“Imortal”, Operário ganha livro sobre seus 100 anos

O Fantasma de Vila Oficinas completou 100 anos nessa temporada. E se as coisas não andaram como se imaginava em campo, nem por isso a apaixonada torcida operariana esqueceu a data. Que o diga o pediatra Ângelo Luiz De Col Defino, alvinegro fanático, que se dispôs a contar a história do imortal Operário, que segue assustando nos campos paranaenses.

Ângelo gentilmente cedeu ao blog o trecho inicial do livro, que está a venda por módicos R$ 50 no site da livraria Portal Sul. “Imortal Operário Ferroviário – As histórias do Fantasma de Vila Oficinas”, traz  um relato histórico fiel do centenário de uma das mais tradicionais equipes do futebol brasileiro. O resgate transcende o Operário e volta até a primeira partida com registro da história do futebol no Paraná, entre Tiro Pontagrossensse e Coritiba, com detalhes, controvérsias e curiosidades são desvendadas através de uma pesquisa histórica minuciosa daqueles dias de outubro de 1909. Mapas, fotos e reportagens de 04 jornais de 1909 resgatam a memória dos pioneiros do futebol paranaense.

Leia e se apaixone um pouquinho você também pelo Fantasma!

“Nascido da classe operária que trabalhava na construção da ferrovia, em 1912, o clube contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento do esporte, mas também influenciou diretamente na formação da identidade cultural do ponta-grossense.

Desde o início do século passado o time já levava mulheres para o estádio, tornando-o espaço de sociabilidade e convivência, sem distinções. O Operário também foi um dos primeiros clubes do Brasil a aceitar jogadores negros desde a sua fundação, o que contribuiu para aumentar sua empatia com a comunidade. O uniforme listrado em preto e branco é uma homenagem à união das raças.

A famosa invencibilidade em vários jogos disputados contra times de outras cidades rendeu ao Alvinegro o apelido de Fantasma. A apaixonada torcida, que enchia os vagões das ferrovias para acompanhar o time nos jogos fora de casa, logo ficou conhecida como “a torcida do trem fantasma”.

A eterna rivalidade com o Guarani Esporte Clube originou verdadeiros clássicos entre as décadas de 1920 e 1960. Os operarianos, chamados de graxeiros, reuniam-se no Bar King, na Rua XV de Novembro, centro de Ponta Grossa. Os bugrinos, chamados de pó-de-arroz, tinham como reduto o Bar Maracanã, que ficava do outro lado da mesma rua. As provocações pela imprensa dias antes dos jogos, carreatas antes das partidas, comemorações após os encontros e charges expostas nas vitrines das lojas comentando os resultados tornavam o Ope-Guá um campeonato à parte.

Nesses 100 anos de atividades muitas foram as dificuldades para dar continuidade às atividades do clube, mas a história alvinegra acabou sendo marcada por uma grande capacidade de resiliência, pela imortal disposição em dar a volta por cima e ressurgir. Os momentos de retomada do futebol alvinegro foram de grande importância para a cidade, despertando um sentimento de união e de conquista entre os ponta-grossenses.

Na segunda parte do livro o leitor vai encontrar o Almanaque do Fantasma. Lá estão registradas as campanhas históricas, times que marcaram época, atletas alvinegros que serviram à Seleção Brasileira, goleadas inesquecíveis, estatísticas e outras curiosidades sobre o centenário clube.

Destacam-se também suas conquistas e títulos com o objetivo maior de valorizar o sentimento de comunidade e reforçar as capacidades de superação e de união de um povo, contribuindo para a construção de um orgulho regional e de uma melhor imagem de si mesmo.

Olê – lê – ô !

O – pe – rá – rio !”

Reflexo do rebaixamento, Atlético perde também no PPV

O site do Atlético divulgou os números que o clube recebeu da Globosat sobre a venda de pacotes Pay-Per-View em 2012. E o que percebeu-se é que não somente durante a “diáspora” rubro-negra o torcedor andou meio ausente.

Se a média de público do clube em Paranaguá girou em torno de 2 a 3 mil pessoas, imaginava-se que o atleticano tivesse aderido ao PPV para acompanhar o clube – o que não aconteceu.

