Desde que São Paulo x Atlético e Inter x São Paulo decidiram as Libertadores de 2005/06, a Conmebol vetou a possibilidade de que finais nacionais aconteçam, direcionando os cruzamentos nas semifinais – não veta, porém, que três clubes do mesmo país façam as semis, e aí os resultados podem determinar uma final nacional.
Em 2013, a confederação sul-americana ganhou uma mãozinha do destino: além do já definido Atlético-MG x São Paulo, o Grêmio tem tudo para pegar Fluminense ou Palmeiras nas oitavas, dependendo de uma combinação de resultados nesta quinta. Mais: conforme acontecer, o Brasil ainda pode ver três duelos, com o clássico paulista Palmeiras x Corinthians juntando-se ao duelo tricolor.
Para que Grêmio x Fluminense voltem a se encontrar, basta que ambos vençam seus jogos contra Huachipato (fora) e Caracas (casa), respectivamente, e o Palmeiras empate com gols com o Sporting Cristal no Peru, contando com uma vitória por um gol do Libertad no Paraguai sobre o argentino Tigre. Com isso, o Tricolor gaúcho seria o 10o colocado, e o carioca, o 7o. Na primeira fase, o Grêmio venceu no Rio (3-0) e empatou em casa (1-1).
No entanto, um gol pode mudar tudo: se o Palmeiras vencer o time peruano – já eliminado – e ficar em primeiro, contando com duas vitórias brasileiras no Grupo 8, o duelo será entre Grêmio e Palmeiras, reeditando as quartas de final da Libertadores de 1995, em dois jogos históricos. Em Porto Alegre, Grêmio 5-0; em São Paulo, Palmeiras 5-1. O Grêmio avançou e ficou com o título.
O empate, outro resultado que classifica o Grêmio, também evita um confronto brasileiro. Aí o adversário pode ser o Santa Fé, da Colômbia ou até mesmo o Olímpia, do Paraguai. Dependendo do que acontecer no grupo de Palmeiras e Libertad, até mesmo o Nacional do Uruguai pode pintar no caminho gremista. Zé Roberto, experiente, imaginou um jogo com marcação e próximo deste empate (clique para assistir).
O Fluminense só pega brasileiros se contar com a primeira combinação acima. Já o clássico paulista acontecerá numa combinação mais específica de resultados – e conjunta com o duelo Grêmio x Flu. Para que Palmeiras e Corinthians repítam os confrontos de 1999 e 2000 na Libertadores, é preciso que a primeira combinação citada no texto aconteça, mas que o empate palmeirense tem que ser obrigatoriamente em 0 a 0.
Dez de fevereiro de 2004. Há exatos oito anos e nove meses, Laércio entrava para a história do Coritiba como autor do primeiro gol do clube na Taça Libertadores da América daquele ano, na derrota do Coxa para o Sporting Cristal por 4-1 em Lima, no Peru.
Dez de novembro de 2012. O atacante marca o segundo gol da equipe do Iguaçu na primeira partida da semifinal da Suburbana, ajudando o clube a consolidar o resultado e a depender apenas de um empate no jogo da volta para garantir uma vaga na grande final.
Sempre decisivo, Laércio está no seu segundo de amador, mas já tem um currículo vitorioso. Em 2011 foi vice-campeão do Campeonato Amador da Capital pelo Trieste e campeão do Sul Brasileiro pelo Inter de Campo Largo. Neste ano já faturou mais caneco – Taça Paraná, também pelo Inter – e espera poder ajudar o Iguaçu a sair da fila, que já dura 20 anos.
“Estamos com um time bem entrosado, um grupo bem fechado. Joguei junto com o Flávio [zagueiro] no Coritiba, então já nos conhecemos bastante, e este ano também estive junto com o Hideo e com o Luisinho no Internacional. Fica fácil jogar. E tá todo mundo focado em busca desse resultado positivo”.
