Cara Fifa…

…escrevo-lhe na condição de cliente Vip do seu produto. Aquilo que insistimos em chamar de futebol, mesmo depois de tantas tentativas de desmoralização. Não pretendo tomar muito seu tempo, nem relembrar esquemas espinhosos, como aquela goleada misteriosa da Argentina sobre o Peru em 78, em pleno regime militar no país vizinho, ou as denúncias de compras de votos para as copas da Rússia e do Catar. Não, vamos deixar isso para trás. A beleza do jogo me manteve atento – sou daqueles que assiste até Catanduvense x Flamengo de Guarulhos, se a Rede Vida passar.

Minha reclamação é outra.

"Deixa de bobagem. Já virou sacanagem", diz o poeta contemporâneo (foto: Geraldo Bubniak)

Querida Fifa, você sabe: mesmo com tudo o que eu escrevi acima, o gol é o grande momento do futebol. Ali extravasamos nossas emoções, abraçamos a quem nunca vimos, gritamos feito loucos e nos sentimos um pouco vingados das mazelas do dia-a-dia.

O gol é sagrado. A comemoração é o orgasmo do torcedor.

Pelé e o soco no ar, as coreografias dos islandeses (esses são geniais!), o dedo fazendo não de Ronaldo ou até mesmo as mais simples, muitas vezes as melhores, com os nossos heróis se abraçando e vibrando como guerreiros valentes. Gol é isso! Pode ser a careta do Lela ou a pirueta do Rhodolfo, pouco importa: o gol deve ser um momento único.

E é por isso que te escrevo, Fifa. É possível que você não esteja vendo, até porque esse lance de Copa do Mundo aqui no Brasil deve estar te deixando louca. Quase nada pronto, muito esquema financeiro (sei que dessa parte você cuidará bem, com moralização) e muito oba-oba. Mas tem um pessoal acabando com esse grande momento que é o gol.

Acredite, Fifa: atualmente, 11 entre 10 jogadores brasileiros comemoram os gols imitando um boçal joão bobo. É!, isso mesmo, sabe aquele boneco que você empurra e ele volta, inflado de ar e sem nada na cabeça? Aquele, cuja maior paródia é ser um fantoche controlado  que pode ser empurrado, chutado, agredido e mesmo assim volta ao lugar? O joão bobo? Então, esse mesmo. E eles tem achado o máximo!

Mas nós, torcedores, já estamos de saco cheio.

A gente sabe que tem coisa que é moda e pega. Ainda mais no Brasil, país com sérios problemas de educação e maiores ainda de estima. Lembra do complexo de vira-lata né? Então, ele existe até hoje, já que vivemos abaixando a cabeça para qualquer um que nos impõe uma idéia estúpida.

Mas acho que é hora de você intervir, Fifa. Lembra quando você proibiu manifestações religosas ou aquelas camisetas xaropes com mensagens tipo “Titia, domingo vou na macarronada”? Pra não falar nos merchandisings nas camisas, que agora ganharam algumas comemorações. Aqui no Paraná, atleticanos e coxas já viram jogadores comemorar para um tal de “capitão”. Devem ter recebido uma baita bolada, ou ao menos algumas garrafas de rum, apesar de já ganharem bem para valorizar a imagem do clube.

Acho que é o caso de você agir de novo, Fifa. Tá chato demais essa história do João Sonrisal (acho que o nome é esse porque dá asia ver os caras feito bobos) e pode piorar. Veja você que o único que foi contra, o Rivaldo (aquele cracasso da Seleção, Palmeiras, Corinthians e Barcelona, hoje no São Paulo, campeão do mundo em 2002, lembra?), foi achincalhado como chato da vez. Logo ele, um cara que mostrou personalidade. Só pode ser porque não foi joão bobo dos caras.

Fifa, eu lhe peço: faça alguma coisa. Já estamos acostumados a ser bobos nesse mundo do futebol (e quem disse que não tem?), mas jogar isso na nossa cara é desaforo demais.

Gols da rodada: Jogo Aberto Paraná – 01/08/2011

Já viu os gols do final de semana dos times de Curitiba? Então confira o que apresentamos no Jogo Aberto Paraná de hoje:

Atlético

O time venceu o Santos por 3-2 na Baixada e saiu da lanterna do Brasileirão. Veja como foi!

Coritiba

A primeira vitória fora de casa veio contra o agora lanterna América-MG. Confira!

Paraná

O Tricolor beliscou um empate em Santos contra o São Caetano. Apesar disso, ficou um gostinho de “quero mais” por ter jogado com 11 contra 10 durante boa parte do jogo. Mas, valeu pelo primeiro gol de Borebi:

O Jogo Aberto Paraná vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, na BandCuritiba. Acompanhe!