De acordo com a tabela emitida pelo grupo de comunicação e publicitada pelo próprio clube, o Furacão despencou da 13a posição em 2011 para o 19o lugar em vendas nessa temporada.

O Coritiba, que quase chegou à Libertadores em 2011 mas não faz boa campanha em 2012, manteve-se na 15a posição em vendas de pacotes. Veja a tabela completa* e, logo abaixo, a análise:

Relegado à uma divisão inferior após 17 anos, vice-campeão estadual e com um começo claudicante na Série B, o Rubro-Negro perdeu praticamente um terço da arrecadação em PPV. Na contramão do rival até a metade deste Brasileirão, o Coxa teve um acréscimo nas vendas dos pacotes, mas não o suficiente para melhorar sua posição no ranking nacional.

Vice-campeão da Copa do Brasil por duas temporadas seguidas, pode-se imaginar que o crescimento em vendas veio com o tri-estadual e as boas campanhas na Copa, mas com o início claudicante no Brasileirão, o interesse esvaziou.

Numa análise global, percebe-se que o torcedor gosta mesmo é de time vencedor.

Maior torcida do Brasil, o Flamengo perdeu 10% da arrecadação com a campanha ruim que faz. O mesmo vale para o Palmeiras. Mal no Brasileirão, o time paulista perdeu duas posições e quase 30% do valor de vendas.

Já o Atlético-MG, que faz grande campanha, mostra a força nacional que tem e está catapultado ao 4o posto em vendas. O Galo, de acordo com a última pesquisa de torcidas do Datafolha, tem a 10a maior torcida do Brasil. O mesmo vale para o Vitória. O líder disparado da Série B praticamente dobrou seu volume de vendas em relação à 2011.

*Os números divulgados contemplam apenas os 18 clubes com contrato renovado por três anos na cisão do Clube dos 13.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

“Futebol Paranaense Forte”

Meu Amigo Pedro*

O título dessa coluna vinha impresso nos ingressos da FPF na minha infância. Era uma demonstrar a vontade de evoluir que os clubes paranaenses tinham. Até então apenas um título nacional de elite, o do Coritiba em 1985. Pouco, muito pouco. E Séries B e C a parte, melhorou pouco até os dias de hoje. Como explicar que um Estado com o 5º maior PIB do Brasil, uma capital maior que Porto Alegre, pode estar tão abaixo dos quatro acima? É Pedro, as coisas não são bem assim.

“A rodada foi histórica para o futebol do Paraná”

Foi a partir de uma série de comentários de colegas sobre o desempenho dos paranaenses na rodada do feriado passado que comecei a pensar: como assim, histórica? Negativo. A frase, oriunda das quatro vitórias de Coritiba, Atlético, Paraná e Cianorte (da A pra D, ok?) é puro POPULISMO. Isso mesmo cara pálida, populismo e dos baratos. Cada clube tem sua realidade, são concorrentes de mercado, ganhou apenas por si. A hipocrisia do “todos contentes” só serve pra mascarar a eterna mania de puxar o tapete do vizinho. Histórico mesmo seria um movimento por um campeonato estadual com menos datas e mais rentável. Seria ver os clubes unidos para que a Série Prata deste ano fosse antecipada e o retorno da Copa Sul; seria ver a Federação tomar partido pelos clubes na Copa do Brasil e na Libertadores, onde uns podem algumas coisas, outros não. Deixar de usar o futebol só como trampolim político. Ver o aluguel de um estádio ao rival para faturar, com ações de marketing que se alimentam da rivalidade. Dar apoio ao Cianorte para abrir mais uma vaga nacional – coisa que em São Paulo, o Mogi Mirim terá. Seria ver o futebol paranaense sério, trabalhando para render a Copa do Mundo, e não menosprezando e até contra o maior evento do futebol mundial.

