Cruzeiro 6-1 Galo: indícios de manipulação entre mineiros ganham força

N.E.: Prepare o fôlego. A reportagem a seguir precisa de atenção máxima. Sua e das autoridades. Clique nos links para ler outras referências.

A goleada histórica do Cruzeiro sobre o Atlético Mineiro (6-1) que salvou a Raposa da Série B 2012 pode ter mais atitudes de raposa do que o Brasil pode imaginar. Tal qual a fábula infantil, a amizade (ou os interesses) entre alguns dirigentes do Galo e do rival podem apresentar mais do que uma simples jornada infeliz do Alvinegro mineiro. Pior para o Atlético Paranaense, que chegou à última rodada – por incompetência própria – contando com o resultado de outros. Caiu.

É o que pensa o jornalista e literário Idelber Avelar, professor da Tulane University de Nova Orleans, EUA e “Ex-atleticano [mineiro]. Eu não tenho dúvidas da entrega. Mas é difícil provar e isso cabe ao Ministério Público. Os indícios estão aí”, disse. Avelar e Fabiano Angélico, outro jornalista, também torcedor do Atlético-MG, criaram uma petição para que o Ministério Público investigasse o jogo. Cerca de 8 mil pessoas assinaram o documento em uma semana passada do final da partida. O documento tem valor legal.

O texto da petição se ampara em 8 suposições. As principais, resumidamente, nas palavras do redator, “[o Cruzeiro] cair para a série B, o que lhe traria milhões de reais em prejuízo; o resultado da partida, 6×1 para o Cruzeiro, é anormal, (…) Atlético [MG] apresentava a melhor defesa [no 2º turno] dentre dos 20 times do Campeonato e, em contrapartida, o Cruzeiro tinha o pior ataque; o BMG, instituição financeira que patrocina ambas as equipes, denunciada pelo Ministério Público por envolvimento no chamado “Mensalão”, o que levanta dúvidas sobre a idoneidade da instituição. Além disso, a referida empresa tem interesses econômicos em jogadores do Cruzeiro, que seriam desvalorizados se a equipe fosse rebaixada; Há relatos, incluindo um postado no blog de uma conhecida jornalista esportiva, a respeito de reuniões envolvendo os dirigentes dos dois times e o presidente do BMG (…) anteriores ao jogo.”

A anormalidade citada no resultado é histórica. Nos 454 jogos entre as equipes (estatística cruzeirense), o 6-1 aparece como a maior goleada de todos os tempos, exceção feita a Atlético-MG 9-2 Palestra Itália, em 1927, quando o futebol ainda era amador. O erro do zagueiro Réver [ver vídeo acima], eleito o melhor do Brasileirão 2011 pela CBF, no terceiro gol do Cruzeiro, não condiz com a qualidade técnica do título, ainda que seja apenas um momento infeliz. A familiares, o técnico Cuca, do Atlético-MG, confidenciou na chegada a Curitiba (onde reside) de que estava “p. da cara com alguns jogadores que só pensam em dinheiro.” Cuca não atendeu aos telefonemas para falar sobre o assunto.

Apostas online: índices anormais

O resultado também mexeu com a bolsa de apostas internacional em futebol, um dos índices que levanta mais suspeição quando de escândalos de manipulação de resultados. Os sites de apostas SportingBet, Betboo e BetClic atribuíam favoritismo ao Cruzeiro. Ainda que jogasse em casa, os números do campeonato apontavam o contrário para a Raposa. Mas o valor de retorno em investimento é medido pelo volume de apostas em cada time – quem tem menos chances e menos apostadores, paga melhor. E na cotação mais alta, cada real apostado no Cruzeiro rendia R$ 1,90 enquanto que para o Galo o retorno era de R$ 4,00. Para se ter uma idéia, no clássico paranaense entre Atlético e Coritiba – com características parecidas, com o mandante em pior situação – a cotação era de R$ 2,75 para o Furacão e R$ 2,40 para o Coxa.

Avelar ainda relembra que um costume mineiro ficou em suspeição em Belo Horizonte na véspera do clássico: “Na sexta, desapareceram das imediações do Café Nice (ponto de apostas de BH) os apostadores dispostos a cravar Galo.” Pode-se questionar que o esquema de apostas que daria mais lucro a quem apostasse no Atlético-MG, como é de praxe, mas Avelar rebate: “Quem iria por dinheiro bom num resultado definido?”

