Descontentes, atleticanos “vão pra rua” antes do jogo com o Corinthians

Movimento na internet quer mudanças no Furacão

“Vem pra rua” foi o hit da Copa das Confederações. Os protestos políticos esfriaram, mas a relação deles com o futebol ainda não terminou. Neste domingo (21), o Atlético recebe o Corinthians na Vila Capanema, em Curitiba. Na mesma data, torcedores organizam um protesto contra a situação atual do time e, por que não dizer, do clube.

Vice-lanterna do Brasileirão, o Furacão passou os primeiros 5 meses do ano em pré-temporada. Os resultados não vieram. De quebra, o maior rival, Coritiba, é o atual líder do campeonato sem ter aberto mão do Estadual – vencido pelo Coxa pela quarta vez consecutiva. Sem informações do clube que não sejam as oficiais, o torcedor ainda teve que aguentar um aumento de R$ 50 para os sócios, que já pagam mensalidade, usarem lugares cobertos na Vila Capanema, estádio que o clube alugou para a Série A. A derrota no Atletiba 357 esgotou a paciência da torcida, que promete ir às ruas reivindicar promessas da campanha eleitoral.

Cartaz que será colado nas paredes da Arena cobra promessas e postura da diretoria

Pelo menos é a ideia de Roni Rodrigues, faturista de 23 anos, torcedor do Atlético que é sócio do clube e teme novo rebaixamento, como em 2011. Ele mantém uma página de torcedores no Facebook com quase 8 mil pessoas chamada “Jofre Cabral”, nome de um dos mais importantes presidentes do clube. “Queremos o nosso Atlético de novo, o verdadeiro Furacão. O torcedor está cansado, está inseguro e queremos mudança, estamos com sede de mudança”, diz. Até o momento deste papo, quase 600 pessoas confirmaram que irão para a frente do estádio do clube, antes do jogo contra o Timão.

Rodrigues afirma que o protesto é apolítico – fato raro na vida do Atlético, com grupos bem divididos sempre às turras por conta do gênio do presidente Mário Petraglia. “Eu não faço parte de nenhuma torcida organizada, não conheço e nem tenho contato com nenhum diretor. Hoje o principal problema do Atlético é o futebol. Amargamos o meio da tabela ou brigando para não cair e é o que mais irrita o torcedor.”

O mote do protesto é o cartaz acima, que reúne promessas de campanha da Chapa “CAP Gigante”, que levou Petraglia de volta ao poder. “Será colado ao redor da Arena da Baixada com todas as promessas do nosso presidente e que até agora está deixando a desejar.” Petraglia, figura que mudou o status quo do Furacão, transformando um clube regional em uma potência nacional, desagrada a muitos pela personalidade forte e decisões centralizadoras, “O Atlético não tem dono e conta com uma torcida que deve ser ouvida, ele esquece disso”, diz o torcedor.

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JEC mistura religião e futebol – e se dá bem

Padre Jean Pettre faz mais um: estava iluminado

O vice-líder da Série B do Brasileirão não quis saber de medir forças com grandes equipes na intertemporada obrigatória pela Copa das Confederações. Em meio a tanta discussão sobre política e futebol, o Joinville fechou o tripé da polêmica no Brasil ao chamar a religião para dentro de campo. Por uma boa causa, diga-se.

Com elenco e uniforme titular e mais de 15 mil pessoas nas arquibancadas da Arena Joinville, o JEC – como é carinhosamente chamado pelos torcedores – enfrentou e venceu o time dos Padres da Diocese de Joinville. A renda toda será convertida para a casa Madre Teresa, uma iniciativa social dos católicos que pretende servir a 200 mil pessoas carentes na região, com abrigo, assistencia religiosa e até uma espécie de asilo para sacerdotes idosos.

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O placar até Deus duvida: 15 a 5 para o JEC. Se pensarmos que o Taiti fez apenas um gol na Copa das Confederações, o time da Diocese foi muito bem. Em especial o padre Jean Pettre, autor de quatro – 4!! – gols. Número que os seis adversários do JEC na Série B até aqui conseguiram apenas igualar.

Foi, na verdade, uma grande festa. Teve gol impedido (pecado!), gol do artilheiro Lima (divino!) e até do goleiro Ivan (aquele que dedurou Neymar no Barça) e nada de violência: só festa (graças a Deus!). Até o técnico Arturzinho jogou. Quem sofreu, mas não foi crucificado, foi o goleiro da Diocese. Os 15 gols marcados já empolgavam menos a torcida tricolor que os marcados pelos padres – que, afinal, também são filhos de Deus e ganharam a simpatia do público.

