trocaram elogios mútuos no início do ano, estão com relações rompidas com os sucessivos episódios envolvendo a necessidade de o Furacão ter um estádio para jogar. Nos bastidores, comenta-se que Vilson e Petraglia estavam próximos de um acerto para o empréstimo do Couto Pereira para o Brasileiro, mas o mandatário atleticano, em paralelo, tentou forçar a barra junto a CBF, com medo de levar um não de Vilson. O coxa-branca, por sua vez, sentiu-se traído e informou a Petraglia que “não quer mais conversa” com ele.

Torcida única em julgamento

A medida por um Atletiba com torcida única, tomada por iniciativa de Petraglia no clássico 349, é outro ponto de discórdia. Andrade concordou com a decisão com a prerrogativa de que o Atletiba 350 também fosse disputado dessa forma; o MP-PR, que poderia impedir a infração ao Estatuto do Torcedor foi complacente. Mas o TJD-PR, através do procurador Marcelo Contini, não. Uma petição de quatro laudas denuncia os clubes, que podem ser apenados em até R$ 100 mil. O julgamento será na quarta que vem pela 3ª comissão. Seja qual a decisão, ela não obrigará nada em relação ao clássico 350, em 22/04.

Tcheco e a gerência de futebol

O meia Tcheco, 36 anos, deverá deixar os gramados em julho, quando o Coritiba pretende realizar uma festa de despedida. A intenção da diretoria do Coxa é convidá-lo para auxiliar Felipe Ximenes na gerência de futebol. “Ele é identificado com o clube e tem perfil”, sinalizou o presidente alviverde Vilson Ribeiro de Andrade.

Parreira e Ney Franco em Curitiba

Calma: nem Juan Carrasco, nem Marcelo Oliveira estão perdendo os empregos. Os dois técnicos da Seleção (o primeiro do tetra em 94, o segundo atual auxiliar de Mano Menezes) estarão em Curitiba em 28/05 no Footecon, o congresso brasileiro dos profissionais de futebol. Será um dia com debates e oficinas para profissionais e entusiastas da área, com a visão de quem está dentro do mercado. As inscrições já estão abertas no site footecon.com.br/curitiba.

Festa do interior

O Coritiba recebe hoje o Londrina no Couto Pereira em jogo que pode encaminhar a conquista do 2º turno pelo time do norte, três pontos à frente do Coxa e cinco a mais que o Atlético nessa etapa do campeonato. Se não levar 5 ou mais gols, o Londrina deixa Curitiba com a liderança. Se vencer então, põe uma mão na vaga da final – a outra já é do Atlético. Desde 2007, quando ACP e Paraná decidiram o campeonato (vitória interiorana), as disputas ficaram apenas entre Atlético e Coritiba. Já o Londrina, três vezes campeão paranaense, não vê a taça desde 1992.

Mercado & Torcidas, parte III: o espaço a se conquistar e consolidar

Com dois dias de atraso em virtude de um problema pessoal, volto a atualizar o blog com a pesquisa divulgada pela Pluri Consultoria durante a semana, com a relação tamanho das torcidas do Brasil x potencial de consumo.

A parte três traz aquilo que é fundamental na renda de um clube e que chegou até a virar bordão em Curitiba: “torcida se mede no estádio”, ou, nesse caso, se mede na força de consumo. E aí os paranaenses dão bons sinais, mas ainda assim estão aquém do que podem conquistar e obter para maior competitividade. Onde se vê crise pelo domínio de outros times na terrinha, se vê oportunidade de crescimento com base no mercado a se conquistar e em um “gap” importante: a fidelidade do torcedor paranaense.

O Atlético é o 13o maior clube do Brasil em potencial de consumo de seus torcedores, atrás apenas dos 12 que estão no eixo RJ-SP-MG-RS. Coladinho no Furacão, em 14o, está o rival Coritiba. Isso analisando somente os números brutos, que estão nas tabelas abaixo:

Potencial de consumo máximo mensal em reais
Potencial de consumo per capta em reais

Considerando o número de paranaenses que não gostam de futebol (mercado a se conquistar) que é de 33% e o aspecto cultural a se reverter – aqueles que residem no Paraná, mas preferem os times de fora, 64,4% dos que torcem –  há uma perspectiva positiva em relação ao crescimento da dupla Atletiba para entrar no “G-10”, suplantando três clubes com potencial parecido mas já mais nacionalizados: Atlético-MG, Botafogo e Fluminense.

