Mercado & torcidas, parte I: ainda há muito a fazer

A Pluri Consultoria, empresa curitibana de marketing, gestão e negócios em esportes, divulgou ontem um relatório feito a partir de uma pesquisa de janeiro deste ano, em 144 cidades do Brasil, com 10.545 pessoas, para mensurar o tamanho do potencial consumidor das torcidas no País. A margem de erro é de 2,4%.

A pesquisa logicamente também dá uma dimensão do tamanho das mesmas.

Olhando para o nosso quintal, diante apenas do primeiro relatório (outros dois serão divulgados nos próximos dias e terão análise aqui no blog) ainda há muito a se fazer. A tabela a seguir apresenta os números brutos da pesquisa:

Os números são próximos da última pesquisa divulgada, ainda em 2008, pela Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo. Mas não são o foco da discussão: há algo que deve ser olhado com mais atenção pelos clubes paranaenses em relação ao nosso mercado.

O primeiro susto também deve ser encarado como uma oportunidade: dos 10 estados mais ricos da federação (SP, MG, RJ, RS, PR, GO, BA, PE, SC e CE) o Paraná é o que apresenta o menor número de pessoas que gostam de futebol:

Nada menos que 1/3 da população paranaense não se importa com o esporte mais popular do País. Para entender porque o Rio Grande do Sul, cuja capital hoje é menor que Curitiba, tem mais força no cenário nacional esportivo, é fácil: 90% dos gaúchos gostam de futebol. Até mesmo Goiás e Ceará, estados que nunca viram seus clubes vencerem nenhum campeonato nacional da primeira divisão, tem melhor índice que o Paraná.

Mas há algo ainda mais preocupante: dos 67% dos paranaenses que gostam de futebol, a maioria gosta dos clubes de fora.

Nada menos que 64,4% dos paranaenses apoiam uma equipe de fora do Paraná como clube do coração. O Paraná fica apenas à frente de Ceará e Santa Catarina no quesito. Novamente, vale o comparativo com os vizinhos gaúchos: apenas 2,8% dos residentes no Rio Grande do Sul torcem para outra equipe que não seja gaúcha. Isso demonstra o potencial mercadológico que as marcas têm em apostar no mercado local. A já citada pesquisa Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo de 2008, uma das mais completas feitas por aqui já apontava o Corinthians como maior torcida do Paraná, com 12,45%, a frente do Atlético, segundo colocado, com 9,56% .

Para os paranaenses, a pesquisa serve como alerta. Se os clubes do Estado estão distantes ainda de paulistas e cariocas, é necessário mirar em cima e tentar se aproximar de gaúchos e mineiros. O Paraná é o quinto estado no ranking da CBF, logo a frente de Pernambuco e Bahia. É evidente a necessidade de boas campanhas dentro e fora de campo para fazer com que os paranaenses que não gostam de futebol passem a gostar; e os que adotaram um time de fora, criem simpatia aos locais.

O relatório traz outro estudo interessante: a penetração dos clubes em outras praças:

Dos paranaenses, o Atlético é o clube que tem mais torcida em outros estados: 9% do seu contingente. É um número considerado razoável se comparado com outros concorrentes diretos; dentro do eixo, o Atlético-MG é o clube que tem o menor índice fora de seus domínios, o mesmo do xará paranaense. O Furacão ainda comove mais pessoas fora de sua terra do que Bahia, Sport, Vitória e Santa Cruz.

O Coritiba aparece com 6% de sua massa espalhada em outros estados brasileiros. É metade do índice do Cruzeiro longe de Minas Gerais, mas também é mais do que conseguem os times de Bahia e Pernambuco. Já o Paraná Clube tem toda a sua torcida estimada no próprio estado.

Talvez pela característica migratória do seu povo, talvez pelas conquistas e feitos das suas equipes, os gaúchos Internacional e Grêmio são bem representados longe do Rio Grande do Sul (onde, como visto acima, dividem cerca de 98% da população entre si e outros menores da terra, como Caxias, Juventude, Brasil de Pelotas, etc.). O Grêmio tem 27% de seus simpatizantes fora do RS, enquanto que o Colorado conta com 24%.

Mas nem tudo é tão ruim para os paranaenses: Coritiba e Atlético, pela ordem de tamanho, estão entre os maiores parques associativos do Brasil (19 e 17 mil sócios, aproximadamente, segundo as assessorias).

Amanhã, a Pluri Consultoria divulgará a segunda parte do estudo, com dados sobre a estimativa de renda de cada uma das 30 torcidas citadas no relatório. O blog trará nova análise.

Abrindo o Jogo – coluna no Jornal Metro Curitiba de 14/03/2012

Muda o que?

A saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF não deve mudar em muita coisa o futebol brasileiro. Afinal, o sistema continua o mesmo. Até a diretoria segue intocada, agora sob a tutela de José Maria Marin. Resta saber se ele também vai acumular, como fazia Teixeira, a coordenação do COL (Comitê Organizacional Local) da Copa 2014 – o que é pouco provável. Ronaldo é forte candidato a tal. E resta também saber se Teixeira saiu estrategicamente ou está mesmo com dificuldades de saúde.

E por aqui?

“Vai ficar melhor a relação. Ele [Teixeira] já não recebia mais ninguém”, disse Hélio Cury, presidente da FPF, que esteve no Rio e em São Paulo nos últimos dias. Cury foi ver a cerimônia que apresentou a renúncia de Teixeira (sem a presença do mesmo) e também articular com os presidentes da Federação Paulista e Gaúcha, entre outras, eleições antecipadas – estão marcadas para 2015. Mas mudou de idéia. “É melhor não mexer nisso agora, as coisas estão andando, falta pouco para a Copa”, contou.