Em Minas, pouco ou nada se vê na imprensa sobre o assunto, ainda que seja de consenso público a possibilidade da entrega. As comunidades de torcedores de Atlético-MG e Cruzeiro no Orkut, com participação de quase 1 milhão de pessoas ao todo, estampam fotos acusando o presidente do Galo, Alexandre Kalil, o dono do BMG, Ricardo Guimarães, o ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela e o diretor do Cruzeiro e do Atlético-MG, Eduardo Maluf, de corrupção. O BMG é o banco envolvido no escândalo do Mensalão e patrocinou as camisas de 8 times do Brasileirão/11 (América-MG, Atlético-MG, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Santos, São Paulo e Vasco), além de ter acordos financeiros com outros, como o Corinthians.

Na internet, torcedores do Galo revoltados

O BMG tem um fundo de investimento que controla direitos de mais de 50 atletas no Brasil, espalhados pelos clubes das Séries A e B. Os nomes estão em sigilo contratual, mas o Portal IG apurou que pelo menos 10 jogadores com contrato no Atlético-MG são do fundo. O dono do BMG, Ricardo Guimarães, é ex-presidente do Galo. No Cruzeiro, sabe-se que o atacante Wellington Paulista está ligado ao fundo.

Apesar do caso não ganhar as capas dos jornais mineiros (ou paranaenses, terceiros interessados) em Belo Horizonte é consenso que houve um acordo. Para Carlos Silveira, jornalista e torcedor do América-MG, “aqui em BH todo mundo fala. A costura pode ser até maior, já que muita gente poderia culpar o governador Aécio Neves [cruzeirense] de culpado pela queda de dois mineiros, pela estratégia errada de fechar o Mineirão e o Independência para obras simultaneamente. Ano que vem tem eleição e isso pegaria mal.” As poucas testemunhas e denúncias do caso são vistas apenas em redes sociais, com pouca credibilidade. Mas chama a atenção a data de um dos relatos apontados por Avelar, encontrado no Orkut, anterior ao jogo. “Tem quatro testemunhas que apontam nomes e como foi feito o esquema, mas tudo in off; quem se arriscaria, sem a proteção da justiça, a falar contra Ricardo Guimarães e Aécio Neves?”, questiona Avelar, que é editor da Revista Fórum, que traz artigo com bastidores sobre tudo.

Uma das poucas jornalistas a levantar o caso foi Ludymilla Sá, ainda no dia 2 de dezembro, em seu blog no jornal Estado de Minas: “O último dos absurdos ventilado aos quatro cantos da capital mineira é que o BMG vai trocar uma derrota alvinegra para salvar o Cruzeiro do rebaixamento em troca do anúncio de Diego Tardelli.” As negociações seguem para repatriar o atacante, ora no futebol russo.

A reportagem apurou que o presidente do Atlético Paranaense, Marcos Malucelli, entrou em contato com o presidente do Mineiro, Alexandre Kalil, para oferecer incentivo financeiro aos jogadores do Galo. Kalil recusou, com a premissa de que o jogo seria de vida ou morte para o Galo também. O Atlético ofertou, com sucesso, incentivo ao Bahia para que vencesse o Ceará, o que foi aceito. O Bahia fez 2-1.

No Paraná, vários dirigentes, advogados e personagens do futebol acreditam em irregularidade, mas não em conseqüências. Na semana posterior ao fim do Brasileirão, contatos com pessoas ligadas aos clubes locais trouxeram a suspeita viva também na cabeça até de quem não tem nenhum interesse no resultado. No Coritiba, lembrou-se do episódio em 2005, quando um Cruzeiro desinteressado perdeu para o São Caetano (0-3), o que acabou rebaixando o Coxa. As declarações de Alexandre Kalil pré e pós jogo foram vistas como jogo de cena por dois interlocutores de relevância no futebol paranaense, que pediram para não serem identificados. A única manifestação aberta foi do presidente da FPF, Hélio Cury, que limitou-se a responder “Estranho, né?” quando perguntado sobre o resultado. Em entrevista a ESPN, Kalil disse que pedirá ao Ministério Público de Minas Gerais que abra inquérito e ofereceu quebra de sigilo telefônico e bancário.

O procurador geral do STJD, Paulo Schimitt, disse que aguarda a abertura de inquérito do Ministério Público mineiro para pedir informações: “Vou falar com eles na próxima semana. A prescrição para corrupção é de 20 anos”, conta, sinalizando não ter pressa. “O jogo em si não me passou nenhuma impressão anormal. Está na pauta, mas não é prioridade. Vamos aguardar o MP-MG. Como é uma manifestação local lá, vamos esperar.” Schimitt diz que as penas são várias, caso se comprove corrupção, desde anulação da partida até exclusão dos clubes e jogadores do campeonato. “Mas é muito cedo para falar em pena.”