Com 28 anos anos, o faro de gol ainda está forte e com o bom desempenho no amador o atleta espera poder voltar aos campos profissionais. “Já tive algumas propostas, mas estou analisando as condições”. O título, ele confirma, aumentará as chances de novos contratos, mas ele não descarta permanecer no amador. Além de jogar pelo Coritiba, a carreira de Laércio, que teve início no Fluminense, inclui passagens pelo Fortaleza, Rio Branco – PR, Iner Turku (Finlândia), Guarani de Juazeiro, Icasa, Volta Redonda, Paranavaí, Operário e Nacional – PR.
Uma dupla pra lá de afinada
Juninho e Luizinho. Parece nome de personagens de história em quadrinhos, ou quem sabe de uma dupla sertaneja… mas Alei Silva Jr. Luiz Fernando Cavassim são, respectivamente, técnico e auxiliar da equipe do Iguaçu. E, mais do que isso, uma dupla que já vem trabalhando junta 14 há anos, conquistando títulos e divulgando atletas para o mundo do futebol.
Há alguns jogos, porém, quem vem comandando a equipe à beira do gramado é Luizinho, já que o técnico Juninho sofreu uma punição e não pode ficar no banco de reservas. E a sintonia é tão grande após tantos anos de amizade e trabalho conjunto que o rendimento do time não caiu. Pelo contrário… o Iguaçu segue na briga em busca do octacampeonato (59, 62, 66,67, 73,77 e 92).
O jogo
Cara de decisão. Ao entrar em campo na tarde deste sábado (10), no estádio Egídio Pietrobelli, o Iguaçu foi saudado com uma enorme queima de fogos. Do outro lado, uma pequena mas animadas torcida do Santa Quitéria empurrava o time visitante. O jogo, considerado por muitos a final antecipada da competição, fez jus ao esperado. Com os dois times buscando o gol, a primeira grande chance veio com o Santa Quitéria, que aos 20 minutos viu Júnior perder a chance de abrir o placar cara a cara com Vilson. Como dizem por aí, o castigo vem a cavalo… três minutos depois, Douglas aproveitou cruzamento de Luisinho Netto e cabeceou para dentro do gol.
Douglas ainda teve a possibilidade de aumentar o marcador em jogada muito parecida, mas desta vez a bola foi para fora. O Quitéria ameaçou com Cristiano, de cabeça, e com um chute de fora da área de Salário, mas o primeiro tempo acabou com vantagem da equipe da casa.
Na segunda etapa o técnico Jurandir Senna fez algumas alterações e colocou seu time para o ataque, mas o domínio foi do Iguaçu. Logo no início Laércio aproveitou bom cruzamento de Guilherme, mas cabeceou para fora. Aos 15, Nilvano acertou um chute e obrigou o goleiro Jonas a fazer uma bonita defesa.
Mas aos 27, Laércio deu números finais ao jogo. Hideo fez bela jogada e lançou para Clé que deixou o camisa 9 da equipe alvinegra sozinho na cara do gol. Iguaçu 2-0 Santa Quitéria. Agora a equipe de Santa Felicidade joga por um empate para seguir na competição. Em caso de vitória do Quitéria, por qualquer marcador, o jogo para a prorrogação.
Na outra partida da semifinal, no Recanto Tricolor, Combate Barreirinha 1-3 Bairro Alto. O atual campeão da Suburbana também só depende de um empate para disputar mais uma final.
Iguaçu: Vilson, Douglas, Flávio, Luciano, Luisinho Netto, Émerson, João Vitor, Nilvano (Clé), Laércio (Franco), Hideo e Guilherme (Marlon). Técnico: Juninho
Santa Quitéria: Jonas, Salário, Juninho, Leandro, Edinalndo, Dionatan, Júnior (Leandrinho), André (Marcelo Maia), Dinda, Feijão, Cristiano (Fernandinho). Técnico: Jurandir Senna
O rei do pão do bife
Aleluia! Sábado foi dia de provar o pão com bife do Iguaçu, o pão com bife do Pelé. E olha, valeu a pena a espera. Vem carne pra mais de metro, daquela bem suculenta e saborosa, mas eu seria mais feliz se tivesse um pouquinho mais temperada. E o 10 só não vem por esse e por outro motivo: o pão não tava tão crocante quanto a minha exigência gostaria. Mas ó, aprovadíssimo. Quem for pro Egídio Pietrobelli não pode deixar de provar. Custa R$3,00.