Ao final da festa, de alma lavada, padres e jogadores confraternizaram. E o JEC ganhou a benção dos católicos para brigar pelo acesso à elite brasileira.

Veja os gols:

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O que o Mundo está falando da Copa das Confederações

O evento-teste da Fifa vai começar e o Brasil vive uma onda de protestos sociais, na expectativa de uma repercussão internacional, já que todos os olhos do planeta estão voltados ao País. No entanto, não é o que se vê nas manchetes deste sábado, pré-estreia da Copa das Confederações, nos principais jornais esportivos do Mundo. Nenhuma nota ou preocupação em destaque – ao menos antes da competição começar.

Argentina

Nossos vizinhos estão fora da Copa das Confederações, mas não deixam de opinar. “Toda sorte para o Brasil” é a manchete do Olé, que brinca com o tabu de que nunca uma seleção que venceu a Copa das Confederações ficou também com o caneco do Mundial no ano seguinte. Bem, há sempre uma primeira vez.

Uruguai

Os uruguaios ainda não estão 100% voltados a Copa das Confederações. A grande preocupação do Ovación Digital está na busca por uma vaga no Mundial: com sete pontos, a Celeste garante ao menos a vaga na repescagem. Olhos em 2014.

Espanha

O Marca, principal jornal esportivo espanhol, segue a linha de se preocupar mais com o Real Madrid que com a seleção local. Tanto é que a principal manchete é com o uruguaio Luis Suárez dizendo que “valerá o mesmo” se marcar ou não no encontro entre Celeste e Fúria.

Itália

Na Gazzeta Dello Sport, a preocupação é com Mário Balotelli, que com uma contratura, pode ficar de fora da estreia contra o México.

México

Chicharito Hernandes, do Manchester United, é o destaque do Central Deportiva, caderno de esportes do El Universal, que fala da preocupação da Itália com o artilheiro.

Japão

No Japão, o destaque do Daily Sports Online é a declaração de Neymar sobre os principais jogadores japoneses, Honda e Kagawa.

Nigéria

Nada de repercussão sobre a quase-desistência da Nigéria na Copa das Confederações: página virada, a expectativa do The Guardian Nigéria é para o duelo com o Taiti: “Sonhos do Tahiti contra as Super-Águias”.

Taiti

No Le Dépéche, a manchete é: “Todas as atenções para o Taiti”. Pelo menos é essa a impressão que eles têm da primeira grande competição do país, que se rotula como “peixe-pequeno”.

Alemanha

Um dos principais países do mundo do futebol, a Alemanha dá pouco destaque para a Copa das Confederações (a quem chama de ‘mini-copa’), mas questiona: “Porque o Taiti e não nós?”, discutindo a ausência da seleção local nesta competição – e os motivos disso.

Inglaterra

Um dos mais ácidos jornais do mundo, o The Sun da Inglaterra, passa longe dos problemas sociais brasileiros ao falar da Copa. A manchete faz um apanhado do que há de melhor e, para desgosto de Carlinhos Brown, agradece a ausência de Vuvuzelas e afins no “carnaval do futebol”.

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Intertemporada do Cruzeiro é impulso para liga de Pelé nos EUA

Marcos Senna com a camisa do Cosmos: liga de Pelé quer recuperar espaço

O Cruzeiro fará três amistosos nos EUA durante a Copa das Confederações. Os treinamentos acontecerão no Complexo ESPN Wide World of Sports, dentro do Walt Disney World Resort, em Orlando, na Flórida. A Raposa fará um jogo-treino contra o Fluminense e dois jogos com uniformes: contra Fort Lauderdale Strikers-EUA e Monarcas Morelia-MEX. Para o Cruzeiro, uma chance de melhorar entrosamento para a sequencia do Brasileirão; para o Lauderdale, uma oportunidade de resgatar um espaço ocupado pelos clubes da MLS.

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Fenômeno Alex internacionaliza o Coritiba

Barcelona, campeão… estadual!

O Fort Lauderdale é um clube da NASL, a National American Soccer League. A “Liga do Pelé”, por assim dizer, nos EUA. O Rei do Futebol encerrou a carreira no NY Cosmos, clube que ficou inativo desde 1984. Fundada em 1971, é a equipe mais conhecida do futebol nos Estados Unidos – incluindo os times da MLS, a Major League Soccer – e voltou ao cenário em 2011. Participa da NASL nesta temporada.

