Emerson: jogada aérea, com gramado encharcado, seria mortal. E foi. (foto: AI)
Aguerrido, pragmático, preciso. Seja qual o adjetivo escolhido para qualificar o Coritiba que eliminou o São Paulo e está pela segunda vez seguida na decisão da Copa do Brasil. O Coxa foi melhor que o São Paulo nos dois jogos e, convenhamos, nem passou tanto sufoco assim, muito embora Vanderlei tenha feito duas boas defesas. Não houve um único destaque: todos em campo jogaram demais. Até mesmo o criticado Roberto. Se há algum mérito individual – nenhum que se sobresaia ao coletivo – é para o técnico Marcelo Oliveira, que foi ousado na escalação e não arredou pé durante os 90′.
Agora, a decisão. Seja contra Palmeiras ou Grêmio – dois papões da Copa do Brasil – o Coritiba chega em pé de igualdade. Deve pegar o Verdão paulista (a se confirmar hoje) o que pode ser melhor por um fato significativo: o Palmeiras não tem casa. Enquanto o Couto Pereira tem a impressionante marca de 11 vitórias seguidas (incluindo 2011) pela Copa do Brasil a favor do dono da casa.
O Coritiba se junta à Grêmio, Corinthians (este, por duas vezes) e Flamengo como únicas equipes a chegar a duas finais de Copa do Brasil consecutivas. E a história aponta que o torcedor coxa-branca pode sonhar como nunca antes com o título.
Os times que conquistaram esse feito antes levantaram o caneco na segunda decisão – exceção ao Flamengo, que perdeu as duas.
Em 1993, o Grêmio perdeu a taça para o Cruzeiro; em 94, papou o Ceará. Os gaúchos ainda conseguiram a proeza de chegar novamente em 95, mas perderam para o Corinthians.
Em 2001, o Corinthians levou o troco na final, perdendo para o Grêmio. Mas voltou no ano seguinte e foi campeão, sobre o Brasiliense. Nova dobradinha corintiana em 2008/09: derrota para o Sport, vitória sobre o Internacional.
Só o Flamengo, vice do Cruzeiro em 2003 e do Santo André em 2004, não aprendeu a lição de um ano para outro.
Restará ao Coritiba mostrar, à Palmeiras ou Grêmio, que também tirou lições de 2011. E levantar mais um título nacional, o primeiro da Copa do Brasil para o Paraná, o primeiro de grande importância desde 1985.
Prorrogação
Tcheco não parou nesta quarta. Bem conversado, vai até dezembro – ou a Libertadores, porque não?
Por corporativismo barato e em desrespeito à constituição brasileira, fui impelido (com “l” mesmo) de trabalhar na partida entre Coritiba x São Paulo por uma associação de classe que se pretende reguladora de profissão. O tempo e a justiça mostrarão a verdade. Em tese, o torcedor não tem nada com isso. Mas paga por encontrar um mercado viciado – e reclama, muitas vezes generalizando os profissionais de imprensa. Há males que vem para bem e tomara que seja o caso, o início de uma nova mentalidade na imprensa.
Em tempo: agradecimento à vários colegas e ao Coritiba Foot Ball Club pelo suporte no caso.
A previsão do tempo para hoje é chuva, da manhã até a noite. Para as 21h, de acordo com o site Climatempo, mais água. Quando a bola rolar para o segundo jogo entre Coritiba e São Paulo (0-1 na ida) pela Copa do Brasil, o campo, mesmo com boa drenagem, estará encharcado. E apesar da necessidade do Coxa ser fazer um ou mais gols e de preferência não sofrer nenhum, a chuva é uma aliada. O São Paulo tem um time mais técnico e leve que o Alviverde, com Casemiro e Jadson trocando passes em velocidade, Lucas conduzindo a bola na diagonal e Luís Fabiano, perigoso e rápido, mas de média estatura. Já o Coxa tem como principal jogada no ano a bola alta. Foi assim no Paranaense, com Emerson e Pereira fazendo gols em cruzamentos invariavelmente saídos dos pés de Tcheco. Por isso com concluo: o São Paulo vem da Terra da Garoa, mas São Pedro é coxa-branca.
Despedida?
Ganhando, o Coritiba chega pela segunda vez seguida à final da Copa do Brasil; perdendo, dá adeus não só à competição, mas também ao maior ídolo do atual elenco, o meia Tcheco. Formado no Paraná, destacou-se no Malutrom antes de aportar no Alto da Glória. Pelo Coxa, três títulos paranaenses e um da Série B. Também ajudou o clube a se classificar para a Copa Libertadores de 2004, última participação alviverde. Aos 36 anos, Tcheco até teria bola para continuar mais um tempo. Ouviu pedidos de todos os lados: da torcida, de segmentos da imprensa e até do rival Paulo Baier para que siga jogando ao menos até dezembro. Não quer. Vai ser gerente de futebol auxiliando Felipe Ximenes. Só a vitória adia a aposentadoria de Tcheco. Imagine o quanto vale o jogo de hoje para o humano dentro da camisa do Coritiba.