*Ana Claudia Cichon é jornalista e não pôde ir à Lima cobrir o jogo em 2004, mas viu Laercio marcar em Santa Felicidade mesmo.
Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!
Para não passar em branco a data comemorativa atleticana, nada de análise tática, técnica ou política: o blog propõe uma pequena lembrança de cinco grandes momentos na história rubro-negra.
1) O primeiro jogo oficial
O recorte acima (cedido via twitter pelo atento blogueiro Fusketa) marca a data do primeir0 jogo oficial do “Athletico” (como a grafia da época), já válido pelo Paranaense de 1924.
O rubro-negro já havia entrado em campo antes, em um amistoso contra o extinto Universal, e venceu por 4-2. E no torneio início, costume que durou até meados dos anos 90, o Atlético já havia até derrotado o Coritiba, 2-0, em uma partida com menos de 90 minutos de duração – como eram os jogos dos torneios início.
Mas seria no domingo 18/05 que o Atlético faria seu primeiro jogo oficial. O adversário era o Campo Alegre, também extinto, cuja sede era no bairro do Cajuru.
O Atlético derrotou o Campo Alegre por 4-1, dando início a longa trajetória em Campeonatos Paranaenses. Naquele ano, acabou a competição em 5o lugar.
* O Paraná em questão não é o atual Paraná Clube e sim o extinto Paraná Sports Club, que deixaria de existir no ano seguinte:
2) O fim dos jejuns
Depois de alternar conquistas com o Coritiba, disputando cabeça a cabeça a hegemonia do estado até a década de 50, o Atlético passou por dois períodos de largo jejum: 12 anos cada, entre 1958-70-82.
Parecia um castigo interminável para o povão rubro-negro. Após a conquista de 1958, quando já havia passado 9 anos desde a última conquista, o atleticano esperou 12 anos até ver novo título. E ele veio em 1970, com um time com Nilson Borges, Djalma Santos e Sicupira. E olha que o Furacão perdeu os três primeiros jogos do campeonato. Mas engrenou após um 6-2 no Cianorte e uma vitória por 1-0 no Atletiba 151. A taça viria após um 4-1 no extinto Seleto, em Paranaguá. Abaixo, a imagem de um dos gols do jogo, marcado por Sicupira, hoje comentarista na Rádio Banda B:
Mas o rubro-negro passaria uma das piores décadas da sua história, assistindo ao rival Coritiba chegar ao hexacampeonato e ainda levantar outras duas taças entre 1971 e 1979, tendo o ciclo interrompido só em 1977 pelo Grêmio Maringá. A agonia só passaria em 1982. Com um timaço formado por Roberto Costa, Nivaldo, Capitão, Washington e Assis, o Atlético ficou com o título de 1982 e papou também o bi, em 1983.
3) Despedida e volta para a Baixada (I)
A Baixada foi o primeiro estádio com arquibancadas no Paraná. Foi casa de todos os clubes do Estado por algum tempo, em algum momento na história. Mas o dono dela é o Atlético – e poucos clubes no Mundo são tão identificados com sua casa quanto o Furacão. Todo clube é mais forte em seu estádio, mas o atleticano crê que há uma magia em torno do “Caldeirão do Diabo”.