Essa leitura permitirá a dupla se consolidar entre os gigantes do País, algo que ainda não é visto com frequência na mídia nacional, mesmo com títulos de Série A conquistados. Mas, mais do que isso, a conquista do mercado interno trará aumento de renda proporcionalmente maior que a de gigantes como Flamengo e Vasco que, de acordo com o estudo, estão no limiar de seu potencial de arrecadação. Explica-se lendo as partes anteriores da pesquisa, logo abaixo aqui no blog: o gargalo dos dois cariocas citados (e outros grandes nacionais) está no fato de a maioria de seus torcedores residirem longe das sedes de seus clubes, o que os impede de frequentar os estádios, diminui o interesse em associação e faz com o que o torcedor seja menos propenso a consumir produtos oficiais.

Além disso, Atlético e Coritiba tem que trabalhar (e comemorar) a fidelidade de suas torcidas, ajudadas pela boa média de renda per capita do Estado do Paraná, que permite com que atleticanos e coxas-brancas consumam mais seus clubes, ajudando na arrecadação. Não a toa ambos estão entre os cinco maiores parques associativos do Brasil, superados pelo gigante São Paulo FC e os gaúchos Inter e Grêmio, que têm características de domínio regional ímpares no Brasil. Ao ampliar seu estádio, o Atlético dará um salto nessa área, já que hoje tem cerca de 17 mil sócios, mantidos mesmo com a impossibilidade de mandar jogos na Arena; já o Coritiba, que consideram um parque associativo de 19 mil adimplentes e mais 6 a 7 mil flutuantes (títulos em vigor com parcelas em atraso) já está próximo de seu gargalo em público no estádio; mas mais do que reformar o Couto Pereira, o Coxa já traça outra estratégia associativa: passou a trabalhar a inclusão, ao invés da exclusão.

Explico: o título associativo a R$ 9,90 não oferece os mesmos benefícios que os títulos acima dos R$ 60, para presença garantida no estádio, mas faz com que o torcedor apaixonado pelo Coxa faça parte da vida do clube, pagando menos. Ponto para o Coritiba, que antenou-se a isso antes.

E o Paraná Clube? Em primeiro lugar, os tricolores devem cuidar da manutenção do seu parque associativo, que está aquém do potencial em pelo menos 100%. O Paraná tem hoje cerca de 6 mil sócios-torcedores (não esquecer que o clube tem característica própria de ter um parque associativo social, para piscinas e outros), o que o deixa com cerca de 2% de sua massa total participando da vida do clube. O 27o. posto em potencial máximo de consumo para os paranistas está de acordo com o tamanho aferido na pesquisa – atrás de clubes como Avaí, Figueirense, Goiás, Náutico e Ceará.

O que está em desacordo com o potencial paranista é o aporte de sua própria gente no clube. Veja a tabela abaixo, que traz ótimas perspectivas ao Paraná, e principalmente, coloca o Coritiba como o 3o maior clube do Brasil em voluntariedade de gastos do seu torcedor:

Apesar do empate em números brutos, o Coxa está considerado abaixo dos catarinenses por ter uma torcida maior que a dupla de Floripa; ainda assim, tem ótimo Índice de Propensão ao Consumo, o que significa dizer que o coxa-branca é fiel e ajuda seu time; não menos orgulhosos devem ficar os atleticanos, 4o lugar no Brasil (muito também em função de ter uma torcida maior que os três acima, de acordo com o estudo) mas que mantém-se longe do gargalo de crescimento. O Paraná Clube também aparece positivamente nesse índice, mostrando que um trabalho sério pode trazer mais do que apenas 2% da massa torcedora para o quadro associativo: o Tricolor é o 8o, a frente de grandes torcidas nem tão participativas, como Atlético-MG, Fluminense e Santos.