Envolvido em disputa política até o dia 15/12, o Atlético Paranaense, a princípio, não pedirá investigação oficial. Alguns políticos paranaenses, no entanto, já se manifestaram favoráveis a investigação, como o deputado Gustavo Fruet, notório coxa-branca. Na semana posterior ao clássico, na Liga dos Campeões da Europa, o Lyon goleou o Dínamo Zagreb por 7-1 e eliminou o Ajax, que tinha sete gols de saldo a mais que o time francês e perdeu por 0-3 para o Real Madrid. No entanto, no intervalo da partida Lyon e Dínamo, o resultado apontava 1-1. A partida já está sob investigação do governo francês e terá investigação da UEFA, a pedido do Ajax.

Corrida acirrada

Petraglia ou Fadel? Um dos dois comandará o Furacão

A semana pós-rebaixamento fez com que as duas chapas concorrentes à presidência do Atlético abrissem a artilharia pelo voto dos quase 8 mil sócios aptos a votar no dia 15/12, data que acabou firmada para as eleições após um dos episódios da disputa.

Petraglia e Fadel têm visitado veículos de comunicação e feito audiências com torcedores, em busca de votos. Se fosse uma eleição pública, chamaríamos de comícios. E realmente o panorama do pleito não foge muito das épicas disputas eleitorais no Estado, com troca de farpas, requerimentos, acusações e promessas.

A chapa Paixão pelo Furacão pediu a impugnação da candidatura da chapa CAP Gigante, alegando que haveria conflito ético entre o fato dos membros da chapa aos cargos de comando serem os mesmos que irão administrar a SPE da Arena – a comissão que irá gerir as obras. Na visão da “Paixão”, é errado que as contas sejam feitas e aprovadas pelo mesmo grupo que está na “Gigante”. A junta eleitoral do Atlético estudou a defesa e definiu: não há nada no estatuto do clube que impeça a candidatura com base nisso. “Pelo estatuto do clube, está tudo ok. Se houver algum conflito, não é nada que a junta eleitoral possa dizer”, explicou João Luiz Rego Barros, presidente da junta. As impugnações foram apenas em sete membros de cada chapa, por coincidência, todos por inadimplência.

Quanto ao time, mais promessas. Mário Petraglia já havia entrado em contato com Jadson, via Twitter, que sinalizou positivamente, embora o meia tenha propostas de Liverpool e São Paulo FC (clique nos links para ler as três referências). É promessa de campanha, mas se tornou proposta oficial, uma vez que houve interesse. Acontecerá? Não se sabe. Parece difícil Jadson abrir mão de dinheiro e prestígio para jogar a Série B, mas não é impossível. Petraglia também já conversou com Paulo Baier e disse que quer o meia para 2012. Baier tem contrato até o fim do ano.

Diogo Fadel também trouxe nomes para a imprensa:

A chapa do atual vice-presidente confirmou que já conversou com os três, o que torna a possibilidade oficial. Assim como caracteriza o desinteresse na permanência de Antônio Lopes, pelo menos no cargo de técnico. Dos nomes citados, Ney Franco é o mais difícil: está na CBF com contrato até 2015. Tentei contato com ele hoje, mas não consegui. PC Carpegiani passou pelo Atlético recentemente e não topou retornar nessa temporada. É bom técnico, mas teria resistência da torcida. Matosas sim parece ser o mais viável: já não seria a primeira tentativa, é um técnico identificado com o clube e em início de carreira. Em campo, Fadel também garante ter falado com o zagueiro Fabrício e o volante Marcelo Oliveira, para que fiquem no clube caso vença o pleito.

A campanha tem muito mais trocas de acusações que propriamente planos com os citados acima. Mas para ler isso, basta abrir o Twitter e o Facebook, onde os ânimos estão exaltados nas duas chapas.

O blog não entrará em pormenores e procurará falar de futebol, salvo se o caso realmente exigir.

O Jogo Aberto Paraná de quinta, 15/12, tentará trazer 8 minutos para cada candidato apresentar suas propostas. Até o presente momento, apenas o candidato Diogo Fadel está confirmado; Mário Petraglia foi procurado, mas ainda não confirmou que gravará, segundo a assessoria dele, em função da agenda. Ouviremos apenas os candidatos ao conselho gestor, com todo o respeito aos candidatos ao deliberativo Enio Fornea e Antônio Bettega. São os gestores que comandarão de fato. O programa exibirá o material que for possível ser gravado até a data e fará exposição jornalística das idéias de quem porventura não gravar – mas, evidente, sem o mesmo peso de ter o candidato falando.

Típicamente curitibano

Mais curitibano impossível: ambos perderam (foto: Geraldo Bubniak)

A maior instituição esportiva do Paraná, o Atletiba, não poderia ter um retrato mais curitibano do que o #348 apresentou hoje; autofágico como o cidadão local, o clássico terminou com uma vitória atleticana, mas sem ninguém tendo realmente o que comemorar. Pior: duas comemorações pelo fracasso do rival, jogando o futebol da terrinha na mediocridade de sempre. Agora, temos um clube a mais na Série B nacional e nenhum na Libertadores. Restou o de sempre: puxar o outro pra baixo.

