Reboot

A Gralha, “super-herói” paranista: vem aí novo reboot

O Paraná acaba de vencer o Asa por 2-0, jogando não muito diferente do que foi a temporada inteira. Melhor em casa do que fora, tomando sufoco em momentos, sendo insinuante em alguns. Venceu a maioria dos times de que era melhor e perdeu para aqueles que tinham mais time. Não à toa, é o 10o. colocado nesse momento, exatamente no meio da tabela, posição que não deve perder, tampouco avançar. Faltando um jogo para o fim da temporada, de fato, pouco disso importa. O Paraná vai repetir o que vem fazendo desde que Caio Júnior pegou o time e o levou à Libertadores: começar do zero.

Havia a esperança de que Ricardinho desse nova roupagem ao Tricolor. E deu, durante um tempo. Tornou o clube atrativo para alguns jogadores, que apostaram no projeto e, não nos esqueçamos, chegou a ir bem por um tempo, castigado por um calendário que arrumou pra si por incompetência e pelo abandono da FPF. Depois faltou fôlego. Faltou dinheiro, pra ser mais preciso. Cumpriu a principal missão, devolver ao Paraná o direito de disputar a elite paranaense – “feito” que atingiu o limite do inimaginável quando o clube caiu. Mas Ricardinho saiu expondo feridas que depois seriam comprovadas. De novo, o clube passou pelo vexame de ver jogadores em greve, manifestando em carta que eles e funcionários de outros setores estavam sem receber.

E lá vai o Paraná mais uma vez começar do zero. Conversei com Ricardinho recentemente. Ele demonstrou uma esperança de que Alex Brasil, diretor de futebol, conseguisse manter um padrão de organização instituído no clube. “Quando eu cheguei, o que mais tinha no departamento de futebol era empresário metendo o bico”, disse o ex-técnico e jogador. Talvez o Paraná tenha melhorado nisso, mas vive as mazelas de ser um clube pobre. Dívidas não são exclusividade do Paraná, mas clubes como Vasco e Flamengo tem maior atrativo para os atletas. Num país sério seriam poucos os clubes que poderiam jogar a Série A.

Pior para os jogadores, que ficam sem receber e sem a vitrine, já que seguem na Série B. O grupo atual aliás, criticado pela torcida, não merece metade das porradas que levou. Se falhou, foi muito mais por falta de bola do que vontade. Trabalhar sem receber é desonroso para ambas as partes: quem o faz se sente ofendido, mas quer manter a palavra. Quem não paga, fica com péssima imagem. Se é bem intencionado, é incompetente; senão, é picareta.

A expressão reboot vem do inglês, algo como “reiniciar”. É usada no universo do cinema e dos quadrinhos quando se querer apagar o passado ou uma história contada de algum personagem. A DC Comics, editora do Super-Homem, é craque em fazer reboots. Já zerou e recontou a origem de seus heróis inúmeras vezes. Uma grande saga, um vilão poderoso, um morte de herói aqui, um universo salvo acolá e, depois que os heróis derrotam o arqui-inimigo, bingo!, tudo zerado até que algum redator faça nova bobagem, como inventar um Superboy ou aleijar o Batman.

Da esquerda, em sentido horário: o Super-Homem original, o fim das Terras paralelas, uma nova zerada e mais um reinício: azul e vermelho em todas

A diretoria tricolor é um misto de gestões anteriores e gente nova. Não julgo intenção e sim resultados. Quem está no poder hoje ainda paga por erros do passado, mas tem sua parcela de culpa e mais: pouco crédito. Como convencer os (poucos) bons destaques desse time a ficar para 2013, sem ter pagamento de salários? Como mostrar que o Paraná é um clube viável depois de mais uma temporada esgotando os pedidos de desculpas? Pobre torcedor.

A nova realidade do futebol brasileiro, com cotas de TV desiguais entre os 14 grandes, segmentando até quem está na Série A, já está criando um seleto grupo de protagonistas. Corinthians, São Paulo, Fluminense e alguns outros poucos vêm se alternando nas conquistas. Aumentou-se o número de coadjuvantes. Botafogo, Atlético-MG e Coritiba, por exemplo, são campeões brasileiros que hoje aspiram competições como a Copa do Brasil. Falta fôlego para ir até o fim mantendo folha alta e competitiva. Que dizer então do Paraná, a quem hoje nem o papel de coadjuvante cabe? Quiça figurante, ora na A, ora na B. Vida bandida.