No entanto, isso não impediu o Atlético de trocar a velha Baixada pelo projeto de um Pinheirão para 200 mil pessoas, em 1985. A intenção era que o rubro-negro tivesse o seu Maracanã, o que nunca saiu do papel. Na despedida, título paranaense. O Atlético venceu o Londrina (com o tetracampeão mundial Zetti no gol) por 3-0 e foi tentar a sorte no Tarumã. O inesquecível narrador Lombardi Júnior descrevia assim um dos gols da última partida do Furacão em seu lar antes da mudança:
Entre 1986 e 1994 foram oito anos de Pinheirão. Mas o então presidente José Carlos Farinhaqui decidiu reformar a Baixada e trazer o Atlético de volta ao Caldeirão. Era a retomada do alçapão rubro-negro. Mas a reportagem abaixo conta melhor (e se eu não estou muito enganado, a voz do narrador é de Marcelo Ortiz, hoje na 98 FM):
Ricardo marcou o primeiro gol depois da volta a Baixada, que viu o então “craque” do time, João Carlos Cavalo, perder um pênalti um pouco antes. Cinco anos depois, o Atlético teria outra inauguração, desta vez de um conceito então inédito no país, a Arena da Baixada, idealizada por Mário Celso Petraglia. Hoje,o Atlético vive nova peregrinação, em nome de mais uma reforma em seu santuário. Mas essas são outras histórias.
4) O pênalti em Adriano
Um jogo recheado de emoção. O Atlético jogava seu título máximo: o Brasileirão de 2001, dentro de casa. Com melhor campanha, o São Caetano precisava de dois resultados iguais para ficar com a taça. Restava ao Furacão fazer valer o Caldeirão.
O Atlético saiu na frente, tomou a virada e voltou a mandar no jogo, 3-2. Mas era pouco. Seria difícil sustentar a vantagem em São Caetano do Sul.
Já aos 46 do segundo tempo, Adriano Gabiru invadiu a área em velocidade e foi derrubado. Pênalti.
O resto da história todos conhecem – mas Gil Rocha e Rogério Tavares, da RPCTV, contaram no vídeo abaixo:
5) Na decisão da América
Uma primeira fase irregular, classificando-se na sorte de ver o virtual classificado América de Cali perder para o já eliminado Libertad em casa, enquanto tomava 1-4 do Independiente Medellín na Arena; depois, a reação, despachando Cerro Porteño e o rival Santos, com quem disputou o Brasileirão 2004, nas fases eliminatórias.
O Atlético foi a surpresa nas semifinais da Libertadores 2005, com um time liderado por Diego, Marcão, Fabrício, Aloísio e Lima, e comandado por Antônio Lopes. Pela frente, os mexicanos do Chivas Guardalajara, que contavam com a torcida de São Paulo e River Plate, outros semifinalistas, que já se garantiriam no Mundial Interclubes se o clube mexicano se classificasse.
O Furacão atropelou. Destaque para o golaço de Fabrício, o terceiro:
No jogo seguinte, pressão mexicana e uma atuação de gala de Diego e Lima:
Na decisão o Atlético perderia para o São Paulo. Mas esse é outro papo.
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Sintetizar 88 anos em cinco grandes momentos não é simples, mas a ideia era fugir do lugar comum. E você, que outros momentos recordaria? Comente abaixo!
Era pra ser semanal. Mas aí faltou tempo e vida de blogueiro não é fácil. Então, quase um mês depois, novo “ensaio” com o Cover da Semana, sempre trazendo um clube e seu xará e uma sonzeira (ou não) no fim. Quem já teve banda sabe como é difícil reunir o povo pra tocar, então, desculpem a nossa falha e segue o baile! (Quanto trocadilho!)
Cover da semana #2: Club Atlético Paranaense, de Encarnación, Paraguay
Atlético Paranaense Paraguaio: destaque na Libertadores de Futsal
Cover de quem? O Atlético Paranaense do Paraguay é uma homenagem ao Atlético que surgiu na primeira campanha de Libertadores do clube brasileiro. Foi fundado em 2000 do clube de Encarnación, 3a maior cidade paraguaia, sem fronteira com o Brasil. De acordo com Guilherme Wojciechowsky, âncora da CBN Foz e exímio conhecedor da região da fronteira, o nome Atlético Paranaense também é uma alusão a um clube de atletas fundado próximo às margens do Rio Paraná. No entanto, não é preciso ser muito esperto para ver que as cores, a camisa e principalmente o escudinho são cópias do Atlético Paranaense original. Pouco se acha sobre o Atlético paraguaio na Internet: não há site oficial e todas as referências são do jornal ABC Color, de Assunção, capital do Paraguay, da época do torneio de futsal que projetou o clube. “A internet no Paraguay ainda anda de carroça”, conta Wojciechowsky.