A NASL foi, durante muito tempo, a liga oficial do futebol norte-americano. Entre 1968 e 1984, 67 equipes disputaram esse campeonato, sendo que o Tampa Bay Rowdies foi o maior campeão, com 3 títulos (e 2 vices). O Cosmos de Pelé e Beckenbauer, entre outros, nunca passou de um vice-campeonato. O torneio foi extinto em 1985, ano em que não foi realizado. Em 1990, a Fifa anunciou que os EUA receberiam a Copa do Mundo de 1994. Já eram cinco anos sem futebol profissional com uma liga forte no país. Dois anos depois, em 1996, surgiu a MLS, com clubes americanos e canadenses.

Alguns empresários, descontentes com a condução da MLS, resolveram, em 2010, fundar a USSF, uma espécie de 2a divisão do futebol nos EUA. A competição reuniu 12 equipes de EUA, Canadá e Porto Rico, de onde saiu o campeão, o Puerto Rico Islanders. No entanto não houve acordo para acesso e descenso com a MLS, que cobra um valor para que uma franquia entre no seu campeonato, assim como na NFL e NBA, as ligas de futebol americano e basquete. Então houve o rompimento e os clubes da USSF extinguiram o campeonato para resgatar a NASL.

Usando-se da marca de Pelé, do francês Eric Cantoná e do americano Coby Jones, os clubes da NASL reativaram a liga com um formato mais habitual do público latino – principal consumidor do futebol nos EUA – um torneio “Spring” (primavera) e outro “Fall” (outono), como os Apertura e Clausura da Liga Mexicana. O Cosmos, que trouxe Marcos Senna, entre eles. Para o Fort Lauderdale Strikers, fundado em 2006, é a oportunidade de desbravar mercado.

O clube chamou-se Miami FC por um tempo e chegou a contratar Romário, que, lesionado, acabou não jogando nenhuma partida nos EUA. É administrado pela Traffic, que ainda tem jogadores no Estoril, de Portugal, e no paulista Desportivo Brasil. A partida contra o Cruzeiro está sendo promovida na TV nos EUA com o vídeo abaixo, em versões em inglês e português:

*Colaborou o jornalista Vinícius Dias

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O dia em que fui Ronaldo

Você já deve ter lido/ouvido/falado que no Brasil todo garoto sonha em ser jogador de futebol, certo? No meu caso, não foi diferente. Um atacante esforçado, que já completou boas peladas. Mas logo reconheceu que o negócio era mesmo estudar. Ser jogador de futebol, senhores, parece fácil, mas não é. Muitos são. Nós, crueis, só vemos os craques. Só vemos os Ronaldos. E não é fácil ser Ronaldo. Pois bem, nesta terça, eu fui, por um dia.

Esqueça as cartas; use a cabeça

O Poker já foi reconhecido como esporte da mente e já se provou ser muito mais um jogo de estratégia que de sorte. Eu diria que é um xadrez com baralho e fichas. Qualquer um, munido de 52 cartas e até mesmo um punhado de feijões, pode jogar. E se eu nunca pisarei como jogador (como narrador, já tive essa honra) num Maracanã lotado, com Ronaldo ou outros craques ao lado e contra, no feltro, isso é possível.

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Barcelona é campeão… estadual

Visitando a minha querida Curitiba, entre um almoço de família e um papo com os velhos amigos, fui convidado a jogar um torneio na Liga Curitibana, um dos melhores clubes de poker do Brasil. Torneio bom, interessante, com inscrição a R$ 100 e prêmio beirando os 5 mil reais pra quem superar a maratona de dois dias de disputa. Ronaldo não estava lá, mas o campeão brasileiro João Paraná sim. E outras feras da cidade. Pra quem não sabe, Curitiba é celeiro do Poker tanto quanto do MMA. No octógono, Vanderlei Silva, Anderson Silva, Maurício Shogun e outros; no feltro, Alexandre Gomes – o primeiro brasileiro campeão mundial -, Alex Gelisnki, Gustav Langner e tantos outros.