Na próxima temporada, novo reboot. Lá vai o Paraná juntar os cacos, montar um elenco às pressas, buscar soluções e renovar os créditos. Difícil sonhar com o Estadual, bom jogar a Copa do Brasil, melhor pensar em economizar para uma boa Série B. Se não subir, novo reboot pra 2014. Falta um redator melhor ou um Super-Homem para quebrar esse ciclo? Nos quadrinhos, é mais fácil recontar histórias. Na vida real, nem tanto.

Suburbana: Goiano, paranaense e paranista

Agora na Suburbana, Goiano não deixou de mostrar a velha raça que o deixou nos corações tricolores. Mas não teve sucesso contra o Iguaçu

por Ana Claudia Cichon*

Por 13 anos, vermelho, branco e azul foram as cores que Goiano vestiu diariamente. Emerson Bueno dos Santos, nascido em Bom Jardim(GO) – e por isso o apelido – começou a carreira no Paraná em 1996, ainda no juvenil e jogou pelo clube tricolor até 2009, deixando saudades na memória dos torcedores paranistas.

Aos 33 anos, o volante teve passagens pelo Santa Cruz e pelo Rio Branco, e este ano resolveu vestir outra camisa tricolor. Trocou o azul do pelo verde, o profissional pelo amador e de quebra ainda ganhou a braçadeira de capitão do Trieste, equipe de Santa Felicidade onze vezes campeã da Suburbana.

“Cheguei com o campeonato em andamento, mas fui bem recebido por todos. O Trieste é um clube bem estruturado e o futebol amador de Curitiba é um dos melhores do Brasil, muito forte. A experiência está sendo muito boa”.

Um dos mais experientes do grupo, Goiano tenta passar seus ensinamentos para os garotos que estão começando. “É preciso se dedicar e provar a todo jogo, todo treino. A regularidade é muito importante, assim como a parte tática”, explica.

A faixa para Goiano, sempre vista na Vila Capanema (Imagem: Blog Torcedor Paranista)

 

Goiano espera poder jogar ainda mais um ano no futebol profissional, mas garante que se não receber propostas, ou depois de encerrar as atividades futebolísticas, volta pro amador, com a expectativa de fazer um bom trabalho. É esperar – e torcer – para ver!

  • O jogo

Com a vaga para as semifinais garantida, o Iguaçu recebeu o Trieste neste sábado (03), no estádio Egídio Pietrobelli em ritmo de treino e poupando seus principais jogadores. A equipe triestina, por outro lado, entrou em campo dependendo não só de uma vitória, mas torcendo por um tropeço do Bairro Alto no confronto contra o Novo Mundo.

O primeiro tempo foi fraco. Muitos erros de passes e poucas chances claras para os dois times. Mas no finalzinho Laércio sofreu falta dentro da área. Pênalti. Nilvano cobrou e abriu o placar para o time da casa.

A sequência da cobrança de Nilvano: fim da linha para o Trieste (Fotos: Ana Cichon)

Na segunda etapa o técnico Rossano foi para o tudo ou nada, mas não deu para a equipe tricolor, que depois de três vices-campeonatos fica de fora das semifinais da competição.

Iguaçu: Leandro, Franco, Mérci, Emerson, João Vitor, Clé, Piter (Samuca), Fábio (Ricardinho), Nilvano (João Madureira), Laércio e Jé. Técnico: Juninho

Trieste: André, Alan, Dalton, Dudu (Melk (Pilo)), Raul, Adam, Goiano, Aroldo, Malzone, Flávio e Juninho (Edvaldo). Técnico: Rossano.

  • Resultados da rodada:

Iguaçu 1-0 Trieste
Bairro Alto 5- 3 Novo Mundo
Santa Quitéria 1-2 Combate Barreirinha

*Ana Claudia Cichon é jornalista e troca facilmente uma novela por um jogo da Suburbana, sem deixar de ser feminina

Um museu do futebol na Vila Madalena

Pausa na Olimpíada para aproveitar uma pequena folga em Sampa. Estive no Bar São Cristóvão, na Vila Madalena, um museu do futebol informal, montado pelo proprietário – que não estava na casa, pena – um goiano muito provavelmente fanático pelo Atlético-GO, dado a quantidade de artefatos do Dragão no bar (mas com alguma coisa do Goiás também).