Resultado duvidoso

“O atraso na decisão tem efeitos comprometidos e o sistema de sucessão é preocupante. A estrutura está arquitetada para não mudar. E tivemos quase 10 anos de impunidade. É importante o governo influir na indicação do coordenador do comitê da Copa, afinal, a maior parte é com dinheiro público.” As frases fazem parte do discurso do senador paranaense Álvaro Dias, um dos principais opositores de Teixeira na CBF. Dias comandou a CPI do Futebol entre 2000 e 2001, com acusações de recebimento de propina, evasão de divisas e lavagem de dinheiro contra Teixeira. Mas apenas após uma série de reportagens da BBC de Londres, com eco na imprensa e no governo brasileiro, Teixeira começou a se sentir pressionado.

Coritiba: mudança na base

O Coritiba perderá o técnico Marquinhos Santos, das categorias de base, para a Seleção Brasileira. Só falta assinar a rescisão, o que deve acontecer até o final de semana. A saída de Marquinhos Santos é um pedido da CBF, que quer dedicação exclusiva à categoria sub-15; no Coxa, Santos dirigiu as equipes sub-20 nos últimos três anos. Quem deve assumir a vaga em definitivo é Zé Carlos, que dirigiu a equipe sub-18 na última Copa São Paulo, chegando nas semifinais.

Paraná: mudança na base

O Paraná Clube, irritado com a gestão da empresa BASE (Bom Atleta Sociedade Empresarial) nas categorias de base do clube, deu grande passo para voltar a ter autonomia financeira: rompeu ontem o contrato que tinha com a empresa. A BASE ficava com 50% dos valores das revelações paranistas e em contrapartida ajudou a construir o CT Ninho da Gralha e teria de remunerar os funcionários do local. No último final de semana, os funcionários entraram em greve reclamando de salários atrasados. O presidente Rubens Bohlen assinou a rescisão do contrato e o clube reassumirá as categorias integralmente.

Teixeira fora da CBF: relembre a relação com o futebol paranaense

Teixeira em 1989: 23 anos até sair do cargo

Ricardo Teixeira deixou a CBF. O que parecia impossível aconteceu nessa segunda, 12 de março de 2012. Foram 23 anos a frente da entidade. alguns escândalos, como o da alfândega na Copa 94, CPIs e milhares de denúncias; Teixeira também foi o presidente das viradas de mesa, em 1993 pelo Grêmio, em 1997 pelo Fluminense e em 2000, pelo Botafogo.

Sem contar o canetaço histórico no Coritiba em 1989, rebaixando o clube que levou WO por não jogar em Juiz de Fora contra o Santos, mesmo amparado por uma liminar (o América-MG também sofreu represália, ainda pior, em 1993). Na época, Coritiba e Vasco disputavam uma vaga na segunda fase da competição. O Coxa estava praticamente classificado.

Diretoria do Coxa de 2008 recebe Teixeira: agraciado

Em 4 de outubro daquele ano, o goleiro Rafael Cammarota, campeão brasileiro pelo clube, defendia o Sport Recife. Um torcedor coxa-branca invadiu o gramado para agredi-lo, o que fez com que o Coxa perdesse um mando de campo. A CBF então marcou o jogo da punição, contra o Santos, para Juiz de Fora-MG, em horário diferente da partida entre Sport x Vasco, concorrente direto. O Alviverde conseguiu uma liminar exigindo que os jogos fossem no mesmo horário, o que não foi acatado pela CBF. Então, em uma decisão de diretoria, o Coritiba não viaja a Minas Gerais e perde por WO. A CBF cassa a liminar e rebaixa o clube para a Série B. O Coxa chegou a cair para a Série C em 1990, mas não disputou, com a divisão sendo extinta. Voltou a elite em 1996, após o vice da Série B de 1995.

Teixeira, Requião e Mário Petraglia: política e sorrisos

Teixeira prejudicou o Atlético em 1993, retirando o Furacão do grupo principal em que estava em 1992 e relegando-o a um grupo secundário, praticamente rebaixando o clube. Em 92, o Rubro-Negro terminou a Série A em 15º lugar entre 20 clubes, longe da zona do rebaixamento. O Grêmio então estava na Série B e não conseguiu acesso. A CBF mudou o campeonato em 1993, guindando 12 clubes para a elite – entre eles o Grêmio. O campeonato foi dividido em quatro grupos: A e B, com proteção contra o rebaixamento, e C e D, no qual apenas 8 clubes permaneceriam na elite. O Atlético, dono da vaga na Série A, foi colocado no Grupo D, perdendo o privilégio adquirido em campo. O Grêmio participou do Grupo B, blindado contra a queda. O Furacão acabou a competição na 24ª posição (dentro dos 24 melhores) mas foi rebaixado mesmo com mais pontuação que Fluminense (28º), Bahia (30º), Botafogo (31º) e Atlético-MG (32º). Voltaria a Série A em 1996, como campeão da B-95.

Também em 1993, o Paraná, então campeão da Série B 92, se viu obrigado a disputar a elite no grupo desprotegido, mas garantiu novamente sua vaga, acabando em 10o no geral.