O poker coloca você, um mero interessado, frente a frente com verdadeiras cobras. Salvo quem tem vínculo familiar, qual a chance de se jogar um campeonato com os craques de outros esportes? Você subiria no octógono com Anderson Silva? O poker é mais seguro e, como se diz no meio, “você só precisa ter uma ficha e uma cadeira para jogar.”

Confesso que sou mais que um iniciante. Já li alguns livros e fiz até alguma graça, sendo 5o colocado no BSOP Curitiba Last Chance, há uns 2 anos. Nada que dê para largar o jornalismo (como se eu conseguisse…) mas serve pra ter no curriculo. E durante um bom tempo, achei que iria faturar mais essa. Estava bem, concentrado, jogando firme. Construí um stack (o volume de fichas acumuladas) de 48 mil a partir das 12 mil que comecei. Juro que me vi na final. Ronaldo deve ter passado por isso em 1998.

De boné e óculos escuros: estilo tem, só falta jogo (Foto: Felipe Costa)

Muricy Ramalho costuma dizer que “a bola pune”. O baralho, amigo, não é muito diferente. Poker é acima de tudo habilidade – quase todas as fichas que ganhei até então foram sem showdown, ou seja, sem necessidade de apresentar as cartas. Estava orgulhoso até. Confiante. Talvez em excesso. Cometi um erro de avaliação e, em um segundo, metade das fichas foram embora. Paciência, um dos segredos é não reclamar. Pouco depois, já meio recuperado, encontro um adversário em melhor situação – desta vez ele teve um pouquinho de sorte, mas dava pra ter evitado um choque maior. Por fim, já no final do dia classificatório, tive que arriscar tudo com um par de seis e, azar meu, achei um adversário com par de damas. O baralho não ajudou e de novo me vi como Ronaldo em 98.

Mas de Ronaldo – e do poker – dá pra se tirar algumas lições. A primeira é não desistir nunca. Sempre há outra mão, outro dia, outro começo. A segunda é deixar as coisas menos na mão da sorte e trabalhar dobrado. E a terceira é se divertir. Afinal, acima de tudo, é esse o espírito.

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Torcida do Galo levanta bandeira pró-diversidade

A capa da página no Facebook e seu slogan

Poucos ambientes são mais machistas que o futebol. A contradição é que poucos movimentos populares são tão democráticos quanto o esporte número 1 do Brasil, onde o gol une diferenças na hora da comemoração. Nesse meio, um grupo de mineiros, torcedores do Galo, resolveu se aventurar a assumir a bandeira pró-diversidade – e com o escudo do clube: a Galo Queer, sonoramente um trocadilho com Galoucura, a maior organizada do Atlético-MG. Queer é uma gíria britânica que significa literalmente “estranho” ou “esquisito”, mas passou a ser usada pela comunidade LGBT pela similaridade com queen, que significa “rainha”.

Conversei com MF (nome preservado), um dos organizadores da página na internet, que em três dias reuniu mais de 3.000 pessoas “curtindo” (até o fechamento do texto, eram quase 5 mil) e fez com que torcedores de outros clubes também entrassem no jogo (veja a lista abaixo). O que era pra consumo interno, virou movimento nacional. “Fiz a página apenas para divulgar entre meus amigos, pensando que algum dia poderíamos nos organizar pra fazer algo maior. Acho que atendemos a uma demanda silenciosa. Pelo visto, muita gente que gosta de futebol já queria dar esse grito contra o machismo, a homofobia e a intolerância e ficamos muito emocionados com todas as manifestações de apoio”, disse.

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Pela Copa, Corinthians manterá patrocínio mesmo sem receber

 

Evidentemente, nem tudo são flores. Houve quem achasse que se tratava de uma brincadeira de cruzeirenses, provocando os rivais. Houve também ameaças da própria torcida do Galo. “Sou atleticana desde que me entendo por gente e fiquei muito incomodada com a homofobia e o machismo generalizados. Estamos mexendo em um terreno muito machista e conservador. O problema são as ameaças que recebemos. As pessoas se oporem ao movimento é totalmente aceitável, mas ameaça não.”

Escudo alterado do Galo foi uma das polêmicas inicias do movimento

Por ora, tudo está no terreno da internet, mas os torcedores aguardam o apoio da diretoria atleticana mineira. “Ainda não recebemos uma resposta do time. Ficamos sabendo, no entanto, através da reportagem do Globo Esporte, que a Diretoria é favorável ao movimento e ficamos muito felizes.” MF faz questão de ressaltar que a “briga” é muito maior. O futebol é parte importante da cultura do País e, por isso, não pode ser excluído do tema. “Enquanto essas arenas de exceção continuarem existindo, arenas onde o preconceito é permitido, o preconceito e a intolerância nunca acabarão. Discutir machismo e homofobia no futebol é uma questão urgente.”