A entrada do bar, quase sem um centímetro de parede branca

O bar reúne na parede fotos, artefatos, camisas, revistas, faixas, cachecóis e qualquer coisa que remeta a futebol. Todos os funcionários trabalham com a camisa do São Cristóvão FR do Rio, o clube que revelou Ronaldo.

Um bem gelado, servido pela camisa 6 do São Cristóvão

Entre fotos do Pelé, artefatos de times dos mais diversos cantos do Mundo (por ser São Paulo, imagine a quantidade de coisas sobre o Corinthians…) de forma democrática, encontrei, claro, coisas do futebol paranaense. Apesar de muito procurar, não vi nada do Londrina ou do Operário. Mas a capital está representada.

Supercampeão Paranaense 1988, faixa original do Atlético

O primeiro título de Nelsinho Baptista e Adilson Batista (então um promissor zagueiro) veio sobre o extinto Pinheiros, em 1988, após uma série dramática que incluiu a perda de um pênalti no último minuto do segundo jogo, por parte do artilheiro Carlinhos Sabiá. No 3o jogo, em desvantagem (perdera o 1o por 0-1) o Furacão superou um dos pais do Paraná e ficou com a taça. A faixa de campeão está emoldurada em uma das paredes do São Cristóvão.

"Ahá-uhu! O mini-estádio é nosso!"

Entre alguns outros artefatos, o Coritiba está representado pelo Couto Pereira nas paredes do São Cristóvão. O mini-estádio, presente do extinto jornal Primeira Hora da RPC no início dos 2000’s, está lá, emulando o maior estádio paranaense. Um pouco amarelado pelo tempo, o mini-estádio (que na promoção do jornal vinha em partes para montagem e atendia às três torcidas curitibanas) tem até o detalhe do escudo do Coritiba atrás do gol da Perpétuo Socorro.

Tricolor, pertinho do Rei

Num cantinho – mas não menos importante – está representado o Paraná Clube, com um escudo de tecido tal qual os das primeiras camisas, emoldurado, próximo a uma foto histórica dos maiores times brasileiros nos 60’s: Santos, de Pelé e Pepe, e Botafogo, de Didi e Nilton Santos.

Linha retrô de camisas, fabricação do bar

O bar, além de quitutes, acepipes e  drinks refrescantes, também tem uma linha de camisas retrô de alguns clubes brasileiros. Olaria e São Cristóvão são intrusos no seleto grupo do eixo (que exclui a Portuguesa) RJ-SP-MG-RS. A camisa da Seleção também está disponível. Futebol paranaense? Ficou pra uma outra. Quem sabe se eu voltar e conseguir encontrar o dono para sugerir.

De todo modo, não é o bairrismo que deve atrapalhar sua visita neste museu informal do futebol, quando estiver de passagem em São Paulo.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 04/07/2012

Futebol é coletivo

A constatação clássica explica porque o Coritiba tem ligeiro favoritismo frente ao Palmeiras na decisão da Copa do Brasil, que se inicia amanhã. O Verdão é um time com mais talentos individuais (que são poucos) que o Coxa, mas não tem a vantagem de jogar em seu estádio, tampouco tem o grande trunfo coritibano: o entrosamento. A montagem desse time, acredite, vem do fatídico 2009. A manutenção daquela espinha dorsal, reforçada sutilmente ano a ano, quase deu frutos em 2011, com um time mais talentoso que o atual. Mas nesse ano, está madura. Curiosamente, estudo da Pluri Consultoria aponta uma diferença de R$ 57 milhões entre o que gastou o Coritiba e o que aplicou o Palmeiras na montagem dos times. Já é uma vitória do Coxa. Por isso, o leve favoritismo, a ser provado dentro de campo, deve ser comemorado. Escolhas inteligentes, time competitivo.

R$ 57 milhões ou uma casa nova

O que o Palmeiras gastou a mais que o Coritiba para montar o time é, coincidentemente, o valor que arrematou (mais 500 mil reais) o Pinheirão em leilão na semana que passou. O grupo Destro agora corre com a documentação para acertar as pendências do arremate. Por isso, o destino do ex-estádio da FPF segue em aberto. Mas o próprio empresário João Destro, em entrevista à jornalista Nadja Mauad, admitiu que já foi sondado por gente falando pelo Coritiba e pela construtora OAS para saber o destino da obra. Há muito que o presidente coxa Vilson Andrade mantém o negócio de se construir um novo estádio em sigilo (quase) absoluto. Ao que tudo indica – e isso não é uma informação – os alviverdes poderão ter boas notícias ao final da conclusão do arremate.