Rivalidade, inteligência, construção

Nunca, em nenhum espaço de mídia que ocupei nesses 11 anos de carreira, preguei campanha para que o torcedor torcesse para o rival. Rival é rival. O que deve haver é uma compreensão do negócio futebol e a briga conjunta por interesse comuns fora de campo. Leio no blog do brilhante Leonardo Mendes Jr. (que trabalha no concorrente, mas e aí? Não é disso que estamos falando?) que o Paraná Clube espera as mesmas benesses do Atlético para deixar a Vila em condições de uso para a Copa. Ótimo, apoiado. Mas que o Tricolor não espere sentado e apontando o dedo. Onde está o projeto e o que pretende reivindicar a diretoria paranista? Há prospecção de seleções? Isonomia é para iguais: se há um projeto apto e consistente, rentável e de evolução, os direitos têm de ser dados. Senão será apenas um capítulo do “eu quero também, mas não sei como nem por quê.” Cresce, futebol paranaense.

*Meu Amigo Pedro, música de Raúl Seixas que diz, entre outras coisas, que é fácil criticar; difícil mesmo é ser.

Adeus, Corinthians Paranaense

Timãozinho acaba em junho (foto: Geraldo Bubniak/FutebolPR.net)

O Campeonato Paranaense se foi e com ele, vai embora também o Corinthians Paranaense. O polêmico acordo entre o J. Malucelli Futebol S/A e o Corinthians Paulista se encerra, três anos depois, com o saldo de um vice-campeonato e uma grande revelação: o volante Jucilei, hoje no Anzhi, da Rússia.

O Corinthians-PR foi tratado com desprezo pelas torcidas locais, que consideraram um ultraje ao futebol paranaense a anexação de uma marca paulista ao cotidiano paranaense – especialmente após a divulgação da última grande pesquisa de torcidas no Paraná, que aponta o Corinthians Paulista como o time de maior preferência, a frente, pela ordem, de Atlético, Coritiba e Paraná Clube. O fato da bandeira do Estado de São Paulo ter ficado no escudo do clube só aumentou a rejeição. Na época, o presidente de honra do clube, Joel Malucelli, explicou que o Corinthians-SP vetou a bandeira paranaense no escudo por conta das cor verde, que remete ao rival paulista, o Palmeiras.

Conversei com Joel Malucelli sobre a reversão do Timãozinho em Jotinha – com o clube voltando a se chamar J. Malucelli Futebol S/A – a experiência com a marca corintiana e o cenário do futebol paranaense:

Napoleão de Almeida: Porque o Corinthians Paranaense vai acabar?
Joel Malucelli: O prazo vencia em junho. E já estamos com tudo na FPF e CBF para mudar de novo. E esperamos que a marca do Jotinha, um nome simpático, volte a agradar as pessoas.

NA: E por que não deu certo?
JM: O motivo principal era tentar agregar torcedores. E não tivemos sucesso, não adianta. Até porque também porque o time não foi bem dentro de campo. E a bandeira de São Paulo no Corinthians Paranaense não pegou bem. E mesmo os corintianos de São Paulo não se entusiasmaram com o Corinthians-PR. Nós lançamos um plano de sócios, chegamos a ter 200, foi o máximo que conseguimos. Mas a maioria era funcionários do grupo [J. Malucelli]. E como a seguradora J.Malucelli cresceu muito no Brasil, nós vamos aproveitar pra trabalhar esse marketing. Estamos renegociando pra tentar renovar com o Coxa [clube do qual Joel foi presidente nos anos 90] também.

NA:  O Estado do Paraná tem algumas particularidades. No norte, por exemplo, vive-se muito mais o Estado de São Paulo que a própria terra. Vocês não pensaram em explorar mercadologicamente esse público em Londrina ou Maringá?
JM: A gente pensou em levar para Maringá, seria fantástico. Mas pra nós que moramos aqui em Curitiba, pros empresários virem ver os jogadores, é mais fácil ficar. A nossa estrutura está aqui. E tem outra coisa: eu estou nisso mais por paixão. E pra curtir a paixão só ela estando perto da gente.

NA: E você não ia querer uma Gaviões da Fiel no seu pescoço em cada derrota…
JM: (risos) Não! Também tem isso, não quero não, principalmente o Juarez [Malucelli, irmão e presidente do clube], iam me pedir o pescoço dele! Mas o J. Malucelli, o Corinthians-PR, a gente no grupo [J. Malucelli, com quase 70 empresas em diversas áreas] considera projeto social. Nós não queremos fazer aporte de dinheiro, até porque eu sou apaixonado por futebol, mas muitos sócios do grupo não são.