Mas em 2000 Teixeira prejudicou o Paraná Clube indiretamente, ao abrir mão do Brasileirão que se tornou Copa João Havelange e que teve organização do Clube dos 13, com o Tricolor em um grupo secundário, mesmo estando no principal em 1999. Na ocasião, a CBF instituiu que o rebaixamento viria da média dos dois últimos anos de campeonato (pontos somados e divididos por 2, entre 98 e 99, numa cópia do modelo argentino). O Paraná acabou a competição em 17º de 22 clubes, mas a CBF e o STJD julgaram que o São Paulo utilizou irregularmente o atacante Sandro Hiroshi na vitória por 6-1 sobre o Botafogo-RJ. O time carioca então somou três pontos e escapou.

Só que o Gama, outro atingido pela decisão de ser usada a média, entrou na Justiça Comum e conseguiu fazer valer o regulamento antigo. Sem abrir mão da decisão desportiva, a CBF se viu obrigada a não rebaixar o Botafogo mas arrumar uma vaga para o Gama na elite. Então, abriu mão da organização da competição em 2000, que ficou no colo do Clube dos 13. O C13 criou a Copa João Havelange, dividindo a competição em 4 módulos que teriam cruzamento nas finais. No módulo principal estavam 29 times, entre eles Fluminense (que em 1999 venceu a Série C e estaria na B, mas foi guindado a elite) e Bahia, que estava na B. O Paraná ficou fora deste grupo e teve que disputar a segunda classe. Mas venceu o torneio e chegou até a fase de quartas de final, quando perdeu para o Vasco, futuro campeão. Assim, a CBF impôs ao Tricolor a proeza de jogar duas divisões na mesma temporada.

Teixeira negociou os direitos dos jogos da Seleção Brasileira, deixando o povo distante do antigo orgulho nacional. Assinou contratos milionários com um fornecedor de material esportivo que nunca deixou a impressão de valorizar a marca da Seleção individualmente.

Mas, admitamos, Ricardo Teixeira teve suas contribuições. Com ele, o Brasil foi bicampeão mundial, vencendo as Copas de 1994 e 2002, também ganhou cinco copas América e três copas das Confederações. Reorganizou o Campeonato Brasileiro de 2003 para frente, consolidando o formato de pontos corridos. Deixa a CBF alegando problemas de saúde.

Teixeira e Hélio Cury: hoje em lados opostos, mas modelo copiado

A grande pergunta que fica é: o que muda de fato? A substituição de Teixeira por José Maria Marin trará novos ares ao futebol nacional? Evidente que não. O ciclo continua. As diretorias estão mantidas. A Federação Paranaense de Futebol se posicionou como opositora a Ricardo Teixeira desde o surgimento de que o ex-presidente da CBF iria se afastar. Só que Hélio Cury, que entrou na FPF como interventor, acabou eleito e prorrogou seu mandato para até depois da Copa 2014, num modelo similar ao que manteve Ricardo Teixeira 23 anos no poder.

É cedo para afirmar se a saída de Ricardo Teixeira será mesmo um benefício ao futebol brasileiro ou só mais um artifício, ainda coberto de mistério, para que a pessoa se afaste no momento oportuno, antes de um tombo maior.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 07/03/2012

Sonho renovado

O sonho dos times paranaenses em alcançar a Libertadores e faturar mais um título nacional se renova hoje, quando Atlético, Paraná e Operário entram em campo; em sete dias será a vez do Coritiba, atual vice-campeão. Do trio da capital, o Coxa é quem tem o desafio mais “fácil” – se é que algum pode ser qualificado assim: o Nacional-AM, que andou sumido no cenário nacional. O Atlético encara o líder do Maranhão no momento, o Sampaio Corrêa – leve favoritismo rubro-negro. E o Paraná pega o Luverdense-MT. O Tricolor fará seu primeiro jogo oficial no ano e é um mistério. Já o vizinho Operário recebe em Ponta Grossa o tradicional Juventude-RS, na série mais complicada.

Atalho mesmo. Mas com espinhos

A Copa do Brasil é o atalho para a Libertadores. Isso porque um clube pode ser campeão nacional com apenas 10 jogos – no Brasileiro, são 38. Em 2011, o Coxa bateu na trave: pelo critério de gols marcados fora de casa, deixou a taça nas mãos do Vasco. O Atlético parou no mesmo adversário, antes das semifinais. Nesse ano, a chave do Furacão é mais complicada que a do Coxa. Nela estão Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras, além de Paraná e Operário; já o Alviverde tem um caminho mais livre: seu primeiro grande confronto pode acontecer somente nas quartas, contra o Sport Recife. Deste lado ainda estão os tradicionais Botafogo, Atlético-MG e São Paulo.

O melhor do Brasil

Na contramão das críticas da torcida do Coritiba, o técnico Marcelo Oliveira foi indicado pelo IFCStat, da Holanda, como o 14º técnico do Mundo no momento e o principal no Brasil. Os números levam em consideração as últimas 52 semanas de trabalho. Está à frente de Muricy Ramalho e Tite e atrás de Pep Guardiola e José Mourinho, os líderes.

O melhor do Brasil II

“Não quero ser arrogante, mas pelo que vi nos Estaduais por aí, o nosso time é o melhor, jogando com velocidade e na vertical.” Este é Juan Ramón Carrasco, técnico do Atlético, valorizando o elenco. Uma coisa é fato: o time ganhou personalidade com ele.

Quer ajudar demais, atrapalha

O Coritiba bloqueou o acesso livre do público ao Twitter do clube nesta terça. O motivo? Um torcedor, na ânsia de tornar o endereço @coritiba mais popular, o cadastrou num sistema de spam. Ninguém na assessoria do clube aguentou a quantidade de propagandas que o Twitter oficial recebeu. O clube já está removendo os spams.