É comum o futebol ver provocações entre torcedores usando-se do estereótipo homossexual. Em Minas Gerais há o uso pejorativo da palavra “Maria” para ofender os torcedores do Cruzeiro; em São Paulo, os sampaulinos são chamados pelos rivais de “Bambis”. MF repudia a provocação pelo gênero: “Se você não é homofóbico nem machista, você simplesmente não usa tais termos para ofender alguém. A rivalidade pode se expressar de várias outras formas que não alimentem uma cultura opressiva.”

Levar a discussão e se fazer representar nos estádios é o próximo passo da Galo Queer. Mas o grupo ainda teme retaliação. “Frequentamos o estádio e temos sim esse objetivo. Mas queremos fazer tudo com calma. É preciso garantir a integridade física de todos os participantes. Infelizmente a intolerância é muito grande e, a julgar pelas ameaças que recebemos na página, sabemos que não será fácil fazer protestos no estádio.”

  • QUEM MAIS “SAIU DO ARMÁRIO”
     

​Cruzeiro Maria – Cruzeiro

Bambi Tricolor – São Paulo

Corinthians Livre – Corinthians

Palmeiras Livre – Palmeiras

QUEERlorado – Internacional

GaymioGrêmio Queer – Grêmio

Furacão: sem homofobia – Atlético

Flamengo Livre – Flamengo

Bahia Livre – Bahia

Vitória Inteligente – Vitória

Timbu Queer – Náutico

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Todos atrás do Coxa – Guia do 2o turno do Paranaense

O Coritiba já cumpriu 50% da tarefa para conquistar o tetracampeonato estadual. Venceu o primeiro turno e, debates acalorados a parte, manteve-se invicto e garantiu-se na decisão com quatro pontos a mais que o Londrina, vice-líder. O Tubarão vai ter que deixar as queixas de lado a partir de agora: se não garantiu vaga na final, está perto de conquistar vaga na Série D e na Copa do Brasil. O Paraná foi até onde deu, brigando para ficar com o turno; os demais, foram figurantes.

Assim sendo, o que esperar do 2o turno? Haverá final?

O blog analisa o que foi, relembrando a análise anterior e o comparativo do que será daqui pra frente.

Coritiba

O Coxa confirmou o que foi afirmado na previsão do 1o turno:  “é, como há muito não se via, favorito disparado e aberto para a conquista.” O fez sem sustos, mas com cobranças. Com 8 vitórias e 3 empates, teve como trunfo a defesa – levou apenas 4 gols – e não o ataque que se desenhava poderoso, com Alex, Rafinha e Deivid. O grande momento foi o 7-0 no Rio Branco. Ainda assim, ficou atrás do Londrina neste quesito. O único, aliás, em que não é o melhor na competição.  “Passamos o primeiro turno ajustando a defesa, agora temos a obrigação de jogar mais”, reconheceu o técnico Marquinhos Santos, em entrevista à Rádio 98.

Repetir o 1o turno pode ser pouco pelas expectativas criadas, mas é o suficiente para ficar com a taça. Abre o 2o turno como favorito a antecipar a conquista sem a necessidade de final – terá 8 dos 11 jogos em Curitiba para confirmar isso.

Paraná Clube

Paraná mostrou brio e alguma técnica; pra título, foi pouco

“A condição de azarão cai bem ao Paraná, que se refaz aos poucos”, escrevi antes do primeiro turno. Mantenho: o Paraná corre por fora no Estadual. Mas já mostrou que tem potencial para mais. A foto acima causa arrepios nos tricolores: o jogo contra o J. Malucelli foi polêmico (segue rendendo) e poderia, naquele momento, ter mantido o time na briga pela 1o turno. No entanto, com 5 empates em 11 jogos, mostrou irregularidade. Como quando vencia o Arapongas em casa por 2-0 e viu a asa-negra empatar o jogo, por pouco não virando o placar.

Para o 2o turno, pouco muda: a entrada de JJ Morales deu ânimo novo ao Tricolor, que tem uma defesa interessante e um entrosamento vindo da manutenção de Toninho Cecílio. Se o técnico (que está cotado no Criciúma) ficar, dá pra sonhar. E dá pra brigar pelo acesso na Série B nacional.

