A Vila Capanema recebeu na noite de quarta (9) a banda americana Pearl Jam; recebeu também a notícia de que Rubens Bohlen será o novo presidente do Paraná. É a vitória da chapa da situação, em uma eleição que teve menos de mil votantes, num universo de quatro mil possíveis.
A chapa vencedora já está no poder. De fato, a olho nu, vem desde Aurival Corrêa na mesma toada. É também a direção que deu fiasco no estadual/11; mas é a que reorganizou setores do clube, como o marketing, por exemplo. E dará poderes reais a Luis Carlos Casagrande – propriedade viva do clube – e Paulo César Silva, no comando do futebol.
Andando pela Vila, durante o show do Pearl Jam, já sabedor do resultado das eleições, encontrei PC Silva. Ele estava sentado nas sociais, sozinho, anônimo. Parecia reflexivo. Olhava o palco e o show degustando uma cerveja – o que eu também fazia. Não esperava encontrar ninguém.
Então, me aproximei. Conversa rápida: ambos estávamos ali por outra razão. Eu, para ver uma das bandas que ajudou-me a formar o caráter; ele, para aliviar a pressão de uma eleição, no lugar que já é e será sua casa por mais um tempo. “Ganharam é? Parabéns.”, disse.
– Não sei se é uma vitória. É um baita de um desafio, isso sim.
A resposta, pés no chão, me fez lembrar algumas coisas. Paulão perdeu um neto esse ano. Golpe duro para qualquer um. Viu seu trabalho não dar os frutos esperados. Afinal, ninguém entra nessa pra perder. Mas, é claro, não quis deixar o clube. Sabe o preço. Desejei sucesso e disse que o papel da imprensa é seguir vigilante nas coisas que interessam ao público. Ganhei um abraço e segui para o show. Paulão seguirá na Vila mais do que eu.
Os erros da má gestão paranista estão aí, ninguém pode tapá-los. Mas tampouco podem negar que a realidade do clube é menor do que dimensionamos. Um exemplo? Menos de mil votantes na eleição. Outro? Média de público de 3926 torcedores, a 42a. do país em 4 divisões. Isso não diminui equívocos, mas deixa claro que a distância entre a paixão do torcedor e a realidade são grandes. Se há que se cobrar resultados de alguém por aqui, é de Atlético e Coritiba. O Paraná apequenou-se. Voltar, é papel que cabe a mais de uma pessoa. Cabe também à torcida.
Aí volto ao Pearl Jam e um dos seus hits – não ipisis literis – Better Man.
Bohlen, Paulão, Casinha, Romani e muitos outros erraram. E seguirão errando. É humano. Isso não é alvará para tal; falta visão profissional, capacidade de gestão e liderança, enxergar oportunidades.
O dia está acabando e como estive aterefado com a Copa e suas consequências, além de um trabalho para a pós-graduação em Gestão Esportiva, acabei só podendo escrever agora sobre a lista de Mário Celso Petraglia, divulgando supostos valores de salários de alguns jogadores do Atlético. Não colocarei os valores aqui. Considero um assunto particular de cada um e também de interesse do clube. Mas como escrevo para todas as torcidas e o tema ferveu o dia todo, desde o Jogo Aberto Paraná, blogs locais, Twitter e a cobertura das rádios, manifesto-me sobre o assunto. Pra mim, a coisa é simples, e colocarei em tópicos misturando informação e opinião:
– Indelicada e invasiva, a lista não acrescenta nada, nem na situação dura do Atlético no Brasileiro, nem na campanha de Petraglia a presidência do clube. Ao contrário; pela repercussão negativa, o candidato parece ter perdido até.
– Não se revela o salário de qualquer profissional. O patrão sabe quanto paga e o empregado aceita porque merece ou precisa. Isso vale para futebol, jornalismo, medicina ou qualquer área. “Cada um sabe onde o calo aperta” é um ditado que resume.