Fifa vista Arena amanhã

A Fifa fará nova visita à Arena amanhã, de inspeção do andamento das obras. Questionado sobre o objetivo de mais uma verificação, o gestor do Mundial em Curitiba demonstrou irritação com as freqüentes cobranças da entidade: “Estamos supertranquilos, não temos preocupação,” disse Luiz de Carvalho. Sobre as desapropriações no entorno do estádio, feitas por governo e prefeitura, Carvalho declarou: “A maioria dos proprietários já concordou de forma amigável. Alguns estão em inventário.” Carvalho está desde o começo no processo da Copa 2014 em Curitiba, mas, como o cargo é político, pode deixar de ser referência se o atual prefeito e empregador, Luciano Ducci, não for reeleito no fim do ano. Seria mais uma mudança no tabuleiro do Mundial, que já viu peças importantes, como o ex-vice-governador Orlando Pessuti, saírem de cena.

Nota explicativa: episódio Alex Brasil

A intenção deste post é dar uma satisfação aos torcedores do Paraná Clube sobre o episódio envolvendo o repórter Diego Sarza, que presta serviços ao programa Jogo Aberto Paraná, do qual sou editor chefe, e o gerente de futebol do Paraná Clube, Alex Brasil. E é por ser editor chefe do programa e ter um nome no mercado que me manifesto aqui, como jornalista e pessoa, respondendo tão somente pela minha opinião, nesse espaço pessoal.

Na última segunda-feira (27/02) Diego veiculou, via Twitter, a informação de que Alex Brasil estaria deixando o Tricolor. Alex negou a informação e como é de conhecimento de todos, segue trabalhando no clube.

O que poderia ser uma barrigada – erro jornalístico quando o repórter passa informação errada – transformou-se em um grande problema pela origem da notícia: um funcionário da assessoria de imprensa do próprio clube, cujo nome irei preservar. O Paraná Clube está ciente dessa informação e havia prometido uma nota reparatória para ontem, mas não o fez ainda.

A reparação se deve em função da atribuição infeliz de que Diego Sarza teria divulgado a notícia “por falta de responsabilidade com a informação.” Sem dúvida, é princípio básico do jornalismo a responsabilidade com a informação e é por confiar no trabalho de um funcionário da assessoria de imprensa do próprio clube que Sarza divulgou.

Logo, se alguém “plantou” ou teve irresponsabilidade com a informação, foi o funcionário sob a tutela do Paraná, que induziu Sarza a crer que esta era verídica. Em uma longa conversa com Vladimir Carvalho, descobri que o funcionário em questão é um estagiário do clube e que o próprio havia confessado o equívoco ao passar a informação para o repórter. Vladimir me disse ainda que a situação interna já está sob controle e que iria tornar público o equívoco que partiu de um colaborador do departamento. Vale dizer que a maneira com qual a pessoa em questão exerce a função no clube não é pública e é de controle administrativo do setor. O funcionário por várias vezes confirmou coletivas e contratações, sempre com assertividade. Lamentavelmente, acabou-se criando essa confusão.

Ressalto ainda que perguntei por diversas vezes a Alex Brasil e a Paulo César Silva sobre a existência da reunião demissionária e que ambos negaram insistentemente, deixando-me convencido e crente na palavra dos interessados diretos.

Sarza conversou pessoalmente com o assessor paranista e, posteriormente, o fez pela internet. Sarza tem o trecho salvo e “printado” para ter um salva-guardo que confirme que o prestador de serviço ao Paraná afirmou que Alex Brasil deixaria o clube, induzindo Sarza a dar a notícia. Evidentemente, isso é para consumo interno.

O Paraná Clube, repito, está ciente de toda essa situação. Desconheço a razão pela qual o departamento de comunicação do clube ainda não publicou a nota combinada, mas esse gerenciamento agora passa a ser exclusivamente do clube. Entre a produção de conteúdo do Jogo Aberto Paraná e seu repórter, Diego Sarza, e o clube, está tudo certo – a exceção da nota combinada.

Diego fez o mea-culpa dele anteriormente e também internamente, cobrado por mim, como editor, mesmo que induzido ao erro. E o Jogo Aberto Paraná, programa que preza pela ética e democracia, entrevistou Alex Brasil no mesmo dia. Demos espaço para que ele falasse sobre o tema abertamente e mais: tratamos o conteúdo como deve ser, de maneira objetiva e pautado pelo interesse do torcedor. Acompanhe:

Também ressalto que todos erram em algum momento da vida. O colaborador em questão não merece ser caçado nem crucificado. É jovem e, como todos nós enquanto vivos, está aprendendo. É por isso que eu jamais abrirei o nome.

O texto deste post vem em respeito à torcida do Paraná e como princípio básico da ética jornalística. Infelizmente, nem todos agem assim. Mesmo sem saber da história, houve quem tripudiasse oportunamente em cima do nome do jovem repórter Sarza, que jamais teve, como nenhum membro da equipe do programa, intenção alguma de desestabilizar o trabalho de Alex Brasil.

Julgaram o caráter sem conhecer a história; houve quem chegou a dar “aulas de jornalismo” em rede aberta, citando o nome do repórter, mesmo sem nunca ter sentado em uma cadeira de faculdade. Desnecessário: tema que interessava era: Alex fica ou sai? E, quando da revelação dos porquês, não houve o mesmo empenho em explicar. É a guerra pela audiência, o circo a que você, telespectador, está submetido. Nós, no Jogo Aberto Paraná, não damos show: fazemos jornalismo sério. É irreverência e bom humor, mas nunca “jornalismo Bozo.” Mas cada um dorme com a sua consciência.