Claro, não havia como ambos saírem sorrindo. E o texto também não é apológico a que um ajudasse o outro; são rivais, antagônicos, existem para superar um ao outro. Mas o retrato em que ambos se derrubam é fiel a principal crítica a nossa cidade: a de que ninguém se ajuda, mal se cumprimenta no elevador, fica feliz quando o carro do vizinho é roubado e critica o sucesso alheio, que só acaba tendo valor quando vem de fora. Atlético 1-0 Coritiba não salvou o Furacão e matou o Coxa; enquanto isso, em Minas Gerais, Cruzeiro 6-1 Atlético-MG e uma humilhação suprema do Galo, com os dois mineiros salvos.

A crítica é dura sim; e se reflete na defesa de que esse foi o maior Atletiba de todos os tempos, o que eu discordo veementemente. Como o maior clássico de todos os tempos pode ter dois derrotados? Como um jogo com um placar magro pode suplantar as várias histórias dos outros 347 jogos? Não concordo.

Concordo sim que, para os atleticanos, valeu a “queda em pé”; ironia do destino, o fim de um tabu de três anos sem vencer o rival se deu em um jogo tal qual a última vitória, em 2008: sem alegria. Ameniza a dor? Não acredito. Apenas rechaça o selo de que seria o Coxa quem rebaixou o Atlético. E, claro, não foi: em 38 rodadas, inúmeros erros. Mas esse é um assunto para outro post.

Concordo também que para os coxas, apesar do amargo de perder a vaga que estava nas próprias mãos para um rival que durante o próprio jogo já estava rebaixado (cada gol do Cruzeiro confirmava a queda), o isolamento na Série A após anos de ostracismo e sofrimento em relação ao Atlético, vale o troco de cada sarro. Ameniza a perda? Não acredito. Apenas demonstra que o clube vive um momento melhor que o rival, o que ainda é pouco. Esse foi cantado como o maior time da história alviverde e perdeu duas grandes chances de ao menos carimbar uma vaga na maior competição da América. Mas esse também é assunto para outro post.

A vida segue. Lamentavelmente, dentro da mediocridade de sempre do futebol paranaense, perdendo objetivos em qualquer uma das cores que você olhe. Mesmo saindo por cima, o Coritiba deixou escapar a consolidação. Agora, é 2012. Que será duro para o Atlético, longe da Arena e na segundona nacional após 16 anos.

Talvez, se há algo a se orgulhar, é o fato de que rivalidade mesmo é a curitibana. Só não sei se é algo para se alegrar.

 

Sobre heróis e vilões

“O Atletiba de todos os tempos”. Ao menos é assim que boa parte dos colegas de imprensa venderam o clássico. Eu prefiro esperar. As possíveis combinações, o cenário do clássico, até dão a possibilidade de que isso seja real; mas, e se for um modorrento 0-0, rebaixando o Atlético e tirando o Coritiba da Libertadores, ainda será o maior? Rotular o clássico antes da bola rolar é o mesmo que achar que o favoritismo analítico do Coxa já garantiu a vaga na competição sul-americana e, de quebra, rebaixou o Furacão. Isso, talvez, só depois das 19h de amanhã.

Um clássico para ser histórico tem de ter muitos elementos. O 348 se apresenta com credenciais, mas ainda não o é. Não é maior que o histórico Atlético 4-3 Coritiba de 1971, o #156, com diversas viradas, com Nilson Borges perdendo pênalti para o Atlético, que perdia por 2-0; não é maior que o #275, de 1995, quando Brandão aplicou um chocolate na páscoa atleticana, transformando os 5-1 do Coritiba sobre o rival no estopim da revolução petraglista. Ou ainda o #146, quando Paulo Vecchio impediu, no último minuto, que o Atlético saísse de uma fila de 9 anos sem títulos, no 1-1 que deu ao Coxa o título daquela temporada. Quem sabe o #305, quando depois de estar perdendo por 0-1, o Furacão aplicou 4-1 no adversário em pleno Couto Pereira, na Seletiva da Libertadores em 1999, o de maior relevância nacional até aqui. São 347 edições e entre Bergs e Dirceus, Tutas e Danilos, o clássico tem muitos heróis e vilões.

Não há como esconder o favoritismo do Coritiba, aberto nos objetivos distintos e nos números de toda a competição. Será que o herói vestirá alviverde? Marcos Aurélio, um ex-atleticano, pode fazer o gol da sentença rubro-negra? Ou Jéci, o capitão do Coxa mágico de 2011, do recorde mundial? Ou Vanderlei, vilão em 2009, salvará o Coxa de lances agudos? Conseguirá o Coritiba a vaga para a 3a Libertadores da sua história ou sua gente deixará a Arena frustrada? Clássico tem favorito? No Estadual, teve. E agora, no jogo que pode mudar a história dos dois clubes?