Qual versão é melhor? Campeão Brasileiro da Série A em 2001, o Atlético original tem ainda outros 2 títulos nacionais e 22 estaduais. Por pouco não acrescentou à galeria o título da Copa Libertadores de 2005, quando decidiu contra o São Paulo; o cover não tem nenhuma conquista, mas repetiu no ano passado o feito do original: jogando em casa, ficou com o vice-campeonato da Copa Libertadores de Futsal. Decidiu a competição com o brasileiro Carlos Barbosa-RS. Ambos perderam o jogo final por 4-1. Como curiosidade, o Atlético Paranaense do Paraguay eliminou um paranaense na competição: o Umuarama Futsal. Além disso, na primeira fase da Libertadores, enfrentou o Nacional-URU (venceu por 4-2), assim como o Atlético o fez em 2000, quando disputou pela primeira vez a Libertadores de futebol de campo:
Como foram compostos? O Atlético Paranaense nasceu da fusão de dois tradicionais clubes curitibanos: o América (vermelho e branco) e o Internacional (preto e branco). Ambos se juntaram em 1924 para tentar acabar com a hegemonia do Britânia, então maior campeão estadual, sob a tutela de Arcésio Guimarães. Deu certo: em 1925, o Atlético levantou a primeira taça. Já sobre o Atlético do Paraguay existem poucos registros. Mas a grande campanha na Libertadores de Futsal veio após o auxílio da cidade de Encarnación, que recebeu o evento, e trouxe seis jogadores que defenderam a Seleção Paraguaia de futsal.
A capa do álbum:
O Original e o Cover - em baixa resolução
E na guitarra?
Vamos admitir que chegar a vice da Libertadores não é pouca coisa. A torcida do Atlético, apesar da sensação de perda, até se orgulha da conquista; que dirá o Atlético paraguaio, que repetiu o feito e perdeu nada menos para o Carlos Barbosa, clube que venceu 4 vezes a competição? Então, é justo que seja um cover de respeito. E lá vamos aos anos 60, mais precisamente 1967, quando o The Doors lançou album com o nome da banda e a faixa “Take It as It Comes”. Nos idos dos 90’s, recebeu justa homenagem de outra grande banda, The Ramones. Confira as duas versões abaixo.
Eis a versão original:
E esse é o cover:
Vamos ver se o próximo ensaio sai mais rápido, moçada…
Mais curitibano impossível: ambos perderam (foto: Geraldo Bubniak)
A maior instituição esportiva do Paraná, o Atletiba, não poderia ter um retrato mais curitibano do que o #348 apresentou hoje; autofágico como o cidadão local, o clássico terminou com uma vitória atleticana, mas sem ninguém tendo realmente o que comemorar. Pior: duas comemorações pelo fracasso do rival, jogando o futebol da terrinha na mediocridade de sempre. Agora, temos um clube a mais na Série B nacional e nenhum na Libertadores. Restou o de sempre: puxar o outro pra baixo.
Claro, não havia como ambos saírem sorrindo. E o texto também não é apológico a que um ajudasse o outro; são rivais, antagônicos, existem para superar um ao outro. Mas o retrato em que ambos se derrubam é fiel a principal crítica a nossa cidade: a de que ninguém se ajuda, mal se cumprimenta no elevador, fica feliz quando o carro do vizinho é roubado e critica o sucesso alheio, que só acaba tendo valor quando vem de fora. Atlético 1-0 Coritiba não salvou o Furacão e matou o Coxa; enquanto isso, em Minas Gerais, Cruzeiro 6-1 Atlético-MG e uma humilhação suprema do Galo, com os dois mineiros salvos.