Por isso, cuidado com o que pretendem atribuir e propagar. Você, torcedor, pode estar sendo usado para garantir audiência. A verdade é essa. E a página está virada, porque nós queremos é tratar de assunto sério, que ajude no crescimento do futebol do Estado.

Tabela comentada e Guia da Segunda Divisão do Paranaense

Deu discussão, polêmica, disputa política, desistências no meio do caminho e tudo o mais, mas não teve jeito: a FPF confirmou a Segunda Divisão do Paranaense para maio e hoje soltou a tabela. É o caminho que o Paraná Clube terá que fazer para voltar à elite estadual. E prepare-se: as confusões seguirão. A tabela tem conflito de datas com a Série B nacional e o Tricolor já anunciou que deve recorrer, ao lado do Sindicato dos Atletas Profissionais, para não entrar em campo em menos de 66 horas quando as partidas tiverem até 150km de distância entre as sedes e 72h para as demais. Rolo né?

Outrora chamada de Série Prata (a mudança para Segunda Divisão aconteceu em 2009), a competição tem o regulamento parecido com o da primeira: turno e returno com campeões indo à final; se for o mesmo time, game over: é o campeão direto.

Mas o regulamento tem uma armadilha a mais: os campeões de cada turno terão a companhia do 3o e 4o colocados na soma dos turnos em uma semifinal olímpica: o 1o. pega o 4o. e o 2o enfrenta o 3o. A situação, digamos sui-generis, fez com que a última rodada do segundo turno do ano passado tivesse o seguinte quadro: se o Toledo perdesse para o Serrano na última rodada, estaria automaticamente classificado a primeira divisão; se ganhasse, precisaria disputar a semifinal.

O jogo deu empate enquanto o Londrina vencia o Foz por 3-1 e ficava com o título antecipado. Mas o Foz empatou em 3-3 e levou tudo para as semis. Aí Londrina e Toledo se garantiram na elite contra Nacional e Grêmio Metropolitano, que ganhou a vaga que seria do Foz na justiça.

Mas tá marcado e agora vamos dar um giro pelo Estado do Paraná, conhecer o vôo da Gralha:

01/05 – Paraná x Jr. Team – 1o turno
02 ou 03/06 – Jr. Team x Paraná – 2o turno

A primeira partida é em casa. O Tricolor recebe o Júnior Team na Vila Capanema. O Júnior Team Futebol é um antigo braço do Londrina: um grupo gestor passou a tocar a base do Tubarão e a nomeou de Londrina Jr. Team. O contrato foi desfeito e o clube seguiu sua vida, agora com categoria profissional. O Jr. Team manda seus jogos no Estádio do Café e pela estrutura, promete ser um dos mais difíceis adversários do Tricolor. Em 2011, foi o campeão da terceira divisão estadual.

05 ou 06/05 – Cascavel CR x Paraná – 1o turno
06 ou 07/06 – Paraná x Cascavel CR – 2o turno

Serão 503km até Cascavel para o segundo desafio: o Cascavel Clube Recreativo (cujo site não se atualiza desde 2010…) clube que foi rebaixado com o Paraná para a segundona local. Nos dois confrontos em 2011, duas vitórias paranistas: 2-0 na Vila e 2-1 em Cascavel. O Cascavel CR não é o mesmo que o FC Cascavel. O último pertence ao ex-lateral Belletti e desistiu de participar da competição. Os jogos da Cobra serão no Estádio Olímpico.

Em 1980 dois precursores das equipes dividiram o título do Estadual. Cascavel e Colorado decidiram o campeonato da primeira divisão, mas a partida acabou na confusão que a Gazeta do Povo relembrou nesse link.

09 ou 10/05 – Metropolitano x Paraná – 1o turno
09 ou 10/06 – Paraná x Metropolitano – 2o turno

Na terceira rodada de cada turno, o Paraná pega um dos Grêmios Maringá desse campeonato: o Metropolitano. Em 2011, o GMM ficou no quase no acesso. Mas em 2012 o clube, que não tem site oficial, já enfrenta problemas salariais, de acordo com o jornal O Diário. Pudera: se fazer futebol em Curitiba já é difícil com quatro clubes profissionais de (algum) porte, imagine em Maringá, com dois. Ao menos o Paraná jogará na mais paranaense cidade do norte, no estádio Willie Davids e em uma terra em que brotam belas mulheres e fica a 438km de Curitiba.

12 ou 13/05 – Paraná x Cincão EC – 1o turno
13 ou 14/06 – Cincão EC x Paraná – 2o turno

Mais uma partida contra uma equipe de Londrina: o Cincão Esporte Clube, clube fundado em 2010 e que já enfrentou o Valencia e o Levante, em um mini-torneio na Espanha, com times de base (o Santos esteve nessa também). O nome Cincão faz referência a região dos Cinco Conjuntos de Londrina, um bairro importante na capital do Café. O símbolo do clube tem alusão à bandeira da cidade, mas o clube tem mandado jogos em Rolândia, cidade vizinha. Pode incomodar.

16 ou 17/05 – Nacional x Paraná- 1o turno
16 ou 17/06 – Paraná x Nacional – 2o turno

Será o último jogo do Paraná antes da estreia na Série B nacional… contra o Nacional. O Nacional Atlético Clube é um dos mais tradicionais clubes do Estado (fundado em 1947) e que no ano passado quase conseguiu o acesso. Deve ser um dos postulantes a isto nessa temporada. Já venceu duas vezes a segundona local.