– Todo clube tem suas diferenças salariais. Neymar ganha mais que Pará, no Santos, por exemplo; o mesmo vale para Ronaldinho e Willians, no Flamengo. E, como disse o Léo Mendes Jr., quando nós começamos como repórteres, ganhávamos menos que os editores, que ganhavam menos que os diretores de redação, etc. É a ordem natural das coisas.
– É populismo dos mais baratos julgar os jogadores pelos valores citados. Qualquer profissional de futebol padrão Série A ganha mais que 98% dos trabalhadores brasileiros. É o mercado, inflacionado, e não é uma exclusividade do Atlético. Lamentavelmente, o Brasil tem discrepâncias em todas as áreas sociais. Futebol é só mais uma. Quisera eu fossem os professores, policiais e médicos.
– Dizer que isso é reflexo de má administração também é bobagem, já que o mercado impõe esses valores. O melhor jeito de dizer isso é mostrar a tabela do Brasileirão.
– De positivo, a prerrogativa aberta: adepto da transparência, Petraglia dá sinais de que colocará ao público todos os valores da obra na Arena, da qual é gestor. Ou não?
– O Atlético informou que a lista tem valores reais e outros nem tanto. Segundo a diretoria do clube, com a qual conversei, mas que não quis dar entrevista oficial, os meninos da base têm um plano de aumento de salários por participação nos jogos e evolução ano a ano; além disso, garantiu que Kléberson é pago pelo Flamengo, integralmente, e Marcelo Oliveira o mesmo, mas pelo Corinthians. E que os demais, como Cléber Santana, são pagos 50% aqui, 50% na origem. É a versão oficial.
Conversando com diretores do Atlético, a posição é: não existe essa negociação. O clube desconhece e, como já vem repetindo há tempos, o atual presidente Marcos Malucelli não fará contratações já que deixa o Atlético em dezembro. Ainda, segundo a diretoria do Atlético, as cadeiras podem até ir para a Vila Capanema, que teria uma pequena reforma para abrigar jogos menores do clube durante as obras.
No Pará, a negociação é dada como certa. Quem estaria por trás?
A Fifa anunciou as sedes da Copa das Confederações 2013 e o número de jogos que cada uma das 12 cidades-sede da Copa 2014 receberá no Mundial.
E Curitiba saiu derrotada do processo.
A cidade, que no discurso dos políticos esteve sempre cotada para estar na Copa das Confederações, não ficou nem na suplência, casos de Recife e Salvador. Optando por Brasília (abertura), Belo Horizonte, Fortaleza e Rio de Janeiro (final), a Fifa deu um recado claro à Curitiba (e ao Sul do País, que nem Porto Alegre emplacou).
Ou melhor, deu dois recados. O outro foi a equiparação de Curitiba a cidades como Manaus, Cuiabá e Natal, todas insípidas no histórico futebolístico. Das três, conheço duas: Manaus e Natal. A segunda é bem planejada e com belas praias, turística. Tem seus problemas, como todas, mas não fica tão atrás de Curitiba em infraestrutura; já Manaus é um caos. Estive por lá para transmitir Holanda-AM 1-2 Coritiba, pela Copa do Brasil 2009. Tudo, do estádio a urbanização, precisa ser refeito.
E essas cidades só receberão quatro jogos do Mundial:
Curitiba não estará na segunda fase do Mundial
Concordemos que a Copa das Confederações estava nos planos somente dos mais entusiasmados. Mas receber apenas quatro jogos no Mundial é um acinte para quem se diz moderno e preparado, como é o caso do povo curitibano. De fato, a cidade em si não deve nada a muitas outras que ficaram mais bem posicionadas no Mundial. É melhor urbanizada que BH e Porto Alegre e mais populosa que a última; tem mais força desportiva que Brasília, cujo principal time disputa a Série C. O mesmo vale para Fortaleza, embora o cenário do futebol tenha crescido por lá recentemente.
O que atrapalhou Curitiba foi o crônico problema do autofagismo. Criou-se um fantasma na cidade: “a Copa é do Atlético”. Errado.