Atlético:

Douglas Coutinho, uma das poucas boas novas do Atlético no PR13

O torcedor atleticano deve esquecer a conquista do campeonato estadual. O mantra da diretoria pegou em boa parte da massa: “privilegiar a pré-temporada para colher no Brasileiro em detrimento ao Estadual”, como detalhado no guia do primeiro turno. Uma pré-temporada inédita, com quatro meses sem jogos oficiais – luxo que nem o Barcelona tem, mas esse é outro papo. Para o Paranaense, seguirá o time Sub-23 que foi abaixo da crítica no primeiro turno, amargando um quinto lugar. Seja por questões políticas, seja sob a justificativa de privilegiar o Brasileirão e a Copa do Brasil (a revelia de parte dos jogadores e comissão técnica), o Atlético não quer disputar o Estadual com o time principal.

O elenco S-23, no entanto, apresentou três boas surpresas: Hernani, Douglas Coutinho e Júnior de Barros. Foram as novidades que se salvaram em um time que, já se anunciou, seguirá trabalhando em 2013 em torneios internacionais e que em 2014 deve se manter disputando o Paranaense. Caminho aberto para os rivais serem hegemônicos no Estado – aposta, por outro lado, em um dezembro nacionalmente mais feliz. É esperar pra ver.

Londrina:

Celsinho está realmente aproveitando a chance

O LEC confirmou: “depois de muito tempo, aponta como um dos postulantes ao título estadual (ou ao menos a uma boa campanha)”. Danilo, Dirceu, Germano, Celsinho e Neílson formam a espinha do principal obstáculo do Coxa na luta pelo tetra. O Londrina foi bem dentro e fora do Café. Teve o melhor ataque (25 x 23 do Coritiba) e a segunda melhor defesa. No entanto, no segundo turno, fará apenas 5 jogos em casa – isso se não pegar nenhuma suspensão pelos eventos na última rodada do turno.

O Londrina já pode dizer que o Estadual foi bom. Se não for um desastre no 2o turno, vai confirmar as vagas na Copa do Brasil e na Série B; retomou o orgulho ao levar 30 mil pessoas no jogo contra o Coritiba; e, mesmo timidamente, pode dizer que brigará pela taça, após 21 anos.

Os demais:

Na categoria “correm por fora”, indiquei 3 clubes que não cumpriram a previsão. O Operário está muito mais próximo de brigar para não cair do que pelo título ou vagas; viveu uma relação bipolar com Lio Evaristo, que pediu demissão, voltou atrás e acabou saindo no final do turno, para chegada de Paulo Turra, que deixou o Cianorte, outra decepção. O Leão ainda reagiu no fim e jogou o Rio Branco na área de rebaixamento. No segundo turno, deve melhorar, mas não brigar em cima. Assim como o Arapongas, que até anunciou que irá parar as atividades ao final do campeonato.

Entre os figurantes, o  J. Malucelli surpreendeu, mas não deveria: é um clube organizado que mantém tudo em dia e dá uma estrutura aos jogadores, ainda que simples. Deve seguir em cima. Toledo e ACP ficaram e ficarão no meio da tabela. Drama vive o Rio Branco, que levou as duas piores goleadas da competição e terá a missão de ser melhor que os rivais que encerraram do 5o (Atlético, 14 pontos) ao seu 11o lugar, com 10 pontos. O Nacional, que em 2012 foi vice da segundona local subindo com o Paraná, já pode planejar a disputa da divisão inferior. Com 1 ponto em todo o turno, precisa de um milagre para escapar – algo como ganhar o 2o turno.

O outro “menino de ouro” do Coritiba agora é rival

Domingo será um dia especial para o meia Alex. Será a chance dele conseguir o primeiro título – ainda que apenas simbólico – com a camisa do Coritiba. O “Menino de Ouro” do Coxa deixou o clube ainda na época das vacas magras, em 1997, e nunca foi campeão pelo clube. Desde que deixou Curitiba rumo primeiro à São Paulo, depois a outros lugares no planeta, muitos “meninos de ouro” foram surgindo no Alviverde. Dirceu foi um deles.