Os clubes devem voltar seus olhos a dois pontos: atender a necessidade de seu torcedor, fidelizando-os cada vez mais, com benefícios promocionais aos sócios e boas instalações, para gerar renda e conseguir montar times competitivos. A máquina passará a girar sozinha, pois com melhores resultados em campo, maior a atração de público que, fidelizado, trará mais resultados, até que o looping se complete e aumente. Por outro lado, os paranaenses devem perder a timidez e atuar com um marketing agressivo em outras regiões do estado, buscando novos torcedores. Devem trabalhar melhor a relação com a mídia local, buscar campanhas em especial entre os jovens e tentar formar uma nova geração de torcedores.

A má notícia da primeira parcial da pesquisa é também a ótima notícia das parciais subsequentes: se hoje o Paraná não compra os times locais como deveria, o potencial de crescimento dos clubes locais está entre os maiores do País. Há muito a se fazer, mas há saída para o Trio de Ferro chegar ao topo do futebol nacional.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 21/03/2012

Panos quentes
O Governo do Estado do Paraná, até o presente momento, pôs panos quentes nas declarações do Secretário de Estado para a Copa 2014, Mário Celso Cunha, de que “o Atlético não deveria se preocupar em como pagar o empréstimo do BNDES, já que o Governo deverá anistiar as dívidas do Mundial”. A declaração foi dada em uma reunião do Conselho Deliberativo do clube em 2010 e levada a público pelo jornal Gazeta do Povo no domingo passado. Em nota, o Palácio Iguaçu limitou-se a dizer que o processo do Mundial é “idôneo”. Cunha, em entrevista a TV Bandeirantes afirmou que “jamais quis fazer apologia ao calote.”
O que cabe ao Atlético?
Em relação às declarações de Mário Celso Cunha, nada. O clube não tem nenhuma relação antiética com o Mundial e colocou o CT do Caju a disposição do BNDES para o caso de inadimplência. Por isso, não se deve misturar a sugestão de calote pelo gestor público à postura da instituição, que já está beneficiada pela realização da Copa 2014 na cidade. Um exemplo é a negociação que levará a modernização da Arena: são 138,6 milhões via Agencia de Fomento para a obra, dos quais o Atlético pagará um terço (R$ 46,2 mi) a serem pagos em 15 anos a contar de 2015 (são três anos de carência) com juros de 1,8% ao ano, considerado irrisório no mercado. Os outros dois terços do valor serão oriundos da comercialização dos títulos de potencial construtivo cedidos pela Prefeitura. O próprio BNDES irá vendê-los.
Mercado adverso
A Pluri Consultoria, empresa de marketing e gestão esportiva sediada em Curitiba, divulgou números de uma pesquisa sobre torcidas no Brasil, realizada em janeiro deste ano em 144 cidades do País, com 10.545 entrevistas. O objetivo é mapear o potencial de consumo das equipes (ao longo dos próximos dias, detalharei a pesquisa no blog bemparana.com.br/napoalmeida, fica o convite*) junto às torcidas. Quem gasta mais? Em que região? No primeiro relatório apresentado, a demonstração de como o mercado para os paranaenses ainda é adverso – mas, olhando-se o copo meio cheio, como ainda pode crescer.
*Nota do blog: desça a página e leia as duas primeiras partes; por motivos particulares, ainda não pude detalhar a terceira e última, mas prometo para essa sexta.
Primeiro, mandar em casa
No relatório, o Atlético aparece como a maior torcida de um clube paranaense, com estimados 1,2 milhão de torcedores (a 17ª maior do Brasil); coladinho atrás está o Coritiba, com 1,1 milhão (18º no geral). O Paraná Clube tem estimados 300 mil aficionados (27º em todo o País). No entanto, mais que a quantificação das torcidas estaduais, o relatório apresenta números desfavoráveis aos paranaenses. Segundo o estudo, dos 10 maiores estados da nação, o Paraná é o que menos tem torcedores de futebol: 67% dos residentes gostam de algum clube. No Rio Grande do Sul, o número é de 90%. Dos 67% dos paranaenses que torcem para algum time (estimados 7 milhões), 64,4% preferem as equipes de fora do Paraná. Apenas 35,6% apóiam os times paranaenses. Ainda há muito a se fazer.