A Copa é da cidade. É para ela e seus hotéis, restaurantes e praças que o turista virá; é para Curitiba que serão feitas mudanças urbanísticas, desde o aeroporto até o já anunciado futuro metrô (lusitanamente programado para depois da Copa). O estádio é um meio, não o fim. E sim: o Atlético, único a apresentar um projeto coeso na época da candidatura (ou você compraria um carro usado de Onaireves Moura?), vai ser beneficiado com as obras.
Assim como a construção da Vila Capanema, com participação da prefeitura no passado – tanto que segue o litígio pela rodoferroviária – como o Pinheirão, com terreno da prefeitura, que pode até se tornar uma nova praça esportiva no futuro. Mas, curitibanamente, é melhor ver o vizinho mal do que todos progredirem. Chega-se ao absurdo de se propagar campanha para que Florianópolis pegasse a sede daqui. Tsc.
Não se defende aqui, de maneira nenhuma, desvio de verbas ou má gestão de recursos públicos. Para isso é que existe o TC, a procuradoria e, por que não, a imprensa, nem sempre simpática a olhos clubistas, mas cumpridora do seu papel, doa a quem doer.
A questão é política. Curitiba deixará, por não ser coesa na idéia, de aproveitar as benesses que terão outras cidades. O legado poderia ser maior. E tenho certeza que a lição não ficará para o futuro. Infelizmente, é da cultura do curitibano menosprezar o local e minar o crescimento do vizinho.
A derrota é de todos. Mas é claro que é ainda maior para os homens públicos que conduziram mal o processo.
Limão e limonada
Ruim como está, pior sem. Decepção a parte, é hora do povo da cidade acordar para o futuro. Curitiba jamais deixará de ser a quinta comarca paulista se não caminhar para um só lado. Ao invés de comemorar o fato de que a cidade só receberá quatro jogos por alguma razão pessoal, que tal pensar em como melhorar o ambiente, como cobrar os responsáveis?
A Copa vem de qualquer jeito. Um plano de negócios visando turistas, a reclamação junto aos responsáveis por transparência no uso dos recursos públicos, a realização de obras que visam a Copa mas devem ir além, sem exclusão social, tudo isso é papel da população.
Somos ótimos em protestar contra o Dunga quando a Seleção perde (e contra jornalistas quando achamos que o que ele escreve não nos agrada) mas péssimos em cobrar de nossas autoridades, funcionários públicos colocados lá com nosso voto, trocam os pés pelas mãos.
Faltando oito jogos para o final do Brasileiro, só um milagre salva o Atlético. E o milagre tem nome: comprometimento. Um dos maiores erros da Gestão Marcos Malucelli no futebol foi sempre alardear que o atual mandatário não ficaria no cargo no ano que vem. E se o presidente deixará o clube, não serão os jogadores emprestados que botarão suas valiosas pernas em disputas ríspidas para manter o rubro-negro na elite. Além de que as declarações de Malucelli por vezes inibia ambições. “O último que sair, apague a luz” é um ditado que poderá definir o ano atleticano.
Comprometimento II
Ao que parece, um passo interessante nesse sentido já foi dado: contra o Botafogo, dos 11 jogadores que começaram a partida, nove tem vínculo com o clube além do Brasileirão/11. Não deu muito resultado, mas são jogadores como Renan Rocha, Deivid, Manoel, Morro García, Marcinho e Paulo Baier (e outros que não jogaram, como Guerrón) que podem evitar que o clube – e eles próprios – joguem a Série B em 2012.
Guerrón: nos pés dele o futuro do Atlético... e de si próprio (Foto: @heulerandrey)
Passado que ensina
Em 1998 o Atlético fazia um péssimo campeonato. Faltando 11 jogos para o fim, o time estava seriamente ameaçado de rebaixamento. A equipe tinha o volante Paulo Miranda (que também passou por Coxa e Paraná) que contou a história: “Um dia, após uma derrota, o Petraglia entrou no vestiário e disse: ‘vocês que são do clube, tirem o cavalo da chuva: ano que vem todo mundo jogará a Série B comigo; e vocês que estão emprestados, já estou negociando para que fiquem aqui. Seus clubes não vão os querer de volta’.” O susto valeu: o time venceu seis jogos seguidos e quase se classificou para a segunda fase – o campeonato não era por pontos corridos.