NA: E fora a negociação do Jucilei, o acordo valeu?
JM: Só o Jucilei já valeu. Mas o Ronaldo [volante] também foi um jogador nosso vendido ao Corinthians. E o futebol vale, como paixão. É o teu hobby e sendo Jota ou Corinthians você está fazendo o que gosta. Tá vendo os guris se desenvolvendo, nós temos uma estrutura muito boa. Logo, nós teremos que ser a 4ª força do futebol paranaense. Fomos vice-campeões em 2009, até com o Leandro Niehues de técnico. Esse ano ele não foi bem. Nós vamos mudar um pouco a filosofia e vamos usar mais a base. E vamos aproveitar o relacionamento que temos com Atlético, Coritiba e o próprio Corinthians pra usar mais jogadores dos planteis deles.

NA: Como o Douglas, que chegou ao Paraná?
JM: Pois é. Poderia ter vindo pra cá, era só ter um trabalho nosso. Nós temos um menino [o meia Matheus] que veio do Corinthians e que nos ajudou a se salvar no campeonato. Chegamos a nos preocupar, porque fora de Curitiba o time não tinha resultados. E foi um pouco de teimosia do pessoal que toca futebol lá, insistir com jogadores que já passaram pelo clube.

NA: E agora o clube para no profissional. Como você vê os estaduais, levando pouco público, sendo deficitários?
JM: Alguma coisa tá errada quando acontece isso. A televisão absorveu muito público. Mas eu estive no Atletiba da Vila Capanema. E ver no campo é outro jogo, outra sensação. Só que o estacionamento é caro, a comida não é boa, há o problema da segurança. Em casa o cara vê no HD. Mas precisamos mudar esse quadro.

Jucilei

Na busca por alguns gols do ex-jogador do Timãozinho, achei essa reportagem muito bacana da Record com o jogador. Vale assistir:

X razões para o seu time ganhar o título no Atletiba #352

Falta pouco para o Atletiba #352 da história, que vale a taça do Paranaense 2012. E para alimentar a conversa nos botecos nos momentos que antecedem a decisão, uma lista de razões para que o seu time saia campeão no domingo:

#Atlético – Na última decisão com partida final no Couto Pereira, em 1990, foi campeão sem precisar vencer: 2-2.

#Coritiba – Não perde para o Atlético no Couto Pereira desde 2008, com 8 jogos de invencibilidade e 4 vitórias no período.

#Coritiba – No Couto Pereira, aproveitamento com Marcelo Oliveira é de 89,1%, com 42 vitórias e apenas 2 derrotas em 49 jogos.

#Atlético – Venceu 50% dos jogos fora de casa nesse ano: 7 vitórias e 3 empates em 14 jogos.

#Atlético – Venceu 7 das 13 decisões de Paranaenses entre os clubes desde 1924.

#Coritiba – Na última vez que decidiu no Couto Pereira em pênaltis, em 1978, foi campeão.

#Coritiba – Não jogou durante a semana, só treinando e recuperando para o Atletiba; deve ter a volta de Rafinha.

#Atlético – Venceu e eliminou o Cruzeiro, vai embalado pro Atletiba; deve ter a volta de Guerrón.

#Atlético – Já foi campeão no Couto Pereira em três ocasiões: 1982 (x Colorado), 1983 e 1990 (x Coritiba).

#Coritiba – Terá maioria absoluta de torcida a seu favor dentro do Estádio.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 09/05/2012

Retrocesso

Uma tendência triste, da qual se torna cada vez mais difícil escapar: semanas pós-clássico no Paraná têm tido mais discussões em cima de arbitragens, violência e condutas extra-campo do que do jogo em si. O resultado é nítido: estádios esvaziados. Não à toa a decisão do Estadual 2012 levou apenas cerca de 9 mil pessoas a Vila Capanema. O futebol paranaense retrocedeu no tempo. Estancou na arbitragem, incompetente e sem renovação; erra nas fórmulas dos campeonatos e intransigência dos mandatários; peca no controle à violência, incentivando diferenças. Andamos para trás nos últimos anos. É uma hora uma profunda reflexão. A apregoada modernidade que a Copa 2014 pode trazer não combina com 90% do que vem sendo feito na terrinha.