Ou o herói vestirá rubro-negro, podendo ser Cléber Santana, que perdeu pênalti ao longo do campeonato em pontos que hoje fariam a diferença? Poderá ser o “maestro” Paulo Baier, que não brilhou ainda em Atletibas, e pode quebrar um tabu de 3 anos, que corresponde a passagem dele e do presidente Marcos Malucelli no clube? E se o Atlético fizer 2, 3 a zero no Coritiba e não for o suficiente? O herói atleticano virá de Minas Gerais ou da Bahia? Poderá ser Souza ou Cuca, um no Bahia, outro no Galo, salvando o Furacão do rebaixamento, como De Vaca, do Libertad o fez em 2005, quando fracassou por conta própria na Arena (o que não é permitido dessa vez) ao levar 1-4 do Medellín, mas contou com a derrota do América em Cali para chegar ao vice da Libertadores, hoje o sonho do Coritiba, que ganhou segunda chance após a Copa do Brasil.

Quem, entre tantos que mal dormiram nessa semana, arrisca cravar? A gigantesca expectativa, a semana cercada de silêncio dos dois lados, mas com trocas de provocações entre as torcidas – diga-se, a torcida do Coxa deitou nos atleticanos como nunca se viu – mas que, também ressalte-se, parece apontar para um cenário tranquilo no jogo. A soma de tudo, para termos novos heróis e vilões, para que a previsão dos colegas sobre a relevância do #348 se confirme.

Será impossível agradar os dois lados. Ótimo, não? É disso que a rivalidade é construída; antagonismo. E não inimizade, violência. No futebol, nada é impossível, tudo é mágico. E certamente muitos terão histórias a contar a partir de segunda-feira. Com paz e tranquilidade, espera-se.

E um ótimo espetáculo dentro de campo.

Rápidas e precisas

Dia longo e produtivo, mas só agora pude sentar pra atualizar o blog. Vamos então direto ao que interessa:

Atlético

1) Jadson

Tudo surgiu no Twitter e movimentou a comunidade rubro-negra: Jadson voltaria ao Atlético? Pois bem: noves fora o trâmite para trazê-lo, a sondagem houve e a resposta do jogador, há 7 anos na Ucrânia, foi positiva. Mas tem vários poréns. Vamos primeiro ao fato:

Mário Celso Petraglia é ex-presidente do Atlético e, ainda não oficialmente, candidato a voltar ao posto. Fez um convite público ao jogador para que volte a defender o Furacão no próximo ano. E recebeu como resposta um “gostaria de estar junto”. É notícia: um ex-diretor e candidato sonda um craque para vir, e este diz que pode topar.

Se é jogada eleitoreira ou se vai ser a grande contratação do Atlético em 2012, não me cabe julgar. Aliás, o blog (e os veículos no qual emito minha opinião/informação) não é apolítico, porque não sou acéfalo; mas é apartidário: aqui, o negócio é notícia. Cabe agora a você, leitor, refletir e a todos esperarmos e acompanharmos pra saber se foi blefe ou Petraglia está com o às na manga.

2) Festa dos 10 anos do título de 2001

A ser realizada no dia 8 de dezembro deste ano, com ou sem rebaixamento, a festa pode acabar esvaziada. Tudo porque muitos jogadores temem entrar no meio da disputa política do clube. A organização do evento faz questão de dizer que é uma festa atleticana, sem partidarismo. Ouvi de um jogador campeão brasileiro, o qual faço questão de preservar, duas coisas: que muitos pode cancelar a presença pela política; e que Petraglia teria procurado alguns para ter cargos na próxima gestão. Contrasenso? Veremos em seis dias.

Coritiba

Keirrison de volta ao Coxa em 2012? Pode ser. Tudo vai depender de uma conversa entre o empresário dele, Marcos Malaquias, e a diretoria do Coritiba. O que acontece é o seguinte: o jogador, que pertence ao Barcelona, teve uma lesão na perna direita em 2010 e não conseguiu mais recuperar-se a ponto de jogar o futebol que o destacou no próprio Coritiba. Rodou por clubes como Santos, Benfica e agora Cruzeiro, sem destaque. A idéia é trazê-lo a um ambiente familiar e beneficiar-se da estrutura médica do Coritiba. Conversando com um diretor do Coxa (sigilo de fonte), a postura foi clara: “Pode ser sim, mas o Coritiba não vai atrás dele. O Keirrison está num patamar de mercado europeu. Vamos deixar que nos procurem. Ele tem potencial.”