A crítica é dura sim; e se reflete na defesa de que esse foi o maior Atletiba de todos os tempos, o que eu discordo veementemente. Como o maior clássico de todos os tempos pode ter dois derrotados? Como um jogo com um placar magro pode suplantar as várias histórias dos outros 347 jogos? Não concordo.
Concordo sim que, para os atleticanos, valeu a “queda em pé”; ironia do destino, o fim de um tabu de três anos sem vencer o rival se deu em um jogo tal qual a última vitória, em 2008: sem alegria. Ameniza a dor? Não acredito. Apenas rechaça o selo de que seria o Coxa quem rebaixou o Atlético. E, claro, não foi: em 38 rodadas, inúmeros erros. Mas esse é um assunto para outro post.
Concordo também que para os coxas, apesar do amargo de perder a vaga que estava nas próprias mãos para um rival que durante o próprio jogo já estava rebaixado (cada gol do Cruzeiro confirmava a queda), o isolamento na Série A após anos de ostracismo e sofrimento em relação ao Atlético, vale o troco de cada sarro. Ameniza a perda? Não acredito. Apenas demonstra que o clube vive um momento melhor que o rival, o que ainda é pouco. Esse foi cantado como o maior time da história alviverde e perdeu duas grandes chances de ao menos carimbar uma vaga na maior competição da América. Mas esse também é assunto para outro post.
A vida segue. Lamentavelmente, dentro da mediocridade de sempre do futebol paranaense, perdendo objetivos em qualquer uma das cores que você olhe. Mesmo saindo por cima, o Coritiba deixou escapar a consolidação. Agora, é 2012. Que será duro para o Atlético, longe da Arena e na segundona nacional após 16 anos.
Talvez, se há algo a se orgulhar, é o fato de que rivalidade mesmo é a curitibana. Só não sei se é algo para se alegrar.
“O Atletiba de todos os tempos”. Ao menos é assim que boa parte dos colegas de imprensa venderam o clássico. Eu prefiro esperar. As possíveis combinações, o cenário do clássico, até dão a possibilidade de que isso seja real; mas, e se for um modorrento 0-0, rebaixando o Atlético e tirando o Coritiba da Libertadores, ainda será o maior? Rotular o clássico antes da bola rolar é o mesmo que achar que o favoritismo analítico do Coxa já garantiu a vaga na competição sul-americana e, de quebra, rebaixou o Furacão. Isso, talvez, só depois das 19h de amanhã.
Um clássico para ser histórico tem de ter muitos elementos. O 348 se apresenta com credenciais, mas ainda não o é. Não é maior que o histórico Atlético 4-3 Coritiba de 1971, o #156, com diversas viradas, com Nilson Borges perdendo pênalti para o Atlético, que perdia por 2-0; não é maior que o #275, de 1995, quando Brandão aplicou um chocolate na páscoa atleticana, transformando os 5-1 do Coritiba sobre o rival no estopim da revolução petraglista. Ou ainda o #146, quando Paulo Vecchio impediu, no último minuto, que o Atlético saísse de uma fila de 9 anos sem títulos, no 1-1 que deu ao Coxa o título daquela temporada. Quem sabe o #305, quando depois de estar perdendo por 0-1, o Furacão aplicou 4-1 no adversário em pleno Couto Pereira, na Seletiva da Libertadores em 1999, o de maior relevância nacional até aqui. São 347 edições e entre Bergs e Dirceus, Tutas e Danilos, o clássico tem muitos heróis e vilões.
Não há como esconder o favoritismo do Coritiba, aberto nos objetivos distintos e nos números de toda a competição. Será que o herói vestirá alviverde? Marcos Aurélio, um ex-atleticano, pode fazer o gol da sentença rubro-negra? Ou Jéci, o capitão do Coxa mágico de 2011, do recorde mundial? Ou Vanderlei, vilão em 2009, salvará o Coxa de lances agudos? Conseguirá o Coritiba a vaga para a 3a Libertadores da sua história ou sua gente deixará a Arena frustrada? Clássico tem favorito? No Estadual, teve. E agora, no jogo que pode mudar a história dos dois clubes?