Crescimento e desproporção

O Coritiba foi o 5º clube que mais cresceu em arrecadação em 2011, segundo estudo do balanço financeiro coxa-branca feito pela Pluri consultoria, divulgado ontem. Foram 117% de receitas a mais que em 2010, ano em que disputou a Série B, com boa parte dos jogos em Joinville. Em compensação, as despesas cresceram 74%. Natural: mudaram as ambições e circunstâncias. Mas o Coxa ainda está longe de poder competir com os gigantes brasileiros em receitas. A principal dela, responsável por 56% do volume de arrecadação, vem da TV: R$ 24,8 milhões. Corinthians e Flamengo recebem cerca de R$ 110 milhões da mesma fonte. Os sócios representam 26% do volume da renda do Coxa. Atlético e Paraná não tiveram seus estudos apresentados pela empresa até o fechamento da coluna.

Mico

Alguém não identificado, mas com o texto em tom muito parecido com o que usa o presidente Mário Celso Petráglia, usou o twitter oficial do Atlético para reclamar de arbitragem e se queixar das mazelas do clube em tom nada solene. Um mico ainda sem responsável. O canal institucional do clube não deve se prestar a desabafos e rompantes e sim servir a comunidade esportiva com informações precisas e técnicas, ou promoção institucional. Tratá-lo como parte de uma posse pessoal mostra que o profissionalismo está passando longe da Baixada.

Informações que interessam

Mas como o twitter atleticano se propôs a um bate papo “aberto” sobre as coisas do clube, enquanto o principal gestor se recusa a dar entrevista, lanço algumas perguntas abertas, para quem sabe encontrar respostas no mesmo canal: qual o critério na montagem do time, mantendo a base rebaixada e repatriando jogadores sem sucesso em passagens anteriores, como o goleiro Vinícius e o zagueiro Bruno Costa? Qual o valor e o destino das cadeiras da Arena, removidas do estádio? Qual a versão dos dirigentes para as acusações da “Operação Uruguai”, denunciada recentemente, envolvendo favorecimento pessoal em transações nos anos 90? No aguardo.

Exclusivo: Vilson Andrade e o momento do Coritiba

A palavra crise andou rondando manchetes sobre o Coritiba nessa semana, quando o time perdeu uma invencibilidade de 48 jogos em campeonatos paranaenses. É bem verdade que a equipe não vem jogando bem, mas também é fato de que chega a ser irônico referir-se a crise quando um time perde pela primeira vez após tanto tempo.

Seja como for, o Coxa teve uma reunião entre diretoria, jogadores e comissão técnica ontem. E amanhã pega o melhor time do returno, o Londrina, precisando de uma goleada por 5-0 para assumir a liderança e tentar uma vaga na decisão, que já conta com o rival Atlético. Em meio a pressão, conversei com o presidente do clube, Vilson Ribeiro de Andrade, que soltou o verbo sobre o momento coxa-branca:

Napoleão de Almeida: O que você enxerga nessa fase do Coritiba?
Vilson Ribeiro de Andrade: Precisamos de três jogadores, já está no planejamento. Estamos esperando a definição da Libertadores, tem muito time inchado, não vai continuar assim. Tivemos problemas médicos no começo do ano e investimos R$ 200 mil em um aparelho isocinético, que previne lesões. É tudo investimento. Temos que trazer três peças para chegar e ser titulares. Eu entendo muito é de finanças, de futebol não entendo muito. Mas o que eu vejo é que o meio de campo não ajustou. Tem que trazer alguém que fará esse trabalho de aproximação. Sem isso, é improvisação e bola parada.

NA: O clube perdeu peças importantes e não repôs a altura. Essa análise é justa?
VRA: Olha… nós tivemos decréscimo no quadro associativo [Nota do blog: o clube afirma ter 19 mil sócios adimplentes e 25 no total, com atraso], passamos esses primeiros meses com prejuízo. Mas veja, Emerson e Rafinha tiveram propostas e nós seguramos. É um esforço que o clube fez. O Grêmio trouxe o Kléber [Gladiador, que quebrou a fíbula] a 560 mil por mês e agora está seis meses fora.