Ambição
Ricardo Drubscky já é realidade no Atlético, mas passou despercebida uma declaração do ex-técnico Juan Ramón Carrasco que denota o grau de dificuldade que o substituto terá – e que se acentuou após uma estréia ruim no 0-0 com o Goiás em Paranaguá. Disse Carrasco: “Não nos foi exigido conquista, o importante é subir”, sobre os planos da diretoria rubro-negra para a temporada. Aprendi cedo na vida que é importante ao menos mirar nas estrelas, pois mesmo errando às vezes, chegaremos mais perto do topo. Não querer ser campeão é jogar contra a história do Atlético. Taça é taça. E para ganhar, é preciso reforçar um elenco que patinou num Estadual fraco. Sem contratar, nem Drubscky, nem Carrasco, nem mesmo Pep Guardiola darão o acesso ao Furacão.
Convite
Tenho apostado na convergência de mídias na internet, com vídeos e áudios, entrevistas especiais, informações e comentários no blog bemparana.com.br/napoalmeida. Convido você a visitar e comentar, ajudando nesse novo projeto.
Em pauta, a semifinal da Copa do Brasil entre Coxa e São Paulo, a necessidade do Atlético reforçar, um pedido: entrega logo a taça da Série Prata, Euro 2012 e a nova gata do Romário: Márcia Magalhães, assessora do Baixinho, gente da terra, gente nossa!
Na semana que passou o futebol deu mais um passo para trás. No clássico paulista entre Santos x Corinthians (0-1) pela Libertadores, a PM proibiu aquilo que chamou de provocações: faixas das torcidas tirando sarro dos rivais. “Eterno 7 x 1” e “Às vezes em segundo, nunca na Segunda” eram textos vistos frequentemente dos dois lados quando os times se encontram e que no jogo da Vila Belmiro foram vetados, sob a justificativa de preservar a paz. No entanto, isso não impediu a torcida do Santos de, reprovadamente, retirar o capacete de um PM de SP e atirá-lo ao gramado. Com isso, já surgiram comentários espirituosos como “no próximo clássico, vão proibir torcedores com mãos de ir ao estádio”. É o velho raciocínio preguiçoso das autoridades brasileiras: matar o cachorro para acabar com as pulgas.
Proibir é a regra, estejam certos ou errados os torcedores. O “Green Hell” criado pela torcida coxa-branca é uma bonita festa de cores (verde, claro), luzes e fogos e não incita ninguém à violência. Também não deixa os jogadores em campo em perigo – talvez deixe os adversários do Coxa um pouco assustados, no máximo. Serve para “incendiar” o ambiente, no sentido mais positivo da palavra. É parte da mística do futebol. Aquela que tentam acabar a cada dia.
Talvez o “Green Hell” tenha um outro problema: atrasa um pouco o início do jogo. Não que o horário seja uma preocupação central de quem transmite o evento. Afinal, o horário das 22h já privilegia a imensa maioria de interessados que não vai ao estádio, ficando no conforto do lar, com ou sem aquela cervejinha (a mesma proibida nos estádios desde antes dos episódios de 2009 no Couto, por exemplo) na mão. Os poucos privilegiados que podem ver o espetáculo ao vivo (tanto pelo preço quanto pela disposição) já sabem – e creio que não se importem – que um jogo in loco tem seus atrasos. Vão demorar a chegar em casa e o que querem mesmo é ao menos voltarem felizes ou orgulhosos.
“Secretamente” (se é que há como organizar algo coletivo numa rede social sem que ninguém saiba), a torcida do Coritiba pretendia surpreender o time e a diretoria com um “Green Hell ilegal” na partida dessa quarta-feira contra o São Paulo, no jogo de volta (0-1 SP ida) pela Copa do Brasil. Foi o que bastou para o clube soltar uma nota de esclarecimento que diz, entre outras, que “o clube também pede a colaboração de seu torcedor para que não traga ao estádio nenhum tipo de fogos de artifício, piscas ou sinalizadores, lembrando que haverá uma revista minuciosa na entrada dos torcedores.” Algo do tipo, “nem vem que não tem.”
