Pinheirão: dia decisivo, entenda os desdobramentos

Amanhã, às 14h, está marcado o segundo leilão do Pinheirão, com valor inicial 50% menor que o do primeiro leilão: R$ 33 milhões de reais.

Mas ele pode não acontecer.*

Pelo menos é o que pretendem FPF e OAS, que, através de petição da federação, tentam uma liminar na 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais de Curitiba, com a juíza Alessandra Anginski para impedir a realização do leilão. Até o momento em que escrevo este post, 19h50 de quarta, 19/10, ela não concedeu a liminar, como já havia feito no primeiro leilão.

A OAS já tem um acordo fechado para a compra do terreno. Por R$ 85 milhões, a empreiteira quitaria as dívidas junto à receita, Prefeitura e Estado, e outros credores, entre eles o Atlético, que receberia R$ 15 milhões. O valor é menor do que pode chegar a custar o imóvel/terreno caso vendido em leilão: o preço de R$ 33 milhões é apenas em cima do bem, não quitando dívidas e sem contar a comissão do leiloeiro.

O Grupo Tacla é o principal concorrente e o único que deve entrar no leilão. Em 2007, o mesmo grupo arrematou o bem (clique aqui e relembre a história em reportagem da Gazeta do Povo) mas a FPF embargou a compra. E promete fazer o mesmo caso o grupo em questão arremate o imóvel.

O principal problema a ser contornado é a lei criada para que a Prefeitura de Curitiba, ainda nos anos 60, pudesse doar o terreno à federação. Na lei, há a obrigatoriedade de se construir uma praça esportiva no local. O Grupo Tacla, segundo o que apurei, pretende erguer um shopping na região e, para isso, teria de se valer de força política para modificar a lei. A política, no entanto, está ao lado da OAS, que pretende construir um shopping, um centro de eventos e um estádio anexo – e aí chegamos ao Coritiba.

Há um documento assinado por Vilson Ribeiro de Andrade, uma carta de intenções, dando conta de que, caso a OAS compre o terreno e construa, o Coritiba usufruirá, mediante contrato, da nova praça desportiva. A carta não é um contrato; este está em negociações que ainda devem se arrastar por um tempo – mas com muita possibilidade de um “sim” entre Coxa e OAS.

A proposta da OAS para o Coritiba é similar à do Grêmio: o estádio será do clube, mas após um período de 20 anos; até lá, 100% da bilheteria no jogos é da empresa, e não do clube; o Coritiba teria obrigação de mandar seus jogos somente no novo estádio; pelo período de 20 anos, os sócios serão do estádio, e não do clube; o entorno do estádio (shopping, centro de eventos) não dá nenhum lucro ao clube; o terreno do Couto Pereira passa a ser de propriedade da OAS. Entre outros pormenores.

Já o Coritiba quer a revisão de alguns dos termos: o Coxa pleiteia 15% da arrecadação que a empresa tiver no entorno; não aceita ceder bilheteria e placas de publicidade à OAS, tampouco o valor dos sócios, ainda que por prazo determinado. A idéia do Coritiba é manter a receita e repassar 85% dos lucros do entorno para a empresa; sobre o terreno do Couto Pereira, o Coxa quer manter 20% da propriedade em seu nome, repassando 80% para a OAS fazer outro empreendimento – deste, o lucro seria todo da empresa, na área determinada.

A negociação é complexa e, embora somente nos últimos meses tenha vazado na imprensa, já dura 1 ano e meio.

A carta na manga coxa-branca para fazer valer seus desejos é a necessidade de se ter uma praça esportiva no local. Sem o clube, a OAS não teria como fazer a obra – mesmo problema que terá o Grupo Tacla caso arremate o bem. Logo, para que o projeto tenha sucesso, a empresa sabe que precisará ter um centro desportivo anexo e o Coritiba, com o terreno do Couto Pereira (valor estimado de 8 mil o M2), é o parceiro que tem como recompensar a empresa e estar amparado pela lei.

Essas são as cartas, o jogo (re)começa amanhã, 14h. Sem hora para terminar – embora os mais otimistas digam que em 20 dias, a negociação será confirmada ao público.

*Update:

Apurou a jornalista Nadja Mauad, 20h52: “Segundo o presidente da FPF, Helio Cury, o leilão marcado para esta quinta-feira foi cancelado. ‘Apuramos o valor que deviamos junto ao INSS, pagamos e evitamos o leilão. Agora vamos negociar diretamente com os interessados novamente. Venderemos pelo melhor preço’, disse.”

Nota: o recurso do update é usado para manter o teor original do texto, que já afirmava que o leilão poderia não sair. Ainda carece de confirmação, mas confio plenamente no poder de apuração da Nadja, por isso (e porque Hélio Cury está com o celular desligado) o faço com o texto dela.

5 comentários sobre “Pinheirão: dia decisivo, entenda os desdobramentos

  1. Napoleão,

    Tem certeza sobre os valores envolvendo a negociação da arena do Grêmio? Segue link do blog do PVC sobre o assunto:

    http://espn.estadao.com.br/pauloviniciuscoelho/post/191113_AS+DIRERENCAS+ENTRE+A+ARENA+DO+GREMIO+E+A+ARENA+DO+PALMEIRAS

    No caso do Coritiba acredito que o clube consiga ate mais vantagens devido o que tem a oferecer como os terrenos do Couto e CT antigo (Parece que valem R$300 mi), alem de poder negociar títulos de potencial construtivo se for o caso.

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    1. Rafael,

      Não citei valores quanto a negociação do Grêmio e sim do Pinheirão: R$ 85 milhões pela compra do terreno, incluindo aí o pagamento das dívidas. O que cito em relação ao Grêmio é o modelo da negociação: a oferta da OAS, próxima a que foi feita no Sul, e a contraproposta do Coxa – cá entre nós, muito mais razoável.

      Quanto ao valor estimado do CT e do Couto, o clube estima até R$ 400 mil reais – o valor maior está no CT, pela localização. Os títulos em potencial construtivo são um direito do Coritiba, dado o benefício feito ao Atlético, mas há uma determinação de que não se injete mais títulos desses no mercado. Mas, de fato, nunca ouvi ninguém do Coritiba contar com esse benefício para a negociação.

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  2. Napoleão, se for correta a informação de que a FPF pagou o que devia ao INSS e vai negociar direto com os interessados, é mais provável (certamante) que a negociação com o “futuro estádo” do Coritiba saia do papel?

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    1. Tudo indica que sim. Difícilmente evitaria-se um leilão, tendo compradores em vista, para nada.

      Mas aí já é julgamento nosso. Ainda não é informação. Fato é o que tá no texto: há proposta, há possibilidade de acerto. Acho que nos próximos dias a coisa desenrola mais.

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  3. Bom, se fosse pra fazer um contrato como o do grêmio, não é vantagem. O clube não tem direito a nada, não pode ser assim! veja o exemplo do clube lá de baixo, o Petraglia pode ser tudo, men os burro!

    Abraços Napo, KK_COXA – UTP

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