NA: Nos bastidores, muito se falou em salários atrasados. É verdade?
VRA: Quando time não está bem, a primeira coisa é falar em salário atrasado. Não é o caso do Coritiba. No futebol funciona assim: você paga fevereiro até o fim de março. Eu pago primeiro os funcionários e vamos acertando o resto. Mas está tudo de acordo com o que combinamos com o grupo de atletas. Ontem (segunda, 26/03) eu saí da clínica [Vilson está em um tratamento de saúde] e fui direto pra lá. Sentamos com os jogadores, mostrei pra eles a confiança que eu tenho e a responsabilidade que eles tem. Eu disse a eles: quem não estiver satisfeito, não tem problema nenhum. Eu faço a rescisão e pode ir embora.

NA: E eles?
VRA: A conversa foi muito boa. Aqueles que não estiverem no ritmo do grupo nós vamos afastar. Discretamente, sem alarde. Tem gente que não aprendeu espírito de competição. Não adianta qualidade técnica se não tiver esse espírito.

NA: Quem? Existe indisciplina?
VRA: Acredite: não tem indisciplina. O problema é querer competir.

NA: A torcida vem pegando muito no pé do [técnico] Marcelo Oliveira…
VRA: Mandar o treinador embora é jogar para a torcida, tentar agradar. Eu não sou assim. Eu agrado às minhas convicções.

NA: Hoje saiu a informação de que Atlético e Coritiba irão a julgamento no TJD-PR pela medida de permitir uma só torcida no jogo da Vila Capanema. Você pretende repetir a medida no Couto Pereira? Como encara uma definição diferente das partes?
VRA: Se ele [Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético] não cumprir a palavra, eu não estou nem aí. Se quiser por 3 mil atleticanos lá, sem problemas. O estádio tem condições para atender as duas torcidas. O que eu tenho que fazer é por um time em campo pra ganhar o jogo. Mas estou vendo o que há de garantia com o Ministério Público, a polícia, o departamento jurídico… e se ele roer a corda, ficará feio pra ele.

NA: A relação entre você e Petraglia não está boa, pelo visto.
VRA: Eu disse a ele no começo do ano: “Paranaense, esqueça. Brasileiro, podemos pensar [sobre aluguel do Couto Pereira].” Aí estávamos conversando no Hotel Bourbon, eu estava negociando o Couto, mas recebi uma mensagem no meu celular. Ele estava com gente no Rio de Janeiro forçando a CBF a baixar o artigo 7º [artigo do RGC da CBF que dispõe da necessidade de empréstimo compulsório de estádios se a entidade requisitar]. Disse a ele na hora: esqueça, não quero mais negócio. Ele me disse: “então você me aguarde.” Ok, se é assim, tudo bem.

NA: E o estádio novo? Em que pé está?
VRA: Nada muito novo. Estamos negociando. Veja, o estádio do Grêmio levou quase 5 anos para ter tudo aprovado. Talvez até o final do mês a gente tenha alguma posição para levar ao conselho, mas ainda vai tempo.

Atletiba 350: entenda a situação da “torcida única”

O TJD-PR irá julgar na próxima quarta-feira, 04/04, na 3a comissão, a medida tomada por Atlético e Coritiba de realizar o Atletiba 349, no dia 22/02, com a presença apenas da torcida rubro-negra.

A decisão fere o Estatuto do Torcedor em dois artigos (13 e 14) e também o artigo 24 do regulamento do Campeonato Paranaense. A procuradoria do TJD-PR ofereceu denúncia contra os dois clubes pelo descumprimento da lei, em uma petição de quatro laudas, feita pelo procurador Marcelo Contini. Nela, a procuradoria afirma não ter nenhum pedido oficial do Ministério Público do Paraná exigindo a realização do clássico com restrição de torcidas. De fato, a única manifestação do MP-PR foi um pronunciamento lamentando a decisão e assumindo estar “rasgando o Estatuto do Torcedor”, como você pode conferir nesse link.