Dirceu, de costas com a 5, na campanha da Copa SP 2007 (Foto: Coxanautas)

O então volante apareceu para a torcida coxa-branca na Copa São Paulo de Juniores de 2007. Logo na estreia, marcou 3 gols, chegando ao ataque com facilidade. Era também o cara das bolas paradas daquela equipe, que no profissional teria um ano difícil pela frente, com a queda para a Série B dois anos antes e não subira para a elite na primeira tentativa, com um time de astros. Todos os olhos estavam voltados para a base.

O Coxa deixou a Copa São Paulo nas oitavas. Dirceu iria demorar até ter chances no clube. Paranaense de Ibaiti, o então menino foi orientado a jogar como zagueiro – não se adaptou. Teve algumas chances com René Simões. Caiu no ostracismo e chegou a ser escalado de sopetão no Atletiba #342, vencido pelo Coxa por 3-2 no Brasileiro de 2009. Ambos estavam em situação difícil e o clássico parecia um divisor de águas. Derrotado, o Atlético se reinventou e escapou da queda; vitorioso com gol no último minuto, o Coxa se perdeu no elenco e acabou caindo novamente para a Série B no fatídico seis de dezembro.

Ao chegar no vestiário após o jogo contra o Fluminense, Dirceu, às lágrimas por vivenciar uma nova queda em seus 15 anos de clube, se deparou com uma cena que revoltou a ele, Edson Bastos e mais alguns atletas com identificação com o Coxa: um dos principais jogadores daquele elenco já estava de banho tomado e sorridente, abraçado com um conterrâneo e seus vários amigos, comemorando a transferência para um grande clube paulista. Houve bate-boca e ameaça de briga, contornada pela turma do deixa disso. Os “astros” deixaram o clube; Dirceu, Bastos e outros ficaram e o resto da história é conhecido.

Ainda assim, de “menino de ouro” a zagueiro com presença irregular na equipe, Dirceu nunca brilhou pelo Coritiba. A cada temporada, a cada técnico, o jogador acabava preterido no elenco. Mesmo quando agradava a alguns técnicos, não estava nos planos do departamento de futebol. Por isso, foi emprestado a Avaí, América-MG e agora, Londrina. Aos 25 anos, é considerado um dos pilares do Tubarão, ao lado de Germano e Celsinho. Ficará no LEC até maio – pelo menos.

Quis o destino que no próximo domingo Dirceu encarasse Alex na missão de impedir o ídolo de todo menino da base coritibana de conquistar o direito de tentar o primeiro título de sua vida como coxa-branca. Quis o destino que a primeira final em 21 anos para o Londrina de Dirceu passasse por um duelo contra o Coritiba que o formou. Coisas da vida, coisas do futebol.

O grande clássico do interior do Paraná

Quando o árbitro Felipe Gomes da Silva apitar pela primeira vez, por volta das 22h da noite desta quarta-feira, Operário e Londrina vão mostrar porque é que, dentro de um calendário racional e que atenda as necessidades de todos os clubes, os Estaduais não podem morrer – e devem se adaptar para isso.

Fantasma e Tubarão carregam consigo a marca de hoje fazerem o grande clássico do interior do Paraná. E a despeito da campanha irregular do Operário, são os clubes longe de Curitiba que hoje têm algo a dizer. Situados em duas grandes cidades do Estado 5o PIB do Brasil, ambos tem torcidas numerosas e pretensões de ir além das divisas. Nesta temporada, o Londrina está na frente.

Longe de um tempo em que o café reinava e ajudou a dar três estaduais e um Brasileiro B ao Londrina, e em que o Operário fazia das suas até ganhar o apelido que o identifica, os últimos anos têm sido de alento para alvinegros e alvicelestes. Depois de penarem até na Série B local, hoje pretendem vagas na Série D nacional e na Copa do Brasil. E, junto com Arapongas e Cianorte, vêm se alternando nas disputas para isso. No entanto, OFEC e LEC  têm o bônus de terem camisas tradicionais e torcidas apaixonadas em um Estado que é uma pizza de três sabores: paranaense só no sul, com norte paulista e sudoeste gaúcho.

A história dos confrontos oficiais entre Operário e Londrina vem de 1970, logo após a fusão que fez o Tubarão ser LEC. Até então o regulamento dos Estaduais dividia norte e sul. O primeiro encontro foi em Ponta Grossa, em 22 de fevereiro de 1970. Deu Operário, 4-2.