Polêmica
Direto do Alto da Glória: o volante do Coritiba Léo Gago, em entrevista ao site Globo Esporte.com, meteu o dedo na ferida do Atlético, quando perguntado se o Coxa ainda tinha chances de Libertadores: “Podemos conseguir a classificação. (…) Na última rodada, temos o clássico contra o Atlético. Eles estarão praticamente rebaixados ou até mesmo rebaixados.” Gago projetava cinco vitórias em casa e esse triunfo fora. Mas o time enroscou no Bahia logo na largada.
Roupa nova
Se o empate com o Bahia foi sonolento, valeu ao menos para o Coxa apresentar sua camisa III, comemorativa em alusão a entrada no Guinness Book como “equipe mais vitoriosa em sequência de jogos no Mundo”. Com a cor azul-petróleo – quase um verde – a camisa faz menção às 24 datas dos jogos que o Coritiba venceu em sequência e que o credenciou a tal titulação. Belíssima.
No detalhe, as datas dos jogos do recorde
Pinheirão
Sem perigo de ser rebaixado e muito longe da Libertadores, o Coritiba volta seus olhos para o futuro. Nesta quinta (20), pela segunda vez, o Pinheirão vai a leilão. O valor inicial é de R$ 33 milhões, 50% do valor inicial do primeiro leilão. A FPF segue tentando evitar o leilão. Há uma intenção da OAS em comprar o estádio e, em seguida, chegar a um acordo com o Coxa para construir um novo centro esportivo lá. O presidente da FPF, Hélio Cury, não quis comentar o assunto: “Temos 72h para resolver isso. Até quarta eu terei uma posição”, disse, de maneira ríspida. Cury não confirmou se negocia em paralelo a venda do terreno, que está obrigado pela justiça a ir a leilão. Há uma semana, o deputado Reinhold Stephanes Jr. garantiu que o Pinheirão já foi negociado. O Coxa, por sua vez, aguarda a definição do negócio para entrar diretamente (ou oficialmente) nele.
No twitter
O diretor de futebol do Paraná, Paulo César Silva, que está afastado do contato com a imprensa, está no Twitter. Com o nick @PC_PRC, Paulo César volta a mídia via rede social, depois de se afastar dos holofotes por desgaste com a má fase do Tricolor, após uma discussão com o articulista da Rádio Banda B, Sérgio Bello, ao vivo pelos microfones da emissora. PC tem respondido aos torcedores e não entrou em nenhuma polêmica ainda. Quem criou o perfil foi a filha dele. O departamento de comunicação do Paraná não gostou muito da idéia, mas, mesmo assim, prevaleceu a vontade do diretor.
Seguem abaixo os 4 blocos restantes do programa “Entrevista Coletiva” com Mário Celso Petraglia, exibido no domingo 18/09 na BandCuritiba, sobre diversos temas que interessam ao futebol do Paraná.
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Não importa seu time ou seu posicionamento político, se caso você for atleticano: é impossível ser indiferente a Mário Celso Petraglia quando o assunto é futebol paranaense. Polêmico, empreendedor e por vezes considerado antipático, Petráglia não costuma se esconder quando provocado. E sempre parece ter uma resposta na ponta da língua para qualquer questionamento.
Idolatrado por uns, odiado por outros, o ex-presidente do Atlético é, até agora, o único candidato a presidência do clube no final do ano. E esteve nos estúdios da Band Curitiba para gravar o programa “Entrevista Coletiva”, apresentado pelo diretor de jornalismo da casa, Fabrício Binder, e que contou ainda com os jornalistas Zé Beto e Henrique Giglio, o comentarista Caxias e este que vos escreve. Sabatinado, Petraglia respondeu vários temas, que irão ao ar no domingo 18/09, em duas edições; 7h30 AM e 0h30 AM na madrugada de domingo para segunda.