Aliás, recomendo a leitura do post do link, de fevereiro, e o que está logo abaixo, para que você torcedor entenda a parte que lhe cabe no processo.

Agora, a parte que mais interessa ao torcedor: a decisão do TJD-PR, seja qual for, não tem poder de influir na realização do clássico 350, em 22/04, com torcida única ou não. O que o TJD pode fazer é punir os clubes pela medida adotada, mas não pode obrigar a que o jogo do Couto Pereira tenha duas torcidas. Isso só pode ser feito pelo MP-PR – e pelo próprio torcedor, na ocasião da definição dos ingressos, caso haja interesse, via procuradoria do consumidor.

O que o TJD-PR fará é apenar (ou não) os clubes com multa pela decisão tomada, após julgamento. Se inocentados, um problema a menos para a realização de novo clássico com torcida única; se não, a tendência é que os clubes, se repetirem a decisão, sejam novamente punidos financeiramente, com multa que pode chegar a R$ 100 mil por infração.

Em tempo: o Atletiba 349 foi marcado por violência na cidade, mesmo com torcida única, como mostram os links abaixo.

http://www.bemparana.com.br/noticia/206584/vrios-pontos-da-cidade-registram-confrontos-de-torcedores

http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/noticias/0,,OI5627962-EI19282,00-Atletiba+com+torcida+unica+nao+evita+casos+de+violencia.html

http://blogs.98fmcuritiba.com.br/98narede/2012/02/23/policia-militar-afirma-que-atletiba-com-torcida-unica-nao-mudou-panorama-de-violencia/

Cover da semana #1 – Coritiba-SE

Estreando hoje quadro novo aqui no blog: é o cover da semana. Falarei de um clube cujo nome seja inspirado em outro, contando uma rápida história de ambos. E também, de acordo com o sucesso do cover, um parelelo entre uma música e sua versão cover. Comente e sugira novas equipes e músicas logo abaixo!

Cover da semana #1:  Coritiba Foot Ball Clube, de Itabaiana, Sergipe

Coritiba-SE: homenagem ao Coxa começou no futsal

Cover de quem? O Coritiba-SE é uma homenagem ao paranaense Coritiba Foot Ball Club. Fundado em 1972, o Coxa sergipano foi criado no futsal, migrou para o futebol de campo, mas não obteve o sucesso do xará; hoje está reativado no futsal de Sergipe.

Qual versão é melhor? O Coritiba original, fundado em 1909, tem 35 títulos estaduais e 4 nacionais, sendo um deles o da primeira divisão brasileira em 1985; o cover mandou e desmandou no futsal do Sergipe nos anos 90, com um heptacampeonato entre 93-99 e o título da Copa Nordeste de Futsal de 92; quando migrou para o gramado, conseguiu apenas um título, a segunda divisão estadual de 1999.

Como foram compostos? O Coritiba original foi fundado em 1909 em Curitiba por um grupo de desportistas alemães, em especial Fritz Essenfelder, que foi quem trouxe pela primeira vez uma bola para o Estado do Paraná; o cover surgiu em 1972, fundado por Wilson Gia da Cunha, que residiu em Curitiba e ficou admirado com a equipe dos anos 70 do Coxa, que venceria o Torneio do Povo e um hexacampeonato estadual naquela época.

A capa do álbum:

O original, o cover em 1ra versão e o escudo da fusão com o Itabaiana

E na guitarra?

Uma boa comparação são as versões de “Goin’ Blind”, do KISS, banda que ao exemplo do Coxa, teve anos dourados entre 70’s e 80’s, e do Dinosaur Jr, grupo que apareceu na onda do Grunge nos 90’s.

A versão original ganhou uma ótima releitura no álbum MTV Unplugged, de 1999. A versão original é do disco Hotter than Hell, de 1974 – dois anos depois da fundação do Coxa sergipano.

Eis a versão original:

E esse é o cover. Convenhamos, bem ruinzinho:

Semana que vem vamos apresentar o Atlético Paranaense do… Paraguai! Já na fila estão o Londrina-RS, o Roma, o Corinthians-PR e alguns outros mais. Enquanto isso, comente o quadro abaixo e faça sugestões de times e músicas também!