Mercado & torcidas, parte II: a saída paranaense

Dando sequência ao estudo divulgado pela Pluri Consultoria com relação ao tamanho e ao potencial das torcidas no Brasil (as 30 maiores), a segunda parte aborda a força de consumo de cada uma. E aqui aparecem boas novas aos clubes paranaenses, em especial o trio da capital, presente entre as citadas.

Mesmo com mais da metade da população torcedora do Paraná preferindo clubes de outros estados, Atlético, Coritiba e Paraná Clube crescem na relação tamanho/renda per capita. Com base na pesquisa de opinião feita pela consultoria em janeiro deste ano (clique aqui para ler mais) cruzando dados com as informações do IBGE, a dupla Atletiba atinge quase R$ 1 bilhão mensal de perspectiva de renda entre seus torcedores. O Paraná Clube vê sua torcida com quase 250 milhões de renda por mês, a frente de clubes de São Paulo como Guarani, Ponte Preta e Portuguesa. Neste ponto, o Corinthians torna-se o clube com maior renda per capita, ultrapassando o Flamengo, mesmo com maior torcida. Explica-se: São Paulo tem o maior PIB do Brasil. Confira os números:

A conclusão do estudo é boa para os paranaenses. Tendo por base a concentração de torcedores dentro de seu próprio estado e o acesso dos mesmos aos produtos que o clube oferece (planos de sócios, camisas, souvenires) o potencial de gasto de um torcedor nisso está intimamente ligado ao fato de ele viver na sede do mesmo.

É simples e explica os grandes parques associativos paranaenses: o coxa-branca ou o atleticano, entre os cinco maiores volumes de sócios do País (atrás de Inter, Grêmio e São Paulo) tem acesso ao estádio em maior número do que o flamenguista residente em Manaus. Cerca de 65% da torcida do Flamengo está fora do Rio, enquanto apenas 6% da torcida do Coritiba não é paranaense –  no Atlético, o número sobe para 9%.

Trazendo o Paraná Clube para a análise (100% dos torcedores dentro do Estado), percebe-se que se o volume dos torcedores paranaenses no todo é diminuto entre a população local, ao menos os que escolhem torcer para os times da terra são mais participativos. Resta aos clubes trabalhar melhor ações junto a esse público, para rentabilizar mais. Isso passa por respeito ao quadro associativo, atendendo a necessidades básicas do consumidor pagante, até pesquisas de opinião sobre esse ou aquele produto a ser lançado. Os clubes locais têm feito isso? Reflita.

Se há a vantagem da maior exposição dos gigantes brasileiros, estes também sofrem em maior número com a pirataria. O estudo indica que Flamengo e Corinthians, por terem torcedores em sua maioria distantes da sede, adquirem produtos piratas com maior índice do que os que estão próximos a base do clube do coração. Por outro lado, Atlético, Coritiba e Paraná já convivem com a “ameaça corintiana” (rótulo simbólico e extensivo a outros gigantes com a mesma característica) ao verem lojas como a “Poderoso Timão” se instalarem em shoppings da cidade. E ainda há a concorrência indireta, cada vez maior, de clubes como Barcelona, Milan e Manchester United.

O estudo ainda aprofunda os dados, trazendo mais boas novidades aos paranaenses, com os três presentes entre os 11 clubes com torcedores mais ricos do país – logo, com mais recursos a investir na paixão. Novamente, a base é o IBGE x pesquisa de opinião, chegando a renda média mensal de cada torcedor. Confira:

Aqui, tratando-se somente dos paranaenses, empate técnico: do Paraná Clube, que tem a menor média mensal de renda entre torcedores, para o Atlético, a maior, são apenas R$ 11 a menos. Considerando as capacidades de cada estádio da capital e o volume de torcedores apontado pela pesquisa para os três, chega-se a conclusão que é possível que cada clube tenha sua capacidade associativa esgotada. Vejamos:

– Considerando que o plano associativo do Paraná Clube custa R$ 40/mês para ver jogos na arquibancada (cerca de 5% da renda média mensal)

– Que o valor padrão no Coritiba é de R$ 60/mês para ver jogos na arquibancada (cerca de 8% da renda média mensal)

– Que o valor no Atlético é de R$ 70/mês para qualquer setor na Arena (aproximadamente 10% da renda média mensal)

E que nenhum dos três clubes tem mais do que 10% da capacidade máxima da sua torcida em área aproveitável no estádio, é possível que, convencendo menos de 10% da torcida de cada clube, se garanta uma arrecadação mensal proporcionalmente maior (quiça igual) a de Flamengo ou Corinthians.