Entre os assuntos, Petraglia anunciou o início das obras na Arena, para a Copa, para o mês de outubro, além de dizer que o clube não sai de lá antes de 2012:
Ele evitou falar do Pinheirão e do suposto projeto do Coritiba para o local, mas assegurou que nada tira a Copa e também a Copa das Confederações da Arena.
Algo que não estará no programa (que era para ser um, mas se tornou dois, tamanha quantidade de temas) será a engenharia financeira para que o clube arranje os R$ 60 milhões que lhe cabem para a construção do estádio – Petraglia orça o projeto em R$ 180 milhões, embora governo e prefeitura não anunciaram ainda como farão para desapropriar terrenos para o entorno da Arena, por exemplo.
Pela falta de tempo, a resposta ficou só para o blog: o Atlético abrirá uma empresa com 99,9% para si e 0,01% em nome de um sócio, por exigência do modelo de empréstimo financeiro. Essa empresa já tem, apalavrada, uma linha de crédito de R$ 60 milhões oriundos do FDE, Fundo de Desenvolvimento do Estado do Paraná, que será paga em 15 anos. Petráglia ainda pleiteia uma carência de 3 anos, a partir de 2014, para começar a pagar.
Ele vislumbra uma arrecadação anual de R$ 100 milhões para o Atlético no pós-Copa; na entrevista, falou do futuro do futebol brasileiro, da política da CBF, de cotas de TV, dos rivais e de uma possível parceira com o Coritiba em ações extra-campo, em especial se ele se eleger e o mesmo acontecer com Vilson Ribeiro de Andrade, por quem manifestou “imensa admiração”. E ainda prometeu fazer uma administração “voltada exclusivamente para o futebol”:
Petraglia esmiuçou, em 78 minutos de gravação, todos os planos que tem para o clube. Projetou não só o Atlético, mas o futebol do Estado e do País no pós-Copa.
O programa vai ao ar nesse domingo, 18, em horários um pouco ingratos: 7h30 da manhã e 0h30 da madrugada, já invadindo a segunda 19. Mas vale a pena acordar cedo e acompanhar, se você se interessa pelo futebol local.
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Se tem uma coisa que eu nunca fiz em 10 anos de militância na imprensa esportiva foi pegar no pé de treinador que resolve fechar o treino para os repórteres. Acho isso o cúmulo da ingerência no trabalho de outro. Se o método dá resultado, é o que importa. De mais a mais, já fui repórter-setorista nos três clubes e sei que 90% dos colegas estão sempre muito mais de olho nas pernas de uma ou outra jornalista do que se o técnico mesclou times A e B no coletivo, com esquema 6-2-2.
O que é bem diferente de perceber um sintoma: com o treino fechado e o mistério para o jogo de hoje, o técnico Roberto Fonseca dá pistas de que começa a não ter segurança nas ações que vem tomando. Pudera: são três derrotas nos últimos quatro jogos em casa. E o Paraná que se reinventava na Série B, deixou o G4, motivo suficiente para muitos acharem que já há crise na Vila.
Na reportagem abaixo, de Henrique Giglio para o Jogo Aberto Paraná e hoje (anote aí: segunda a sexta, 12h30, na Band Curitiba, canal 2), você vai conferir a preparação final do Tricolor para o jogo contra o Boa Esporte-MG:
Eu vou além: não divulgar a equipe não é o único mistério acerca da Vila Capanema recentemente. Outro é: como se dá a relação de Roberto Fonseca com os jogadores? Há quem diga que não é das melhores. Só posso me fiar no que disse Serginho, volante do Tricolor, quando falou comigo pela última vez, garantindo que não há e nunca houve nada. O que está bem claro é que o time caiu de rendimento.
Há outro mistério: quem quer Fonseca longe da Vila (além de alguns torcedores, irritados com os resultados recentes)?. Em um café da manhã com um influente conselheiro, soube que há um grupo disposto a “rachar” os salários de Geninho, entendendo que o campeão brasileiro da Série B em 2000 é o único que pode reconduzir o Paraná à elite nacional. Tudo extraoficial, mas já ouvi gente dizer que Fonseca não passa de hoje, não importando o resultado.