Copa 2014: Atlético escolhe construir Arena por conta – Reportagem #0

A partir desse post pretendo iniciar uma série de discussões em torno do Mundial de 2014 em Curitiba. Os temas são os mais polêmicos possíveis: a quem interessa a Copa no Brasil? A Copa é do Atlético ou da cidade de Curitiba? O Atlético jogará no Couto Pereira? O Potencial Construtivo é ou não dinheiro público? Como Coritiba e Paraná se beneficarão com o Mundial? Curitiba ainda receberá a Copa das Confederações? Dá tempo de terminar o estádio?

Como você viu, assunto não falta.

Desde o começo, como homem público e de mídia, minha postura foi pró-Copa em Curitiba. Entre o projeto do ex-deputado cassado Onaireves Moura e o estádio semi-pronto do Atlético, entendendo o avanço que o Mundial pode trazer a nossa cidade, fiquei com o segundo. O custo era menor, o tempo menor e, por consequência, os benefícios maiores. Evidentemente, as coisas não correram 100% dentro do previsto: a obra atrasou, a discussão tornou-se clubística – é inegável que o Atlético ganha com a Copa. Como se posicionar então? – e outras mazelas que um tema dessa importância oferece, mas que não deveriam ser tão impeditivas para um grande avanço.

Durante meu período na Gazeta do Povo conversei com especialistas em todas as áreas envolvidas. E a partir deste post, vou reacender o debate, procurando trazer mais luz a discussão aqui no blog e também no Jogo Aberto Paraná. Vou tentar esclarecer as dúvidas do principal interessado: o cidadão, pouco importa o time que torça. Por isso, convido você a participar comigo dessa.

A reportagem #0 é o pontapé inicial da discussão e, paradoxalmente, é também a definição que mais atrasou: a escolha de como o Atlético terminará a Arena. O vídeo abaixo foi exibido no Jogo Aberto Paraná e é, por ora, de interesse maior dos atleticanos. Mas certamente interessa a coxas, paranistas, operarianos e qualquer um que se importa em saber se o Mundial é ou não benéfico à cidade e ao Estado. A partir do #1, que procurarei postar até o final de semana, vamos levantar algumas discussões.

E quem sabe, ao final da série, termos ao menos um entendimento mais claro do evento que vai mexer com a cidade que vivemos.

Confira a reportagem #0:

Acompanhe o Jogo Aberto Paraná de segunda a sexta 12h30 na Band Curitiba!

Reportagens: Jogo Aberto Paraná – 22/07/2011

Não deu para assistir o Jogo Aberto Paraná hoje? Tudo bem! Veja abaixo as reportagens dos times do sul do Paraná a entrar em campo nesse final de semana nas séries A, B e D do Brasileirão.

São só reportagens. Pra ver a Kelly Pedrita e a Carol Boa de Bola, só na segunda. Então não coma mais mosca! Ou clique aqui para amenizar a saudade…

Paraná

O Tricolor será o primeiro a entrar em campo nesse final de semana. Encara o Criciúma em SC às 16h de sábado. Jogo contra um adversário direto e bem conhecido de ao menos três jogadores paranistas: Cris, Lima e Zé Carlos.

Atlético

O Rubro-Negro segue a saga em busca da primeira vitória no Brasileirão. O otimismo cresce na Baixada e nas declarações do técnico Renato Gaúcho, que também cobrou melhor desempenho ofensivo de seus atacantes para o jogo contra o Botafogo-RJ, 18h30 de sábado na Arena.

Coritiba

O Coxa vai a Salvador encarar o Bahia, 16h de domingo, tentando a primeira vitória longe do Couto Pereira. Acompanhe abaixo os detalhes do último treino, com entrevista de Marcelo Oliveira, e também a visão de René Simões, ex-técnico alviverde e hoje comandante do Tricolor de Aço, sobre a partida.

Operário

Pra fechar o fim de semana de futebol, o Operário tenta a reabilitação na Série D, recebendo o CENE-MS em casa, no domingo 16h. O clube já buscou reforços, após perder na largada, fora de casa, para o Mirassol (0-1).

O Jogo Aberto Paraná vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, na Band para Curitiba e RMC, Ponta Grossa e Campos Gerais e Paranaguá e Litoral. Acompanhe!

Números (ou: a gangorra do futebol)

Evandro: a 1a vitória só veio com um gol dele, na 10a rodada

Oito jogos. Um ponto, dois gols marcados, nenhuma vitória. “Série B” é a frase que circunda a cabeça de 11 entre dez atleticanos (e dos alegres rivais) nesse momento ao ver os números do Atlético.

O futebol não é necessário analisar mais. Passaram-se sete meses em 2011 e em nenhum momento a equipe, com qualquer um dos quatro técnicos até então, apresentou equilíbrio. Renato Gaúcho é o próximo a tentar, a partir de amanhã.