Nesse ano, contra o Ceará pela Copa do Brasil, a torcida do Paraná fez sua parte levando sinalizadores e fazendo uma bonita festa. O clube acabou julgado no artigo 213 do CBJD pelo atraso de 3 minutos, em que podia ser punido de R$ 1 mil a 100 mil por minuto de atraso. Foi apenado em R$ 1,2 mil – possivelmente 50 a 60% do valor da festa que a torcida coxa pretende fazer.
Mas o que importa mesmo é que ninguém tem um “porque” decente para o não. O “Green Hell” é esporádico (cada vez mais) o que só valoriza a ação; não agride, não ofende – embora os narradores fiquem com a respiração trancada por alguns minutos; talvez atrase um pouco o jornal, mas, vá lá, nem todos os filmes da madrugada são tão bons assim. Entre proibições, o futebol vai perdendo seu encanto. Deviam deixar pelo menos o pessoal torcer em paz.
Pelo segundo ano consecutivo, pela quinta vez na história, o Coritiba é semifinalista da Copa do Brasil. Operário, Paraná e Atlético ficaram pelo caminho e cabe ao Coxa a honra de representar não só a si, mas também ao Paraná em uma série semifinal que ainda tem um gaúcho e dois paulistas.
Finalista em 2011 (perdeu o título nos critérios para o Vasco) o Coritiba enfrenta o São Paulo, clube mais poderoso do País, mas que está desacostumado com a Copa do Brasil. Nos últimos 10 anos, o São Paulo disputou a competição nacional apenas três vezes (estava na Libertadores nas demais). Ao Coxa, cabe o rótulo de azarão: entre os quatro, é o de menor investimento; no entanto, tem se acostumado com o formato da competição.
Coritiba x São Paulo
Ida: 14/06 – 21h – Morumbi, São Paulo
Volta: 20/06 – 21h50 – Couto Pereira, Curitiba
A exemplo do Coritiba, a melhor campanha do Tricolor Paulista na Copa do Brasil é um vice-campeonato. Em 2000 perdeu para o Cruzeiro na decisão. O São Paulo leva ligeiro favoritismo na série, mas não é um supertime; conta com dois jogadores de qualidade acima da média, como os atacantes Lucas e Luís Fabiano. Ainda tem bons valores, casos do lateral-esquerdo Cortês, do meia Casemiro e dos ex-atleticanos Rhodolfo (zagueiro) e Jadson (meia). No banco, o experiente técnico Emerson Leão. Mas na temporada, altos e baixos. No Paulistão, o time parou nas semifinais. No Brasileiro, é 8 ou 80: duas vitórias em casa, duas derrotas fora.
Em casa, o SPFC está 100% na Copa do Brasil. Superou Independente-PA (4-0), Ponte Preta (3-1) e Goiás (2-0) – eliminou ainda o Bahia de Feira sem precisar jogar no Morumbi. Tem jogado no 4-4-2, com as principais jogadas saindo pelo lado esquerdo com Cortês ou em tabelas rápidas pelo meio, com o trio Casemiro-Jadson-Lucas.
Contra a Ponte Preta, o SPFC encontrou muitas dificuldades. Depois de perder o jogo em Campinas (0-1) saiu atrás no Morumbi e não conseguia furar a boa marcação da Ponte. Mas empatou em uma jogada de bola parada e contou com uma falha bisonha da defesa adversária. A partir dali, virou dono do jogo. Veja os lances:
Na história será o primeiro confronto pela Copa do Brasil. No geral, vantagem sampaulina: 11 vitórias do Coritiba contra 17 paulistas, e 10 empates. A maior goleada do confronto pertence ao Coxa: 4-0 no Brasileiro de 1972. No último jogo no Morumbi, 0-0; no último no Couto Pereira, 3-4 para os paulistas.
Se passar pelo São Paulo, o Coxa decide o título contra Grêmio ou Palmeiras.
Muita tradição e rivalidade em campo. Duelo Luxemburgo x Felipão, 18 anos depois, com papéis invertidos. Leve favoritismo do Grêmio. Abaixo, dois grandes jogos entre os times, que entraram para a história, nas quartas-de-final da Copa Libertadores. Na ida, 5-0 Grêmio e vaga 100% garantida. Ou quase: o Palmeiras ficou perto de devolver o placar:
Estive no interior do Paraná durante o feriado. A predileção dos nortistas pelo futebol paulista não é novidade. O Paraná, futebolisticamente falando, começa em Paranaguá e termina em Ponta Grossa. Por isso, São Paulo x Coritiba na noite de amanhã não é apenas mais um jogo: é uma daquelas chances que o futebol da terrinha tem de demonstrar que há competitividade suficiente para que os paranaenses comecem a adotar os times do Estado. Entre 2001 e 2006, envolvido em disputas nacionais, o Atlético rompeu um pouco essa barreira; agora é a vez do Coxa, pela segunda vez seguida em uma semifinal de Copa do Brasil. Vale muito.