Outro que pode pintar no Alto da Glória ano que vem é o volante Júnior Urso, que está no Avaí e defendeu o Paraná neste ano. Urso confidenciou a amigos em Florianópolis que está certo com o Coxa, mas o clube nega a contratação até aqui.

Paraná

O Tricolor está tentando mobilizar os clubes do interior que estão na Série Prata do Estadual a reunirem-se em uma associação informal, para tentar vender patrocínio para o campeonato. Já recebeu sinal positivo de Grêmio Metropolitano, FC Cascavel (o do Beletti) e do Nacional, de Rolândia. A idéia é montar uma comissão que busque verba, ajudando os clubes a terem um motivo a mudar o campeonato de maio para fevereiro. Na terça-feira 6, os nove dirigentes do interior mais a diretoria paranista se reúnem na Sede Kennedy para discutir termos.

Chegou-se a comentar na cidade de que o Paraná estaria comprando o campeonato. Não procede. O que acontece é que o clube está fazendo as vezes da FPF, que deveria por si transformar seu produto em algo mais rentável. Como a preocupação paranista é maior do que a da federação, restou ao clube buscar alternativas, que passam pela mídia e empresários ligados ao Paraná.

Legalmente, a mudança na data de início do campeonato só é possível se houver unanimidade na decisão.

Particularmente, acredito que a FPF tem sim que defender todos os seus filiados. E o Paraná é um deles. Não se trata de mudar a data do campeonato para privilegiar o Tricolor e sim de uma busca para viabilizar a competição. Para se ter uma idéia, cada clube do interior absorve cerca de 15 a 20 mil reais de prejuízo por jogo, com raríssimas exceções (Londrina em 2011 foi uma delas), pois arcam com taxas de arbitragem, transporte, hospedagem, abertura e manutenção de estádios, etc. Caso o pool se forme e consiga convencer o mercado da validade da idéia, será um grande passo. Espera-se que a FPF, que já mudou rumos no caso Pinheirão, passe a ajudar os 10 clubes e não dificultar a tarefa de amenizar prejuízos na segundona local.

Do contrário, a diretoria paranista promete colocar um time de juniores na Série Prata e centrar esforços na Série B nacional.

Atletiba 348

Amanhã, ainda antes do jogo, prometo escrever algumas linhas sobre. Volte aqui, se puder!

#Atletiba348: os cenários possíveis

Entenda todas as possibilidades de resultados ao final do Atletiba 348, domingo, na Arena

A) Atlético rebaixado, Coritiba na Libertadores

É o que acontece no atual momento. Para tanto, basta uma vitória simples do Coxa, que continuaria no G5 e manteria o Furacão no Z4.

B) Atlético rebaixado, Coritiba eliminado

Cenário que acontece se o clássico empatar ou o Atlético vencer por qualquer placar, mas o Cruzeiro empatar seu jogo com o Atlético-MG e/ou o Ceará vencer o Bahia e, além disso, Inter ou Figueirense somarem um ponto ou São Paulo ou Botafogo somarem três pontos.

C) Atlético salvo, Coritiba eliminado

É possível com a soma das vitórias do Atlético e do Atlético-MG nos clássicos aqui e em Minas Gerais e com um empate entre Ceará e Bahia em Salvador. Além disso, Inter ou Figueirense somarem pontos ou São Paulo ou Botafogo vencerem.

D) Atlético salvo, Coritiba na Libertadores

É possível, apesar de improvável. Basta que o Atlético vença, assim como o Atlético-MG faça o mesmo contra o Cruzeiro. É preciso ainda que o Ceará não passe de um empate contra o Bahia. Essa combinação salva o Atlético. Aí, para que o Coxa mantenha-se no G5, é preciso que Grêmio e Avaí vençam os clássicos em RS e SC e São Paulo e Botafogo não vençam seus clássicos contra Santos e Fluminense.

Tabela comentada do Paranaense 2012

Saiu hoje, após a confirmação da permanência do Rio Branco na Série Ouro, a tabela do Paranaense 2012. Segue Abaixo, comentada:

1o. TURNO

1 – Atlético faz dois jogos seguidos contra os times mais tradicionais do interior;
2 – Londrina reestréia na Elite fora de casa;
3 – Coritiba, atual bicampeão, viaja jogar contra o vice da B na primeira rodada;
4 – Corinthians-PR faz 3 jogos seguidos em Curitiba;
5 – Coritiba faz 2 jogos seguidos em Curitiba; Atlético, 2 fora;
6 – Se estivesse na elite, por substituição ao Rio Branco, Paraná faria primeiro clássico do campeonato contra o Atlético, na 3a. rodada

7 – A 5a rodada coloca o Londrina frente ao Iraty, ou, no caso, o ex-clube dirigido de Sérgio Malucelli contra o atual;
8 – Coritiba reencontra Arapongas na 5a rodada, último time que não perdeu para o Coxa em Estaduais desde as 24 vitórias do Guinness;
9 – Toledo e Londrina repetem a final da Série Prata 2011 na 7a rodada;

10 – Operário e Londrina fazem o grande clássico do interior no Paranaense 2012;
11 – Antes do Atletiba, Atlético vai a Arapongas e Coxa recebe Operário;
12 – Atletiba na 10a. rodada, uma antes da final do primeiro turno, com mando atleticano. Possivelmente no Couto e na quarta-feira de cinzas;
13 – Operário, melhor do interior em 2011, encerra turno com 3 jogos no Sul do Estado.