Mas, acredite, não é a primeira vez que o clube começou mal o Brasileiro na história (somando só 8 rodadas). O que, olhando apenas os números, pode dar alguma esperança ao torcedor. Em 2005, disputando em paralelo a Libertadores, o Furacão foi só fiasco nas primeiras rodadas do nacional. Olho nos números:

2005 – 22o. lugar – 0v / 2e / 6d / 4gp / 12gc
2011 – 20o. lugar – 0v/ 1e/ 7d / 2gp / 14gc

Naquele ano, a equipe só viria a conhecer vitória na semana da decisão da Libertadores, entre uma partida e outra, e justamente no clássico Atletiba: 1-0 na Arena, gol de Evandro, com o time reserva. Até então, a situação era muito parecida – e vou me fixar na classificação da 8a rodada daquele ano, na comparação com a atual:

2005                                                                                                           2011*

18o. Paysandu – 8pts                                                                              16o. Coritiba – 7pts
ZR —————-                                                                                     ZR —————-
19o. Brasiliense – 6pts                                                                            17o. Atlético-GO – 7pts
20o. Figueirense – 6pts                                                                          18o. América-MG – 5pts
21o. Atlético/MG – 5pts                                                                         19o. Avaí – 3pts
22o. Atlético – 2pts                                                                                 20o. Atlético – 1pts

*computados somente os jogos das 19h30 da 8a rodada

Duas coisas a se considerar: o Coritiba, atual 16o, jogará com o Figueirense em casa – e a tendência é vencer. Assim sendo, o time mais próximo da ZR será o Grêmio (parelho em número de jogos) ou o Atlético-MG (que perdia seu jogo enquanto eu redigia esse post), com 8 pontos; e o campeonato de 2005 tinha 22 equipes, ou seja, quatro rodadas a mais para se somar pontos.

Naquele ano o Atlético conseguiu nos então 34 jogos restantes (atualmente são 30) 18 vitórias, que, com 7 empates, lhe deram 61 pontos e o sexto lugar, a duas posições da Libertadores. Dos times que ocupavam a ZR na oitava rodada, apenas o Atlético-MG acabou rebaixado. Relembre a série dos oito jogos iniciais do Atlético naquele ano:

Atlético 0x1 Ponte Preta
Juventude 1×0 Atlético
Santos 2×1 Atlético
Atlético 1×2 Corinthians
Atlético 1×3 Internacional
Botafogo 2×0 Atlético
Atlético 0x0 Figueirense (*jogo realizado com portões fechados no Couto Pereira)
Flamengo 1×1 Atlético

Três derrotas e um empate em casa. Neste ano, são duas derrotas e um empate.

Dá pra escapar? Dá. São necessárias 15 vitórias em 30 jogos. A matemática permite. Mas, em campo, tem que mudar demais.

Um desce, outro sobe

Não, não é uma previsão; é uma constatação: quem vê o Paraná na Série B nesse ano não entende o que aconteceu no Estadual. É óbvio que a reformulação do elenco e a troca (até aqui mais que) acertada de técnico pesam muito. Mas a pulga que está na cabeça do torcedor tricolor é outra: dá pra se empolgar com esse time mais do que com o que liderou a Série B até mais ou menos essa época no ano passado?

Marcelo Toscano: sinceramente, você se lembrava dele?

Dá. O time liderado por Marcelo Toscano, que naufragou no pós-Copa por problemas financeiros, teve uma arrancada ótima, mas não tão poderosa, se compararmos os adversários, como a desse ano. Vamos aos jogos:
Paraná 3×0 Ipatinga
Ponte Preta 1×0 Paraná
Paraná 3×0 Santo André
Duque de Caxias 1×5 Paraná
Paraná 1×0 Vila Nova
Sport 1×0 Paraná
Paraná 2×1 Portuguesa
Icasa 3×0 Paraná *pós-Copa
Paraná 1×1 Guaratinguetá *pós-Copa

Em 9 jogos, 16pts, 5v / 1e / 3d / 15gp / 8gc; na atual campanha, também em 9 jogos: 17pts, 5v /2e /2d / 13 gp / 6gc

Qual a grande diferença então, para se confiar mais?

São os adversários. Em 2010, na reta em questão, o Paraná enfrentou equipes que acabaram na parte final da tabela e já começaram mal o campeonato. Casos dos rebaixados Ipatinga e Santo André e de Duque, Icasa, Ponte e Guaratinguetá, todos classificados abaixo do 10o lugar ao final da Série B; o Sport, que chegou perto do acesso (6o) era lanterna na ocasião.

Nesse ano, o Paraná já enfrentou duas equipes do atual G4 (Lusa, 1-1 e Americana, 0-1) e candidatos ao acesso, como Goiás (3-0), Náutico (1-1) e Vitória (0-1) e se manteve entre os primeiros. Conta ainda com a fase ruim de dois candidatos, Sport (que vai enfrentar) e Goiás. E tem aproveitamento bom fora de casa, com 2 vitórias e 1 empate em 5 jogos longe da Vila. O que também significa que se manteve entre os primeiros jogando mais partidas sem mando de campo.

São números apenas. De nada adiantam se outros números, os financeiros, não estiverem bem estudados também, como se viu em 2010.

Mas é a gangorra do futebol, tão submisso ao momento que se deve aproveitar muito bem os períodos de alta.