Não acho que seja essa a solução. Se o problema é o primeiro – relacionamento – o Paraná deve agir com rigor e afastar os focos de insatisfação. Esse mesmo elenco já deu mostras do que pode ou não fazer. Convenhamos, não é muito. Alguns reforços seriam obrigatórios para brigar pelo acesso.
Além de que, sem esquecer que o Paraná está rebaixado para a Série Prata Estadual, e se o TJD-PR não entender culpa do Rio Branco no Caso Adriano (como já o fez uma vez), o calendário do Tricolor será desastroso, com nada a se disputar de janeiro a maio e dois campeonatos duríssimos, um pela logística, outro pela qualidade, no segundo semestre de 2012? E sem dinheiro no bolso. Arrumar mais uma dívida com um treinador que, bem ou mal, deu resultados, é o caminho? Com o caixa vazio, é difícil pensar no ano que vem.
Aí sim, será um mistério saber como agir.
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Esse é Adriano, o pivô da confusão (foto: Valquir "Kiu" Aureliano/Bem Paraná)
O julgamento de amanhã no STJD, envolvendo o Rio Branco e o jogador Adriano de Oliveira Santos, deve resultar em punição ao time do litoral e, por consequência, a manutenção do Paraná Clube na série ouro do Campeonato Paranaense.
A tendência de punição ao time parnanguara é o que percebi após conversar com quatro envolvidos diretos no caso – os quais me reservo o sigilo de fonte. A decisão do TJD local deve ser modificada no pleno do STJD por vários fatores.
O primeiro deles é que o caso dá margem a dupla interpretação. De fato a Federação Paranaense errou e foi quem induziu o Rio Branco ao erro, ao referendar o registro errado (mais abaixo eu relembro o caso); no entanto, o Leão também foi imprudente ao não conferir melhor a documentação. Assim sendo, o caso vai descambar para a política.
E há unanimidade de que o STJD fará a balança pesar para o Paraná. É o clube grande da história e tem sua dose de razão, agora que foi admitido no processo. Se não tem relação direta com a documentação, o Tricolor esteve em um dos jogos em que Adriano atuou. E as consequências da má campanha, como o rebaixamento, também farão parte de um componente político paranista.
Por fim, o STJD, menos envolvido emocionalmente no caso, deve fazer valer a máxima de que “se não está no BID, não existe”. A defesa emocional do advogado Domingos Moro – que já confirmou que estará no caso novamente amanhã -, alegando desorganização do sistema brasileiro nos registros e mostrando o quão expostos estão clubes do porte do Rio Branco, dificilmente cole junto ao pleno, que olhará basicamente se houve erro e não quem foi o culpado.
É claro que todas essas visões que pude apurar nas conversas com minhas fontes podem ser modificadas. As atuações da procuradoria (leia-se Paulo Schimitt) e do advogado Domingos Moro podem modificar a compreensão dos auditores. A própria participação do Paraná, com Itamar Cortês, também terá peso: tanto o STJD pode entender o prejuízo ao clube quanto minimizar a importância da participação tricolor no tribunal.
No ambito local, os auditores estiveram sujeitos a pressão da mídia, que chegou até a revelar os times de cada um (como se jornalista não tivesse time e não lutasse para que isso não influa em seu trabalho…) e da política local. No Rio de Janeiro, as pressões são outras.
Amanhã, a partir das 13h, as atenções estarão voltadas ao futuro paranista.
Relembre o caso
O meia Adriano de Oliveira Santos, com registro na Federação Paulista de Futebol, foi registrado como Adriano Oliveira dos Santos na FPF, que assim procedeu por não encontrar o nome correto em São Paulo e sim na Federação Capixaba, onde achou-se um quase homônimo. O Formiga-MG, em paralelo, contratou Adriano Oliveira dos Santos e ao procurar a Federação do Espírito Santo, foi informado de que o registro tinha vindo para o Paraná.
Registrado errôneamente, Adriano de Oliveira Santos passou-se, sem saber, por Adriano Oliveira dos Santos em seis jogos do Paranaense 2011 – um deles, contra o Paraná.