Rafinha subiu no telhado?
E justamente pela importância da partida é que se estranha que Rafinha, principal estrela do elenco, foi liberado pelo departamento médico e pediu para não jogar. Pela cidade, corre o boato de que ele está de malas prontas para o futebol asiático, em negociação que envolve a LA Sports, parceira do clube. Não é impossível, mas não é o que o clube diz. Mesmo liberado, Rafinha pediu para não jogar porque jogou sem estar 100% nas finais do Paranaense e voltou a sentir. Então pediu para não atuar amanhã no Morumbi. De uma forma ou de outra, o Coritiba tem que aprender – e já tem tentado – a viver sem Rafinha.
Adiós, Carrasco
Ainda na tarde de segunda-feira, recebi a informação de que a diretoria atleticana iria demitir Juan Ramón Carrasco. Ela só se confirmou na manhã de ontem. Carrasco deixa o Atlético seis meses depois da queda para a segunda divisão nacional com um problema e tanto para o próximo treinador: elenco fraco. A troca de técnicos é a solução mais à mão para qualquer clube em mau momento. Nem sempre é a correta. O auxiliar de JR Carrasco, Omar Garate, afirmou entre outras coisas, que o atacante uruguaio Morro Garcia treina bem, mas não pode ser escalado. Contratação polêmica da antiga diretoria, Morro teve poucas chances – não aproveitou-as bem – e é jovem. Pode simbolizar uma das razões da saída do técnico: a de que a diretoria passou a influenciar diretamente nas escalações.
Sol e peneira
Carrasco começou o ano a mil, colocando o Atlético no 4-3-3 e contando com Harrison como revelação, junto com outros jovens que estavam bem, como Ricardinho e Bruno Furlan. Harrison sumiu do time sem muitas explicações. Uma das possíveis é que não quer trocar de procurador para renovar contrato. O elenco foi sentindo as competições e demonstrou ser fraco. Não foi reforçado à altura. Trocar o técnico é tapar o Sol com a peneira: sem trazer jogadores e dar liberdade ao novo treinador, o Atlético caminha para um 2012 ainda mais amargo.
Aproveitei o feriado prolongado para visitar familiares no norte do Paraná. A predileção dos paranaenses nortistas pelo futebol de São Paulo não é mais nenhuma novidade e já foi abordada no Videocast #005.
Mas graças a alguns novos amigos e a TV a Cabo, não é mais impossível acompanhar os times da capital por lá. E assim sendo, consegui ver no sábado um pouco dos jogos do final de semana, com as derrotas de Atlético e Coritiba e a vitória do Paraná, no finzinho do jogo.
Entre um jogo e outro, apesar do assunto principal na região ser Corinthians x Santos, alguns se interessaram em saber como anda o futebol paranaense. Respondi que incorremos num erro, amparados sobre uma leitura errada do conceito de “isonomia”: a de que os três são iguais entre si e sempre que há uma análise, deve ser feita em conjunto. É um erro clássico, que mais atrapalha do que ajuda os clubes locais. Não são iguais, especialmente nesse momento. E cada qual deve ser lido e analisado como exclusivo.
O Coritiba, por exemplo. Começou mal o Brasileiro, mas dado o equilíbrio da competição, uma solitária vitória o mantém longe da famigerada zona de rebaixamento. Mas o Coxa, único representante paranaense na elite nacional, não deve ser comparado aos rivais sob qualquer prisma.
O peso de uma análise sobre o Coritiba deve ter somente o seu momento. E no jogo contra o Flamengo ficou claro que o problema está na ausência de um camisa 9 competente. O time do Flamengo é fraco. E ao repatriar Adriano e manter o reinado da balbúrdia em seu elenco, o time carioca deve sofrer nesse Brasileirão. No entanto, dominar o jogo durante boa parte do tempo não impediu o Coxa de perdê-lo. Ao contrário: à distância, o placar de 1-3 é incontestável.
A verdade é que dentro das expectativas, o Coritiba tem mesmo que se dedicar ao máximo aos dois jogos da Copa do Brasil que o separam da final. E então tentar o único título nacional que passa a ficar ao alcance dos times da terrinha. A longo prazo, será impossível competir com Corinthians, São Paulo, etc., dado o poderio financeiro desses clubes. Enquanto o Coxa pena para achar um 9 que cabe no bolso, o Corinthians dispensa Liédson. Disse aos colegas do interior que não se deve esperar mais que um 8o a 12o lugar desse time do Coritiba, mas que o São Paulo – time da preferência de alguns por lá – que bote as barbas de molho, porque em mata-mata, há a possibilidade.