Um dos “pais” do Paraná, o Britânia, faz parte da história do NAC: o primeiro jogo oficial do time de Rolândia (398km de Curitiba) foi uma derrota por 6-0 para o clube que deu origem ao Colorado.

19 ou 20/05 – Paraná x Grecal – 1o turno
20 ou 21/06 – Grecal x Paraná – 2o turno

Prepare-se: a partir daqui, começarão os conflitos entre as tabelas da Série B e da 2a divisão local. A CBF programou a estréia da Série B para 19/05, um sábado. Portanto, todas as datas acima desta (mesmo as já citadas anteriormente) terão algum desencontro entre FPF e CBF. Como a Série B tem jogos terças, sextas e sábados, e é necessário um intervalo de 66h entre os jogos, será complicado precisar como e quando os jogos sairão.

Mas sairão. O Grecal (Grêmio Recreativo Esportivo Campo Largo) herdou a vaga do AGEX/Iguaçu e vai disputar o acesso pela primeira vez. E no segundo turno será a viagem mais curta: o Paraná visita o Grecal na capital da cerâmica, Campo Largo. São apenas 31km entre as cidades e quase não se vê estrada entre Curitiba e Campo Largo, com área praticamente urbanizada.

O estádio Atílio Gionédis não tem iluminação e é a casa do Grecal. O técnico do time de Campo Largo é Ricardo Pinto, ex-ídolo do Atlético e técnico que passou pelo Paraná na campanha desastrosa de 2011.

23 ou 24/05 – Grêmio Maringá x Paraná– 1o turno
23 ou 24/06 – Paraná x Grêmio Maringá – 2o turno

O Tricolor voltará a Maringá na 7a rodada do turno para pegar o time do folclórico Aurélio Almeida. O Grêmio de Esportes Maringá é o único time da segundona que tem títulos de primeira divisão, ao lado do Paraná: são três conquistas, todas há mais de 35 anos: 1962-63 e 1977. O Grêmio Maringá também foi o primeiro time paranaense a ser campeão brasileiro: em 1969 desbancou o Santos de Pelé no Torneio dos Campeões da CBD e seria o representante do País na Liberadores… se a CBD não desistisse de mandar times para a competição. Recentemente, na onda do reconhecimento dos títulos da Copa Brasil e Robertão, o GEM tentou também sua cartada, sem sucesso.

Mas esse passado é distante e o Grêmio só vai disputar a Segundona porque o FC Cascavel desistiu da disputa e abriu vaga ao time que estava na Terceirona. Aurélio Almeida não é bem visto entre os empresários da cidade e tenta manter o clube funcionando em uma nova empreitada, como já fez com Império do Futebol-Império Toledo e Real Brasil. Entre bazófias como trazer o Boca Juniors para um amistoso de pré-temporada e o passado glorioso o Grêmio, infelizmente, não deve disputar acesso.

26 ou 27/05 – Foz do Iguaçu x Paraná– 1o turno
27 ou 28/06 – Paraná x Foz do Iguaçu – 2o turno

A viagem mais longa: 643km para encarar o Foz, punido pelo TJD-PR no ano passado, no Estádio ABC. O Foz do Iguaçu Futebol Clube esteve a pique de subir para a elite, mas perdeu seis pontos pelo uso irregular do jogador Alisson. Com isso, não disputou as semifinais da Segundona 2011, mas deve vir forte para essa temporada.

30 ou 31/05 – Paraná x Serrano – 1o turno
30/06 ou 01/07 – Serrano x Paraná – 2o turno

Ufa! Com dois turnos espremidos em um mês cada, sem contar as possíveis transferências de datas em função da Série B, o Paraná encara o Serrano de Prudentópolis, 208km de Curitiba, a última rodada de cada fase. O Serrano Centro Sul-Esporte Clube não tem site oficial e tenta voltar ao rumo: em 2009 chegou a ser vice-campeão da Recopa Sul-Brasileira, perdendo a taça para o Joinville EC; mas no Estadual de 2010 perdeu a força e acabou rebaixado. Manda jogos no Estádio Newton Agibert, sem iluminação.

Alex Brasil segue no Paraná Clube

O gerente de futebol do Paraná, Alex Brasil, negou em entrevista a mim e ao repórter Diego Sarza que esteja de saída do clube.

A informação de uma possível saída de Alex foi apurada durante o início da noite de hoje, por Diego junto a uma fonte dentro do Paraná. Alex teria participado de uma reunião com a diretoria e poderia deixar o clube. Assim que soube da informação, entrei em contato com Alex e com Diego, que é repórter do Jogo Aberto Paraná, e conversamos sobre a situação. Transcrevo abaixo a resposta do gerente de futebol do Tricolor:

“Hoje não teve reunião nenhuma. Não houve nada. Tenho total autonomia no clube e não tenho problema nenhum financeiro. Eu optei pelo Paraná, porque tinha autonomia num clube europeu. É uma informação errada. Eu fui resolver problemas de atletas lá. Quem falou isso… é bom falar, isso não aconteceu. Não existe atraso de salário. Tenho autonomia. Não tem procedência.”

Alex Brasil estará amanhã, 12h30, no programa Jogo Aberto Paraná da Band, tratando da agenda do Paraná, do seu trabalho no clube e da sequência dele. Sem papas na língua e democraticamente, como é o estilo do programa.