Em 2012 duelos terminaram com vitória de quem visitava o rival (Foto: Operário.com)

Mas, ao longo dos anos, o Londrina tomou a dianteira nos encontros entre os clubes, que são 38 até aqui. O Tubarão venceu 14, com 14 empates e 10 vitórias operarianas. São 47 gols alvicelestes e 33 alvinegros.

A história entre Operário e Londrina é composta por muitos hiatos. Ora pelos regulamentos malucos da FPF, ora pelo desempenho dos clubes, incluindo o licenciamento do Fantasma, cujo retorno à elite paranaense se deu depois de 10 anos em 2010 – ano em que o Tuba amargava a Série Prata, nome então da segundona paranaense. Os clubes se enfrentaram em 15 Estaduais (1970, 74 a 76, 79 a 83, 89 a 93 e 2000) e se reencontraram em 2012 com vitórias para os visitantes: Londrina 2-0 em PG e Operário 1-0 no norte. Apesar de serem tantos empates quanto o maior número de triunfos, o primeiro deles levou 12 anos para acontecer: 1-1 em 02 de maio de 1982, depois de um longo tempo em que só se ganhava ou perdia nos duelos.

Os clubes também se encontraram pela Série B Brasileira em quatro ocasiões. Em 1991 o Londrina levou as duas 3-1 e 1-0; dois anos depois, em 1993, os times protagonizaram dois 0-0. Apesar dos encontros valerem por um torneio nacional, pode-se dizer que o jogo mais importante entre os times aconteceu no meio dos quatro jogos, pelo Paranaense de 1992. Em 8 de novembro daquele ano, no quadrangular semifinal do Estadual, o LEC fez 3-1 e ganhou o direito de enfrentar o Atlético nas semifinais olímpicas. Venceria e encontraria o União Bandeirante (que eliminara o Paraná Clube) na última decisão caipira no Paraná, vencida pelo Tubarão.

Com exibição na TV, o jogo entre Operário e Londrina de 2013 ocupa um espaço de valorização dos sucateados estaduais. Que precisam repensar a fórmula, dando chance de crescimento aos que merecerem em campo e calendário e estrutura aos que sobrarem.

Afinal, o futebol é feito de boas histórias, como a que promete ser escrita no Germano Kruger hoje.

Por falar em boas e histórias, relembre o quadro Que Beleza de Camisa! com Operário e Londrina clicando no nome dos clubes. Você não vai se arrepender!

O dia em que Washington e Lincoln caíram em Brasília

Política e Futebol. Com religião, fecham o tripé das discussões mais acaloradas no Brasil. Não a toa, pais homenageiam santos e anjos, Gabriel, Rafael, Pedro. Uns mais ousados, vão de Jesus nos filhos. Outros preferem a bola: Ronaldo, Rivellino, Romário. Mas há quem prefira a política.

Foi na estreia de Romarinho – esse, legítimo, filho do deputado Peixe – pelo Brasiliense. O jogo não foi lá essas coisas. O “Peixinho” entrou no intervalo, com o time dele já perdendo para o Brasília, por 1 a 0.  Seria a substituição mais relevante do jogo, certo? Que nada.

Washington sobe, Lincoln entra, mas Brasília é quem sai por cima

Na Capital Federal, a democracia deu as caras mais uma vez, no mais popular dos esportes. Aos 29 minutos da segunda etapa, aos olhos de alguns parlamentares e assessores que certamente faziam parte dos 1117 pagantes, como o deputado Romário, Washington deu lugar a Abraão Lincoln no Brasiliense.

Nem Barack Obama esperaria por essa.  Num país que consome EUA no almoço, no café e no jantar, o futebol, esporte dos simples, prestou uma homenagem à Casa Branca com dois de seus comandantes mais importantes: o primeiro e o décimo sexto. Washington, 34 anos, é aquele mesmo, do Palmeiras, do Ceará; Abraão Lincoln tem 30 anos, rodou pelo Japão antes de suceder Washington no comando de ataque.

Mas Brasília resistiu à incursão americana trajada com o amarelo do Jacaré. Melhor: ainda fez 2 a 0, ignorando Romário, Romarinho e os presidentes. O carrasco? Um tal Luquinhas – nome de anjo, adaptado pela mania brasileira de reduzir tudo. Aqui é Terra Brasílis, meu chapa! Raul queria vender tudo ao estrangeiro, mas não será preciso. E Abraão Lincoln vai ter que esperar o Oscar – ou a próxima rodada do Candangão 2012 – pra vencer alguma coisa.