Dentro do nosso costume “isonômico” de tratar o Trio, diferente entre si, da mesma maneira e com o mesmo espaço, o maior crime que se comete é com o Paraná Clube.
Equiparar o Tricolor – outrora até superior em campo e em patrimônio – à dupla é retardar a recuperação do clube. É exigir de quem não tem recursos o mesmo poder de fogo dos demais. Em Maringá, onde também estive, alguns assistiram aos jogos contra os Grêmios pela Série Prata. Ou ao menos disseram que assistiram, já que a própria cidade não sabe quem abraçar entre os dois clubes locais. Fato é que o Paraná, curiosamente o único a vencer no final de semana, não pode ser cobrado no nível dos outros clubes da capital. Tem menor aporte, menor poder financeiro. Briga para voltar à elite paranaense e se manter na Série B nacional. Será um ano a se comemorar se as coisas acabarem assim, com um resgate mais humilde. E isso deve ser passado ao torcedor. O Paraná hoje é menor que os rivais – o que não significa que o amor da torcida, buscando apoiar, participar e compreender, deva ser.
A decepção fica por conta do Atlético.
Mais do que o elenco fraco (foi vice-campeão em um campeonato de dois clubes, com derrotas e tropeços para equipes semiamadoras como o Roma de Apucarana), ou as invencionices do técnico, o problema atleticano é psicológico. O clube segue rachado. Maior orçamento da Série B, o Furacão passa longe de fazer jus ao apelido.
Em campo, um time que não tem laterais, tem apenas um zagueiro, um volante e um meia já em idade avançada, repatriou eternas promessas e fez apostas duvidosas em reforços. Um time barato, mas ineficaz. E acredito que seis meses depois da posse da nova gestão, já se possa fazer essa avaliação. E aqui entramos no real problema do Atlético, que tem recursos para buscar as soluções no gramado: a política. Criticar as escolhas da atual gestão não significa esconder o que foi mal feito no passado. Ao contrário: o passado, passou.
O Atlético hoje se escora nos erros de uma gestão infeliz em 2011 e na revolução de 1995, como se isso bastasse para que o time vencesse times de poder de fogo muito menor, como Boa Esporte e CRB. O passado vitorioso não garante um futuro vencedor, nem a canonização de quem o fez. A diretoria atual vive um estado de negação. Um distúrbio psicológico que impede os gestores de assumirem escolhas erradas e mudarem o rumo das coisas. Quem critica, é contra, é “talibã”, é adversário.
Pior do que a negação é a ausência total de compromisso com a transparência no encaminhamento do projeto de futebol do clube. A gestão de futebol jamais veio a público explicar como o Atlético retornará à elite nacional, critérios de contratação e dispensa, padrão de jogo e tudo mais; limitam-se a dizer o óbvio: o projeto é subir. Em uma das poucas aparições públicas, o diretor de futebol atleticano se mostrou indiferente às cobranças de alguns torcedores. Ao que parece, a cúpula rubro-negra vive em um mundo maravilhoso, onde em breve, mesmo sem reforços, esse time jogará como nunca e ascenderá à elite sem dificuldades. E quando isso acontecer, ai dos “detratores”. Nesse racha, nesse cenário, o Atlético está andando para trás.
Foi então que um dos colegas soltou um “que pena” e voltou a falar de Corinthians x Santos. Sequer pude condená-lo. Mas, como disse no videocast, ao menos o Coritiba terá uma chance, depois de amanhã, de tentar mudar um pouco essa história.
Mexeu com a comunidade esportiva a forte entrevista do presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, após a derrota (2-3) para o Botafogo no último final de semana. Vilson qualificou torcedores como “imbecis” e fez questão de ressaltar que quem manda no Coxa é ele. Pausa. Vilson é um ser humano e como qualquer outro é sujeito a rompantes emocionais. Apesar de generalizar na declaração, o dirigente qualificou de imbecis não à todos os coxas-brancas, mas sim aos que ofendiam a esposa de Jonas (que não jogou nada mesmo), presente nas cadeiras e que saiu em defesa do marido. Seguimos. Não é natural de Vilson Andrade essa postura, de fazer questão de lembrar quem manda no Coritiba. O rompante emocional é justificável, desde que não seja tendência. Governa-se de duas maneiras: ou pelo amor, ou pela dor. Até aqui, Vilson foi paz e amor. O outro caminho existe, mas não creio que seja tomado – muito embora nunca se viu crise no Coxa com ele no comando.