A César o que é de César

A coluna é fechada antes do termino dos jogos da noite, por isso é impossível afirmar que o torcedor paranista acordou comemorando a volta à elite estadual, o que aconteceria com uma vitória simples sobre o Grêmio Maringá. Mas, se ela ainda não veio, virá; é inevitável. A campanha diz tudo: apenas um empate e só vitórias em 14 jogos. Nesse momento, justiça seja feita a um personagem: Paulo César Silva. Apaixonado pelo Paraná estava na diretoria que caiu em 2011 e foi um dos poucos a ficar. Reinventou-se como dirigente e como ser humano, ao passar por um drama familiar, recolhendo-se dos holofotes e delegando funções acertadamente. Assim trouxe Alex Brasil e Ricardinho para a linha de frente do futebol. Volta à primeira divisão paranaense e já faz campanha melhor que a do Atlético na B nacional, com um orçamento quatro vezes mais modesto. Ao Paulão, o reconhecimento pela vitória.

Odor

Reforços. Reforços. Reforços. Repita até virar realidade, pois só assim o Atlético voltará à primeira divisão nacional. O elenco atual, disse Jorginho acertadamente, fede.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 27/06/2012

O compromisso com o erro

Está tudo errado no futebol do Atlético em 2012 e a classificação na Série B do Brasileiro atesta isso. Por isso, apesar de cair na chacota popular, a troca de comando técnico – ainda não 100% confirmada – de Ricardo Drubscky, recém chegado (dois jogos) não deve ser vista como um erro; é uma correção de rota. Erro é insistir em um técnico inexperiente comandando um elenco falho. Drubscky, até o fechamento dessa coluna ainda no cargo, não tem o perfil necessário que o Furacão precisa para voltar à elite ainda nesse ano. Pode ser útil na base, no Sub-23, time que deverá jogar o Estadual 2013. Mas para a Série B o nome de Jorginho, campeão desta competição no ano passado com a Portuguesa, é sem dúvida o mais adequado ao momento. Atlético ou ninguém deve ter compromisso com o erro e ao se confirmar essa informação, isso deve ser mais valorizado do que a aposta errada. Mas vale lembrar que só a troca de treinador não resolve: reforços são exigidos para o objetivo.

A frase

“O melhor para o torcedor do Atlético é ver o time campeão e de volta a Serie A. O Atlético precisa ser forte e eu to pensando mais no Atlético”, disse Jorginho, dando a entender que comprou o projeto, em entrevista à Rádio CBN Curitiba ontem.

O símbolo

Dinheiro não é tudo, nem mesmo no mercado do futebol. Lúcio Flávio estreou bem e faz bem ao Paraná Clube – que já é melhor que o Atlético na Série B.

O fator casa

Faltam ainda 15 dias para o início da série decisiva da Copa do Brasil entre Coritiba e Palmeiras, mas desde já firmo posição. No campo, confronto equilibrado, com o Coxa vivendo um momento ligeiramente melhor. Fora dele, vantagem ampla paranaense. Não dá para negar que o Couto Pereira pesará na decisão, enquanto o Palmeiras mandará o jogo em um campo sem identificação, Barueri. Esse ano, o Coxa não deixa escapar.

Pobre mercado esportivo

Defende – justamente – fim da censura em alguns casos, mas aplica censura velada em outros; majora em 40% o valor da anuidade, sem realizar reciclagem de profissionais, ciclo de palestras, integração com universidades e outros benefícios para a classe; tornou-se um pedágio inconstitucional para o trabalho, mesmo de quem está referendado por um veículo, tem 10 anos de exercício, formação acadêmica e está autorizado pelo dono do espetáculo; usa de truculência nas ações; libera associação mediante pagamento, se pretendendo reguladora profissional, botando os clubes em maus lençóis; serve como trampolim político. Qual o futuro de quem leva a notícia ao público esportivo com esse cenário em determinada associação? Que interesses são defendidos por quem escreve a notícia que você lê/ouve? Olho aberto, leitor.

Retratos

Aproveitei o feriado prolongado para visitar familiares no norte do Paraná. A predileção dos paranaenses nortistas pelo futebol de São Paulo não é mais nenhuma novidade e já foi abordada no Videocast #005.

