Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 09/05/2012

Retrocesso

Uma tendência triste, da qual se torna cada vez mais difícil escapar: semanas pós-clássico no Paraná têm tido mais discussões em cima de arbitragens, violência e condutas extra-campo do que do jogo em si. O resultado é nítido: estádios esvaziados. Não à toa a decisão do Estadual 2012 levou apenas cerca de 9 mil pessoas a Vila Capanema. O futebol paranaense retrocedeu no tempo. Estancou na arbitragem, incompetente e sem renovação; erra nas fórmulas dos campeonatos e intransigência dos mandatários; peca no controle à violência, incentivando diferenças. Andamos para trás nos últimos anos. É uma hora uma profunda reflexão. A apregoada modernidade que a Copa 2014 pode trazer não combina com 90% do que vem sendo feito na terrinha.

Crescimento e desproporção

O Coritiba foi o 5º clube que mais cresceu em arrecadação em 2011, segundo estudo do balanço financeiro coxa-branca feito pela Pluri consultoria, divulgado ontem. Foram 117% de receitas a mais que em 2010, ano em que disputou a Série B, com boa parte dos jogos em Joinville. Em compensação, as despesas cresceram 74%. Natural: mudaram as ambições e circunstâncias. Mas o Coxa ainda está longe de poder competir com os gigantes brasileiros em receitas. A principal dela, responsável por 56% do volume de arrecadação, vem da TV: R$ 24,8 milhões. Corinthians e Flamengo recebem cerca de R$ 110 milhões da mesma fonte. Os sócios representam 26% do volume da renda do Coxa. Atlético e Paraná não tiveram seus estudos apresentados pela empresa até o fechamento da coluna.

Mico

Alguém não identificado, mas com o texto em tom muito parecido com o que usa o presidente Mário Celso Petráglia, usou o twitter oficial do Atlético para reclamar de arbitragem e se queixar das mazelas do clube em tom nada solene. Um mico ainda sem responsável. O canal institucional do clube não deve se prestar a desabafos e rompantes e sim servir a comunidade esportiva com informações precisas e técnicas, ou promoção institucional. Tratá-lo como parte de uma posse pessoal mostra que o profissionalismo está passando longe da Baixada.

Informações que interessam

Mas como o twitter atleticano se propôs a um bate papo “aberto” sobre as coisas do clube, enquanto o principal gestor se recusa a dar entrevista, lanço algumas perguntas abertas, para quem sabe encontrar respostas no mesmo canal: qual o critério na montagem do time, mantendo a base rebaixada e repatriando jogadores sem sucesso em passagens anteriores, como o goleiro Vinícius e o zagueiro Bruno Costa? Qual o valor e o destino das cadeiras da Arena, removidas do estádio? Qual a versão dos dirigentes para as acusações da “Operação Uruguai”, denunciada recentemente, envolvendo favorecimento pessoal em transações nos anos 90? No aguardo.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 21/03/2012

Panos quentes
O Governo do Estado do Paraná, até o presente momento, pôs panos quentes nas declarações do Secretário de Estado para a Copa 2014, Mário Celso Cunha, de que “o Atlético não deveria se preocupar em como pagar o empréstimo do BNDES, já que o Governo deverá anistiar as dívidas do Mundial”. A declaração foi dada em uma reunião do Conselho Deliberativo do clube em 2010 e levada a público pelo jornal Gazeta do Povo no domingo passado. Em nota, o Palácio Iguaçu limitou-se a dizer que o processo do Mundial é “idôneo”. Cunha, em entrevista a TV Bandeirantes afirmou que “jamais quis fazer apologia ao calote.”
O que cabe ao Atlético?
Em relação às declarações de Mário Celso Cunha, nada. O clube não tem nenhuma relação antiética com o Mundial e colocou o CT do Caju a disposição do BNDES para o caso de inadimplência. Por isso, não se deve misturar a sugestão de calote pelo gestor público à postura da instituição, que já está beneficiada pela realização da Copa 2014 na cidade. Um exemplo é a negociação que levará a modernização da Arena: são 138,6 milhões via Agencia de Fomento para a obra, dos quais o Atlético pagará um terço (R$ 46,2 mi) a serem pagos em 15 anos a contar de 2015 (são três anos de carência) com juros de 1,8% ao ano, considerado irrisório no mercado. Os outros dois terços do valor serão oriundos da comercialização dos títulos de potencial construtivo cedidos pela Prefeitura. O próprio BNDES irá vendê-los.
Mercado adverso
A Pluri Consultoria, empresa de marketing e gestão esportiva sediada em Curitiba, divulgou números de uma pesquisa sobre torcidas no Brasil, realizada em janeiro deste ano em 144 cidades do País, com 10.545 entrevistas. O objetivo é mapear o potencial de consumo das equipes (ao longo dos próximos dias, detalharei a pesquisa no blog bemparana.com.br/napoalmeida, fica o convite*) junto às torcidas. Quem gasta mais? Em que região? No primeiro relatório apresentado, a demonstração de como o mercado para os paranaenses ainda é adverso – mas, olhando-se o copo meio cheio, como ainda pode crescer.
*Nota do blog: desça a página e leia as duas primeiras partes; por motivos particulares, ainda não pude detalhar a terceira e última, mas prometo para essa sexta.
Primeiro, mandar em casa
No relatório, o Atlético aparece como a maior torcida de um clube paranaense, com estimados 1,2 milhão de torcedores (a 17ª maior do Brasil); coladinho atrás está o Coritiba, com 1,1 milhão (18º no geral). O Paraná Clube tem estimados 300 mil aficionados (27º em todo o País). No entanto, mais que a quantificação das torcidas estaduais, o relatório apresenta números desfavoráveis aos paranaenses. Segundo o estudo, dos 10 maiores estados da nação, o Paraná é o que menos tem torcedores de futebol: 67% dos residentes gostam de algum clube. No Rio Grande do Sul, o número é de 90%. Dos 67% dos paranaenses que torcem para algum time (estimados 7 milhões), 64,4% preferem as equipes de fora do Paraná. Apenas 35,6% apóiam os times paranaenses. Ainda há muito a se fazer.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 29/02/2012