A pesquisa chama ainda a atenção para a alta concentração de renda dos clubes catarinenses, da região de Campinas-SP (cerca de R$ 5 milhões de habitantes em um pólo produtivo paulista) e dos dois grandes gaúchos, virtualmente os maiores clubes do país em potencial de arrecadação e domínio territorial.

A saída competitiva para os paranaenses está aqui. Mas, pode ter mais boas notícias.

Amanhã, a Pluri Consultoria irá divulgar a última parte do estudo, sobre o potencial de consumo de cada torcida – especificando quem efetivamente gasta mais em seu clube atualmente. Aguardemos.

 

 

Mercado & torcidas, parte I: ainda há muito a fazer

A Pluri Consultoria, empresa curitibana de marketing, gestão e negócios em esportes, divulgou ontem um relatório feito a partir de uma pesquisa de janeiro deste ano, em 144 cidades do Brasil, com 10.545 pessoas, para mensurar o tamanho do potencial consumidor das torcidas no País. A margem de erro é de 2,4%.

A pesquisa logicamente também dá uma dimensão do tamanho das mesmas.

Olhando para o nosso quintal, diante apenas do primeiro relatório (outros dois serão divulgados nos próximos dias e terão análise aqui no blog) ainda há muito a se fazer. A tabela a seguir apresenta os números brutos da pesquisa:

Os números são próximos da última pesquisa divulgada, ainda em 2008, pela Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo. Mas não são o foco da discussão: há algo que deve ser olhado com mais atenção pelos clubes paranaenses em relação ao nosso mercado.

O primeiro susto também deve ser encarado como uma oportunidade: dos 10 estados mais ricos da federação (SP, MG, RJ, RS, PR, GO, BA, PE, SC e CE) o Paraná é o que apresenta o menor número de pessoas que gostam de futebol:

Nada menos que 1/3 da população paranaense não se importa com o esporte mais popular do País. Para entender porque o Rio Grande do Sul, cuja capital hoje é menor que Curitiba, tem mais força no cenário nacional esportivo, é fácil: 90% dos gaúchos gostam de futebol. Até mesmo Goiás e Ceará, estados que nunca viram seus clubes vencerem nenhum campeonato nacional da primeira divisão, tem melhor índice que o Paraná.

Mas há algo ainda mais preocupante: dos 67% dos paranaenses que gostam de futebol, a maioria gosta dos clubes de fora.

Nada menos que 64,4% dos paranaenses apoiam uma equipe de fora do Paraná como clube do coração. O Paraná fica apenas à frente de Ceará e Santa Catarina no quesito. Novamente, vale o comparativo com os vizinhos gaúchos: apenas 2,8% dos residentes no Rio Grande do Sul torcem para outra equipe que não seja gaúcha. Isso demonstra o potencial mercadológico que as marcas têm em apostar no mercado local. A já citada pesquisa Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo de 2008, uma das mais completas feitas por aqui já apontava o Corinthians como maior torcida do Paraná, com 12,45%, a frente do Atlético, segundo colocado, com 9,56% .

Para os paranaenses, a pesquisa serve como alerta. Se os clubes do Estado estão distantes ainda de paulistas e cariocas, é necessário mirar em cima e tentar se aproximar de gaúchos e mineiros. O Paraná é o quinto estado no ranking da CBF, logo a frente de Pernambuco e Bahia. É evidente a necessidade de boas campanhas dentro e fora de campo para fazer com que os paranaenses que não gostam de futebol passem a gostar; e os que adotaram um time de fora, criem simpatia aos locais.

O relatório traz outro estudo interessante: a penetração dos clubes em outras praças:

Dos paranaenses, o Atlético é o clube que tem mais torcida em outros estados: 9% do seu contingente. É um número considerado razoável se comparado com outros concorrentes diretos; dentro do eixo, o Atlético-MG é o clube que tem o menor índice fora de seus domínios, o mesmo do xará paranaense. O Furacão ainda comove mais pessoas fora de sua terra do que Bahia, Sport, Vitória e Santa Cruz.