Mas graças a alguns novos amigos e a TV a Cabo, não é mais impossível acompanhar os times da capital por lá. E assim sendo, consegui ver no sábado um pouco dos jogos do final de semana, com as derrotas de Atlético e Coritiba e a vitória do Paraná, no finzinho do jogo.

Entre um jogo e outro, apesar do assunto principal na região ser Corinthians x Santos, alguns se interessaram em saber como anda o futebol paranaense. Respondi que incorremos num erro, amparados sobre uma leitura errada do conceito de “isonomia”: a de que os três são iguais entre si e sempre que há uma análise, deve ser feita em conjunto. É um erro clássico, que mais atrapalha do que ajuda os clubes locais. Não são iguais, especialmente nesse momento. E cada qual deve ser lido e analisado como exclusivo.

O Coritiba, por exemplo. Começou mal o Brasileiro, mas dado o equilíbrio da competição, uma solitária vitória o mantém longe da famigerada zona de rebaixamento. Mas o Coxa, único representante paranaense na elite nacional, não deve ser comparado aos rivais sob qualquer prisma.

O peso de uma análise sobre o Coritiba deve ter somente o seu momento. E no jogo contra o Flamengo ficou claro que o problema está na ausência de um camisa 9 competente. O time do Flamengo é fraco. E ao repatriar Adriano e manter o reinado da balbúrdia em seu elenco, o time carioca deve sofrer nesse Brasileirão. No entanto, dominar o jogo durante boa parte do tempo não impediu o Coxa de perdê-lo. Ao contrário: à distância, o placar de 1-3 é incontestável.

A verdade é que dentro das expectativas, o Coritiba tem mesmo que se dedicar ao máximo aos dois jogos da Copa do Brasil que o separam da final. E então tentar o único título nacional que passa a ficar ao alcance dos times da terrinha. A longo prazo, será impossível competir com Corinthians, São Paulo, etc., dado o poderio financeiro desses clubes. Enquanto o Coxa pena para achar um 9 que cabe no bolso, o Corinthians dispensa Liédson. Disse aos colegas do interior que não se deve esperar mais que um 8o a 12o lugar desse time do Coritiba, mas que o São Paulo – time da preferência de alguns por lá – que bote as barbas de molho, porque em mata-mata, há a possibilidade.

Dentro do nosso costume “isonômico” de tratar o Trio, diferente entre si, da mesma maneira e com o mesmo espaço, o maior crime que se comete é com o Paraná Clube.

Equiparar o Tricolor – outrora até superior em campo e em patrimônio – à dupla é retardar a recuperação do clube. É exigir de quem não tem recursos o mesmo poder de fogo dos demais. Em Maringá, onde também estive, alguns assistiram aos jogos contra os Grêmios pela Série Prata. Ou ao menos disseram que assistiram, já que a própria cidade não sabe quem abraçar entre os dois clubes locais. Fato é que o Paraná, curiosamente o único a vencer no final de semana, não pode ser cobrado no nível dos outros clubes da capital. Tem menor aporte, menor poder financeiro. Briga para voltar à elite paranaense e se manter na Série B nacional. Será um ano a se comemorar se as coisas acabarem assim, com um resgate mais humilde. E isso deve ser passado ao torcedor. O Paraná hoje é menor que os rivais – o que não significa que o amor da torcida, buscando apoiar, participar e compreender, deva ser.

A decepção fica por conta do Atlético.

Mais do que o elenco fraco (foi vice-campeão em um campeonato de dois clubes, com derrotas e tropeços para equipes semiamadoras como o Roma de Apucarana), ou as invencionices do técnico, o problema atleticano é psicológico. O clube segue rachado. Maior orçamento da Série B, o Furacão passa longe de fazer jus ao apelido.

Em campo, um time que não tem laterais, tem apenas um zagueiro, um volante e um meia já em idade avançada, repatriou eternas promessas e fez apostas duvidosas em reforços. Um time barato, mas ineficaz. E acredito que seis meses depois da posse da nova gestão, já se possa fazer essa avaliação. E aqui entramos no real problema do Atlético, que tem recursos para buscar as soluções no gramado: a política. Criticar as escolhas da atual gestão não significa esconder o que foi mal feito no passado. Ao contrário: o passado, passou.