Ressalte-se que Diego Sarza é um repórter honesto, dedicado, tem suas fontes e confiou na informação que lhe foi passada. Não tem o menor interesse em desestabilizar esse ou qualquer profissional de futebol; Diego quer é informar o torcedor. Erros podem acontecer com qualquer profissional, seja eu, Diego ou até o próprio Alex Brasil.

Ficamos portanto com a palavra oficial do gerente de futebol do Tricolor, que é o principal interessado no assunto.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 15/02/2012

O que vem por aí

Mário Celso Petraglia apresentou uma série de novidades ao conselho atleticano após a visita do Ministro do Esporte Aldo Rebello à Curitiba. Aos poucos o clube irá confirmar as informações via site oficial – Petraglia disse a amigos que não falará tão cedo com a imprensa – mas a coluna antecipa alguns bônus que a Copa está trazendo ao clube e à cidade. O primeiro deles é um projeto piloto de mini-usina solar na Arena, tendo a Copel e a Eletrobrás à frente, com o Atlético recebendo R$ 25 milhões para a execução. A energia a ser produzida suportará a demanda da Arena e o excedente será usado na região. A estimativa é que a produção chegue a 2,2 megawatts de potência. Petraglia ainda apresentou outras duas novidades: a rua Buenos Aires deixará de existir na frente da Arena, tornando-se um calçadão integrado com a praça Afonso Botelho, que será um centro de convivência da prefeitura. E o clube montará uma escola para crianças carentes na região do Umbará, próximo ao CT, em parceria com a prefeitura, que fornecerá a mão de obra.

 

Os ônus

A indefinição no estádio onde mandará os jogos – e também a queda para a Série B – já fez o Atlético perder cerca de 6% dos sócios, número considerado baixo pela atual gestão. No entanto, a forma de pagamento antecipado via cartão acaba impedindo maior inadimplência. O clube lançou campanha de marketing tentando fidelizar o torcedor e busca um acordo com o Paraná Clube para mandar jogos na Vila Capanema. Além disso, o Atlético afirma que já aplicou R$ 15 milhões na obra da Arena e irá financiar R$ 135 milhões junto ao BNDES contando com os títulos de potencial construtivo como garantia.

Aluga a Vila!

Tendo por base a necessidade atleticana e olhando também para seu próprio bolso, alguns funcionários do administrativo confidenciaram que torcem para que o Paraná Clube alugue a Vila Capanema para que o Atlético mande seus jogos ao menos até o final do estadual. Os salários de diversos colaboradores na área social do Tricolor estão atrasados; na última segunda, o clube acertou a dívida que tinha até o mês de novembro/11, mas já tem mais três meses a vencer. O Paraná pediu R$ 120 mil por jogo ao Atlético, que ofereceu R$ 30. Sai meio termo?

Nota: Durante a tarde desta quarta (15/02), a diretoria do Paraná entrou em contato com o blogueiro e garantiu que depois de acertar os salários dos colaboradores até novembro na segunda passada, ainda ontem pagou também os vencimentos de dezembro.O aluguel da Vila Capanema por 8 jogos também está praticamente certo, embora o clube não queira abrir o valor da locação – o que não resolverá muito, pois constará no borderô da primeira partida que o Atlético realizar na Vila.

Reforços gringos no Coxa?

Depende de um investidor o anuncio do acordo do Coritiba com o médio-volante Luís Enrique Cáceres, 23 anos, do Cerro Porteño. O valor de US$ 1,6 milhão para trazer o jogador está além do que o Coxa pretende investir. Cáceres e seus empresários quer abrir mercado no Brasil e ele foi oferecido ao Alviverde.Segundo o empresário Audinei Azevedo resta agora o aval de um grupo investidor que viabilizaria a vinda do jogador ao Coxa por pelo menos até o final da temporada. O clube não confirma o acerto, mas reconhece o interesse no jogador. O Coritiba também negou o boato que surgiu em Porto Alegre de que o atacanrte Ezequiel Miralles, ora no Grêmio, estaria acertado com o clube: “Não tem nosso perfil”, disse o superintendente Felipe Ximenes.

Só a Justiça pode antecipar a Série Prata

A Série Prata do Paranaense pode acabar na Justiça antes mesmo de começar. Isso porque o Paraná Clube está próximo de acertar com o advogado Domingos Moro, a fim de conseguir antecipar a competição, com base nas normas da CBF e da própria FPF (confira no link indicado mais abaixo).

Oito dos 10 clubes já pediram antecipação da competição (Jr. Team e Grêmio  Metropolitano não aderiram) mas não devem ser atendidos pela FPF. Procurei Amilton Stival, vice-presidente e diretor-técnico da FPF para entender o porquê da federação não rever a posição no caso, antes que ele pare na justiça.

Amilton Stival: "Se a lei determinar, cumpriremos" (Foto: Rádio Foz)

Napoleão de Almeida – Sendo objetivo: quando a FPF pretende iniciar a Série Prata?
Amilton Stival – A minha intenção é começar em 1º. de maio, uma terça, um feriado. Vamos estar terminando a primeira divisão.

NA – Como vocês pretendem lidar com os conflitos de tabelas? O Paraná argumenta que há um dispositivo da CBF e um amparo junto ao sindicato dos atletas que impede a realização de partidas de uma mesmo clube em menos de 66h? (clique aqui e leia post no blog do Leo Mendes Jr. que disseca a situação)
AS – Isso é da CBF. Aqui é FPF. O que nós não podemos fazer é conflitar as datas. Como na Série Ouro, que não tem jogo junto com a Copa do Brasil. Tanto é que o jogador que não for punido em dias (período) pode atuar no Paranaense. Não tem relação.