A procuradoria do TJD-PR denunciou o Rio Branco no artigo 214 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (incluir atleta em situação irregular), mas o clube foi inocentado em duas instâncias. A Federação Paranaense foi considerada culpada no caso por não ter identificado o erro, mas não se falou em punição.
Se punido, o Rio Branco perderia 22 pontos e seria rebaixado, ficando atrás do Paraná Clube na classificação, o que manteria o Tricolor na Primeira Divisão. Por ter sido excluído do processo, o Paraná, que pedia participação como terceiro interessado, recorreu e o STJD acatou.
A decisão desta quinta feira será soberana na esfera desportiva. Qualquer outro tipo de recurso só poderá existir na justiça comum, o que é vetado pela Fifa, que impõe sanções a confederações e clubes que usam a prática.
Post Scriptum:
Alguns leitores confundem o relato do caso e seus bastidores com um desejo por virada de mesa.
Negativo.
Minha leitura é de que a FPF errou (cadê a novidade?) no caso e é tão ou mais culpada que o Rio Branco; no entanto, não sou jurista e sei que por vezes vale mais a letra fria da lei.
Não irei considerar virada de mesa caso o Rio Branco seja punido e o Paraná mantenha-se na elite; virada de mesa seria um acordo da FPF com os clubes para ampliar o campeonato de 2012 e manter o Tricolor na elite.
Como é o papel da imprensa, mantenho-me informado do que acontece e trago os detalhes para vocês. Se o STJD considerar o Rio Branco culpado, lamenta-se pelo clube parananguara, que deve tirar lição do episódio e inclusive rever sua posição junto a FPF. Quem sabe os dirigentes passam a entender o futebol mais seriamente. Quem também deve tirar lições é o Paraná, que não apagará a mancha de ter caído em campo (o que não significa que não devesse lutar pelos direitos que tem), mas terá uma nova chance de fazer melhor.
Se o STJD inocentar o Rio Branco, lamenta-se pelo Paraná, mas também fica a certeza, mostrada pelo Londrina recentemente, de que o clube é grande o suficiente para retornar em campo. E além das lições, ficará também a necessidade de união do povo tricolor.
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Chega ao fim a série de entrevistas com o presidente do Atlético, Marcos Malucelli, feitas essa semana no restaurante vip da Arena (espaço que tornou-se um salão nobre do estádio, sem funcionar como restaurante).
Nessa parte final, Malucelli fala sobre Alfredo Ibiapina, o homem a quem confiou o futebol do Furacão; diz que é um presidente presente junto aos atletas e explica a opção pelos reservas na Copa Sul-Americana.
E dispara: “Sou um presidente que mostra que não somos um clube de dono”. Confira a parte final:
Se você só descobriu essa série agora, confira os outros trechos da entrevista nos links abaixo:
A série de entrevistas com o presidente do Atlético, Marcos Malucelli, chega a 3a parte – provavelmente a mais polêmica – falando de Copa do Mundo, Couto Pereira e Mário Celso Petráglia.
No bate-papo realizado nessa semana na Arena da Baixada, Malucelli não se furtou de nenhum assunto, desde o futebol do clube (na parte I) até as cotas de TV do C13 (parte II). E também não teve papas na lingua ao falar do desafeto e da possível ida do Atlético para o Couto Pereira.
“O Vilson [Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coritiba] me disse que se nos acertarmos, eles nos cedem o campo sem qualquer obrigatoriedade”, afirmou, sobre o uso do artigo 7 do Regulamento Geral de Competições; “É uma promessa do idealizador desse projeto que fique pronto, acho que ele vai cumprir”, desafiou citando indiretamente Petráglia, ao falar do término da Arena para a Copa das Confederações.
Malucelli foi fundo nos temas, detalhando também as opções que o Atlético tinha que escolher entre as propostas para conclusão da Arena. Assista e comente:
O Jogo Aberto Paraná é exibido de segunda a sexta, 12h30, na BandCuritiba. Assista!