Ou o herói vestirá rubro-negro, podendo ser Cléber Santana, que perdeu pênalti ao longo do campeonato em pontos que hoje fariam a diferença? Poderá ser o “maestro” Paulo Baier, que não brilhou ainda em Atletibas, e pode quebrar um tabu de 3 anos, que corresponde a passagem dele e do presidente Marcos Malucelli no clube? E se o Atlético fizer 2, 3 a zero no Coritiba e não for o suficiente? O herói atleticano virá de Minas Gerais ou da Bahia? Poderá ser Souza ou Cuca, um no Bahia, outro no Galo, salvando o Furacão do rebaixamento, como De Vaca, do Libertad o fez em 2005, quando fracassou por conta própria na Arena (o que não é permitido dessa vez) ao levar 1-4 do Medellín, mas contou com a derrota do América em Cali para chegar ao vice da Libertadores, hoje o sonho do Coritiba, que ganhou segunda chance após a Copa do Brasil.
Quem, entre tantos que mal dormiram nessa semana, arrisca cravar? A gigantesca expectativa, a semana cercada de silêncio dos dois lados, mas com trocas de provocações entre as torcidas – diga-se, a torcida do Coxa deitou nos atleticanos como nunca se viu – mas que, também ressalte-se, parece apontar para um cenário tranquilo no jogo. A soma de tudo, para termos novos heróis e vilões, para que a previsão dos colegas sobre a relevância do #348 se confirme.
Será impossível agradar os dois lados. Ótimo, não? É disso que a rivalidade é construída; antagonismo. E não inimizade, violência. No futebol, nada é impossível, tudo é mágico. E certamente muitos terão histórias a contar a partir de segunda-feira. Com paz e tranquilidade, espera-se.
Precisando apenas de si para chegar a Libertadores, o Coritiba já tem noção do que pode encarar no ano que vem, se confirmar o favoritismo no Atletiba 348. A primeira coisa que já se sabe: independentemente de qual posição chegar, terá que disputar a pré-Libertadores. Com o título do Santos, o Brasil terá dois times na fase inicial da competição.
Com a reta final dos campeonatos na temporada 2011 e o sorteio da Conmebol definindo cruzamentos, o que pode acontecer com o Coxa é o seguinte:
A) Caso vença o Atlético e o Flamengo empate com o Vasco, o Coritiba será o 5o. colocado do Brasileirão e será denominado Brasil 6 na chave da Conmebol.
Assim sendo, teria pela frente, na pré-Libertadores, o “Colômbia 3”, vaga que está nas mãos de Tolima, Once Caldas ou Millonarios. Grupo difícil, especialmente pelo Once Caldas, campeão em 2004. O Tolima, entretanto, eliminou o Corinthians da Libertadores deste ano.
Tolima x Once Caldas: possíveis adversários do Coxa
Se passar pelo “Colômbia 3”, o Coritiba entrará no Grupo 1, com Santos, Peru 1 (Alianza Lima ou Juan Aurich) e Bolívia 2 (em aberto entre Universitario, Oriente Petrolero e Aurora, principalmente).
B) Caso vença o Atlético e o Flamengo perca para o Vasco, o Coritiba será o 4o. colocado do Brasileirão e será denominado Brasil 5 na chave da Conmebol.
Assim, estará frente a frente com o Real Potosí, cruzamento que só muda se o Potosí der uma boa arrancada e vencer o Apertura, que está em andamento – aí, o “Bolívia 3” passa a ser um dos citados acima. O Real Potosí foi adversário do Paraná Clube na fase de grupos da Libertadores 2007. No jogo na Bolívia, 1-3 Potosí; em Curitiba, vitória com gols abaixo:
Se passar pelo “Bolívia 3”, o Coxa cai no Grupo 2, com Paraguai 1 (possivelmente o Nacional-PY, mas ainda pode ser o Libertad), Emelec ou Deportivo Quito, que farão a final do Equatoriano e entram como Equador 2 e Argentina 3, vaga que está entre Lanús, Godoy Cruz , Tigre, Independiente ou Racing, com vantagem em pontos para o Lanús.