NA – Sim, mas a FPF não é submissa a CBF?
AS – Filiada. Sim, é filiada. Mas nós não podemos ter jogos aqui com menos de 66h entre si, entende? E não teremos. E não teremos conflitos com o calendário da CBF também, porque quero marcar jogos para quartas e domingos. A Série B é terça e sábado.

NA – O que você diria para quem entende que é má vontade da FPF no caso?
AS – Veja bem, eu sou paranista, ajudei a fundar o clube. Não é má vontade não, porque há uma regra. Aquilo que estamos fazendo, de recuperar a imagem da FPF, que não tem jeitinho… porque o brasileiro espera o último minuto… e aqui não tem jeitinho. Nós temos que seguir um caminho e estamos seguindo. Desde 2008 nós temos mantido o calendário. Mas não é porque é o Paraná que vamos mudar. Pras eleições, o voto do Tupinambá é igual ao do Coritiba.

NA – Só que não é só o Paraná que pode ter problemas. Os clubes do interior podem ter que esticar os contratos. Aliás, são oito a favor da antecipação…
AS – Se acaso houver unanimidade, não tem problema nenhum. Mas os clubes emprestaram todos os jogadores. Eles se planejaram para maio. Quando terminou o Paranaense, o Paraná devia ter procurado os times da segunda divisão e já conversado. Os clubes teriam se preparado. Mas não. O Paraná foi se preocupar em novembro.

NA – O Paraná foi buscar auxílio jurídico e deve brigar nos tribunais, contratando o Domingos Moro. E aí?
AS – O Moro é advogado, tá no papel dele. A decisão que vier do tribunal, cumpre-se, como fizemos com o Rio Branco. Se a lei achar que tem que mudar, nós mudamos, sem problema nenhum. Por isso a FPF tem credibilidade com os clubes.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 11/01/12

Atlético: deadline para estádio é hoje

A FPF “esticou” o prazo para que o Atlético indique o estádio em que vai mandar jogos no Paranaense 2012 – ou ao menos o que enfrentará o Londrina, na primeira rodada, daqui a 10 dias, enquanto procura solução definitiva. Segundo Amilton Stival, diretor técnico e vice-presidente da FPF, o clube já procurou a Federação e prometeu uma resposta, sob pena de ver a indicação sumária de um estádio num raio de 100km. Isso inclui, além da Vila Capanema e do Couto Pereira, o Germano Kruger, em Ponta Grossa e o Caranguejão, em Paranaguá.

Top Secret I

No Atlético, ninguém se manifesta sobre isso (ou sobre coisa alguma). O Couto Pereira segue sendo a opção mais provável, mas ontem o presidente do Coritiba Vilson Ribeiro de Andrade, aqui mesmo no Metro Curitiba, disse pela primeira vez em público que não irá mais alugar o estádio. Já a Vila Capanema não poderia receber jogos atualmente – precisa de novos laudos – enquanto os estádios fora de Curitiba estão praticamente liberados pela FPF.

Top Secret II

Com uma semana de trabalho, tudo que se sabe sobre o time do Atlético até aqui é que nenhum reforço foi anunciado e a base é a mesma que caiu para a segunda divisão nacional após 16 anos – fato propulsor da eleição do atual presidente, Mário Celso Petraglia. “Não sei de nada. Só no site oficial”, é o mantra do dirigente quando entrevistado.

Amistoso internacional

O Coritiba deve confirmar para o dia 14* (ver nota no fim do texto) um amistoso contra o Daegu FC, da Coréia do Sul. O clube asiático irá fazer sua pré-temporada no CT da Graciosa e o jogo deve acontecer antes da estréia do Coxa no Paranaense, possivelmente em Foz do Iguaçu. O Coxa encara o Toledo na primeira partida do regional. Já o Deagu tentará adquirir experiência: em 9 anos de Liga Coreana, a melhor colocação foi um modesto sétimo lugar.

Sem papo
A FPF mantém a postura e considera ponto pacífico: a Série Prata (segunda divisão do Paranaense) será mesmo em maio. O ofício assinado pelos respectivos presidentes gestor e deliberativo do Paraná Clube, Rubens Bohlen e Benedito Barbosa, teve pouco ou nenhum efeito junto a direção da Federação. “Um elenco de 35 jogadores é o suficiente para jogar. Vou montar a tabela com jogos quartas e domingos; a Série B é terça e sexta”, disse Amilton Stival, vice-presidente e diretor técnico da FPF, que recebeu o ofício.

Domingos Moro na parada

A diretoria do Paraná Clube argumenta que o Regulamento Geral das Competições da CBF praticamente exige a antecipação da competição, ao determinar que o calendário nacional prevalece sobre o local (no caso, prioridade para a Série B em detrimento à Prata) e que nenhum clube ou atleta podem entrar em campo com menos de 66h entre os jogos. A questão pode parar na justiça, uma vez que a FPF pode alterar a competição sem unanimidade, com base nas próprias normas. Por isso, o Tricolor buscou ajuda jurídica em Domingos Moro.

*Nota: Um pequeno desencontro de informações, atualizado aqui no blog: no dia 14/01 o Coritiba enfrenta, em jogo-treino, o ABC Foz, time de Foz do Iguaçu; o jogo contra o Daegu FC ficou para 18/01 e não será mais um amistoso e sim outro jogo-treino. Segundo a assessoria do Coxa, trâmites burocráticos da FPF impediram que o jogo fosse aberto ao público.