A tabela segue espelhada no 2o. Turno:

O regulamento segue o mesmo: o campeão do primeiro turno enfrenta o campeão do segundo, em uma final sem vantagem para nenhum time em dois jogos – a não ser o fato de o time de melhor campanha jogar a segunda partida em casa. Se um mesmo time for campeão dos dois turnos, leva o campeonato antecipadamente. As duas piores equipes na soma geral são rebaixadas a Série Prata.

A situação política do Atlético

Situação ou oposição? Existe como separar os lados na eleição atleticana?

Sim e não. Ontem, em um hotel de Curitiba, a chapa “Paixão pelo Furacão” oficializou candidatura a presidência do rubro-negro, para os conselhos deliberativo e gestor. Os nomes: Enio Fornea e Diogo Fadel Bráz. Fadel é atual vice-presidente do clube; entrou no cargo para ocupar a vaga deixada por Fornea, que deixou a diretoria no meio de 2011. Logo na abertura da entrevista, a chapa se colocou como opositora a situação, um paradoxo; aos poucos, assumiram outra postura e explicaram as diferenças.

Em entrevista exibida no Jogo Aberto Paraná – e colocada em tamanho maior aqui no blog – ambos comentam a relação com a atual gestão e o atual presidente, Marcos Malucelli. Além disso, Fadel falou sobre a profissionalização do futebol do clube e Fornea, sobre a Arena para a Copa e a relação com o outro candidato, Mário Celso Petraglia. Confira:

Com base nas entrevistas, tento responder a pergunta inicial do texto:

Sim, a chapa de Fornea e Fadel é situação. Não há como negar: Fadel É vice-presidente do clube e concorre a presidência; Fornea estava nessa chapa.

Mas, há oposição? Ao se analisar esse panorama político, é necessário lembrar que esse grupo está no poder com o apoio e campanha de… Mário Celso Petraglia. Todos, em algum momento, se encontraram na gestão do clube. Hoje, Petraglia se coloca como opositor, rompimento mais antigo que o de Fornea – que, de fato, não rompeu com Malucelli, como as imagens mostram. Me lembra o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade: “João, que amava Maria, que amava José…” todos, de alguma forma, interligados.

E Malucelli nessa? O atual presidente tem rejeição de parte dos sócios, muito pela campanha neste ano. Pode ficar marcado como o presidente que derrubou o Atlético para a Série B. A ele, no entanto, é atribuído o saneamento financeiro atleticano. Também  é de Malucelli boa parte da culpa dos atrasos nas obras na Arena para a Copa, da qual sempre se mostrou contrário a ver participação atleticana. E se o time escapar da Série B, qual será o peso dele nas eleições?

Não existem santos ou anjos nessa disputa. Petraglia é centralizador. Tanto que ainda, apesar de já ter se declarado candidato há bem mais tempo que Fornea, não divulgou a composição exata da chapa CAP Gigante; Fornea e Fadel podem carregar consigo parte dos fracassos da atual gestão, mas se propõem a descentralizar comando.

É só o começo da disputa. E no meio de tudo, é bom não esquecer, tem um time tentando três vitórias para fugir da degola.

Ênio Fornea será o adversário de Mário Petraglia nas eleições do Atlético

Fornea lançará candidatura depois do feriado (foto: site Notícia FC)

A chamada “terceira via” das eleições do Atlético em dezembro já tem nome: Ênio Fornea. O ex-vice-presidente do Rubro-Negro decidiu na madrugada de hoje (quinta para sexta) que vai concorrer ao conselho deliberativo do clube, até aqui, contra um único candidato: Mário Celso Petraglia.

Fornea e sua chapa não se dizem oposição, mas também desvinculam-se de Marcos Malucelli, atual presidente atleticano. Já Petraglia se posiciona como opositor. De curioso, o fato de que Fornea era vice de Malucelli até julho e Petraglia elegeu o atual mandatário como seu sucessor.

Nas negociações para a montagem da chapa, cogitou-se uma aproximação entre os lados, mas que não foi aceita. Petraglia chegou a se manifestar favorável a uma terceira via nas redes sociais, mas, por ora, haverá bate-chapa.