O Atlético hoje se escora nos erros de uma gestão infeliz em 2011 e na revolução de 1995, como se isso bastasse para que o time vencesse times de poder de fogo muito menor, como Boa Esporte e CRB. O passado vitorioso não garante um futuro vencedor, nem a canonização de quem o fez. A diretoria atual vive um estado de negação. Um distúrbio psicológico que impede os gestores de assumirem escolhas erradas e mudarem o rumo das coisas. Quem critica, é contra, é “talibã”, é adversário.

Pior do que a negação é a ausência total de compromisso com a transparência no encaminhamento do projeto de futebol do clube. A gestão de futebol jamais veio a público explicar como o Atlético retornará à elite nacional, critérios de contratação e dispensa, padrão de jogo e tudo mais; limitam-se a dizer o óbvio: o projeto é subir. Em uma das poucas aparições públicas, o diretor de futebol atleticano se mostrou indiferente às cobranças de alguns torcedores. Ao que parece, a cúpula rubro-negra vive em um mundo maravilhoso, onde em breve, mesmo sem reforços, esse time jogará como nunca e ascenderá à elite sem dificuldades. E quando isso acontecer, ai dos “detratores”. Nesse racha, nesse cenário, o Atlético está andando para trás.

Foi então que um dos colegas soltou um “que pena” e voltou a falar de Corinthians x Santos. Sequer pude condená-lo. Mas, como disse no videocast, ao menos o Coritiba terá uma chance, depois de amanhã, de tentar mudar um pouco essa história.

Videocast #003 – Brasileirão, Copa do Brasil, mando do Atlético e muito mais…

Dando continuidade ao projeto, gravação 003 já está no ar! Com Brasileirão, Copa do Brasil, mando de jogo do Atlético, Babi, covers perfeitos e muito mais! Não deixe de participar enviando suas críticas, sugestões e comentários em geral. E, claro, não deixe de compartilhar com os amigos!

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 02/05/2012

A rivalidade

O Atlético reencontra o Cruzeiro hoje, na Copa do Brasil, quase cinco meses depois de ser rebaixado na Série A do Brasileiro em disputa direta com os mineiros. Historicamente aliados – inclusive com torcidas organizadas amigas – os dois clubes vivem um momento conturbado na relação. O Furacão foi prejudicado por um erro de arbitragem no jogo entre as equipes em Minas (1-1) quando teve um gol anulado que poderia livrá-lo da queda. Após fracassar por conta própria e perder para o América-MG (que recebeu incentivo financeiro do Cruzeiro e da FMF para vencer por 2-1) ainda viu a vitória no Atletiba 348 (1-0) não adiantar nada, já que o Cruzeiro venceu o clássico mineiro por 6-1 sobre o Galo, até então a melhor defesa do 2º turno. O jogo criou uma aura suspeita, nunca apurada, de que houve manipulação de resultados. A começar pelo fato de os clubes terem o mesmo patrocinador, que detém o direito de mais de 13 jogadores de ambos os times. Na internet, a torcida atleticana lançou campanha pela “honra” do clube nessa eliminatória. O jogo promete.

O procurador

O site oficial do Atlético trouxe a informação de que o procurador do TJD-PR Glaucio Josafat Bordun, que denunciou cinco jogadores do clube por confusão no Atletiba 350, seria sócio do Coritiba, quase que atribuindo a denuncia a esse fato. Ora, caso típico de clubismo exacerbado, como se o restante dos membros do TJD não tivessem também seus clubes do coração. O advogado do Atlético no caso (que consta em súmula feita pelo árbitro Antônio Denival de Moraes), Domingos Moro, é conselheiro vitalício do Coritiba. E aí? A ação dele muda nesse caso? Não. Há que se confiar no caráter e na qualidade profissional das pessoas. O procurador está no papel ao denunciar os jogadores, o que nem de longe significa puni-los: isso caberá aos auditores. Que também têm seus times.

Reforços

Finalistas do Paranaense, Atlético e Coritiba começam a se mexer para as Séries A e B do Brasileiro. O Coxa já apresentou o volante Sérgio Manoel, ex-Mirassol-SP. Também deve trazer outros dois volantes: França, do Noroeste-SP e Chico, do Palmeiras, ex-Atlético. O elenco alviverde tem hoje nada menos que sete volantes; quem sai? Precisava de outros? Já o Atlético deve apresentar nessa semana o atacante Fernandão, ex-Palmeiras, 25 anos, típico jogador de área. E ainda pode trazer o zagueiro Diego Sacoman, que está na Ponte Preta, mas pertence ao Corinthians.