O estádio, história sem fim
À pedido do Paraná Clube, a CBF remarcou o jogo da próxima terça, 05/06, entre Atlético e Ipatinga, da Vila Capanema para o Germano Kruger, em Ponta Grossa. A partida de depois de amanhã, do Atlético contra o Barueri, segue na Vila. O jogo entre Atlético x Goiás, também marcado para a Vila para um sábado, 16/06, agora está indefinido na tabela da CBF. Vamos por partes: o Paraná tem razão em chiar. Jogou ontem na Vila, joga amanhã pela Série Prata contra o Serrano, verá o Atlético jogar contra o Barueri na sexta e caso a CBF marcasse o jogo contra o Ipatinga pra Vila, o gramado teria que agüentar ainda jogos nos dias 05, 07 e 09 de junho. Não agüenta. E nisso não estou contando nem a imposição absurda por falta de habilidade atleticana na negociação, nem o orgulho besta que permite que o Tricolor rasgue dinheiro.
Autofagia
Fato é que o jogo contra o Goiás, dentro de 19 dias, ainda pode ser na Vila. Quiçá no Couto, em Paranaguá ou em Ponta Grossa. Ninguém sabe. A CBF, creio, irá pensar e pesar caso a caso, uma vez que os clubes de Curitiba, cada qual com seu quinhão de razão, não chegaram a um consenso. É o retrato típico da cidade em que vivemos: pra que construir, se é mais fácil atrapalhar? “A Copa na cidade não presta”, “Aquele ator é curitibano? Desconfiava” ou “Nosso trânsito é um lixo.” Escolha sua linha de raciocínio e admita: o curitibano não sabe progredir em conjunto. Se em cinco anos não houve consenso, não seria durante o campeonato que o Atlético – cuja postura presidencial mais repele que agrega – iria conseguir ser visto como parceiro de um evento benéfico para a cidade. Ah!, Curitiba, tão linda e tão retrógrada.
Copa do Brasil
Preferia que o Coxa jogasse a primeira das semifinais em casa. Mas o que vale é não se assustar com o Morumbi, daqui há 17 dias. Muito menos com o irregular São Paulo.
Por que e em que acreditar nesse segundo turno do Brasileirão?
Vai começar o segundo turno do Brasileirão. É apenas simbólico. Na verdade, tudo continua como antes, apenas com a tabela com menos jogos pela frente. Mas o que é a vida senão uma sequência de interpretações simbólicas, como quando pulamos sete ondas e vestimos branco no ano novo? Poderia ser apenas mais um ciclo de 24h, mas não é. E se for para usar como impulso, porque não?
Sendo assim, farei uma análise técnica, apesar do momento ser puramente sentimental, do que esperar das equipes no segundo turno no Brasileirão 2011. A começar pela dupla da terrinha na Série A:
Atlético
1o. Turno: 17º lugar, 18 pts, 31.6%
Resumo: Viveu o pior início de Brasileiro de todos os tempos, conseguindo a primeira vitória somente na 11ª rodada, ao superar o Botafogo em casa (2-1). Foi o terceiro jogo de Renato Gaúcho no comando do Furacão; com ele, em 30 pontos, a equipe fez 17 – 56,6% de aproveitamento, o mesmo do Palmeiras, sexto colocado, o que fez o time se agarrar na esperança de repetir o feito do Grêmio/10 do mesmo Renato: da ZR para a Libertadores.
Renato: com ele, o Atlético mudou (foto: Joka Madruga)
Pior momento: A derrota para o Fluminense (1-3), na 7ª rodada, com erros do então goleiro Márcio e do zagueiro Rafael Santos. A equipe completava a sexta derrota em sete jogos e o único ponto fora conseguido em casa, no empate com o Flamengo (1-1).
Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2), em confronto então direto, já que o Peixe de Neymar amargava a ZR. Era o início da reação que chegou a tirar o Furacão da ZR por uma rodada – o que pode voltar a acontecer se vencer o xará mineiro nesta quarta.
No que acreditar: Nas mudanças que já aconteceram e nas que podem vir, como a chegada de algum centroavante (pedido insistente do técnico) ou o retorno e decolagem dos gringos Morro Garcia, Nieto e/ou Guerrón. Para entender o que já mudou, vamos ver as diferenças entre o time da estréia e o provável time do início do 2º turno:
1ª rodada: Atlético-MG 3-0 Atlético
Renan Rocha; Rômulo (Wendel), Manoel, Rafael Santos e Paulinho; Deivid, Cléber Santana (Adaílton), Paulo Roberto e Marcelo Oliveira; Paulo Baier (Madson) e Guerrón. Técnico: Adilson Batista
Em negrito estão os jogadores que deixaram o time titular do Atlético de lá para cá; alguns sequer são opções do novo treinador, Renato Gaúcho. Do banco ao ponta, nada menos que seis mudanças em relação ao provável time:
20ª rodada: Atlético x Atlético-MG
Renan Rocha; Wagner Diniz, Gustavo, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kleberson, Cléber Santana, Marcinho e Madson; Edigar Junio.