Entenda todas as possibilidades de resultados ao final do Atletiba 348, domingo, na Arena
A) Atlético rebaixado, Coritiba na Libertadores
É o que acontece no atual momento. Para tanto, basta uma vitória simples do Coxa, que continuaria no G5 e manteria o Furacão no Z4.
B) Atlético rebaixado, Coritiba eliminado
Cenário que acontece se o clássico empatar ou o Atlético vencer por qualquer placar, mas o Cruzeiro empatar seu jogo com o Atlético-MG e/ou o Ceará vencer o Bahia e, além disso, Inter ou Figueirense somarem um ponto ou São Paulo ou Botafogo somarem três pontos.
C) Atlético salvo, Coritiba eliminado
É possível com a soma das vitórias do Atlético e do Atlético-MG nos clássicos aqui e em Minas Gerais e com um empate entre Ceará e Bahia em Salvador. Além disso, Inter ou Figueirense somarem pontos ou São Paulo ou Botafogo vencerem.
D) Atlético salvo, Coritiba na Libertadores
É possível, apesar de improvável. Basta que o Atlético vença, assim como o Atlético-MG faça o mesmo contra o Cruzeiro. É preciso ainda que o Ceará não passe de um empate contra o Bahia. Essa combinação salva o Atlético. Aí, para que o Coxa mantenha-se no G5, é preciso que Grêmio e Avaí vençam os clássicos em RS e SC e São Paulo e Botafogo não vençam seus clássicos contra Santos e Fluminense.
Um jantar em Curitiba na última quinta-feira (29/09) fez Virgílio Elíseo, diretor técnico da CBF garantir: se o Vasco vencer também a Copa Sulamericana, o Coritiba estará na Libertadores 2012.
Vice-campeão da Copa do Brasil ao perder no placar agregado e critérios para o time carioca (0-1, 3-2), o Coxa se vê longe da Libertadores no Brasileirão, mas recebeu do diretor-técnico da CBF a garantia de que o departamento fará lobby junto ao presidente Ricardo Teixeira para que ele oficialize a idéia de que Alviverde possa ocupar eventual vaga vascaína com duas condições: o Vasco precisa vencer a Sulamericana e, se a Conmebol definir que a vaga é do País e não da competição*, o Coxa jogaria a pré-Libertadores, ficando, de fato, com a suposta vaga da Sula.
Na prática, o Coxa precisa agora que o Vasco supere os seguintes cruzamentos:
O que falta agora é a sanção de Ricardo Teixeira, que está hospitalizado. E, claro, dar Vasco.
E o Brasileirão?
O Vasco também é o líder do Brasileirão e pode ser campeão; isso também beneficiaria o Coxa? Não.
Se o Vasco papar o Brasileiro e não a Sulamericana, entrará o 5 time da classificação na vaga, como já é de praxe: G4 vira G5.
Meus dois centavos:
…e pensar que o Vasco chegou capenga na decisão da Copa do Brasil, com favoritismo declarado do Coritiba, depois de passar apertado pelo Avaí e sem vencer o Atlético e ainda foi campeão apenas nos critérios. Hoje, é líder do Brasileiro e tem bom caminho na Sulamericana. Desbravador.
O blog ficou quase uma semana sem atualizações, mas manteve ótima média de visitações. Peço desculpas aos amigos e agradeço muito: aproveitei uns dias para colocar uma monografia em ordem e, como não sou de ferro, fui curtir o Rock in Rio no período.
*UPDATE: A Conmebol anunciou nesta quarta (05/10) que a vaga da Libertadores via Sulamericana é da competição e não do país; sendo assim, a promessa da CBF ao Coritiba perdeu efeito.
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