Maratona

A coluna foi finalizada antes da estréia do Paraná na Série Prata, ontem à tarde. O primeiro jogo dos três jogos até domingo. Haja fôlego!

Nova tabela da Série Prata: “Eu que tenho que aguentar”, diz diretor da FPF

Stival sobre a nova tabela, ainda à perigo: "É um risco"

A FPF teve que mexer pela terceira vez na tabela da Série Prata/2a divisão Estadual 2012, como antecipamos na tabela comentada, caso o Paraná eliminasse o Ceará pela Copa do Brasil – o que aconteceu.

A má notícia é que se o Paraná eliminar o Palmeiras e seguir na Copa do Brasil, a tabela terá que sofrer novas adaptações. A boa notícia é que… bem, não há uma boa notícia. Serão jogos em cima de jogos, como por exemplo os confrontos contra os Grêmios maringaenses (Maringá e Metropolitano) em 48h nos dias 12 e 14 de maio.

O Tricolor voltará a campo pela Série Prara em 16/05, mas se eliminar o Palmeiras, tem jogo nessa data pelas quartas da Copa do Brasil. Então, sem analisar novamente a possível (hoje única referência) sequência de jogos, sugiro que você visite o link com a tabela completa e se sinta um pouco na pela de Amilton Stival, vice-presidente da FPF, que quebrou a cuca para montá-la. E desabafou em entrevista por telefone:

Napoleão de Almeida: Foi difícil ter que mexer na tabela mais uma vez?

Amilton Stival: Nossa senhora! Quando você ver a tabela, vai ver o trabalho que deu. Jogos terça, quinta, sexta… fizemos o que deu.

NA – Teve que costurar com os times de novo?

AS – Se for costurar, não sai. Tivemos que fazer assim e usar a prerrogativa da Federação. Conseguimos fazer tudo dentro do prazo das horas [de intervalo necessárias entre um jogo e outro]… quer dizer, tem um pouco pra cima, tem um pouco pra baixo, nada muito a ferro e fogo senão não dava.

NA – Foi pensado no caso de o Paraná avançar mais uma fase na competição?

AS – Olha… eu tenho datas lá pra frente, se for o caso… cada vez que o Paraná passar, e é bom que ele passe, porque aumenta o ranking e dizer que a FPF torce contra é a maior besteira que alguém pode falar… bem, como o calendário da segunda divisão é de maio a agosto, a ultima rodada está planejada para 14/07. Ainda tem mais um mês, isso se o Paraná conquistar o título direto. Se não, se tiver semifinais, vamos ter que remanejar. É um risco.

NA – Sendo sincero: olhando todo esse rolo, se você pudesse voltar no tempo e antecipar a competição…

AS – Aí é o que você me perguntou sobre costurar com os outros clubes. Eu tinha a resposta dos clubes que eles não quiseram antecipar, bateram o pé, alguns deles pelo menos. E os que não quiseram não vão poder reclamar. Vai ter que pagar lá na frente mais salários, vai esticando o calendário. Às vezes, tem dirigente de clube que só vê o momento e acha que tá certo. Tem que olhar além da ponta do nariz.

NA – Mas a FPF não podia ter forçado mais pra antecipar?

AS – Nós agimos democraticamente. Não dá pra ser uma ditadura. Claro que se chega num extremo, a FPF tem o voto minerva. Como no arbitral, que uns queriam começar dia 01 de maio, outros dia 15 e eu decidi então por 1ro de maio. Mas antecipar não. Agora, que eu não tenho essa prerrogativa da decisão, eu tenho que agüentar.

Mercado & torcidas, parte II: a saída paranaense

Dando sequência ao estudo divulgado pela Pluri Consultoria com relação ao tamanho e ao potencial das torcidas no Brasil (as 30 maiores), a segunda parte aborda a força de consumo de cada uma. E aqui aparecem boas novas aos clubes paranaenses, em especial o trio da capital, presente entre as citadas.