No entanto, a princípio, nenhum dos dois deve ocupar a presidência do conselho gestor, subordinado ao deliberativo. Ambos ainda decidem quem será seu indicado na chapa. Para entender: o cargo que ambos disputam é ocupado hoje por Glaucio Geara; o cargo de presidente gestor é que é de Malucelli.

Para esse posto, a chapa de Fornea tenta articular um nome que poderia causar impacto junto aos sócios-torcedores: convencer Marcos Coelho, campeão brasileiro em 2001, a aceitar a indicação. É possível que esse sim venha até quarta, 03/11. Petraglia ainda não ventilou nenhum nome para o posto.

Como a política do Atlético acaba sempre recorrendo aos mesmos nomes, cabe outra curiosidade: Fornea era o homem da obra na Arena para a Copa quando vice de Malucelli; ao criar a comissão de auto-gestão, esse posto passou para Petraglia. Ou seja: se vencer o pleito, Fornea conviverá com Petraglia de qualquer maneira.

Estima-se que cerca de 9 mil sócios possam votar nas eleições do clube, em dezembro.

Sobre a lista de Petraglia

O dia está acabando e como estive aterefado com a Copa e suas consequências, além de um trabalho para a pós-graduação em Gestão Esportiva, acabei só podendo escrever agora sobre a lista de Mário Celso Petraglia, divulgando supostos valores de salários de alguns jogadores do Atlético. Não colocarei os valores aqui. Considero um assunto particular de cada um e também de interesse do clube. Mas como escrevo para todas as torcidas e o tema ferveu o dia todo, desde o Jogo Aberto Paraná, blogs locais, Twitter e a cobertura das rádios, manifesto-me sobre o assunto. Pra mim, a coisa é simples, e colocarei em tópicos misturando informação e opinião:

– Indelicada e invasiva, a lista não acrescenta nada, nem na situação dura do Atlético no Brasileiro, nem na campanha de Petraglia a presidência do clube. Ao contrário; pela repercussão negativa, o candidato parece ter perdido até.

– Não se revela o salário de qualquer profissional. O patrão sabe quanto paga e o empregado aceita porque merece ou precisa. Isso vale para futebol, jornalismo, medicina ou qualquer área. “Cada um sabe onde o calo aperta” é um ditado que resume.

– Todo clube tem suas diferenças salariais. Neymar ganha mais que Pará, no Santos, por exemplo; o mesmo vale para Ronaldinho e Willians, no Flamengo. E, como disse o Léo Mendes Jr., quando nós começamos como repórteres, ganhávamos menos que os editores, que ganhavam menos que os diretores de redação, etc. É a ordem natural das coisas.

– É populismo dos mais baratos julgar os jogadores pelos valores citados. Qualquer profissional de futebol padrão Série A ganha mais que 98% dos trabalhadores brasileiros. É o mercado, inflacionado, e não é uma exclusividade do Atlético. Lamentavelmente, o Brasil tem discrepâncias em todas as áreas sociais. Futebol é só mais uma. Quisera eu fossem os professores, policiais e médicos.

– Dizer que isso é reflexo de má administração também é bobagem, já que o mercado impõe esses valores. O melhor jeito de dizer isso é mostrar a tabela do Brasileirão.

– De positivo, a prerrogativa aberta: adepto da transparência, Petraglia dá sinais de que colocará ao público todos os valores da obra na Arena, da qual é gestor. Ou não?

– O Atlético informou que a lista tem valores reais e outros nem tanto. Segundo a diretoria do clube, com a qual conversei, mas que não quis dar entrevista oficial, os meninos da base têm um plano de aumento de salários por participação nos jogos e evolução ano a ano; além disso, garantiu que Kléberson é pago pelo Flamengo, integralmente, e Marcelo Oliveira o mesmo, mas pelo Corinthians. E que os demais, como Cléber Santana, são pagos 50% aqui, 50% na origem. É a versão oficial.

Mais uma:

A Folha de SP informa que o Atlético está contratando o meia Thiago Potiguar, considerado o craque do Paysandu na Série C – o time luta pelo acesso para a Série B – em troca de cadeiras da Arena da Baixada, o que causou rebuliço no Pará.*

Conversando com diretores do Atlético, a posição é: não existe essa negociação. O clube desconhece e, como já vem repetindo há tempos, o atual presidente Marcos Malucelli não fará contratações já que deixa o Atlético em dezembro. Ainda, segundo a diretoria do Atlético, as cadeiras podem até ir para a Vila Capanema, que teria uma pequena reforma para abrigar jogos menores do clube durante as obras.

No Pará, a negociação é dada como certa. Quem estaria por trás?

*Por falar em rebuliço no Pará, confira a presepada que se meteu Josiel, ex-Paraná, que hoje defende o Paysandu. Mau exemplo.