Ser Paranista

por Rodrigo Sanches*

Falar do seu clube de coração, no dia em que completa mais um ano de vida, é emocionante, traz uma grande satisfação e ao mesmo tempo uma enorme responsabilidade.

Ser paranista é sinônimo de escolha. Mas não uma escolha qualquer. VOCÊ é escolhido para ser paranista e carregar este escudo. Não temos a maior torcida no Estado, mas temos a torcida mais intensa e mais apaixonada.

Ser paranista é bater no peito e dizer: “Sou Paraná até a morte.”

Ser paranista é viver o Paraná todos os dias.

Ser paranista é chorar na vitória e ter a certeza que mesmo na derrota, dias melhores virão.

Ser paranista é orgulhar-se do Paraná, independente de resultado.

Ser paranista é vestir, não uma camisa, mas um manto.

Ser paranista é ser diferente de outros torcedores. Enquanto eles TORCEM para seus times, o paranista VIVE o clube que ama.

Ser paranista é um privilégio de poucos. E se esse privilégio foi concedido à você também, agradeça, mas agradeça todos os dias.

Otacílio Gonçalves, mais um paranista, ao lado de Rodrigo Sanches

Ser paranista é ser um dos 48 mil torcedores que encheram um Pinheirão.

Ser paranista é gritar por Régis, Balu, Hélcio, Maurílio, Saulo e Adoilson em campo.

Ser paranista é disputar uma Libertadores da América com menos de 20 anos de fundação, enquanto seus rivais demoraram 60, 70 anos.

Ser paranista é levar o maior treinador da história do clube – o mestre Otacílio Gonçalves – às lágrimas, ao ser homenageado. É Chapinha, você pensa que apenas eu choraria de emoção pelas conquistas que você nos deu? Agora foi a sua vez!

Ser paranista é ser forte, arrojado e imponente. Fruto de muita luta e união.

O poderoso Grêmio é mais um freguês paranista

Ser paranista é estremecer o “gigante de concreto armado”.

Ser paranista é ter o sangue azul, vermelho e branco correndo pelas veias.

Ser paranista é ser a VERDADEIRA CAMISA 12.

É Paraná Clube, 23 anos. Com tão pouco tempo de vida, você tem muita história pra contar. Conquistar e dominar um Estado com apenas 2 anos de idade é coisa que poucos fazem. Mas você nasceu gigante. Você continua gigante. Já pegou o fôlego que precisava para voltar ao combate. Vamos lá! Você tem um batalhão de guerreiros que estão ao seu lado, lutando todos os dias para colocá-lo no lugar que merece. E esse lugar não é um lugar qualquer. É no lugar onde apenas os GIGANTES  permanecem. No topo.

*Rodrigo Sanches é curitibano, publicitário, analista de mídias sociais, e escolhido para ser paranista desde 1987. Sim, antes do Paraná existir, eu já havia sido um dos escolhidos para lutar pela nação paranista e levar este escudo no peito. Fui convidado pelo Blog a representar todos os tricolores nesse dia tão especial.

Mais que uma vitória

Douglas rasga com Fernando Henrique e a vila explode: redenção

Existem vitórias e vitórias no futebol. Há o batido – e válido – bordão “venceu, mas não convenceu”; existem vitórias que não levam a nada, apenas cumprem protocolo ou são tardias demais para remediar um estrago anterior. Existem empates que são vitórias. E numa massagem no ego, foi o que o Paraná deu ao torcedor na última quarta.

Humilhado, constrangido, relegado ao segundo plano. O torcedor paranista vem aguentando há muito tempo pancada atrás de pancada. Já não é tratado como rival por atleticanos e coxas-brancas, o que fere o orgulho. Viu o time despencar, minguar, passar pelo constrangedor rebaixamento à segunda divisão estadual; viu o time liderar a Série B nacional ano passado, para depois perceber que não passava de ilusão. Acordou espremido pela FPF, que ignorou a força do clube e deu às costas para o problema do calendário. Não, o Tricolor não queria ser mais que os outros; queria apenas que a Federação lembrasse que ele ainda é um representante do Estado na Série B e que as tabelas são conflitantes.

“A segunda divisão molda caráter”, diz um amigo. É verdade. O futebol é pródigo em ser incoerente: enquanto os Barcelonas da vida desfilam classe e arrebatam crianças Mundo à fora, o sofrimento faz com que o sentimento ao clube do coração se torne maior. O orgulho de pertencer a um grupo que não se importa tão somente com vitórias. Aliás, o que é vencer no futebol mesmo?

Quarta, 18 de abril, o Paraná Clube ganhou o ano. Foi com um gol de Douglas, mas poderia ser de qualquer um. O herói, na verdade, apenas simboliza a esperança por dias melhores, que não significam necessariamente uma conquista do Mundial Interclubes. O paranista sabe que a realidade é bem mais dura. Fica pra daqui uns anos.

Mas pouco importa o que aconteça contra o Palmeiras, na próxima fase da Copa do Brasil. Para o Paraná Clube, levar 11 mil pessoas após meses sem sequer entrar em campo, manter o torcedor ligado os 90 minutos, chegar ao êxtase da classificação com um empate suado aos 46 do segundo tempo, já é o troféu do ano. Claro que se quer mais. Claro que a tarefa só estará cumprida quando o time voltar a elite estadual – e não será nada fácil, anotem – e para a elite nacional – ainda mais difícil. Mas não era isso, nem a vaga, que estava em jogo na quarta.

A cada depoimento que se ouviu após o apito final na Vila, ficou a certeza de que o futebol venceu. Os cearenses não vão concordar, mas eles precisavam menos desse triunfo que o Paraná Clube. “Esse é o Paraná!”, bradou um; “A gente vem pra ver perder, vem pra ver ganhar, não importa, a gente tá junto com o Paraná”, disse outro, nos microfones das rádios que cobriram o jogo. E futebol é isso. Mudassem as cores, e não o roteiro, e a paixão venceria junto da mesma forma, balançaria a rede junto com a bola chutada por Douglas. Futebol não se resume a títulos; é a soma das conquistas menores.

Agora, com a confiança reestabelecida, o Paraná vai seguir o caminho mais em paz. Já sabe o que pode e com quem pode contar. Se ao final de tudo o time passar pelo Palmeiras, ir avançando na Copa do Brasil sem atrapalhar os projetos principais, excelente. Senão, a vitória de quarta já cumpriu seu papel na história paranista.