Mesmo com mais da metade da população torcedora do Paraná preferindo clubes de outros estados, Atlético, Coritiba e Paraná Clube crescem na relação tamanho/renda per capita. Com base na pesquisa de opinião feita pela consultoria em janeiro deste ano (clique aqui para ler mais) cruzando dados com as informações do IBGE, a dupla Atletiba atinge quase R$ 1 bilhão mensal de perspectiva de renda entre seus torcedores. O Paraná Clube vê sua torcida com quase 250 milhões de renda por mês, a frente de clubes de São Paulo como Guarani, Ponte Preta e Portuguesa. Neste ponto, o Corinthians torna-se o clube com maior renda per capita, ultrapassando o Flamengo, mesmo com maior torcida. Explica-se: São Paulo tem o maior PIB do Brasil. Confira os números:

A conclusão do estudo é boa para os paranaenses. Tendo por base a concentração de torcedores dentro de seu próprio estado e o acesso dos mesmos aos produtos que o clube oferece (planos de sócios, camisas, souvenires) o potencial de gasto de um torcedor nisso está intimamente ligado ao fato de ele viver na sede do mesmo.

É simples e explica os grandes parques associativos paranaenses: o coxa-branca ou o atleticano, entre os cinco maiores volumes de sócios do País (atrás de Inter, Grêmio e São Paulo) tem acesso ao estádio em maior número do que o flamenguista residente em Manaus. Cerca de 65% da torcida do Flamengo está fora do Rio, enquanto apenas 6% da torcida do Coritiba não é paranaense –  no Atlético, o número sobe para 9%.

Trazendo o Paraná Clube para a análise (100% dos torcedores dentro do Estado), percebe-se que se o volume dos torcedores paranaenses no todo é diminuto entre a população local, ao menos os que escolhem torcer para os times da terra são mais participativos. Resta aos clubes trabalhar melhor ações junto a esse público, para rentabilizar mais. Isso passa por respeito ao quadro associativo, atendendo a necessidades básicas do consumidor pagante, até pesquisas de opinião sobre esse ou aquele produto a ser lançado. Os clubes locais têm feito isso? Reflita.

Se há a vantagem da maior exposição dos gigantes brasileiros, estes também sofrem em maior número com a pirataria. O estudo indica que Flamengo e Corinthians, por terem torcedores em sua maioria distantes da sede, adquirem produtos piratas com maior índice do que os que estão próximos a base do clube do coração. Por outro lado, Atlético, Coritiba e Paraná já convivem com a “ameaça corintiana” (rótulo simbólico e extensivo a outros gigantes com a mesma característica) ao verem lojas como a “Poderoso Timão” se instalarem em shoppings da cidade. E ainda há a concorrência indireta, cada vez maior, de clubes como Barcelona, Milan e Manchester United.

O estudo ainda aprofunda os dados, trazendo mais boas novidades aos paranaenses, com os três presentes entre os 11 clubes com torcedores mais ricos do país – logo, com mais recursos a investir na paixão. Novamente, a base é o IBGE x pesquisa de opinião, chegando a renda média mensal de cada torcedor. Confira:

Aqui, tratando-se somente dos paranaenses, empate técnico: do Paraná Clube, que tem a menor média mensal de renda entre torcedores, para o Atlético, a maior, são apenas R$ 11 a menos. Considerando as capacidades de cada estádio da capital e o volume de torcedores apontado pela pesquisa para os três, chega-se a conclusão que é possível que cada clube tenha sua capacidade associativa esgotada. Vejamos:

– Considerando que o plano associativo do Paraná Clube custa R$ 40/mês para ver jogos na arquibancada (cerca de 5% da renda média mensal)

– Que o valor padrão no Coritiba é de R$ 60/mês para ver jogos na arquibancada (cerca de 8% da renda média mensal)

– Que o valor no Atlético é de R$ 70/mês para qualquer setor na Arena (aproximadamente 10% da renda média mensal)

E que nenhum dos três clubes tem mais do que 10% da capacidade máxima da sua torcida em área aproveitável no estádio, é possível que, convencendo menos de 10% da torcida de cada clube, se garanta uma arrecadação mensal proporcionalmente maior (quiça igual) a de Flamengo ou Corinthians.

A pesquisa chama ainda a atenção para a alta concentração de renda dos clubes catarinenses, da região de Campinas-SP (cerca de R$ 5 milhões de habitantes em um pólo produtivo paulista) e dos dois grandes gaúchos, virtualmente os maiores clubes do país em potencial de arrecadação e domínio territorial.

A saída competitiva para os paranaenses está aqui. Mas, pode ter mais boas notícias.

Amanhã, a Pluri Consultoria irá divulgar a última parte do estudo, sobre o potencial de consumo de cada torcida – especificando quem efetivamente gasta mais em seu clube atualmente. Aguardemos.