Conquista merecida

Começa hoje o 2o turno do Campeonato Paranaense. Tudo zerado: todos os times tentarão se juntar ao Atlético na decisão da competição – isso se o próprio Rubro-Negro não faturar a taça antecipadamente, ganhando também essa etapa. A conquista foi surpreendente, mas merecida. Rebaixado no Brasileirão 2011, o Atlético começou do zero, trazendo um treinador pouco conhecido no Brasil, o uruguaio Juan Ramón Carrasco. Deu certo: ele aproveitou algumas peças do time que foi mal em 2011 e recheou de garotos da casa. E, principalmente, deu cara de equipe ao time. Mesmo tropeçando diante do Arapongas, fez frente ao Coritiba no clássico e errou menos que o Coxa, que era reconhecidamente favorito ao título. E ainda é, mas já sabe que terá que correr mais para justificar a “fama”. Do interior, duas boas surpresas: Cianorte e Arapongas. Não deve fugir disso, com as diferenças entre os times se acentuando mais daqui até o fim.

Em alta

A campanha que Carrasco fez no primeiro turno no Atlético já foi suficiente para que o mercado latino cogitasse o técnico na Universidade Católica, do Chile. O jornal La Tercera, de Santiago, noticiou que ele estaria na lista do clube para substituir Mário Lepe. “Só estou sabendo disso agora. Estamos muito contentes e com a cabeça aqui no Atlético”, disse em coletiva ontem.

Em baixa

Já o também uruguaio Morro García, atacante que chegou ao Atlético como a mais cara contratação do futebol paranaense em todos os tempos, ficou de fora da lista provisória da Seleção Uruguaia para os jogos Olímpicos de Londres. Com 21 anos, García não está nem entre os 74 jogadores pré-selecionados.

Grife

“Depois que o Ricardinho chegou, as coisas facilitaram e muito”, disse Alex Brasil, gerente de futebol do Paraná, nos bastidores do programa Jogo Aberto Paraná da BandCuritiba. Ele comemorou a receptividade que vem tendo ao procurar novos atletas, com o “selo Ricardinho” a tiracolo. O calendário com as segundas divisões estadual e nacional poderia ser repelente, mas o gerente já trouxe atletas da base do Corinthians e Atlético-MG.

Caminho tortuoso

A FPF divulgou ontem a tabela da Segunda Divisão do Paranaense: o Paraná estréia em casa contra o Jr. Team, de Londrina, no dia 01/05, uma terça, feriado. No dia 19/05 haverá o primeiro conflito de datas entre a Série B nacional e a estadual: está marcado o início da competição brasileira para o mesmo dia da rodada que prevê Paraná x Grecal, de Campo Largo.

Bomba ou boato?

Circulou durante todo o dia de ontem a informação de que o meia Alex, ídolo do Coritiba, estaria voltando ao Coxa. A informação partiu de um site sobre o futebol turco. Pelo Twitter perguntei objetivamente ao jogador: está voltando? “Só especulação. Os caras põe na net e criam um monstro!”