Técnico: Renato Gaúcho
Do time acima, além da recuperação do futebol de Cléber Santana e da entrada de Fabrício, destaca-se o crescimento de Deivid e a chegada de Marcinho, ao lado de Renato, símbolo da recuperação atleticana.Vale dizer que a escalação acima está sem dois titulares: o zagueiro Manoel e o lateral-direito Edilson. Aposta ainda nas recuperações físicas de Paulo Baier e Paulo Roberto e nas recuperações técnicas de Madson e do trio de ataque internacional.
Com o que se preocupar: Não tem atacantes. Como futebol tem por base o número de gols marcados, é alerta vermelho nesse item. Também depende da estabilidade emocional do técnico Renato Gaúcho e da permanência do mesmo até o final do ano, já que o “projeto” passa totalmente por ele. Se acontecer o mesmo que em 2010, quando Carpegiani trocou o clube pelo São Paulo FC, pode dar problema.
Projeção: Escapa do rebaixamento, mas não aspira nada mais que a Copa Sul-Americana. Para tanto, precisa de cerca de 26 pontos em 57, 45,6% – menos que o índice atual de Renato.
Coritiba
1o. Turno: 9º lugar, 26 pts, 45.6%
Resumo: Começou o campeonato dividindo atenções com a Copa do Brasil, da qual foi finalista. Com o passar dos jogos, deu a impressão de ter sentido a perda do título da copa e de não estar 100% no Brasileiro. Faz uma campanha regular – ótima para um clube que esteve à beira da falência em 2009-10 – mas aquém do que a equipe demonstrou ter poder para fazer e abaixo da exigência da torcida, que ficou com um gosto de “quero mais” ainda em 2011.
Pior momento: Pode ser considerado o jogo contra o São Paulo FC em casa (3-4), quando chegou a estar perdendo por 0-4 e atuando com um homem a menos. Ainda assim, o Coxa não teve um momento ruim: acabou diminuindo suas pretensões em pequenos tropeços, como na estréia com o Atlético-GO (0-1) ou empates em casa com Inter (1-1) e Palmeiras (1-1).
Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2) na Vila Belmiro, épica. Virou uma partida contra um adversário em recuperação, com Neymar e Borges no ataque, superando uma arbitragem confusa, que errou em demasia, em especial em um lance claro de pênalti em Leonardo. Ali, provou que as cobranças da torcida por melhores resultados tem fundamento.
No que acreditar: Na qualidade do elenco, que em 2011 já demonstrou que pode mais do que vem fazendo, em jogos como o 6-0 no Palmeiras pela Copa do Brasil e nas goleadas nos Atletibas, 4-2 e 3-0. A perda preciosa de pontos contra adversários diretos em casa e resultados ruins contra times em situação inferior na tabela desanimaram, mas sabe-se que o time tem potencial. Em relação a estréia no campeonato, pouco mudou, o que fortalece o conjunto:
1ª rodada: Coritiba 0-1 Atlético-GO
Edson Bastos; Jonas (Willian), Cleiton, Emerson e Lucas Mendes (Geraldo); Leandro Donizete, Léo Gago, Rafinha e Davi; Anderson Aquino (Éverton Costa) e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.
Em negrito, os jogadores que não vêm sendo muito utilizados – Cleiton, por exemplo, foi emprestado e se machucou. Levando-se em conta os desfalques de Tcheco e Jéci por suspensão, o Coxa estréia no returno assim:
20ª rodada: Atlético-GO x Coritiba
Edson Bastos; Jonas, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Leandro Donizete, Léo Gago, Willian e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.
Na rápida comparação, o time é praticamente o mesmo da estréia e quem não estava, pode ser considerado reforço. Pereira é segurança na zaga, apesar de ter dificuldade em jogadas mano a mano; Willian ganhou o respeito da torcida e o titular, Tcheco, dá ritmo a meia-cancha mais do que Davi fez enquanto teve chances; e Marcos Aurélio é mais atacante que Anderson Aquino.
O otimismo com o Coritiba é justificável se os próprios jogadores reencontrarem o nível de atuações que vinham tendo no Estadual, na Copa do Brasil e em algumas rodadas do Brasileiro.