O Coritiba aparece com 6% de sua massa espalhada em outros estados brasileiros. É metade do índice do Cruzeiro longe de Minas Gerais, mas também é mais do que conseguem os times de Bahia e Pernambuco. Já o Paraná Clube tem toda a sua torcida estimada no próprio estado.

Talvez pela característica migratória do seu povo, talvez pelas conquistas e feitos das suas equipes, os gaúchos Internacional e Grêmio são bem representados longe do Rio Grande do Sul (onde, como visto acima, dividem cerca de 98% da população entre si e outros menores da terra, como Caxias, Juventude, Brasil de Pelotas, etc.). O Grêmio tem 27% de seus simpatizantes fora do RS, enquanto que o Colorado conta com 24%.

Mas nem tudo é tão ruim para os paranaenses: Coritiba e Atlético, pela ordem de tamanho, estão entre os maiores parques associativos do Brasil (19 e 17 mil sócios, aproximadamente, segundo as assessorias).

Amanhã, a Pluri Consultoria divulgará a segunda parte do estudo, com dados sobre a estimativa de renda de cada uma das 30 torcidas citadas no relatório. O blog trará nova análise.

Certo na forma, errado no conteúdo

Paulo César Silva, o Paulão, vice-presidente de futebol do Paraná Clube, não fugiu ao próprio estilo e na primeira entrevista em meses de reclusão – desde 13/09/2011, quando o Tricolor perdeu para o Salgueiro por 2-1 e se viu às portas do rebaixamento – e soltou o verbo, provocando os atleticanos: “Nossa torcida é muito maior que a do Atlético, só que temos menos mídia”.

Ouça o trecho na íntegra no link abaixo:

http://www.4shared.com/mp3/QdlRat_D/0803_-_SONORA_PAULAO.html

Até aí, tudo certo. A rivalidade sadia, como no caso para ver as duas torcidas indo ao estádio em grande número, é interessante. Faz com que o amigo provoque o outro e ambos vão defender suas cores, cada qual em seu jogo. O oposto da medida separatista do Atletiba 349, com incentivo a ver “quem é maior” ou não.

A polêmica, pra mim, não reside na afirmação de PC Silva sobre qual torcida seria maior que a outra. Isso de fato pouco importa. Nessa questão, fico com a pesquisa feita pela Gazeta do Povo em 2008, a mais recente feita e completa feita na terrinha (cujo decepcionante resultado estadual é Corinthians em primeiro) e que está nesse link, a quem interessar possa.

A polêmica no caso é outra: porque é que nem Paraná, dono da casa, nem Atlético, locatário (e com supostos 17 mil sócios a atender) ainda não instalaram as câmeras de segurança que faltam para que a Vila Capanema receba mais que os 9.999 torcedores permitidos no momento?

De que adianta Paulo César Silva jogar uma provocação no ar para atrair público ao estádio se o mesmo não dá suporte a quem aceitar a parada? Porque o Atlético, locatário ao menos pelo Paranaense, não se preocupa em atender o volume total de sócios que tem, já reduzidos em 9% segundo matéria recente, bancando parte ou exigindo do proprietário a instalação das câmeras?

Motivos não faltam para que ambas as torcidas possam ir ao jogo. O Tricolor chegará a 14/03 sem ter feito uma partida oficial sequer para seu povo em 2012. A primeira, na última quarta, foi na distante Lucas do Rio Verde. Foram meses de angústia sem saber que time estaria em campo, sem o prazer de ver o clube do coração atuar. E quando o fez, trouxe bom empate do Mato Grosso. Já o rubro-negro precisa da vibração de sua gente para reverter o resultado. E apesar das decepções recentes, conta com uma torcida fanática e numerosa, que lotaria, só com o número divulgado de sócios, as dependências do Durival Britto e Silva.

A mesma razão pela qual o torcedor paranista lotaria o estádio tira qualquer justificativa das diretorias: houve tempo de sobra para que a situação das câmeras de segurança fossem instaladas. E a segurança foi prerrogativa básica do Atlético para trocar o Ecoestádio pela Vila. É um grande ponto de interrogação.

Não adianta discutir o tamanho das torcidas enquanto o tamanho do pensamento dos dirigentes não mudar.