Coxa comemora: segredo está no elenco
Com o que se preocupar: Com a fase de Edson Bastos. A muralha alviverde vive período conturbado, cobrada pela torcida. Pode sentir e goleiro, como diz a música, não pode falhar. Também tem carências no ataque, ressentindo-se de um matador; Bill oscila bons e maus jogos, o que explica também a oscilação do time.
Projeção: Classifica-se ao torneio consolação, a Copa Sul-Americana. Para fazer mais, precisará somar 33 a 34 pontos em 57, 59,6% de aproveitamento – é o índice que tem hoje o Botafogo, detentor da vaga que o Coxa aspira.
E os demais?
América-MG (20º/13pts): Dificilmente escapa do rebaixamento. Será decisivo em jogos contra rebaixáveis e aspirantes ao título: quem perder pontos para o Coelho, estará em maus lençóis.
Atlético-GO (12º/25pts): Brigará para não cair no final do campeonato, mas é um dos que menos corre riscos. Ficará com vaga na Sulamericana.
Atlético-MG (19º/15pts): Vive situação dramática, mas tem elenco, torcida e camisa. Vai até o fim brigando para não cair. A sequência de derrotas com Cuca (o coxa-branca sabe) pode ser fatal.
Avaí (18º/17pts): Já demonstrou que não vai se entregar com facilidade, em jogos contra Figueirense e São Paulo. Mas é outro que briga para não cair com dificuldades.
Bahia (16º/20pts): Não está fácil ser um dos primeiros do alfabeto: também brigará para não cair. Está em decadência e perdeu Jobson por problemas extracampo. Amargou anos nas divisões inferiores e, apesar da gigantesca e apaixonada torcida, terá dificuldades quando precisar de fôlego.
Bahia: só com muita fé do povão
Botafogo (5º/34pts): Vai chegar a Libertadores. Tem elenco e um bom técnico, Caio Júnior. Desta vez a frase “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” não irá emplacar.
Ceará (13º/25pts): Enganou bem, mas vai acabar brigando para não cair. Tem um time envelhecido e instável.
Corinthians (1º/37pts): É líder e vai até o final brigando pelo título com Flamengo e São Paulo. E se acostume, porque com os novos valores das cotas de TV, será assim até o fim. Meu palpite? Não fica com a taça.
Cruzeiro (7º/ 27pts): Está abaixo do que pode render. Depende demais de Montillo em dias inspirados. Mas pode engrenar e ser o principal adversário do Botafogo na briga pela Libertadores.
Cruzeiro e a Montillodependência
Figueirense (10º/26pts): Sabe aquela equipe que fica o campeonato inteiro no meio da tabela e quando menos percebe, está ameaçada de rebaixamento? Então, é o Figueira.
Flamengo (2º/36pts): Está em segundo, mas pela campanha no ano, o técnico que tem (Luxemburgo) e os craques Thiago Neves, Ronaldinho, mesmo dependendo de Deivid ou Jael, é o favorito para o título. Poderá ser Hexa em 2011.
Ronaldinho tem feito a diferença no Fla
Fluminense (11º/25pts): O atual campeão brasileiro não cai, não vai disputar título, não vai para a Libertadores… 2012 tá aí.
Grêmio (15º/21pts): Viverá um final de ano dramático. Vai até o fim brigando para não cair. Ao lado de Atlético e Atlético-MG, é daqueles que tem de onde tirar recursos quando o cinto apertar de vez.
Internacional (8º/27pts): Sonha com a Libertadores e tem elenco e estrutura para tanto. Terá que correr para pegar Cruzeiro e/ou Botafogo. É o que menos tem chances dos três.
Palmeiras (6º/32pts): Só Felipão salva. Assistir o Palmeiras jogar é um desafio a compreensão do porquê o Alviverde paulista está entre os postulantes à Libertadores. Construindo estádio, não terá fôlego para a briga. Sulamericana à vista.
Santos (14º/22pts): Fará uma campanha de recuperação no 2º turno e chegará entre 12º e 8º lugar antes de ir medir forças com o Barcelona e outros menos famosos no Mundial de Clubes.
São Paulo (3º/35pts): Acabará sendo o principal obstáculo do Flamengo ao Hexa. E pode ser Hepta, coroando de vez a era Rogério Ceni. Tem força, elenco e vai brigar até o fim.
Vasco (4º/35pts): Com a missão do ano cumprida, já achava difícil que o Vasco tivesse pernas para ir até o fim sonhando com a dupla coroa nacional; sem Ricardo Gomes, vai depender muito de como a equipe e a diretoria reagirão ao que acontecer com o treinador.
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